Questões de Concurso
Comentadas sobre significação contextual de palavras e expressões. sinônimos e antônimos. em português
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TEXTO III
Seu pai a trazia às vezes, aos domingos, quando vinha cumprir o piedoso dever de amizade, visitando Quaresma. Há quanto tempo estava ele ali? Ela não se lembrava ao certo; uns três ou quatro meses, se tanto.
Só o nome da casa metia medo. O hospício! É assim como uma sepultura em vida, um semi-enterramento, enterramento do espírito, da razão condutora, de cuja ausência os corpos raramente se ressentem.
A saúde não depende dela e há muitos que parecem até adquirir mais força de vida, prolongar a existência, quando ela se evola não se sabe por que orifício do corpo e para onde. Com que terror, uma espécie de pavor de coisa sobrenatural, espanto de inimigo invisível e onipresente, não ouvia a gente pobre referir-se ao estabelecimento da Praia das Saudades! Antes uma boa morte, diziam.
No primeiro aspecto, não se compreendia bem esse pasmo, esse espanto, esse terror do povo por aquela casa imensa, severa e grave, meio hospital, meio prisão, com seu alto gradil, suas janelas gradeadas, a se estender por uns centos de metros, em face do mar imenso e verde, lá na entrada da baía, na Praia das Saudades. Entrava-se, viam-se uns homens calmos, pensativos, meditabundos, como monges em recolhimento e prece.
De resto, com aquela entrada silenciosa, clara e respeitável, perdia-se logo a ideia popular da loucura; o escarcéu, os trejeitos, as fúrias, o entrechoque de tolices ditas aqui e ali.
Não havia nada disso; era uma calma, um silêncio, uma ordem perfeitamente naturais. No fim, porém, quando se examinavam bem, na sala das visitas, aquelas faces transtornadas, aqueles ares aparvalhados, alguns idiotas e sem expressão, outros como alheados e mergulhados em um sonho íntimo sem fim, e via-se também a excitação de uns, mais viva em face à atonia de outros, é que se sentia bem o horror da loucura, o angustioso mistério que ela encerra, feito não sei de que inexplicável fuga do espírito daquilo que se supõe o real, para se apossar e viver das aparências das coisas ou de outras aparências das mesmas.
Quem uma vez esteve diante deste enigma indecifrável
da nossa própria natureza, fica amedrontado, sentindo que o
gérmen daquilo está depositado em nós e que por qualquer
coisa ele nos invade, nos toma, nos esmaga e nos sepulta
numa desesperadora compreensão inversa e absurda de nós
mesmos, dos outros e do mundo. Cada louco traz em si o seu
mundo e para ele não há mais semelhantes: o que foi antes da
loucura é outro muito outro do que ele vem a ser após.
Consumo Consciente
Helio Mattar
A adoção de processos sustentáveis é uma questão não de escolha, mas de sobrevivência. Não desta ou daquela empresa, mas da vida de todos os indivíduos do planeta. Portanto, é imprescindível que os valores da sustentabilidade sejam incorporados a marcas, bens, serviços e aos pequenos atos do cotidiano. Pesquisas realizadas ao longo de dez anos de trabalho para conscientizar a população das formas mais racionais e sustentáveis de consumir comprovam que quem investe em sustentabilidade ganha também na preferência do consumidor. Afinal, 65% dos chamados formadores de opinião discutem o comportamento ético socioambiental de empresas, assim como 41% da população brasileira, segundo a Pesquisa Responsabilidade Social das Empresas - Percepção do Consumidor Brasileiro, realizada pelo Instituto Akatu e pelo Instituto Ethos, em dezembro de 2010. Hoje, dois em cada cinco brasileiros já topam pagar um pouco mais por uma marca que seja mais sustentável.
As empresas obviamente precisam de lucros, mas os interesses empresariais devem ir muito além da esfera monetária e focar, principalmente, uma sociedade melhor para todos. E cada membro dessa sociedade sustentável deve necessariamente superar o consumismo para assentar bases mais no durável e menos no descartável, mais no virtual e menos no físico, mais no público ou no compartilhado e menos no individual, mais no uso que na posse, mais no renovável que no fóssil, mais na cooperação que na competição.
As corporações e a propaganda podem contribuir fortemente como indutoras desse novo estilo de vida ao estimular a imaginação e a projeção de um futuro sustentável e desejável e ao investir em meios para alcançar esse futuro: inovação de processos, de produtos e de comportamentos, reforço de novos valores da sustentabilidade e articulação, pressão, parceria por novas políticas públicas para novos projetos, com variados e novos agentes.
Hoje, as mudanças já vêm ocorrendo e, com um atributo muito simples, é possível acelerar na direção da sustentabilidade: comunicação clara e transparente. Do rótulo à campanha na TV. O consumidor precisa de informações sobre os impactos ambientais e sociais de seu consumo para que possa exercer escolhas conscientes. Dando informação confiável, a corporação não só destaca seu produto e melhora a cadeia produtiva, mas também aumenta o protagonismo do consumidor. Mostra respeito por ele e diz "você é nosso parceiro rumo à sociedade sustentável". Essa é a arma mais eficaz a ser posta a serviço da sociedade. Quanto mais marcas e agências de publicidade o fizerem, mais contribuirão para uma vida melhor para todos, hoje e no futuro.
Helio Mattar, 63, PhD em engenharia industrial, é diretor-presidente do Instituto Akatu, ONG que trabalha há dez anos pelo consumo consciente.
Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/topofmind/2011/10/996028-opiniao-consumo-consciente.shtml Acesso em: 04 dez. 2020.
No trecho “Portanto, é imprescindível que os
valores da sustentabilidade sejam
incorporados a marcas, bens, serviços e aos
pequenos atos do cotidiano.”, o termo
destacado tem sentido diferente de
Leia a Piada e avalie as proposições que seguem.
- Pai! O professor baixou a nota da minha redação porque usei “mormente”, em vez de “sobretudo”.
- Bem feito! Eu lhe disse para não sair desprotegido nesse tempo frio!
Fonte: VIANA, Chico. Escrever é sobretudo Comunicar. Piadas Linguísticas. Mundo Texto. Consulta à internet. Acesso em 12/09/2020.
I- O diálogo acima promove uma confusão de sentido sobre os termos “mormente” e “sobretudo”.
II- O humor do texto se estabelece em consequência do uso de duas palavras parônimas.
III- A ambiguidade que causou o efeito humorístico, além do sentido de “mormente”, é observada também, pela polissemia do termo “usar”.
É CORRETO o que se afirma apenas em
Leia o texto.
A coisa mais bela que o homem pode experimentar é o mistério. É essa a emoção fundamental que está na raiz de toda ciência e arte. O homem que desconhece esse encanto, incapaz de sentir admiração e estupefação, esse já está, por assim dizer, morto e tem os olhos extintos. […]
Saber que existe algo insondável, sentir a presença de algo profundamente racional, radiantemente belo, algo que compreendemos apenas em forma rudimentar – essa é a experiência que constitui a atitude genuinamente religiosa. Nesse sentido, e nesse sentido somente, eu pertenço aos homens profundamente religiosos.
(Albert Einstein. In: O pensamento de Einstein)

Vinícius Mendes. Descoberta das Américas: como a China poderia ter
chegado ao continente sete décadas antes de Colombo.
Internet: <«www.bbc.com> (com adaptações).
Acerca dos aspectos linguísticos do texto, julgue o item.
A palavra “discussão” (linha 25) poderia ser substituída
por discursão, pois ambas as grafias são corretas e têm
o mesmo significado.

Vinícius Mendes. Descoberta das Américas: como a China poderia ter
chegado ao continente sete décadas antes de Colombo.
Internet: <«www.bbc.com> (com adaptações).
Considerando as ideias e os sentidos do texto, julgue o item.
Apalavra “hegemônica” (linha 11) significa o mesmo que
falsa.
TEXTO 01
O texto abaixo servirá de base para responder a questão.
DE REPENTE TUDO FICOU TÃO SIMPLES, MAS TÃO ASSUSTADOR!
(1o§) De repente, tudo vai ficando tão simples que assusta. Vamos perdendo algumas necessidades, antes fundamentais, e que hoje chegam a ser insignificantes.
(2o§) De repente, tudo se torna surpreendente diante da simplicidade! Simplicidade assustadoras! Vamos reduzindo a bagagem e deixando na mala apenas as cenas e as pessoas que valem a pena. Tudo tão inócuo na excessiva simplicidade! Tão excessivamente sem sentido!
(3o§) As opiniões dos outros são unicamente dos outros e, mesmo que sejam sobre nós, não têm a mínima importância. Tudo tão inesperado, tão de repente! Tão inusitado!
(4o§) De repente, tão repentinamente, vamos abrindo mão das certezas, pois com o tempo já não temos mais certeza de nada... e isso não faz a menor falta.
(5o§) De repente, entendemos que tudo o que importa é ter paz e sossego. É viver sem medo, e simplesmente fazer algo que alegra o coração naquele momento. É ter fé. E só isto mesmo!
(Mário Quintana) - (Adaptado)
(Mário Quintana) - (Adaptado)
Sobre o teor discursivo, analise as proposições com (V) verdadeiro ou (F) falso.
(__)O advérbio: "tão" pode ser substituído por "assaz" sem alterar o sentido semântico contextual e a conjunção: "mas" tem o mesmo sentido contextual de: "porém".
(__)A repetição da expressão: "De repente" comprova o uso de anáfora.
(__)As palavras: "coração", "não", "tão" usam o til apenas para comprovar sua tonicidade oxítona.
(__)A oração: "Vamos perdendo algumas necessidades, antes fundamentais, ..." está escrita com sujeito elíptico ou desinencial; objeto direto e vírgula intercalando informação adicional.
(__)A oração: "As opiniões dos outros são unicamente dos outros" está escrita com os termos essenciais (sujeito e predicado) dispostos na ordem direta.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA dos itens acima:
TEXTO 01
O texto abaixo servirá de base para responder a questão.
DE REPENTE TUDO FICOU TÃO SIMPLES, MAS TÃO ASSUSTADOR!
(1o§) De repente, tudo vai ficando tão simples que assusta. Vamos perdendo algumas necessidades, antes fundamentais, e que hoje chegam a ser insignificantes.
(2o§) De repente, tudo se torna surpreendente diante da simplicidade! Simplicidade assustadoras! Vamos reduzindo a bagagem e deixando na mala apenas as cenas e as pessoas que valem a pena. Tudo tão inócuo na excessiva simplicidade! Tão excessivamente sem sentido!
(3o§) As opiniões dos outros são unicamente dos outros e, mesmo que sejam sobre nós, não têm a mínima importância. Tudo tão inesperado, tão de repente! Tão inusitado!
(4o§) De repente, tão repentinamente, vamos abrindo mão das certezas, pois com o tempo já não temos mais certeza de nada... e isso não faz a menor falta.
(5o§) De repente, entendemos que tudo o que importa é ter paz e sossego. É viver sem medo, e simplesmente fazer algo que alegra o coração naquele momento. É ter fé. E só isto mesmo!
(Mário Quintana) - (Adaptado)
(Mário Quintana) - (Adaptado)
A respeito da frase: "De repente tudo ficou tão simples, mas tão assustador", marque a alternativa com informação INCORRETA.
O texto abaixo servirá de base para responder a questão.
FÁBULA MODERNA DO BILÍNGUE
O ratinho estava na toca, encurralado pelo gato que, do lado de fora, miava:
- MIAU! MIAU! MIAU!
- Cadê você, seu gato? Eu preciso sair daqui, tou com fome.
E o gato não parava de miar. Ele era cada vez mais insistente para meter medo no ratinho.
O gato teve vontade de deixar o rato bem assustado e continuou miando.
- Rato assustado sai logo do buraco, porque aumenta a fome - pensou o gato.
- Seu gato, minha vida não é fácil. Eu trabalho para sustentar minha família. Eu sou operário. Eu sou muito útil para a minha raça. Olhe a hora no relógio e vá embora daqui ligeirinho, porque eu não posso morrer de fome.
- MIAU! MIAU! MIAU!
- Seu gato, não deboche de mim, tenha pena de um rato pobrezinho e faminto. Eu tenho muitos filhos recém-nascidos e preciso ficar forte para sustentá-los.
O tempo passava e ele, o ratinho, ouvia:
- MIAU! MIAU! MIAU!
O ratinho desmaiou de fome e dormiu. Depois de várias horas dormindo e ainda com muita fome, ele ouviu:
- AU! AU! AU!
O ratinho acordou assustado e deduziu: "Se há cão lá fora, o gato foi embora!"
Saiu disparado em busca de comida.
Nem bem terminou de sair da toca e o gato NHAC!
Inconformado, já na boca do gato ele desabafou:
- Puxa gato! Você é traidor de verdade!
E o gato respondeu: - Meu filho, neste mundo globalizado de hoje, quem não fala pelo menos dois idiomas morre de fome!
rnaa.htmml viousmag.org/archives/2006/03/fabula_moderna.html) - (Texto adaptado) - (Acesso 13.05.2021)
http://obviousmag.org/archives/2006/03/fabula_moderna.html
O texto abaixo servirá de base para responder a questão.
A ÁRVORE QUE PENSAVA BASTANTE
(1º§) Houve uma árvore que pensava e ficou conhecida porque pensava muito. E não parava de pensar. Um dia transpuseram-na para a praça no centro da cidade.
(2º§) Fez-lhe bem a deferência e ela ficou satisfeita. Ela se entusiasmou, cresceu, agigantou-se.
(3º§) Aí vieram os homens e podaram seus galhos. A árvore estranhou o fato e corrigiu seu crescimento, pensando estar na direção de seus galhos a causa da insatisfação dos homens.
(4º§) Mas quando ela novamente se agigantou, os homens voltaram e novamente amputaram seus galhos. E continuaram destruindo a árvore que não fazia mal a ninguém.
(5º§) A árvore queria satisfazer os homens por julgá-los seus benfeitores, e parou de crescer. E como ela não crescesse mais, os homens a arrancaram da praça e plantaram outra em seu lugar.
(Oswaldo França Júnior. As laranjas iguais. Rio de janeiro. Nova Fronteira.) (https://brainly.com.br/tarefa/367413630)
https://brainly.com.br/tarefa/367413630
O texto abaixo servirá de base para responder a questão.
A ÁRVORE QUE PENSAVA BASTANTE
(1º§) Houve uma árvore que pensava e ficou conhecida porque pensava muito. E não parava de pensar. Um dia transpuseram-na para a praça no centro da cidade.
(2º§) Fez-lhe bem a deferência e ela ficou satisfeita. Ela se entusiasmou, cresceu, agigantou-se.
(3º§) Aí vieram os homens e podaram seus galhos. A árvore estranhou o fato e corrigiu seu crescimento, pensando estar na direção de seus galhos a causa da insatisfação dos homens.
(4º§) Mas quando ela novamente se agigantou, os homens voltaram e novamente amputaram seus galhos. E continuaram destruindo a árvore que não fazia mal a ninguém.
(5º§) A árvore queria satisfazer os homens por julgá-los seus benfeitores, e parou de crescer. E como ela não crescesse mais, os homens a arrancaram da praça e plantaram outra em seu lugar.
(Oswaldo França Júnior. As laranjas iguais. Rio de janeiro. Nova Fronteira.) (https://brainly.com.br/tarefa/367413630)
https://brainly.com.br/tarefa/367413630
Analise as informações com (V) verdadeiro ou (F) falso.
I.A palavra "deferência" quer dizer: "atenção às necessidades ou aos assuntos de outrem, preocupação, zelo".
II.O (2º§) inicia com uso de ênclise, o (4º§) inicia com conjunção que tem o mesmo sentido de "porém", "contudo" e "todavia".
III.Na formação do período: "Ela se entusiasmou, cresceu, agigantou-se" há vírgulas separando orações que se coordenam, exemplificando uso de gradação crescente.
IV.O texto é narrativo e exemplifica a arte literária, tem como personagem central um ser vivo irracional, e a função da linguagem predominante é "poética".
Após análise, assinale a alternativa CORRETA:
Para responder à questão, leia atentamente o texto a seguir:
Por que o Brasil ainda recicla tão pouco (e produz tanto lixo)?
Por Marília Mara Sciulo, 29 FEV 2020 – 09h16 | Atualizado em 25 OUT 2020 – 14h32
Em agosto de 2020, a Política Nacional de Resíduos Sólidos completou 10 anos. Mas a legislação que estabelece estratégias para a prevenção e a redução da geração de lixo, além de criar metas para enfrentar problemas ambientais, sociais e econômicos que decorrem do manejo inadequado dos descartes está longe de ter alcançado seu objetivo — especialmente quando o assunto é reciclagem.
O Brasil gerou, em 2018, 79 milhões de toneladas de lixo por ano, um aumento de quase 1% em relação ao ano anterior, segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos 2018, elaborado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). Deste total, a estimativa é de que somente 3% sejam de fato reciclados, sendo que o potencial é de até 30%. “Não mudou muito a visão de que basta ter lixeiras e o sistema de coleta já está resolvido. Não está”, diz Ana Maria Luz, presidente do Instituto GEA — Ética e Meio Ambiente, organização que tem como finalidade desenvolver a educação ambiental.
Os dados são alarmantes. O Brasil é hoje o quarto maior produtor de lixo plástico, segundo um estudo da World Wildlife Fund (WWF): são 11,3 toneladas por ano, das quais somente 1,28% são recicladas. O número está bem abaixo da média mundial, de 9%. E, embora quase três quartos dos municípios façam algum tipo de coleta seletiva, a maioria se concentra no Sul e Sudeste. No Centro Oeste, menos da metade das cidades tem coleta seletiva.
(Disponível em:
https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/MeioAmbiente/noticia/2020/02/por-que-o-brasil-ainda-recicla-tao-pouco-e-produz-tanto-lixo.html, adaptado)
Em agosto de 2020, a Política Nacional de Resíduos Sólidos completou 10 anos. Mas a legislação que estabelece estratégias para a prevenção e a redução da geração de lixo, além de criar metas para enfrentar problemas ambientais, sociais e econômicos que decorrem do manejo inadequado dos descartes está longe de ter alcançado seu objetivo — especialmente quando o assunto é reciclagem.