Questões de Concurso Comentadas sobre português

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Q3231574 Português

Uma palavrinha



Uma senhora chegou perto de mim enquanto eu almoçava com a minha esposa no restaurante O Italiano. Pensei que quisesse uma selfie. Nada a ver, não era tietagem. Você se sente ainda mais anônimo quando deduz equivocadamente que alguém o reconheceu. A confusão levou-me a um profundo constrangimento.


Ela pediu uma palavrinha comigo.


Beatriz estranhou: que ser era aquele que aparecia de paraquedas, de repente, e solicitava uma conversa a sós com o marido?


A senhora unicamente me perguntou:


— Separar-se é complicado, não é?


E saiu. Foi embora. Largou a pergunta, a encomenda, a bomba reflexiva, e seguiu o seu rumo como um fantasma, entre mesas e mesas lotadas naquele domingo ensolarado. Sequer aguardou a minha resposta. Acabou sendo um consultório sentimental incidental.


Separar-se não é virar as costas, mas enfrentar de olhos arregalados uma mudança. Por isso é tão difícil. É mudar de casa, mudar de cenário, mudar de vida.


É ter que lidar com a frustração dos parentes que haviam se apegado à companhia de tanto tempo. É perder igualmente a família do par − o sogro, a sogra, os cunhados, os enteados.


É aguentar a saudade do que foi bom, o arrependimento do que foi ruim e, além disso, a tristeza do futuro irrealizado − os objetivos do casal que nunca serão alcançados, confinados nos rascunhos hipotéticos dos sonhos.

Separar-se, portanto, exige uma coragem monstruosa. É quando vocês não têm mais opção, não suportam mais se anular por alguém, não consegue mais ceder nada, restando apenas salvar a si mesmo.


Jamais diga a qualquer pessoa que se separar é fácil. É um desserviço. Pode ser necessário, a única saída, mas é duro. Pode ser imprescindível, mas é desolador.


Não é uma chave que você vira na porta, é uma chave que você devolve.


Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado.


https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/2024/6/7/uma-pa lavrinha 

Analise as frases a seguir:



Jamais diga a qualquer pessoa que se separar é fácil.


A confusão levou-me a um profundo constrangimento.


As formas verbais "diga" e "levou", quanto à regência verbal, são, respectivamente: 

Alternativas
Q3230745 Português
Em “Quero ver como suporta me ver tão feliz”, o verbo suportar guarda o mesmo sentido de
Alternativas
Q3230744 Português
Em “Quis morrer de ciúme ...” a expressão destacada desempenha a função sintática de:
Alternativas
Q3230743 Português

Nos versos da música de Chico Buarque, os verbos destacados, podem ser classificados como:



 Quando você me deixou, meu bem


Me disse pra ser feliz e passar bem


Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci


Mas depois, como era de costume, obedeci


[...]


Quando talvez precisar de mim


'Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim


Olhos nos olhos, quero ver o que você diz


Quero ver como suporta me ver tão feliz

Alternativas
Q3230742 Português
Qual das orações destacadas nos períodos a seguir pode ser classificada como oração subordinada adjetiva restritiva.
Alternativas
Q3230741 Português
Assinale a alternativa em que o verbo apresenta um estado transitório do sujeito.
Alternativas
Q3230740 Português
Assinale a alternativa que contenha um exemplo de antítese.
Alternativas
Q3230739 Português

Leia o texto e responda:


A prevalência da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER) vem aumentando nos últimos anos. É uma doença de alta morbimortalidade, com grande interferência na qualidade de vida e que necessita de diversos recursos da assistência à saúde. Nos últimos anos houve grande avanço em seu tratamento e, recentemente, foi publicada a atualização da diretriz do American College of Cardiology (ACC) com foco nas novas evidências. A diretriz aborda os pacientes ambulatoriais, ou seja, compensados, com ICFER.


Disponível em: https://portal.afya.com.br/cardiologia/acc-nova-diretriz-para-insuficiencia-cardiacacom-fracao-de-ejecao-reduzida. Acesso em: 8 set. 2024.

Qual a melhor classificação para o texto a seguir, de acordo com o nível de linguagem?
Alternativas
Q3230738 Português

Julgue as proposições quanto à concordância verbal e assinale a alternativa correta.


I. Durante o show, toda uma multidão de fãs ovacionou a banda ao cantar seus maiores sucessos.


II. Mais de cinco candidatos não compareceu para fazer a prova hoje.


III. Cada candidato, cada partido, cada eleitor deve manter a ética ao menos em dias de votação.

Alternativas
Q3230737 Português

Leia:


Em todo o planeta, de acordo com números da Organização Mundial da Saúde (OMS), as empresas perdem até um trilhão de dólares por ano em produtividade por questões de saúde mental dos trabalhadores. Problemas como ansiedade, burnout e depressão estão cada vez mais comuns e afetam diretamente o clima nas empresas. No novo episódio de “Do Micro ao Macro”, vamos discutir como as empresas podem criar um ambiente mais saudável para seus empregados e quais ações podem ser tomadas quando os primeiros sinais de desgaste aparecerem.



Disponível em: em https://www.cartacapital.com.br/do-micro-ao-macro/os-cuidados-com-a-saude

mental-dos-trabalhadores/. Acesso em: 7 set. 2024. 

Marque a única alternativa correta sobre este texto. 
Alternativas
Q3230736 Português
Assinale a alternativa que não apresenta erro de pontuação.
Alternativas
Q3230478 Português
Qual é um dos principais benefícios de abordar a variação linguística nas aulas de Língua Portuguesa? 
Alternativas
Q3230471 Português
Acerca dos gêneros do discurso, analise as assertivas abaixo:

I. As transformações nos estilos de linguagem estão diretamente relacionadas às alterações nos gêneros do discurso ao longo da história.
II. Os gêneros discursivos atuam como intermediários que conectam a evolução da sociedade com a evolução da linguagem.
III. Os gêneros do discurso são sempre uniformes e invariáveis, independentemente do contexto em que são utilizados.

Das assertivas, pode-se afirmar que: 
Alternativas
Q3230465 Português
Usamos a expressão tipologia textual para designar uma espécie de construção teórica definida pela natureza linguística de sua composição (aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas). Sabendo disso, qual dos exemplos a seguir pode ser considerado uma tipologia textual?  
Alternativas
Q3230464 Português
Em relação às práticas sociais de linguagem, analise as assertivas abaixo:

I. A variação linguística ocorre somente em conversas informais, sem impacto nos textos formais.
II. As práticas sociais de linguagem são influenciadas por fatores contextuais, históricos e sociais.
III. A linguagem permite não apenas a comunicação, mas também a produção de cultura e a construção de visões de mundo.

Das assertivas, pode-se afirmar que:
Alternativas
Q3230414 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


O futebol no meio da relação


No nosso primeiro encontro, Beatriz falou que não era Cruzeiro nem Atlético.

Eu brinquei:

— Então, é Coelho?

Ela riu, também não era adepta do simpático time do América.

Fiquei com aquela informação na cabeça: ela não gosta de futebol. Nem todos têm um time para chamar de seu.

Mas não comentei mais nada dali em diante. Paixão é greve de personalidade. O futebol desapareceu para mim no primeiro mês de namoro. Estava apaixonado. Só queria saber dela, de sair com ela.

Beatriz, por sua vez, achou que eu fosse um gentleman, um intelectual: poeta, pensador, autor de livros sobre relacionamentos e sobre a finitude da vida. Supôs que, nas horas vagas, eu privilegiaria livros, filmes, artes plásticas. Jamais cogitou a hipótese de que eu seria um fanático do esporte ou de um clube.

Quando visitamos Porto Alegre, minha cidade, já com seis meses de relacionamento, ela demonstrou seu interesse em conhecer a Fundação Iberê Camargo de tarde.

O amor já tinha chegado em mim. Amar é mostrar que você tem um mundo pretérito às afinidades momentâneas de casal.

Eu disse:

— Não posso!

Foi o meu "não" inicial no romance, o "não" fundador. Reuni as minhas forças para estrear a negativa.

Ela não compreendeu a rejeição:

— Não? Por quê? Tem compromisso? Não queria que entendesse que estava fazendo pouco caso, tratei logo de explicar:

— Hoje tem jogo do Inter no Beira-Rio, não posso perder, quer vir junto?

Logo estendi uma camiseta vermelha com o nome dela nas costas, que eu recém havia comprado.

Ela ficou pálida, talvez tenha raciocinado com um frio na barriga: "onde eu me meti?".

Esclareci que era colorado doente, cônsul do Inter, ia em todos os jogos.

Ela estava com a boca aberta, de queixo caído:

— Então, você é daqueles que não deixam de assistir um jogo, que desmarcam qualquer evento?

— Sim. E não esqueça que são vários campeonatos: Brasileirão, Sul-Americana ou Libertadores, Copa do Brasil, Gauchão...

— Assiste todos?

— E mais: seco os meus rivais. Ou melhor, lavo, seco e passo os meus adversários.

— Mas não sobrará tempo para nada.

— Pois é, eu precisava desabafar!

— Você não é fanático, você é louco!

Depois, descobri com sua melhor amiga que ela tinha um único pré-requisito para um partidão: que ele não gostasse de futebol.

A vida não é perfeita, Beatriz, mas nosso amor é, dentro do possível, de acordo com o calendário da CBF e Conmebol.

Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado.

https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar
Assinale a alternativa cuja oração em destaque foi corretamente classificada:
Alternativas
Q3230413 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


O futebol no meio da relação


No nosso primeiro encontro, Beatriz falou que não era Cruzeiro nem Atlético.

Eu brinquei:

— Então, é Coelho?

Ela riu, também não era adepta do simpático time do América.

Fiquei com aquela informação na cabeça: ela não gosta de futebol. Nem todos têm um time para chamar de seu.

Mas não comentei mais nada dali em diante. Paixão é greve de personalidade. O futebol desapareceu para mim no primeiro mês de namoro. Estava apaixonado. Só queria saber dela, de sair com ela.

Beatriz, por sua vez, achou que eu fosse um gentleman, um intelectual: poeta, pensador, autor de livros sobre relacionamentos e sobre a finitude da vida. Supôs que, nas horas vagas, eu privilegiaria livros, filmes, artes plásticas. Jamais cogitou a hipótese de que eu seria um fanático do esporte ou de um clube.

Quando visitamos Porto Alegre, minha cidade, já com seis meses de relacionamento, ela demonstrou seu interesse em conhecer a Fundação Iberê Camargo de tarde.

O amor já tinha chegado em mim. Amar é mostrar que você tem um mundo pretérito às afinidades momentâneas de casal.

Eu disse:

— Não posso!

Foi o meu "não" inicial no romance, o "não" fundador. Reuni as minhas forças para estrear a negativa.

Ela não compreendeu a rejeição:

— Não? Por quê? Tem compromisso? Não queria que entendesse que estava fazendo pouco caso, tratei logo de explicar:

— Hoje tem jogo do Inter no Beira-Rio, não posso perder, quer vir junto?

Logo estendi uma camiseta vermelha com o nome dela nas costas, que eu recém havia comprado.

Ela ficou pálida, talvez tenha raciocinado com um frio na barriga: "onde eu me meti?".

Esclareci que era colorado doente, cônsul do Inter, ia em todos os jogos.

Ela estava com a boca aberta, de queixo caído:

— Então, você é daqueles que não deixam de assistir um jogo, que desmarcam qualquer evento?

— Sim. E não esqueça que são vários campeonatos: Brasileirão, Sul-Americana ou Libertadores, Copa do Brasil, Gauchão...

— Assiste todos?

— E mais: seco os meus rivais. Ou melhor, lavo, seco e passo os meus adversários.

— Mas não sobrará tempo para nada.

— Pois é, eu precisava desabafar!

— Você não é fanático, você é louco!

Depois, descobri com sua melhor amiga que ela tinha um único pré-requisito para um partidão: que ele não gostasse de futebol.

A vida não é perfeita, Beatriz, mas nosso amor é, dentro do possível, de acordo com o calendário da CBF e Conmebol.

Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado.

https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar
O tipo textual predominante no texto "O futebol no meio da relação" de Fabrício Carpinejar é:
Alternativas
Q3230411 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


O futebol no meio da relação


No nosso primeiro encontro, Beatriz falou que não era Cruzeiro nem Atlético.

Eu brinquei:

— Então, é Coelho?

Ela riu, também não era adepta do simpático time do América.

Fiquei com aquela informação na cabeça: ela não gosta de futebol. Nem todos têm um time para chamar de seu.

Mas não comentei mais nada dali em diante. Paixão é greve de personalidade. O futebol desapareceu para mim no primeiro mês de namoro. Estava apaixonado. Só queria saber dela, de sair com ela.

Beatriz, por sua vez, achou que eu fosse um gentleman, um intelectual: poeta, pensador, autor de livros sobre relacionamentos e sobre a finitude da vida. Supôs que, nas horas vagas, eu privilegiaria livros, filmes, artes plásticas. Jamais cogitou a hipótese de que eu seria um fanático do esporte ou de um clube.

Quando visitamos Porto Alegre, minha cidade, já com seis meses de relacionamento, ela demonstrou seu interesse em conhecer a Fundação Iberê Camargo de tarde.

O amor já tinha chegado em mim. Amar é mostrar que você tem um mundo pretérito às afinidades momentâneas de casal.

Eu disse:

— Não posso!

Foi o meu "não" inicial no romance, o "não" fundador. Reuni as minhas forças para estrear a negativa.

Ela não compreendeu a rejeição:

— Não? Por quê? Tem compromisso? Não queria que entendesse que estava fazendo pouco caso, tratei logo de explicar:

— Hoje tem jogo do Inter no Beira-Rio, não posso perder, quer vir junto?

Logo estendi uma camiseta vermelha com o nome dela nas costas, que eu recém havia comprado.

Ela ficou pálida, talvez tenha raciocinado com um frio na barriga: "onde eu me meti?".

Esclareci que era colorado doente, cônsul do Inter, ia em todos os jogos.

Ela estava com a boca aberta, de queixo caído:

— Então, você é daqueles que não deixam de assistir um jogo, que desmarcam qualquer evento?

— Sim. E não esqueça que são vários campeonatos: Brasileirão, Sul-Americana ou Libertadores, Copa do Brasil, Gauchão...

— Assiste todos?

— E mais: seco os meus rivais. Ou melhor, lavo, seco e passo os meus adversários.

— Mas não sobrará tempo para nada.

— Pois é, eu precisava desabafar!

— Você não é fanático, você é louco!

Depois, descobri com sua melhor amiga que ela tinha um único pré-requisito para um partidão: que ele não gostasse de futebol.

A vida não é perfeita, Beatriz, mas nosso amor é, dentro do possível, de acordo com o calendário da CBF e Conmebol.

Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado.

https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar
A palavra "pré-requisito" em Depois, descobri com sua melhor amiga que ela tinha um único pré-requisito para um partidão: que ele não gostasse de futebol, foi escrita corretamente com hífen.

A única palavra que também deve ser escrita com hífen é:
Alternativas
Q3230409 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


O futebol no meio da relação


No nosso primeiro encontro, Beatriz falou que não era Cruzeiro nem Atlético.

Eu brinquei:

— Então, é Coelho?

Ela riu, também não era adepta do simpático time do América.

Fiquei com aquela informação na cabeça: ela não gosta de futebol. Nem todos têm um time para chamar de seu.

Mas não comentei mais nada dali em diante. Paixão é greve de personalidade. O futebol desapareceu para mim no primeiro mês de namoro. Estava apaixonado. Só queria saber dela, de sair com ela.

Beatriz, por sua vez, achou que eu fosse um gentleman, um intelectual: poeta, pensador, autor de livros sobre relacionamentos e sobre a finitude da vida. Supôs que, nas horas vagas, eu privilegiaria livros, filmes, artes plásticas. Jamais cogitou a hipótese de que eu seria um fanático do esporte ou de um clube.

Quando visitamos Porto Alegre, minha cidade, já com seis meses de relacionamento, ela demonstrou seu interesse em conhecer a Fundação Iberê Camargo de tarde.

O amor já tinha chegado em mim. Amar é mostrar que você tem um mundo pretérito às afinidades momentâneas de casal.

Eu disse:

— Não posso!

Foi o meu "não" inicial no romance, o "não" fundador. Reuni as minhas forças para estrear a negativa.

Ela não compreendeu a rejeição:

— Não? Por quê? Tem compromisso? Não queria que entendesse que estava fazendo pouco caso, tratei logo de explicar:

— Hoje tem jogo do Inter no Beira-Rio, não posso perder, quer vir junto?

Logo estendi uma camiseta vermelha com o nome dela nas costas, que eu recém havia comprado.

Ela ficou pálida, talvez tenha raciocinado com um frio na barriga: "onde eu me meti?".

Esclareci que era colorado doente, cônsul do Inter, ia em todos os jogos.

Ela estava com a boca aberta, de queixo caído:

— Então, você é daqueles que não deixam de assistir um jogo, que desmarcam qualquer evento?

— Sim. E não esqueça que são vários campeonatos: Brasileirão, Sul-Americana ou Libertadores, Copa do Brasil, Gauchão...

— Assiste todos?

— E mais: seco os meus rivais. Ou melhor, lavo, seco e passo os meus adversários.

— Mas não sobrará tempo para nada.

— Pois é, eu precisava desabafar!

— Você não é fanático, você é louco!

Depois, descobri com sua melhor amiga que ela tinha um único pré-requisito para um partidão: que ele não gostasse de futebol.

A vida não é perfeita, Beatriz, mas nosso amor é, dentro do possível, de acordo com o calendário da CBF e Conmebol.

Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado.

https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar
Na frase "Amar é mostrar que você tem um mundo pretérito às afinidades momentâneas de casal", o uso da crase é:
Alternativas
Q3230407 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


O futebol no meio da relação


No nosso primeiro encontro, Beatriz falou que não era Cruzeiro nem Atlético.

Eu brinquei:

— Então, é Coelho?

Ela riu, também não era adepta do simpático time do América.

Fiquei com aquela informação na cabeça: ela não gosta de futebol. Nem todos têm um time para chamar de seu.

Mas não comentei mais nada dali em diante. Paixão é greve de personalidade. O futebol desapareceu para mim no primeiro mês de namoro. Estava apaixonado. Só queria saber dela, de sair com ela.

Beatriz, por sua vez, achou que eu fosse um gentleman, um intelectual: poeta, pensador, autor de livros sobre relacionamentos e sobre a finitude da vida. Supôs que, nas horas vagas, eu privilegiaria livros, filmes, artes plásticas. Jamais cogitou a hipótese de que eu seria um fanático do esporte ou de um clube.

Quando visitamos Porto Alegre, minha cidade, já com seis meses de relacionamento, ela demonstrou seu interesse em conhecer a Fundação Iberê Camargo de tarde.

O amor já tinha chegado em mim. Amar é mostrar que você tem um mundo pretérito às afinidades momentâneas de casal.

Eu disse:

— Não posso!

Foi o meu "não" inicial no romance, o "não" fundador. Reuni as minhas forças para estrear a negativa.

Ela não compreendeu a rejeição:

— Não? Por quê? Tem compromisso? Não queria que entendesse que estava fazendo pouco caso, tratei logo de explicar:

— Hoje tem jogo do Inter no Beira-Rio, não posso perder, quer vir junto?

Logo estendi uma camiseta vermelha com o nome dela nas costas, que eu recém havia comprado.

Ela ficou pálida, talvez tenha raciocinado com um frio na barriga: "onde eu me meti?".

Esclareci que era colorado doente, cônsul do Inter, ia em todos os jogos.

Ela estava com a boca aberta, de queixo caído:

— Então, você é daqueles que não deixam de assistir um jogo, que desmarcam qualquer evento?

— Sim. E não esqueça que são vários campeonatos: Brasileirão, Sul-Americana ou Libertadores, Copa do Brasil, Gauchão...

— Assiste todos?

— E mais: seco os meus rivais. Ou melhor, lavo, seco e passo os meus adversários.

— Mas não sobrará tempo para nada.

— Pois é, eu precisava desabafar!

— Você não é fanático, você é louco!

Depois, descobri com sua melhor amiga que ela tinha um único pré-requisito para um partidão: que ele não gostasse de futebol.

A vida não é perfeita, Beatriz, mas nosso amor é, dentro do possível, de acordo com o calendário da CBF e Conmebol.

Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado.

https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar
Na frase "Nem todos têm um time para chamar de seu", a forma verbal "têm" foi acentuada pelo seguinte motivo:
Alternativas
Respostas
47401: D
47402: A
47403: C
47404: D
47405: C
47406: B
47407: A
47408: C
47409: B
47410: D
47411: A
47412: C
47413: E
47414: D
47415: C
47416: D
47417: D
47418: C
47419: D
47420: A