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Questões de Concurso Comentadas sobre português

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Q3227155 Português
A MULHER DO VIZINHO
Fernando Sabino


        Contaram-me que na rua onde mora (ou morava) um conhecido e antipático general de nosso Exército morava (ou mora) também um sueco cujos filhos passavam o dia jogando futebol com bola de meia. Ora, às vezes acontecia cair a bola no carro do general e um dia o general acabou perdendo a paciência, pediu ao delegado do bairro para dar um jeito nos filhos do sueco.
        O delegado resolveu passar uma chamada no homem, e intimou-o a comparecer à delegacia.
        O sueco era tímido, meio descuidado no vestir e pelo aspecto não parecia ser um importante industrial, dono de grande fábrica de papel (ou coisa parecida), que realmente ele era. Obedecendo à ordem recebida, compareceu em companhia da mulher à delegacia e ouviu calado tudo o que o delegado tinha a dizer-lhe. O delegado tinha a dizer- lhe o seguinte:

O senhor pensa que só porque o deixaram morar neste país pode logo ir fazendo o que quer? Nunca ouviu falar numa coisa chamada AUTORIDADES CONSTITUÍDAS? Não sabe que tem de conhecer as leis do país? Não sabe que existe uma coisa chamada EXÉRCITO BRASILEIRO que o senhor tem de respeitar? Que negócio é este? Então é ir chegando assim sem mais nem menos e fazendo o que bem entende, como se isso aqui fosse casa da sogra? Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali no duro: dura lex! Seus filhos são uns moleques e outra vez que eu souber que andaram incomodando o general, vai tudo em cana. Morou? Sei como tratar gringos feito o senhor.

        Tudo isso com voz pausada, reclinado para trás, sob o olhar de aprovação do escrivão a um canto. O sueco pediu (com delicadeza) licença para se retirar. Foi então que a mulher do sueco interveio:

        — Era tudo que o senhor tinha a dizer a meu marido?
        O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevimento.
 
        — Pois então fique sabendo que eu também sei tratar tipos como o senhor. Meu marido não é gringo nem meus filhos são moleques. Se por acaso incomodaram o general ele que viesse falar comigo, pois o senhor também está nos incomodando. E fique sabendo que sou brasileira, sou prima de um major do Exército, sobrinha de um coronel, E FILHA DE UM GENERAL! Morou?
        Estarrecido, o delegado só teve forças para engolir em seco e balbuciar humildemente:

— Da ativa, minha senhora?

    E ante a confirmação, voltou-se para o escrivão, erguendo os braços desalentado:

— Da ativa, Motinha! Sai dessa…


Disponível em: https://armazemdetexto.blogspot.com/
Assinale a alternativa que indica a reação do sueco diante das acusações do delegado.
Alternativas
Q3227154 Português
A MULHER DO VIZINHO
Fernando Sabino


        Contaram-me que na rua onde mora (ou morava) um conhecido e antipático general de nosso Exército morava (ou mora) também um sueco cujos filhos passavam o dia jogando futebol com bola de meia. Ora, às vezes acontecia cair a bola no carro do general e um dia o general acabou perdendo a paciência, pediu ao delegado do bairro para dar um jeito nos filhos do sueco.
        O delegado resolveu passar uma chamada no homem, e intimou-o a comparecer à delegacia.
        O sueco era tímido, meio descuidado no vestir e pelo aspecto não parecia ser um importante industrial, dono de grande fábrica de papel (ou coisa parecida), que realmente ele era. Obedecendo à ordem recebida, compareceu em companhia da mulher à delegacia e ouviu calado tudo o que o delegado tinha a dizer-lhe. O delegado tinha a dizer- lhe o seguinte:

O senhor pensa que só porque o deixaram morar neste país pode logo ir fazendo o que quer? Nunca ouviu falar numa coisa chamada AUTORIDADES CONSTITUÍDAS? Não sabe que tem de conhecer as leis do país? Não sabe que existe uma coisa chamada EXÉRCITO BRASILEIRO que o senhor tem de respeitar? Que negócio é este? Então é ir chegando assim sem mais nem menos e fazendo o que bem entende, como se isso aqui fosse casa da sogra? Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali no duro: dura lex! Seus filhos são uns moleques e outra vez que eu souber que andaram incomodando o general, vai tudo em cana. Morou? Sei como tratar gringos feito o senhor.

        Tudo isso com voz pausada, reclinado para trás, sob o olhar de aprovação do escrivão a um canto. O sueco pediu (com delicadeza) licença para se retirar. Foi então que a mulher do sueco interveio:

        — Era tudo que o senhor tinha a dizer a meu marido?
        O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevimento.
 
        — Pois então fique sabendo que eu também sei tratar tipos como o senhor. Meu marido não é gringo nem meus filhos são moleques. Se por acaso incomodaram o general ele que viesse falar comigo, pois o senhor também está nos incomodando. E fique sabendo que sou brasileira, sou prima de um major do Exército, sobrinha de um coronel, E FILHA DE UM GENERAL! Morou?
        Estarrecido, o delegado só teve forças para engolir em seco e balbuciar humildemente:

— Da ativa, minha senhora?

    E ante a confirmação, voltou-se para o escrivão, erguendo os braços desalentado:

— Da ativa, Motinha! Sai dessa…


Disponível em: https://armazemdetexto.blogspot.com/
Assinale qual é o motivo principal que leva o general a procurar o delegado.
Alternativas
Q3226825 Português
       Mãe, acho que nunca escrevi uma carta para você. Procurei, sem sucesso, por alguma correspondência nossa na pasta onde guardo documentos passados. Tampouco fui capaz de encontrar mensagens tuas no meu celular. Não há, ao que parece, nenhum registro de comunicação entre nós.

         Tenho, no entanto, um vídeo teu, gravado pelo celular em uma viagem a Miami anos atrás, quando a tecnologia daquele tipo de registro ainda era algo novo. Filmei você andando pelos corredores de uma loja de departamentos, pedindo que eu traduzisse os rótulos dos produtos, completamente absorta na procura por um hidratante que tua amiga havia recomendado, sem saber que aquele permaneceria um dos poucos vestígios mais recentes da tua existência.

        Além disso, na minha caixa de entrada, encontrei uma única mensagem que recebi de você, enviada em setembro de 2011, pouco depois de eu ter deixado tua casa e me mudado para outra cidade, quando passei algumas semanas acometido por aquele tipo de melancolia trazida pelas grandes mudanças. No e-mail, você falava sobre solidão. Dizia que momentos como aquele podiam ser oportunos para nos conhecermos melhor, para descobrirmos o que desejamos, para aprender a lidar com as adversidades. Recomendava que eu fosse chorar no banheiro até que o nó na minha garganta fosse desatado e pedia que eu descansasse e confiasse que o dia seguinte, assim como todos os outros em frente, seria diferente.

      Releio essa mensagem diversas vezes como um mantra, em busca de algum estado contemplativo em que eu possa sentir tua presença. Examino o endereço do remetente, a data e a hora do envio, na esperança de que desse conjunto de dados possa emanar alguma centelha do teu espírito. Apego-me a esses parcos registros, as últimas relíquias que guardo de você.



(Gabriel Abreu. Triste não é ao certo a palavra.
São Paulo: Companhia das Letras, 2023. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o trecho do texto foi reescrito em conformidade com a norma-padrão de concordância e de emprego dos pronomes.
Alternativas
Q3226416 Português

Leia o texto para responder à questão.


Tudo que você postar pode ser usado contra você


    Não é novidade que tudo que publicamos nas redes sociais é usado na criação de perfis detalhados sobre nós para que as empresas nos vendam todo tipo de quinquilharia. Também não é novidade que nossas informações são usadas para “aprimorar” essas plataformas e que muitas delas não fazem o que deveriam para nos proteger contra desinformação e diferentes tipos de assédio.

    Mas a novidade é que agora essas companhias também usam nossas informações pessoais para treinar seus nascentes serviços de inteligência artificial, abrindo uma nova brecha na violação de privacidade, já que transitam nas ambiguidades de seus termos de serviço e posicionamentos públicos.

    No Senado americano, em janeiro de 2024, os CEOs das redes sociais mais acessadas por crianças e adolescentes foram interpelados a respeito de suas ações para proteger os jovens. O mais questionado foi Mark Zuckerberg, da Meta (dona do Facebook, Instagram e WhatsApp). Diante da pressão dos senadores, ele pediu desculpas aos presentes. Ali estavam pais e mães de crianças que morreram por problemas derivados de abusos nas redes sociais.

    Porém, menos de uma semana depois, o mesmo Zuckerberg disse, ao transmitir os resultados financeiros da Meta, que sua empresa está usando todas as publicações de seus usuários – inclusive de crianças – para treinar suas plataformas de IA. O mercado adorou: as ações da companhia dispararam 21%. E essa infinidade de dados pessoais é mesmo uma mina de ouro!

    Mas e se eu, que sou o proprietário das minhas ideias (por mais que sejam públicas), quiser que a Meta não as use para treinar sua IA, poderei continuar usando seus produtos?

    No momento mais dramático da audiência, Zuckerberg disse: “Sinto muito por tudo que passaram”. Mas também se defendeu afirmando que investiu mais de US$ 20 bilhões e que contratou “milhares de funcionários” para garantir a proteção dos clientes. Ponderou ainda que a empresa precisa equilibrar o cuidado e “as boas experiências entre amigos, entes queridos, celebridades e interesses”. Em outras palavras, a proteção não pode piorar o produto, o que seria ruim para os negócios.

    Segundo Marcelo Crespo, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), a principal violação nesse movimento da Meta é que ela usa dados pessoais de seus usuários, sem que estes saibam, com uma finalidade que não é aquela para a qual criaram contas e fazem publicações. “A grande questão é se essas regras são moralmente aceitas e transparentes ou se, de alguma forma, constituem abuso de direito”, explica Crespo.

    A novidade trazida por Zuckerberg é apenas um recente exemplo de que, se deixarmos as empresas se autorregularem, nós, seus usuários, continuaremos os grandes prejudicados.


(Paulo Silvestre. www.estadao.com.br/brasil/macaco-eletrico/ tudo-que-voce-postar-pode-ser-usado-contra-voce-e-a-favor-da-ia/ ?um_source=estadao:mail. Publicado em 12.02.2024. Adaptado)

Considere as frases.
•  O autor compara a infinidade de dados pessoais ___ uma mina de ouro.
•  Ao fazer alusão ___ discussão acerca de violação de privacidade, ele cita o treinamento de plataformas de IA.
•  Na audiência do Senado, estavam pais e mães que perderam filhos devido ___ ofensas e agressões virtuais.
•  Caso o usuário queira manter a propriedade de suas ideias, a empresa pode proceder ___ exclusão da conta desse cliente?
Quanto ao emprego do sinal indicativo de crase, as lacunas dessas frases devem ser preenchidas, respectivamente, por:
Alternativas
Q3226415 Português

Leia o texto para responder à questão.


Tudo que você postar pode ser usado contra você


    Não é novidade que tudo que publicamos nas redes sociais é usado na criação de perfis detalhados sobre nós para que as empresas nos vendam todo tipo de quinquilharia. Também não é novidade que nossas informações são usadas para “aprimorar” essas plataformas e que muitas delas não fazem o que deveriam para nos proteger contra desinformação e diferentes tipos de assédio.

    Mas a novidade é que agora essas companhias também usam nossas informações pessoais para treinar seus nascentes serviços de inteligência artificial, abrindo uma nova brecha na violação de privacidade, já que transitam nas ambiguidades de seus termos de serviço e posicionamentos públicos.

    No Senado americano, em janeiro de 2024, os CEOs das redes sociais mais acessadas por crianças e adolescentes foram interpelados a respeito de suas ações para proteger os jovens. O mais questionado foi Mark Zuckerberg, da Meta (dona do Facebook, Instagram e WhatsApp). Diante da pressão dos senadores, ele pediu desculpas aos presentes. Ali estavam pais e mães de crianças que morreram por problemas derivados de abusos nas redes sociais.

    Porém, menos de uma semana depois, o mesmo Zuckerberg disse, ao transmitir os resultados financeiros da Meta, que sua empresa está usando todas as publicações de seus usuários – inclusive de crianças – para treinar suas plataformas de IA. O mercado adorou: as ações da companhia dispararam 21%. E essa infinidade de dados pessoais é mesmo uma mina de ouro!

    Mas e se eu, que sou o proprietário das minhas ideias (por mais que sejam públicas), quiser que a Meta não as use para treinar sua IA, poderei continuar usando seus produtos?

    No momento mais dramático da audiência, Zuckerberg disse: “Sinto muito por tudo que passaram”. Mas também se defendeu afirmando que investiu mais de US$ 20 bilhões e que contratou “milhares de funcionários” para garantir a proteção dos clientes. Ponderou ainda que a empresa precisa equilibrar o cuidado e “as boas experiências entre amigos, entes queridos, celebridades e interesses”. Em outras palavras, a proteção não pode piorar o produto, o que seria ruim para os negócios.

    Segundo Marcelo Crespo, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), a principal violação nesse movimento da Meta é que ela usa dados pessoais de seus usuários, sem que estes saibam, com uma finalidade que não é aquela para a qual criaram contas e fazem publicações. “A grande questão é se essas regras são moralmente aceitas e transparentes ou se, de alguma forma, constituem abuso de direito”, explica Crespo.

    A novidade trazida por Zuckerberg é apenas um recente exemplo de que, se deixarmos as empresas se autorregularem, nós, seus usuários, continuaremos os grandes prejudicados.


(Paulo Silvestre. www.estadao.com.br/brasil/macaco-eletrico/ tudo-que-voce-postar-pode-ser-usado-contra-voce-e-a-favor-da-ia/ ?um_source=estadao:mail. Publicado em 12.02.2024. Adaptado)

Assinale a alternativa cuja frase segue a norma-padrão de regência verbal e nominal e está em conformidade com o sentido do texto.
Alternativas
Q3226413 Português

Leia o texto para responder à questão.


Tudo que você postar pode ser usado contra você


    Não é novidade que tudo que publicamos nas redes sociais é usado na criação de perfis detalhados sobre nós para que as empresas nos vendam todo tipo de quinquilharia. Também não é novidade que nossas informações são usadas para “aprimorar” essas plataformas e que muitas delas não fazem o que deveriam para nos proteger contra desinformação e diferentes tipos de assédio.

    Mas a novidade é que agora essas companhias também usam nossas informações pessoais para treinar seus nascentes serviços de inteligência artificial, abrindo uma nova brecha na violação de privacidade, já que transitam nas ambiguidades de seus termos de serviço e posicionamentos públicos.

    No Senado americano, em janeiro de 2024, os CEOs das redes sociais mais acessadas por crianças e adolescentes foram interpelados a respeito de suas ações para proteger os jovens. O mais questionado foi Mark Zuckerberg, da Meta (dona do Facebook, Instagram e WhatsApp). Diante da pressão dos senadores, ele pediu desculpas aos presentes. Ali estavam pais e mães de crianças que morreram por problemas derivados de abusos nas redes sociais.

    Porém, menos de uma semana depois, o mesmo Zuckerberg disse, ao transmitir os resultados financeiros da Meta, que sua empresa está usando todas as publicações de seus usuários – inclusive de crianças – para treinar suas plataformas de IA. O mercado adorou: as ações da companhia dispararam 21%. E essa infinidade de dados pessoais é mesmo uma mina de ouro!

    Mas e se eu, que sou o proprietário das minhas ideias (por mais que sejam públicas), quiser que a Meta não as use para treinar sua IA, poderei continuar usando seus produtos?

    No momento mais dramático da audiência, Zuckerberg disse: “Sinto muito por tudo que passaram”. Mas também se defendeu afirmando que investiu mais de US$ 20 bilhões e que contratou “milhares de funcionários” para garantir a proteção dos clientes. Ponderou ainda que a empresa precisa equilibrar o cuidado e “as boas experiências entre amigos, entes queridos, celebridades e interesses”. Em outras palavras, a proteção não pode piorar o produto, o que seria ruim para os negócios.

    Segundo Marcelo Crespo, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), a principal violação nesse movimento da Meta é que ela usa dados pessoais de seus usuários, sem que estes saibam, com uma finalidade que não é aquela para a qual criaram contas e fazem publicações. “A grande questão é se essas regras são moralmente aceitas e transparentes ou se, de alguma forma, constituem abuso de direito”, explica Crespo.

    A novidade trazida por Zuckerberg é apenas um recente exemplo de que, se deixarmos as empresas se autorregularem, nós, seus usuários, continuaremos os grandes prejudicados.


(Paulo Silvestre. www.estadao.com.br/brasil/macaco-eletrico/ tudo-que-voce-postar-pode-ser-usado-contra-voce-e-a-favor-da-ia/ ?um_source=estadao:mail. Publicado em 12.02.2024. Adaptado)

Assinale a alternativa em que a expressão que substitui os dois-pontos em – O mercado adorou: as ações da companhia dispararam 21%. (4º parágrafo) – estabelece a relação indicada entre parênteses e traz sentido pertinente ao texto.
Alternativas
Q3226412 Português

Leia o texto para responder à questão.


Tudo que você postar pode ser usado contra você


    Não é novidade que tudo que publicamos nas redes sociais é usado na criação de perfis detalhados sobre nós para que as empresas nos vendam todo tipo de quinquilharia. Também não é novidade que nossas informações são usadas para “aprimorar” essas plataformas e que muitas delas não fazem o que deveriam para nos proteger contra desinformação e diferentes tipos de assédio.

    Mas a novidade é que agora essas companhias também usam nossas informações pessoais para treinar seus nascentes serviços de inteligência artificial, abrindo uma nova brecha na violação de privacidade, já que transitam nas ambiguidades de seus termos de serviço e posicionamentos públicos.

    No Senado americano, em janeiro de 2024, os CEOs das redes sociais mais acessadas por crianças e adolescentes foram interpelados a respeito de suas ações para proteger os jovens. O mais questionado foi Mark Zuckerberg, da Meta (dona do Facebook, Instagram e WhatsApp). Diante da pressão dos senadores, ele pediu desculpas aos presentes. Ali estavam pais e mães de crianças que morreram por problemas derivados de abusos nas redes sociais.

    Porém, menos de uma semana depois, o mesmo Zuckerberg disse, ao transmitir os resultados financeiros da Meta, que sua empresa está usando todas as publicações de seus usuários – inclusive de crianças – para treinar suas plataformas de IA. O mercado adorou: as ações da companhia dispararam 21%. E essa infinidade de dados pessoais é mesmo uma mina de ouro!

    Mas e se eu, que sou o proprietário das minhas ideias (por mais que sejam públicas), quiser que a Meta não as use para treinar sua IA, poderei continuar usando seus produtos?

    No momento mais dramático da audiência, Zuckerberg disse: “Sinto muito por tudo que passaram”. Mas também se defendeu afirmando que investiu mais de US$ 20 bilhões e que contratou “milhares de funcionários” para garantir a proteção dos clientes. Ponderou ainda que a empresa precisa equilibrar o cuidado e “as boas experiências entre amigos, entes queridos, celebridades e interesses”. Em outras palavras, a proteção não pode piorar o produto, o que seria ruim para os negócios.

    Segundo Marcelo Crespo, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), a principal violação nesse movimento da Meta é que ela usa dados pessoais de seus usuários, sem que estes saibam, com uma finalidade que não é aquela para a qual criaram contas e fazem publicações. “A grande questão é se essas regras são moralmente aceitas e transparentes ou se, de alguma forma, constituem abuso de direito”, explica Crespo.

    A novidade trazida por Zuckerberg é apenas um recente exemplo de que, se deixarmos as empresas se autorregularem, nós, seus usuários, continuaremos os grandes prejudicados.


(Paulo Silvestre. www.estadao.com.br/brasil/macaco-eletrico/ tudo-que-voce-postar-pode-ser-usado-contra-voce-e-a-favor-da-ia/ ?um_source=estadao:mail. Publicado em 12.02.2024. Adaptado)

Considere a frase do 6º parágrafo.
Mas também se defendeu afirmando que investiu mais de US$ 20 bilhões e que contratou “milhares de funcionários” para garantir a proteção dos clientes.
Conclui-se corretamente que o autor, ao destacar a afirmação “milhares de funcionários”, feita pelo dono da Meta, pretende
Alternativas
Q3226377 Português
Como um material radioativo é usado para dissuadir
caçadores de rinocerontes na África do Sul


   A África do Sul abriga cerca de 80% da população mundial de rinocerontes brancos, estimada em cerca de 13000 espécies. No entanto, o país tornou-se um foco de caça furtiva, impulsionado pela procura na Ásia, onde os chifres são utilizados na medicina tradicional pelos seus supostos efeitos terapêuticos ou afrodisíacos.

   James Larkin, pesquisador da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, colocou “dois pequenos chips radioativos no chifre” de filhotes de rinocerontes brancos, que com um ano de idade pesam quase meia tonelada. O material radioativo “torna o chifre inútil e essencialmente tóxico para consumo humano”, explicou Nithaya Chetty, reitora de Ciências da mesma universidade. O pesquisador acrescentou que a dose de material radioativo é fraca o suficiente para não impactar a saúde do animal ou o meio ambiente.

    Além disso, a dose recebida de material radioativo por cada animal é “forte o suficiente para ativar detectores instalados em todo o mundo”, inicialmente “para prevenir o terrorismo nuclear”, explicou Larkin. Os agentes de fronteira muitas vezes carregam detectores de radiação portáteis, além dos milhares de detectores instalados em portos e aeroportos, segundo os cientistas. No mercado clandestino, o preço dos chifres por peso compete com o do ouro ou o da cocaína.


(Redação. O Estado de S.Paulo. 06.07.2024. Adaptado)
Assinale a alternativa em que trechos do texto foram reescritos em conformidade com a norma-padrão de emprego do acento indicativo de crase.
Alternativas
Q3226375 Português
   Mãe, acho que nunca escrevi uma carta para você. Procurei, sem sucesso, por alguma correspondência nossa na pasta onde guardo documentos passados. Tampouco fui capaz de encontrar mensagens tuas no meu celular. Não há, ao que parece, nenhum registro de comunicação entre nós.

   Tenho, no entanto, um vídeo teu, gravado pelo celular em uma viagem a Miami anos atrás, quando a tecnologia daquele tipo de registro ainda era algo novo. Filmei você andando pelos corredores de uma loja de departamentos, pedindo que eu traduzisse os rótulos dos produtos, completamente absorta na procura por um hidratante que tua amiga havia recomendado, sem saber que aquele permaneceria um dos poucos vestígios mais recentes da tua existência.

   Além disso, na minha caixa de entrada, encontrei uma única mensagem que recebi de você, enviada em setembro de 2011, pouco depois de eu ter deixado tua casa e me mudado para outra cidade, quando passei algumas semanas acometido por aquele tipo de melancolia trazida pelas grandes mudanças. No e-mail, você falava sobre solidão. Dizia que momentos como aquele podiam ser oportunos para nos conhecermos melhor, para descobrirmos o que desejamos, para aprender a lidar com as adversidades. Recomendava que eu fosse chorar no banheiro até que o nó na minha garganta fosse desatado e pedia que eu descansasse e confiasse que o dia seguinte, assim como todos os outros em frente, seria diferente.
 
   Releio essa mensagem diversas vezes como um mantra, em busca de algum estado contemplativo em que eu possa sentir tua presença. Examino o endereço do remetente, a data e a hora do envio, na esperança de que desse conjunto de dados possa emanar alguma centelha do teu espírito. Apego-me a esses parcos registros, as últimas relíquias que guardo de você.


(Gabriel Abreu. Triste não é ao certo a palavra. São Paulo: Companhia das Letras, 2023. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a vírgula foi empregada para introduzir uma expressão de modo. 
Alternativas
Q3226373 Português
   Mãe, acho que nunca escrevi uma carta para você. Procurei, sem sucesso, por alguma correspondência nossa na pasta onde guardo documentos passados. Tampouco fui capaz de encontrar mensagens tuas no meu celular. Não há, ao que parece, nenhum registro de comunicação entre nós.

   Tenho, no entanto, um vídeo teu, gravado pelo celular em uma viagem a Miami anos atrás, quando a tecnologia daquele tipo de registro ainda era algo novo. Filmei você andando pelos corredores de uma loja de departamentos, pedindo que eu traduzisse os rótulos dos produtos, completamente absorta na procura por um hidratante que tua amiga havia recomendado, sem saber que aquele permaneceria um dos poucos vestígios mais recentes da tua existência.

   Além disso, na minha caixa de entrada, encontrei uma única mensagem que recebi de você, enviada em setembro de 2011, pouco depois de eu ter deixado tua casa e me mudado para outra cidade, quando passei algumas semanas acometido por aquele tipo de melancolia trazida pelas grandes mudanças. No e-mail, você falava sobre solidão. Dizia que momentos como aquele podiam ser oportunos para nos conhecermos melhor, para descobrirmos o que desejamos, para aprender a lidar com as adversidades. Recomendava que eu fosse chorar no banheiro até que o nó na minha garganta fosse desatado e pedia que eu descansasse e confiasse que o dia seguinte, assim como todos os outros em frente, seria diferente.
 
   Releio essa mensagem diversas vezes como um mantra, em busca de algum estado contemplativo em que eu possa sentir tua presença. Examino o endereço do remetente, a data e a hora do envio, na esperança de que desse conjunto de dados possa emanar alguma centelha do teu espírito. Apego-me a esses parcos registros, as últimas relíquias que guardo de você.


(Gabriel Abreu. Triste não é ao certo a palavra. São Paulo: Companhia das Letras, 2023. Adaptado)
Considere os trechos a seguir.
•  Filmei você andando pelos corredores […], completamente absorta na procura por um hidratante… (2° parágrafo)
•  Apego-me a esses parcos registros… (4° parágrafo)

No contexto em que foram empregadas, as palavras em destaque podem ser substituídas, correta e respectivamente, por:
Alternativas
Q3226372 Português
   Mãe, acho que nunca escrevi uma carta para você. Procurei, sem sucesso, por alguma correspondência nossa na pasta onde guardo documentos passados. Tampouco fui capaz de encontrar mensagens tuas no meu celular. Não há, ao que parece, nenhum registro de comunicação entre nós.

   Tenho, no entanto, um vídeo teu, gravado pelo celular em uma viagem a Miami anos atrás, quando a tecnologia daquele tipo de registro ainda era algo novo. Filmei você andando pelos corredores de uma loja de departamentos, pedindo que eu traduzisse os rótulos dos produtos, completamente absorta na procura por um hidratante que tua amiga havia recomendado, sem saber que aquele permaneceria um dos poucos vestígios mais recentes da tua existência.

   Além disso, na minha caixa de entrada, encontrei uma única mensagem que recebi de você, enviada em setembro de 2011, pouco depois de eu ter deixado tua casa e me mudado para outra cidade, quando passei algumas semanas acometido por aquele tipo de melancolia trazida pelas grandes mudanças. No e-mail, você falava sobre solidão. Dizia que momentos como aquele podiam ser oportunos para nos conhecermos melhor, para descobrirmos o que desejamos, para aprender a lidar com as adversidades. Recomendava que eu fosse chorar no banheiro até que o nó na minha garganta fosse desatado e pedia que eu descansasse e confiasse que o dia seguinte, assim como todos os outros em frente, seria diferente.
 
   Releio essa mensagem diversas vezes como um mantra, em busca de algum estado contemplativo em que eu possa sentir tua presença. Examino o endereço do remetente, a data e a hora do envio, na esperança de que desse conjunto de dados possa emanar alguma centelha do teu espírito. Apego-me a esses parcos registros, as últimas relíquias que guardo de você.


(Gabriel Abreu. Triste não é ao certo a palavra. São Paulo: Companhia das Letras, 2023. Adaptado)
Na carta que escreve a sua mãe, o narrador
Alternativas
Q3225745 Português
Assinale a alternativa redigida em conformidade com a norma-padrão de concordância verbal.
Alternativas
Q3225744 Português
   Ninguém deveria ser obrigado a gostar de ler. Que cada um seja livre para preferir os trabalhos manuais, os esportes ou o pôquer à leitura e à escrita. Todavia, a apropriação da cultura escrita é desejável por pelo menos três motivos.

   O primeiro é que não estamos mais no tempo em que as exigências técnicas, requeridas por inúmeras tarefas, eram transmitidas pela imitação gestual, e não por uma explicitação verbal. Ser inábil com a escrita é hoje uma pesada desvantagem em uma grande quantidade de setores. E com a aceleração das mudanças pelas quais passamos, cada um, ao longo da vida, será sem dúvida chamado a exercer sucessivamente diversas profissões. A familiaridade com a escrita é um fator decisivo do devir social e, antes disso, do destino escolar, que condiciona em boa parte esse devir. Stéphane Beaud mostrou como a hostilidade diante da leitura, que muitos meninos manifestam, é prejudicial para o seu percurso escolar, e depois universitário. Ele observa que o bloqueio dos meninos em relação à leitura é uma questão fundamental, que condiciona não só o seu acesso aos estudos, mas também a sua relação com a política.

   Com efeito, é muito mais difícil ter voz ativa no espaço público quando se é inábil no uso da cultura escrita, e essa é a segunda razão pela qual ninguém deveria ser excluído dela. Ter familiaridade com a leitura, assim como com a escrita, não é suficiente e não garante nada, mas quem está distante dela corre todos os riscos de ficar fora do jogo. No momento em que a visibilidade midiática, os signos exteriores de riqueza, a cultura técnica ou o desempenho esportivo parecem prevalecer sobre os valores literários, o poder permanece, o que quer que digam, ligado à escrita. Se o atual presidente da república francesa se exibe muito mais em parques de diversões ou com cantores populares do que em livrarias, contrariamente a diversos de seus predecessores, é em uma biblioteca, ante os livros, que ele posa para a fotografia oficial. E, no cotidiano, ele se aconselha com homens de letras.

   O terceiro motivo é que o recurso à cultura escrita permite não apenas aceder ao campo do saber e da informação, mas ainda lançar mão das imensas reservas da literatura, sob todas as suas formas, cuja riqueza é indubitavelmente sem igual para que o ser humano possa se construir ou se reconstruir na adversidade. Certamente, não é o único meio e, em muitos casos, não é um recurso suficiente. Entretanto, somos seres de linguagem e seres de narrativas, e estas possuem um valor reparador.


(Michèle Petit. A arte de ler ou como resistir à adversidade, 2021. Adaptado)

Considere os seguintes trechos do 2º parágrafo.


•  ... com a aceleração das mudanças pelas quais passamos...

•  ... a hostilidade diante da leitura, que muitos meninos manifestam...


As expressões destacadas podem ser substituídas, correta e respectivamente, por: 

Alternativas
Q3225740 Português
   Ninguém deveria ser obrigado a gostar de ler. Que cada um seja livre para preferir os trabalhos manuais, os esportes ou o pôquer à leitura e à escrita. Todavia, a apropriação da cultura escrita é desejável por pelo menos três motivos.

   O primeiro é que não estamos mais no tempo em que as exigências técnicas, requeridas por inúmeras tarefas, eram transmitidas pela imitação gestual, e não por uma explicitação verbal. Ser inábil com a escrita é hoje uma pesada desvantagem em uma grande quantidade de setores. E com a aceleração das mudanças pelas quais passamos, cada um, ao longo da vida, será sem dúvida chamado a exercer sucessivamente diversas profissões. A familiaridade com a escrita é um fator decisivo do devir social e, antes disso, do destino escolar, que condiciona em boa parte esse devir. Stéphane Beaud mostrou como a hostilidade diante da leitura, que muitos meninos manifestam, é prejudicial para o seu percurso escolar, e depois universitário. Ele observa que o bloqueio dos meninos em relação à leitura é uma questão fundamental, que condiciona não só o seu acesso aos estudos, mas também a sua relação com a política.

   Com efeito, é muito mais difícil ter voz ativa no espaço público quando se é inábil no uso da cultura escrita, e essa é a segunda razão pela qual ninguém deveria ser excluído dela. Ter familiaridade com a leitura, assim como com a escrita, não é suficiente e não garante nada, mas quem está distante dela corre todos os riscos de ficar fora do jogo. No momento em que a visibilidade midiática, os signos exteriores de riqueza, a cultura técnica ou o desempenho esportivo parecem prevalecer sobre os valores literários, o poder permanece, o que quer que digam, ligado à escrita. Se o atual presidente da república francesa se exibe muito mais em parques de diversões ou com cantores populares do que em livrarias, contrariamente a diversos de seus predecessores, é em uma biblioteca, ante os livros, que ele posa para a fotografia oficial. E, no cotidiano, ele se aconselha com homens de letras.

   O terceiro motivo é que o recurso à cultura escrita permite não apenas aceder ao campo do saber e da informação, mas ainda lançar mão das imensas reservas da literatura, sob todas as suas formas, cuja riqueza é indubitavelmente sem igual para que o ser humano possa se construir ou se reconstruir na adversidade. Certamente, não é o único meio e, em muitos casos, não é um recurso suficiente. Entretanto, somos seres de linguagem e seres de narrativas, e estas possuem um valor reparador.


(Michèle Petit. A arte de ler ou como resistir à adversidade, 2021. Adaptado)
O exemplo do presidente francês foi empregado pela autora com a finalidade de fortalecer a ideia relativa
Alternativas
Q3225739 Português
   Ninguém deveria ser obrigado a gostar de ler. Que cada um seja livre para preferir os trabalhos manuais, os esportes ou o pôquer à leitura e à escrita. Todavia, a apropriação da cultura escrita é desejável por pelo menos três motivos.

   O primeiro é que não estamos mais no tempo em que as exigências técnicas, requeridas por inúmeras tarefas, eram transmitidas pela imitação gestual, e não por uma explicitação verbal. Ser inábil com a escrita é hoje uma pesada desvantagem em uma grande quantidade de setores. E com a aceleração das mudanças pelas quais passamos, cada um, ao longo da vida, será sem dúvida chamado a exercer sucessivamente diversas profissões. A familiaridade com a escrita é um fator decisivo do devir social e, antes disso, do destino escolar, que condiciona em boa parte esse devir. Stéphane Beaud mostrou como a hostilidade diante da leitura, que muitos meninos manifestam, é prejudicial para o seu percurso escolar, e depois universitário. Ele observa que o bloqueio dos meninos em relação à leitura é uma questão fundamental, que condiciona não só o seu acesso aos estudos, mas também a sua relação com a política.

   Com efeito, é muito mais difícil ter voz ativa no espaço público quando se é inábil no uso da cultura escrita, e essa é a segunda razão pela qual ninguém deveria ser excluído dela. Ter familiaridade com a leitura, assim como com a escrita, não é suficiente e não garante nada, mas quem está distante dela corre todos os riscos de ficar fora do jogo. No momento em que a visibilidade midiática, os signos exteriores de riqueza, a cultura técnica ou o desempenho esportivo parecem prevalecer sobre os valores literários, o poder permanece, o que quer que digam, ligado à escrita. Se o atual presidente da república francesa se exibe muito mais em parques de diversões ou com cantores populares do que em livrarias, contrariamente a diversos de seus predecessores, é em uma biblioteca, ante os livros, que ele posa para a fotografia oficial. E, no cotidiano, ele se aconselha com homens de letras.

   O terceiro motivo é que o recurso à cultura escrita permite não apenas aceder ao campo do saber e da informação, mas ainda lançar mão das imensas reservas da literatura, sob todas as suas formas, cuja riqueza é indubitavelmente sem igual para que o ser humano possa se construir ou se reconstruir na adversidade. Certamente, não é o único meio e, em muitos casos, não é um recurso suficiente. Entretanto, somos seres de linguagem e seres de narrativas, e estas possuem um valor reparador.


(Michèle Petit. A arte de ler ou como resistir à adversidade, 2021. Adaptado)
Quanto à discussão em relação ao domínio da leitura e da escrita, o texto deixa claro que
Alternativas
Q3225737 Português
   Cangalha, Minas Gerais. Aqui estou há um mês. Em paz. Fugi da barafunda que se chama São Paulo. Cidade que foi meu sonho, onde fiz carreira. Cidade enrascada, encrenca, desordem, banzé. Total alvoroço provocado pelas construtoras que armaram um cerco ao redor de meu apartamento em Pinheiros. Só do meu? Apontem um só canto, recanto, esquina, vão, desvão, beco, região em que não haja tal rebuliço.

   Estamos vivendo a época do vale-tudo. Caminhões de concreto, de material de construção, cimento, areia, ferro, a todo momento, betoneiras, caçambas sendo atiradas ao chão na madrugada, o asfalto sendo corroído, buracos por toda parte, águas de mananciais subterrâneos liberadas e correndo ao longo do meio-fio. Lixo.

   O espantoso é que, com toda a tecnologia de construção que a gente vê pelo mundo inteiro, ainda existam bate-estacas dinossáuricos a nos alucinar o dia inteiro. Nunca se falou tanto em teletrabalho. Mas como manter teletrabalho com a insensatez das construções que, a cada momento, surgem repentinamente ao nosso redor?

   Como se vivêssemos em um conto de fadas e uma varinha mágica batesse no solo e dissesse: erga-se, arranha-céu. E ele subisse, geração espontânea, e não há nada para se fazer. Eu estou nesta cidade, que amo – mas já não sei mais o motivo –, desde 1957. Plano Diretor arrasado, mudado constantemente, ao interesse de quem?

   Cidade suja, sem um governo que saiba o que fazer. Ou sabe, nós é que não sabemos por que não fazem. Um mundo de amigos meus deixou a cidade. Outros planejam fazê-lo. Há uma camada de elite que tem dinheiro e vai para Miami. Outros foram devastar Portugal, comprar prédios, desalojar gente que neles vivia há décadas e não tem para onde ir.

   O que importa? São espertos, mas não humanos. Aqui em Cangalha, tento recuperar a paz, a calma, a segurança que não estou mais sentindo na cidade que vim para conquistar. E conquistei, fiz minha vida, e não é uma vida ruim. Mas estão destruindo sonhos e projetos de vida, não somente meus, mas de milhares. E estamos em silêncio. Isso me angustia. Mas não sei o que fazer, como fazer, se há o que fazer. Batemos no iceberg. E agora?


(Ignácio de Loyola Brandão. Disponível em: https://www.estadao.com.br/cultura/ignacio-deloyola-brandao/batemos-no-iceberg/ 27.08.2024. Adaptado) 
No trecho do 3º parágrafo – ... a insensatez das construções que, a cada momento, surgem... – , o vocábulo destacado pertence à mesma classe de palavras daquele destacado em: 
Alternativas
Q3225736 Português
   Cangalha, Minas Gerais. Aqui estou há um mês. Em paz. Fugi da barafunda que se chama São Paulo. Cidade que foi meu sonho, onde fiz carreira. Cidade enrascada, encrenca, desordem, banzé. Total alvoroço provocado pelas construtoras que armaram um cerco ao redor de meu apartamento em Pinheiros. Só do meu? Apontem um só canto, recanto, esquina, vão, desvão, beco, região em que não haja tal rebuliço.

   Estamos vivendo a época do vale-tudo. Caminhões de concreto, de material de construção, cimento, areia, ferro, a todo momento, betoneiras, caçambas sendo atiradas ao chão na madrugada, o asfalto sendo corroído, buracos por toda parte, águas de mananciais subterrâneos liberadas e correndo ao longo do meio-fio. Lixo.

   O espantoso é que, com toda a tecnologia de construção que a gente vê pelo mundo inteiro, ainda existam bate-estacas dinossáuricos a nos alucinar o dia inteiro. Nunca se falou tanto em teletrabalho. Mas como manter teletrabalho com a insensatez das construções que, a cada momento, surgem repentinamente ao nosso redor?

   Como se vivêssemos em um conto de fadas e uma varinha mágica batesse no solo e dissesse: erga-se, arranha-céu. E ele subisse, geração espontânea, e não há nada para se fazer. Eu estou nesta cidade, que amo – mas já não sei mais o motivo –, desde 1957. Plano Diretor arrasado, mudado constantemente, ao interesse de quem?

   Cidade suja, sem um governo que saiba o que fazer. Ou sabe, nós é que não sabemos por que não fazem. Um mundo de amigos meus deixou a cidade. Outros planejam fazê-lo. Há uma camada de elite que tem dinheiro e vai para Miami. Outros foram devastar Portugal, comprar prédios, desalojar gente que neles vivia há décadas e não tem para onde ir.

   O que importa? São espertos, mas não humanos. Aqui em Cangalha, tento recuperar a paz, a calma, a segurança que não estou mais sentindo na cidade que vim para conquistar. E conquistei, fiz minha vida, e não é uma vida ruim. Mas estão destruindo sonhos e projetos de vida, não somente meus, mas de milhares. E estamos em silêncio. Isso me angustia. Mas não sei o que fazer, como fazer, se há o que fazer. Batemos no iceberg. E agora?


(Ignácio de Loyola Brandão. Disponível em: https://www.estadao.com.br/cultura/ignacio-deloyola-brandao/batemos-no-iceberg/ 27.08.2024. Adaptado) 
Considere os seguintes trechos.

• ... caçambas sendo atiradas ao chão na madrugada, o asfalto sendo corroído, buracos por toda parte... (2º parágrafo)

• O espantoso é que, com toda a tecnologia de construção que a gente vê pelo mundo inteiro, ainda existam bate-estacas dinossáuricos... (3º parágrafo)

• Mas como manter teletrabalho com a insensatez das construções que, a cada momento, surgem repentinamente ao nosso redor? (3º parágrafo)

As expressões destacadas apresentam, correta e respectivamente, circunstâncias de:
Alternativas
Q3225735 Português
   Cangalha, Minas Gerais. Aqui estou há um mês. Em paz. Fugi da barafunda que se chama São Paulo. Cidade que foi meu sonho, onde fiz carreira. Cidade enrascada, encrenca, desordem, banzé. Total alvoroço provocado pelas construtoras que armaram um cerco ao redor de meu apartamento em Pinheiros. Só do meu? Apontem um só canto, recanto, esquina, vão, desvão, beco, região em que não haja tal rebuliço.

   Estamos vivendo a época do vale-tudo. Caminhões de concreto, de material de construção, cimento, areia, ferro, a todo momento, betoneiras, caçambas sendo atiradas ao chão na madrugada, o asfalto sendo corroído, buracos por toda parte, águas de mananciais subterrâneos liberadas e correndo ao longo do meio-fio. Lixo.

   O espantoso é que, com toda a tecnologia de construção que a gente vê pelo mundo inteiro, ainda existam bate-estacas dinossáuricos a nos alucinar o dia inteiro. Nunca se falou tanto em teletrabalho. Mas como manter teletrabalho com a insensatez das construções que, a cada momento, surgem repentinamente ao nosso redor?

   Como se vivêssemos em um conto de fadas e uma varinha mágica batesse no solo e dissesse: erga-se, arranha-céu. E ele subisse, geração espontânea, e não há nada para se fazer. Eu estou nesta cidade, que amo – mas já não sei mais o motivo –, desde 1957. Plano Diretor arrasado, mudado constantemente, ao interesse de quem?

   Cidade suja, sem um governo que saiba o que fazer. Ou sabe, nós é que não sabemos por que não fazem. Um mundo de amigos meus deixou a cidade. Outros planejam fazê-lo. Há uma camada de elite que tem dinheiro e vai para Miami. Outros foram devastar Portugal, comprar prédios, desalojar gente que neles vivia há décadas e não tem para onde ir.

   O que importa? São espertos, mas não humanos. Aqui em Cangalha, tento recuperar a paz, a calma, a segurança que não estou mais sentindo na cidade que vim para conquistar. E conquistei, fiz minha vida, e não é uma vida ruim. Mas estão destruindo sonhos e projetos de vida, não somente meus, mas de milhares. E estamos em silêncio. Isso me angustia. Mas não sei o que fazer, como fazer, se há o que fazer. Batemos no iceberg. E agora?


(Ignácio de Loyola Brandão. Disponível em: https://www.estadao.com.br/cultura/ignacio-deloyola-brandao/batemos-no-iceberg/ 27.08.2024. Adaptado) 
No trecho do 4º parágrafo – ... e uma varinha mágica batesse no solo e dissesse: erga-se, arranha-céu –, os dois-pontos e a vírgula foram empregados, respectivamente, para
Alternativas
Q3225734 Português
   Cangalha, Minas Gerais. Aqui estou há um mês. Em paz. Fugi da barafunda que se chama São Paulo. Cidade que foi meu sonho, onde fiz carreira. Cidade enrascada, encrenca, desordem, banzé. Total alvoroço provocado pelas construtoras que armaram um cerco ao redor de meu apartamento em Pinheiros. Só do meu? Apontem um só canto, recanto, esquina, vão, desvão, beco, região em que não haja tal rebuliço.

   Estamos vivendo a época do vale-tudo. Caminhões de concreto, de material de construção, cimento, areia, ferro, a todo momento, betoneiras, caçambas sendo atiradas ao chão na madrugada, o asfalto sendo corroído, buracos por toda parte, águas de mananciais subterrâneos liberadas e correndo ao longo do meio-fio. Lixo.

   O espantoso é que, com toda a tecnologia de construção que a gente vê pelo mundo inteiro, ainda existam bate-estacas dinossáuricos a nos alucinar o dia inteiro. Nunca se falou tanto em teletrabalho. Mas como manter teletrabalho com a insensatez das construções que, a cada momento, surgem repentinamente ao nosso redor?

   Como se vivêssemos em um conto de fadas e uma varinha mágica batesse no solo e dissesse: erga-se, arranha-céu. E ele subisse, geração espontânea, e não há nada para se fazer. Eu estou nesta cidade, que amo – mas já não sei mais o motivo –, desde 1957. Plano Diretor arrasado, mudado constantemente, ao interesse de quem?

   Cidade suja, sem um governo que saiba o que fazer. Ou sabe, nós é que não sabemos por que não fazem. Um mundo de amigos meus deixou a cidade. Outros planejam fazê-lo. Há uma camada de elite que tem dinheiro e vai para Miami. Outros foram devastar Portugal, comprar prédios, desalojar gente que neles vivia há décadas e não tem para onde ir.

   O que importa? São espertos, mas não humanos. Aqui em Cangalha, tento recuperar a paz, a calma, a segurança que não estou mais sentindo na cidade que vim para conquistar. E conquistei, fiz minha vida, e não é uma vida ruim. Mas estão destruindo sonhos e projetos de vida, não somente meus, mas de milhares. E estamos em silêncio. Isso me angustia. Mas não sei o que fazer, como fazer, se há o que fazer. Batemos no iceberg. E agora?


(Ignácio de Loyola Brandão. Disponível em: https://www.estadao.com.br/cultura/ignacio-deloyola-brandao/batemos-no-iceberg/ 27.08.2024. Adaptado) 
Assinale a alternativa em que se observa emprego de vocábulo em sentido figurado.
Alternativas
Q3225733 Português
   Cangalha, Minas Gerais. Aqui estou há um mês. Em paz. Fugi da barafunda que se chama São Paulo. Cidade que foi meu sonho, onde fiz carreira. Cidade enrascada, encrenca, desordem, banzé. Total alvoroço provocado pelas construtoras que armaram um cerco ao redor de meu apartamento em Pinheiros. Só do meu? Apontem um só canto, recanto, esquina, vão, desvão, beco, região em que não haja tal rebuliço.

   Estamos vivendo a época do vale-tudo. Caminhões de concreto, de material de construção, cimento, areia, ferro, a todo momento, betoneiras, caçambas sendo atiradas ao chão na madrugada, o asfalto sendo corroído, buracos por toda parte, águas de mananciais subterrâneos liberadas e correndo ao longo do meio-fio. Lixo.

   O espantoso é que, com toda a tecnologia de construção que a gente vê pelo mundo inteiro, ainda existam bate-estacas dinossáuricos a nos alucinar o dia inteiro. Nunca se falou tanto em teletrabalho. Mas como manter teletrabalho com a insensatez das construções que, a cada momento, surgem repentinamente ao nosso redor?

   Como se vivêssemos em um conto de fadas e uma varinha mágica batesse no solo e dissesse: erga-se, arranha-céu. E ele subisse, geração espontânea, e não há nada para se fazer. Eu estou nesta cidade, que amo – mas já não sei mais o motivo –, desde 1957. Plano Diretor arrasado, mudado constantemente, ao interesse de quem?

   Cidade suja, sem um governo que saiba o que fazer. Ou sabe, nós é que não sabemos por que não fazem. Um mundo de amigos meus deixou a cidade. Outros planejam fazê-lo. Há uma camada de elite que tem dinheiro e vai para Miami. Outros foram devastar Portugal, comprar prédios, desalojar gente que neles vivia há décadas e não tem para onde ir.

   O que importa? São espertos, mas não humanos. Aqui em Cangalha, tento recuperar a paz, a calma, a segurança que não estou mais sentindo na cidade que vim para conquistar. E conquistei, fiz minha vida, e não é uma vida ruim. Mas estão destruindo sonhos e projetos de vida, não somente meus, mas de milhares. E estamos em silêncio. Isso me angustia. Mas não sei o que fazer, como fazer, se há o que fazer. Batemos no iceberg. E agora?


(Ignácio de Loyola Brandão. Disponível em: https://www.estadao.com.br/cultura/ignacio-deloyola-brandao/batemos-no-iceberg/ 27.08.2024. Adaptado) 
O autor se dirige diretamente ao leitor no trecho transcrito em:
Alternativas
Respostas
44301: B
44302: C
44303: A
44304: C
44305: A
44306: D
44307: C
44308: E
44309: C
44310: B
44311: B
44312: E
44313: C
44314: D
44315: C
44316: A
44317: A
44318: C
44319: D
44320: B