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Questões de Concurso Comentadas sobre português

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Foram encontradas 186.727 questões

Q3296411 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

'É marketing de enganação', diz professora da USP sobre 'vaporizador com vitaminas'

As redes sociais se agitaram com o anúncio de um cigarro eletrônico que alegadamente não tem nicotina e ainda faria bem para a saúde por conter vitaminas.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) disse que "não é possível a apresentação de vitaminas na forma de vaporizadores" e que "o produto não pode ser comercializado como suplemento alimentar".

A BBC News Brasil também ouviu especialistas para entender se o aparelho realmente causa benefícios para a saúde.

A venda dele e de qualquer outro vaporizador do tipo é proibida em território nacional. Mesmo assim, um levantamento publicado em 2022 mostrou que quase um em cada cinco brasileiros de 18 a 24 anos usaram algum tipo de cigarro eletrônico pelo menos uma vez na vida.

Nas redes sociais, o aparelho fabricado pela IZ Health é apresentado por uma modelo em um vídeo no qual ela se exercita enquanto usa o vaporizador.

Na propaganda, ela afirma ainda que inalar a fumaça do "pod" garante que ela tenha mais energia, algo como um suplemento alimentar.

"Com o IX Power, você garante a energia necessária para realizar as mais variadas tarefas, sem danos à saúde, e com sabor de hortelã cítrica, o que deixa ainda mais gostoso. Os 'pods' IZ são concentrados vitamínicos elaborados para o dia a dia", afirma a mulher no vídeo enquanto faz exercícios.

A BBC News Brasil encontrou diversos sites que vendem o produto. O mais barato custa R$ 55 e o mais caro, R$ 75.

Livre docente da Faculdade de Medicina da USP e diretora do Programa de Tratamento ao Tabagismo do Incor, Jaqueline Scholz diz que a divulgação desse vaporizador "é puro marketing de enganação".

"O pulmão não é o trato digestivo para receber vitaminas. O pulmão foi feito para receber ar e, quanto mais puro, melhor. As micro e nano partículas podem causar um processo inflamatório e, nos casos mais graves, pode até precisar intubar o paciente", diz.

Na propaganda do vaporizador de essências vendido como saudável, a modelo diz que a absorção de nutrientes é feita pela mucosa durante a inalação do vapor produzido a baixas temperaturas.

O pneumologista do hospital Sírio-Libanês André Nathan disse que desconhece qualquer estudo que indique a absorção de vitaminas pelo sistema respiratório humano.

"Ele não foi desenhado para isso e não conheço nenhum estudo sobre essa essa via de absorção de vitamina", afirma à reportagem.

Após a grande repercussão do vídeo, a empresa IZ Health desativou todas as contas que tinha nas redes sociais. A reportagem tentou entrar em contato para ouví-los sobre o caso, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

A BBC News Brasil não encontrou nenhum indício de que a empresa IZ Health funcione no Brasil, como um CNPJ, site oficial ou canal para contato. Também não há informação se ela tem sede em outro país ou se os produtos oferecidos foram fabricados sob demanda a pedido de outra empresa ou pessoa física.

Procurada, a Anvisa informou que "a resolução RDC 46/2009 proíbe os dispositivos eletrônicos para fumar". Segundo o órgão, o texto "se aplica para quaisquer acessórios e refis destinados ao uso em qualquer dispositivo eletrônico para fumar".

A Anvisa informou ainda que "se desconhece o perfil de toxicidade das substâncias empregadas nos dispositivos em questão considerando a utilização por meio de vaporização".

De acordo com a agência, "as formas farmacêuticas que podem ser utilizadas em suplementos alimentares são aquelas destinadas à administração e ingestão oral, ou seja, pela boca".

Apenas ar'

Jaqueline Scholz, que é médica e pesquisadora do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, afirma que não é recomendada a ingestão de medicamentos ou suplementos por meio da inalação. Ela diz à reportagem que as exceções são pacientes com problemas respiratórios, como os asmáticos.

"O sistema respiratório serve para você receber apenas ar. Exceto em situações bem restritas e até desesperadoras, quando você não consegue um acesso periférico, por exemplo", afirma a médica da USP à BBC News Brasil.

Scholz afirma que, mesmo que seja retirada do ar, a propaganda já fez "estragos enormes" por convencer pessoas de que o produto pode causar benefícios à saúde.

Ela diz que é justamente o oposto e que a inalação por meio dos vaporizadores de essências pode ser ainda mais prejudicial que o cigarro.

"Em primeiro lugar porque não é vapor, é aerossol. Vapor é água apenas de água. E o aerossol contém micropartículas que atravessam os alvéolos. Elas agridem nossas membranas, que são ultrafinas, e podem causar graves inflamações. O cigarro eletrônico tem baterias que geram uma quantidade de nanopartículas muito maior do que o cigarro convencional", diz a médica.

Para ela, os responsáveis pela empresa devem ser identificados e responsabilizados, assim como as redes sociais que permitiram a veiculação do conteúdo.

Ela também defende que a veiculação de produtos falsos deveria ser combatida da mesma maneira que a disseminação das fake news nas redes sociais.

"Quando você inala algo que contém uma partícula ultra pequena, ela ganha a corrente sanguínea e pode infeccionar o pulmão, desencadeando um quadro de asma aguda. Não recomendo inalar nada. Você pode inalar metal pesado, níquel e cobre. Materiais cancerígenos que podem ser absorvidos pelo organismo."

Ela resume que o discurso do vaporizador de essências rotulado como saudável é "mais um artifício da indústria do cigarro eletrônico, junto com as cores e aromas, usado para atrair os mais jovens".

(https://www.bbc.com/portuguese/topics/cz74k71p8ynt)
"O pneumologista do hospital Sírio-Libanês André Nathan disse que desconhece qualquer estudo que indique a absorção de vitaminas pelo sistema respiratório humano."
O vocábulo destacado é hifenizado pois pertence aos compostos formados por mais de uma etnia. Identifique a seguir em qual alternativa o vocábulo foi grafado INCORRETAMENTE:
Alternativas
Q3296410 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

'É marketing de enganação', diz professora da USP sobre 'vaporizador com vitaminas'

As redes sociais se agitaram com o anúncio de um cigarro eletrônico que alegadamente não tem nicotina e ainda faria bem para a saúde por conter vitaminas.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) disse que "não é possível a apresentação de vitaminas na forma de vaporizadores" e que "o produto não pode ser comercializado como suplemento alimentar".

A BBC News Brasil também ouviu especialistas para entender se o aparelho realmente causa benefícios para a saúde.

A venda dele e de qualquer outro vaporizador do tipo é proibida em território nacional. Mesmo assim, um levantamento publicado em 2022 mostrou que quase um em cada cinco brasileiros de 18 a 24 anos usaram algum tipo de cigarro eletrônico pelo menos uma vez na vida.

Nas redes sociais, o aparelho fabricado pela IZ Health é apresentado por uma modelo em um vídeo no qual ela se exercita enquanto usa o vaporizador.

Na propaganda, ela afirma ainda que inalar a fumaça do "pod" garante que ela tenha mais energia, algo como um suplemento alimentar.

"Com o IX Power, você garante a energia necessária para realizar as mais variadas tarefas, sem danos à saúde, e com sabor de hortelã cítrica, o que deixa ainda mais gostoso. Os 'pods' IZ são concentrados vitamínicos elaborados para o dia a dia", afirma a mulher no vídeo enquanto faz exercícios.

A BBC News Brasil encontrou diversos sites que vendem o produto. O mais barato custa R$ 55 e o mais caro, R$ 75.

Livre docente da Faculdade de Medicina da USP e diretora do Programa de Tratamento ao Tabagismo do Incor, Jaqueline Scholz diz que a divulgação desse vaporizador "é puro marketing de enganação".

"O pulmão não é o trato digestivo para receber vitaminas. O pulmão foi feito para receber ar e, quanto mais puro, melhor. As micro e nano partículas podem causar um processo inflamatório e, nos casos mais graves, pode até precisar intubar o paciente", diz.

Na propaganda do vaporizador de essências vendido como saudável, a modelo diz que a absorção de nutrientes é feita pela mucosa durante a inalação do vapor produzido a baixas temperaturas.

O pneumologista do hospital Sírio-Libanês André Nathan disse que desconhece qualquer estudo que indique a absorção de vitaminas pelo sistema respiratório humano.

"Ele não foi desenhado para isso e não conheço nenhum estudo sobre essa essa via de absorção de vitamina", afirma à reportagem.

Após a grande repercussão do vídeo, a empresa IZ Health desativou todas as contas que tinha nas redes sociais. A reportagem tentou entrar em contato para ouví-los sobre o caso, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

A BBC News Brasil não encontrou nenhum indício de que a empresa IZ Health funcione no Brasil, como um CNPJ, site oficial ou canal para contato. Também não há informação se ela tem sede em outro país ou se os produtos oferecidos foram fabricados sob demanda a pedido de outra empresa ou pessoa física.

Procurada, a Anvisa informou que "a resolução RDC 46/2009 proíbe os dispositivos eletrônicos para fumar". Segundo o órgão, o texto "se aplica para quaisquer acessórios e refis destinados ao uso em qualquer dispositivo eletrônico para fumar".

A Anvisa informou ainda que "se desconhece o perfil de toxicidade das substâncias empregadas nos dispositivos em questão considerando a utilização por meio de vaporização".

De acordo com a agência, "as formas farmacêuticas que podem ser utilizadas em suplementos alimentares são aquelas destinadas à administração e ingestão oral, ou seja, pela boca".

Apenas ar'

Jaqueline Scholz, que é médica e pesquisadora do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, afirma que não é recomendada a ingestão de medicamentos ou suplementos por meio da inalação. Ela diz à reportagem que as exceções são pacientes com problemas respiratórios, como os asmáticos.

"O sistema respiratório serve para você receber apenas ar. Exceto em situações bem restritas e até desesperadoras, quando você não consegue um acesso periférico, por exemplo", afirma a médica da USP à BBC News Brasil.

Scholz afirma que, mesmo que seja retirada do ar, a propaganda já fez "estragos enormes" por convencer pessoas de que o produto pode causar benefícios à saúde.

Ela diz que é justamente o oposto e que a inalação por meio dos vaporizadores de essências pode ser ainda mais prejudicial que o cigarro.

"Em primeiro lugar porque não é vapor, é aerossol. Vapor é água apenas de água. E o aerossol contém micropartículas que atravessam os alvéolos. Elas agridem nossas membranas, que são ultrafinas, e podem causar graves inflamações. O cigarro eletrônico tem baterias que geram uma quantidade de nanopartículas muito maior do que o cigarro convencional", diz a médica.

Para ela, os responsáveis pela empresa devem ser identificados e responsabilizados, assim como as redes sociais que permitiram a veiculação do conteúdo.

Ela também defende que a veiculação de produtos falsos deveria ser combatida da mesma maneira que a disseminação das fake news nas redes sociais.

"Quando você inala algo que contém uma partícula ultra pequena, ela ganha a corrente sanguínea e pode infeccionar o pulmão, desencadeando um quadro de asma aguda. Não recomendo inalar nada. Você pode inalar metal pesado, níquel e cobre. Materiais cancerígenos que podem ser absorvidos pelo organismo."

Ela resume que o discurso do vaporizador de essências rotulado como saudável é "mais um artifício da indústria do cigarro eletrônico, junto com as cores e aromas, usado para atrair os mais jovens".

(https://www.bbc.com/portuguese/topics/cz74k71p8ynt)
Em relação à acentuação, analise as afirmativas:

I.Nos vocábulos 'contém' e 'contêm' o acento diferencial é empregado para sinalizar a mudança de classe gramatical.
II.O vocábulo 'você' é acentuado pela mesma regra de 'vê' e 'lê'.
III.O vocábulo 'possível' é paroxítono, assim como 'pudico' e 'néctar'.
IV.O vocábulo 'proibida' foi grafado incorretamente, pois deveria ser acentuado, já que forma hiato com 'i'.
V.O vocábulo 'física' é uma proparoxítono, assim como 'boêmio'.

Estão corretas:
Alternativas
Q3296409 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

'É marketing de enganação', diz professora da USP sobre 'vaporizador com vitaminas'

As redes sociais se agitaram com o anúncio de um cigarro eletrônico que alegadamente não tem nicotina e ainda faria bem para a saúde por conter vitaminas.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) disse que "não é possível a apresentação de vitaminas na forma de vaporizadores" e que "o produto não pode ser comercializado como suplemento alimentar".

A BBC News Brasil também ouviu especialistas para entender se o aparelho realmente causa benefícios para a saúde.

A venda dele e de qualquer outro vaporizador do tipo é proibida em território nacional. Mesmo assim, um levantamento publicado em 2022 mostrou que quase um em cada cinco brasileiros de 18 a 24 anos usaram algum tipo de cigarro eletrônico pelo menos uma vez na vida.

Nas redes sociais, o aparelho fabricado pela IZ Health é apresentado por uma modelo em um vídeo no qual ela se exercita enquanto usa o vaporizador.

Na propaganda, ela afirma ainda que inalar a fumaça do "pod" garante que ela tenha mais energia, algo como um suplemento alimentar.

"Com o IX Power, você garante a energia necessária para realizar as mais variadas tarefas, sem danos à saúde, e com sabor de hortelã cítrica, o que deixa ainda mais gostoso. Os 'pods' IZ são concentrados vitamínicos elaborados para o dia a dia", afirma a mulher no vídeo enquanto faz exercícios.

A BBC News Brasil encontrou diversos sites que vendem o produto. O mais barato custa R$ 55 e o mais caro, R$ 75.

Livre docente da Faculdade de Medicina da USP e diretora do Programa de Tratamento ao Tabagismo do Incor, Jaqueline Scholz diz que a divulgação desse vaporizador "é puro marketing de enganação".

"O pulmão não é o trato digestivo para receber vitaminas. O pulmão foi feito para receber ar e, quanto mais puro, melhor. As micro e nano partículas podem causar um processo inflamatório e, nos casos mais graves, pode até precisar intubar o paciente", diz.

Na propaganda do vaporizador de essências vendido como saudável, a modelo diz que a absorção de nutrientes é feita pela mucosa durante a inalação do vapor produzido a baixas temperaturas.

O pneumologista do hospital Sírio-Libanês André Nathan disse que desconhece qualquer estudo que indique a absorção de vitaminas pelo sistema respiratório humano.

"Ele não foi desenhado para isso e não conheço nenhum estudo sobre essa essa via de absorção de vitamina", afirma à reportagem.

Após a grande repercussão do vídeo, a empresa IZ Health desativou todas as contas que tinha nas redes sociais. A reportagem tentou entrar em contato para ouví-los sobre o caso, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

A BBC News Brasil não encontrou nenhum indício de que a empresa IZ Health funcione no Brasil, como um CNPJ, site oficial ou canal para contato. Também não há informação se ela tem sede em outro país ou se os produtos oferecidos foram fabricados sob demanda a pedido de outra empresa ou pessoa física.

Procurada, a Anvisa informou que "a resolução RDC 46/2009 proíbe os dispositivos eletrônicos para fumar". Segundo o órgão, o texto "se aplica para quaisquer acessórios e refis destinados ao uso em qualquer dispositivo eletrônico para fumar".

A Anvisa informou ainda que "se desconhece o perfil de toxicidade das substâncias empregadas nos dispositivos em questão considerando a utilização por meio de vaporização".

De acordo com a agência, "as formas farmacêuticas que podem ser utilizadas em suplementos alimentares são aquelas destinadas à administração e ingestão oral, ou seja, pela boca".

Apenas ar'

Jaqueline Scholz, que é médica e pesquisadora do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, afirma que não é recomendada a ingestão de medicamentos ou suplementos por meio da inalação. Ela diz à reportagem que as exceções são pacientes com problemas respiratórios, como os asmáticos.

"O sistema respiratório serve para você receber apenas ar. Exceto em situações bem restritas e até desesperadoras, quando você não consegue um acesso periférico, por exemplo", afirma a médica da USP à BBC News Brasil.

Scholz afirma que, mesmo que seja retirada do ar, a propaganda já fez "estragos enormes" por convencer pessoas de que o produto pode causar benefícios à saúde.

Ela diz que é justamente o oposto e que a inalação por meio dos vaporizadores de essências pode ser ainda mais prejudicial que o cigarro.

"Em primeiro lugar porque não é vapor, é aerossol. Vapor é água apenas de água. E o aerossol contém micropartículas que atravessam os alvéolos. Elas agridem nossas membranas, que são ultrafinas, e podem causar graves inflamações. O cigarro eletrônico tem baterias que geram uma quantidade de nanopartículas muito maior do que o cigarro convencional", diz a médica.

Para ela, os responsáveis pela empresa devem ser identificados e responsabilizados, assim como as redes sociais que permitiram a veiculação do conteúdo.

Ela também defende que a veiculação de produtos falsos deveria ser combatida da mesma maneira que a disseminação das fake news nas redes sociais.

"Quando você inala algo que contém uma partícula ultra pequena, ela ganha a corrente sanguínea e pode infeccionar o pulmão, desencadeando um quadro de asma aguda. Não recomendo inalar nada. Você pode inalar metal pesado, níquel e cobre. Materiais cancerígenos que podem ser absorvidos pelo organismo."

Ela resume que o discurso do vaporizador de essências rotulado como saudável é "mais um artifício da indústria do cigarro eletrônico, junto com as cores e aromas, usado para atrair os mais jovens".

(https://www.bbc.com/portuguese/topics/cz74k71p8ynt)
"Jaqueline Scholz, que é médica e pesquisadora do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, afirma que não é recomendada a ingestão de medicamentos ou suplementos por meio da inalação.

 A oração destacada é:
Alternativas
Q3296408 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

'É marketing de enganação', diz professora da USP sobre 'vaporizador com vitaminas'

As redes sociais se agitaram com o anúncio de um cigarro eletrônico que alegadamente não tem nicotina e ainda faria bem para a saúde por conter vitaminas.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) disse que "não é possível a apresentação de vitaminas na forma de vaporizadores" e que "o produto não pode ser comercializado como suplemento alimentar".

A BBC News Brasil também ouviu especialistas para entender se o aparelho realmente causa benefícios para a saúde.

A venda dele e de qualquer outro vaporizador do tipo é proibida em território nacional. Mesmo assim, um levantamento publicado em 2022 mostrou que quase um em cada cinco brasileiros de 18 a 24 anos usaram algum tipo de cigarro eletrônico pelo menos uma vez na vida.

Nas redes sociais, o aparelho fabricado pela IZ Health é apresentado por uma modelo em um vídeo no qual ela se exercita enquanto usa o vaporizador.

Na propaganda, ela afirma ainda que inalar a fumaça do "pod" garante que ela tenha mais energia, algo como um suplemento alimentar.

"Com o IX Power, você garante a energia necessária para realizar as mais variadas tarefas, sem danos à saúde, e com sabor de hortelã cítrica, o que deixa ainda mais gostoso. Os 'pods' IZ são concentrados vitamínicos elaborados para o dia a dia", afirma a mulher no vídeo enquanto faz exercícios.

A BBC News Brasil encontrou diversos sites que vendem o produto. O mais barato custa R$ 55 e o mais caro, R$ 75.

Livre docente da Faculdade de Medicina da USP e diretora do Programa de Tratamento ao Tabagismo do Incor, Jaqueline Scholz diz que a divulgação desse vaporizador "é puro marketing de enganação".

"O pulmão não é o trato digestivo para receber vitaminas. O pulmão foi feito para receber ar e, quanto mais puro, melhor. As micro e nano partículas podem causar um processo inflamatório e, nos casos mais graves, pode até precisar intubar o paciente", diz.

Na propaganda do vaporizador de essências vendido como saudável, a modelo diz que a absorção de nutrientes é feita pela mucosa durante a inalação do vapor produzido a baixas temperaturas.

O pneumologista do hospital Sírio-Libanês André Nathan disse que desconhece qualquer estudo que indique a absorção de vitaminas pelo sistema respiratório humano.

"Ele não foi desenhado para isso e não conheço nenhum estudo sobre essa essa via de absorção de vitamina", afirma à reportagem.

Após a grande repercussão do vídeo, a empresa IZ Health desativou todas as contas que tinha nas redes sociais. A reportagem tentou entrar em contato para ouví-los sobre o caso, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

A BBC News Brasil não encontrou nenhum indício de que a empresa IZ Health funcione no Brasil, como um CNPJ, site oficial ou canal para contato. Também não há informação se ela tem sede em outro país ou se os produtos oferecidos foram fabricados sob demanda a pedido de outra empresa ou pessoa física.

Procurada, a Anvisa informou que "a resolução RDC 46/2009 proíbe os dispositivos eletrônicos para fumar". Segundo o órgão, o texto "se aplica para quaisquer acessórios e refis destinados ao uso em qualquer dispositivo eletrônico para fumar".

A Anvisa informou ainda que "se desconhece o perfil de toxicidade das substâncias empregadas nos dispositivos em questão considerando a utilização por meio de vaporização".

De acordo com a agência, "as formas farmacêuticas que podem ser utilizadas em suplementos alimentares são aquelas destinadas à administração e ingestão oral, ou seja, pela boca".

Apenas ar'

Jaqueline Scholz, que é médica e pesquisadora do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, afirma que não é recomendada a ingestão de medicamentos ou suplementos por meio da inalação. Ela diz à reportagem que as exceções são pacientes com problemas respiratórios, como os asmáticos.

"O sistema respiratório serve para você receber apenas ar. Exceto em situações bem restritas e até desesperadoras, quando você não consegue um acesso periférico, por exemplo", afirma a médica da USP à BBC News Brasil.

Scholz afirma que, mesmo que seja retirada do ar, a propaganda já fez "estragos enormes" por convencer pessoas de que o produto pode causar benefícios à saúde.

Ela diz que é justamente o oposto e que a inalação por meio dos vaporizadores de essências pode ser ainda mais prejudicial que o cigarro.

"Em primeiro lugar porque não é vapor, é aerossol. Vapor é água apenas de água. E o aerossol contém micropartículas que atravessam os alvéolos. Elas agridem nossas membranas, que são ultrafinas, e podem causar graves inflamações. O cigarro eletrônico tem baterias que geram uma quantidade de nanopartículas muito maior do que o cigarro convencional", diz a médica.

Para ela, os responsáveis pela empresa devem ser identificados e responsabilizados, assim como as redes sociais que permitiram a veiculação do conteúdo.

Ela também defende que a veiculação de produtos falsos deveria ser combatida da mesma maneira que a disseminação das fake news nas redes sociais.

"Quando você inala algo que contém uma partícula ultra pequena, ela ganha a corrente sanguínea e pode infeccionar o pulmão, desencadeando um quadro de asma aguda. Não recomendo inalar nada. Você pode inalar metal pesado, níquel e cobre. Materiais cancerígenos que podem ser absorvidos pelo organismo."

Ela resume que o discurso do vaporizador de essências rotulado como saudável é "mais um artifício da indústria do cigarro eletrônico, junto com as cores e aromas, usado para atrair os mais jovens".

(https://www.bbc.com/portuguese/topics/cz74k71p8ynt)
O termo destacado que está empregado em sentido conotativo pertence à alternativa: 
Alternativas
Q3296407 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

'É marketing de enganação', diz professora da USP sobre 'vaporizador com vitaminas'

As redes sociais se agitaram com o anúncio de um cigarro eletrônico que alegadamente não tem nicotina e ainda faria bem para a saúde por conter vitaminas.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) disse que "não é possível a apresentação de vitaminas na forma de vaporizadores" e que "o produto não pode ser comercializado como suplemento alimentar".

A BBC News Brasil também ouviu especialistas para entender se o aparelho realmente causa benefícios para a saúde.

A venda dele e de qualquer outro vaporizador do tipo é proibida em território nacional. Mesmo assim, um levantamento publicado em 2022 mostrou que quase um em cada cinco brasileiros de 18 a 24 anos usaram algum tipo de cigarro eletrônico pelo menos uma vez na vida.

Nas redes sociais, o aparelho fabricado pela IZ Health é apresentado por uma modelo em um vídeo no qual ela se exercita enquanto usa o vaporizador.

Na propaganda, ela afirma ainda que inalar a fumaça do "pod" garante que ela tenha mais energia, algo como um suplemento alimentar.

"Com o IX Power, você garante a energia necessária para realizar as mais variadas tarefas, sem danos à saúde, e com sabor de hortelã cítrica, o que deixa ainda mais gostoso. Os 'pods' IZ são concentrados vitamínicos elaborados para o dia a dia", afirma a mulher no vídeo enquanto faz exercícios.

A BBC News Brasil encontrou diversos sites que vendem o produto. O mais barato custa R$ 55 e o mais caro, R$ 75.

Livre docente da Faculdade de Medicina da USP e diretora do Programa de Tratamento ao Tabagismo do Incor, Jaqueline Scholz diz que a divulgação desse vaporizador "é puro marketing de enganação".

"O pulmão não é o trato digestivo para receber vitaminas. O pulmão foi feito para receber ar e, quanto mais puro, melhor. As micro e nano partículas podem causar um processo inflamatório e, nos casos mais graves, pode até precisar intubar o paciente", diz.

Na propaganda do vaporizador de essências vendido como saudável, a modelo diz que a absorção de nutrientes é feita pela mucosa durante a inalação do vapor produzido a baixas temperaturas.

O pneumologista do hospital Sírio-Libanês André Nathan disse que desconhece qualquer estudo que indique a absorção de vitaminas pelo sistema respiratório humano.

"Ele não foi desenhado para isso e não conheço nenhum estudo sobre essa essa via de absorção de vitamina", afirma à reportagem.

Após a grande repercussão do vídeo, a empresa IZ Health desativou todas as contas que tinha nas redes sociais. A reportagem tentou entrar em contato para ouví-los sobre o caso, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

A BBC News Brasil não encontrou nenhum indício de que a empresa IZ Health funcione no Brasil, como um CNPJ, site oficial ou canal para contato. Também não há informação se ela tem sede em outro país ou se os produtos oferecidos foram fabricados sob demanda a pedido de outra empresa ou pessoa física.

Procurada, a Anvisa informou que "a resolução RDC 46/2009 proíbe os dispositivos eletrônicos para fumar". Segundo o órgão, o texto "se aplica para quaisquer acessórios e refis destinados ao uso em qualquer dispositivo eletrônico para fumar".

A Anvisa informou ainda que "se desconhece o perfil de toxicidade das substâncias empregadas nos dispositivos em questão considerando a utilização por meio de vaporização".

De acordo com a agência, "as formas farmacêuticas que podem ser utilizadas em suplementos alimentares são aquelas destinadas à administração e ingestão oral, ou seja, pela boca".

Apenas ar'

Jaqueline Scholz, que é médica e pesquisadora do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, afirma que não é recomendada a ingestão de medicamentos ou suplementos por meio da inalação. Ela diz à reportagem que as exceções são pacientes com problemas respiratórios, como os asmáticos.

"O sistema respiratório serve para você receber apenas ar. Exceto em situações bem restritas e até desesperadoras, quando você não consegue um acesso periférico, por exemplo", afirma a médica da USP à BBC News Brasil.

Scholz afirma que, mesmo que seja retirada do ar, a propaganda já fez "estragos enormes" por convencer pessoas de que o produto pode causar benefícios à saúde.

Ela diz que é justamente o oposto e que a inalação por meio dos vaporizadores de essências pode ser ainda mais prejudicial que o cigarro.

"Em primeiro lugar porque não é vapor, é aerossol. Vapor é água apenas de água. E o aerossol contém micropartículas que atravessam os alvéolos. Elas agridem nossas membranas, que são ultrafinas, e podem causar graves inflamações. O cigarro eletrônico tem baterias que geram uma quantidade de nanopartículas muito maior do que o cigarro convencional", diz a médica.

Para ela, os responsáveis pela empresa devem ser identificados e responsabilizados, assim como as redes sociais que permitiram a veiculação do conteúdo.

Ela também defende que a veiculação de produtos falsos deveria ser combatida da mesma maneira que a disseminação das fake news nas redes sociais.

"Quando você inala algo que contém uma partícula ultra pequena, ela ganha a corrente sanguínea e pode infeccionar o pulmão, desencadeando um quadro de asma aguda. Não recomendo inalar nada. Você pode inalar metal pesado, níquel e cobre. Materiais cancerígenos que podem ser absorvidos pelo organismo."

Ela resume que o discurso do vaporizador de essências rotulado como saudável é "mais um artifício da indústria do cigarro eletrônico, junto com as cores e aromas, usado para atrair os mais jovens".

(https://www.bbc.com/portuguese/topics/cz74k71p8ynt)
"A venda dele e de qualquer outro vaporizador do tipo é proibida em território nacional. Mesmo assim, um levantamento publicado em 2022 mostrou que quase um em cada cinco brasileiros de 18 a 24 anos usaram algum tipo de cigarro eletrônico pelo menos uma vez na vida."
As expressões abaixo podem substituir a destacada no trecho sem perder o sentido, EXCETO:
Alternativas
Q3288242 Português
Os______ ______e______também são limitantes da aprendizagem do aluno, pois alunos com dificuldade de locomoção enfrentam mais dificuldades que alunos que não possuem essas limitações, principalmente quando as escolas não possuem condições de acessibilidade, como rampas para cadeirantes e banheiros adaptados, carteiras acessíveis etc.

Complete as lacunas com a opção correta:
Alternativas
Q3288241 Português
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento criado pelo MEC para orientar as escolas no desenvolvimento de um currículo unificado para o ensino infantil, fundamental e médio. Já o plano de aula é uma_______usada pelo professor para conseguir organizar o conteúdo que deseja passar aos seus alunos. Marque a alternativa que preenche a lacuna, dando sentido ao texto.
 https://educacao.imaginie.com.br/plano-de-aula-de acordo-com-a-bncc/
Alternativas
Q3288240 Português
Ler é compreender os símbolos ( significantes) e o que simboliza (significados). A leitura é definida como uma maneira de se comunicar com o texto impresso por meio da busca de compreensão. Neste processo de compreensão, a leitura abrange e envolve alguns aspectos, que são:
Alternativas
Q3288239 Português

O maior desafio para os sistemas educativos, e para as escolas, é o enfrentamento da questão da______.


Marque a alternativa que completa a frase, dando real sentido e compreensão.

Alternativas
Q3285253 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Humanizar a escrita: a nova tarefa dos robôs



Depois da chegada de nossos robôs auxiliares de escrita, que são capazes de resumir, de parafrasear e até mesmo de escrever por conta própria, vieram os programas de "humanização da escrita", também disponíveis na internet. Essas novas ferramentas, segundo seus fabricantes, servem para tornar indetectável o uso de inteligência artificial na produção de um texto, tornando-o mais semelhante a um texto escrito por um ser humano.



Dado que a inteligência artificial aprendeu com o material produzido por seres humanos, qual seria o elemento humano faltante aos textos escritos por ela? Em outras palavras, como fazer para que humanos não percebam que um texto foi produzido por uma máquina? Por curiosidade, fiz alguns testes, sem a menor pretensão de avaliar essas poderosas inteligências e seus criadores, e não cheguei a uma conclusão sobre o que seria a linguagem humanizada dos robôs.



Em um caso, o robô humanizado substituiu "pedido" por "request" num texto que, aliás, tinha sido escrito por um humano de carne e osso. Em outro, houve substituição de frases mais curtas e econômicas por períodos mais longos e redundantes; em outro, houve troca de "entre" por "dentre" (naturalmente, sem critério gramatical). Enfim, os seres humanos que criam esse tipo de ferramenta têm algum critério, seja ele qual for, para definir o que seria um estilo mais "humano". Qual será?



Em todo o caso, o termo "humanizado" vem aparecendo em muitos contextos, o que nos pode dar uma pista do que nós, afinal humanos, cremos ser "humano". Dia desses, uma discussão entre leitores de uma crônica na internet trouxe, talvez sem querer, uma questão curiosa. Um deles achou que o autor do texto tivesse cometido um erro de português (especificamente o uso de "câmara" no lugar de "câmera"). Outro explicou que as duas formas são corretas etc. etc., o que é verdade e qualquer bom dicionário pode atestar. Outros ainda consideraram inoportuno levantar esse tipo de questão, pois o texto era tão interessante e divertido etc. − tanta coisa a que prestar atenção e o sujeito vai logo reparar na grafia da palavra!



Até que outro acrescentou que qualquer um, autor ou revisor, pode errar (ora bolas!), a que se seguiu um comentário de assentimento: "Exatamente, compreensível. Essa é a forma humanizada da ortografia". Note-se que, a essa altura, o problema não era saber se as duas grafias eram corretas, muito menos se cogitava aproveitar o ensejo para discutir a variação ortográfica ou as acepções da palavra. Não. O problema mesmo foi o fato de alguém ter levantado a questão de supostamente haver um erro de grafia no texto do escritor.



A "forma humanizada da ortografia", ao que tudo indica, pressupõe um nível importante de tolerância. Sendo a ideia compreensível, para que essa "obsessão" pelo "correto"? Existe "o correto"? O curioso é que a ortografia, por ser convencionalmente estabelecida, é (ou era) a parte da gramática menos sujeita aos debates sobre variação da língua.



A humanização a que alude o comentário, porém, parece mais ligada a uma atitude ou posicionamento moral, que prescreve tolerância com a "diversidade ortográfica" como reflexo da tolerância com a pessoa que escreveu o texto. Corrigir ou assumir "tom professoral" é uma espécie de afronta à expressão alheia, uma atitude em si "intolerante". É preciso, afinal, respeitar o "diverso". O problema é que a língua precisa de elementos comuns para que seja eficaz em sua principal função, a da comunicação ("comunicar", na origem, é "pôr em comum").



Talvez essa postura humanizada explique o fato de hoje ser frequente encontrarmos erros gramaticais em livros caros, ilustrados, produzidos em ótimo papel, com capa dura etc. Afinal, como diziam nossas avós, errar é humano e, como já disse José Saramago, na sua "História do Cerco de Lisboa", ao explicar que o revisor nem sempre corrige, "primeiro mandamento do decálogo do revisor que aspire à santidade, aos autores deve-se evitar sempre o peso das vexações".



Não faz assim tanto tempo que o nosso querido Paulo Coelho, um dos mais bem-sucedidos escritores brasileiros, era alvo de críticas na imprensa por causa das gralhas que se avolumavam nos seus livros, as quais, diga-se, nunca atrapalharam seus negócios. Certa vez, um tanto irritado pela cobrança de jornalistas, ele se saiu com um chiste, que acabou sendo levado a sério: disse que a magia de seus livros (responsável pelo milagre das vendas) poderia estar justamente nos erros gramaticais, de modo que não providenciaria revisão nas edições seguintes. E assim provavelmente foi. Mal sabia ele que antecipava uma tendência.



A tolerância às  falhas às − falhas, que, mágicas ou não, afinal, nos lembram que somos humanos parece ser − um valor nos dias de hoje. Talvez essa seja a dica de ouro para os humanizadores de texto. Vamos ensinar os robôs a errar.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br

Em relação à leitura do texto e suas possíveis inferências, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3285252 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Humanizar a escrita: a nova tarefa dos robôs



Depois da chegada de nossos robôs auxiliares de escrita, que são capazes de resumir, de parafrasear e até mesmo de escrever por conta própria, vieram os programas de "humanização da escrita", também disponíveis na internet. Essas novas ferramentas, segundo seus fabricantes, servem para tornar indetectável o uso de inteligência artificial na produção de um texto, tornando-o mais semelhante a um texto escrito por um ser humano.



Dado que a inteligência artificial aprendeu com o material produzido por seres humanos, qual seria o elemento humano faltante aos textos escritos por ela? Em outras palavras, como fazer para que humanos não percebam que um texto foi produzido por uma máquina? Por curiosidade, fiz alguns testes, sem a menor pretensão de avaliar essas poderosas inteligências e seus criadores, e não cheguei a uma conclusão sobre o que seria a linguagem humanizada dos robôs.



Em um caso, o robô humanizado substituiu "pedido" por "request" num texto que, aliás, tinha sido escrito por um humano de carne e osso. Em outro, houve substituição de frases mais curtas e econômicas por períodos mais longos e redundantes; em outro, houve troca de "entre" por "dentre" (naturalmente, sem critério gramatical). Enfim, os seres humanos que criam esse tipo de ferramenta têm algum critério, seja ele qual for, para definir o que seria um estilo mais "humano". Qual será?



Em todo o caso, o termo "humanizado" vem aparecendo em muitos contextos, o que nos pode dar uma pista do que nós, afinal humanos, cremos ser "humano". Dia desses, uma discussão entre leitores de uma crônica na internet trouxe, talvez sem querer, uma questão curiosa. Um deles achou que o autor do texto tivesse cometido um erro de português (especificamente o uso de "câmara" no lugar de "câmera"). Outro explicou que as duas formas são corretas etc. etc., o que é verdade e qualquer bom dicionário pode atestar. Outros ainda consideraram inoportuno levantar esse tipo de questão, pois o texto era tão interessante e divertido etc. − tanta coisa a que prestar atenção e o sujeito vai logo reparar na grafia da palavra!



Até que outro acrescentou que qualquer um, autor ou revisor, pode errar (ora bolas!), a que se seguiu um comentário de assentimento: "Exatamente, compreensível. Essa é a forma humanizada da ortografia". Note-se que, a essa altura, o problema não era saber se as duas grafias eram corretas, muito menos se cogitava aproveitar o ensejo para discutir a variação ortográfica ou as acepções da palavra. Não. O problema mesmo foi o fato de alguém ter levantado a questão de supostamente haver um erro de grafia no texto do escritor.



A "forma humanizada da ortografia", ao que tudo indica, pressupõe um nível importante de tolerância. Sendo a ideia compreensível, para que essa "obsessão" pelo "correto"? Existe "o correto"? O curioso é que a ortografia, por ser convencionalmente estabelecida, é (ou era) a parte da gramática menos sujeita aos debates sobre variação da língua.



A humanização a que alude o comentário, porém, parece mais ligada a uma atitude ou posicionamento moral, que prescreve tolerância com a "diversidade ortográfica" como reflexo da tolerância com a pessoa que escreveu o texto. Corrigir ou assumir "tom professoral" é uma espécie de afronta à expressão alheia, uma atitude em si "intolerante". É preciso, afinal, respeitar o "diverso". O problema é que a língua precisa de elementos comuns para que seja eficaz em sua principal função, a da comunicação ("comunicar", na origem, é "pôr em comum").



Talvez essa postura humanizada explique o fato de hoje ser frequente encontrarmos erros gramaticais em livros caros, ilustrados, produzidos em ótimo papel, com capa dura etc. Afinal, como diziam nossas avós, errar é humano e, como já disse José Saramago, na sua "História do Cerco de Lisboa", ao explicar que o revisor nem sempre corrige, "primeiro mandamento do decálogo do revisor que aspire à santidade, aos autores deve-se evitar sempre o peso das vexações".



Não faz assim tanto tempo que o nosso querido Paulo Coelho, um dos mais bem-sucedidos escritores brasileiros, era alvo de críticas na imprensa por causa das gralhas que se avolumavam nos seus livros, as quais, diga-se, nunca atrapalharam seus negócios. Certa vez, um tanto irritado pela cobrança de jornalistas, ele se saiu com um chiste, que acabou sendo levado a sério: disse que a magia de seus livros (responsável pelo milagre das vendas) poderia estar justamente nos erros gramaticais, de modo que não providenciaria revisão nas edições seguintes. E assim provavelmente foi. Mal sabia ele que antecipava uma tendência.



A tolerância às  falhas às − falhas, que, mágicas ou não, afinal, nos lembram que somos humanos parece ser − um valor nos dias de hoje. Talvez essa seja a dica de ouro para os humanizadores de texto. Vamos ensinar os robôs a errar.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br

Não faz assim tanto tempo que o nosso querido Paulo Coelho, um dos mais bem-sucedidos escritores brasileiros, era alvo de críticas na imprensa por causa das gralhas que se avolumavam nos seus livros, as quais, diga-se, nunca atrapalharam seus negócios.

No período acima, grafou-se corretamente a palavra destacada. Em relação ao seu antônimo, assinale a alternativa em que ele esteja corretamente grafado.
Alternativas
Q3285251 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Humanizar a escrita: a nova tarefa dos robôs



Depois da chegada de nossos robôs auxiliares de escrita, que são capazes de resumir, de parafrasear e até mesmo de escrever por conta própria, vieram os programas de "humanização da escrita", também disponíveis na internet. Essas novas ferramentas, segundo seus fabricantes, servem para tornar indetectável o uso de inteligência artificial na produção de um texto, tornando-o mais semelhante a um texto escrito por um ser humano.



Dado que a inteligência artificial aprendeu com o material produzido por seres humanos, qual seria o elemento humano faltante aos textos escritos por ela? Em outras palavras, como fazer para que humanos não percebam que um texto foi produzido por uma máquina? Por curiosidade, fiz alguns testes, sem a menor pretensão de avaliar essas poderosas inteligências e seus criadores, e não cheguei a uma conclusão sobre o que seria a linguagem humanizada dos robôs.



Em um caso, o robô humanizado substituiu "pedido" por "request" num texto que, aliás, tinha sido escrito por um humano de carne e osso. Em outro, houve substituição de frases mais curtas e econômicas por períodos mais longos e redundantes; em outro, houve troca de "entre" por "dentre" (naturalmente, sem critério gramatical). Enfim, os seres humanos que criam esse tipo de ferramenta têm algum critério, seja ele qual for, para definir o que seria um estilo mais "humano". Qual será?



Em todo o caso, o termo "humanizado" vem aparecendo em muitos contextos, o que nos pode dar uma pista do que nós, afinal humanos, cremos ser "humano". Dia desses, uma discussão entre leitores de uma crônica na internet trouxe, talvez sem querer, uma questão curiosa. Um deles achou que o autor do texto tivesse cometido um erro de português (especificamente o uso de "câmara" no lugar de "câmera"). Outro explicou que as duas formas são corretas etc. etc., o que é verdade e qualquer bom dicionário pode atestar. Outros ainda consideraram inoportuno levantar esse tipo de questão, pois o texto era tão interessante e divertido etc. − tanta coisa a que prestar atenção e o sujeito vai logo reparar na grafia da palavra!



Até que outro acrescentou que qualquer um, autor ou revisor, pode errar (ora bolas!), a que se seguiu um comentário de assentimento: "Exatamente, compreensível. Essa é a forma humanizada da ortografia". Note-se que, a essa altura, o problema não era saber se as duas grafias eram corretas, muito menos se cogitava aproveitar o ensejo para discutir a variação ortográfica ou as acepções da palavra. Não. O problema mesmo foi o fato de alguém ter levantado a questão de supostamente haver um erro de grafia no texto do escritor.



A "forma humanizada da ortografia", ao que tudo indica, pressupõe um nível importante de tolerância. Sendo a ideia compreensível, para que essa "obsessão" pelo "correto"? Existe "o correto"? O curioso é que a ortografia, por ser convencionalmente estabelecida, é (ou era) a parte da gramática menos sujeita aos debates sobre variação da língua.



A humanização a que alude o comentário, porém, parece mais ligada a uma atitude ou posicionamento moral, que prescreve tolerância com a "diversidade ortográfica" como reflexo da tolerância com a pessoa que escreveu o texto. Corrigir ou assumir "tom professoral" é uma espécie de afronta à expressão alheia, uma atitude em si "intolerante". É preciso, afinal, respeitar o "diverso". O problema é que a língua precisa de elementos comuns para que seja eficaz em sua principal função, a da comunicação ("comunicar", na origem, é "pôr em comum").



Talvez essa postura humanizada explique o fato de hoje ser frequente encontrarmos erros gramaticais em livros caros, ilustrados, produzidos em ótimo papel, com capa dura etc. Afinal, como diziam nossas avós, errar é humano e, como já disse José Saramago, na sua "História do Cerco de Lisboa", ao explicar que o revisor nem sempre corrige, "primeiro mandamento do decálogo do revisor que aspire à santidade, aos autores deve-se evitar sempre o peso das vexações".



Não faz assim tanto tempo que o nosso querido Paulo Coelho, um dos mais bem-sucedidos escritores brasileiros, era alvo de críticas na imprensa por causa das gralhas que se avolumavam nos seus livros, as quais, diga-se, nunca atrapalharam seus negócios. Certa vez, um tanto irritado pela cobrança de jornalistas, ele se saiu com um chiste, que acabou sendo levado a sério: disse que a magia de seus livros (responsável pelo milagre das vendas) poderia estar justamente nos erros gramaticais, de modo que não providenciaria revisão nas edições seguintes. E assim provavelmente foi. Mal sabia ele que antecipava uma tendência.



A tolerância às  falhas às − falhas, que, mágicas ou não, afinal, nos lembram que somos humanos parece ser − um valor nos dias de hoje. Talvez essa seja a dica de ouro para os humanizadores de texto. Vamos ensinar os robôs a errar.


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Note-se que, a essa altura, o problema não era saber se as duas grafias eram corretas, muito menos se cogitava aproveitar o ensejo para discutir a variação ortográfica ou as acepções da palavra.

A respeito do período acima, é correto afirmar que
Alternativas
Q3285250 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Humanizar a escrita: a nova tarefa dos robôs



Depois da chegada de nossos robôs auxiliares de escrita, que são capazes de resumir, de parafrasear e até mesmo de escrever por conta própria, vieram os programas de "humanização da escrita", também disponíveis na internet. Essas novas ferramentas, segundo seus fabricantes, servem para tornar indetectável o uso de inteligência artificial na produção de um texto, tornando-o mais semelhante a um texto escrito por um ser humano.



Dado que a inteligência artificial aprendeu com o material produzido por seres humanos, qual seria o elemento humano faltante aos textos escritos por ela? Em outras palavras, como fazer para que humanos não percebam que um texto foi produzido por uma máquina? Por curiosidade, fiz alguns testes, sem a menor pretensão de avaliar essas poderosas inteligências e seus criadores, e não cheguei a uma conclusão sobre o que seria a linguagem humanizada dos robôs.



Em um caso, o robô humanizado substituiu "pedido" por "request" num texto que, aliás, tinha sido escrito por um humano de carne e osso. Em outro, houve substituição de frases mais curtas e econômicas por períodos mais longos e redundantes; em outro, houve troca de "entre" por "dentre" (naturalmente, sem critério gramatical). Enfim, os seres humanos que criam esse tipo de ferramenta têm algum critério, seja ele qual for, para definir o que seria um estilo mais "humano". Qual será?



Em todo o caso, o termo "humanizado" vem aparecendo em muitos contextos, o que nos pode dar uma pista do que nós, afinal humanos, cremos ser "humano". Dia desses, uma discussão entre leitores de uma crônica na internet trouxe, talvez sem querer, uma questão curiosa. Um deles achou que o autor do texto tivesse cometido um erro de português (especificamente o uso de "câmara" no lugar de "câmera"). Outro explicou que as duas formas são corretas etc. etc., o que é verdade e qualquer bom dicionário pode atestar. Outros ainda consideraram inoportuno levantar esse tipo de questão, pois o texto era tão interessante e divertido etc. − tanta coisa a que prestar atenção e o sujeito vai logo reparar na grafia da palavra!



Até que outro acrescentou que qualquer um, autor ou revisor, pode errar (ora bolas!), a que se seguiu um comentário de assentimento: "Exatamente, compreensível. Essa é a forma humanizada da ortografia". Note-se que, a essa altura, o problema não era saber se as duas grafias eram corretas, muito menos se cogitava aproveitar o ensejo para discutir a variação ortográfica ou as acepções da palavra. Não. O problema mesmo foi o fato de alguém ter levantado a questão de supostamente haver um erro de grafia no texto do escritor.



A "forma humanizada da ortografia", ao que tudo indica, pressupõe um nível importante de tolerância. Sendo a ideia compreensível, para que essa "obsessão" pelo "correto"? Existe "o correto"? O curioso é que a ortografia, por ser convencionalmente estabelecida, é (ou era) a parte da gramática menos sujeita aos debates sobre variação da língua.



A humanização a que alude o comentário, porém, parece mais ligada a uma atitude ou posicionamento moral, que prescreve tolerância com a "diversidade ortográfica" como reflexo da tolerância com a pessoa que escreveu o texto. Corrigir ou assumir "tom professoral" é uma espécie de afronta à expressão alheia, uma atitude em si "intolerante". É preciso, afinal, respeitar o "diverso". O problema é que a língua precisa de elementos comuns para que seja eficaz em sua principal função, a da comunicação ("comunicar", na origem, é "pôr em comum").



Talvez essa postura humanizada explique o fato de hoje ser frequente encontrarmos erros gramaticais em livros caros, ilustrados, produzidos em ótimo papel, com capa dura etc. Afinal, como diziam nossas avós, errar é humano e, como já disse José Saramago, na sua "História do Cerco de Lisboa", ao explicar que o revisor nem sempre corrige, "primeiro mandamento do decálogo do revisor que aspire à santidade, aos autores deve-se evitar sempre o peso das vexações".



Não faz assim tanto tempo que o nosso querido Paulo Coelho, um dos mais bem-sucedidos escritores brasileiros, era alvo de críticas na imprensa por causa das gralhas que se avolumavam nos seus livros, as quais, diga-se, nunca atrapalharam seus negócios. Certa vez, um tanto irritado pela cobrança de jornalistas, ele se saiu com um chiste, que acabou sendo levado a sério: disse que a magia de seus livros (responsável pelo milagre das vendas) poderia estar justamente nos erros gramaticais, de modo que não providenciaria revisão nas edições seguintes. E assim provavelmente foi. Mal sabia ele que antecipava uma tendência.



A tolerância às  falhas às − falhas, que, mágicas ou não, afinal, nos lembram que somos humanos parece ser − um valor nos dias de hoje. Talvez essa seja a dica de ouro para os humanizadores de texto. Vamos ensinar os robôs a errar.


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Talvez essa seja a dica de ouro para os humanizadores de texto.

O pronome destacado no período acima desempenha papel
Alternativas
Q3285249 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Humanizar a escrita: a nova tarefa dos robôs



Depois da chegada de nossos robôs auxiliares de escrita, que são capazes de resumir, de parafrasear e até mesmo de escrever por conta própria, vieram os programas de "humanização da escrita", também disponíveis na internet. Essas novas ferramentas, segundo seus fabricantes, servem para tornar indetectável o uso de inteligência artificial na produção de um texto, tornando-o mais semelhante a um texto escrito por um ser humano.



Dado que a inteligência artificial aprendeu com o material produzido por seres humanos, qual seria o elemento humano faltante aos textos escritos por ela? Em outras palavras, como fazer para que humanos não percebam que um texto foi produzido por uma máquina? Por curiosidade, fiz alguns testes, sem a menor pretensão de avaliar essas poderosas inteligências e seus criadores, e não cheguei a uma conclusão sobre o que seria a linguagem humanizada dos robôs.



Em um caso, o robô humanizado substituiu "pedido" por "request" num texto que, aliás, tinha sido escrito por um humano de carne e osso. Em outro, houve substituição de frases mais curtas e econômicas por períodos mais longos e redundantes; em outro, houve troca de "entre" por "dentre" (naturalmente, sem critério gramatical). Enfim, os seres humanos que criam esse tipo de ferramenta têm algum critério, seja ele qual for, para definir o que seria um estilo mais "humano". Qual será?



Em todo o caso, o termo "humanizado" vem aparecendo em muitos contextos, o que nos pode dar uma pista do que nós, afinal humanos, cremos ser "humano". Dia desses, uma discussão entre leitores de uma crônica na internet trouxe, talvez sem querer, uma questão curiosa. Um deles achou que o autor do texto tivesse cometido um erro de português (especificamente o uso de "câmara" no lugar de "câmera"). Outro explicou que as duas formas são corretas etc. etc., o que é verdade e qualquer bom dicionário pode atestar. Outros ainda consideraram inoportuno levantar esse tipo de questão, pois o texto era tão interessante e divertido etc. − tanta coisa a que prestar atenção e o sujeito vai logo reparar na grafia da palavra!



Até que outro acrescentou que qualquer um, autor ou revisor, pode errar (ora bolas!), a que se seguiu um comentário de assentimento: "Exatamente, compreensível. Essa é a forma humanizada da ortografia". Note-se que, a essa altura, o problema não era saber se as duas grafias eram corretas, muito menos se cogitava aproveitar o ensejo para discutir a variação ortográfica ou as acepções da palavra. Não. O problema mesmo foi o fato de alguém ter levantado a questão de supostamente haver um erro de grafia no texto do escritor.



A "forma humanizada da ortografia", ao que tudo indica, pressupõe um nível importante de tolerância. Sendo a ideia compreensível, para que essa "obsessão" pelo "correto"? Existe "o correto"? O curioso é que a ortografia, por ser convencionalmente estabelecida, é (ou era) a parte da gramática menos sujeita aos debates sobre variação da língua.



A humanização a que alude o comentário, porém, parece mais ligada a uma atitude ou posicionamento moral, que prescreve tolerância com a "diversidade ortográfica" como reflexo da tolerância com a pessoa que escreveu o texto. Corrigir ou assumir "tom professoral" é uma espécie de afronta à expressão alheia, uma atitude em si "intolerante". É preciso, afinal, respeitar o "diverso". O problema é que a língua precisa de elementos comuns para que seja eficaz em sua principal função, a da comunicação ("comunicar", na origem, é "pôr em comum").



Talvez essa postura humanizada explique o fato de hoje ser frequente encontrarmos erros gramaticais em livros caros, ilustrados, produzidos em ótimo papel, com capa dura etc. Afinal, como diziam nossas avós, errar é humano e, como já disse José Saramago, na sua "História do Cerco de Lisboa", ao explicar que o revisor nem sempre corrige, "primeiro mandamento do decálogo do revisor que aspire à santidade, aos autores deve-se evitar sempre o peso das vexações".



Não faz assim tanto tempo que o nosso querido Paulo Coelho, um dos mais bem-sucedidos escritores brasileiros, era alvo de críticas na imprensa por causa das gralhas que se avolumavam nos seus livros, as quais, diga-se, nunca atrapalharam seus negócios. Certa vez, um tanto irritado pela cobrança de jornalistas, ele se saiu com um chiste, que acabou sendo levado a sério: disse que a magia de seus livros (responsável pelo milagre das vendas) poderia estar justamente nos erros gramaticais, de modo que não providenciaria revisão nas edições seguintes. E assim provavelmente foi. Mal sabia ele que antecipava uma tendência.



A tolerância às  falhas às − falhas, que, mágicas ou não, afinal, nos lembram que somos humanos parece ser − um valor nos dias de hoje. Talvez essa seja a dica de ouro para os humanizadores de texto. Vamos ensinar os robôs a errar.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br

A humanização a que alude o comentário, porém, parece mais ligada a uma atitude ou posicionamento moral, que prescreve tolerância com a "diversidade ortográfica" como reflexo da tolerância com a pessoa que escreveu o texto.

Assinale a alternativa que apresente correção gramatical ao se alterar a estrutura do segmento em negrito no período acima. Não leve em conta as alterações de sentido.
Alternativas
Q3285248 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Humanizar a escrita: a nova tarefa dos robôs



Depois da chegada de nossos robôs auxiliares de escrita, que são capazes de resumir, de parafrasear e até mesmo de escrever por conta própria, vieram os programas de "humanização da escrita", também disponíveis na internet. Essas novas ferramentas, segundo seus fabricantes, servem para tornar indetectável o uso de inteligência artificial na produção de um texto, tornando-o mais semelhante a um texto escrito por um ser humano.



Dado que a inteligência artificial aprendeu com o material produzido por seres humanos, qual seria o elemento humano faltante aos textos escritos por ela? Em outras palavras, como fazer para que humanos não percebam que um texto foi produzido por uma máquina? Por curiosidade, fiz alguns testes, sem a menor pretensão de avaliar essas poderosas inteligências e seus criadores, e não cheguei a uma conclusão sobre o que seria a linguagem humanizada dos robôs.



Em um caso, o robô humanizado substituiu "pedido" por "request" num texto que, aliás, tinha sido escrito por um humano de carne e osso. Em outro, houve substituição de frases mais curtas e econômicas por períodos mais longos e redundantes; em outro, houve troca de "entre" por "dentre" (naturalmente, sem critério gramatical). Enfim, os seres humanos que criam esse tipo de ferramenta têm algum critério, seja ele qual for, para definir o que seria um estilo mais "humano". Qual será?



Em todo o caso, o termo "humanizado" vem aparecendo em muitos contextos, o que nos pode dar uma pista do que nós, afinal humanos, cremos ser "humano". Dia desses, uma discussão entre leitores de uma crônica na internet trouxe, talvez sem querer, uma questão curiosa. Um deles achou que o autor do texto tivesse cometido um erro de português (especificamente o uso de "câmara" no lugar de "câmera"). Outro explicou que as duas formas são corretas etc. etc., o que é verdade e qualquer bom dicionário pode atestar. Outros ainda consideraram inoportuno levantar esse tipo de questão, pois o texto era tão interessante e divertido etc. − tanta coisa a que prestar atenção e o sujeito vai logo reparar na grafia da palavra!



Até que outro acrescentou que qualquer um, autor ou revisor, pode errar (ora bolas!), a que se seguiu um comentário de assentimento: "Exatamente, compreensível. Essa é a forma humanizada da ortografia". Note-se que, a essa altura, o problema não era saber se as duas grafias eram corretas, muito menos se cogitava aproveitar o ensejo para discutir a variação ortográfica ou as acepções da palavra. Não. O problema mesmo foi o fato de alguém ter levantado a questão de supostamente haver um erro de grafia no texto do escritor.



A "forma humanizada da ortografia", ao que tudo indica, pressupõe um nível importante de tolerância. Sendo a ideia compreensível, para que essa "obsessão" pelo "correto"? Existe "o correto"? O curioso é que a ortografia, por ser convencionalmente estabelecida, é (ou era) a parte da gramática menos sujeita aos debates sobre variação da língua.



A humanização a que alude o comentário, porém, parece mais ligada a uma atitude ou posicionamento moral, que prescreve tolerância com a "diversidade ortográfica" como reflexo da tolerância com a pessoa que escreveu o texto. Corrigir ou assumir "tom professoral" é uma espécie de afronta à expressão alheia, uma atitude em si "intolerante". É preciso, afinal, respeitar o "diverso". O problema é que a língua precisa de elementos comuns para que seja eficaz em sua principal função, a da comunicação ("comunicar", na origem, é "pôr em comum").



Talvez essa postura humanizada explique o fato de hoje ser frequente encontrarmos erros gramaticais em livros caros, ilustrados, produzidos em ótimo papel, com capa dura etc. Afinal, como diziam nossas avós, errar é humano e, como já disse José Saramago, na sua "História do Cerco de Lisboa", ao explicar que o revisor nem sempre corrige, "primeiro mandamento do decálogo do revisor que aspire à santidade, aos autores deve-se evitar sempre o peso das vexações".



Não faz assim tanto tempo que o nosso querido Paulo Coelho, um dos mais bem-sucedidos escritores brasileiros, era alvo de críticas na imprensa por causa das gralhas que se avolumavam nos seus livros, as quais, diga-se, nunca atrapalharam seus negócios. Certa vez, um tanto irritado pela cobrança de jornalistas, ele se saiu com um chiste, que acabou sendo levado a sério: disse que a magia de seus livros (responsável pelo milagre das vendas) poderia estar justamente nos erros gramaticais, de modo que não providenciaria revisão nas edições seguintes. E assim provavelmente foi. Mal sabia ele que antecipava uma tendência.



A tolerância às  falhas às − falhas, que, mágicas ou não, afinal, nos lembram que somos humanos parece ser − um valor nos dias de hoje. Talvez essa seja a dica de ouro para os humanizadores de texto. Vamos ensinar os robôs a errar.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br

Certa vez, um tanto irritado pela cobrança de jornalistas, ele se saiu com um chiste, que acabou sendo levado a sério: disse que a magia de seus livros (responsável pelo milagre das vendas) poderia estar justamente nos erros gramaticais, de modo que não providenciaria revisão nas edições seguintes.

O valor semântico do segmento destacado, em relação ao enunciado anteriormente, é de
Alternativas
Q3285247 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Humanizar a escrita: a nova tarefa dos robôs



Depois da chegada de nossos robôs auxiliares de escrita, que são capazes de resumir, de parafrasear e até mesmo de escrever por conta própria, vieram os programas de "humanização da escrita", também disponíveis na internet. Essas novas ferramentas, segundo seus fabricantes, servem para tornar indetectável o uso de inteligência artificial na produção de um texto, tornando-o mais semelhante a um texto escrito por um ser humano.



Dado que a inteligência artificial aprendeu com o material produzido por seres humanos, qual seria o elemento humano faltante aos textos escritos por ela? Em outras palavras, como fazer para que humanos não percebam que um texto foi produzido por uma máquina? Por curiosidade, fiz alguns testes, sem a menor pretensão de avaliar essas poderosas inteligências e seus criadores, e não cheguei a uma conclusão sobre o que seria a linguagem humanizada dos robôs.



Em um caso, o robô humanizado substituiu "pedido" por "request" num texto que, aliás, tinha sido escrito por um humano de carne e osso. Em outro, houve substituição de frases mais curtas e econômicas por períodos mais longos e redundantes; em outro, houve troca de "entre" por "dentre" (naturalmente, sem critério gramatical). Enfim, os seres humanos que criam esse tipo de ferramenta têm algum critério, seja ele qual for, para definir o que seria um estilo mais "humano". Qual será?



Em todo o caso, o termo "humanizado" vem aparecendo em muitos contextos, o que nos pode dar uma pista do que nós, afinal humanos, cremos ser "humano". Dia desses, uma discussão entre leitores de uma crônica na internet trouxe, talvez sem querer, uma questão curiosa. Um deles achou que o autor do texto tivesse cometido um erro de português (especificamente o uso de "câmara" no lugar de "câmera"). Outro explicou que as duas formas são corretas etc. etc., o que é verdade e qualquer bom dicionário pode atestar. Outros ainda consideraram inoportuno levantar esse tipo de questão, pois o texto era tão interessante e divertido etc. − tanta coisa a que prestar atenção e o sujeito vai logo reparar na grafia da palavra!



Até que outro acrescentou que qualquer um, autor ou revisor, pode errar (ora bolas!), a que se seguiu um comentário de assentimento: "Exatamente, compreensível. Essa é a forma humanizada da ortografia". Note-se que, a essa altura, o problema não era saber se as duas grafias eram corretas, muito menos se cogitava aproveitar o ensejo para discutir a variação ortográfica ou as acepções da palavra. Não. O problema mesmo foi o fato de alguém ter levantado a questão de supostamente haver um erro de grafia no texto do escritor.



A "forma humanizada da ortografia", ao que tudo indica, pressupõe um nível importante de tolerância. Sendo a ideia compreensível, para que essa "obsessão" pelo "correto"? Existe "o correto"? O curioso é que a ortografia, por ser convencionalmente estabelecida, é (ou era) a parte da gramática menos sujeita aos debates sobre variação da língua.



A humanização a que alude o comentário, porém, parece mais ligada a uma atitude ou posicionamento moral, que prescreve tolerância com a "diversidade ortográfica" como reflexo da tolerância com a pessoa que escreveu o texto. Corrigir ou assumir "tom professoral" é uma espécie de afronta à expressão alheia, uma atitude em si "intolerante". É preciso, afinal, respeitar o "diverso". O problema é que a língua precisa de elementos comuns para que seja eficaz em sua principal função, a da comunicação ("comunicar", na origem, é "pôr em comum").



Talvez essa postura humanizada explique o fato de hoje ser frequente encontrarmos erros gramaticais em livros caros, ilustrados, produzidos em ótimo papel, com capa dura etc. Afinal, como diziam nossas avós, errar é humano e, como já disse José Saramago, na sua "História do Cerco de Lisboa", ao explicar que o revisor nem sempre corrige, "primeiro mandamento do decálogo do revisor que aspire à santidade, aos autores deve-se evitar sempre o peso das vexações".



Não faz assim tanto tempo que o nosso querido Paulo Coelho, um dos mais bem-sucedidos escritores brasileiros, era alvo de críticas na imprensa por causa das gralhas que se avolumavam nos seus livros, as quais, diga-se, nunca atrapalharam seus negócios. Certa vez, um tanto irritado pela cobrança de jornalistas, ele se saiu com um chiste, que acabou sendo levado a sério: disse que a magia de seus livros (responsável pelo milagre das vendas) poderia estar justamente nos erros gramaticais, de modo que não providenciaria revisão nas edições seguintes. E assim provavelmente foi. Mal sabia ele que antecipava uma tendência.



A tolerância às  falhas às − falhas, que, mágicas ou não, afinal, nos lembram que somos humanos parece ser − um valor nos dias de hoje. Talvez essa seja a dica de ouro para os humanizadores de texto. Vamos ensinar os robôs a errar.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br

Em outro, houve substituição de frases mais curtas e econômicas por períodos mais longos e redundantes; em outro, houve troca de "entre" por "dentre" (naturalmente, sem critério gramatical).

No trecho acima, faz-se referência à diferença de uso das palavras "entre" e "dentre", cuja diferença nem sempre é respeitada na língua.

A esse respeito, assinale a alternativa em que se tenha empregado corretamente a palavra "dentre".
Alternativas
Q3285246 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Humanizar a escrita: a nova tarefa dos robôs



Depois da chegada de nossos robôs auxiliares de escrita, que são capazes de resumir, de parafrasear e até mesmo de escrever por conta própria, vieram os programas de "humanização da escrita", também disponíveis na internet. Essas novas ferramentas, segundo seus fabricantes, servem para tornar indetectável o uso de inteligência artificial na produção de um texto, tornando-o mais semelhante a um texto escrito por um ser humano.



Dado que a inteligência artificial aprendeu com o material produzido por seres humanos, qual seria o elemento humano faltante aos textos escritos por ela? Em outras palavras, como fazer para que humanos não percebam que um texto foi produzido por uma máquina? Por curiosidade, fiz alguns testes, sem a menor pretensão de avaliar essas poderosas inteligências e seus criadores, e não cheguei a uma conclusão sobre o que seria a linguagem humanizada dos robôs.



Em um caso, o robô humanizado substituiu "pedido" por "request" num texto que, aliás, tinha sido escrito por um humano de carne e osso. Em outro, houve substituição de frases mais curtas e econômicas por períodos mais longos e redundantes; em outro, houve troca de "entre" por "dentre" (naturalmente, sem critério gramatical). Enfim, os seres humanos que criam esse tipo de ferramenta têm algum critério, seja ele qual for, para definir o que seria um estilo mais "humano". Qual será?



Em todo o caso, o termo "humanizado" vem aparecendo em muitos contextos, o que nos pode dar uma pista do que nós, afinal humanos, cremos ser "humano". Dia desses, uma discussão entre leitores de uma crônica na internet trouxe, talvez sem querer, uma questão curiosa. Um deles achou que o autor do texto tivesse cometido um erro de português (especificamente o uso de "câmara" no lugar de "câmera"). Outro explicou que as duas formas são corretas etc. etc., o que é verdade e qualquer bom dicionário pode atestar. Outros ainda consideraram inoportuno levantar esse tipo de questão, pois o texto era tão interessante e divertido etc. − tanta coisa a que prestar atenção e o sujeito vai logo reparar na grafia da palavra!



Até que outro acrescentou que qualquer um, autor ou revisor, pode errar (ora bolas!), a que se seguiu um comentário de assentimento: "Exatamente, compreensível. Essa é a forma humanizada da ortografia". Note-se que, a essa altura, o problema não era saber se as duas grafias eram corretas, muito menos se cogitava aproveitar o ensejo para discutir a variação ortográfica ou as acepções da palavra. Não. O problema mesmo foi o fato de alguém ter levantado a questão de supostamente haver um erro de grafia no texto do escritor.



A "forma humanizada da ortografia", ao que tudo indica, pressupõe um nível importante de tolerância. Sendo a ideia compreensível, para que essa "obsessão" pelo "correto"? Existe "o correto"? O curioso é que a ortografia, por ser convencionalmente estabelecida, é (ou era) a parte da gramática menos sujeita aos debates sobre variação da língua.



A humanização a que alude o comentário, porém, parece mais ligada a uma atitude ou posicionamento moral, que prescreve tolerância com a "diversidade ortográfica" como reflexo da tolerância com a pessoa que escreveu o texto. Corrigir ou assumir "tom professoral" é uma espécie de afronta à expressão alheia, uma atitude em si "intolerante". É preciso, afinal, respeitar o "diverso". O problema é que a língua precisa de elementos comuns para que seja eficaz em sua principal função, a da comunicação ("comunicar", na origem, é "pôr em comum").



Talvez essa postura humanizada explique o fato de hoje ser frequente encontrarmos erros gramaticais em livros caros, ilustrados, produzidos em ótimo papel, com capa dura etc. Afinal, como diziam nossas avós, errar é humano e, como já disse José Saramago, na sua "História do Cerco de Lisboa", ao explicar que o revisor nem sempre corrige, "primeiro mandamento do decálogo do revisor que aspire à santidade, aos autores deve-se evitar sempre o peso das vexações".



Não faz assim tanto tempo que o nosso querido Paulo Coelho, um dos mais bem-sucedidos escritores brasileiros, era alvo de críticas na imprensa por causa das gralhas que se avolumavam nos seus livros, as quais, diga-se, nunca atrapalharam seus negócios. Certa vez, um tanto irritado pela cobrança de jornalistas, ele se saiu com um chiste, que acabou sendo levado a sério: disse que a magia de seus livros (responsável pelo milagre das vendas) poderia estar justamente nos erros gramaticais, de modo que não providenciaria revisão nas edições seguintes. E assim provavelmente foi. Mal sabia ele que antecipava uma tendência.



A tolerância às  falhas às − falhas, que, mágicas ou não, afinal, nos lembram que somos humanos parece ser − um valor nos dias de hoje. Talvez essa seja a dica de ouro para os humanizadores de texto. Vamos ensinar os robôs a errar.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br

Não faz assim tanto tempo que o nosso querido Paulo Coelho, um dos mais bem-sucedidos escritores brasileiros, era alvo de críticas na imprensa por causa das gralhas que se avolumavam nos seus livros, as quais, diga-se, nunca atrapalharam seus negócios.

A respeito da palavra destacada no período acima, é correto afirmar que
Alternativas
Q3285245 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Humanizar a escrita: a nova tarefa dos robôs



Depois da chegada de nossos robôs auxiliares de escrita, que são capazes de resumir, de parafrasear e até mesmo de escrever por conta própria, vieram os programas de "humanização da escrita", também disponíveis na internet. Essas novas ferramentas, segundo seus fabricantes, servem para tornar indetectável o uso de inteligência artificial na produção de um texto, tornando-o mais semelhante a um texto escrito por um ser humano.



Dado que a inteligência artificial aprendeu com o material produzido por seres humanos, qual seria o elemento humano faltante aos textos escritos por ela? Em outras palavras, como fazer para que humanos não percebam que um texto foi produzido por uma máquina? Por curiosidade, fiz alguns testes, sem a menor pretensão de avaliar essas poderosas inteligências e seus criadores, e não cheguei a uma conclusão sobre o que seria a linguagem humanizada dos robôs.



Em um caso, o robô humanizado substituiu "pedido" por "request" num texto que, aliás, tinha sido escrito por um humano de carne e osso. Em outro, houve substituição de frases mais curtas e econômicas por períodos mais longos e redundantes; em outro, houve troca de "entre" por "dentre" (naturalmente, sem critério gramatical). Enfim, os seres humanos que criam esse tipo de ferramenta têm algum critério, seja ele qual for, para definir o que seria um estilo mais "humano". Qual será?



Em todo o caso, o termo "humanizado" vem aparecendo em muitos contextos, o que nos pode dar uma pista do que nós, afinal humanos, cremos ser "humano". Dia desses, uma discussão entre leitores de uma crônica na internet trouxe, talvez sem querer, uma questão curiosa. Um deles achou que o autor do texto tivesse cometido um erro de português (especificamente o uso de "câmara" no lugar de "câmera"). Outro explicou que as duas formas são corretas etc. etc., o que é verdade e qualquer bom dicionário pode atestar. Outros ainda consideraram inoportuno levantar esse tipo de questão, pois o texto era tão interessante e divertido etc. − tanta coisa a que prestar atenção e o sujeito vai logo reparar na grafia da palavra!



Até que outro acrescentou que qualquer um, autor ou revisor, pode errar (ora bolas!), a que se seguiu um comentário de assentimento: "Exatamente, compreensível. Essa é a forma humanizada da ortografia". Note-se que, a essa altura, o problema não era saber se as duas grafias eram corretas, muito menos se cogitava aproveitar o ensejo para discutir a variação ortográfica ou as acepções da palavra. Não. O problema mesmo foi o fato de alguém ter levantado a questão de supostamente haver um erro de grafia no texto do escritor.



A "forma humanizada da ortografia", ao que tudo indica, pressupõe um nível importante de tolerância. Sendo a ideia compreensível, para que essa "obsessão" pelo "correto"? Existe "o correto"? O curioso é que a ortografia, por ser convencionalmente estabelecida, é (ou era) a parte da gramática menos sujeita aos debates sobre variação da língua.



A humanização a que alude o comentário, porém, parece mais ligada a uma atitude ou posicionamento moral, que prescreve tolerância com a "diversidade ortográfica" como reflexo da tolerância com a pessoa que escreveu o texto. Corrigir ou assumir "tom professoral" é uma espécie de afronta à expressão alheia, uma atitude em si "intolerante". É preciso, afinal, respeitar o "diverso". O problema é que a língua precisa de elementos comuns para que seja eficaz em sua principal função, a da comunicação ("comunicar", na origem, é "pôr em comum").



Talvez essa postura humanizada explique o fato de hoje ser frequente encontrarmos erros gramaticais em livros caros, ilustrados, produzidos em ótimo papel, com capa dura etc. Afinal, como diziam nossas avós, errar é humano e, como já disse José Saramago, na sua "História do Cerco de Lisboa", ao explicar que o revisor nem sempre corrige, "primeiro mandamento do decálogo do revisor que aspire à santidade, aos autores deve-se evitar sempre o peso das vexações".



Não faz assim tanto tempo que o nosso querido Paulo Coelho, um dos mais bem-sucedidos escritores brasileiros, era alvo de críticas na imprensa por causa das gralhas que se avolumavam nos seus livros, as quais, diga-se, nunca atrapalharam seus negócios. Certa vez, um tanto irritado pela cobrança de jornalistas, ele se saiu com um chiste, que acabou sendo levado a sério: disse que a magia de seus livros (responsável pelo milagre das vendas) poderia estar justamente nos erros gramaticais, de modo que não providenciaria revisão nas edições seguintes. E assim provavelmente foi. Mal sabia ele que antecipava uma tendência.



A tolerância às  falhas às − falhas, que, mágicas ou não, afinal, nos lembram que somos humanos parece ser − um valor nos dias de hoje. Talvez essa seja a dica de ouro para os humanizadores de texto. Vamos ensinar os robôs a errar.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br

Outro explicou que as duas formas são corretas etc. etc., o que é verdade e qualquer bom dicionário pode atestar.

No período acima, uma palavra que exerce papel adjetivo é
Alternativas
Q3285244 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Humanizar a escrita: a nova tarefa dos robôs



Depois da chegada de nossos robôs auxiliares de escrita, que são capazes de resumir, de parafrasear e até mesmo de escrever por conta própria, vieram os programas de "humanização da escrita", também disponíveis na internet. Essas novas ferramentas, segundo seus fabricantes, servem para tornar indetectável o uso de inteligência artificial na produção de um texto, tornando-o mais semelhante a um texto escrito por um ser humano.



Dado que a inteligência artificial aprendeu com o material produzido por seres humanos, qual seria o elemento humano faltante aos textos escritos por ela? Em outras palavras, como fazer para que humanos não percebam que um texto foi produzido por uma máquina? Por curiosidade, fiz alguns testes, sem a menor pretensão de avaliar essas poderosas inteligências e seus criadores, e não cheguei a uma conclusão sobre o que seria a linguagem humanizada dos robôs.



Em um caso, o robô humanizado substituiu "pedido" por "request" num texto que, aliás, tinha sido escrito por um humano de carne e osso. Em outro, houve substituição de frases mais curtas e econômicas por períodos mais longos e redundantes; em outro, houve troca de "entre" por "dentre" (naturalmente, sem critério gramatical). Enfim, os seres humanos que criam esse tipo de ferramenta têm algum critério, seja ele qual for, para definir o que seria um estilo mais "humano". Qual será?



Em todo o caso, o termo "humanizado" vem aparecendo em muitos contextos, o que nos pode dar uma pista do que nós, afinal humanos, cremos ser "humano". Dia desses, uma discussão entre leitores de uma crônica na internet trouxe, talvez sem querer, uma questão curiosa. Um deles achou que o autor do texto tivesse cometido um erro de português (especificamente o uso de "câmara" no lugar de "câmera"). Outro explicou que as duas formas são corretas etc. etc., o que é verdade e qualquer bom dicionário pode atestar. Outros ainda consideraram inoportuno levantar esse tipo de questão, pois o texto era tão interessante e divertido etc. − tanta coisa a que prestar atenção e o sujeito vai logo reparar na grafia da palavra!



Até que outro acrescentou que qualquer um, autor ou revisor, pode errar (ora bolas!), a que se seguiu um comentário de assentimento: "Exatamente, compreensível. Essa é a forma humanizada da ortografia". Note-se que, a essa altura, o problema não era saber se as duas grafias eram corretas, muito menos se cogitava aproveitar o ensejo para discutir a variação ortográfica ou as acepções da palavra. Não. O problema mesmo foi o fato de alguém ter levantado a questão de supostamente haver um erro de grafia no texto do escritor.



A "forma humanizada da ortografia", ao que tudo indica, pressupõe um nível importante de tolerância. Sendo a ideia compreensível, para que essa "obsessão" pelo "correto"? Existe "o correto"? O curioso é que a ortografia, por ser convencionalmente estabelecida, é (ou era) a parte da gramática menos sujeita aos debates sobre variação da língua.



A humanização a que alude o comentário, porém, parece mais ligada a uma atitude ou posicionamento moral, que prescreve tolerância com a "diversidade ortográfica" como reflexo da tolerância com a pessoa que escreveu o texto. Corrigir ou assumir "tom professoral" é uma espécie de afronta à expressão alheia, uma atitude em si "intolerante". É preciso, afinal, respeitar o "diverso". O problema é que a língua precisa de elementos comuns para que seja eficaz em sua principal função, a da comunicação ("comunicar", na origem, é "pôr em comum").



Talvez essa postura humanizada explique o fato de hoje ser frequente encontrarmos erros gramaticais em livros caros, ilustrados, produzidos em ótimo papel, com capa dura etc. Afinal, como diziam nossas avós, errar é humano e, como já disse José Saramago, na sua "História do Cerco de Lisboa", ao explicar que o revisor nem sempre corrige, "primeiro mandamento do decálogo do revisor que aspire à santidade, aos autores deve-se evitar sempre o peso das vexações".



Não faz assim tanto tempo que o nosso querido Paulo Coelho, um dos mais bem-sucedidos escritores brasileiros, era alvo de críticas na imprensa por causa das gralhas que se avolumavam nos seus livros, as quais, diga-se, nunca atrapalharam seus negócios. Certa vez, um tanto irritado pela cobrança de jornalistas, ele se saiu com um chiste, que acabou sendo levado a sério: disse que a magia de seus livros (responsável pelo milagre das vendas) poderia estar justamente nos erros gramaticais, de modo que não providenciaria revisão nas edições seguintes. E assim provavelmente foi. Mal sabia ele que antecipava uma tendência.



A tolerância às  falhas às − falhas, que, mágicas ou não, afinal, nos lembram que somos humanos parece ser − um valor nos dias de hoje. Talvez essa seja a dica de ouro para os humanizadores de texto. Vamos ensinar os robôs a errar.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br

Corrigir ou assumir "tom professoral" é uma espécie de afronta à expressão alheia, uma atitude em si "intolerante".

O verbo SER, flexionado na forma "é", foi mantido no singular porque o sujeito
Alternativas
Q3285242 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Humanizar a escrita: a nova tarefa dos robôs



Depois da chegada de nossos robôs auxiliares de escrita, que são capazes de resumir, de parafrasear e até mesmo de escrever por conta própria, vieram os programas de "humanização da escrita", também disponíveis na internet. Essas novas ferramentas, segundo seus fabricantes, servem para tornar indetectável o uso de inteligência artificial na produção de um texto, tornando-o mais semelhante a um texto escrito por um ser humano.



Dado que a inteligência artificial aprendeu com o material produzido por seres humanos, qual seria o elemento humano faltante aos textos escritos por ela? Em outras palavras, como fazer para que humanos não percebam que um texto foi produzido por uma máquina? Por curiosidade, fiz alguns testes, sem a menor pretensão de avaliar essas poderosas inteligências e seus criadores, e não cheguei a uma conclusão sobre o que seria a linguagem humanizada dos robôs.



Em um caso, o robô humanizado substituiu "pedido" por "request" num texto que, aliás, tinha sido escrito por um humano de carne e osso. Em outro, houve substituição de frases mais curtas e econômicas por períodos mais longos e redundantes; em outro, houve troca de "entre" por "dentre" (naturalmente, sem critério gramatical). Enfim, os seres humanos que criam esse tipo de ferramenta têm algum critério, seja ele qual for, para definir o que seria um estilo mais "humano". Qual será?



Em todo o caso, o termo "humanizado" vem aparecendo em muitos contextos, o que nos pode dar uma pista do que nós, afinal humanos, cremos ser "humano". Dia desses, uma discussão entre leitores de uma crônica na internet trouxe, talvez sem querer, uma questão curiosa. Um deles achou que o autor do texto tivesse cometido um erro de português (especificamente o uso de "câmara" no lugar de "câmera"). Outro explicou que as duas formas são corretas etc. etc., o que é verdade e qualquer bom dicionário pode atestar. Outros ainda consideraram inoportuno levantar esse tipo de questão, pois o texto era tão interessante e divertido etc. − tanta coisa a que prestar atenção e o sujeito vai logo reparar na grafia da palavra!



Até que outro acrescentou que qualquer um, autor ou revisor, pode errar (ora bolas!), a que se seguiu um comentário de assentimento: "Exatamente, compreensível. Essa é a forma humanizada da ortografia". Note-se que, a essa altura, o problema não era saber se as duas grafias eram corretas, muito menos se cogitava aproveitar o ensejo para discutir a variação ortográfica ou as acepções da palavra. Não. O problema mesmo foi o fato de alguém ter levantado a questão de supostamente haver um erro de grafia no texto do escritor.



A "forma humanizada da ortografia", ao que tudo indica, pressupõe um nível importante de tolerância. Sendo a ideia compreensível, para que essa "obsessão" pelo "correto"? Existe "o correto"? O curioso é que a ortografia, por ser convencionalmente estabelecida, é (ou era) a parte da gramática menos sujeita aos debates sobre variação da língua.



A humanização a que alude o comentário, porém, parece mais ligada a uma atitude ou posicionamento moral, que prescreve tolerância com a "diversidade ortográfica" como reflexo da tolerância com a pessoa que escreveu o texto. Corrigir ou assumir "tom professoral" é uma espécie de afronta à expressão alheia, uma atitude em si "intolerante". É preciso, afinal, respeitar o "diverso". O problema é que a língua precisa de elementos comuns para que seja eficaz em sua principal função, a da comunicação ("comunicar", na origem, é "pôr em comum").



Talvez essa postura humanizada explique o fato de hoje ser frequente encontrarmos erros gramaticais em livros caros, ilustrados, produzidos em ótimo papel, com capa dura etc. Afinal, como diziam nossas avós, errar é humano e, como já disse José Saramago, na sua "História do Cerco de Lisboa", ao explicar que o revisor nem sempre corrige, "primeiro mandamento do decálogo do revisor que aspire à santidade, aos autores deve-se evitar sempre o peso das vexações".



Não faz assim tanto tempo que o nosso querido Paulo Coelho, um dos mais bem-sucedidos escritores brasileiros, era alvo de críticas na imprensa por causa das gralhas que se avolumavam nos seus livros, as quais, diga-se, nunca atrapalharam seus negócios. Certa vez, um tanto irritado pela cobrança de jornalistas, ele se saiu com um chiste, que acabou sendo levado a sério: disse que a magia de seus livros (responsável pelo milagre das vendas) poderia estar justamente nos erros gramaticais, de modo que não providenciaria revisão nas edições seguintes. E assim provavelmente foi. Mal sabia ele que antecipava uma tendência.



A tolerância às  falhas às − falhas, que, mágicas ou não, afinal, nos lembram que somos humanos parece ser − um valor nos dias de hoje. Talvez essa seja a dica de ouro para os humanizadores de texto. Vamos ensinar os robôs a errar.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br

O problema mesmo foi o fato de alguém ter levantado a questão de supostamente haver um erro de grafia no texto do escritor.

Assinale a alternativa em que a alteração do segmento destacado no período acima tenha sido feita em observância à norma culta. Não leve em conta alterações de sentido.
Alternativas
Respostas
43401: A
43402: D
43403: D
43404: B
43405: A
43406: A
43407: B
43408: D
43409: B
43410: A
43411: B
43412: A
43413: C
43414: C
43415: C
43416: B
43417: D
43418: A
43419: A
43420: D