Questões de Concurso
Comentadas sobre redação - reescritura de texto em português
Foram encontradas 6.425 questões
Leia a seguinte reflexão, escrita por Nelson Rodrigues, para responder às questões a seguir.
“Na mulher interessante, a beleza é secundária, irrelevante e, mesmo, indesejável. A beleza interessa nos primeiros quinze dias; e morre, em seguida, num insuportável tédio visual. Era preciso que alguém fosse, de mulher em mulher, anunciando: - Ser bonita não interessa. Seja interessante!”
Logo no início do parágrafo, o autor argumenta que, na mulher interessante, a beleza é irrelevante. Assinale a alternativa que NÃO indica um possível sinônimo de “irrelevante”.
Leia atentamente o breve poema a seguir, escrito por Millôr Fernandes, para responder às próximas questões.
“Tudo que eu digo, acreditem,
Teria mais solidez
Se, em vez de carioquinha,
Eu fosse um velho chinês”
No terceiro verso do poema, aparece a expressão “em vez de”. Assinale a alternativa que apresenta um termo que poderia substituir essa expressão, sem alterar o seu sentido original.
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
Os principais tipos de relacionamentos ioiô
- Um tema de imensa importância e que se costuma não dar a devida atenção são os
- chamados relacionamentos ioiô. O que são esses relacionamentos? São aqueles em que o casal
- vive se separando e voltando poucos dias ou semanas depois. Esse tipo de relacionamento é
- dominado pela insegurança, medos, carências e, principalmente, pela imaturidade. Os casais
- que costumam fazer isso podem estar passando por diversos problemas ou dificuldades. Os
- maiores motivos para se embarcar nesses relacionamentos são a falta de sinceridade
- e transparência.
- Um caso clássico são aquelas pessoas que ___ uma autoestima infinitesimal ou tendendo a
- zero. Muitas dessas pessoas namoram alguém só para não ficarem sozinhas. Já ouviu aquela
- frase? “Ruim contigo, pior semtigo”? Pois é! É dessas pessoas que estou falando! Os
- relacionamentos ioiô nesses casos acontecem assim, um dos dois termina e tenta “encontrar
- alguém melhor”. Como encontrar alguém melhor se você mesmo não consegue ser melhor?
- Não se esforça para ser melhor? Não dá, meu amigo! Aí a pessoa fica carente e depois de
- tentativas em vão volta para a pessoa que não ama de verdade, volta só para não ficar sozinha
- e vive assim um pseudorrelacionamento. Para esses casos, a melhor saída é a busca de uma
- ajuda psicológica, para melhorar a autoestima, juntamente com a busca incessante pelo
- autoconhecimento.
- Um dos casos mais comuns são os namorados pilantras. Isso mesmo! Pilantras! Quem são
- os namorados pilantras? São aqueles que terminam dois ou três dias antes do carnaval e
- querem voltar dois ou três dias depois do carnaval. Por que será que eles fazem isso, hein?
- Acho que nem preciso responder, não é mesmo? Pois é! Esses são os namorados pilantras. Mas
- sabe de uma coisa! Muitos casais aceitam isso. Eu digo ___ você que o mais importante é se
- amar primeiro. Se você se ama e consegue ser feliz e equilibrado sozinho, pode ter certeza que
- isso que acabei de citar jamais acontecerá, porque você jamais permitirá que aconteça,
- entende?
- Outra possibilidade é a das pessoas com problemas mal resolvidos do passado. Esse pode
- ser um grande “abacaxi”, porque muitas delas sofrem de algo que denomino “medo de revelar
- os medos”. São pessoas que sentem que quando alguém está prestes a adentrar em seus
- territórios feridos das emoções, ou se fecha no seu mundo de sombras, ou muda totalmente o
- assunto. Vários relacionamentos ioiô passam por essas situações. O indivíduo que sofre desse
- medo se sente sufocado pelo outro, como se ele ou ela quisesse fazer um interrogatório sobre o
- seu passado. Para esse tipo de casal e situação, o meu conselho é simples e precioso. Evite
- conversar sobre o passado da outra pessoa! Lembre-se sempre da frase do grande Roberto
- Carlos: “o que passou não quero mais lembrar, só quero ter você aqui…”. Dessa forma, a
- pessoa se sentirá muito mais confortável e segura.
- Outro caso um pouco mais sutil e complexo acontece com as pessoas nostálgicas. Esse tipo
- de relacionamento ioiô mexe com o inconsciente do indivíduo, por isso ele é mais complexo.
- Como acontecem esses casos? Um dos dois termina e aquele mais nostálgico fica sofrendo em
- demazia ao lembrar os melhores momentos que o casal passou junto, e como a nostalgia
- sempre é a lembrança de algo bom e carregado de emoções positivas, a pessoa desvia seus
- pensamentos daquilo que foi conflituoso e levou ao rompimento amoroso e volta a pensar no
- relacionamento em suas fases mais iniciais, que certamente estavam carregadas de emoções
- positivas e, acima de tudo, de paixão. Dessa forma, a pessoa também fica carente
- e “louca” para voltar o relacionamento, o que acaba acontecendo. Porém, a realidade mostra
- que já não existe mais paixão e dentro de pouco tempo um dos dois decide terminar mais uma
- vez, e fica um ciclo quase interminável de terminar-voltar-terminar-voltar! Você se identificou
- com essa possibilidade? Ela é mais comum do que se imagina…
- Existem outras possibilidades, mas acho que falei as principais. Evite os relacionamentos
- ioiô, pois eles só revelam medos, inseguranças, carências e, principalmente, infantilidades.
Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em: https://www.contioutra.com/os-principais-tipos-derelacionamentos-ioio/. Acesso em 26 mar. 2019.
Por qual das seguintes opções a locução conjuntiva “por isso” (l. 37) pode ser substituída, sem haver distorções ao sentido original da mensagem?
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo.
A era da indiferença
- Quão valiosos somos para as outras pessoas? Não digo qualquer pessoa, mas para aquelas
- que dizem se importar conosco. Quão importantes de fato somos para elas? Tenho me pegado
- pensando constantemente nisso e por mais que você tenha uma visão esperançosa em relação
- ao homem, parece-me que realmente vivemos na era da indiferença.
- A vida contemporânea exige muito de nós, isso é algo sabido por todos. No entanto, isso
- não justifica o modo como agimos uns com os outros. As relações são meramente questões de
- conveniência, é uma troca de fardos no mercado da personalidade, de tal maneira que apenas
- me aproximo de determinada pessoa e mantenho uma relação com ela se houver algo dela que
- possa usar. Ou seja, as relações humanas seguem lógicas comerciais e, assim, todos nos
- tornamos mercadorias.
- Obviamente, não estou querendo dizer que devemos nos submeter a relações degradantes,
- que apenas usurpam nossas forças ou que não devemos esperar reciprocidade ao se envolver
- com alguém. Mas, ao implementarmos uma lógica comercial às relações humanas, deixamos
- __ considerar totalmente as nuances e complexidades que formam o ser humano.
- Isto é, ninguém está bem o tempo inteiro, tampouco possui uma constante na vida. Todos
- nós temos nossos dias ruins, passamos por problemas e atravessamos os nossos períodos de
- crise, de modo que, ao doutrinar as relações humanas à cartilha comercial, os pontos baixos da
- vida de um indivíduo são desconsiderados, o que implica automaticamente a descartabilidade
- daqueles que sucumbem às suas fraquezas.
- Sendo assim, somos tão somente importantes e amados na medida em que temos um
- sorriso no rosto, uma história engraçada para contar e somos úteis de algum modo. Em outras
- palavras, somos queridos apenas nos nossos bons momentos, quando estamos no auge e tudo
- parece dar certo. Entretanto, como disse, a vida não é uma constante, de maneira que
- inevitavelmente passaremos por momentos ruins, em que tudo dá errado e nós perdemos a
- esperança.
- Nesses instantes, percebemos as fragilidades dos laços humanos e a nossa indiferença, a
- nossa incapacidade de se colocar no lugar do outro e buscar entender o porquê do sofrimento,
- da angústia, da insônia, do medo e da lágrima oculta no olhar, porque quando uma relação é
- construída com laços fortes, lutamos contra o egoísmo para poder sentir a dor que aflige e
- esmaga o peito de quem sofre. Quando uma relação é mais do que uma ação na bolsa de
- valores do amor líquido, temos empatia e esta não é ver uma pessoa triste e fazer coisas para
- que ela finja estar feliz. É ver uma pessoa triste e ser capaz de ajudá-la a chorar.
- Os nossos tempos estão carentes de pessoas corajosas o bastante para abraçar alguém e
- dizer que o ama enquanto as lágrimas se precipitam e anunciam uma torrente de dor em
- forma de choro intercalada com soluços. Por outro lado, o mundo está repleto de pessoas que
- abraçam e riem junto com você, mas, tão somente enquanto você também estiver com um
- sorriso no rosto. Pessoas que descartam as outras com imensa facilidade quando outras
- pessoas acenam com possibilidades melhores e sorrisos mais audaciozos. Tudo isso é uma
- pena, porque, no fim das contas, todos nós precisamos de alguém que nos ajude a chorar, já
- que só lágrimas de compaixão podem limpar a alma da indiferença.
Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em https://www.contioutra.com/era-daindiferenca/. Acesso em 14 mar. 2019.
Por qual das seguintes opções a palavra “inevitavelmente” (l. 24) pode ser substituída, sem gerar distorções à mensagem expressa no texto?
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
Desumanizado mundo novo
- Vivemos em um mundo repleto de ironias, de contradições, de paradoxos, em um mundo
- confuso e confusamente percebido, como escreveu Milton Santos. Vemos, de um lado, a
- tecnologia se desenvolver em uma velocidade cada vez maior, enquanto nós parecemos ir no
- sentido contrário, em um processo contínuo e acelerado de desumanização. É óbvio que o
- desenvolvimento tecnológico em si não é o causador do problema, mas o progresso humano
- está paulatinamente mais distante do progresso da máquina e das grandes cidades. É como se,
- para que um exista, o outro tenha que ceder espaço de si mesmo, adaptar-se, abnegar-se,
- transformar-se no que não é.
- Por mais que o desenvolvimento da ciência e da tecnologia seja importante e traga
- benefícios para a vida individual e coletiva, é preciso considerar que um mundo de coisas não é
- um mundo de pessoas. Todo “progresso” conseguido através da tecnologia deve servir como
- instrumento para que haja uma melhora na condição humana. Desse modo, caso não seja
- percebido um progresso similar entre o mundo das máquinas e o mundo dos homens, é
- necessário repensar e reorganizar as bases em que tal “desenvolvimento” tem ocorrido.
- Se analisarmos os altos índices (com projeções ainda maiores) de doenças psicológicas,
- perceberemos que as áreas com maior incidência são as grandes cidades, onde a modernidade,
- com todo o seu “progresso” material, consegue se “desenvolver” com maior êxito. Além disso,
- os jovens são o grupo mais afetado, o que não significa que outras pessoas não possam sofrer
- com os mesmos problemas. Esses dados separados podem não ter muito nexo. Contudo, se
- analisados juntos, fazem todo o sentido, já que há uma pressão muito maior sobre as atuais
- gerações para que elas consigam se afirmar e obter sucesso dentro dos parâmetros
- estabelecidos pela sociedade, pautada, evidentemente, pelo consumismo e espetacularização
- de bens que afirmam a magnificência do mundo líquido moderno.
- Com isso, na medida em que o “sucesso” não é atingido, uma vez que nem todos possuem
- os “pré-requisitos” necessários para adentrar no oásis de prazer da sociedade de consumo, nem
- os “talentos” necessários para agradar à plateia do espetáculo permanente, que é a nossa
- sociedade, passa-se a ter sujeitos frustrados, insatisfeitos e desindividualizados, que ao mesmo
- tempo em que não conseguem se encaixar no mundo, não conseguem reconhecer a si próprios.
- Em outras palavras, não há espaço para todos brilharem e/ou nem todos querem, de fato,
- “brilhar”. Logo, muitos acabam ficando no meio do caminho, entre ser um sujeito individual,
- mas desencaixado; ou ser um sujeito despersonalizado, porém ajustado. O preço cobrado por
- sair __ um lugar, mas não chegar __ outro, é ficar perdido da sociedade e, sobretudo, de si
- mesmo.
- Apesar desses casos serem, aparentemente, mais graves, não se deve entender que
- renunciar à própria individualidade em favor do cumprimento de protocolos sociais seja algo
- saudável ou normal. Pelo contrário, é no enquadramento, na subserviência às regras de uma
- sociedade que se apresenta em um temível estado patológico que reside o âmago do problema,
- pois é por meio da conversão de novas ovelhas que a “igreja” expande o seu rebanho e,
- consequentemente, o seu poder.
- É urgente repensar o nosso mundo e declarar a ironia de uma sociedade que transverte o
- fracasso em uma roupa de sucesso e que, ao criar a ilusão de uma sociedade de indivíduos,
- criou uma sociedade de massa, uniforme e prisioneira em um reino de ignorância, indiferença,
- egoísmo e apatia, em que todos, em alguma medida, vivem de forma mecânica, anônima,
- invisível e solitária, distantes de si, distantes do mundo, chorando as lágrimas escassas de
- quem não acredita mais no choro. Estamos todos doentes e precisamos nos curar. Entretanto, a
- cura não está na sanidade de um mundo aparentemente são, mas completamente adoecido, e
- sim na lou(cura) de ser a si mesmo e permitir que os outros também sejam, pois qualquer
- caminho que tomemos deve ter como destino o nosso ser.
Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em https://www.contioutra.com/desumanizado-mundo-novo/. Acesso em 14 mar. 2019.
Por qual das seguintes conjunções ou locuções conjuntivas o vocábulo “logo”, situado na linha 30 do texto, pode ser substituído de modo a não haver distorção quanto ao sentido original da mensagem?
Leia a música abaixo e responda as questões 06 e 07.
Saudosa Maloca
Se o senhô num tá lembrado,
da licença de contá,
é que onde agora está
esse edifício arto,
era uma casa veia.
um palacete assobradado.
Foi aqui, seu moço,
que eu, Mato Grosso e o Joca
construímo nossa maloca.
Mas um dia, nóis nem pode se alembrá,
veio os home co´ as ferramenta:
o dono mando derrubá.
Peguemo toda as nossas coisas
e fumos pro meio da rua apreciá a
demolição....
Que tristeza que nóis sentia,
cada tauba que caía [...]
Barbosa,A. Disco Adoriran Barbosa. Odeon, 1974 (P9972_SUP)
Na passagem do texto “Foi aqui, seu moço, que eu, Mato Grosso e o Joca, construímos nossa maloca”
O adjetivo “maloca” traz seu sinônimo de:
Leia o texto para responder às questões de números 01 a 06.
A tecnologia ajuda, mas, no Japão, não são os sensores e as câmeras os principais protagonistas da segurança pública. É uma combinação bem-sucedida de leis rigorosas, policiamento preventivo, ações comunitárias e educativas que têm garantido ao país uma posição de destaque entre os lugares mais seguros do mundo.
Segundo a Agência Nacional de Polícia do Japão, houve, em 2017, apenas 22 crimes cometidos com armas de fogo – deixando 3 mortos e 5 feridos.
A título de comparação, no mesmo período, houve 15.612 mortes por armas de fogo nos Estados Unidos, segundo a organização Gun Violence Archive. Isso dá uma média de 42 mortes por armas de fogo por dia nos EUA, contra um total de 44 mortes do tipo no Japão nos últimos oito anos até abril de 2018.
Num país repleto de leis rígidas como o Japão, não é de estranhar que policiais façam suas rondas ostensivas de bicicleta e abordagem sem o uso de armas de fogo, recorrendo a movimentos de artes marciais ou até mesmo redes e cobertores quando é necessário conter um suspeito.
Se você quer comprar uma arma no Japão, é preciso paciência e determinação. É necessário um dia inteiro de aulas, passar numa prova escrita e em outra de tiro ao alvo com um resultado mínimo de 95% de acertos.
As forças policiais têm de ser informadas sobre onde a arma e a munição ficam guardadas – e ambas devem estar em locais distintos, trancadas. Uma vez por ano, a polícia inspecionará a arma. Tudo isso ajuda a explicar por que os tiroteios e massacres com armas de fogo são muito raros no Japão. Quando um massacre ocorre no país, geralmente o criminoso utiliza facas.
(Fatima Kamata. Como tolerância zero a armas e álcool tornou o Japão um dos países mais seguros do mundo. www.bbc.com, 05.03.2019. Adaptado)
O trecho – A tecnologia ajuda, mas, no Japão, não são os sensores e as câmeras os principais protagonistas da segurança pública. (1º parágrafo) – está corretamente reescrito em:
A floresta do contrário
Todas as florestas existem antes dos homens. Elas estão lá e então o homem chega, vai destruindo, derruba as árvores, começa a construir prédios, casas, tudo com muito tijolo e concreto. E poluição também.
Mas nesta floresta aconteceu o contrário. O que havia antes era uma cidade dos homens, dessas bem poluídas, feia, suja, meio neurótica. Então as árvores foram chegando, ocupando novamente o espaço, conseguiram expulsar toda aquela sujeira e se instalaram no lugar. É o que se poderia chamar de vingança da natureza – foi assim que terminou seu relato o amigo beija-flor. Por isso ele estava tão feliz, beijocando todas as flores – aliás, um colibri bem assanhado, passava flor por ali, ele já sapecava um beijão. Agora o Nan havia entendido por que uma ou outra árvore tinha parede por dentro, e ele achou bem melhor assim.
Algumas árvores chegaram a engolir casas inteiras. Era um lugar muito bonito, gostoso de se ficar. Só que o Nan não podia, precisava partir sem demora. Foi se despedir do colibri, mas ele já estava namorando apertado a uma outra florzinha, era melhor não atrapalhar.
LIMA, Ricardo da Cunha. Em busca do tesouro de Magritte. São Paulo: FTD, 1988.
No segundo parágrafo, o conectivo “Mas” pode ser substituído sem mudança do conteúdo pela conjunção:
Leia o texto abaixo para responder as questões 5 e 6.
A CARROÇA
Certa manhã, meu pai, muito sábio, convidou-me para dar um passeio no bosque e eu aceitei com prazer. Após algum tempo, ele se deteve numa clareira e, depois de um pequeno silêncio, me perguntou:
– Além do canto dos pássaros, você está ouvindo mais alguma coisa?
Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi: – Estou ouvindo um barulho de carroça.
– Isso mesmo – disse meu pai – e é uma carroça vazia! Perguntei a ele: – Como pode saber que a carroça está vazia, se ainda não a vimos?
– Ora – respondeu meu pai – é muito fácil saber que uma carroça está vazia por causa do barulho. Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz.
Tornei-me adulto e até hoje, quando vejo uma pessoa falando demais, gritando (no sentido de intimidar), tratando o próximo com grosseria inoportuna, prepotente, interrompendo a conversa de todo mundo e querendo demonstrar ser o dono da razão e da verdade absoluta, tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai dizendo:
– Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz!
Autor desconhecido
Observe as palavras em destaque no texto e assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, as expressões que podem substituí-las sem alterar o sentido.
Leia o texto para responder às questões de números 01 a 09.
O combate ao Aedes sob a ótica dos determinantes sociais da saúde
Mobilizar a população para combater os focos de reprodução do mosquito Aedes aegypti é fundamental para evitar possíveis epidemias de dengue, zika e chikungunya. Essa ação, no entanto, pode ser potencializada se estiver integrada a outras políticas, isto é, integrada às condições sociais em que as pessoas vivem e trabalham, aí incluídos fatores econômicos, ambientais e culturais, entre outros.
Pesa muito a questão do planejamento urbano. Uma cidade que evolui de forma planejada é capaz de oferecer serviços e garantir direitos a sua população com mais facilidade e qualidade, não apenas na saúde, mas também em outras áreas.
Além disso, o desequilíbrio ambiental e as consequentes mudanças climáticas são outros macrofatores relacionados a possíveis epidemias de dengue. O aumento de temperatura e a maior ocorrência de fenômenos climáticos, como chuvas fortes, formam um cenário ideal para a proliferação do mosquito. Por isso, a educação ambiental, assim como a educação, em sentido amplo, geram estratégias para a realização de ações intersetoriais. Importante frisar também que a mobilização da população e o incentivo a mudanças de comportamento representam oportunidades para trabalhar valores de solidariedade e fortalecer os laços comunitários.
(www.multirio.rio.rj.gov.br, acessado em 06.09.2019. Adaptado)
Substituindo-se as expressões em destaque na frase – Mobilizar a população para combater os focos de reprodução do Aedes é o que cabe ao poder público. – por um pronome pessoal, de acordo com a norma-padrão, obtém-se versão correta em:
Leia o texto para responder às questões de números 01 a 09.
O combate ao Aedes sob a ótica dos determinantes sociais da saúde
Mobilizar a população para combater os focos de reprodução do mosquito Aedes aegypti é fundamental para evitar possíveis epidemias de dengue, zika e chikungunya. Essa ação, no entanto, pode ser potencializada se estiver integrada a outras políticas, isto é, integrada às condições sociais em que as pessoas vivem e trabalham, aí incluídos fatores econômicos, ambientais e culturais, entre outros.
Pesa muito a questão do planejamento urbano. Uma cidade que evolui de forma planejada é capaz de oferecer serviços e garantir direitos a sua população com mais facilidade e qualidade, não apenas na saúde, mas também em outras áreas.
Além disso, o desequilíbrio ambiental e as consequentes mudanças climáticas são outros macrofatores relacionados a possíveis epidemias de dengue. O aumento de temperatura e a maior ocorrência de fenômenos climáticos, como chuvas fortes, formam um cenário ideal para a proliferação do mosquito. Por isso, a educação ambiental, assim como a educação, em sentido amplo, geram estratégias para a realização de ações intersetoriais. Importante frisar também que a mobilização da população e o incentivo a mudanças de comportamento representam oportunidades para trabalhar valores de solidariedade e fortalecer os laços comunitários.
(www.multirio.rio.rj.gov.br, acessado em 06.09.2019. Adaptado)
A palavra “potencializada”, em destaque no primeiro parágrafo, pode ser substituída, sem alteração de sentido, por
TEXTO
As línguas vivas foram influenciadas pela
migração do campo para a cidade. Idiomas
falados em determinadas regiões rurais e por
apenas alguns milhares de pessoas, corriam
perigo quando estas se mudavam para zonas
urbanas. Tais línguas regionais também sofriam
quando a cultura citadina, através dos novos
meios de comunicação, chegava ao campo. Da
mesma forma, estavam em risco se a invasão de
algum idioma mais popular – o inglês ou o russo,
por exemplo – oferecesse mais esperança de
emprego, melhor educação ou acesso a
entretenimento. Fora da Europa, centenas de
línguas nativas vivas e vigorosas em 1900
passaram a ser faladas por apenas alguns
milhares de pessoas. Quando um idioma sofria
tal decadência, a maioria dos falantes o usava
somente em parte de seu cotidiano, muitas vezes
sem explorar todos os seus recursos e suas
complexidades, pois os ouvintes de tal língua,
especialmente os jovens, não a conheciam por
completo. Das mais de 6 mil línguas do mundo,
a maioria tinha, relativamente, poucos falantes
no final do século. Elas estavam sob ameaça,
uma vez que o rádio, a televisão, os jornais e os
livros davam preferência àquelas faladas pela
maioria. O iídiche possui hoje cerca de um terço
dos falantes que tinha em 1900, quando era
usado nas regiões centrais e leste da Europa. O
íngrio e outros dois idiomas falados nas
proximidades do Mar Báltico reuniam, em 1970,
somente algumas poucas centenas de falantes
cada um. A língua dálmata, usada no litoral leste
do Mar Adriático, sumiu em 1898. O manx, que
se falava na Ilha de Man, no Mar da Irlanda, foi
extinto em 1974. Na Austrália, vários idiomas se
perderam. Um erudito estudou cinco línguas
vivas de aborígenes, da região tropical de
Queensland, e revelou com tristeza, em 1992,
que três estavam extintas, uma tinha apenas dez
falantes e a última continuava viva apenas na
mente de um falante solitário. Não eram línguas
simples, que morreram por falta de flexibilidade
e vocabulário. A maioria possuía uma gramática
complexa e um impressionante léxico de cerca
de 10 mil palavras. Entre as numerosas línguas
em risco pelo mundo, a maioria não sobreviveu.
(BLAINEY, Geoffrey. Uma Breve História do
Século XX. 2 ed. São Paulo: Fundamento, p. 287).
A palavra “migração”, utilizada pelo autor do texto (linha 2) possui como sinônimos, EXCETO:
TEXTO
A Inglaterra era o berço da maioria dos
esportes de destaque mundial e os primeiros
amadores ingleses apregoavam o culto à
justiça. A disputa tinha de ser mais importante
do que a vitória, por isso o espírito de
competição sobrepunha-se ao placar final.
Alguns dos mais conhecidos clubes ingleses de
futebol da atualidade têm sua origem nas
equipes das escolas dominicais, tendo sido
formados de acordo com a ideologia do
“cristianismo muscular”. Esporte e jogo limpo
eram quase sinônimos. Se os campeões de
1900 tivessem a chance de testemunhar
grandes disputas esportivas um século mais
tarde, ficariam um tanto desapontados pela
enorme ênfase dada à vitória. No início do
século, eram poucos os jogos que reuniam
multidões. Esportes populares, como corrida
de cavalos, críquete, beisebol, futebol e boxe,
dificilmente atraiam competidores e
espectadores estrangeiros. Mesmo os torneios
de tênis que aconteciam a cada verão em
Wimbledon contavam quase exclusivamente
com jogadores britânicos. Houve agitação
quando May Sutton, uma norte-americana,
apareceu: ela jogava com os antebraços
desnudos, o que foi considerado indelicado e
lhe rendeu o apelido de lavadeira. Eventos
esportivos internacionais tornaram-se mais
frequentes nas duas décadas anteriores à
Primeira Guerra Mundial. Os Jogos Olímpicos
de Paris, em 1900, e de St. Louis, em 1904,
careceram de excelência, uma vez que os
melhores atletas do mundo não dispunham de
condições financeiras para ir até os locais dos
jogos ou, por serem profissionais, não tinham
permissão de participar (as competições,
renascidas em Atenas em 1896, eram apenas
para amadores). O futebol, inventado na Grã-
-Bretanha e hoje em dia o esporte mais popular
do mundo, tinha pouca pretensão de ter fama
internacional. No críquete, os únicos times que
competiam regularmente eram os da Austrália
e os da Inglaterra. Poucos arriscariam dizer que
os esportes se tornariam uma parte tão importante
da indústria do entretenimento.
(BLAINEY, Geoffrey. Uma Breve História do Século
XX. 2 ed. São Paulo: Fundamento, 2011, p. 291).
O verbo “apregoar”, utilizado pelo autor do texto na linha 3, tem como sinônimos, EXCETO:
Depois que a Polícia recolheu as partes do avião para investigação do acidente que matou o sertanejo Gabriel Diniz, os destroços foram devolvidos ao Aeroclube de Alagoas. E a decisão do grupo foi encaminhar os restos do avião a um ferro velho de Sergipe.
Gabriel estava indo se encontrar com a namorada e a família em Maceió quando aconteceu o acidente. Documentos dele foram encontrados na região do acidente. A aeronave não tinha autorização para fazer táxi aéreo.
(https://www.folhape.com.br/diversao/diversao/celebridades/2019/06/26/NWS, 108873,71,675,DIVERSAO,2330-DESTROCOS-AVIAO-ACIDENTE-QUEMATOU-GABRIEL-DINIZ-FORAM-VENDIDOS-FERRO-VELHO.aspx)
No trecho “os destroços foram devolvidos”, a palavra destacada pode ser substituída por outra do texto. Qual?
TEXTO 1
EDUCAÇÃO E RESSOCIALIZAÇÃO
Estímulo ao estudo é política de segurança pública
- Além de abranger a necessidade de efetiva punição por crimes cometidos, qualquer debate sobre segurança
- pública deve perpassar a reinserção social dos presos após o cumprimento da pena. Diante da criminalidade
- endêmica, refletir sobre o destino dos egressos do sistema carcerário é imprescindível à quebra de um ciclo
- de delinquência, no qual a reincidência se mostra, muitas vezes, inevitável ao ex-detento.
- Atentos a essa realidade, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF) têm
- buscado soluções adequadas ao problema, pautando suas iniciativas e julgados nessa direção. Tal postura, por
- óbvio, não significa o abrandamento descuidado do regime prisional, mas o apreço por uma política responsável, em
- prol da mudança de comportamento do detento. A ressocialização por meio da educação é essencial à reinserção
- dos condenados na comunidade e à contenção da elevadíssima taxa de reentrada nos presídios.
- Levantamento do Conselho Nacional de Justiça de 2018 revelou que quase 85% dos presos têm ensino médio
- incompleto. Destes, cerca de 26% não têm sequer o fundamental. Apesar da baixa escolaridade, apenas 12% deles
- estudavam em 2016. Esses dados evidenciam o imenso potencial de atuação do Estado e refletem uma triste
- realidade: a maioria dos egressos do sistema penal retorna ao convívio social sem qualquer qualificação profissional.
- Diversas normas garantem ao detento o direito à educação. Muitas conferem a redução da pena pela
- formação em cursos e até pela leitura. Pela Lei de Execução Penal, a cada 12 horas na escola, o detento deve ter sua
- pena decotada em um dia. Se há conclusão do ensino fundamental, médio ou superior, o desconto cresce em um
- terço.
- Para dar concretude a esse direito, o CNJ tem orientado os tribunais a implementarem medidas de estímulo
- efetivo ao estudo, a partir de atividades regulares e complementares, de cunho cultural, esportivo e de capacitação
- profissional. A resolução nº 44/2013 possibilita a diminuição da pena por meio de estudo por conta própria, atestado
- pela aprovação em exames que comprovem a conclusão do ensino fundamental ou médio.
- Entretanto, a dura realidade do sistema prisional brasileiro chama o magistrado à responsabilidade de, ao
- julgar o caso concreto, atentar-se à mensagem do Judiciário aos internos e à sociedade. É fundamental garantir que,
- dentro da lei e de forma proporcional, haja verdadeiros estímulos ao preso para buscar a educação formal.
- (...)
- A despeito do grande avanço promovido pela resolução nº 44/2013, não se afasta a capacidade de o
- magistrado, atento ao caso concreto e com base em fundamentos idôneos, concluir em sentido diverso. (...)
- A valorização de medidas socioeducativas no sistema prisional mostra-se relevante não apenas como forma
- de reconhecer os evidentes esforços do interno, mas também para garantir a reintegração do preso à sociedade. É
- fundamental definir incentivos adequados a todos aqueles que buscam, na educação, um caminho diferente do até
- então trilhado. Essa postura gera reflexos positivos na redução da reincidência e na construção de um sistema
- criminal mais eficiente.
Gilmar Mendes -Ministro do Supremo Tribunal Federal desde 2002 e ex-presidente da corte (2008-2010).
Disponível em: < https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2019/06/educacao-e-ressocializacao.shtml>
Acesso em: 30/6/2019. (Adaptado).
Considerando o sentido da expressão destacada no período “A despeito do grande avanço promovido pela resolução nº 44/2013, não se afasta a capacidade de o magistrado, atento ao caso concreto e com base em fundamentos idôneos, concluir em sentido diverso.” (linhas 26-27), assinale a alternativa que preserva integralmente a mensagem original do texto.
Leia com atenção o texto e responda o que se pede no comando das questões.
O ninho não mais vazio
Há dias, escrevi sobre uma amiga cujos filhos tinham acabado de sair de casa e que estava experimentando o que os psicólogos chamam de “síndrome do ninho vazio”. Aproveitei para contar que eu próprio entre o Natal e o Réveillon, vivera algo parecido, só que ao pé da letra. Uma rolinha — Lola, a rola — fizeram seu ninho no meu terraço e passara uma semana sentada sobre um ovo, do qual saiu Lolita, a Rolita. E, antes que eu tivesse o prazer de ver mãe e filha em ação, voando para lá e para cá, foram embora sem se despedir. Ali entendi a síndrome do ninho vazio.
Outro amigo, cujo conhecimento sobre os pássaros aprendi a admirar, me garantiu que Lola, a Rola não podia estar muito longe. "Ela gostou daqui”, ele disse. "Vai voltar para fazer outro ninho”. E, para que eu não me jactasse de minhas virtudes como anfitrião, explicou-me que isso é instintivo nos pássaros. Se se sentem seguros em algum lugar, elegem-no para se aninhar. Com isso, retomei meu posto de observação — e não é que meu amigo tinha razão?
Lola, a Rola reapareceu e logo começou os trabalhos. Reconheci-a pelo estilo de gravetos que recolhe — secos, fininhos e compridos. Em poucos dias o novo ninho ficou pronto, não muito distante do ninho original, este já em escombros. Só que, agora, com uma importante colaboração: a de seu marido Rollo, o Rola, talvez como mestre de obras. O fato é que, ao contrário da primeira vez, tive várias oportunidades de ver o casal empenhado na construção.
E assim, com duas semanas de intervalo, eis-me avô de mais um ovo. Que, pela lei das probabilidades, deverá produzir um macho. E, sendo filho de Lola, a Rola e Rollo, o Rola, só poderá se chamar — claro — Rolezinho.
Não vou dizer o nome de meu amigo amador de ornitologia. Só as iniciais: Janio de Freitas.
(CASTRO, Ruy. A arte de querer bem. 1, ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2018. p. 21/ 22)
Marque a alternativa em que a mudança na ordem das palavras muda o sentido do texto:
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto a seguir para responder às questões que a ele se referem.
Texto 01
A POESIA QUE MORA DENTRO DA GENTE
1 Há sentimentos que fazem morada em nós, mas é preciso que sejam despertados do sono da rotina para que
assim, também nós, estejamos acordados para o que a vida nos oferece. Um acordo entre poesia e liberdade de
pensamento, essa é a fórmula utilizada por Rubem Alves que permanece ao alcance de mentes que ousam se abrir
para a beleza e a sensibilidade.
5 Todas as tardes, após sair do trabalho, passo por uma avenida repleta de árvores, entre elas, um grande ipê
carregado de flores amarelas. Hoje, sei bem sobre os detalhes desse monumento natural porque me permiti olhar
para ele com o reparo merecido. Sei também sobre o ninho de passarinhos no seu mais alto galho e sobre o sorriso
da criança que se encanta com a pequena flor que cai no chão, misturando-se às outras num verdadeiro tapete de
cor. Sei da moça que, delicadamente, procura desviar-se dessas pétalas que tomam conta da calçada com pena de
10 esmagá-las. Posso falar sobre quem, sempre tão ocupado em seu celular, passa e não vê, sobre quem olha, sorri e
segue seu caminho e sobre quem não se cansa de olhar, mas devo confessar que só me dei conta da grandiosidade
do ipê quando, um dia, que parecia ser igual a todos os outros, minha pequena irmã diminuiu o passo, tocou
docemente meu ombro e disse:
– Olha que coisa mais linda essa árvore!
15 Foi então que a observei sem pressa e, finalmente, passei a entender o que Rubem Alves pretendia quando disse
que “os olhos são a porta pela qual a beleza entra na alma”. Compreendi que o modo de ver das crianças é
realmente mais eficaz na percepção do belo e que ele estava completamente lúcido quando escreveu que desejava
conservar nos olhos o fascínio e a capacidade de se assombrar diante do banal, características típicas da infância,
mas que são essenciais aos adultos que desejam tornar-se sábios. Foi preciso que um ser que, aparentemente, não
20 sabe nada sobre a vida, me despertasse para a beleza que estava bem a minha frente. Assim são as mensagens de
Rubem, leves toques no ombro do leitor, despertando sentimentos que já habitam em nós, mas que estavam
adormecidos, instigando a inteligência e a percepção do simples como uma dádiva, uma maneira de provocar a vida.
Distribuídas em mais de 146 obras sustentadas por uma linguagem simples e poética, são uma combinação de
frases colhidas de um coração que acreditava que as palavras só têm sentido quando podem ajudar a ver o mundo
25 melhor.
Adentrando o universo de simplicidade do escritor, passei a ter a certeza de que é no coração disposto e
apaixonado que está a verdadeira graça e, quando usadas como alimento para a alma, as boas palavras tocam,
instruem e nos ajudam a construir o que queremos ser. Ter a paixão em seu âmago não significa somente ser
apaixonado por alguém, mas ter paixão por viver, essa é a poesia que está dentro da gente e é ela quem reconhece
30 o belo. No mundo em que vivemos, o óbvio precisa ser dito porque muitos ainda estão cegos e surdos para o viver e
ocupados demais para olhar para dentro de si e para o outro. Muitas vezes, é preciso que alguém nos aponte a
direção ou que algo aconteça para que enxerguemos o encanto e a magia de estarmos vivos. Tornando-se mestre
na arte de perceber as maravilhas ao nosso redor, Rubem deixou um imenso legado que faz do amor ingrediente
principal das relações verdadeiras e da alegria um agente transformador.
35 Como ele mesmo diria, “encantou-se” em 19 de julho de 2014 e, em respeito ao seu desejo, suas cinzas foram
colocadas junto à muda de um ipê amarelo, tão citado em seus escritos, permanecendo vivo não somente por meio
das muitas sementes lançadas no canteiro de tantas mentes dispostas à evolução, como também entre as raízes de
sua árvore preferida. Sua maior e mais valiosa herança é a consciência de que o que realmente importa está em
nós, já que ele sempre soube, e fez questão de nos dizer: “é preciso que a gente escute a própria música, é nessa
40 música que está a imagem da nossa felicidade”.
Quanto a mim, desde o dia em que encarei verdadeiramente aquela manifestação da natureza de todas as
tardes, fiquei mais atenta não só para o olhar que lanço sobre as coisas, mas agucei também os ouvidos, ouço a
minha música e me permito ouvir a do meu semelhante. Prestar atenção no que aparenta ser singelo tornou-se
minha magia e desafio diários, uma maneira de manter acesa a chama da poesia que mora em mim.
BERTELLI, Camila. A poesia que mora dentro da gente. Disponível em: <https://vidasimples.co/leitores/a-poesia-que-mora-dentro-da-gente./ >. Acesso em: 2 de set. 2019. Adaptado.
Assinale a alternativa em que o uso do pronome oblíquo átono em posição proclítica é facultativo.
O jabuti
O funileiro desce a rua; não vai malsatisfeito porque sempre faz algum dinheiro em nossa esquina. Não se queixa da profissão, mas diz que é dura. Há os dias de chuva, por exemplo. Sim, existe um sindicato, mas ele não acredita que valha de nada. Enfim... Depois de arrumar suas ferramentas e suas folhas de zinco e alumínio ele se despediu com indiferença.
Em seu lugar, como em um ballet, aparecem três moças de short. Uma delas traz uma bola branca e as três ficam a jogá-la com as mãos, na esquina. Uma tem o corpo mais bem traçado que as outras; é mais linda quando ergue os braços para deter a bola, com um gesto ao mesmo tempo ágil e indolente. Depois elas somem, caminho da praia, e aparecem dois velhos, de guitarra e bandolim. O cego da guitarra já o conheço; não aparecia há algum tempo, e costumava passar acompanhado de uma velha. Ele tocava e os dois cantavam, com vozes finas, horríveis e tristes, os últimos sambas; a mulher vendia o jornal de modinhas e recolhia as moedas jogadas do alto dos apartamentos. Na voz daquele casal triste todos os sambas pareciam iguais, e nenhum parecia samba. Eram mais pungentes e ridículos quando tentavam cantar marchinhas alegres de carnaval. Terá morrido a velha portuguesa?
Os dois atravessam a rua vazia com um ar tão hesitante como se ambos fossem cegos. Param já longe de minha janela, e daqui ouço a mistura confusa e triste de suas vozes e instrumentos.
Um menino vem avisar que o nosso jabuti está fugindo: apanhou-o já na calçada, virado para cima; certamente perdeu o equilíbrio ao passar da soleira do portão para a calçada.
Esse filhote de jabuti tem um quintal para seu domínio, e uma casa inteira onde pode passear. Mas segue o exemplo de um outro jabuti que um vizinho deixou aqui nos meses do verão. Vem exatamente no mesmo rumo, atravessando a cozinha, a sala de jantar e o escritório até a varanda. Quando encontra uma porta fechada fica esperando. Desce penosamente os degraus, avança colado ao muro. Às vezes cai no caminho e fica de patas para cima, impotente: às vezes chega até a rua. Sempre que tem de se lançar de um degrau a outro se detém um pouco; mas sempre arrisca.
Aonde levará essa trilha secreta dos jabutis, essa linha misteriosa do destino que eles parecem obrigados a seguir com obstinação e sacrifício? Se eu os deixasse seguir, seriam levados para alguma outra casa, esmagados por algum carro ou comidos por algum bicho quando caíssem de barriga para o ar. Neste mundo de cimento e asfalto não há maiores esperanças para eles. Entretanto, o pequeno jabuti insiste sempre em sua aventura, com o passo penoso e lerdo. Há alguma fonte secreta, algum reino fabuloso, alguma coisa que o chama de longe; e lá vai ele carregando seu casco humilde, lentamente, para atender a esse apelo secreto...
(BRAGA, Rubem. 200 Crônicas Escolhidas. Círculo do Livro S.A.)
No trecho “Os dois atravessam a rua vazia com um ar tão hesitante como se ambos fossem cegos. ” (3º§), a expressão destacada, pode ser substituída, sem alteração de sentido, por:
A arte de ser feliz
Houve um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa e sentia-me completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém a minha alma ficava completamente feliz.
Houve um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, e às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela se abria sobre uma cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma regra: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos: quase sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Às vezes, um galo canta. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
(Cecília Meireles. Escolha o seu sonho. Rio de Janeiro.)
Em “Outras vezes encontro nuvens espessas.” (5º§), a expressão “espessas” pode ser substituída, sem alteração de sentido, por:
Considere a frase a seguir.
As pessoas desejam chegar à felicidade, mas muitas vezes deixam de considerar que, para alcançar a felicidade, é preciso saber enxergar a felicidade em momentos simples do cotidiano, conferindo a esses momentos simples do cotidiano um valor especial.
Para eliminar as repetições do texto, garantindo a correção da frase, conforme a norma-padrão da língua, as expressões destacadas devem ser, respectivamente, substituídas por: