Questões de Concurso Comentadas sobre português

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Q4025096 Português
Tempestade de noite


       É impressionante. É deslumbrante. Chega a dar medo. Mas pouca coisa no mundo é mais bonita do que uma tempestade de noite. O céu carregado e coberto de nuvens mais escuras que o escuro da noite de repente iluminado por um primeiro raio, que estoura num trovão distante, seguido de outro que corta outro pedaço do céu e explode mais próximo, como se uma salva da artilharia dos anjos saudasse Deus passando por trás das nuvens, numa inspeção de rotina pelos jardins do céu.

       E a trovoada segue firme, enquanto o vento começa a aumentar de força balançando cada vez com mais violência os galhos das árvores.

        Instala-se um duelo dramático. De um lado os trovões dando cobertura para os raios que cortam o céu. De outro o vento querendo superar os trovões, ajudado pelas árvores sem outra chance, emprestando seus galhos para caixa de ressonância da tempestade alucinada, assobiando entre as folhas os cantos de guerra de uma raça esquecida no passado distante, ressuscitada pelas forças da natureza medindo força na noite cada vez mais escura.

       De repente cai uma gota. E outra, e outra. Uma mais pesada do que a outra, a seguinte maior que a anterior até que a chuva desaba, densa, oblíqua, arrastada pelo vento, inconformado com soma entre os raios, os trovões e a água que cai feito uma cachoeira das nuvens cada vez mais baixas e mais claras, iluminadas por rápidas sequências de raios, explodindo em trovões cada vez mais perto.

      A tempestade se acerta. Todas a forças se compõem. Deixam de lado os ciúmes e as vaidades menores, para encherem a noite com a força incontrolável de todos os elementos somando forças para arrasarem a terra no reinado da lua, desmantelado pela explosão da natureza.


MENDONÇA, Antonio Penteado. Tempestade de noite. Crônicas da cidade. Disponível em<https://cronicasdacidade.com.br/cronicas/2020/12/20/te
mpestade-de-noite/>.  . 

“(...) a chuva desaba, densa, oblíqua, arrastada pelo vento”


A palavra destacada no trecho acima é sinônima de: 

Alternativas
Q4025095 Português
Tempestade de noite


       É impressionante. É deslumbrante. Chega a dar medo. Mas pouca coisa no mundo é mais bonita do que uma tempestade de noite. O céu carregado e coberto de nuvens mais escuras que o escuro da noite de repente iluminado por um primeiro raio, que estoura num trovão distante, seguido de outro que corta outro pedaço do céu e explode mais próximo, como se uma salva da artilharia dos anjos saudasse Deus passando por trás das nuvens, numa inspeção de rotina pelos jardins do céu.

       E a trovoada segue firme, enquanto o vento começa a aumentar de força balançando cada vez com mais violência os galhos das árvores.

        Instala-se um duelo dramático. De um lado os trovões dando cobertura para os raios que cortam o céu. De outro o vento querendo superar os trovões, ajudado pelas árvores sem outra chance, emprestando seus galhos para caixa de ressonância da tempestade alucinada, assobiando entre as folhas os cantos de guerra de uma raça esquecida no passado distante, ressuscitada pelas forças da natureza medindo força na noite cada vez mais escura.

       De repente cai uma gota. E outra, e outra. Uma mais pesada do que a outra, a seguinte maior que a anterior até que a chuva desaba, densa, oblíqua, arrastada pelo vento, inconformado com soma entre os raios, os trovões e a água que cai feito uma cachoeira das nuvens cada vez mais baixas e mais claras, iluminadas por rápidas sequências de raios, explodindo em trovões cada vez mais perto.

      A tempestade se acerta. Todas a forças se compõem. Deixam de lado os ciúmes e as vaidades menores, para encherem a noite com a força incontrolável de todos os elementos somando forças para arrasarem a terra no reinado da lua, desmantelado pela explosão da natureza.


MENDONÇA, Antonio Penteado. Tempestade de noite. Crônicas da cidade. Disponível em<https://cronicasdacidade.com.br/cronicas/2020/12/20/te
mpestade-de-noite/>.  . 

“É impressionante. É deslumbrante. Chega a dar medo.”

O trecho acima, da introdução do texto “Tempestade de noite”, é essencialmente do tipo:

Alternativas
Q4024989 Português
O surgimento de espaços de preservação histórica em municípios brasileiros muitas vezes está relacionado à iniciativa de educadores e da própria comunidade. Em Guaraciaba, no oeste de Santa Catarina, a criação de um museu teve início a partir de práticas escolares que incentivavam a observação e a coleta de objetos do cotidiano e da natureza. Esse processo contribuiu para a formação de um importante acervo histórico local. Considerando esse contexto, qual foi a origem do acervo do museu de Guaraciaba?
Alternativas
Q4024986 Português
"Conteúdos violentos, pornográficos ou de jogos de azar devem ser removidos, antes mesmo de ordens judiciais, para evitar o acesso e a amplificação das violências."

Considerando as regras de acentuação, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q4024985 Português
"A pandemia trouxe a concretude e a consciência de que a vida online não é algo apartado na experiência humana e, por isso, não deve ser considerada como secundária. Antes de chegar ao ECA Digital, nos últimos anos alguns marcos legais e normativos ajudaram a regulamentar o uso da internet. São eles: o Marco Civil da Internet, em 2014, que definiu direitos e deveres no ambiente digital, e a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), em 2018, que trouxe princípios específicos para o tratamento de dados de crianças e adolescentes."

Com base na concordância verbal e nominal, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q4024984 Português
"Outra mudança crucial é o fim da simples autodeclaração de idade. Dessa forma, exige-se que as plataformas implementem mecanismos robustos de aferição de idade que comprovem a faixa etária sem necessariamente coletar dados de identidade pessoal."

O vocábulo 'autodeclaração' não possui hífen, assim como os vocábulos das alternativas a seguir, EXCETO:
Alternativas
Q4024833 Português
Assinale a alternativa cujo enunciado se apresenta totalmente correto em relação ao emprego de pronome de tratamento, de acordo com a redação oficial. 
Alternativas
Q4024832 Português
Assinale a alternativa cujos elementos preenchem corretamente as lacunas abaixo, na mesma ordem:
- ___ depender do que você precisa, estou sempre ___ disposição.
- De leste ___ oeste, pretendemos passar por toda ___ Europa.
- Daqui ___ algumas horas pode me esperar para nos dedicarmos ___ árdua tarefa. 
Alternativas
Q4024831 Português
Imagem associada para resolução da questão



QUINO. Mafalda. Disponível em <https://agendadasbugigangas.wordpress.com/wpcontent/uploads/2011/05/mafalda-quino.pdf>. 


“(...) tem milhões de pessoas (...)”
O verbo destacado no enunciado acima, utilizado no primeiro quadrinho, pode ser substituído corretamente por: 
Alternativas
Q4024830 Português

“Diz-se que a literatura existe para purificar – sublimar – o inferno real.” (José Castello)

A palavra destacada no pensamento acima possui o sentido de 

Alternativas
Q4024829 Português
Assinale a alternativa cujo elemento destacado se refere a algo mencionado posteriormente no mesmo enunciado. 
Alternativas
Q4024828 Português
Assinale a alternativa cujo enunciado se apresenta sob a figura de linguagem conhecida como prosopopeia ou personificação. 
Alternativas
Q4024827 Português
Dias de chuva


    Literalmente adoro dias de chuva. Aquela preguiça boa, que nos remete ao recolhimento. A chuva me traz recordações da infância, de tomar banho na rua, pulando na enxurrada. E dos bolinhos de chuva, e o chocolate que mamãe preparava. Mas tinha que obedecer, tomar outro banho, quente desta vez. Não esquecendo de tirar o grude de trás das orelhas, e de secar o chão ao sair do banho. A tarde corria solta, a chuva mostrando a que veio, trovoadas e relâmpagos cortando o céu. Sem preocupações, o melhor era a disputa com meus irmãos, quem iria pegar o maior bolinho.

    Sempre brincávamos com isso, nossa mãe fazia os bolinhos maiores ou menores, conforme colhesse a massa com a colher. Proposital ou não, sempre eram diferentes no tamanho. Isso causava um rebuliço em volta da mesa.

    Muitos anos se passaram, não tive o mesmo costume de fazer para meus filhos os bolinhos de chuva. Talvez porque aqueles momentos eram nossos e da nossa mãe. Mas a chuva continua trazendo imagens daqueles momentos, tão pequenos e simples.

    Felicidade é um ato tão doce e pequeno, em uma tarde de chuva, o recolhimento, a abstração de tudo. Só ficar “de boa”, como dizia meu filho na infância. Lendo, brincando, contando anedotas. Lembro dos primeiros dias de casamento, ficávamos na cama, conversando, rindo, vendo TV. Depois, com os filhos a cama ficava apertada, mas ainda assim era gostoso, ficar ali fazendo nada, como diria meu esposo.

     Tardes e noites abençoadas, com a chuva cantarolando no telhado. Esses dias se foram, o tempo leva os momentos, a chuva traz novos momentos. Ainda amo a chuva, mesmo que, às vezes, a natureza em fúria cause tragédias. Mas a chuva em si não é culpada, a culpa com certeza é da humanidade. A chuva é benção, é magia. 

    Confidente dos amantes, alegria da meninada, que ainda hoje canta e dança na chuva. Que traz encantamento. 

SOUZA, Ivete Rosa de. Dias de chuva. Jornal Cultural
ROL. Disponível em <https://jornalrol.com.br/?p=57942>. 

“Isso causava um rebuliço em volta da mesa.”

A palavra destacada no trecho acima é sinônima de: 

Alternativas
Q4024826 Português
Dias de chuva


    Literalmente adoro dias de chuva. Aquela preguiça boa, que nos remete ao recolhimento. A chuva me traz recordações da infância, de tomar banho na rua, pulando na enxurrada. E dos bolinhos de chuva, e o chocolate que mamãe preparava. Mas tinha que obedecer, tomar outro banho, quente desta vez. Não esquecendo de tirar o grude de trás das orelhas, e de secar o chão ao sair do banho. A tarde corria solta, a chuva mostrando a que veio, trovoadas e relâmpagos cortando o céu. Sem preocupações, o melhor era a disputa com meus irmãos, quem iria pegar o maior bolinho.

    Sempre brincávamos com isso, nossa mãe fazia os bolinhos maiores ou menores, conforme colhesse a massa com a colher. Proposital ou não, sempre eram diferentes no tamanho. Isso causava um rebuliço em volta da mesa.

    Muitos anos se passaram, não tive o mesmo costume de fazer para meus filhos os bolinhos de chuva. Talvez porque aqueles momentos eram nossos e da nossa mãe. Mas a chuva continua trazendo imagens daqueles momentos, tão pequenos e simples.

    Felicidade é um ato tão doce e pequeno, em uma tarde de chuva, o recolhimento, a abstração de tudo. Só ficar “de boa”, como dizia meu filho na infância. Lendo, brincando, contando anedotas. Lembro dos primeiros dias de casamento, ficávamos na cama, conversando, rindo, vendo TV. Depois, com os filhos a cama ficava apertada, mas ainda assim era gostoso, ficar ali fazendo nada, como diria meu esposo.

     Tardes e noites abençoadas, com a chuva cantarolando no telhado. Esses dias se foram, o tempo leva os momentos, a chuva traz novos momentos. Ainda amo a chuva, mesmo que, às vezes, a natureza em fúria cause tragédias. Mas a chuva em si não é culpada, a culpa com certeza é da humanidade. A chuva é benção, é magia. 

    Confidente dos amantes, alegria da meninada, que ainda hoje canta e dança na chuva. Que traz encantamento. 

SOUZA, Ivete Rosa de. Dias de chuva. Jornal Cultural
ROL. Disponível em <https://jornalrol.com.br/?p=57942>. 

“Ainda amo a chuva, mesmo que, às vezes, a natureza em fúria cause tragédias.”

A locução destacada no período acima possui o sentido de: 

Alternativas
Q4024825 Português
Dias de chuva


    Literalmente adoro dias de chuva. Aquela preguiça boa, que nos remete ao recolhimento. A chuva me traz recordações da infância, de tomar banho na rua, pulando na enxurrada. E dos bolinhos de chuva, e o chocolate que mamãe preparava. Mas tinha que obedecer, tomar outro banho, quente desta vez. Não esquecendo de tirar o grude de trás das orelhas, e de secar o chão ao sair do banho. A tarde corria solta, a chuva mostrando a que veio, trovoadas e relâmpagos cortando o céu. Sem preocupações, o melhor era a disputa com meus irmãos, quem iria pegar o maior bolinho.

    Sempre brincávamos com isso, nossa mãe fazia os bolinhos maiores ou menores, conforme colhesse a massa com a colher. Proposital ou não, sempre eram diferentes no tamanho. Isso causava um rebuliço em volta da mesa.

    Muitos anos se passaram, não tive o mesmo costume de fazer para meus filhos os bolinhos de chuva. Talvez porque aqueles momentos eram nossos e da nossa mãe. Mas a chuva continua trazendo imagens daqueles momentos, tão pequenos e simples.

    Felicidade é um ato tão doce e pequeno, em uma tarde de chuva, o recolhimento, a abstração de tudo. Só ficar “de boa”, como dizia meu filho na infância. Lendo, brincando, contando anedotas. Lembro dos primeiros dias de casamento, ficávamos na cama, conversando, rindo, vendo TV. Depois, com os filhos a cama ficava apertada, mas ainda assim era gostoso, ficar ali fazendo nada, como diria meu esposo.

     Tardes e noites abençoadas, com a chuva cantarolando no telhado. Esses dias se foram, o tempo leva os momentos, a chuva traz novos momentos. Ainda amo a chuva, mesmo que, às vezes, a natureza em fúria cause tragédias. Mas a chuva em si não é culpada, a culpa com certeza é da humanidade. A chuva é benção, é magia. 

    Confidente dos amantes, alegria da meninada, que ainda hoje canta e dança na chuva. Que traz encantamento. 

SOUZA, Ivete Rosa de. Dias de chuva. Jornal Cultural
ROL. Disponível em <https://jornalrol.com.br/?p=57942>. 
Nos primeiros parágrafos do texto “Dias de chuva”, a autora explora:
Alternativas
Q4024733 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


QUANDO MORDI A MINHA LÍNGUA


O que sentimos ou deixamos de sentir está impresso nos mínimos gestos.

Você pode ser uma pedra, não falar nada, mas até a pedra um dia será amaciada pelo musgo.

Não adianta sonegar emoções, traficar amores, camuflar problemas, porque será descoberto. Entregará o que vem lhe preocupando pela aparência. Somos horóscopos ambulantes, biscoitos da sorte prestes a serem quebrados por uma mensagem.

No fim do Ensino Médio, eu vivia brigando com os meus colegas, desafiando os professores, respondendo desaforado aos pais. Óbvio que fui forçado a visitar a psicóloga da escola. Prometi a mim mesmo que lacraria a boca, ficaria calado durante a consulta inteira, faria terrorismo com a quietude. Não achava justo ser obrigado a me analisar e ainda mais numa época em que a terapia estava vinculada preconceituosamente à loucura.

Eu me ajeitei na poltrona com o meu estojo e caderno de aula debaixo do braço e a indisposição macabra de silenciar a cada pergunta. Mas a psicanalista não questionou nada, e o seu silêncio inesperado foi me enervando. Ela me observava com interesse, e eu querendo cada vez mais me esconder. Quando alguém permanece quieto muito tempo em nossa frente é como encarar um espelho e o tamanho de nossas dúvidas. Ela me provocava não me provocando, ela me emparedava abrindo todas as portas. Aquela liberdade assustadora de não ser cobrado a participar me aprisionava.

Mexi em meu estojo para me distrair.

Ela perguntou se eu poderia emprestar uma caneta.

Alcancei uma Bic azul. Ela viu que a tampa estava mordida. Olhou com carinho e comentou:

− Enquanto não morder o tubo, está tudo bem.

Eu ri de nervoso e demonstrei curiosidade.

− Morder a tampa significa alguma coisa?

− Significa que não fecha as conversas, que foge das discussões com medo de dizer a verdade, que reprime o desejo e vira as costas remoendo sozinho as suas frustrações e decepções, jamais repartindo a sua verdadeira opinião com ninguém, nem com seus melhores amigos.

Não revelei coisa alguma durante uma hora do encontro, mas ela me decifrou inteiramente apenas analisando a tampinha mordida da caneta. Uma mera, idiota e banal tampinha iluminou o meu comportamento.

A partir daquele dia, nunca mais subestimei a psicanálise e cuidei para morder somente a insossa borracha nos momentos de maior ansiedade.


(Carpinejar. Amizade é também amor. 6. ed. Bertrand Brasil: 2017, p. 205)
A função dos "quês" em: "(...) Significa que não fecha as conversas, que foge das discussões (...) que reprime o desejo (...)" é de:
Alternativas
Q4024732 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


QUANDO MORDI A MINHA LÍNGUA


O que sentimos ou deixamos de sentir está impresso nos mínimos gestos.

Você pode ser uma pedra, não falar nada, mas até a pedra um dia será amaciada pelo musgo.

Não adianta sonegar emoções, traficar amores, camuflar problemas, porque será descoberto. Entregará o que vem lhe preocupando pela aparência. Somos horóscopos ambulantes, biscoitos da sorte prestes a serem quebrados por uma mensagem.

No fim do Ensino Médio, eu vivia brigando com os meus colegas, desafiando os professores, respondendo desaforado aos pais. Óbvio que fui forçado a visitar a psicóloga da escola. Prometi a mim mesmo que lacraria a boca, ficaria calado durante a consulta inteira, faria terrorismo com a quietude. Não achava justo ser obrigado a me analisar e ainda mais numa época em que a terapia estava vinculada preconceituosamente à loucura.

Eu me ajeitei na poltrona com o meu estojo e caderno de aula debaixo do braço e a indisposição macabra de silenciar a cada pergunta. Mas a psicanalista não questionou nada, e o seu silêncio inesperado foi me enervando. Ela me observava com interesse, e eu querendo cada vez mais me esconder. Quando alguém permanece quieto muito tempo em nossa frente é como encarar um espelho e o tamanho de nossas dúvidas. Ela me provocava não me provocando, ela me emparedava abrindo todas as portas. Aquela liberdade assustadora de não ser cobrado a participar me aprisionava.

Mexi em meu estojo para me distrair.

Ela perguntou se eu poderia emprestar uma caneta.

Alcancei uma Bic azul. Ela viu que a tampa estava mordida. Olhou com carinho e comentou:

− Enquanto não morder o tubo, está tudo bem.

Eu ri de nervoso e demonstrei curiosidade.

− Morder a tampa significa alguma coisa?

− Significa que não fecha as conversas, que foge das discussões com medo de dizer a verdade, que reprime o desejo e vira as costas remoendo sozinho as suas frustrações e decepções, jamais repartindo a sua verdadeira opinião com ninguém, nem com seus melhores amigos.

Não revelei coisa alguma durante uma hora do encontro, mas ela me decifrou inteiramente apenas analisando a tampinha mordida da caneta. Uma mera, idiota e banal tampinha iluminou o meu comportamento.

A partir daquele dia, nunca mais subestimei a psicanálise e cuidei para morder somente a insossa borracha nos momentos de maior ansiedade.


(Carpinejar. Amizade é também amor. 6. ed. Bertrand Brasil: 2017, p. 205)
A troca de posição do pronome em relação ao nome ou ao verbo provoca modificação de significado em:
Alternativas
Q4024731 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


QUANDO MORDI A MINHA LÍNGUA


O que sentimos ou deixamos de sentir está impresso nos mínimos gestos.

Você pode ser uma pedra, não falar nada, mas até a pedra um dia será amaciada pelo musgo.

Não adianta sonegar emoções, traficar amores, camuflar problemas, porque será descoberto. Entregará o que vem lhe preocupando pela aparência. Somos horóscopos ambulantes, biscoitos da sorte prestes a serem quebrados por uma mensagem.

No fim do Ensino Médio, eu vivia brigando com os meus colegas, desafiando os professores, respondendo desaforado aos pais. Óbvio que fui forçado a visitar a psicóloga da escola. Prometi a mim mesmo que lacraria a boca, ficaria calado durante a consulta inteira, faria terrorismo com a quietude. Não achava justo ser obrigado a me analisar e ainda mais numa época em que a terapia estava vinculada preconceituosamente à loucura.

Eu me ajeitei na poltrona com o meu estojo e caderno de aula debaixo do braço e a indisposição macabra de silenciar a cada pergunta. Mas a psicanalista não questionou nada, e o seu silêncio inesperado foi me enervando. Ela me observava com interesse, e eu querendo cada vez mais me esconder. Quando alguém permanece quieto muito tempo em nossa frente é como encarar um espelho e o tamanho de nossas dúvidas. Ela me provocava não me provocando, ela me emparedava abrindo todas as portas. Aquela liberdade assustadora de não ser cobrado a participar me aprisionava.

Mexi em meu estojo para me distrair.

Ela perguntou se eu poderia emprestar uma caneta.

Alcancei uma Bic azul. Ela viu que a tampa estava mordida. Olhou com carinho e comentou:

− Enquanto não morder o tubo, está tudo bem.

Eu ri de nervoso e demonstrei curiosidade.

− Morder a tampa significa alguma coisa?

− Significa que não fecha as conversas, que foge das discussões com medo de dizer a verdade, que reprime o desejo e vira as costas remoendo sozinho as suas frustrações e decepções, jamais repartindo a sua verdadeira opinião com ninguém, nem com seus melhores amigos.

Não revelei coisa alguma durante uma hora do encontro, mas ela me decifrou inteiramente apenas analisando a tampinha mordida da caneta. Uma mera, idiota e banal tampinha iluminou o meu comportamento.

A partir daquele dia, nunca mais subestimei a psicanálise e cuidei para morder somente a insossa borracha nos momentos de maior ansiedade.


(Carpinejar. Amizade é também amor. 6. ed. Bertrand Brasil: 2017, p. 205)
"Mas a psicanalista não questionou nada, e o seu silêncio inesperado foi me enervando.". Analise as afirmações sobre o excerto e marque a alternativa correta.

I- "Mas" e "e" são conjunções adversativas.
II- "Não" e "nada" exemplificam dupla negação.
III- A vírgula indica mudança no sujeito das orações coordenadas.
IV- A colocação pronominal proclítica ao verbo auxiliar está incorreta.
Alternativas
Q4024730 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


QUANDO MORDI A MINHA LÍNGUA


O que sentimos ou deixamos de sentir está impresso nos mínimos gestos.

Você pode ser uma pedra, não falar nada, mas até a pedra um dia será amaciada pelo musgo.

Não adianta sonegar emoções, traficar amores, camuflar problemas, porque será descoberto. Entregará o que vem lhe preocupando pela aparência. Somos horóscopos ambulantes, biscoitos da sorte prestes a serem quebrados por uma mensagem.

No fim do Ensino Médio, eu vivia brigando com os meus colegas, desafiando os professores, respondendo desaforado aos pais. Óbvio que fui forçado a visitar a psicóloga da escola. Prometi a mim mesmo que lacraria a boca, ficaria calado durante a consulta inteira, faria terrorismo com a quietude. Não achava justo ser obrigado a me analisar e ainda mais numa época em que a terapia estava vinculada preconceituosamente à loucura.

Eu me ajeitei na poltrona com o meu estojo e caderno de aula debaixo do braço e a indisposição macabra de silenciar a cada pergunta. Mas a psicanalista não questionou nada, e o seu silêncio inesperado foi me enervando. Ela me observava com interesse, e eu querendo cada vez mais me esconder. Quando alguém permanece quieto muito tempo em nossa frente é como encarar um espelho e o tamanho de nossas dúvidas. Ela me provocava não me provocando, ela me emparedava abrindo todas as portas. Aquela liberdade assustadora de não ser cobrado a participar me aprisionava.

Mexi em meu estojo para me distrair.

Ela perguntou se eu poderia emprestar uma caneta.

Alcancei uma Bic azul. Ela viu que a tampa estava mordida. Olhou com carinho e comentou:

− Enquanto não morder o tubo, está tudo bem.

Eu ri de nervoso e demonstrei curiosidade.

− Morder a tampa significa alguma coisa?

− Significa que não fecha as conversas, que foge das discussões com medo de dizer a verdade, que reprime o desejo e vira as costas remoendo sozinho as suas frustrações e decepções, jamais repartindo a sua verdadeira opinião com ninguém, nem com seus melhores amigos.

Não revelei coisa alguma durante uma hora do encontro, mas ela me decifrou inteiramente apenas analisando a tampinha mordida da caneta. Uma mera, idiota e banal tampinha iluminou o meu comportamento.

A partir daquele dia, nunca mais subestimei a psicanálise e cuidei para morder somente a insossa borracha nos momentos de maior ansiedade.


(Carpinejar. Amizade é também amor. 6. ed. Bertrand Brasil: 2017, p. 205)
Há falha na indicação de equivalência semântica em:
Alternativas
Q4024729 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


QUANDO MORDI A MINHA LÍNGUA


O que sentimos ou deixamos de sentir está impresso nos mínimos gestos.

Você pode ser uma pedra, não falar nada, mas até a pedra um dia será amaciada pelo musgo.

Não adianta sonegar emoções, traficar amores, camuflar problemas, porque será descoberto. Entregará o que vem lhe preocupando pela aparência. Somos horóscopos ambulantes, biscoitos da sorte prestes a serem quebrados por uma mensagem.

No fim do Ensino Médio, eu vivia brigando com os meus colegas, desafiando os professores, respondendo desaforado aos pais. Óbvio que fui forçado a visitar a psicóloga da escola. Prometi a mim mesmo que lacraria a boca, ficaria calado durante a consulta inteira, faria terrorismo com a quietude. Não achava justo ser obrigado a me analisar e ainda mais numa época em que a terapia estava vinculada preconceituosamente à loucura.

Eu me ajeitei na poltrona com o meu estojo e caderno de aula debaixo do braço e a indisposição macabra de silenciar a cada pergunta. Mas a psicanalista não questionou nada, e o seu silêncio inesperado foi me enervando. Ela me observava com interesse, e eu querendo cada vez mais me esconder. Quando alguém permanece quieto muito tempo em nossa frente é como encarar um espelho e o tamanho de nossas dúvidas. Ela me provocava não me provocando, ela me emparedava abrindo todas as portas. Aquela liberdade assustadora de não ser cobrado a participar me aprisionava.

Mexi em meu estojo para me distrair.

Ela perguntou se eu poderia emprestar uma caneta.

Alcancei uma Bic azul. Ela viu que a tampa estava mordida. Olhou com carinho e comentou:

− Enquanto não morder o tubo, está tudo bem.

Eu ri de nervoso e demonstrei curiosidade.

− Morder a tampa significa alguma coisa?

− Significa que não fecha as conversas, que foge das discussões com medo de dizer a verdade, que reprime o desejo e vira as costas remoendo sozinho as suas frustrações e decepções, jamais repartindo a sua verdadeira opinião com ninguém, nem com seus melhores amigos.

Não revelei coisa alguma durante uma hora do encontro, mas ela me decifrou inteiramente apenas analisando a tampinha mordida da caneta. Uma mera, idiota e banal tampinha iluminou o meu comportamento.

A partir daquele dia, nunca mais subestimei a psicanálise e cuidei para morder somente a insossa borracha nos momentos de maior ansiedade.


(Carpinejar. Amizade é também amor. 6. ed. Bertrand Brasil: 2017, p. 205)
Observe a frase: "(...) mas até a pedra um dia será amaciada pelo musgo.". Quanto à classificação da voz verbal, essa é:
Alternativas
Respostas
5681: B
5682: D
5683: D
5684: D
5685: C
5686: D
5687: E
5688: D
5689: C
5690: D
5691: E
5692: C
5693: B
5694: A
5695: A
5696: B
5697: A
5698: B
5699: C
5700: A