Questões de Concurso Comentadas sobre português
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(VERISSIMO, Erico. Incidente em Antares. Porto Alegre: Renascer, 2021. reeditado.)
Com base no texto, assinale a alternativa correta.
(Disponível em http://www.cidadedesaopaulo.com/ sp/br/a-cidade-de-sao-paulo)
Assinale a opção que contenha apenas adjetivos.
(VERISSIMO, Erico. Incidente em Antares. Porto Alegre: Renascer, 2021.)
O sinônimo que melhor se atribui ao vocábulo destacado é:
Os padres jesuítas José de Anchieta e Manoel da Nóbrega subiram a Serra do Mar, nos idos de 1553, a fim de buscar um local seguro para se instalar e catequizar os índios. Ao atingir o planalto de Piratininga, encontraram o ponto ideal. Tinha "ares frios e temperados como os de Espanha" e "uma terra mui sadia, fresca e de boas águas". Os religiosos construíram um colégio numa pequena colina, próxima aos rios Tamanduateí e Anhangabaú, onde celebraram uma missa. Era o dia 25 de janeiro de 1554, data que marca o aniversário de São Paulo. Quase cinco séculos depois, o povoado de Piratininga se transformou numa cidade de onze milhões de habitantes. Daqueles tempos, restam apenas as fundações da construção feita pelos padres e índios no Pateo do Collegio.
(Disponível em http://www.cidadedesaopaulo.com/ sp/br/a-cidade-de-sao-paulo)
De acordo com o texto base, assinale a alternativa correta.
(VERISSIMO, Erico. Incidente em Antares. Porto Alegre: Renascer, 2021.)
Assinale a opção que contenha apenas substantivos.
Esta circulação não é necessária após o nascimento do bebê.
Sintaticamente, é correto afirmar que, nesta frase:
De acordo com o texto base, assinale a alternativa correta.
Conjugando os verbos destacados no futuro do pretérito do indicativo e no pretérito imperfeito do subjuntivo, respectivamente, tem-se:
(Fonte: https://www.portugues.com.br/redacao/funcoeslinguagem.html.adaptado)
No texto base intitulado 'O que o umbigo tem a dizer sobre sua saúde' predomina a linguagem:
Disponível em: GOV.BR
A respeito da manchete, analise as afirmações a seguir:
I. Podemos afirmar que há um desvio de concordância na manchete.
II. Podemos afirmar que há um desvio de regência na manchete.
III. O fenômeno linguístico apresentado na manchete tem se tornado cada vez mais comum e pode ser nomeado como queísmo.
IV. O fenômeno linguístico apresentado na manchete tem se tornado cada vez mais comum e pode ser nomeado como dequeísmo.
É correto o que se afirma em:
I. As palavras “leite, réu, circuito e papel” apresentam ditongos orais decrescentes.
II. Em “mão, muito, tem e mãe”, temos ditongos nasais decrescentes.
III. Em “farmácia, quase, tênue e sério”, há ditongos orais crescentes.
IV. As palavras “quando e pinguim” apresentam ditongos nasais crescentes.
É correto o que se afirma em:
I. Após a corrida, ele aspirava profundamente o ar fresco da manhã.
II. Eles assistem em um bairro tranquilo há muitos anos.
III. As crianças em geral preferem doce do que salgado.
IV. É importante obedecer as regras de trânsito para garantir a segurança de todos.
V. Eles precisam visar ao contrato até o final desta semana.
VI. Ele sempre visou à excelência acadêmica desde o início dos seus estudos.
Está correta, de acordo com o sentido passado, a regência verbal em:
I. Diante de pronomes possessivos femininos, a crase é ______.
II. Em topônimos (nomes de lugares) se forem antecedidos de artigo a, a crase é ______.
III. Diante da palavra casa, quando tem a acepção de lar, morada e não vem acompanhada de algum termo restritivo ou modificador, a crase é ______
IV. Diante da palavra casa, quando significa edifício, prédio, estabelecimento comercial, dinastia, ou quando se refere a qualquer instituição ou sociedade, a crase é ______.
V. Antes de nomes próprios femininos, a crase é ______.
Assinale a alternativa que correta e respectivamente preenche as lacunas dos excertos:
( ) Na sentença “A Casa Branca anunciou uma nova política econômica para o próximo ano”, temos uma metonímia. ( ) Na frase “O Rei do Pop foi um dos artistas mais influentes da música mundial”, há um litote.
( ) Em “O mar, testemunha silenciosa de tantas histórias e segredos profundos”, existe uma apóstrofe.
( ) Na frase “Ele perdeu o emprego, ela perdeu a esperança naquele dia triste de chuva” é um exemplo de elipse.
( ) Na sentença “Rabugento e mal humorado ele é”, há um hipérbato.
( ) Em “Os planos para o final de semana, eu já tinha feito, mas acabaram sendo cancelados de última hora”, há um assíndeto.
( ) Na sentença “O ronco do trovão ressoava no horizonte”, há uma figura fônica chamada assonância.
( ) Na sentença “Ela cantava e dançava e ria e brincava, enchendo a casa de alegria e movimento” apresenta a figura de linguagem polissíndeto.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
I. As palavras paroxítonas terminadas em –r, –l, –n, –x e –ps são acentuadas.
II. São acentuadas todas as palavras paroxítonas terminadas em –um e –uns.
III. As palavras paroxítonas terminadas em –i seguido ou não de –s não são graficamente acentuadas.
IV. Oxítonas com sílaba tônica terminada em ditongo aberto pronunciadas como “–éu, –éi ou –ói”, seguido ou não de –s, não são acentuadas na escrita.
V. Oxítonas com sílaba tônica terminada em vogal tônica –a, –e e –o, seguidas ou não de –s, são acentuadas na escrita.
VI. Em palavras paroxítonas, os ditongos abertos –oi e –ei não são acentuados.
VII. Em palavras paroxítonas, as vogais –i e –u precedidas de ditongo são acentuadas graficamente.
É correto o que se afirma em:
Texto I:
Disponível em: https://sme.goiania.go.gov.br/conexaoescola/wp-content/uploads/2022/09/WhatsApp-Image2022-09-28-at-10.10.52-1024x1022.jpeg Texto II:
Disponível em: https://arquivos.infra-questoes.grancursosonline.com.br/imagem/prova/115717/questao/3014824- 20230926110956000000-0.png
Texto III:
Disponível em: https://media.brainly.com.br/image/rs:fill/w:1920/q:75/plain/https:/pl-static.zdn.net/files/d37/f2c36ce27da1f7223bb7be618b6623df.jpg Texto IV:
Disponível em: https://media.brainly.com.br/image/rs:fill/w:1920/q:75/plain/https:/pl-static.zdn.net/files/deb/0bceld516d05bb4b43a04aeb8dc2dac5.jpg A respeito dos textos apresentados, analise as afirmações a seguir:
I. As variações sociolinguísticas apresentadas nos textos I, II, III e IV são decorrentes de fatores linguísticos.
II. O texto I apresenta um tipo de variação chamada de diastrática.
III. O texto II apresenta um tipo de variação sociolinguística classificada como diamésica.
IV. O texto III exemplifica a chamada variação diacrônica.
V. O texto IV apresenta a variação diacrônica da linguagem.
É correto o que se afirma em:
I. Ele precisava usar óculos para enchergar melhor de perto.
II. Minha avó prepara um delicioso refogado com xuxu e cencura.
III. Ele deu um chilique quando percebeu que tinha perdido o celular.
IV. O artista decidiu pixar a parede com um mural colorido e vibrante.
V. Os dois rivais começaram a digladiar pelo controle da empresa durante a reunião.
VI. A falta de recursos financeiros foi um grande impecilho para o desenvolvimento do projeto.
VII. O excesso de bagagem era supérfulo para a viagem curta que ele planejava fazer.
Está correta a ortografia, considerando o sentido das sentenças, em:
Texto I:
Disponível em: https://mediabrainly.combr/image/rs:fill/w1080/q;75plain//pt-static.z-dn.net/files/d34/c4a3f58f761944840db26b5517c80e6d.jpg
Texto II:
Disponível em: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQRqPciyqYrcA6W6TZruld1HsnU7xURz2fJFg&s
Texto III:
Disponível em: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQD484isN8mj5zZXD1ve2oAPoJIX7-jb2Tgw&s
A respeito dos textos apresentados, analise as afirmações a seguir. Marque V, para verdadeiras, e F, para falsas:
( ) Podemos afirmar que os textos I, II e III estão interrelacionados porque compartilham da mesma dimensão temática.
( ) Os textos I, II e III podem ser considerados textos multissemióticos, pois associam diferentes modos de comunicação simultaneamente para construir significado.
( ) Os textos I, II e III apresentam o mesmo fenômeno textual, o diálogo com outros textos, o que é conhecido como intertextualidade.
( ) Os textos I e III pertencem ao mesmo gênero discursivo.
( ) Os textos I, II e III pertencem ao/circulam no mesmo domínio discursivo.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Calor humano
Não, não fazia vermelho. Era quase de noite e estava ainda claro. Se pelo menos fosse vermelho à vista como o era intrinsecamente. Mas era um calor de luz sem cor, e parada. Não, a mulher não conseguia transpirar. Estava seca e límpida. E lá fora só voavam pássaros de penas empalhadas. Mas era um calor visível, se ela fechava os olhos para não ver o calor, então vinha a alucinação lenta simbolizando-o: via elefantes grossos se aproximarem, elefantes doces e pesados, de casca seca, embora molhados no interior da carne por uma ternura quente insuportável; eles eram difíceis de se carregarem a si próprios, o que os tornava lentos e pesados.
Ainda era cedo para acender as lâmpadas, o que pelo menos precipitaria uma noite. A noite que não vinha, não vinha, não vinha, que era impossível. E o seu amor que agora era impossível – que era seco como a febre de quem não transpira, era amor sem ópio nem morfina. E “eu te amo” era uma farpa que não se podia tirar com uma pinça. Farpa incrustada na parte mais grossa da sola do pé.
Ah, e a falta de sede. Calor com sede seria suportável. Mas ah, a falta de sede. Não havia senão faltas e ausências. E nem ao menos a vontade. Só farpas sem pontas salientes por onde serem pinçadas e extirpadas. Só os dentes estavam úmidos. Dentro de uma boca voraz e ressequida, os dentes úmidos, mas duros – e sobretudo boca voraz de nada. E o nada era quente naquele fim de tarde eternizada. Seus olhos abertos e diamantes. Nos telhados os pardais secos. “Eu vos amo, pessoas”, era frase impossível. A humanidade lhe era como uma morte eterna que, no entanto, não tinha o alívio de enfim morrer. Nada, nada morria na tarde enxuta, nada apodrecia. E às seis horas da tarde fazia meio-dia. Fazia meiodia com um barulho atento de máquina de bomba de água, bomba que trabalhava há tanto tempo sem água e que virava ferro enferrujado. Há dois dias faltava água na cidade. Nada jamais fora tão acordado como seu corpo sem transpiração e seus olhos diamantes, e de vibração parada. E Deus? Não. Nem mesmo a angústia. O peito vazio, sem contração. Não havia grito.
Enquanto isso era verão. Verão largo como o pátio vazio nas férias da escola. Dor? Nenhuma. Nenhum sinal de lágrima e nenhum suor. Sal nenhum. Só uma doçura pesada: como a da casca lenta dos elefantes de couro ressequido. A esqualidez límpida e quente. Pensar no seu homem? Não, farpa na parte coração dos pés. Filhos? Quinze filhos dependurados, sem se balançarem à ausência de vento. Ah, se as mãos começassem a se umedecer. Nem que houvesse água, por ódio não tomaria banho. Por ódio não havia água. Nada escorria. A dificuldade é uma coisa parada. É uma joia– diamante. A cigarra de garganta seca não parava de rosnar. E Deus se liquefez enfim em chuva? Não. Nem quero. Por seco e calmo ódio, quero isso mesmo, este silêncio feito de calor que a cigarra rude torna sensível. Sensível? Não se sente nada. Senão esta dura falta de ópio que amenize. Quero que isto que é intolerável continue porque quero a eternidade. Quero esta espera contínua como o canto avermelhado da cigarra, pois tudo isso é a morte parada, é a eternidade, é o cio sem desejo, os cães sem ladrar. É nessa hora que o bem e o mal não existem. É o perdão súbito, nós que nos alimentávamos da punição. Agora é a indiferença de um perdão. Não há mais julgamento. Não é o perdão depois de um julgamento. É a ausência de juiz e de condenado. E a morte, que era para ser uma única boa vez, não: está sendo sem parar. E não chove, não chove. Não existe menstruação. Os ovários são duas pérolas secas. Vou vos dizer a verdade: por ódio enxuto, quero é isto mesmo, e que não chova.
E exatamente então ela ouve alguma coisa. É uma coisa também enxuta que a deixa ainda mais seca de atenção. É um rolar de trovão seco, sem nenhuma saliva, que rola mas onde? No céu absolutamente azul, nem uma nuvem de amor. Deve ser de muito longe o trovão. Mas ao mesmo tempo vem um cheiro adocicado de elefantes grandes, e de jasmim da casa ao lado. A Índia invadindo, com suas mulheres adocicadas. Um cheiro de cravos de cemitério. Irá tudo mudar tão de repente? Para quem não tinha nem noite nem chuva nem apodrecimento de madeira na água – para quem não tinha senão pérolas, vai vir a noite, vai vir madeira enfim apodrecendo, cravo vivo de chuva no cemitério, chuva que vem da Malásia? A urgência é ainda imóvel mas já tem um tremor dentro. Ela não percebe, a mulher, que o tremor é seu, como não percebera que aquilo que a queimava não era o fim da tarde encalorada e sim o seu calor humano. Ela só percebe que agora alguma coisa vai mudar, que choverá ou cairá a noite. Mas não suporta a espera de uma passagem, e antes da chuva cair, o diamante dos olhos se liquefaz em duas lágrimas. E enfim o céu se abranda.
LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. p.33- 34.
Qual das opções poderia substituir o segmento destacado no trecho abaixo sem alteração de seu valor adversativo?
“A humanidade lhe era como uma morte eterna que, no entanto, não tinha o alívio de enfim morrer.” 3º§
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Calor humano
Não, não fazia vermelho. Era quase de noite e estava ainda claro. Se pelo menos fosse vermelho à vista como o era intrinsecamente. Mas era um calor de luz sem cor, e parada. Não, a mulher não conseguia transpirar. Estava seca e límpida. E lá fora só voavam pássaros de penas empalhadas. Mas era um calor visível, se ela fechava os olhos para não ver o calor, então vinha a alucinação lenta simbolizando-o: via elefantes grossos se aproximarem, elefantes doces e pesados, de casca seca, embora molhados no interior da carne por uma ternura quente insuportável; eles eram difíceis de se carregarem a si próprios, o que os tornava lentos e pesados.
Ainda era cedo para acender as lâmpadas, o que pelo menos precipitaria uma noite. A noite que não vinha, não vinha, não vinha, que era impossível. E o seu amor que agora era impossível – que era seco como a febre de quem não transpira, era amor sem ópio nem morfina. E “eu te amo” era uma farpa que não se podia tirar com uma pinça. Farpa incrustada na parte mais grossa da sola do pé.
Ah, e a falta de sede. Calor com sede seria suportável. Mas ah, a falta de sede. Não havia senão faltas e ausências. E nem ao menos a vontade. Só farpas sem pontas salientes por onde serem pinçadas e extirpadas. Só os dentes estavam úmidos. Dentro de uma boca voraz e ressequida, os dentes úmidos, mas duros – e sobretudo boca voraz de nada. E o nada era quente naquele fim de tarde eternizada. Seus olhos abertos e diamantes. Nos telhados os pardais secos. “Eu vos amo, pessoas”, era frase impossível. A humanidade lhe era como uma morte eterna que, no entanto, não tinha o alívio de enfim morrer. Nada, nada morria na tarde enxuta, nada apodrecia. E às seis horas da tarde fazia meio-dia. Fazia meiodia com um barulho atento de máquina de bomba de água, bomba que trabalhava há tanto tempo sem água e que virava ferro enferrujado. Há dois dias faltava água na cidade. Nada jamais fora tão acordado como seu corpo sem transpiração e seus olhos diamantes, e de vibração parada. E Deus? Não. Nem mesmo a angústia. O peito vazio, sem contração. Não havia grito.
Enquanto isso era verão. Verão largo como o pátio vazio nas férias da escola. Dor? Nenhuma. Nenhum sinal de lágrima e nenhum suor. Sal nenhum. Só uma doçura pesada: como a da casca lenta dos elefantes de couro ressequido. A esqualidez límpida e quente. Pensar no seu homem? Não, farpa na parte coração dos pés. Filhos? Quinze filhos dependurados, sem se balançarem à ausência de vento. Ah, se as mãos começassem a se umedecer. Nem que houvesse água, por ódio não tomaria banho. Por ódio não havia água. Nada escorria. A dificuldade é uma coisa parada. É uma joia– diamante. A cigarra de garganta seca não parava de rosnar. E Deus se liquefez enfim em chuva? Não. Nem quero. Por seco e calmo ódio, quero isso mesmo, este silêncio feito de calor que a cigarra rude torna sensível. Sensível? Não se sente nada. Senão esta dura falta de ópio que amenize. Quero que isto que é intolerável continue porque quero a eternidade. Quero esta espera contínua como o canto avermelhado da cigarra, pois tudo isso é a morte parada, é a eternidade, é o cio sem desejo, os cães sem ladrar. É nessa hora que o bem e o mal não existem. É o perdão súbito, nós que nos alimentávamos da punição. Agora é a indiferença de um perdão. Não há mais julgamento. Não é o perdão depois de um julgamento. É a ausência de juiz e de condenado. E a morte, que era para ser uma única boa vez, não: está sendo sem parar. E não chove, não chove. Não existe menstruação. Os ovários são duas pérolas secas. Vou vos dizer a verdade: por ódio enxuto, quero é isto mesmo, e que não chova.
E exatamente então ela ouve alguma coisa. É uma coisa também enxuta que a deixa ainda mais seca de atenção. É um rolar de trovão seco, sem nenhuma saliva, que rola mas onde? No céu absolutamente azul, nem uma nuvem de amor. Deve ser de muito longe o trovão. Mas ao mesmo tempo vem um cheiro adocicado de elefantes grandes, e de jasmim da casa ao lado. A Índia invadindo, com suas mulheres adocicadas. Um cheiro de cravos de cemitério. Irá tudo mudar tão de repente? Para quem não tinha nem noite nem chuva nem apodrecimento de madeira na água – para quem não tinha senão pérolas, vai vir a noite, vai vir madeira enfim apodrecendo, cravo vivo de chuva no cemitério, chuva que vem da Malásia? A urgência é ainda imóvel mas já tem um tremor dentro. Ela não percebe, a mulher, que o tremor é seu, como não percebera que aquilo que a queimava não era o fim da tarde encalorada e sim o seu calor humano. Ela só percebe que agora alguma coisa vai mudar, que choverá ou cairá a noite. Mas não suporta a espera de uma passagem, e antes da chuva cair, o diamante dos olhos se liquefaz em duas lágrimas. E enfim o céu se abranda.
LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. p.33- 34.