Questões de Concurso Comentadas sobre português
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"Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da Nação Brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro"
A escolha desse poema é adequada para discutir com os alunos:
Papo de Índio (1971)
Veiu uns ômi di saia preta cheiu di caixinha e pó branco qui eles disserum qui chamava açucri aí eles falarum e nós fechamu a cara depois eles arrepitirum e nós fechamu o corpo aí eles insistirum e nós comemu eles.
Disponível em: https://www.escritas.org/pt/t/2729/papo-deindio. Acesso em 15 fev 2026.
Sobre os aspectos de variação linguística presentes no texto, analise as assertivas abaixo:
I. O texto apresenta marcas de variação linguística de natureza fonética, como em "veiu" (veio), "ômi" (homem), "di" (de) e "qui" (que), que reproduzem graficamente características da fala popular, evidenciando fenômenos como redução de ditongo, e alteamento vocálico.
II. As formas verbais "disserum", "falarum", "arrepitirum", "insistirum" evidenciam variação morfológica na desinência de terceira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo, substituindo a forma padrão "-ram" por "-rum". Já as formas "fechamu" e "comemu" evidenciam variação na desinência de primeira pessoa do plural, substituindo a forma padrão "-mos" por "-mu". Todos esses fenômenos são comuns em variedades populares do português brasileiro.
III. A grafia "açucri" para "açúcar" representa variação fonética caracterizada por metátese (transposição do /r/ do final da palavra para posição inicial da última sílaba, formando o encontro consonantal "cr"), acompanhada de alteração vocálica (substituição de /a/ por /i/), fenômenos comuns em processos de variação e mudança linguística.
IV. O texto, por empregar variedades linguísticas associadas a grupos sociais marginalizados, configura erro gramatical e desvio da norma culta, devendo ser evitado em contextos de ensino de Língua Portuguesa.
V. A variação linguística presente no texto é exclusivamente de natureza histórica, representando a forma como todos os brasileiros falavam no período colonial, sem relação com variedades sociais contemporâneas.
Estão CORRETAS apenas as assertivas:
1. "O microondas da minha avó quebrou depois de vinte anos de uso." 2. "O anti-inflamatório prescrito pelo médico deve ser tomado a cada oito horas." 3. "A autoescola onde fiz minhas aulas práticas fica no centro da cidade." 4. "O contrarregra da peça teatral esqueceu de ligar os microfones."
Sobre a grafia das palavras destacadas, conforme as regras do atual Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, analise as assertivas abaixo:
I. Em "microondas", o emprego sem hífen está correto, pois se aplica a seguinte regra: quando o prefixo termina com a mesma vogal que inicia o segundo elemento, o hífen deve ser retirado.
II. Em "anti-inflamatório", o hífen foi corretamente empregado, uma vez que o prefixo "anti-" termina em vogal "i" e o segundo elemento "inflamatório" inicia com a mesma vogal "i", exigindo hífen.
III. Em "autoescola", a ausência de hífen está correta, pois o prefixo "auto-" termina em vogal e o segundo elemento "escola" inicia com vogal diferente, caso em que não se emprega hífen.
IV. Em "contrarregra", a grafia apresentada está correta, pois quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento inicia com "r", dobra-se o "r" e suprime-se o hífen.
Estão CORRETAS apenas as assertivas:
Sobre a estrutura sintático-semântica desse enunciado, analise as assertivas abaixo:
I. A colocação pronominal em "Entregaram-se" caracteriza-se como ênclise, uma vez que o pronome oblíquo "se" está posposto ao verbo, em conformidade com a norma-padrão que recomenda essa posição quando o verbo inicia a oração.
II. O termo "os prêmios" exerce a função sintática de objeto direto, enquanto "aos alunos" funciona como objeto indireto, complementando o verbo "entregar", que é transitivo direto e indireto.
III. O pronome "se" presente em "que se dedicaram" classifica-se como pronome apassivador, uma vez que a oração pode ser convertida para a voz passiva analítica sem prejuízo de sentido.
IV. A oração adjetiva "que se dedicaram durante o ano letivo" possui caráter restritivo, restringindo o sentido do antecedente "alunos" apenas àqueles que efetivamente se dedicaram, sendo essa uma informação essencial para a compreensão do enunciado.
V. Caso o pronome "se" fosse deslocado para antes do verbo na primeira oração ("Se entregaram os prêmios aos alunos"), a frase continuaria gramaticalmente aceita pela norma-padrão, por se tratar de próclise facultativa em inícios de oração.
Estão CORRETAS apenas as assertivas:
FRAGMENTO I
"A PEC do fim da escala 6x1, que está na CCJ, aguarda ter o relator designado. O presidente da comissão, Leur Lomanto Júnior (União-BA), adiantou que conduzirá a análise ouvindo a classe empresarial, sindicatos, trabalhadores e 'quem emprega'." Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/com-ofim-do-carnaval-governo-retoma-ofensiva-pelo-fim-daescala-6x1/. Acesso: 19 de fev. 2026.
FRAGMENTO II
"O debate em torno da extinção da jornada 6x1 é bemvindo, mobilizado pela opinião pública, mas a pressa em conduzi-lo não pode comprometer os requisitos que a abordagem ao tema exige: uma condução técnica, qualificada e não contaminada por interesses eleitoreiros. Trata-se de um desafio, em se tratando que a proposta de emenda à Constituição está longe de ser consenso entre os parlamentares." Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2026/02/7357 814-fim-da-escala-6x1-exige-debateresponsavel.html#google_vignette. Acesso: 19 fev. 2026.
Sobre os fragmentos anteriores apresentados, considerando seus contextos de produção, recursos linguístico-discursivos e estratégias textuais, analise as assertivas abaixo:
I. O Fragmento I apresenta predominantemente tipologia expositivo-informativa, com marcas de imparcialidade aparente, enquanto o Fragmento II caracteriza-se pela tipologia argumentativa, com marcas explícitas de posicionamento crítico em relação à celeridade do processo legislativo.
II. No Fragmento I, o uso das aspas na expressão "quem emprega" constitui recurso metalinguístico que reproduz o discurso direto da autoridade citada, conferindo credibilidade à informação sem que o enunciador assuma juízo de valor sobre a terminologia empregada.
III. No Fragmento II, o operador argumentativo "mas" introduz uma ressalva que relativiza o caráter positivo do debate ("é bem-vindo"), construindo uma orientação argumentativa que desloca o foco da legitimidade do debate para os riscos de sua condução apressada.
IV. A expressão "em se tratando que", presente no Fragmento II, está correta em relação à norma-padrão da língua portuguesa, sendo equivalente às formas "em se tratando de" ou "tratando-se de".
V. Considerando os multiletramentos e a leitura crítica, é correto afirmar que o Fragmento I, ao listar os atores sociais que serão ouvidos ("classe empresarial, sindicatos, trabalhadores e 'quem emprega'"), opera uma distinção implícita entre "trabalhadores" e "quem emprega" que pode refletir determinada concepção sobre as relações de trabalho.
Estão CORRETAS apenas as assertivas:
Essa estrutura evidencia o domínio de:
"Ô prefeito, tá na hora de vós arrumar a praça do bairro. A gente vai lá e tá tudo quebrado, os menino não tem lugar pra brincar. Espero que o senhor faça alguma coisa."
Considerando o gênero "carta de reclamação" endereçada a uma autoridade municipal, a orientação do professor deve ser no sentido de:
Essa orientação privilegia, respectivamente, os seguintes elementos da narrativa:
O objetivo central dessa atividade, alinhada ao letramento midiático, é desenvolver a capacidade de:
"Enquanto os defensores do projeto apontam geração de empregos, os críticos alertam para os danos ambientais. Diante desse impasse, cabe à sociedade civil organizada pressionar por audiências públicas que garantam transparência ao debate."
Para compreender adequadamente o posicionamento do autor, o leitor precisa acionar, predominantemente, a estratégia de:
Analise a habilidade a seguir, pertencente ao Ensino Fundamental:
“(EF69LP36) "Produzir, revisar e editar textos voltados para a divulgação do conhecimento e de dados e resultados de pesquisas, tais como artigos de divulgação científica, verbete de enciclopédia, infográfico, infográfico animado, podcast ou vlog científico, relato de experimento, relatório, relatório multimidiático de campo, dentre outros, considerando o contexto de produção e as regularidades dos gêneros em termos de suas construções composicionais e estilos."
Disponível em: https://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_20d ez_site.pdf. Acesso em 16 fev. de 2026
Considerando a estrutura da BNCC, é CORRETO afirmar que essa habilidade está inserida, prioritariamente, no campo de atuação social:
I- O verbo “há” foi usado como impessoal, por isso se encontra no singular. II- O pronome relativo “que” foi usado para retomar o termo anterior “deveres” III- O verbo “esperam” foi usado no plural para concordar com o termo “deveres”. IV- O pronome “me” foi usado em posição proclítica porque a palavra “que” é atrativa. V- O pronome oblíquo átono “me” foi usado como complemento do verbo “esperam”.
Estão CORRETAS as afirmativas
Analise as afirmativas a seguir, tendo em vista o sufixo “-inho” presente na formação das palavras “ventinho” e “cedinho”.
I- Nas palavras “ventinho” e “cedinho”, o sufixo “-inho” indica diminutivo. II- Na palavra “ventinho”, o sufixo “-inho” sugere uma ideia de suavidade. III- Na palavra “cedinho”, o sufixo “-inho” insere uma ideia de intensidade. IV- Nas palavras “ventinho” e “cedinho”, o sufixo “-inho” indica depreciação. V- Nas palavras “ventinho” e “cedinho”, o sufixo “-inho” contrói uma ironia.
Estão CORRETAS apenas as afirmativas
I- Citação direta. II- Citação indireta. III- Coloquialidade. IV- Conotatividade. V- Denotatividade.
Estão CORRETOS os itens
I- liberdade. II- juventude. III- ociosidade. IV- contentamento. V- discernimento.
Estão CORRETOS apenas os itens
Texto 01
Tristeza
Você, que diz que, se pudesse, trocaria seu nome por “Melancolia”, você me pergunta sobre as razões da tristeza. Me pergunta mais: sobre as razões por que há pessoas que se emocionam com coisas pequenas – as outras nem ligam e até se riem da sua sensibilidade –, o que lhe dá uma tristeza ainda maior, a tristeza da solidão.
Olhe, há tristezas de dois tipos. Primeiro, são as tristezas diurnas, quando o mundo está iluminado pelo sol. Tristezas para as quais há razões. Fico triste porque o meu cãozinho morreu, porque o meu filho está doente, porque as crianças esfarrapadas e magras me pedem uma moedinha no semáforo, porque o amor se desfez. Para essas tristezas há razões. Quem não sente essas tristezas está doente e precisaria de terapia para aprender a ficar triste. Tristeza é parte da vida. Ela é a reação natural da alma diante da perda de algo que se ama. O mundo está luminoso e claro – mas há algo, uma perda, que faz tudo ficar triste.
Segundo, são as tristezas de crepúsculo. O crepúsculo é triste, naturalmente. Não, não há perda nenhuma. Tudo está certo. Não há razões para ficar triste. A despeito disso, no crepúsculo, a gente fica. Talvez porque o crepúsculo seja uma metáfora do que é a vida: a beleza efêmera das cores que vão mergulhando no escuro da noite.
A alma é um cenário. Por vezes, ela é como uma manhã brilhante e fresca, inundada de alegria. Por vezes ela é como um pôr de sol, triste e nostálgico. A vida é assim. Mas, se é manhã brilhante o tempo todo, alguma coisa está errada. Tristeza é preciso. A tristeza torna as pessoas mais ternas. Se é crepúsculo o tempo todo, alguma coisa não está bem. Alegria é preciso. Alegria é a chama que dá vontade de viver. [...]
Fonte: ALVES, Rubem. Se eu pudesse viver minha vida novamente... Campinas, SP: Verus Editora, 2004. p. 93.
Analise as afirmativas a seguir, tendo em vista a estrutura linguística de composição dessa passagem.
I- O pronome “me” foi usado informalmente em posição proclítica, uma vez que, de acordo com a norma, deveria ser usado em posição enclítica.
II- A expressão “por que” poderia ser substituída, com igual correção, pela expressão “pelas quais”.
III- O pronome “se”, em “há pessoas que se emocionam”, foi usado, de acordo com a norma, em posição proclítica, pois a palavra “que” é atrativa.
IV- O pronome “se”, em “e até se riem”, poderia ser dispensado sem alterar o sentido do trecho.
V- O uso do pronome “lhe”, em “que lhe dá uma tristeza ainda maior”, segue a mesma regra de colocação do pronome “se” em “há pessoas que se emocionam”.
Estão CORRETAS as afirmativas