Questões de Concurso Comentadas sobre significação contextual de palavras e expressões. sinônimos e antônimos. em português

Foram encontradas 13.774 questões

Q3491642 Português
Assinale a alternativa em que ambos os termos são antônimos:
Alternativas
Q3483918 Português
Leia o texto para responder à questão.


Ninguém solta a bucha de ninguém


      Antes de mais nada, é preciso lembrar que estamos no país mais ensaboado do planeta, com média de duas duchas diárias por cidadão. Crise hídrica alguma detém o frenesi de nossa toalete. De dinheiro público a calcinhas que são penduradas na torneira do box, lavamos de tudo um pouco.

     Quando fui à Alemanha é que tive consciência do impasse diplomático deflagrado no lavabo de meu primo Klaus. “Aqui são loucos por sabonete líquido. Se compro em barra, me acusam de ser 50% brasileiro. Isso me cheira a xenofobia!”, sussurrou, desentocaiando um Palmolive© como quem tem ficha suja na Interpol.

      De lá para cá, só balde de água fria. Segundo institutos de pesquisa, o Brasil é barra, mas o resto do mundo é cremosinho. 91% dos espanhóis preferem shower gel, assim como 85% dos italianos. Nos EUA e na Grã-Bretanha, bem mais da metade. Ou seja: vivemos numa bolha.

     Para não dizer que somos 100% intolerantes à liquidez alheia, até fazemos uso de outros estados saponáceos da matéria. O pastoso, em dupla com a esponja de aço, no skincare das panelas.

    Semana passada, voltando de viagem, tive enfim contato com a fina flor da resistência francesa em Marselha: seus perfumados paralelepípedos de lavanda, rosa, violeta, verbena. Vagando por becos, farejando feirinhas, me senti de alma lavada ao perceber que ainda existem outros como nós. Ninguém solta a bucha de ninguém.


(Bia Braune, “Ninguém solta a bucha de ninguém”. Folha de S.Paulo, 25.06.2023. Adaptado)

Vocabulário:

•  Shower gel: gel de banho

•  Skincare: cuidados com a pele
Considere as passagens do texto:

•  Crise hídrica alguma detém o frenesi de nossa toalete. (1o parágrafo)
•  Quando fui à Alemanha é que tive consciência do impasse diplomático deflagrado no lavabo de meu primo Klaus. (2o parágrafo)
•  “Se compro em barra, me acusam de ser 50% brasileiro. Isso me cheira a xenofobia!” (2o parágrafo)
•  Vagando por becos, farejando feirinhas, me senti de alma lavada ao perceber que ainda existem outros como nós. (5o parágrafo)

No contexto em que estão empregados, os termos destacados significam, correta e respectivamente: 
Alternativas
Q3433111 Português

Leio o trecho da notícia a seguir e responda a questão.



Como anda a saúde mental dos jovens?



        Muitos jovens têm aparecido nas Redes Sociais relatando crises de ansiedade e depressão, contrariando o estereótipo daquela vida fake cheia de glamour e ostentação [...].



        Oito a cada dez brasileiros de 15 a 29 anos apresentaram recentemente algum problema de saúde mental, segundo dados de pesquisa Datafolha do final de 2022.



        A maioria desses jovens sofreu com pensamentos negativos (66%), dificuldade de concentração (58%) e crise de ansiedade (53%). Mais da metade considera sua saúde mental como regular, ruim e péssima. [...] 

No trecho “Oito a cada dez brasileiros de 15 a 29 anos apresentaram recentemente algum problema de saúde mental”, o advérbio “recentemente” indica o mesmo que:
Alternativas
Q3432796 Português

Leia o texto e responda a questão.



Irreverente e subversiva, seu nome é Rita Lee


Bianca Portugal



Na monarquia do rock nacional, o trono máximo sempre foi ocupado por uma mulher: Rita Lee. Ela faleceu no último dia 8/5, aos 75 anos, vítima de câncer de pulmão. Cantora, compositora e multiinstrumentista, a estrela revolucionou a música e também a sociedade como um todo. Ainda cedo, Rita levantou a bandeira do feminismo, lutando, dentro e fora do rock, contra o machismo vigente. Com letras questionadoras, alcançou o top five dos artistas que mais venderam discos na história do País, mas isso parecia pouco para ela. Rita sempre extrapolou o cenário musical, lançou pensamentos revolucionários em entrevistas e, principalmente, em seu dia a dia. A roqueira também encabeçou a defesa pelos direitos dos animais e, além do título de Rainha do Rock, que ela achava cafona, preferindo ser chamada de Padroeira da Liberdade, ostentava a alcunha de Rainha Vegana. Uma grande estrela, que desde os anos 1960 influencia gerações com seu talento, suas convicções e seu modo de viver. [...]


Fonte: https://caras.uol.com.br/revista/irreverente-e-subversiva-seu-nome-e-rita-lee.phtml




No trecho “o trono máximo sempre foi ocupado por uma mulher”, o advérbio “sempre” possui sentido de:
Alternativas
Q3253142 Português
NUNCA É TARDE PARA NOS TORNAR QUEM DESEJAMOS SER: O EXEMPLO DE CONCEIÇÃO EVARISTO


Uma das escritoras mais importantes do país, ela se consagrou depois dos 60 anos e hoje expande nosso conhecimento sobre identidade e cultura negra.


Morena (20/07/2023 - 18:06)


    O envelhecimento no mundo em que vivemos é malvisto. Há até um nome para a discriminação que pessoas acima de 50 anos costumam sofrer durante o processo de envelhecer: etarismo. Em 2017, quando passei no vestibular para a Universidade Federal Fluminense, aos 26 anos, me sentia uma espécie de extraterrestre entre dezenas de pessoas entre 17 e 20 anos de idade que estudavam comigo. Ao contrário da maioria, eu trabalhava em tempo integral, dependia do trabalho para obter o meu sustento e não podia me dedicar integralmente aos estudos. Esta sensação de ser velha na faculdade fazia com que eu me sentisse “fora de lugar” naquele ambiente. E cedo demais percebesse que o mundo te olha diferente quando você não faz as coisas “na hora certa”.

    Foi bem nesta fase que conheci mais a fundo a obra da escritora Conceição Evaristo. Lendo sobre sua trajetória descobri que, antes de se tornar uma escritora premiada, até os 20 e poucos anos de idade, Evaristo era empregada doméstica e conciliava seus estudos com o trabalho. Antes de ler sobre sua vida, tinha vergonha de ter sido auxiliar de creche, vendedora, garçonete e de ter começado a trabalhar antes de ingressar no ensino superior. Achava que chegar tão tarde à formação acadêmica era um demérito, de alguma forma. Aquela sensação de desajuste que nos causa uma profunda vergonha foi sumindo conforme conhecia mais sobre a escrevivência que a escritora propunha com seu trabalho literário.

    A escrevivência é a escrita que nasce das experiências de subjetividades de mulheres negras, segundo a autora. Esta perspectiva me fez reavaliar muitas coisas. Quer dizer então que eu poderia escrever sobre minha experiência e expressar de forma autoral minha própria visão de mundo? Me pareceu incrível a percepção de que a experiência poderia ser uma vantagem na minha trajetória, não mais uma fonte inesgotável de constrangimento. De fato, havia muita história para contar e meus horizontes sobre o que eu poderia ser se expandiram.

    Conceição Evaristo formou-se no Curso Normal aos 25 anos em 1971, trabalhou como professora na rede pública de educação no Rio e em Niterói, após passar em concursos. Formouse em Letras na UFRJ na década de 1990, quando também estreou na literatura através dos Cadernos Negros, publicação pioneira de literatura afro-brasileira organizada pelo grupo Quilombhoje. Daí para frente fez mestrado, doutorado, deu aula em universidade, :inclusive internacionais. Em 2003 publicou Ponciá Vivêncio, seu primeiro romance, e em 2015 ganhou o Prêmio Jabuti aos 69 anos de idade. 

    A mineira filha de dona Joana é reconhecidamente uma das escritoras mais importantes do nosso país, suas obras são verdadeiras aulas sobre identidade e cultura negra. Além de sua produção literária, Conceição Evaristo me ensinou que os sonhos são águas que correm fora do rio do tempo. Afinal de contas, nunca estaremos atrasadas para nos tornar quem desejamos ser.


Texto adaptado do site: https://istoe.com.br/mulher/noticia/nunca-etarde-para-nos-tornar-quem-desejamos-ser-o-exemplo-deconceicao-evaristo/, acesso em 20 de julho de 2023.
Assinale a melhor definição para ESCREVIVÊNCIA a partir do texto:
Alternativas
Q3149889 Português
Inteligência artificial: a era do “deus” máquina


      No teatro grego antigo, quando não havia solução para um impasse, um ator interpretando uma divindade descia ao palco pendurado num guindaste, resolvia o problema e, assim, acabava a peça. Era o Deus ex-machina – o deus surgido da máquina. Com o avanço sem precedentes da inteligência artificial (IA), é justo pensar que, no mundo contemporâneo, a máquina é a própria deidade.

      Para ela, nada parece impossível. Da confecção de discursos em segundos à criação de obras de arte; da identificação de medicamentos promissores ao diagnóstico preciso de doenças, tudo é resolvido pelo “deus algoritmo”. E, ao observar sua invenção “surgindo do guindaste”, o homem pode se perguntar qual lugar ocupará neste enredo. Segundo especialistas, porém, o perigo não está na criatura e, sim, no uso que o criador faz dela.

      A inteligência artificial faz parte da rotina, ainda que não se perceba. O GPS que indica o percurso, a atendente virtual, o internet banking são exemplos de seu uso no dia a dia. Só que, até agora, ninguém temia os mecanismos de busca dos navegadores, os sistemas de reconhecimento facial dos condomínios ou a sugestão de filmes apresentadas pelos aplicativos de streaming.

     Então, as máquinas começaram a gerar imagens perfeitas de pessoas inexistentes, escrever reportagens com acurácia, resolver enigmas matemáticos em frações de segundos, dirigir e voar sozinhas, elaborar defesas jurídicas e até “ler” pensamentos em experimentos científicos. A ponto de, em um editorial da revista Science, um grupo de cientistas pedir a moratória de pesquisas até alguma regulamentação ética da IA.

    A discussão sobre riscos e avanços da IA ultrapassa o campo da ciência da computação; é também filosófica. Já na Grécia Antiga, filósofos questionavam a essência da inteligência e se ela era um atributo somente humano.

    Hoje, esse é um dos centros da discussão sobre IA: sistemas programados e alimentados por seres humanos poderão ultrapassar em astúcia seus criadores? Não, garante um dos maiores especialistas no tema, o cientista da computação francês Jean-Gabriel Ganascia, da Universidade de Sorbonne que, já em 1980, obteve mestrado em inteligência artificial em Paris.



(Paloma Oliveto, Inteligência artificial: a era do ‘deus’ máquina.
https://www.correiobraziliense.com.br/ciencia-e-saude. Adaptado)
Nas passagens – ... da identificação de medicamentos promissores ao diagnóstico preciso de doenças... (2° parágrafo) – e – ... sistemas programados e alimentados por seres humanos poderão ultrapassar em astúcia seus criadores? (6° parágrafo) –, os termos destacados significam, correta e respectivamente:
Alternativas
Q3105955 Português
Festa de aniversário


Leonora chegou-se para mim, a carinha mais limpa deste mundo:
– Engoli uma tampa de Coca-Cola.
Levantei as mãos para o céu: mais esta, agora! Era uma festa de aniversário, o aniversário dela própria, que completava seis anos de idade. Convoquei imediatamente a família:
– Disse que engoliu uma tampa de Coca-Cola.
A mãe, os tios, os avós, todos a cercavam, nervosos e inquietos.
– Abra a boca, minha filha. Agora não adianta: já engoliu. Deve ter arranhado. Mas engoliu como? Quem é que engole uma tampa de cerveja? De cerveja não: de Coca-Cola. Pode ter ficado na garganta – urgia que déssemos uma providência, não ficássemos ali, feito idiotas. Tomei-a ao colo: – Vem cá, minha filhinha, conta só para mim. Você engoliu coisa nenhuma, não é isso mesmo?
– Engoli sim, papai – ela afirmava com decisão.
Consultei o tio, baixinho:
– O que é que você acha?
Ele foi buscar uma tampa de garrafa, separou a cortiça do metal:
– O que você engoliu: isto... ou isto?
– Cuidado que ela engole outra – adverti.
– Isto – e ela apontou com firmeza a parte de metal.
Não tinha dúvida: pronto-socorro. Dispus-me a carregá-la, mas alguém sugeriu que era melhor que ela fosse andando: auxiliava a digestão.
No hospital, o médico limitou-se a apalpar-lhe a barriguinha, cético:
– Dói aqui, minha filha?
Quando falamos em radiografia, revelou-nos que o aparelho estava com defeito: só no pronto-socorro da cidade.
Batemos para o pronto-socorro da cidade. Outro médico nos atendeu com solicitude.
– Vamos já ver isto.
Tirada a chapa, ficamos aguardando ansiosos a revelação. Em pouco o médico regressava:
– Engoliu foi a garrafa.
– A garrafa?! – exclamei. Mas era uma gracinha dele, cujo espírito passava ao largo da minha aflição: eu não estava para graças. Uma tampa de garrafa! Certamente precisaria operar – não haveria de sair por si mesma.
O médico pôs-se a rir de mim:
– Não engoliu coisa nenhuma. O senhor pode ir descansado.
– Engoli – afirmou a menininha.
Voltei-me para ela:
– Como é que você ainda insiste, minha filha?
– Que eu engoli, engoli.
– Pensa que engoliu – emendei.
– Isso acontece – sorriu o médico – até com gente grande. Aqui já teve um guarda que pensou ter engolido o apito.
– Pois eu engoli mesmo – comentou ela, intransigente.
– Você não pode ter engolido – arrematei, já impaciente. – Quer saber mais que o médico?
– Quero. Eu engoli, e depois desengoli – esclareceu ela.
Nada mais havendo a fazer, engoli em seco, despedi-me do médico e bati em retirada com toda a comitiva.

(SABINO, Fernando. A mulher do vizinho. Rio de Janeiro, RJ. 1962. Adaptado.) 
A relação de sinonímia entre vocábulos distintos diz respeito a determinados aspectos semânticos contextuais. Considerando-se a preservação do sentido original do texto, o vocábulo destacado seria substituído adequadamente pela respectiva sugestão: 
Alternativas
Q3105832 Português

Os jornais


    Meu amigo lança fora, alegremente, o jornal que está lendo e diz:

   – Chega! Houve um desastre de trem na França, um acidente de mina na Inglaterra, um surto de peste na Índia. Você acredita nisso que os jornais dizem? Será o mundo assim, uma bola confusa, onde acontecem unicamente desastres e desgraças? Não! Os jornais é que falsificam a imagem do mundo. Veja por exemplo aqui: em um subúrbio, um sapateiro matou a mulher que o traía. Eu não afirmo que isso seja mentira. Mas acontece que o jornal escolhe os fatos que noticia. O jornal quer fatos que sejam notícias, que tenham conteúdo jornalístico. Vejamos a história desse crime “Durante os três primeiros anos o casal viveu imensamente feliz...” Você sabia disso? O jornal nunca publica uma nota assim:   


  “Anteontem, cerca de 21 horas, na rua Arlinda, no Méier, o sapateiro Augusto Ramos, de 28 anos, casado com a senhora Deolinda Brito Ramos, 23 anos de idade, aproveitou‐se de um momento em que sua consorte erguia os braços para segurar uma lâmpada para abraçá‐la alegremente, dando‐lhe beijos na garganta e na face, culminando em um beijo na orelha esquerda. Em vista disso, a senhora em questão voltou‐se para o seu marido, beijando‐o longamente na boca e murmurando as seguintes palavras: ‘Meu amor’, ao que ele retorquiu: ‘Deolinda’. Na manhã seguinte Augusto Ramos foi visto saindo de sua residência às 7:45 da manhã, isto é, dez minutos mais tarde do que o habitual, pois se demorou, a pedido de sua esposa, para consertar a gaiola de um canário‐da‐terra de propriedade do casal.”

    – A impressão que a gente tem, lendo os jornais – continuou meu amigo – é que “lar” é um local destinado principalmente, à prática de “uxoricídio”. E dos bares, nem se fala. Imagine isto:  

    “Ontem, cerca de 10 horas da noite, o indivíduo Ananias Fonseca, de 28 anos, pedreiro, residente à rua Chiquinha, sem número, no Encantado, entrou no bar ‘Flor Mineira’, à rua Cruzeiro, 524, em companhia de seu colega Pedro Amância de Araújo, residente no mesmo endereço. Ambos entregaram‐se a fartas libações alcoólicas e já se dispunham a deixar o botequim quando apareceu Joca de tal, de residência ignorada, antigo conhecido dos dois pedreiros, e que também estava visivelmente alcoolizado. Dirigindo‐se aos dois amigos, Joca manifestou desejo de sentar‐se à sua mesa, no que foi atendido. Passou então a pedir rodadas de conhaque, sendo servido pelo empregado do botequim, Joaquim Nunes. Depois de várias rodadas, Joca declarou que pagaria toda a despesa. Ananias e Pedro protestaram, alegando que eles já estavam na mesa antes. Joca, entretanto, insistiu, seguindo‐se uma disputa entre os três homens, que terminou com a intervenção do referido empregado, que aceitou a nota que Joca lhe estendia. No momento em que trouxe o troco, o garçom recebeu uma boa gorjeta, pelo que ficou contentíssimo, o mesmo acontecendo aos três amigos que se retiraram do bar alegremente, cantarolando sambas. Reina a maior paz no subúrbio Encantado, e a noite bastante fresca, tendo dona Maria, sogra do comerciante Adalberto Ferreira, residente à rua Benedito, 14, senhora que sempre foi muito friorenta, chegando a puxar o cobertor, tendo depois sonhado que seu netinho lhe oferecia um pedaço de goiabada.”

    E meu amigo:

   – Se um repórter redigir essas duas notas e levá‐las a um secretário de redação, será chamado de louco. Porque os jornais noticiam tudo, tudo, menos uma coisa tão banal de que ninguém se lembra: a vida...


(BRAGA, Rubem. 50 crônicas escolhidas. 3ª edição – Rio de Janeiro: BestBolso, 2011.)

Releia o trecho apresentado a seguir: “Ananias e Pedro protestaram, alegando que eles já estavam na mesa antes.” (6º§)

Assinale a alternativa correta tendo em vista o sentido da palavra “protestaram” no contexto.

Alternativas
Q3105829 Português

Os jornais


    Meu amigo lança fora, alegremente, o jornal que está lendo e diz:

   – Chega! Houve um desastre de trem na França, um acidente de mina na Inglaterra, um surto de peste na Índia. Você acredita nisso que os jornais dizem? Será o mundo assim, uma bola confusa, onde acontecem unicamente desastres e desgraças? Não! Os jornais é que falsificam a imagem do mundo. Veja por exemplo aqui: em um subúrbio, um sapateiro matou a mulher que o traía. Eu não afirmo que isso seja mentira. Mas acontece que o jornal escolhe os fatos que noticia. O jornal quer fatos que sejam notícias, que tenham conteúdo jornalístico. Vejamos a história desse crime “Durante os três primeiros anos o casal viveu imensamente feliz...” Você sabia disso? O jornal nunca publica uma nota assim:   


  “Anteontem, cerca de 21 horas, na rua Arlinda, no Méier, o sapateiro Augusto Ramos, de 28 anos, casado com a senhora Deolinda Brito Ramos, 23 anos de idade, aproveitou‐se de um momento em que sua consorte erguia os braços para segurar uma lâmpada para abraçá‐la alegremente, dando‐lhe beijos na garganta e na face, culminando em um beijo na orelha esquerda. Em vista disso, a senhora em questão voltou‐se para o seu marido, beijando‐o longamente na boca e murmurando as seguintes palavras: ‘Meu amor’, ao que ele retorquiu: ‘Deolinda’. Na manhã seguinte Augusto Ramos foi visto saindo de sua residência às 7:45 da manhã, isto é, dez minutos mais tarde do que o habitual, pois se demorou, a pedido de sua esposa, para consertar a gaiola de um canário‐da‐terra de propriedade do casal.”

    – A impressão que a gente tem, lendo os jornais – continuou meu amigo – é que “lar” é um local destinado principalmente, à prática de “uxoricídio”. E dos bares, nem se fala. Imagine isto:  

    “Ontem, cerca de 10 horas da noite, o indivíduo Ananias Fonseca, de 28 anos, pedreiro, residente à rua Chiquinha, sem número, no Encantado, entrou no bar ‘Flor Mineira’, à rua Cruzeiro, 524, em companhia de seu colega Pedro Amância de Araújo, residente no mesmo endereço. Ambos entregaram‐se a fartas libações alcoólicas e já se dispunham a deixar o botequim quando apareceu Joca de tal, de residência ignorada, antigo conhecido dos dois pedreiros, e que também estava visivelmente alcoolizado. Dirigindo‐se aos dois amigos, Joca manifestou desejo de sentar‐se à sua mesa, no que foi atendido. Passou então a pedir rodadas de conhaque, sendo servido pelo empregado do botequim, Joaquim Nunes. Depois de várias rodadas, Joca declarou que pagaria toda a despesa. Ananias e Pedro protestaram, alegando que eles já estavam na mesa antes. Joca, entretanto, insistiu, seguindo‐se uma disputa entre os três homens, que terminou com a intervenção do referido empregado, que aceitou a nota que Joca lhe estendia. No momento em que trouxe o troco, o garçom recebeu uma boa gorjeta, pelo que ficou contentíssimo, o mesmo acontecendo aos três amigos que se retiraram do bar alegremente, cantarolando sambas. Reina a maior paz no subúrbio Encantado, e a noite bastante fresca, tendo dona Maria, sogra do comerciante Adalberto Ferreira, residente à rua Benedito, 14, senhora que sempre foi muito friorenta, chegando a puxar o cobertor, tendo depois sonhado que seu netinho lhe oferecia um pedaço de goiabada.”

    E meu amigo:

   – Se um repórter redigir essas duas notas e levá‐las a um secretário de redação, será chamado de louco. Porque os jornais noticiam tudo, tudo, menos uma coisa tão banal de que ninguém se lembra: a vida...


(BRAGA, Rubem. 50 crônicas escolhidas. 3ª edição – Rio de Janeiro: BestBolso, 2011.)

As palavras podem adquirir um novo significado, divergente do usual, de acordo com o contexto em que estão inseridas. Tal fato pode ser comprovado em: 
Alternativas
Q3105825 Português

Os jornais


    Meu amigo lança fora, alegremente, o jornal que está lendo e diz:

   – Chega! Houve um desastre de trem na França, um acidente de mina na Inglaterra, um surto de peste na Índia. Você acredita nisso que os jornais dizem? Será o mundo assim, uma bola confusa, onde acontecem unicamente desastres e desgraças? Não! Os jornais é que falsificam a imagem do mundo. Veja por exemplo aqui: em um subúrbio, um sapateiro matou a mulher que o traía. Eu não afirmo que isso seja mentira. Mas acontece que o jornal escolhe os fatos que noticia. O jornal quer fatos que sejam notícias, que tenham conteúdo jornalístico. Vejamos a história desse crime “Durante os três primeiros anos o casal viveu imensamente feliz...” Você sabia disso? O jornal nunca publica uma nota assim:   


  “Anteontem, cerca de 21 horas, na rua Arlinda, no Méier, o sapateiro Augusto Ramos, de 28 anos, casado com a senhora Deolinda Brito Ramos, 23 anos de idade, aproveitou‐se de um momento em que sua consorte erguia os braços para segurar uma lâmpada para abraçá‐la alegremente, dando‐lhe beijos na garganta e na face, culminando em um beijo na orelha esquerda. Em vista disso, a senhora em questão voltou‐se para o seu marido, beijando‐o longamente na boca e murmurando as seguintes palavras: ‘Meu amor’, ao que ele retorquiu: ‘Deolinda’. Na manhã seguinte Augusto Ramos foi visto saindo de sua residência às 7:45 da manhã, isto é, dez minutos mais tarde do que o habitual, pois se demorou, a pedido de sua esposa, para consertar a gaiola de um canário‐da‐terra de propriedade do casal.”

    – A impressão que a gente tem, lendo os jornais – continuou meu amigo – é que “lar” é um local destinado principalmente, à prática de “uxoricídio”. E dos bares, nem se fala. Imagine isto:  

    “Ontem, cerca de 10 horas da noite, o indivíduo Ananias Fonseca, de 28 anos, pedreiro, residente à rua Chiquinha, sem número, no Encantado, entrou no bar ‘Flor Mineira’, à rua Cruzeiro, 524, em companhia de seu colega Pedro Amância de Araújo, residente no mesmo endereço. Ambos entregaram‐se a fartas libações alcoólicas e já se dispunham a deixar o botequim quando apareceu Joca de tal, de residência ignorada, antigo conhecido dos dois pedreiros, e que também estava visivelmente alcoolizado. Dirigindo‐se aos dois amigos, Joca manifestou desejo de sentar‐se à sua mesa, no que foi atendido. Passou então a pedir rodadas de conhaque, sendo servido pelo empregado do botequim, Joaquim Nunes. Depois de várias rodadas, Joca declarou que pagaria toda a despesa. Ananias e Pedro protestaram, alegando que eles já estavam na mesa antes. Joca, entretanto, insistiu, seguindo‐se uma disputa entre os três homens, que terminou com a intervenção do referido empregado, que aceitou a nota que Joca lhe estendia. No momento em que trouxe o troco, o garçom recebeu uma boa gorjeta, pelo que ficou contentíssimo, o mesmo acontecendo aos três amigos que se retiraram do bar alegremente, cantarolando sambas. Reina a maior paz no subúrbio Encantado, e a noite bastante fresca, tendo dona Maria, sogra do comerciante Adalberto Ferreira, residente à rua Benedito, 14, senhora que sempre foi muito friorenta, chegando a puxar o cobertor, tendo depois sonhado que seu netinho lhe oferecia um pedaço de goiabada.”

    E meu amigo:

   – Se um repórter redigir essas duas notas e levá‐las a um secretário de redação, será chamado de louco. Porque os jornais noticiam tudo, tudo, menos uma coisa tão banal de que ninguém se lembra: a vida...


(BRAGA, Rubem. 50 crônicas escolhidas. 3ª edição – Rio de Janeiro: BestBolso, 2011.)

Considerando os termos sublinhados, assinale a alternativa que apresenta o referente sentido INCORRETO.  
Alternativas
Q3105347 Português
Cuidado com o ‘171’: crime da moda, estelionato bate recorde em 2022


Segundo o Anuário da Segurança Pública, número de ocorrências chegou
a 1,8 milhão no ano passado, mais que o triplo de quatro anos atrás.


        O estelionato é um crime previsto no artigo 171 do Código Penal brasileiro, que o define assim: “Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento”.

        Em razão da lei, o número “171” se tornou tão popular que passou a ser utilizado como uma gíria para definir quando alguém está tentando aplicar um golpe. Pois o crime que ele define também nunca foi tão popular no país quanto no ano passado.

        Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, foram 1.819.409 ocorrências de estelionato registradas no país no ano passado, uma alta de 326,3% em relação a 2018. Os dados são fornecidos pelas polícias e pelas Secretarias de Segurança Pública.

        O avanço espetacular desse tipo de crime tem a ver com a popularização do uso da internet, especialmente por meio dos celulares. Segundo o mesmo anuário, foram roubados ou furtados só no ano passado nada menos que 999.223 aparelhos desse tipo.

        Desde 2021, o artigo 171 ganhou um parágrafo para tipificar o crime de fraude eletrônica, que “é cometida com a utilização de informações fornecidas pela vítima ou por terceiro induzido a erro por meio de redes sociais, contatos telefônicos ou envio de correio eletrônico fraudulento, ou por qualquer outro meio fraudulento análogo”. Ou seja, é o estelionato praticado por meios virtuais.

        Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, responsável pelo anuário, estudos demonstram que o aumento do uso da internet e das redes sociais na pandemia tanto para as rotinas de trabalho e compras, como para manter laços em vista do distanciamento físico forçado, gerou um enorme campo de oportunidade para criminosos virtuais.

        Ainda de acordo com o anuário, “os estudos indicam que os criminosos têm explorado fatores situacionais ao identificar vítimas mais vulneráveis, diversificando os métodos de ataque e empregando técnicas de engenharia social (induzir usuários a enviar dados confidenciais)”, como informações pessoais, logins e senhas.

        Outro tipo de crime que tem se tornado cada vez mais comum é o “estelionato sentimental”, modalidade de golpe em que o autor estabelece uma relação amorosa com a vítima – que pode ser apenas virtual – e obtém vantagens financeiras. O próprio anuário lembra de um caso recente, de uma idosa que reside em São Paulo e perdeu 208 mil reais para um golpista que se passava pelo ator Johnny Depp, com quem ela pensava estar vivendo um romance.

(José Benedito da Silva. Editora Abril. Acesso em: 21/07/2023.)
Na oração “Em razão da lei, o número ‘171’ se tornou tão popular que passou a ser utilizado como uma gíria para definir quando alguém está tentando aplicar um golpe.” (2º§), a expressão “em razão” pode ser substituída, sem alteração de sentido, pela locução: 
Alternativas
Q3046255 Português
Que animais o homem já enviou ao espaço?

Animais no espaço: até moscas já foram enviadas para fora da Terra. 


Entre os terráqueos, o homem não foi o pioneiro no espaço. Mas foi o responsável por enviar várias espécies de animais antes de Yuri Gagarin e Neil Armstrong. Moscas, peixes, tartarugas, lesmas, minhocas e abelhas já tiveram sua experiência extraterrena. Até mesmo aranhas foram enviadas para testar suas habilidades de tecer uma teia em ambiente de microgravidade.


A viagem de animais ao espaço começou em 1947, quando os americanos enviaram moscas-das-frutas em uma cápsula. A partir de então, Rússia e EUA passaram a mandar animais maiores. Primatas eram os preferidos pelos astronautas (NASA/União Europeia), enquanto os cães eram os escolhidos dos cosmonautas (russos). Já na França, um gato ficou famoso por ser o primeiro, e único, felino escolhido para desbravar o cosmos.


Entre todos os animais que estiveram no espaço, a cadela Laika é a mais famosa. Em 4 de outubro de 1957, a era espacial teve início com o lançamento da Sputnik 1. Um mês depois, a cadela foi enviada ao espaço, a bordo da Sputnik 2, sem chances de retornar com vida. Embora sua morte tenha provocado revolta, Laika e os outros animais que ultrapassaram os limites terrenos abriram caminho para os humanos.


De acordo com Douglas Galante, doutor em Astronomia pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), esse pioneirismo animal foi importante para entender os possíveis efeitos que o ambiente espacial poderia provocar nos seres humanos. “Um dos objetivos na época era o de enviar humanos ao espaço. Nesse cenário, as naves espaciais e os sistemas de manutenção de condições vitais no espaço foram testados sucessivamente, com animais maiores e mais complexos (dos insetos aos macacos), até que houvesse uma confiança grande o suficiente para enviar o primeiro astronauta”, argumenta.


Adaptado
https://www.terra.com.br
GHX Comunicação - maio/2013
Entre os terráqueos, o homem não foi o pioneiro no espaço.” 1º§

É sinônimo da palavra sublinhada nessa frase:
Alternativas
Q3045380 Português
Censo atrasa e IBGE prevê divulgar resultado definitivo em abril.

Instituto tenta reduzir recusas para concluir contagem da população, marcada por atrasos.

Leonardo Vieceli

02/02/23


RIO DE JANEIRO - O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) afirmou nesta quinta-feira (2) que pretende divulgar resultados definitivos do Censo Demográfico 2022 no próximo mês de abril.


Para finalizar o levantamento, marcado por atrasos, o instituto tenta reduzir as recusas de parte da população em receber os recenseadores.


"Após seis meses em campo, um dos principais desafios para a conclusão do Censo 2022 é o número alto de recusas para responder ao questionário. No país, a taxa média chega a 2,43%, em dados atualizados no último dia de janeiro", afirmou o IBGE.


"Esse percentual é consideravelmente maior em localidades onde há maior concentração populacional. Em São Paulo, que lidera o ranking entre os estados, a taxa de recusas é de 4,49%, o que equivale a cerca de 720 mil domicílios em que o morador se recusou a prestar informações ao IBGE", completou.


O órgão já relatou em outras ocasiões que há previsão de multa para quem negar o fornecimento dos dados, protegidos por sigilo. Segundo o IBGE, uma das dificuldades é o acesso dos recenseadores a condomínios de bairros de renda alta.


"Para o recenseador conseguir abordar um apartamento, é preciso passar por uma portaria ou ter autorização do síndico, do porteiro ou da administração do prédio. Uma situação que ocorre em áreas mais nobres, como na zona sul do Rio ou alguns bairros de classe alta em São Paulo e de outros estados, é o impedimento da entrada dos recenseadores", disse o coordenador técnico do Censo, Luciano Duarte.


Para tentar reverter a situação, o instituto elaborou um protocolo que deve ser seguido por suas equipes. Há um ofício a ser entregue aos síndicos ou à representação dos condomínios.


Conforme o instituto, quando o documento não traz efeito prático, o recenseador é instruído a recorrer à polícia local. O IBGE aponta que, segundo a legislação, ninguém pode impedir uma unidade habitacional de responder ao Censo.


Iniciada em agosto, a coleta das informações estava prevista para ser concluída em três meses, até outubro do ano passado. O trabalho, porém, já levou o dobro da estimativa inicial. O IBGE associou a situação a dificuldades para contratar e manter em campo os recenseadores.


Parte desses trabalhadores, contratados de maneira temporária, reclamou de atrasos em pagamentos e de valores em nível abaixo do esperado. Houve desistências e ameaça de greve durante a coleta.


Nesta quinta, o IBGE disse que a cobertura dos setores censitários (espaços de divisão do território) foi praticamente concluída em janeiro.


O instituto planeja seguir com o processo de revisão, controle de qualidade e apuração do Censo em fevereiro e março. Nessa etapa, estão previstas, por exemplo, tentativas de reversão de recusas e revisitas a domicílios com moradores ausentes.


"A previsão é de que o IBGE divulgue os resultados definitivos do Censo referentes à população dos municípios em abril de 2023", afirmou o órgão. Em dezembro, o instituto havia sinalizado que pretendia publicar os dados em março.



[...]

https://www1.folha.uol.com.br
“Uma situação que ocorre em áreas mais nobres, como na zona sul do Rio [...].” 6º§
A palavra sublinhada nessa frase pode ser substituída, sem alteração de sentido, por: 
Alternativas
Ano: 2023 Banca: IBADE Órgão: Prefeitura de Ibatiba - ES Provas: IBADE - 2023 - Prefeitura de Ibatiba - ES - Professor PEB - AF - Matemática | IBADE - 2023 - Prefeitura de Ibatiba - ES - Atendimento Educacional Especializado na Área de Transtornos Globais do Desenvolvimento (Autismo) - PEB AF ou PEB AI | IBADE - 2023 - Prefeitura de Ibatiba - ES - Atendimento Educacional Especializado na Área de Deficiência Mental/Intelectual - PEB AF ou PEB AI | IBADE - 2023 - Prefeitura de Ibatiba - ES - Atendimento Educacional Especializado na Área de Deficiência Visual - PEB AF ou PEB AI | IBADE - 2023 - Prefeitura de Ibatiba - ES - Atendimento Educacional Especializado na Área de Deficiência Auditiva - PEB AF ou PEB AI | IBADE - 2023 - Prefeitura de Ibatiba - ES - Professor PEB - AF - Educação Física | IBADE - 2023 - Prefeitura de Ibatiba - ES - Professor PEB - AF - Arte | IBADE - 2023 - Prefeitura de Ibatiba - ES - Professor PEB - AF - Inglês | IBADE - 2023 - Prefeitura de Ibatiba - ES - Professor PEB - AF - Geografia | IBADE - 2023 - Prefeitura de Ibatiba - ES - Professor PEB - AF - História | IBADE - 2023 - Prefeitura de Ibatiba - ES - Professor PEB - AF - Ciências | IBADE - 2023 - Prefeitura de Ibatiba - ES - Professor PEB - AF - Língua Portuguesa | IBADE - 2023 - Prefeitura de Ibatiba - ES - Pedagogo | IBADE - 2023 - Prefeitura de Ibatiba - ES - Professor da Educação Básica dos Anos Finais - Não Habilitado (PEB-NM) | IBADE - 2023 - Prefeitura de Ibatiba - ES - Professor PEB - AF - Ensino Religioso |
Q3039917 Português

8 BILHÕES DE PESSOAS, UMA HUMANIDADE.

Assuntos da ONU

13 nov. 2022


Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, fala sobre chegada da população mundial a oito bilhões em meados de novembro/22.


A população mundial chegará a oito bilhões em meados de novembro – resultado dos avanços científicos e das melhorias na alimentação, na saúde pública e no saneamento. No entanto, à medida que a nossa família humana cresce, está também cada vez mais dividida.

Bilhões de pessoas estão em dificuldades; centenas de milhões passam fome ou estão até subnutridas. Um número recorde de pessoas procura oportunidades, o alívio de dívidas e de dificuldades, das guerras e dos desastres climáticos.

Se não reduzirmos o enorme fosso entre os que têm e os que não têm, estaremos construindo um mundo de oito bilhões de pessoas repleto de tensões, desconfiança, crises e conflitos.

Os fatos falam por si só. Um pequeno grupo de bilionários possui a mesma riqueza que a metade mais pobre da população mundial. Os que estão entre os 1% mais ricos do mundo detêm um quinto do rendimento mundial. As pessoas nos países mais ricos podem viver até 30 anos a mais do que nos países mais pobres. À medida que o mundo se tornou mais rico e saudável nas últimas décadas, essas desigualdades também se agravaram.

Além dessas tendências de longo prazo, a aceleração da crise climática e a recuperação desigual da pandemia de COVID19 aumentam as desigualdades. Estamos na direção de uma catástrofe climática, com as emissões e as temperaturas em contínuo crescimento. Inundações, tempestades e secas estão devastando países que em quase nada contribuíram para o aquecimento global.

A guerra na Ucrânia agrava as atuais crises alimentar, energética e financeira, que atingem mais duramente as economias em desenvolvimento. Estas desigualdades têm um maior impacto nas mulheres e nas meninas e em grupos marginalizados que já são discriminados.

Muitos países do sul global enfrentam enormes dívidas, o agravamento da pobreza e da fome e os impactos crescentes da crise climática, tendo poucas oportunidades de investir numa recuperação sustentável da pandemia, na transição para as energias renováveis ou na educação e formação para a era digital. [...]

As divisões tóxicas e a falta de confiança causam atrasos e impasses numa série de questões, do desarmamento nuclear ao terrorismo, passando pela saúde. Devemos frear estas tendências prejudiciais, curar relações e encontrar soluções conjuntas para os nossos desafios comuns.

O primeiro passo passa por reconhecer que essas desigualdades desenfreadas são uma escolha que os países desenvolvidos têm a responsabilidade de reverter – já a partir deste mês na Conferência sobre as Mudanças Climáticas das Nações Unidas (COP27), no Egito, e na Cúpula do G20, em Bali. Espero que a COP27 resulte em um Pacto de Solidariedade Climática histórico sob o qual as economias desenvolvidas e emergentes se unam em torno de uma estratégia comum e combinem as suas capacidades e recursos para o benefício da humanidade. Os países mais ricos devem dar apoio financeiro e técnico às principais economias emergentes para a transição dos combustíveis fósseis. Esta é a nossa única esperança para cumprir as nossas metas climáticas.

Também apelo aos líderes da COP27 que cheguem a um acordo sobre um modelo de compensação aos países do sul global pelas perdas e os danos relacionados com o clima que já causam um enorme sofrimento.

A Cúpula do G20, em Bali, será uma oportunidade para abordar a situação dos países em desenvolvimento. Pedi às economias do G20 que adotem um pacote de estímulos que proporcionará aos governos do sul global investimentos e liquidez, e ajudará a aliviar e a reestruturar as suas dívidas.

Enquanto pressionamos, para que estas medidas de médio prazo sejam implementadas, estamos também trabalhando sem parar com todas as partes interessadas para impedir a crise mundial de alimentos. [...]

No entanto, entre todos estes sérios desafios, há também algumas boas notícias. O nosso mundo de oito bilhões de pessoas pode gerar enormes oportunidades para alguns dos países mais pobres, onde o crescimento populacional é mais elevado.

[...] Acredito no talento da humanidade e tenho uma enorme fé na solidariedade humana. Nestes tempos difíceis, seria bom lembrarmos as palavras de um dos observadores mais sábios da humanidade, Mahatma Gandhi: “O mundo tem o suficiente para as necessidades de todos – mas não para a ganância de todos”.

Os grandes encontros mundiais deste mês devem ser uma oportunidade para começar a reduzir as divisões e a restaurar a confiança, com base na igualdade de direitos e de liberdades de cada membro desta forte família humana de oito bilhões de pessoas.


Adaptado

https://news.un.org

No entanto, entre todos estes sérios desafios, há também algumas boas notícias.” 14º§
Assinale a alternativa em que a substituição da palavra destacada nessa frase altera seu sentido.
Alternativas
Q3039772 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


8 BILHÕES DE PESSOAS, UMA HUMANIDADE.
Assuntos da ONU
13 nov. 2022

Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, fala sobre chegada da população mundial a oito bilhões em meados de novembro/22.

A população mundial chegará a oito bilhões em meados de novembro – resultado dos avanços científicos e das melhorias na alimentação, na saúde pública e no saneamento. No entanto, à medida que a nossa família humana cresce, está também cada vez mais dividida.

Bilhões de pessoas estão em dificuldades; centenas de milhões passam fome ou estão até subnutridas. Um número recorde de pessoas procura oportunidades, o alívio de dívidas e de dificuldades, das guerras e dos desastres climáticos.

Se não reduzirmos o enorme fosso entre os que têm e os que não têm, estaremos construindo um mundo de oito bilhões de pessoas repleto de tensões, desconfiança, crises e conflitos.
Os fatos falam por si só. Um pequeno grupo de bilionários possui a mesma riqueza que a metade mais pobre da população mundial. Os que estão entre os 1% mais ricos do mundo detêm um quinto do rendimento mundial. As pessoas nos países mais ricos podem viver até 30 anos a mais do que nos países mais pobres. À medida que o mundo se tornou mais rico e saudável nas últimas décadas, essas desigualdades também se agravaram.

Além dessas tendências de longo prazo, a aceleração da crise climática e a recuperação desigual da pandemia de COVID19 aumentam as desigualdades. Estamos na direção de uma catástrofe climática, com as emissões e as temperaturas em contínuo crescimento. Inundações, tempestades e secas estão devastando países que em quase nada contribuíram para o aquecimento global.

A guerra na Ucrânia agrava as atuais crises alimentar, energética e financeira, que atingem mais duramente as economias em desenvolvimento. Estas desigualdades têm um maior impacto nas mulheres e nas meninas e em grupos marginalizados que já são discriminados. Muitos países do sul global enfrentam enormes dívidas, o agravamento da pobreza e da fome e os impactos crescentes da crise climática, tendo poucas oportunidades de investir numa recuperação sustentável da pandemia, na transição para as energias renováveis ou na educação e formação para a era digital. [...]

As divisões tóxicas e a falta de confiança causam atrasos e impasses numa série de questões, do desarmamento nuclear ao terrorismo, passando pela saúde. Devemos frear estas tendências prejudiciais, curar relações e encontrar soluções conjuntas para os nossos desafios comuns.

O primeiro passo passa por reconhecer que essas desigualdades desenfreadas são uma escolha que os países desenvolvidos têm a responsabilidade de reverter – já a partir deste mês na Conferência sobre as Mudanças Climáticas das Nações Unidas (COP27), no Egito, e na Cúpula do G20, em Bali. Espero que a COP27 resulte em um Pacto de Solidariedade Climática histórico sob o qual as economias desenvolvidas e emergentes se unam em torno de uma estratégia comum e combinem as suas capacidades e recursos para o benefício da humanidade. Os países mais ricos devem dar apoio financeiro e técnico às principais economias emergentes para a transição dos combustíveis fósseis. Esta é a nossa única esperança para cumprir as nossas metas climáticas.

Também apelo aos líderes da COP27 que cheguem a um acordo sobre um modelo de compensação aos países do sul global pelas perdas e os danos relacionados com o clima que já causam um enorme sofrimento.

A Cúpula do G20, em Bali, será uma oportunidade para abordar a situação dos países em desenvolvimento. Pedi às economias do G20 que adotem um pacote de estímulos que proporcionará aos governos do sul global investimentos e liquidez, e ajudará a aliviar e a reestruturar as suas dívidas. Enquanto pressionamos, para que estas medidas de médio prazo sejam implementadas, estamos também trabalhando sem parar com todas as partes interessadas para impedir a crise mundial de alimentos. [...]

No entanto, entre todos estes sérios desafios, há também algumas boas notícias. O nosso mundo de oito bilhões de pessoas pode gerar enormes oportunidades para alguns dos países mais pobres, onde o crescimento populacional é mais elevado. [...]

Acredito no talento da humanidade e tenho uma enorme fé na solidariedade humana. Nestes tempos difíceis, seria bom lembrarmos as palavras de um dos observadores mais sábios da humanidade, Mahatma Gandhi: “O mundo tem o suficiente para as necessidades de todos – mas não para a ganância de todos”.

Os grandes encontros mundiais deste mês devem ser uma oportunidade para começar a reduzir as divisões e a restaurar a confiança, com base na igualdade de direitos e de liberdades de cada membro desta forte família humana de oito bilhões de pessoas.

Adaptado
https://news.un.org

No entanto, entre todos estes sérios desafios, há também algumas boas notícias.” 14º§


Assinale a alternativa em que a substituição da palavra destacada nessa frase altera seu sentido.

Alternativas
Q3015993 Português
Assinale a alternativa, onde temos um par de antônimos.
Alternativas
Q3013772 Português
Assinale a alternativa, onde temos um par de antônimos.
Alternativas
Q3013771 Português
Assinale a alternativa, onde temos um par de sinônimos.
Alternativas
Q2723464 Português

Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo.



Blefes


     Ninguém conhece a alma humana melhor do que um jogador de pôquer. A sua e a do próximo. Numa mesa de pôquer o homem chega ao pior e ao melhor de si mesmo, e vai da euforia ao ódio numa rodada. Mas sempre como se nada estivesse acontecendo. Os americanos falam do poker face, a cara de quem consegue apostar tendo uma boa carta ou nada na mão com a mesma impassividade, embora a lava esteja turbilhonando lá dentro. Porque sabe que está rodeado de fingidos, o jogador de pôquer deve tentar distinguir quem tem jogo de quem não tem e está blefando por um tremor na pálpebra, por um tique na orelha. Ou ultrapassando a fachada e mergulhando na alma do outro. Não se trata de adivinhar seu caráter.


     Não é uma questão de caráter. O blefe é um lance tão legítimo quanto qualquer outro no pôquer. Os puros são até melhores blefadores, pois só quem não tem culpa pode sustentar um poker face perfeito sob o escrutínio hostil da mesa. Há quem diga que ganhar com um blefe supera ganhar com boas cartas e que é no blefe que o pôquer deixa de ser um jogo de azar, e portanto de acaso, e se torna um jogo de talento. Já fora do pôquer o blefe perde sua respeitabilidade. É apenas sinônimo de engodo. Geralmente aplicado a pessoas que não eram o que pareciam ou fingiam ser.



(Adaptado de: VERÍSSIMO, Luis Fernando. As mentiras que os homens contam. São Paulo: Cia das Letras, 2015)

Já fora do pôquer o blefe perde sua respeitabilidade. É apenas sinônimo de engodo.

Mantendo-se o sentido original do texto, o termo sublinhado pode ser substituído por
Alternativas
Respostas
2001: C
2002: B
2003: A
2004: B
2005: B
2006: D
2007: B
2008: D
2009: C
2010: A
2011: C
2012: C
2013: A
2014: B
2015: B
2016: B
2017: A
2018: D
2019: A
2020: A