Questões de Concurso
Comentadas sobre significação contextual de palavras e expressões. sinônimos e antônimos. em português
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Durante a Guerra do Golfo, as televisões do mundo inteiro exibiram duas imagens de forte impacto: uma delas mostrava incubadoras desligadas pelos iraquianos, com crianças prematuras kwaitianas mortas; outra, pássaros sujos de petróleo por uma maré negra provocada também pelos iraquianos. Ambas as imagens eram falsas. As incubadoras eram uma montagem. A maré negra era real, mas tinha acontecido a milhares de quilômetros dos “cruéis” iraquianos.
Como nos defender de tudo isso? Simplesmente obtendo informações em outras fontes. Quantos livros você leu no ano que passou? Informativos e formativos? E literatura? Quando falo em literatura, não estou me referindo aos best-sellers, mas aos clássicos. Você já leu Shakespeare, Thomas Mann, Goethe, Machado de Assis? Parece uma tarefa difícil, mas não é. Hamlet, de Shakespeare, por exemplo, é uma peça de teatro que se lê em dois dias! E quanta coisa se aprende sobre a alma humana!
(Antônio Suárez Abreu. A arte de argumentar. São Paulo, Ateliê Editorial, 2009. Adaptado)
Víamos os nossos pés
Não sou uma pessoa tropical. Minha terra preferida é o outono em qualquer lugar. No outono as coisas se abrandam e absorvem a luz em vez de refleti-la. É como se a Natureza etc., etc. (O verão não é uma boa estação para literatura descritiva. Me peça o resto da frase no outono.)
Sempre digo que a praia seria um lugar ótimo se não fossem a areia, o sol e a água fria. É só uma frase. Gosto do mar. O diabo é que a gente sempre tem na cabeça um banho de mar perfeito que nunca se repete. O meu aconteceu em Torres, Rio Grande do Sul, em algum ano da década de 50. Sim, crianças, em 50 já existiam Torres, o oceano Atlântico e este cronista, todos bem mais jovens. O mar de Torres estava verde como nunca mais esteve. Via-se o fundo?
Via-se o fundo.
Víamos os nossos pés, embora a água estivesse pelo nosso pescoço, e como eram jovens os nossos pés. Havia algas no mar? Iodo, mães-d’água, siris, dejetos, náufragos, sereias? Não, a água estava límpida como nunca mais esteve. Os únicos objetos estranhos no mar eram os nossos pés, e como isso faz tempo. Até que horas ficamos na água? Alguns anoiteceram dentro d’água e estariam lá até agora se não tivessem que voltar para a cidade, se formar, fazer carreira, casar, envelhecer, essas coisas.
Como o cronista explica sua aversão ao verão depois de tais lembranças? É que eu não gostava do verão. Gostava de ser mais moço.
(Luis Fernado Verissimo. Em algum lugar do paraíso. Rio de Janeiro, Objetiva, 2011. Adaptado)
Estado de coma
1902 – Subitamente – nenhuma doença antes, nenhuma febre, nenhum golpe na cabeça, nenhum desgosto – o menino Jorge Henrique Kuntz, de treze anos, residente no bairro da Floresta, em Porto Alegre, entra em coma. Ao menos este é o diagnóstico que formula o Doutor Schultz, médico da família, perplexo diante do estranho caso desse rapazinho que, nunca tendo tido uma doença grave, deitou-se e não mais acordou, apesar dos gritos, das súplicas, das cautelosas picadas de alfinete. É coma, diz o médico, e a família recusa-se a acreditar: o rosto rubicundo, o leve sorriso, a respiração tranquila – isto é coma? Isto é coma, doutor? – pergunta indignado Ignacio José Kuntz, marceneiro e faz-tudo, pai do menino. A mãe, Augusta Joaquina Kuntz, não pergunta nada, não diz nada; chora, abraçada aos outros filhos: as gêmeas, Suzana e Marlene, dois anos mais velhas que Jorge Henrique; e Ernesto Carlos, o caçula. O médico, confuso, apanha a maleta e se retira.
1938 – Morre o Doutor Schultz. Encontram entre seus papéis um caderno contendo uma descrição detalhada do caso de Jorge Henrique. As inúmeras interrogações dão prova da angústia do velho médico: até o fim, pesquisou, sem êxito, um diagnóstico.
1944 – Augusta Joaquina completa setenta e cinco anos. As vizinhas querem homenageá-la com uma festa, que ela recusa: não vê motivos para celebrações. Prefere ficar só, com seu filho. É que vê a morte se aproximar.
Vê a morte se aproximar e nada pode fazer. Mas não se preocupa: há meses vê, junto à cama de Jorge Henrique, um vulto de contornos indistintos, envolto numa aura de suave esplendor. É a este ser, ao anjo da guarda, que confiará o seu filho quando enfim partir.
Uma madrugada acorda sufocada, estertorando; é, reconhece, o velho coração que fraqueja. Soergue-se no catre, volta os olhos arregalados para o filho.
– Filho!
Não consegue levantar-se. Pega os cabelos dele com as mãos, trêmulas, leva-os ao rosto. Filho, murmura, vou para o céu, vou pedir por ti...
Morre.
Não fosse isto – a morte – teria visto Jorge Henrique abrir os olhos, sorrir, espreguiçar-se, dizer numa vozinha fraca de nenê: ai, gente, dormi um bocado.
(Moacyr Scliar, Os melhores contos. Adaptado)
Estado de coma
1902 – Subitamente – nenhuma doença antes, nenhuma febre, nenhum golpe na cabeça, nenhum desgosto – o menino Jorge Henrique Kuntz, de treze anos, residente no bairro da Floresta, em Porto Alegre, entra em coma. Ao menos este é o diagnóstico que formula o Doutor Schultz, médico da família, perplexo diante do estranho caso desse rapazinho que, nunca tendo tido uma doença grave, deitou-se e não mais acordou, apesar dos gritos, das súplicas, das cautelosas picadas de alfinete. É coma, diz o médico, e a família recusa-se a acreditar: o rosto rubicundo, o leve sorriso, a respiração tranquila – isto é coma? Isto é coma, doutor? – pergunta indignado Ignacio José Kuntz, marceneiro e faz-tudo, pai do menino. A mãe, Augusta Joaquina Kuntz, não pergunta nada, não diz nada; chora, abraçada aos outros filhos: as gêmeas, Suzana e Marlene, dois anos mais velhas que Jorge Henrique; e Ernesto Carlos, o caçula. O médico, confuso, apanha a maleta e se retira.
1938 – Morre o Doutor Schultz. Encontram entre seus papéis um caderno contendo uma descrição detalhada do caso de Jorge Henrique. As inúmeras interrogações dão prova da angústia do velho médico: até o fim, pesquisou, sem êxito, um diagnóstico.
1944 – Augusta Joaquina completa setenta e cinco anos. As vizinhas querem homenageá-la com uma festa, que ela recusa: não vê motivos para celebrações. Prefere ficar só, com seu filho. É que vê a morte se aproximar.
Vê a morte se aproximar e nada pode fazer. Mas não se preocupa: há meses vê, junto à cama de Jorge Henrique, um vulto de contornos indistintos, envolto numa aura de suave esplendor. É a este ser, ao anjo da guarda, que confiará o seu filho quando enfim partir.
Uma madrugada acorda sufocada, estertorando; é, reconhece, o velho coração que fraqueja. Soergue-se no catre, volta os olhos arregalados para o filho.
– Filho!
Não consegue levantar-se. Pega os cabelos dele com as mãos, trêmulas, leva-os ao rosto. Filho, murmura, vou para o céu, vou pedir por ti...
Morre.
Não fosse isto – a morte – teria visto Jorge Henrique abrir os olhos, sorrir, espreguiçar-se, dizer numa vozinha fraca de nenê: ai, gente, dormi um bocado.
(Moacyr Scliar, Os melhores contos. Adaptado)
Considere os trechos do texto:
• Subitamente [...] o menino Jorge Henrique Kuntz, de treze anos, [...] entra em coma. (1° parágrafo)
• ... pergunta indignado Ignacio José Kuntz, marceneiro e faz-tudo, pai do menino. (1° parágrafo)
• ... há meses vê, junto à cama de Jorge Henrique, um vulto de contornos indistintos... (4°parágrafo)
No contexto em que estão empregados, os termos destacados remetem, correta e respectivamente, aos sentidos:
Ela trabalhou ao lado do ator Raul Cortez – com quem foi casada –, fez sucesso na televisão, aproximou-se do espiritismo e, afastando-se paulatinamente de seu ofício, iniciou atividades que, com o tempo, culminaram na criação de uma escola de teatro. Célia Helena começou a privilegiar o trabalho de formação em detrimento da sua carreira de sucesso.
A palavra “detrimento”, sublinhada no texto, pode ser substituída por:
Caso o seu cartão __________ preso na máquina da loja ou no caixa eletrônico, procure anular ou cancelar a compra e __________ imediatamente o seu banco. Caso você __________ o telefone da cabine do caixa, verifique se o telefone funciona. Em caso negativo, o golpe é iminente. Neste caso, não aceite ajuda de nenhum estranho.
Leia a tira para responder à questão.

O time de futebol paraense Paysandu anunciou a criação do projeto Alegria do Povo, o qual, em parceria com o curso de serviço social da Universidade da Amazônia (Unama), selecionou torcedores para um programa de concessão de entradas gratuitas em jogos do clube.
Do outro lado, o também paraense Remo não ficou atrás. Em dezembro de 2018, a agremiação azulina reformulou seu plano de sócio-torcedor e incluiu a categoria Ouro Social, destinada a beneficiários de programas sociais como o Bolsa-Família. Em apenas um mês, as 600 vagas da modalidade foram esgotadas. Nela, os torcedores pagam mensalidade de 30 reais e têm acesso garantido a todos os jogos. “Fizemos questão de não colocar nenhuma distinção na carteirinha de sócio”, conta o presidente Fábio Bentes. “Para cumprir nosso papel social é fundamental mostrar que todo torcedor tem importância.”
Na contramão dos clubes do eixo Sul-Sudeste, o preço do ingresso praticado pela dupla “Repa”, como é conhecido o clássico paraense, ainda se encaixa no orçamento de boa parcela de seus torcedores. Enquanto o Corinthians, terceira bilheteria mais cara do país, cobra em média 50 reais na Arena, Remo e Paysandu se mantêm estáveis na casa dos 20 reais.
“Quando jogamos contra times de outros estados, nosso trunfo é o apoio maciço do torcedor”, afirma Bentes. “Vamos provar que aproximá-lo do clube, não importa de onde venha, vale a pena.”
(Breiller Pires. A receita dos times do Pará para se reconectar ao povo e encher os estádios. https://brasil.elpais.com, 05.05.2019. Adaptado)
Assinale a alternativa correta quanto à significação das palavras ressaltadas no período, dentro deste contexto:
Quando o assunto é relação de trabalho entre empregado e empregador, no Brasil é feita uma imediata associação: conflito judicial. O equívoco (1) das empresas está em não adotar medidas preventivas para gerenciamento dessas questões, o que pode ser evitado ou corrigido por meio da adoção de programas de compliance na seara (2) trabalhista. As ações de prevenção de riscos nas relações de trabalho têm o objetivo principal de combater práticas antiéticas e ilegais dos empregados e dos empregadores. O resultado do compliance é imediatamente refletido na redução do passivo (3) trabalhista e na melhoria do meio ambiente de trabalho. O programa de compliance, também conhecido como programa de conformidade (4), funciona como uma espécie de “auditoria [...].
(James Augusto Siqueira. 7 de outubro de 2017. Disponível em https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/compliance-trabalhista-reduz-judicializacao-entre-empregado-e-empregador/. Acesso em 10 de setembro de 2019.)
Do primeiro celular ao smarthone*
Do primeiro celular a gente nunca se esquece: falo do tijolão preto, quando chegou ao Brasil! Lembro como se fosse o primeiro dinossauro. Causou uma revolução em nossos costumes. Mas era apenas um telefone – falar e ouvir.
Foi um susto ao ver as pessoas falando nas calçadas. Na época, eu pensei que aquele estardalhaço pelas ruas, com o aparelho no ouvido, seria coisa passageira, logo as pessoas entrariam em equilíbrio. Mas não, piorou. Sem cerimônia entramos na vida dos outros, nas conversas de família, nas doenças, nas brigas. E não se respeitam mais hospitais, clínicas, elevadores, lojas... O tranco é o mesmo. Um berreiro. E assim seguiremos, já acostumamos a compartilhar toda a nossa vulnerabilidade em lugar público. Compartilhamos o que somos e o que gostaríamos de ser. Uma mistura surreal contemporânea, massificada.
Atualmente estamos com o que há de mais moderno. Frequentemente, enormes filas se formam à espera de mais um “trocinho” moderno.
Estou sentindo que não levará muito para acabarem com teclados, mouses e a sensação gostosa de sentar à mesa e escrever em silêncio. Contar nossas vivências, nossas histórias, nossa poesia. Não é difícil de entender esse vínculo que criamos de interação em torno da escrita. Mas já ouvi falar em escrita por “comando de voz”. Um desencanto!
O mundo virtual está engolindo o mundo real nas lojas e Bancos. Há uma ânsia em se comunicar, alegrias e tristezas a compartilhar. Os filhos não querem saber de papo familiar, vão direto às redes sociais e lá tiram suas dúvidas com centenas de amigos. Só o futuro dirá algo sobre isso.
(Taís Luso. Disponível em: https://taisluso.blogspot.com/. 22.11.18. Adaptado)
* Smarthone – celular com tecnologias avançadas.
Do primeiro celular ao smarthone*
Do primeiro celular a gente nunca se esquece: falo do tijolão preto, quando chegou ao Brasil! Lembro como se fosse o primeiro dinossauro. Causou uma revolução em nossos costumes. Mas era apenas um telefone – falar e ouvir.
Foi um susto ao ver as pessoas falando nas calçadas. Na época, eu pensei que aquele estardalhaço pelas ruas, com o aparelho no ouvido, seria coisa passageira, logo as pessoas entrariam em equilíbrio. Mas não, piorou. Sem cerimônia entramos na vida dos outros, nas conversas de família, nas doenças, nas brigas. E não se respeitam mais hospitais, clínicas, elevadores, lojas... O tranco é o mesmo. Um berreiro. E assim seguiremos, já acostumamos a compartilhar toda a nossa vulnerabilidade em lugar público. Compartilhamos o que somos e o que gostaríamos de ser. Uma mistura surreal contemporânea, massificada.
Atualmente estamos com o que há de mais moderno. Frequentemente, enormes filas se formam à espera de mais um “trocinho” moderno.
Estou sentindo que não levará muito para acabarem com teclados, mouses e a sensação gostosa de sentar à mesa e escrever em silêncio. Contar nossas vivências, nossas histórias, nossa poesia. Não é difícil de entender esse vínculo que criamos de interação em torno da escrita. Mas já ouvi falar em escrita por “comando de voz”. Um desencanto!
O mundo virtual está engolindo o mundo real nas lojas e Bancos. Há uma ânsia em se comunicar, alegrias e tristezas a compartilhar. Os filhos não querem saber de papo familiar, vão direto às redes sociais e lá tiram suas dúvidas com centenas de amigos. Só o futuro dirá algo sobre isso.
(Taís Luso. Disponível em: https://taisluso.blogspot.com/. 22.11.18. Adaptado)
* Smarthone – celular com tecnologias avançadas.
Assinale a alternativa que se aplica quanto às palavras sublinhadas:
A cômodo ele começou, nesse dia, nessa hora; não esbarrou mais. Achou de ir ver o lugar da cova, e as armas e trens que Medeiros Vaz (1), essas determinou que, o morto não tendo parentes, então para os melhores mais chegados como lembrança ficassem: as carabinas e revólveres, a automática de rompida e ronco, punhal, facão, o capote, o cantil revestido, as capangas e (2), as (3) de trespassar. Alguém disse que o cavalo grande, murzelo-mancho, devia de ficar sendo dele mesmo. Não quis. Chamou Marcelino Pampa, a ele fez donativo grave: - Este animal é vosso, Marcelino, merecido. Porque eu ainda estou para ver outro com igual (4) e caráter!” Apertou a mão dele, num toques. Marcelino Pampa dobrou de ar, (5). Desse fato em diante, era capaz de se morrer, por Zé Bebelo. Mas, para si mesmo, Zé Bebelo guardou somente o pelego berbezim, de forrar sela, e um bentinho milagroso, em três baetas confeccionado.
(Rosa, J.G. Grande Sertão: Veredas (vol. II). Rio de Janeiro: Nova
Aguilar, 1994 [1956], p. 121-122)
Julgue o item quanto à estruturação gramatical do texto.
Na linha 2, o termo “concursos” tem o mesmo sentido
de certame.



