Questões de Concurso
Comentadas sobre significação contextual de palavras e expressões. sinônimos e antônimos. em português
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A menor das três repúblicas bálticas, a Estônia é hoje considerada um dos grandes laboratórios do mundo em matéria de digitalização e transparência de dados. Lá, apenas três serviços ligados ao governo ainda demandam a presença física de seus cidadãos. Casamentos, divórcios e transferências de titularidade de um imóvel ainda requerem uma testemunha juramentada. Todo o resto pode ser feito pela internet, incluindo criar uma conta em banco, abrir uma empresa ou até mesmo escolher representantes políticos.

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As palavras cestas, sestas e sextas, apresentadas no TEXTO III, possuem semelhanças. No entanto, imprimem sentidos diferentes em sua relação com o texto. Assinale a alternativa que assegura corretamente o sentido da palavra e sua relação com o da tirinha.
Meu Querido Paiol
meu Querido Paiol
meu Querido Paiol
meu Querido Paiol
é onde eu moro
onde eu guardo as minhas coisas
onde a chuva não me alcança
nem o vento, nem o frio onde
eu durmo onde
eu relaxo
a minha casa
onde eu me sinto bem
meu Querido Paiol
meu Querido Paiol
é arejado
muito bem iluminado
a vista é linda
primeiro andar
escada
segundo andar
tudo muito organizado
caprichado
cada coisa em seu lugar
FLEMING DESCOBRE A PENICILINA
O bacteriologista Alexander Fleming
descobriu a penicilina no Hospital St, Mary’s
de Londres, e publicou seu achado em
setembro de 1929 no “British Journal of
Experimental Pathology”. Desde a década de
1920, ele havia mostrado grande interesse pelo
tratamento das infecções produzidas pelas
feridas. Em 1929, depois de voltar de férias,
percebeu que em uma pilha de placas
esquecidas antes de sua partida, onde estivera
cultivando uma bactéria – Staphylococcus
aureus”-, havia crescido também um fungo
num lugar em que havia se inibido o
crescimento da bactéria. É que esse fungo
fabricava uma substância que produzia a morte
da bactéria; como o fungo pertencia à espécie
Penicillium, Fleming nomeou a substância
produzida por ele de “penicilina”. Como pôde
provar em experimentos posteriores, na
“descoberta” de Fleming interveio uma série
de fatores para que se produzissem os
resultados que todos conhecemos: a placa não
foi colocada para incubar em estufa de 37°C –
o crescimento da bactéria teria ultrapassado o
do fungo – e, além disso, a temperatura do
laboratório não foi superior a 12°C. Parece que
houve uma onda de frio em Londres naquele
verão de 1929. A molécula de penicilina era
muito instável e, depois de muito tempo
tentando purificá-la – embora mais tarde se
tenha provado que era muito efetiva só
parcialmente purificada –, Fleming desistiu de
continuar trabalhando nisso. Foi só em 1938
que um grupo de cientistas liderados por Ernst
b. Chain e pelo professor Howard Florey na
Universidade de Oxford deu continuidade a
esses trabalhos com pesquisas posteriores. Os
ensaios clínicos efetuados com o material
parcialmente purificado tiveram um sucesso
espetacular. Naquela época, em plena Guerra
na Europa, a molécula foi levada para os
Estados Unidos, onde foi desenvolvida e
produzida em grande escala. O primeiro ensaio
clínico foi feito em janeiro de 1941 e dois anos
depois começou a produção comercial de
antibióticos nos Estados Unidos. Acabada a
Segunda Guerra Mundial, as empresas
farmacêuticas entraram na produção de penicilina de forma competitiva e começaram
a buscar outros antibióticos. Fleming havia
lhes mostrado a direção correta. Apesar dessa
grande descoberta, os antibióticos não foram
difundidos de maneira igual no planeta. Além
disso, nas sociedades mais industrializadas
existe uma prescrição muito alta de
antibióticos, de maneira que com frequência
eles perdem a eficácia por causa do uso
continuado que fazemos deles. (365 Dias que
Mudaram o Mundo. Planeta. São Paulo: 2014,
p. 550).
TEXTO I
Educação e desigualdade
Escrito por Redação
No Brasil, os alunos com melhores condições financeiras concluem o ensino médio na escola pública tendo aprendido o adequado em língua portuguesa, mas entre os mais pobres o mesmo não se registra. A proporção é de 83% para o primeiro grupo e de 17% para o segundo. Os números são da organização não-governamental Todos pela Educação e dão concretude a uma desigualdade antes apenas intuída.
A análise foi realizada a partir de informações do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), mecanismo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Quando se avaliam os dados sobre matemática, chega-se a um cenário mais desnivelado e preocupante: 63,6% dos estudantes mais ricos aprenderam o adequado ao encerrar a temporada de ensino médio e nada mais do que 3,1% dos alunos mais pobres concluem o nível médio sabendo o mínimo suficiente na disciplina. Impõe-se, portanto, o desafio de alterar essa realidade adversa para, conforme os preceitos constitucionais, equilibrar o quadro e oferecer as mesmas condições e as mesmas possibilidades de resultados para todos.
Estabelece a Carta Magna no artigo 5º: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. E, entre muitas citações relativas à educação, determina que “é competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios” (...) “proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação, à ciência, à tecnologia, à pesquisa e à inovação”.
Já no artigo 205, preconiza a Constituição que “a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.
O artigo 206, dispositivo seguinte, pois trata dos princípios sobre os quais o ensino será ministrado – com “igualdade de condições para o acesso e permanência na escola”.
Seria possível, e legítimo, afirmar que referências como essas não são apenas um atestado de que se falha muito no sistema educacional, mas são também um guia confiável sobre o que é necessário modificar e o quão urgentes são essas mudanças. São uma incômoda, mas importante e reveladora pressão.
Afinal, tem-se de um lado os problemas e, no oposto, os instrumentos necessários à resolução. No polo negativo, está o desacerto que revela os baixos níveis de aprendizado, já históricos, enquanto destacam-se como polo positivo uma Constituição moderna, sintonizada com demandas do cidadão, embora carecendo ser mais aplicada do que usada como componente retórico, e o engajamento de diferentes segmentos sociais – com as devidas responsabilidades – e profissionais na busca de meios de reformular o panorama.
É preciso, então, que cada um assuma seu papel e contribua com o cumprimento do interesse comum.
Num contexto menos condescendente com as desigualdades e menos tolerante com as injustiças, no qual o que está escrito é o que vale e o que deve ser cumprido, seria possível e indispensável agregar esforços e reservar investimentos no sentido de correção das deformidades.
Disponível em https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/opiniaoold/...-educacao-e-desigualdade-1.2078423. Acesso em 09/09/2020
O ANJO DA NOITE
O guarda-noturno caminha com delicadeza, para não assustar, para não acordar ninguém. Lá vão seus passos vagarosos, cadenciados, cosendo a sua sombra com a pedra da calçada. Vagos rumores de bondes, de ônibus, os últimos veículos, já sonolentos, que vão e voltam quase vazios. O guarda-noturno, que passa rente às casas, pode ouvir ainda a música de algum rádio, o choro de alguma criança, um resto de conversa, alguma risada. Mas vai andando. A noite é serena, a rua está em paz, o luar põe uma névoa azulada nos jardins, nos terraços, nas fachadas: o guarda-noturno para e contempla.
À noite, o mundo é bonito, como se não houvesse desacordos, aflições, ameaças. Mesmo os doentes parecem que são mais felizes: esperam dormir um pouco à suavidade da sombra e do silêncio. Há muitos sonhos em cada casa. É bom ter uma casa, dormir, sonhar. O gato retardatário que volta apressado, com certo ar de culpa, num pulo exato galga o muro e desaparece; ele também tem o seu cantinho para descansar. O mundo podia ser tranquilo. As criaturas podiam ser amáveis. No entanto, ele mesmo, o guarda-noturno, traz um bom revólver no bolso, para defender uma rua...
E se um pequeno rumor chega ao seu ouvido e um vulto parece apontar da esquina, o guarda-noturno torna a trilar longamente, como quem vai soprando um longo colar de contas de vidro. E recomeça a andar, passo a passo, firme e cauteloso, dissipando ladrões e fantasmas. É a hora muito profunda em que os insetos do jardim estão completamente extasiados, ao perfume da gardênia e à brancura da lua. E as pessoas adormecidas sentem, dentro de seus sonhos, que o guarda-noturno está tomando conta da noite, a vagar pelas ruas, anjo sem asas, porém armado.
Cecília Meireles
O que são os mercados chineses de animais silvestres?
Eles surgiram de uma necessidade, a higiene deixa a desejar e, hoje, a maioria dos chineses não os frequenta. Entenda o que envolve o comércio que culminou na propagação do coronavírus.
Por Carolina Fioratti
31 jan 2020
Infância
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.
No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.
Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!
Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.
E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
Carlos Drummond de Andrade. Antologia poética. Rio de Janeiro:Record,2000 p. 67
Leia o texto para responder à questão.
Relações de desamor
Um dia, uma médica conversou com Leila sobre relacionamentos amorosos que não acabam, mas deixam de ser amorosos. A doutora disse que, após anos trabalhando em consultório, ainda não conseguia deixar de se espantar com o comportamento de alguns casais maduros. A mulher ia acompanhar o marido e, durante toda a consulta, demonstrava de forma clara o desprezo e o desamor que sentia pelo companheiro. Eram palavras ríspidas, comentários irônicos, ausência absoluta de qualquer gesto de companheirismo e afeto.
– Ele faz tudo errado! – diz uma das mulheres.
– Explica direito o que você está sentindo! – outra ordena ao marido.
A sensação que Leila tem é de que são mulheres que, de uma forma ou de outra, foram dominadas pelo marido ou traídas por ele. Enfim, mulheres que se decepcionaram profundamente com o companheiro, mas decidiram levar o casamento adiante. E agora, porque o marido está mais envelhecido ou com a saúde frágil, precisando ou até mesmo dependendo delas, as mulheres dão o troco. Continuam com o companheiro, mas se colocam numa posição superior e, sempre que possível, deixam claro: não sentem qualquer admiração ou respeito por aquela pessoa que está ali do seu lado.
Leila saiu do consultório pensando em casais que conhecia com esse comportamento descrito pela médica, do quanto é constrangedor presenciar tais situações e como é melancólico constatar que, às vezes, o que une duas pessoas que passaram uma vida juntas é o rancor. São casais que exercitam diariamente a agressividade, o desrespeito e a amargura. Não só as mulheres, claro, são capazes desse exercício de desamor.
Infelizmente, a crueldade do ser humano é muito maior do que gostaríamos de supor, e as relações proporcionam oportunidades infinitas para magoar, humilhar ou arrasar o outro. O certo, quando o amor deixa de existir, seria separar -se, até para que novas histórias de amor pudessem nascer, mas, acima de tudo, para evitar que tantas outras coisas essenciais sejam enterradas. Entre elas, a capacidade – dificílima – de eventualmente perdoar.
(Leila Ferreira. Viver não dói. São Paulo: Globo, 2013. Adaptado)
A modificação necessária para que esse texto fique correto é:
