Questões de Concurso Comentadas sobre português
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Considere o trecho a seguir.
Ser feminista começa pela necessidade de fazer com que sejam ouvidas algumas vozes tornadas inaudíveis, a fim de pensar uma ética da igualdade de vozes em oposição __________ dominação masculina ligada __________ uma norma moral que serve __________ essa dominação e que lhe traz benefícios.
(Fabienne Brugère. A ética do cuidado, 2023. Adaptado)
De acordo com a norma-padrão de emprego do acento indicativo de crase, as lacunas devem ser preenchidas, respectivamente, por:
Considere as frases a seguir.
• Há pessoas que não dirigem sem o auxílio da inteligência artificial.
• Deve haver pessoas que não utilizam redes sociais.
• Existiam no passado bem menos recursos de inteligência artificial.
De acordo com a norma-padrão de concordância verbal, os vocábulos e a expressão destacados podem ser substituídos, respectivamente, por:
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Agora, os pequenos sinais estão em toda parte. Artifícios inteligentes tomam decisões no lugar das pessoas de carne e osso. No trânsito, quem resolve se você vai virar à esquerda ou à direita é um algoritmo, que lhe dá ordens pela tela eletrônica. Por um sistema parecido, o taxista fica sabendo qual será o passageiro e em que endereço deve apanhá-lo. Ninguém escapa. Às vezes mais, às vezes menos, todo mundo segue a batuta de programas informatizados que dirigem a rotina das populações conectadas. O batimento cardíaco dos anônimos, o tráfego aéreo, as ebulições das bolsas de valores, a sensação de que gostam ou não gostam da gente: tudo passa pelos dígitos. O que antes gostávamos de chamar de “livre-arbítrio” se reduziu, enfim, ao arbítrio das máquinas.
Sinais, muitos sinais. O eleitorado se apoia em filminhos da internet para escolher em quem votar. Muita mentira passa por aí, já sabemos. No Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anuncia que sua maior preocupação é conter a disseminação daquelas cenas perfeitas, irretocavelmente verossímeis, em que um candidato, na frente das câmeras, diz, com todas as sílabas escandidas, uma frase que jamais pronunciou – tudo obra da cibernética. Esse tipo de truque maligno grassou nas eleições da vizinha Argentina, e já se anteveem complicações do lado de cá da fronteira.
Na imprensa de todos os continentes, as redações decretam normas de conduta para regular o uso de ferramentas de inteligência artificial por seus profissionais. As chances de sucesso são exíguas. A inteligência artificial soterra a atividade jornalística sem deixar a ninguém um tempinho que seja para respirar. Cada vez mais ela nos regula, sem ser regulada por nós.
Agora, esses pequenos sinais que estão em toda parte nos mostram que foi posto um limite virtual – apenas virtual, por enquanto – para a aventura humana sobre a Terra. A cada dia, o humano perde relevância. O humano, depreciadamente humano, deixa de ser protagonista do seu próprio destino. Pobre humano. O único evento no qual ainda exerce um papel de relevo é o aquecimento global, na sua tragédia final, o antropoceno. Fora isso, sobrou-lhe um bico de coadjuvante.
(Eugênio Bucci. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao/
eugenio-bucci/alem-do-humano/. Acesso em 25.05.2024. Adaptado)