Questões de Concurso Comentadas sobre significação contextual de palavras e expressões. sinônimos e antônimos. em português

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Q2243443 Português
Leia o texto para responder a questão.

        Deus, ou alguém por Ele, me poupou de uns tantos pesadelos. É nisso que penso enquanto o camarada à minha frente, com incontida excitação, vai fazendo o pormenorizado relato de sua batalha para alugar apartamento. Já esteve em duas dúzias de endereços, contabiliza, e em outros tantos pretende estar, pois em cada um achou defeito. Longe de se lamentar, está feliz. À beira da euforia, parece governado pela convicção de que o bom não é achar, é procurar. Prazer que exige dele ver imperfeição onde não tem.
        Respeitemos o time dos que procuram na esperança de não encontrar – de certa forma aparentados com aqueles que inventam pretexto para estar o tempo todo reformando a casa. São, uns e outros, meus antípodas1 . A simples ideia de empreender uma reforma me levaria a buscar um novo pouso – se também essa perspectiva não me trouxesse pânico. Problema da minha exclusiva terapia, eu sei. E, a esta altura da vida, já não há divã que dê jeito na fobia imobiliária de quem jamais se lançou numa peregrinação em busca de poleiro.
        No entanto, ciente das minhas dificuldades nesse particular, houve um dia, meio século atrás, em que, com poucos meses de São Paulo, e pendurado ainda na generosidade do casal que me acolheu de mala e cuia, achei que era hora de providenciar cafofo próprio.
        Caiu do céu uma proposta para dividir apartamento com um colega. É bem verdade que o edifício ainda não estava concluído e talvez fôssemos ali, o Sérgio e eu, os únicos moradores, pois não me lembro de vizinhos. Se mais gente veio, foi para o mesmo apartamento, de apenas um quarto e sala microscópica, mas onde, em dado momento, se espremeram quatro rapazes, todos do ramo jornalístico. E nem a nossa juventude explicaria a indiferença coletiva ante o fato de não haver ali uma geladeira, por miúda que fosse, para tantos bebedores de cerveja. Fogão havia, mas ocioso, pois nenhum de nós fritava um ovo.
        Teria ficado indefinidamente em tal moquiço2 , se um dos comparsas, exasperado, não me houvesse proposto alugar coisa menos deprimente. ________ mais dois apartamentos, ambos excelentes, que também não foi preciso garimpar. O mesmo se diga de um terceiro, o atual, no qual estou ______  quase 28 anos e do qual não pretendo arredar pé – a não ser que o referido pé já não ______ conta dos 24 degraus que me trazem a este primeiro andar.

(Humberto Werneck. Fobia imobiliária. www.estadao.com.br, 02.10.2020. Adaptado)

1 antípoda: aquele tem característica oposta.
2 moquiço: habitação rústica, desprovida de conforto.
No trecho “Problema da minha exclusiva terapia, eu sei. E, a esta altura da vida, já não há divã que dê jeito na fobia imobiliária…” (2º parágrafo), o vocábulo E, em destaque, pode ser substituído, sem prejuízo do sentido e da correção gramatical, por:
Alternativas
Q2242682 Português
Leia o fragmento a seguir.
         A atividade dos mares se comporta como uma espécie de ferramenta de captação do calor do planeta e, com isso, alivia os efeitos catastróficos (ou, ao menos, os mais perniciosos) do efeito estufa. […] O relatório da Organização Meteorológica Mundial é taxativo e deixa um alerta equivalente a uma advertência.
(Flávio Tavares, A crise do clima, fruto da cegueira. Disponível em:<estadão.com.br>. Acesso em 07.05.2023)

Assinale a alternativa que aponta, correta e respectivamente, sinônimos das palavras destacadas.
Alternativas
Q2242674 Português
Leia o texto, para responder à questão.

Pessoas do bem

        Volta e meia deparamos com as seguintes questões: porventura existem pessoas do bem? Podemos dizer que de um lado há os “do bem” e, de outro, os “do mal”?
        Talvez a resposta imediata seja uma negativa. Uma resposta fácil, porque não envolve compromisso nem esforço. Não é possível estabelecer e rotular, seguramente, dessa maneira, muito menos tecer qualquer julgamento. Todos nós temos bons valores, mas muitas vezes agimos de modo a prejudicar o próximo e até a nós mesmos, consciente ou inconscientemente.
         Entretanto, se tomarmos essa negação como absoluta, a confusão se instala. Não poderemos eleger, e esse é um risco, as coisas boas, nem evoluir nesses valores positivos. Em outras palavras, se dissermos que jamais se pode traçar uma linha entre pessoas boas e más, também estamos a dizer que não existem valores construtivos, que nos fazem caminhar para um lugar melhor, pois os valores são inseparáveis das pessoas.
        Nesses termos, temos que arriscar, sim, alguns paralelos, ainda que maniqueístas; aparentemente simplistas. Aliás, não há nada de errado nessa visão dual do mundo, pois isso é muito antigo, até inato. O que não parece certo é apontar e discriminar, para excluir aqueles que não estão inseridos no grupo do bem. A atividade das pessoas do bem, diga-se, não tende a segregar, mas sim aproximar, incluir.
         Se recorrermos à religião, ao direito, à história, por exemplo, há um vetor quase que comum e permanente. Pessoas do bem são aquelas que, na comunidade, respeitam o outro; sabem ver no outro um espelho. Em suma, as pessoas que praticam o bem reconhecem que não são únicas e, por estarem junto às demais, vivem em sintonia com o todo, com a comunidade.
        E numa comunidade assim, a solidariedade triunfa. Ninguém fica à mercê dos infortúnios da vida. Os que caem são prontamente socorridos. Os que tropeçam aprendem, no tropeço, um passo de dança, pois há sempre um parceiro ao lado com a mão estendida. E as conexões sociais fortes são hoje, reconhecidamente, um dos melhores ingredientes para a felicidade.
        O final dessa história, portanto, leva a um estado de espírito que nos traz prazer e vontade de viver. Nossa aposta, com todas as fichas, é que existe um elo de sequência, quase de causa e efeito, nas boas atitudes. As pessoas do bem, altruístas, solidárias, produzem felicidade. Elas nos deixam felizes.
        E se existe uma regra na vida que jamais pode ser revogada é esta: todos temos direito à felicidade. Dependemos, portanto, das pessoas do bem.         

(Evandro Pelarin, Diário da Região, 18.04.2023. Adaptado)
Na passagem do 4º parágrafo – Nesses termos, temos que arriscar sim alguns paralelos, ainda que maniqueístas; aparentemente simplistas. Aliás, não há nada de errado nessa visão dual do mundo, pois isso é muito antigo, até inato. – as expressões destacadas podem ser substituídas, sem prejuízo de sentido ao texto, respectivamente, por:
Alternativas
Q2241468 Português
O antônimo (palavra com sentido contrário) da palavra “benefício” é:
Alternativas
Q2241127 Português
Leia com atenção o texto abaixo.

O Manual 

Dizem que filhos...................... sem manual, o que já é assustador por si só, mas pelo menos na hora do parto deveriam nos entregar um livro de expectativas da sociedade. Algo como “O que se espera de um pai”, para que os homens soubessem o que os outros querem de nós. O que esperam as mães, os avós, a sogra, as revistas de parentalidade, os programas de TV, os livros..................... , as redes sociais, os olhares de estranhos quando estamos..................... nos parques, só nós e nossos bebês?
Todo pai é um desorientado. A televisão, o carro, o liquidificador, todos acompanham manual. Um filho, muito mais importante que eletrodomésticos, vem sem. Nem bula, nem uma mísera etiqueta amarrada no pé do bebê: “Não balance, pois vomita”.
A humanidade não viveu tempo o bastante para chegar a conclusões? Não poderiam ter se reunido em algum momento histórico, assim como fizeram ao criar a ONU, o Euro, a OMS, e saído da reunião, os pediatras, psicólogos, cientistas, todos com um livro, dizendo nas entrevistas: “Conseguimos! Temos agora um manual”? Ora, um pequeno livrinho de regras simples: “O que fazer e o que não fazer”, coisas.................. que todos parecem saber, menos os pais. “Volte cedo do serviço. Não saia com amigos no primeiro ano. Não limpe o rosto da criança com pano que caiu no chão. Não tente andar de skate enquanto empurra o carrinho de bebê”.
Para ter filhos seria obrigatória a leitura do manual. Uma grande prova nacional seria feita anualmente para os candidatos a pai. Tirando notas baixas, você estaria proibido de ser pai. Para casar no cartório, apenas com a carteirinha de aprovação. Alguns saberiam o manual de cor, recitariam trechos nos bares, se mostrando para as garotas. Artigo 33, parágrafo quarto: Jamais esquente a mamadeira de plástico no........................ ”. Teriam sempre orgulhosamente o diploma na carteira. “Aprovado para paternidade”.
De tempos em tempos, o manual seria atualizado. Não estou dizendo que não erraríamos mais. Mas já seria um ótimo começo.

PIANGERS, Marcos in nscDC, Santa Catarina. Ano 37, número 12197, adaptado.





Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) de acordo com o texto.
( ) O autor sugere que cientistas, pediatras e psicólogos deveriam se reunir e elaborar um manual sobre a criação de filhos. ( ) Se houvesse um manual sobre como criar um filho, os pais nunca errariam em nenhum momento. ( ) Um manual facilitaria a vida dos pais, trazendo dicas de como agir. ( ) O manual mencionado no texto seria tão bom que não necessitaria de atualização.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Alternativas
Ano: 2023 Banca: LJ Assessoria e Planejamento Administrativo Limita Órgão: Prefeitura de Dom Eliseu - PA Provas: LJ Assessoria e Planejamento Administrativo Limita - 2023 - Prefeitura de Dom Eliseu - PA - Agente Ambiental | LJ Assessoria e Planejamento Administrativo Limita - 2023 - Prefeitura de Dom Eliseu - PA - Agente de Fiscalização | LJ Assessoria e Planejamento Administrativo Limita - 2023 - Prefeitura de Dom Eliseu - PA - Agente Municipal de Trânsito | LJ Assessoria e Planejamento Administrativo Limita - 2023 - Prefeitura de Dom Eliseu - PA - Assistente Administrativo | LJ Assessoria e Planejamento Administrativo Limita - 2023 - Prefeitura de Dom Eliseu - PA - Auxiliar De Sala De Aula Em Educação Especial - Inclusiva - Aee - Educação Infantil | LJ Assessoria e Planejamento Administrativo Limita - 2023 - Prefeitura de Dom Eliseu - PA - Cadastrador Imobiliário | LJ Assessoria e Planejamento Administrativo Limita - 2023 - Prefeitura de Dom Eliseu - PA - Fiscal de Obras e Posturas | LJ Assessoria e Planejamento Administrativo Limita - 2023 - Prefeitura de Dom Eliseu - PA - Secretário Escolar | LJ Assessoria e Planejamento Administrativo Limita - 2023 - Prefeitura de Dom Eliseu - PA - Técnico Agrícola | LJ Assessoria e Planejamento Administrativo Limita - 2023 - Prefeitura de Dom Eliseu - PA - Técnico Agropecuário | LJ Assessoria e Planejamento Administrativo Limita - 2023 - Prefeitura de Dom Eliseu - PA - Técnico de Enfermagem | LJ Assessoria e Planejamento Administrativo Limita - 2023 - Prefeitura de Dom Eliseu - PA - Técnico de Saúde Bucal | LJ Assessoria e Planejamento Administrativo Limita - 2023 - Prefeitura de Dom Eliseu - PA - Técnico em Laboratório | LJ Assessoria e Planejamento Administrativo Limita - 2023 - Prefeitura de Dom Eliseu - PA - Técnico em Radiologia |
Q2240590 Português
Assinale uma alternativa que contém um sinônimo da palavra destacada “(...) há aquelas que também sentem um certo contentamento ou fetiche mórbido ao presenciar o sofrimento alheio”. 
Alternativas
Q2240490 Português
Assinale a frase em que os termos sublinhados não mostram, em caso de troca de posição dos termos, mudança de significado. 
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Q2240485 Português
A maioria das palavras mostra vários significados (políssemia), o que também ocorre com as preposições.
Indique a frase em que a preposição PARA tem seu significado corretamente indicado. 
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Q2239814 Português
Maranhense, que inspirou o filme 'Pureza', recebe prêmio internacional Award por sua contribuição na luta contra a escravidão e o tráfico de pessoas  


A maranhense Pureza Lopes Loyola, que inspirou a história contata no filme 'Pureza', que conta a história de uma mãe que resgatou o filho do trabalho escravo contemporâneo, recebeu, nesta quinta-feira (15), o prêmio internacional Award, pela sua contribuição na luta contra a escravidão e o tráfico de pessoas.

O prêmio foi entregue pelo governo dos Estados Unidos da América, em Washington. Pureza é primeira mulher brasileira a receber a honraria.

Dona Pureza, como é conhecida, se tornou referência no Brasil e no mundo por lutar contra a escravidão ao procurar o filho mais novo, Abel, que saiu de casa para trabalhar em um garimpo, em 1996.

A maranhense arrumou um emprego em uma fazenda e testemunhou o tratamento brutal de trabalhadores rurais escravizados. Depois de três anos de muita peregrinação, a mãe conseguiu localizar e resgatar o filho no interior do Pará. Essa história de luta e coragem foi parar no cinema com direção de Renato Barbieri e com a atriz Dira Paes no papel de Pureza. O filme ‘Pureza’ recebeu quase trinta prêmios em festivais nacionais e internacionais de cinema.

Na próxima segunda-feira (19), o filme Pureza será exibido pela primeira vez na TV aberta, na sessão Tela Quente, da Rede Globo. A Tela Quente vai ao ar depois da novela das 9h, ‘Terra e Paixão’. O filme ‘Pureza’ conta a história da maranhense Pureza, que durante três anos enfrentou diversos perigos e obstáculos para encontrar seu filho caçula, Antônio Abel, que tinha ido ao Pará em busca da sorte no garimpo.

A luta de Dona Pureza a tornou um símbolo do combate ao trabalho escravo contemporâneo e agora a história dela chega aos cinemas, sendo interpretada pela atriz Dira Paes. O longa é dirigido por Renato Barbieri e produzido por Marcus Ligocki Jr.


Fonte:
https://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2023/06/15/maranhenseque-inspirou-o-filme-pureza-recebe-premio-internacional-award.ghtml
No trecho “Pureza é primeira mulher brasileira a receber a honraria.”, a palavra em destaque possui o significado de:
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Q2239594 Português
O vocábulo “comprimento” pode ser confundido com seu parônimo “cumprimento”. Assinalar a alternativa em que os vocábulos são também parônimos:
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Q2238896 Português
Preservar a saúde mental compensa,
e não só para o bolso

Mais do que melhorias socioeconômicas, investir em saúde
mental é questão moral.

    O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, é assertivo ao dizer que saúde mental não é algo independente, isolado: está inextricavelmente ligada à saúde pública, a direitos humanos e a desenvolvimento socioeconômico, o que significa que, para quem sofre de algum transtorno mental —um bilhão de pessoas no mundo, de acordo com anúncio da Organização Mundial da Saúde (OMS), de 2022, com 25% de crescimento global no primeiro ano da pandemia de Covid-19 — recorrer a atendimento médico especializado é medida necessária, mas não suficiente.
    Desigualdades socioeconômicas também pesam, e muito — se o que se pretende é chegar a uma realidade que não seja intolerável para um número enorme e crescente de pessoas.
    Pobreza, violência física e preconceitos de gênero afetam a saúde mental de adolescentes — mostrou uma pesquisa recente da ONG Plan International. Emprego, ensino, saneamento básico, acesso a serviços de saúde de qualidade são componentes de uma vida digna, que não deveriam faltar a ninguém. Providenciá-los, porém, exige políticas públicas estruturantes que minimizem (mirando na eliminação completa) a pobreza extrema. É meta da Organização das Nações Unidas (ONU) ver dissociados crescimento econômico e pobreza, com esta última sendo erradicada até 2030.
    Mas em uma escala mais “micro”, há um outro obstáculo a vencer também: o tabu que estranha e irritantemente marca a busca por ajuda psicológica. Soa mesmo a crueldade que pessoas que encontram no recurso à terapia e a um psicólogo alívio para as angústias que sofrem sejam alvo de preconceito justamente por buscar essa ajuda. Isso vem deixando de acontecer aos poucos, e não seria nada mau que pudesse acontecer um pouco mais rápido. Isso, no entanto, envolve uma mudança de cultura: é preciso deixar de se ver terapia como serviço de luxo ou frivolidade e quem a procura como pessoas fracas.
    As empresas já entenderam que investir em programas de ajuda psicológica para seus quadros é algo que se reverte em ganho para elas mesmas. Uma pesquisa da FIEMG (Federação das Indústrias de Minas Gerais) mediu e divulgou recentemente que transtornos mentais derrubam o faturamento das empresas em mais de 390 bilhões de reais a cada ano e, na economia como um todo, a perda chega a 4,7% do PIB. Preservar o bem-estar mental de colaboradores é pensar em saúde financeira para as empresas.
    Pensar no preço, mais que no valor, é marca de cinismo, como diria Oscar Wilde. No mundo pós-Covid, todos tivemos a sanidade afetada. Muitas telas diante dos olhos muitas horas por dia; expedientes que se espalham pelo dia todo; uma sensação de irrealização que invade tantos, seja na vida pessoal, no trabalho, nos estudos. Há muito a pressionar a saúde mental — que nunca foi um luxo, pelo contrário. Se governos e empresas aproveitarem o momento em que o tema está no centro das atenções para agir, poderemos não só ver ganhos econômicos, mas também — e o que tem muito mais valor — uma abertura para que as pessoas não vivam sob permanente risco de depressão, ansiedade e outros transtornos, e capazes de encontrar o caminho para viverem realizadas e felizes.

(Cláudio Lottenberg. Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/ coluna-claudio-lottenberg/preservar-a-saude-mental-compensa-e-naoso-para-o-bolso. Acesso em: 06/06/2023.)
“Isso, no entanto, envolve uma mudança de cultura: é preciso deixar de se ver terapia como serviço de luxo ou frivolidade e quem a procura como pessoas fracas.” (4º§). O termo destacado, conforme o contexto empregado, pode ser substituído pela seguinte palavra sem que o sentido do trecho seja alterado: 
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Q2238799 Português

Luz de lanterna, sopro de vento


       Tendo o marido partido para a guerra, na primeira noite da sua ausência a mulher acendeu uma lanterna e pendurou-a do lado de fora da casa. “Para trazê-lo de volta” murmurou. E foi dormir.

    Mas, ao abrir a porta na manhã seguinte, deparou-se com a lanterna apagada. “Foi o vento da madrugada” pensou olhando para o alto como se pudesse vê-lo soprar.

       À noite, antes de deitar, novamente acendeu a lanterna que a distância deveria indicar ao seu homem o caminho de casa.

      Ventou de madrugada. Mas era tão tarde e ela estava tão cansada que nada ouviu, nem o farfalhar das árvores, nem o gemido das frestas, nem o ranger das argolas da lanterna. E de manhã surpreendeu-se ao encontrar a luz apagada.

      Naquela noite, antes de acender a lanterna, demorou-- se estudando o céu límpido, as claras estrelas. “Na certa não ventará” disse em voz alta, quase dando uma ordem. E encostou a chama do fósforo no pavio.

     Se ventou ou não, ela não saberia dizer. Mas antes que o dia raiasse não havia mais nenhuma luz, a casa desaparecia nas trevas.

      Assim foi durante muitos e muitos dias, a mulher sem nunca desistir acendendo a lanterna que o vento, com igual constância apagava.

     Talvez meses tivessem passado quando num entardecer, ao acender a lanterna, a mulher viu ao longe recortada contra a luz que lanhava em sangue o horizonte, a silhueta escura de um homem a cavalo. Um homem a cavalo que galopava na sua direção.

     Aos poucos, apertando os olhos para ver melhor, distinguiu a lança erguida ao lado da sela, os duros contornos da couraça. Era um soldado que vinha. Seu coração hesitou entre o medo e a esperança. O fôlego se reteve por instantes entre lábios abertos. E já podia ouvir os cascos batendo sobre a terra, quando começou a sorrir. Era seu marido que vinha.

      Apeou o marido. Mas só com um braço rodeou-lhe os ombros. A outra mão pousou na empunhadura da espada. Nem fez menção de encaminhar-se para a casa.

    Que não se iludisse. A guerra não havia acabado. Sequer havia acabado a batalha que deixara pela manhã. Coberto de poeira e sangue, ainda assim não havia vindo para ficar. “Vim porque a luz que você acende à noite não me deixa dormir” disse-lhe quase ríspido. “Brilha por trás das minhas pálpebras fechadas, como se me chamasse. Só de madrugada depois que o vento sopra posso adormecer.”

    A mulher nada disse. Nada pediu. Encostou a mão no peito do marido, mas o coração dele parecia distante, protegido pelo couro da couraça. “Deixe-me fazer o que tem de ser feito, mulher” disse sem beijá-la. De um sopro apagou a lanterna. Montou a cavalo, partiu. Adensavam-se as sombras, e ela não pode sequer vê-lo afastar-se contra o céu. 

      A partir daquela noite, a mulher não acendeu mais nenhuma luz. Nem mesmo a vela dentro de casa, não fosse a chama acender-se por trás das pálpebras do marido.

      No escuro, as noites se consumiam rápidas. E com elas carregavam os dias, que a mulher nem contava. Sem saber ao certo quanto tempo havia passado, ela sabia, porém, que era tanto.

     E, passado num final de tarde em que a soleira da porta despedia-se da última luz no horizonte, viu desenhar-se lá longe a silhueta de um homem. Um homem a pé que caminhava na sua direção. Protegeu os olhos com a mão para ver melhor e, aos poucos, porque o homem avançava devagar, começou a distinguir a cabeça baixa, o contorno dos ombros cansados. Contorno doce, sem couraça, retendo o sorriso nos lábios – tantos homens haviam passado sem que nenhum fosse o que ela esperava. Ainda não podia ver-lhe o rosto, oculto entre a barba e o chapéu, quando deu o primeiro passo e correu ao seu encontro, liberando o coração. Era seu marido que voltava da guerra.

      Não precisou perguntar-lhe se havia vindo para ficar. Caminharam até a casa. Já iam entrar. Quando ele se reteve. Sem pressa voltou-se, e, embora a noite ainda não tivesse chegado, acendeu a lanterna. Só entrou com a mulher. E fechou a porta.


(COLASANTI, Marina. Luz de lanterna, sopro de vento. In: Um espinho de marfim e outras histórias. Porto Alegre: L&PM. p. 39, 1999. Adaptado.)

Considerando o contexto em que as palavras aparecem no texto, assinale o significado corretamente atribuído ao vocábulo em destaque a seguir: 
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Q2238713 Português
CADÊ O VERÃO?

Sandro Villar - 19/03/2023
     Cadê o verão? A estação já está "puxando o carro" e, para ser sincero, não percebi sua presença neste ano pelo menos no oeste paulista. Dias ensolarados, com temperaturas altas? Nada disso, Seu Dílson. Não houve verão em 2023. A estação foi marcada por temperaturas amenas, temporais assustadores e, se me permitem, parecia outono ou inverno. Um verão atípico, a meu ver. Coisa estranha. Aliás, os tempos estão estranhos, cada vez mais estranhos.
    O verão se despede hoje e amanhã começa o outono, que também deverá ser marcado por temperaturas amenas, nessas faixas de 24° a 25°, por aí. Depois, vem o inverno e dizem alguns meteorologistas que o inverno será congelante em alguns momentos. Outros apostam em temperaturas "suportáveis", como as deste atípico, para não dizer esquisito, verão.
       Falei que os tempos estão estranhos e estão mesmo no que diz respeito ao clima, cada vez mais extremo. Mudanças no mar preocupam. O mar está encolhendo – ou recuando – em vários países. Que diacho é isso? Sei lá. Só sei que esquisitice não falta, parece o feitiço do tempo. O mar já encolheu nas praias de pelo menos 15 países. Isso mesmo que vocês leram.
       O mar recuou mais de 15 metros no Egito e na Namíbia, dois países africanos. Para mencionar alguns dos 15 países, este egrégio e fidalgo cronista lembra que também foram registrados recuos na Argentina, Itália, França, Grécia e Marrocos. Na cidade de Veneza, que fica na Itália, as gôndolas deixaram de navegar porque os canais secaram. Maré baixa, mar recuado, portanto.
        Ah, sim: no nosso amado Brasil o fenômeno foi registrado em Alagoas, onde o mar, no caso o Oceano Atlântico, deu uma boa recuada, portanto, houve encolhimento.
         É a crise climática e não sei onde isso vai parar. Acho que seria o caso de o ser humano recuar em certas atitudes e dar um tempo, tempo ao tempo. Pelo jeito o tempo também precisa de um tempo para se ajustar nestes tempos desajustados.

Adaptado de: https://www.imparcial.com.br/noticias/cade-overao,57252. Acesso em: 20 maio 2023.
Considerando o quinto parágrafo do texto: “Ah, sim: no nosso amado Brasil o fenômeno foi registrado em Alagoas, onde o mar, no caso o Oceano Atlântico, deu uma boa recuada, portanto, houve encolhimento.”, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q2238705 Português
CADÊ O VERÃO?

Sandro Villar - 19/03/2023
     Cadê o verão? A estação já está "puxando o carro" e, para ser sincero, não percebi sua presença neste ano pelo menos no oeste paulista. Dias ensolarados, com temperaturas altas? Nada disso, Seu Dílson. Não houve verão em 2023. A estação foi marcada por temperaturas amenas, temporais assustadores e, se me permitem, parecia outono ou inverno. Um verão atípico, a meu ver. Coisa estranha. Aliás, os tempos estão estranhos, cada vez mais estranhos.
    O verão se despede hoje e amanhã começa o outono, que também deverá ser marcado por temperaturas amenas, nessas faixas de 24° a 25°, por aí. Depois, vem o inverno e dizem alguns meteorologistas que o inverno será congelante em alguns momentos. Outros apostam em temperaturas "suportáveis", como as deste atípico, para não dizer esquisito, verão.
       Falei que os tempos estão estranhos e estão mesmo no que diz respeito ao clima, cada vez mais extremo. Mudanças no mar preocupam. O mar está encolhendo – ou recuando – em vários países. Que diacho é isso? Sei lá. Só sei que esquisitice não falta, parece o feitiço do tempo. O mar já encolheu nas praias de pelo menos 15 países. Isso mesmo que vocês leram.
       O mar recuou mais de 15 metros no Egito e na Namíbia, dois países africanos. Para mencionar alguns dos 15 países, este egrégio e fidalgo cronista lembra que também foram registrados recuos na Argentina, Itália, França, Grécia e Marrocos. Na cidade de Veneza, que fica na Itália, as gôndolas deixaram de navegar porque os canais secaram. Maré baixa, mar recuado, portanto.
        Ah, sim: no nosso amado Brasil o fenômeno foi registrado em Alagoas, onde o mar, no caso o Oceano Atlântico, deu uma boa recuada, portanto, houve encolhimento.
         É a crise climática e não sei onde isso vai parar. Acho que seria o caso de o ser humano recuar em certas atitudes e dar um tempo, tempo ao tempo. Pelo jeito o tempo também precisa de um tempo para se ajustar nestes tempos desajustados.

Adaptado de: https://www.imparcial.com.br/noticias/cade-overao,57252. Acesso em: 20 maio 2023.
Em “Pelo jeito o tempo também precisa de um tempo para se ajustar nestes tempos desajustados.”, há um jogo linguístico com a palavra “tempo(s)”. Esse jogo se constrói a partir de qual relação semântica?
Alternativas
Q2238699 Português
No trecho "Ele tinha um sorriso de orelha a orelha", o que a expressão "de orelha a orelha" significa? 
Alternativas
Q2238390 Português
Leia o texto para responder às questão.

Ausências Alienígenas

        O comando militar dos EUA voltou a divulgar não haver evidência de que sejam extraterrestres os tais objetos voadores não identificados (óvnis, em português, ou UFOs, em inglês) – que seus investigadores preferem chamar de fenômenos aéreos não identificados (UAPs, na língua estrangeira).
        Para tentar dirimir as dúvidas remanescentes, o Pentágono se deu ao trabalho de abrir um Escritório de Resolução de Anomalias de Todos os Domínios (AARO). Seis meses depois, deu-se a primeira entrevista coletiva para tratar dos UAPs.
         Sean Kirkpatrick, diretor do órgão, permaneceu fiel à lógica truísta ao admitir não ter como descartar a possibilidade de vida extraterrestre. Tudo que se pode fazer, argumentou, é manter uma atitude científica diante da questão. 
        Pragmáticos, os militares concentram sua atenção em ocorrências suspeitamente próximas de suas instalações. Fazem isso com base na hipótese menos improvável de que os artefatos a sobrevoar as bases sejam russos, chineses e mesmo americanos (guiados por outras agências governamentais), e não naves intergalácticas.
        Em 2021, o governo anunciou ter mais de 140 casos registrados. Um deles era um balão meteorológico em queda, enquanto os demais seguiam inexplicáveis – tendo em vista as trajetórias, os dados de radares e as tecnologias conhecidas.
         Depois desse primeiro relatório, centenas de outros episódios teriam chegado ao conhecimento do AARO. Passarão pelo mesmo processo rigoroso de escrutínio, mas os crédulos não se darão por satisfeitos – afinal, como professava o agente Fox Mulder na série de TV Arquivo X, eles querem acreditar.
        Estariam melhor se aderissem a outra máxima científica: hipóteses extraordinárias exigem provas extraordinárias. Até agora, ETs só se comunicam com humanos nas telas de cinema. Como há quem acredite até na inoculação de chips por vacinas, a fábula alienígena segue em propulsão fantástica.

(Editorial. Folha de S.Paulo, 24.12.2022. Adaptado)
Considere as passagens do texto:
•  Para tentar dirimir as dúvidas remanescentes… (2º parágrafo) •  Pragmáticos, os militares concentram sua atenção… (4º parágrafo) •  Passarão pelo mesmo processo rigoroso de escrutínio… (6º parágrafo)
Os termos destacados significam, correta e respectivamente:
Alternativas
Q2237636 Português
Texto CG1A4-I

        A palavra “metaverso”, formada pelo acréscimo do prefixo grego meta (além) à forma abreviada do vocábulo “universo”, foi popularizada pelo escritor norte-americano Neal Stephenson, em seu livro de ficção científica Nevasca (2008) ou, no original, Snow Crash (1992).

      Inicialmente, o termo dizia respeito a uma rede de mundos virtuais tridimensionais que permitiriam interações sociais (livres de restrições físicas e biológicas) com outros mundos igualmente virtuais. Hoje, passou a ser associado frequentemente ao entretenimento.

       De fato, é possível transitar em um mundo virtual, que se torna quase real quando esse “passeio” é feito com a ajuda de óculos de realidade virtual, como aqueles desenvolvidos pelos gigantes mundiais da tecnologia, como Google, Microsoft, Apple e Facebook — por sinal, este último alterou seu nome para Meta.

      Mas o que ainda não foi profundamente analisado — e seria uma contribuição essencial para a humanidade — são as aplicações dos metaversos na melhoria da qualidade de vida, uma vez que podem ser usados tanto em áreas amplas, como saúde e educação, quanto em áreas específicas, como engenharia e medicina.



Matteo Moriconi et al. Metaverso: uma nova e poderosa ferramenta de pesquisa científica. Ciência Hoje, n.º 399, jun./2023 (com adaptações).
No início do terceiro parágrafo do texto CG1A4-I, a expressão “De fato” transmite ideia de
Alternativas
Q2237634 Português
Texto CG1A5-I

     Vivemos uma transformação acelerada no mercado de trabalho. Com o avanço da inteligência artificial e da automação, muitas funções tradicionais estão sendo eliminadas ou substituídas em todo o mundo. Funções que representavam 15,4% da força de trabalho global em 2020 encolherão para 9% até 2025. Por outro lado, a participação das novas profissões (como especialistas em dados e inteligência artificial) quase dobrará, crescendo de 7,8% para 13,5% da base total de empregados no mesmo período. Milhões de vagas em todo o mundo estão deixando de ser preenchidas, ao mesmo tempo em que um contingente cada vez maior de indivíduos não encontra mais colocação no mercado de trabalho.

      Cinco em cada dez brasileiros acreditam que a automação vai tornar seus empregos obsoletos nos próximos dez anos, enquanto nove estão preocupados com sua requalificação. Praticamente todos, porém, veem a chegada de novas tecnologias como oportunidade para usá-las ou entendê-las melhor.

     Trata-se de um momento de grandes ameaças e grandes oportunidades, que exige investimentos urgentes na formação digital da atual força de trabalho e das gerações futuras. É preciso dar a todos a oportunidade de adquirir novas competências tanto para assegurar sua empregabilidade quanto para aproveitar as oportunidades que se abrem no mercado e impulsionar o crescimento do nosso país.


PWC e Instituto Locomotiva. O abismo digital.
Internet:<www.pwc.com.br>  (com adaptações)
No texto CG1A5-I, a palavra “empregabilidade” (último parágrafo) significa
Alternativas
Q2237588 Português
Texto CG2A1-I


        É perigoso nos distrairmos com uma fantasia utópica ou apocalíptica possibilitada pela inteligência artificial (IA), que promete ou um futuro “florescente” ou um futuro “potencialmente catastrófico”. Essa ilusão, que infla as capacidades dos sistemas automatizados e os antropomorfiza, induz as pessoas a pensar que existe um ser senciente por trás das mídias sintéticas. Isso seduz as pessoas a não apenas confiarem acriticamente em sistemas como o ChatGPT, mas também a lhes atribuírem erroneamente a capacidade de agir. A responsabilização propriamente dita não cabe aos artefatos tecnológicos, mas a seus construtores.

       O que precisamos é de regulamentação que imponha transparência a essa tecnologia digital. Isso deve ficar sempre claro quando nos deparamos com mídias sintéticas, e as organizações que constroem esses sistemas também deveriam ser obrigadas a documentar e a divulgar os dados de treinamento e as arquiteturas de modelo. Além disso, o ônus de criar instrumentos seguros de uso dessas tecnologias deveria recair sobre as empresas que constroem e implantam sistemas generativos, o que significa que os construtores desses sistemas deveriam ser responsabilizados pelos resultados produzidos por seus produtos.

        A corrida atual rumo a “experimentos de IA” cada vez maiores não é um caminho predeterminado no qual a nossa única escolha é o quão rápido devemos correr, mas uma série de decisões impulsionadas pelo lucro. As ações e as escolhas das corporações devem ser moldadas por regulamentação que proteja os direitos e os interesses das pessoas. O foco da nossa preocupação não deveriam ser as “poderosas mentes digitais” imaginárias. Em vez disso, deveríamos focar nas práticas de exploração muito reais e muito presentes das empresas que afirmam construí-las.


Timnit Gebru et al.Papagaios estocásticos: o pedido de moratória para a IA e os riscos em jogo. Internet: (com adaptações).
No texto CG2A1-I, o vocábulo “senciente” (segundo período do primeiro parágrafo) significa
Alternativas
Q2237314 Português
Medo é coisa boa
Paulo Pestana
Crônica


            Os criadores da inteligência artificial e alguns dos maiores cientistas do mundo dizem que o negócio é perigoso. E pedem para parar. Que se suspenda o curso da ciência por seis meses. Justo quando um estudo da Universidade da Califórnia mostra que o ChatGPT dá respostas melhores a consultas médicas do que os doutores.
              É bom ver esses ousados e intimoratos senhores com medo e com pudores que Oppenheimer – um dos criadores da bomba atômica – não teve, alegando que a ideia era “tecnicamente boa”.
          Isso evita até desfechos trágicos como o suicídio de Santos Dumont, causado, dizem, por uma depressão profunda iniciada quando ele viu aviões sendo usados como armas na primeira grande guerra. Ele se sentia culpado pela atuação de homens como o alemão Manfred von Richthofen, o Barão Vermelho, que teria abatido 80 inimigos no ar.
             Ao contrário do que muita gente pensa, medo é uma coisa boa. Impõe limites, sinaliza respeito – é o que nos impede de, por exemplo, enfiar a cabeça na boca de um leão (ainda que haja quem ganhe a vida fazendo isso ou coisa pior). Mas o medo não pode ser paralisante e por isso não faz nenhum sentido tentar para o mundo ou o avanço da ciência. Ou não?
           Os livros de Isaac Asimov definiram as leis da robótica; a mais importante delas é a primeira: um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal. Pelo jeito, e pelo que diz Geoffrey Hinton, um bambambã do assunto e que ajudou a desenvolver a ideia, a inteligência artificial pode ser usada para “coisas ruins”.
           Como tudo, poderíamos dizer. Como os aviões.
          Já se sabe que a IA já é capaz de criar algoritmos e novos softwares. Mas qual o perigo disso?
          Na dúvida, perguntei ao ChatGPT que mesmo sem ser essa inteligência toda – os cientistas acham que ainda é um embrião – respondeu:
          “Essa é uma questão controversa e debatida por diversos especialistas no campo da inteligência artificial. A maioria dos especialistas concorda que a inteligência artificial tem o potencial de superar a capacidade humana em tarefas específicas. Por exemplo, algumas tecnologias de IA já superam os humanos em jogos de estratégia, reconhecimento de padrões e processamento de grande quantidade de dados”.
        E continuou: “No entanto, alguns especialistas acreditam que a IA não será capaz de superar completamente a inteligência humana em todas as áreas, especialmente naquelas que requerem habilidades sociais e emocionais. Além disso, a maioria concorda que a IA não pode representar uma ameaça aos humanos, a menos que seja programada com intenções maliciosas”.
        E ainda esticou o assunto: “No geral, o desenvolvimento da IA e seus efeitos na sociedade é um tema complexo que deve ser cuidadosamente considerado em termos de ética e responsabilidade. É importante garantir que a tecnologia seja usada de maneira segura e benéfica para a humanidade”.
     Minha conclusão é que precisamos nos preocupar mesmo, porque a inteligência artificial está chegando lá; já aprendeu a enrolar, igual a uns políticos espertinhos.


PESTANA, Paulo. Medo é coisa boa. Correio Braziliense, 17 de maio de
2023. Disponível em: https://blogs.correiobraziliense.com.br/paulopestana/medo-e-coisaboa/. Acesso em: 22 jun. 2023. Adaptado. 

O que significa a expressão "por inação" empregada no 5° parágrafo da crônica? 
Alternativas
Respostas
2541: C
2542: D
2543: A
2544: C
2545: B
2546: A
2547: A
2548: C
2549: D
2550: D
2551: B
2552: B
2553: A
2554: E
2555: D
2556: C
2557: D
2558: E
2559: E
2560: D