Questões de Concurso Comentadas sobre português
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão abaixo.
Como Peru transformou um dos desertos mais áridos do mundo em um centro de produção de alimentos
Nas últimas décadas, as planícies desérticas da região de Ica, no Peru, deram lugar a extensas plantações de mirtilos e outras frutas. Até os anos 1990, parecia improvável que o deserto costeiro pudesse se tornar um polo agrícola. No entanto, isso ocorreu em grande parte do litoral peruano, com a expansão de culturas como manga, mirtilos e abacates.
A faixa paralela ao Pacífico e às elevações andinas transformou-se em um imenso pomar e no centro de uma indústria agroexportadora em rápida expansão. Entre 2010 e 2024, as exportações agrícolas cresceram, em média, onze por cento ao ano, atingindo em 2024 mais de nove milhões de dólares. O Peru tornou-se o maior exportador mundial de uvas e mirtilos, consolidando-se como fornecedor de mercados como Estados Unidos, Europa e China.
Esse avanço teve início com as reformas econômicas da década de 1990, que reduziram barreiras comerciais e incentivaram investimentos estrangeiros. Inicialmente voltadas à mineração, essas políticas abriram espaço para uma elite empresarial que passou a apostar na exportação agrícola. O setor superou obstáculos naturais com investimentos privados em irrigação por gotejamento e grandes projetos hídricos, permitindo o cultivo em áreas antes consideradas impróprias. Somaram-se a isso inovações genéticas, como as que viabilizaram o cultivo do mirtilo, ampliando em cerca de trinta por cento a área cultivável do deserto costeiro.
Hoje, regiões como Ica e Piura são importantes centros agrícolas, e a agroexportação representa parcela relevante da economia. Em 2024, respondeu por quase cinco por cento do PIB, contra quase um e meio por cento em 2020. O impacto econômico é significativo, com geração de empregos qualificados e aumento da renda média. Contudo, os benefícios não se distribuem de forma igual: pequenos agricultores enfrentam dificuldades para acessar água e mão de obra, além de venderem suas terras a grandes empresas.
A principal controvérsia envolve a água. Em áreas onde praticamente não chove, como Ica, o abastecimento depende do lençol freático e da transposição de água de regiões vizinhas. Enquanto assentamentos dependem de caminhões-pipa, grandes propriedades mantêm poços próprios e acesso prioritário à irrigação. Apesar da fiscalização oficial, há indícios de superexploração do aquífero, com poços cada vez mais profundos e água mais cara para pequenos produtores.
Até a produção das uvas do pisco, símbolo nacional, vem sendo questionada, sob a crítica de que a exportação da fruta equivale à exportação de água. O desafio, em Ica e em todo o Peru agroexportador, é tornar o agronegócio sustentável no longo prazo. A avaliação de especialistas é que a indústria de exportação é positiva para a geração de renda, mas só será viável se não comprometer o abastecimento da população nem o equilíbrio ambiental.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgmnjm2wenwo.adaptado.
De acordo com o texto-base, analise as afirmações a seguir e assinale a alternativa CORRETA.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão abaixo.
Como Peru transformou um dos desertos mais áridos do mundo em um centro de produção de alimentos
Nas últimas décadas, as planícies desérticas da região de Ica, no Peru, deram lugar a extensas plantações de mirtilos e outras frutas. Até os anos 1990, parecia improvável que o deserto costeiro pudesse se tornar um polo agrícola. No entanto, isso ocorreu em grande parte do litoral peruano, com a expansão de culturas como manga, mirtilos e abacates.
A faixa paralela ao Pacífico e às elevações andinas transformou-se em um imenso pomar e no centro de uma indústria agroexportadora em rápida expansão. Entre 2010 e 2024, as exportações agrícolas cresceram, em média, onze por cento ao ano, atingindo em 2024 mais de nove milhões de dólares. O Peru tornou-se o maior exportador mundial de uvas e mirtilos, consolidando-se como fornecedor de mercados como Estados Unidos, Europa e China.
Esse avanço teve início com as reformas econômicas da década de 1990, que reduziram barreiras comerciais e incentivaram investimentos estrangeiros. Inicialmente voltadas à mineração, essas políticas abriram espaço para uma elite empresarial que passou a apostar na exportação agrícola. O setor superou obstáculos naturais com investimentos privados em irrigação por gotejamento e grandes projetos hídricos, permitindo o cultivo em áreas antes consideradas impróprias. Somaram-se a isso inovações genéticas, como as que viabilizaram o cultivo do mirtilo, ampliando em cerca de trinta por cento a área cultivável do deserto costeiro.
Hoje, regiões como Ica e Piura são importantes centros agrícolas, e a agroexportação representa parcela relevante da economia. Em 2024, respondeu por quase cinco por cento do PIB, contra quase um e meio por cento em 2020. O impacto econômico é significativo, com geração de empregos qualificados e aumento da renda média. Contudo, os benefícios não se distribuem de forma igual: pequenos agricultores enfrentam dificuldades para acessar água e mão de obra, além de venderem suas terras a grandes empresas.
A principal controvérsia envolve a água. Em áreas onde praticamente não chove, como Ica, o abastecimento depende do lençol freático e da transposição de água de regiões vizinhas. Enquanto assentamentos dependem de caminhões-pipa, grandes propriedades mantêm poços próprios e acesso prioritário à irrigação. Apesar da fiscalização oficial, há indícios de superexploração do aquífero, com poços cada vez mais profundos e água mais cara para pequenos produtores.
Até a produção das uvas do pisco, símbolo nacional, vem sendo questionada, sob a crítica de que a exportação da fruta equivale à exportação de água. O desafio, em Ica e em todo o Peru agroexportador, é tornar o agronegócio sustentável no longo prazo. A avaliação de especialistas é que a indústria de exportação é positiva para a geração de renda, mas só será viável se não comprometer o abastecimento da população nem o equilíbrio ambiental.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgmnjm2wenwo.adaptado.
De acordo com o texto-base, analise as afirmações a seguir e assinale a alternativa CORRETA.
Sobre a estrutura dessa frase, analise as afirmativas a seguir, à luz da gramática normativa e dos mecanismos de organização frasal.
I.O deslocamento do segmento "tal como sua própria dona" para o início do período comprometeria a clareza referencial e a progressão temática do enunciado, pois eliminaria o paralelismo com o termo "sinais de desgaste".
II.A substituição do termo "onde" por "na qual" manteria a correção gramatical e a clareza referencial, embora atribua maior formalidade sintática ao trecho.
III.A modificação da expressão "refletia essa memória afetiva" por "guardava essas memórias afetivas" implicaria mudança de aspecto verbal e de sentido, substituindo um valor metafórico por um valor literal mais objetivo.
IV.A correção gramatical do período seria comprometida caso se suprimisse a vírgula após "afetiva", pois tal pontuação delimita uma oração adjetiva restritiva, essencial ao entendimento do referente "casa".
Está CORRETO o que se afirma em:
O texto seguinte servirá de base para responder a questão.
Meu Avô
Mais um dia vou tomar um cafezinho na casa do meu avô. Esse ritual se repete há quase dez anos, quando ele voltou do Japão. Eu, que nem gosto de café, faço questão de ir até lá para roubar do tempo o que o tempo me roubou.
Vivi dez anos sem meu avô. Dez anos com meu avô. Parece justo porque são valores iguais. Mas só de pensar que poderia ter tido mais, um pouco mais... me descontento com a vida.
Na tentativa de me satisfazer com a realidade que me foi entregue, busco na memória tudo o que já vivi com ele. Viajo tão longe no passado que faço uma mistura entre lembranças reais com criações fantasiosas minhas. Fico triste por não lembrar de tudo.
Sim, eu sei, lembrar de tudo é sofrimento, e esquecer é uma graça divina. Afinal, a gente só lembra o essencial porque podemos esquecer o que já não é essencial. Até agradeço à Deus, à angústia, aos neurônios, sei lá. Mas também sei que esquecer do essencial é uma tragédia. Uma tragédia que meu avô vive.
Não esperava que ele lembrasse de todos os detalhes dos últimos dez anos. Mas não queria que ele esquecesse meu nome, meu som. Respirando fundo, 1-2-3. Meu avô tem Alzheimer. Uma doença em que as conexões das células cerebrais se degeneram e morrem, eventualmente causando a memória e outras funções mentais importantes.
Meu avô perdeu de vista as lembranças que construímos desde que ele é. Ele, sem saber o que é, só me permite amar o que lembro do que ele já foi um dia. Mas as coisas são como são, não dá para tentar mudar algo concreto, que está ali na minha frente.
Toco a campainha. Espero que ele se lembre.
MOREIRA, Lorraine. Meu avô. In: MALULY, Luciano Victor Barros; MUÑOZ, Daniel Azevedo; TÔZO, Carla de Oliveira (org.). Crônicas para ler e ouvir [recurso eletrônico]. n. 2. São Paulo: ECA-USP, 2023. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 095/1000/3699 . Acesso em: 2 dez. 2025.
"Viajo tão longe no passado que faço uma mistura entre lembranças reais com criações fantasiosas minhas."
Considerando a relação entre as orações e a estrutura do período, assinale a alternativa que apresenta a correta classificação da oração subordinada "que faço uma mistura entre lembranças reais com criações fantasiosas minhas".
O texto seguinte servirá de base para responder a questão.
Meu Avô
Mais um dia vou tomar um cafezinho na casa do meu avô. Esse ritual se repete há quase dez anos, quando ele voltou do Japão. Eu, que nem gosto de café, faço questão de ir até lá para roubar do tempo o que o tempo me roubou.
Vivi dez anos sem meu avô. Dez anos com meu avô. Parece justo porque são valores iguais. Mas só de pensar que poderia ter tido mais, um pouco mais... me descontento com a vida.
Na tentativa de me satisfazer com a realidade que me foi entregue, busco na memória tudo o que já vivi com ele. Viajo tão longe no passado que faço uma mistura entre lembranças reais com criações fantasiosas minhas. Fico triste por não lembrar de tudo.
Sim, eu sei, lembrar de tudo é sofrimento, e esquecer é uma graça divina. Afinal, a gente só lembra o essencial porque podemos esquecer o que já não é essencial. Até agradeço à Deus, à angústia, aos neurônios, sei lá. Mas também sei que esquecer do essencial é uma tragédia. Uma tragédia que meu avô vive.
Não esperava que ele lembrasse de todos os detalhes dos últimos dez anos. Mas não queria que ele esquecesse meu nome, meu som. Respirando fundo, 1-2-3. Meu avô tem Alzheimer. Uma doença em que as conexões das células cerebrais se degeneram e morrem, eventualmente causando a memória e outras funções mentais importantes.
Meu avô perdeu de vista as lembranças que construímos desde que ele é. Ele, sem saber o que é, só me permite amar o que lembro do que ele já foi um dia. Mas as coisas são como são, não dá para tentar mudar algo concreto, que está ali na minha frente.
Toco a campainha. Espero que ele se lembre.
MOREIRA, Lorraine. Meu avô. In: MALULY, Luciano Victor Barros; MUÑOZ, Daniel Azevedo; TÔZO, Carla de Oliveira (org.). Crônicas para ler e ouvir [recurso eletrônico]. n. 2. São Paulo: ECA-USP, 2023. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 095/1000/3699 . Acesso em: 2 dez. 2025.
O texto seguinte servirá de base para responder a questão.
Meu Avô
Mais um dia vou tomar um cafezinho na casa do meu avô. Esse ritual se repete há quase dez anos, quando ele voltou do Japão. Eu, que nem gosto de café, faço questão de ir até lá para roubar do tempo o que o tempo me roubou.
Vivi dez anos sem meu avô. Dez anos com meu avô. Parece justo porque são valores iguais. Mas só de pensar que poderia ter tido mais, um pouco mais... me descontento com a vida.
Na tentativa de me satisfazer com a realidade que me foi entregue, busco na memória tudo o que já vivi com ele. Viajo tão longe no passado que faço uma mistura entre lembranças reais com criações fantasiosas minhas. Fico triste por não lembrar de tudo.
Sim, eu sei, lembrar de tudo é sofrimento, e esquecer é uma graça divina. Afinal, a gente só lembra o essencial porque podemos esquecer o que já não é essencial. Até agradeço à Deus, à angústia, aos neurônios, sei lá. Mas também sei que esquecer do essencial é uma tragédia. Uma tragédia que meu avô vive.
Não esperava que ele lembrasse de todos os detalhes dos últimos dez anos. Mas não queria que ele esquecesse meu nome, meu som. Respirando fundo, 1-2-3. Meu avô tem Alzheimer. Uma doença em que as conexões das células cerebrais se degeneram e morrem, eventualmente causando a memória e outras funções mentais importantes.
Meu avô perdeu de vista as lembranças que construímos desde que ele é. Ele, sem saber o que é, só me permite amar o que lembro do que ele já foi um dia. Mas as coisas são como são, não dá para tentar mudar algo concreto, que está ali na minha frente.
Toco a campainha. Espero que ele se lembre.
MOREIRA, Lorraine. Meu avô. In: MALULY, Luciano Victor Barros; MUÑOZ, Daniel Azevedo; TÔZO, Carla de Oliveira (org.). Crônicas para ler e ouvir [recurso eletrônico]. n. 2. São Paulo: ECA-USP, 2023. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 095/1000/3699 . Acesso em: 2 dez. 2025.
O texto seguinte servirá de base para responder a questão.
Meu Avô
Mais um dia vou tomar um cafezinho na casa do meu avô. Esse ritual se repete há quase dez anos, quando ele voltou do Japão. Eu, que nem gosto de café, faço questão de ir até lá para roubar do tempo o que o tempo me roubou.
Vivi dez anos sem meu avô. Dez anos com meu avô. Parece justo porque são valores iguais. Mas só de pensar que poderia ter tido mais, um pouco mais... me descontento com a vida.
Na tentativa de me satisfazer com a realidade que me foi entregue, busco na memória tudo o que já vivi com ele. Viajo tão longe no passado que faço uma mistura entre lembranças reais com criações fantasiosas minhas. Fico triste por não lembrar de tudo.
Sim, eu sei, lembrar de tudo é sofrimento, e esquecer é uma graça divina. Afinal, a gente só lembra o essencial porque podemos esquecer o que já não é essencial. Até agradeço à Deus, à angústia, aos neurônios, sei lá. Mas também sei que esquecer do essencial é uma tragédia. Uma tragédia que meu avô vive.
Não esperava que ele lembrasse de todos os detalhes dos últimos dez anos. Mas não queria que ele esquecesse meu nome, meu som. Respirando fundo, 1-2-3. Meu avô tem Alzheimer. Uma doença em que as conexões das células cerebrais se degeneram e morrem, eventualmente causando a memória e outras funções mentais importantes.
Meu avô perdeu de vista as lembranças que construímos desde que ele é. Ele, sem saber o que é, só me permite amar o que lembro do que ele já foi um dia. Mas as coisas são como são, não dá para tentar mudar algo concreto, que está ali na minha frente.
Toco a campainha. Espero que ele se lembre.
MOREIRA, Lorraine. Meu avô. In: MALULY, Luciano Victor Barros; MUÑOZ, Daniel Azevedo; TÔZO, Carla de Oliveira (org.). Crônicas para ler e ouvir [recurso eletrônico]. n. 2. São Paulo: ECA-USP, 2023. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 095/1000/3699 . Acesso em: 2 dez. 2025.
O texto seguinte servirá de base para responder a questão.
Meu Avô
Mais um dia vou tomar um cafezinho na casa do meu avô. Esse ritual se repete há quase dez anos, quando ele voltou do Japão. Eu, que nem gosto de café, faço questão de ir até lá para roubar do tempo o que o tempo me roubou.
Vivi dez anos sem meu avô. Dez anos com meu avô. Parece justo porque são valores iguais. Mas só de pensar que poderia ter tido mais, um pouco mais... me descontento com a vida.
Na tentativa de me satisfazer com a realidade que me foi entregue, busco na memória tudo o que já vivi com ele. Viajo tão longe no passado que faço uma mistura entre lembranças reais com criações fantasiosas minhas. Fico triste por não lembrar de tudo.
Sim, eu sei, lembrar de tudo é sofrimento, e esquecer é uma graça divina. Afinal, a gente só lembra o essencial porque podemos esquecer o que já não é essencial. Até agradeço à Deus, à angústia, aos neurônios, sei lá. Mas também sei que esquecer do essencial é uma tragédia. Uma tragédia que meu avô vive.
Não esperava que ele lembrasse de todos os detalhes dos últimos dez anos. Mas não queria que ele esquecesse meu nome, meu som. Respirando fundo, 1-2-3. Meu avô tem Alzheimer. Uma doença em que as conexões das células cerebrais se degeneram e morrem, eventualmente causando a memória e outras funções mentais importantes.
Meu avô perdeu de vista as lembranças que construímos desde que ele é. Ele, sem saber o que é, só me permite amar o que lembro do que ele já foi um dia. Mas as coisas são como são, não dá para tentar mudar algo concreto, que está ali na minha frente.
Toco a campainha. Espero que ele se lembre.
MOREIRA, Lorraine. Meu avô. In: MALULY, Luciano Victor Barros; MUÑOZ, Daniel Azevedo; TÔZO, Carla de Oliveira (org.). Crônicas para ler e ouvir [recurso eletrônico]. n. 2. São Paulo: ECA-USP, 2023. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 095/1000/3699 . Acesso em: 2 dez. 2025.
"Até agradeço à Deus, à angústia, aos neurônios, sei lá."
Assinale a alternativa correta quanto à análise gramatical da ocorrência (ou não) da crase nas expressões destacadas.
O texto seguinte servirá de base para responder a questão.
Meu Avô
Mais um dia vou tomar um cafezinho na casa do meu avô. Esse ritual se repete há quase dez anos, quando ele voltou do Japão. Eu, que nem gosto de café, faço questão de ir até lá para roubar do tempo o que o tempo me roubou.
Vivi dez anos sem meu avô. Dez anos com meu avô. Parece justo porque são valores iguais. Mas só de pensar que poderia ter tido mais, um pouco mais... me descontento com a vida.
Na tentativa de me satisfazer com a realidade que me foi entregue, busco na memória tudo o que já vivi com ele. Viajo tão longe no passado que faço uma mistura entre lembranças reais com criações fantasiosas minhas. Fico triste por não lembrar de tudo.
Sim, eu sei, lembrar de tudo é sofrimento, e esquecer é uma graça divina. Afinal, a gente só lembra o essencial porque podemos esquecer o que já não é essencial. Até agradeço à Deus, à angústia, aos neurônios, sei lá. Mas também sei que esquecer do essencial é uma tragédia. Uma tragédia que meu avô vive.
Não esperava que ele lembrasse de todos os detalhes dos últimos dez anos. Mas não queria que ele esquecesse meu nome, meu som. Respirando fundo, 1-2-3. Meu avô tem Alzheimer. Uma doença em que as conexões das células cerebrais se degeneram e morrem, eventualmente causando a memória e outras funções mentais importantes.
Meu avô perdeu de vista as lembranças que construímos desde que ele é. Ele, sem saber o que é, só me permite amar o que lembro do que ele já foi um dia. Mas as coisas são como são, não dá para tentar mudar algo concreto, que está ali na minha frente.
Toco a campainha. Espero que ele se lembre.
MOREIRA, Lorraine. Meu avô. In: MALULY, Luciano Victor Barros; MUÑOZ, Daniel Azevedo; TÔZO, Carla de Oliveira (org.). Crônicas para ler e ouvir [recurso eletrônico]. n. 2. São Paulo: ECA-USP, 2023. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 095/1000/3699 . Acesso em: 2 dez. 2025.
O texto seguinte servirá de base para responder a questão.
Meu Avô
Mais um dia vou tomar um cafezinho na casa do meu avô. Esse ritual se repete há quase dez anos, quando ele voltou do Japão. Eu, que nem gosto de café, faço questão de ir até lá para roubar do tempo o que o tempo me roubou.
Vivi dez anos sem meu avô. Dez anos com meu avô. Parece justo porque são valores iguais. Mas só de pensar que poderia ter tido mais, um pouco mais... me descontento com a vida.
Na tentativa de me satisfazer com a realidade que me foi entregue, busco na memória tudo o que já vivi com ele. Viajo tão longe no passado que faço uma mistura entre lembranças reais com criações fantasiosas minhas. Fico triste por não lembrar de tudo.
Sim, eu sei, lembrar de tudo é sofrimento, e esquecer é uma graça divina. Afinal, a gente só lembra o essencial porque podemos esquecer o que já não é essencial. Até agradeço à Deus, à angústia, aos neurônios, sei lá. Mas também sei que esquecer do essencial é uma tragédia. Uma tragédia que meu avô vive.
Não esperava que ele lembrasse de todos os detalhes dos últimos dez anos. Mas não queria que ele esquecesse meu nome, meu som. Respirando fundo, 1-2-3. Meu avô tem Alzheimer. Uma doença em que as conexões das células cerebrais se degeneram e morrem, eventualmente causando a memória e outras funções mentais importantes.
Meu avô perdeu de vista as lembranças que construímos desde que ele é. Ele, sem saber o que é, só me permite amar o que lembro do que ele já foi um dia. Mas as coisas são como são, não dá para tentar mudar algo concreto, que está ali na minha frente.
Toco a campainha. Espero que ele se lembre.
MOREIRA, Lorraine. Meu avô. In: MALULY, Luciano Victor Barros; MUÑOZ, Daniel Azevedo; TÔZO, Carla de Oliveira (org.). Crônicas para ler e ouvir [recurso eletrônico]. n. 2. São Paulo: ECA-USP, 2023. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 095/1000/3699 . Acesso em: 2 dez. 2025.
I. "... que ele lembrasse de todos os detalhes dos últimos dez anos."
II. "... que ele esquecesse meu nome."
À luz da norma culta da língua portuguesa, assinale a alternativa correta.
O texto seguinte servirá de base para responder a questão.
Meu Avô
Mais um dia vou tomar um cafezinho na casa do meu avô. Esse ritual se repete há quase dez anos, quando ele voltou do Japão. Eu, que nem gosto de café, faço questão de ir até lá para roubar do tempo o que o tempo me roubou.
Vivi dez anos sem meu avô. Dez anos com meu avô. Parece justo porque são valores iguais. Mas só de pensar que poderia ter tido mais, um pouco mais... me descontento com a vida.
Na tentativa de me satisfazer com a realidade que me foi entregue, busco na memória tudo o que já vivi com ele. Viajo tão longe no passado que faço uma mistura entre lembranças reais com criações fantasiosas minhas. Fico triste por não lembrar de tudo.
Sim, eu sei, lembrar de tudo é sofrimento, e esquecer é uma graça divina. Afinal, a gente só lembra o essencial porque podemos esquecer o que já não é essencial. Até agradeço à Deus, à angústia, aos neurônios, sei lá. Mas também sei que esquecer do essencial é uma tragédia. Uma tragédia que meu avô vive.
Não esperava que ele lembrasse de todos os detalhes dos últimos dez anos. Mas não queria que ele esquecesse meu nome, meu som. Respirando fundo, 1-2-3. Meu avô tem Alzheimer. Uma doença em que as conexões das células cerebrais se degeneram e morrem, eventualmente causando a memória e outras funções mentais importantes.
Meu avô perdeu de vista as lembranças que construímos desde que ele é. Ele, sem saber o que é, só me permite amar o que lembro do que ele já foi um dia. Mas as coisas são como são, não dá para tentar mudar algo concreto, que está ali na minha frente.
Toco a campainha. Espero que ele se lembre.
MOREIRA, Lorraine. Meu avô. In: MALULY, Luciano Victor Barros; MUÑOZ, Daniel Azevedo; TÔZO, Carla de Oliveira (org.). Crônicas para ler e ouvir [recurso eletrônico]. n. 2. São Paulo: ECA-USP, 2023. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 095/1000/3699 . Acesso em: 2 dez. 2025.
O texto seguinte servirá de base para responder a questão.
Meu Avô
Mais um dia vou tomar um cafezinho na casa do meu avô. Esse ritual se repete há quase dez anos, quando ele voltou do Japão. Eu, que nem gosto de café, faço questão de ir até lá para roubar do tempo o que o tempo me roubou.
Vivi dez anos sem meu avô. Dez anos com meu avô. Parece justo porque são valores iguais. Mas só de pensar que poderia ter tido mais, um pouco mais... me descontento com a vida.
Na tentativa de me satisfazer com a realidade que me foi entregue, busco na memória tudo o que já vivi com ele. Viajo tão longe no passado que faço uma mistura entre lembranças reais com criações fantasiosas minhas. Fico triste por não lembrar de tudo.
Sim, eu sei, lembrar de tudo é sofrimento, e esquecer é uma graça divina. Afinal, a gente só lembra o essencial porque podemos esquecer o que já não é essencial. Até agradeço à Deus, à angústia, aos neurônios, sei lá. Mas também sei que esquecer do essencial é uma tragédia. Uma tragédia que meu avô vive.
Não esperava que ele lembrasse de todos os detalhes dos últimos dez anos. Mas não queria que ele esquecesse meu nome, meu som. Respirando fundo, 1-2-3. Meu avô tem Alzheimer. Uma doença em que as conexões das células cerebrais se degeneram e morrem, eventualmente causando a memória e outras funções mentais importantes.
Meu avô perdeu de vista as lembranças que construímos desde que ele é. Ele, sem saber o que é, só me permite amar o que lembro do que ele já foi um dia. Mas as coisas são como são, não dá para tentar mudar algo concreto, que está ali na minha frente.
Toco a campainha. Espero que ele se lembre.
MOREIRA, Lorraine. Meu avô. In: MALULY, Luciano Victor Barros; MUÑOZ, Daniel Azevedo; TÔZO, Carla de Oliveira (org.). Crônicas para ler e ouvir [recurso eletrônico]. n. 2. São Paulo: ECA-USP, 2023. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 095/1000/3699 . Acesso em: 2 dez. 2025.
O texto seguinte servirá de base para responder a questão.
Meu Avô
Mais um dia vou tomar um cafezinho na casa do meu avô. Esse ritual se repete há quase dez anos, quando ele voltou do Japão. Eu, que nem gosto de café, faço questão de ir até lá para roubar do tempo o que o tempo me roubou.
Vivi dez anos sem meu avô. Dez anos com meu avô. Parece justo porque são valores iguais. Mas só de pensar que poderia ter tido mais, um pouco mais... me descontento com a vida.
Na tentativa de me satisfazer com a realidade que me foi entregue, busco na memória tudo o que já vivi com ele. Viajo tão longe no passado que faço uma mistura entre lembranças reais com criações fantasiosas minhas. Fico triste por não lembrar de tudo.
Sim, eu sei, lembrar de tudo é sofrimento, e esquecer é uma graça divina. Afinal, a gente só lembra o essencial porque podemos esquecer o que já não é essencial. Até agradeço à Deus, à angústia, aos neurônios, sei lá. Mas também sei que esquecer do essencial é uma tragédia. Uma tragédia que meu avô vive.
Não esperava que ele lembrasse de todos os detalhes dos últimos dez anos. Mas não queria que ele esquecesse meu nome, meu som. Respirando fundo, 1-2-3. Meu avô tem Alzheimer. Uma doença em que as conexões das células cerebrais se degeneram e morrem, eventualmente causando a memória e outras funções mentais importantes.
Meu avô perdeu de vista as lembranças que construímos desde que ele é. Ele, sem saber o que é, só me permite amar o que lembro do que ele já foi um dia. Mas as coisas são como são, não dá para tentar mudar algo concreto, que está ali na minha frente.
Toco a campainha. Espero que ele se lembre.
MOREIRA, Lorraine. Meu avô. In: MALULY, Luciano Victor Barros; MUÑOZ, Daniel Azevedo; TÔZO, Carla de Oliveira (org.). Crônicas para ler e ouvir [recurso eletrônico]. n. 2. São Paulo: ECA-USP, 2023. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 095/1000/3699 . Acesso em: 2 dez. 2025.
"Mais um dia vou tomar um cafezinho na casa do meu avô. Esse ritual se repete há quase dez anos, quando ele voltou do Japão. Eu, que nem gosto de café, faço questão de ir até lá para roubar do tempo o que o tempo me roubou."
Com base nos conceitos de tipologia textual, assinale a alternativa que apresenta a classificação predominante do trecho acima.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
O menino de 140 mil anos que pode ser híbrido mais antigo entre Homo sapiens e neandertais
Uma descoberta revolucionária para a compreensão da evolução da nossa espécie e dos rituais humanos modernos.
É assim que um grupo de cientistas, em um estudo publicado em julho pela revista científica L'Anthropologie, define o crânio de uma criança que viveu 140 mil anos atrás, encontrado há quase um século em uma das cavernas do Monte Carmelo, no noroeste de Israel. O local é considerado o mais antigo cemitério conhecido.
A criança tinha três a cinco anos de idade. Ela teria sido enterrada intencionalmente naquela região do Levante, o corredor biogeográfico onde se misturaram fluxos genéticos de linhagens nativas e outros grupos provenientes da África e da Eurásia, durante o Pleistoceno Médio.
O crânio recebeu o nome de Skhul 1º porque foi o primeiro fóssil encontrado pela arqueóloga britânica Dorothy Garrod (1892-1968) e pelo antropólogo físico americano Theodore McCown (1908-1969), que exploraram a região em 1931.
Segundo esta nova pesquisa, sua morfologia seria a evidência mais antiga conhecida da miscigenação entre o Homo neanderthalensis e o Homo sapiens.
É bem documentado que as duas espécies se misturaram e que nós, seres humanos modernos, temos uma herança genética neandertal entre 1% e 5%. Mas a época em que viveu Skhull 1º faz toda a diferença.
"O que dizemos agora, na verdade, é revolucionário", explica à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC) o paleoantropólogo israelense Israël Hershkovitz, professor do Departamento de Anatomia e Antropologia da Universidade de Tel Aviv, em Israel, que liderou a pesquisa.
"Nós demonstramos que o primeiro encontro entre os neandertais e o Homo sapiens não ocorreu há cerca de 50 mil anos, como se imaginava, mas sim pelo menos cerca de 100 mil anos antes, há 140 mil anos, o que é extremamente significativo."
Mas nem todos os cientistas estão de acordo com esta conclusão.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cy404ezqlg7o fragmento
Analise o emprego da vírgula antes de 'que' e identifique a alternativa que justifica seu uso corretamente.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
O menino de 140 mil anos que pode ser híbrido mais antigo entre Homo sapiens e neandertais
Uma descoberta revolucionária para a compreensão da evolução da nossa espécie e dos rituais humanos modernos.
É assim que um grupo de cientistas, em um estudo publicado em julho pela revista científica L'Anthropologie, define o crânio de uma criança que viveu 140 mil anos atrás, encontrado há quase um século em uma das cavernas do Monte Carmelo, no noroeste de Israel. O local é considerado o mais antigo cemitério conhecido.
A criança tinha três a cinco anos de idade. Ela teria sido enterrada intencionalmente naquela região do Levante, o corredor biogeográfico onde se misturaram fluxos genéticos de linhagens nativas e outros grupos provenientes da África e da Eurásia, durante o Pleistoceno Médio.
O crânio recebeu o nome de Skhul 1º porque foi o primeiro fóssil encontrado pela arqueóloga britânica Dorothy Garrod (1892-1968) e pelo antropólogo físico americano Theodore McCown (1908-1969), que exploraram a região em 1931.
Segundo esta nova pesquisa, sua morfologia seria a evidência mais antiga conhecida da miscigenação entre o Homo neanderthalensis e o Homo sapiens.
É bem documentado que as duas espécies se misturaram e que nós, seres humanos modernos, temos uma herança genética neandertal entre 1% e 5%. Mas a época em que viveu Skhull 1º faz toda a diferença.
"O que dizemos agora, na verdade, é revolucionário", explica à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC) o paleoantropólogo israelense Israël Hershkovitz, professor do Departamento de Anatomia e Antropologia da Universidade de Tel Aviv, em Israel, que liderou a pesquisa.
"Nós demonstramos que o primeiro encontro entre os neandertais e o Homo sapiens não ocorreu há cerca de 50 mil anos, como se imaginava, mas sim pelo menos cerca de 100 mil anos antes, há 140 mil anos, o que é extremamente significativo."
Mas nem todos os cientistas estão de acordo com esta conclusão.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cy404ezqlg7o fragmento
Identifique a alternativa que apresenta a justificativa correta sobre o uso da crase em 'à BBC News Mundo'.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
O menino de 140 mil anos que pode ser híbrido mais antigo entre Homo sapiens e neandertais
Uma descoberta revolucionária para a compreensão da evolução da nossa espécie e dos rituais humanos modernos.
É assim que um grupo de cientistas, em um estudo publicado em julho pela revista científica L'Anthropologie, define o crânio de uma criança que viveu 140 mil anos atrás, encontrado há quase um século em uma das cavernas do Monte Carmelo, no noroeste de Israel. O local é considerado o mais antigo cemitério conhecido.
A criança tinha três a cinco anos de idade. Ela teria sido enterrada intencionalmente naquela região do Levante, o corredor biogeográfico onde se misturaram fluxos genéticos de linhagens nativas e outros grupos provenientes da África e da Eurásia, durante o Pleistoceno Médio.
O crânio recebeu o nome de Skhul 1º porque foi o primeiro fóssil encontrado pela arqueóloga britânica Dorothy Garrod (1892-1968) e pelo antropólogo físico americano Theodore McCown (1908-1969), que exploraram a região em 1931.
Segundo esta nova pesquisa, sua morfologia seria a evidência mais antiga conhecida da miscigenação entre o Homo neanderthalensis e o Homo sapiens.
É bem documentado que as duas espécies se misturaram e que nós, seres humanos modernos, temos uma herança genética neandertal entre 1% e 5%. Mas a época em que viveu Skhull 1º faz toda a diferença.
"O que dizemos agora, na verdade, é revolucionário", explica à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC) o paleoantropólogo israelense Israël Hershkovitz, professor do Departamento de Anatomia e Antropologia da Universidade de Tel Aviv, em Israel, que liderou a pesquisa.
"Nós demonstramos que o primeiro encontro entre os neandertais e o Homo sapiens não ocorreu há cerca de 50 mil anos, como se imaginava, mas sim pelo menos cerca de 100 mil anos antes, há 140 mil anos, o que é extremamente significativo."
Mas nem todos os cientistas estão de acordo com esta conclusão.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cy404ezqlg7o fragmento
O vocábulo 'biogeográfico' está grafado corretamente sem hífen, assim como os das alternativas a seguir, exceto:
O texto seguinte servirá de base para responder a questão.
Meu Avô
Mais um dia vou tomar um cafezinho na casa do meu avô. Esse ritual se repete há quase dez anos, quando ele voltou do Japão. Eu, que nem gosto de café, faço questão de ir até lá para roubar do tempo o que o tempo me roubou.
Vivi dez anos sem meu avô. Dez anos com meu avô. Parece justo porque são valores iguais. Mas só de pensar que poderia ter tido mais, um pouco mais... me descontento com a vida.
Na tentativa de me satisfazer com a realidade que me foi entregue, busco na memória tudo o que já vivi com ele. Viajo tão longe no passado que faço uma mistura entre lembranças reais com criações fantasiosas minhas. Fico triste por não lembrar de tudo.
Sim, eu sei, lembrar de tudo é sofrimento, e esquecer é uma graça divina. Afinal, a gente só lembra o essencial porque podemos esquecer o que já não é essencial. Até agradeço à Deus, à angústia, aos neurônios, sei lá. Mas também sei que esquecer do essencial é uma tragédia. Uma tragédia que meu avô vive.
Não esperava que ele lembrasse de todos os detalhes dos últimos dez anos. Mas não queria que ele esquecesse meu nome, meu som. Respirando fundo, 1-2-3. Meu avô tem Alzheimer. Uma doença em que as conexões das células cerebrais se degeneram e morrem, eventualmente causando a memória e outras funções mentais importantes.
Meu avô perdeu de vista as lembranças que construímos desde que ele é. Ele, sem saber o que é, só me permite amar o que lembro do que ele já foi um dia. Mas as coisas são como são, não dá para tentar mudar algo concreto, que está ali na minha frente.
Toco a campainha. Espero que ele se lembre.
MOREIRA, Lorraine. Meu avô. In: MALULY, Luciano Victor Barros; MUÑOZ, Daniel Azevedo; TÔZO, Carla de Oliveira (org.). Crônicas para ler e ouvir [recurso eletrônico]. n. 2. São Paulo: ECA-USP, 2023. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 095/1000/3699 . Acesso em: 2 dez. 2025.
I. "... que ele lembrasse de todos os detalhes dos últimos dez anos."
II. "... que ele esquecesse meu nome."
À luz da norma culta da língua portuguesa, assinale a alternativa correta.
O texto seguinte servirá de base para responder a questão.
Meu Avô
Mais um dia vou tomar um cafezinho na casa do meu avô. Esse ritual se repete há quase dez anos, quando ele voltou do Japão. Eu, que nem gosto de café, faço questão de ir até lá para roubar do tempo o que o tempo me roubou.
Vivi dez anos sem meu avô. Dez anos com meu avô. Parece justo porque são valores iguais. Mas só de pensar que poderia ter tido mais, um pouco mais... me descontento com a vida.
Na tentativa de me satisfazer com a realidade que me foi entregue, busco na memória tudo o que já vivi com ele. Viajo tão longe no passado que faço uma mistura entre lembranças reais com criações fantasiosas minhas. Fico triste por não lembrar de tudo.
Sim, eu sei, lembrar de tudo é sofrimento, e esquecer é uma graça divina. Afinal, a gente só lembra o essencial porque podemos esquecer o que já não é essencial. Até agradeço à Deus, à angústia, aos neurônios, sei lá. Mas também sei que esquecer do essencial é uma tragédia. Uma tragédia que meu avô vive.
Não esperava que ele lembrasse de todos os detalhes dos últimos dez anos. Mas não queria que ele esquecesse meu nome, meu som. Respirando fundo, 1-2-3. Meu avô tem Alzheimer. Uma doença em que as conexões das células cerebrais se degeneram e morrem, eventualmente causando a memória e outras funções mentais importantes.
Meu avô perdeu de vista as lembranças que construímos desde que ele é. Ele, sem saber o que é, só me permite amar o que lembro do que ele já foi um dia. Mas as coisas são como são, não dá para tentar mudar algo concreto, que está ali na minha frente.
Toco a campainha. Espero que ele se lembre.
MOREIRA, Lorraine. Meu avô. In: MALULY, Luciano Victor Barros; MUÑOZ, Daniel Azevedo; TÔZO, Carla de Oliveira (org.). Crônicas para ler e ouvir [recurso eletrônico]. n. 2. São Paulo: ECA-USP, 2023. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 095/1000/3699 . Acesso em: 2 dez. 2025.
"Mais um dia vou tomar um cafezinho na casa do meu avô. Esse ritual se repete há quase dez anos, quando ele voltou do Japão. Eu, que nem gosto de café, faço questão de ir até lá para roubar do tempo o que o tempo me roubou."
Com base nos conceitos de tipologia textual, assinale a alternativa que apresenta a classificação predominante do trecho acim