Questões de Concurso Comentadas sobre português

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Q3377028 Português
Marque a opção em que as palavras apresentem a grafia correta para preencher as lacunas do período.

Alguns escritores ____ sejam obcecados demais pela ideia de uma escrita perfeita, sem excessos, sem exageros; sempre atentos a não deixar quaisquer traços de desleixo, ____ ou distração, conferem e revisam tudo dentro de um processo de ____ tão perfeccionista que chega a ser ____. 
Alternativas
Q3376881 Português
“Mudanças climáticas e degradação ambiental enfraquecem os direitos de crianças e adolescentes.”
“Meninas e meninos são os menos responsáveis pelas mudanças climáticas, mas suportarão o maior fardo de seu impacto.”

https://www.unicef.org

Os trechos, acima, foram extraídos do texto “Meio ambiente e mudanças climáticas” publicados pela UNICEF. Com base nesses trechos, as palavras sublinhadas foram empregadas, respectivamente, como:
Alternativas
Q3376879 Português
“Chamado de rio da integração nacional, o São Francisco percorre sete estados brasileiros: Minas Gerais, Distrito Federal, Goiás, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. As águas do Velho Chico correm por 521 cidades e apoiam o abastecimento das casas, a irrigação de plantações, a geração de energia e a navegação. Nos trechos em que passa por estados nordestinos, o rio ganha maior importância: o São Francisco representa ali cerca de dois terços da disponibilidade de água doce da região.”
http://www.brasil.gov.br

Com base no texto, pode-se afirmar que:
Alternativas
Q3376878 Português
Cuscuz daqui

“Não me venha com nutella
nem geleia natural
nem patê de ...................
ou qualquer pão integral
o que faz bem pra goela
é um charque na panela
e um cuscuz bem regional.
Guibson Medeiros

A palavra que deve preencher o espaço no poema acima é: 
Alternativas
Q3376876 Português
“Hoje em dia, as pessoas acreditam que estar bem consigo mesmas é apresentar um cartão de visita de uma boa aparência, do externo, daquilo que é visível, do que se pode ter, onde tantas vezes uma tristeza profunda se esconde por trás de um sorriso disfarçado.”
Soraya Rodrigues de Aragão

Com base nas regras de acentuação gráfica, é CORRETO afirmar que: 
Alternativas
Q3376874 Português
“As belezas das enormes áreas de cultivo de Fruticultura no Vale do São Francisco estão diretamente ligadas à fertilidade dos inúmeros empregos gerados no setor. Potencial espaço para vagas, o setor agropecuário, nos últimos 10 anos em Pernambuco, cresceu 26% na quantidade de postos de trabalho. A sustentação desse cenário tem uma explicação importante: o cultivo de uva e manga na região.”
https://revistadafruta.com.br

Com base no texto, o que promove o crescimento da fruticultura e o potencial de empregos no setor no Vale do São Francisco é o cultivo, principalmente, da:
Alternativas
Q3376861 Português
De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais para os anos iniciais do Ensino Fundamental é possível observar exemplos de gêneros discursivos que são considerados adequados para o trabalho com a linguagem oral e com a linguagem escrita. Observe os exemplos destacados a seguir e assinale a alternativa que traz um exemplo de gênero discursivo que condiz simultaneamente com o trabalho com as linguagens oral e escrita.
Alternativas
Q3376850 Português
Em relação a algumas das características dos diferentes gêneros discursivos, destaque a afirmativa que foi mal elaborada.
Alternativas
Q3376826 Português
“Um ecossistema é um conjunto formado pelas interações entre componentes bióticos, como os organismos vivos: plantas, animais e micróbios, e os componentes abióticos, elementos químicos e físicos, como o ar, a água, o solo e minerais.”
https://oeco.org.br

O trecho, acima, foi extraído do texto “O que é um Ecossistema e um Bioma” publicado em “O Eco” Com base nesse trecho, as palavras sublinhadas foram empregadas, respectivamente, como:
Alternativas
Q3376824 Português
“Petrolina é uma cidade localizada no sertão de Pernambuco, ficando a quase 800 quilômetros de distância da capital do estado, Recife. Conforme o Censo de 2020, Petrolina se tornou a terceira maior cidade do estado de Pernambuco, com incríveis 388.145 habitantes. O que mais se pode esperar é muita música, cultura, arte e lugares incríveis para conhecer na cidade. Para os quem tem vontade de uma viagem para o nordeste, tendo em mente roteiros diferentes das praias, essa é uma das melhores opções.”
https://radardosertao.com

Com base no texto, pode-se afirmar que:
Alternativas
Q3376821 Português
“Com grande diversidade ambiental, a Bacia do São Francisco contempla fragmentos de diferentes biomas: floresta atlântica, cerrado, caatinga, costeiros e insulares. O cerrado cobre, praticamente, metade da área da bacia – de Minas Gerais ao oeste e sul da Bahia, enquanto a caatinga predomina no nordeste baiano, onde as condições climáticas são mais severas. Um exemplar da floresta atlântica, devastada pelo uso agrícola e pastagens, ocorre no Alto São Francisco, principalmente nas cabeceiras.”
https://cbhsaofrancisco.org.br

Considerando as regras de acentuação gráfica, assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas
Q3376819 Português
“Maior Município do Sertão, situado na divisa com o Estado da Bahia, considerado a Capital do Sertão, conhecido como a Encruzilhada do Progresso, Petrolina é o maior polo agroindustrial de Pernambuco. Alcançou seu desenvolvimento através da agricultura irrigada, tornando-se um importante centro de produção de frutas tropicais. Situada no Vale de São Francisco, a Cidade explora o Rio para oferecer boas opções de lazer e turismo e para projetos de piscicultura, outra importante fonte de processo econômico da região.”
https://petrolina.pe.leg.br

Com base nas informações contidas no texto, Petrolina: 
Alternativas
Q3376814 Português
A palavra “gentílico” é usada para indicar a origem ou a relação de alguém (ou algo) com um lugar. Um exemplo disso é o gentílico “brasileiro”, utilizado para se referir aquele com origens no Brasil. A partir disso, qual o gentílico usado para se tratar do município de Hidrolândia?
Alternativas
Q3376802 Português
Na frase “Joana está muito cansada”, qual das palavras é o substantivo que nomeia uma pessoa?
Alternativas
Q3376801 Português
Marque a alternativa em que a divisão silábica da palavra “orgulhosa” está correta. 
Alternativas
Q3376800 Português
Leia o conto abaixo e responda a questão.


A Rosa orgulhosa


Era uma vez uma Rosa que tinha muito orgulho da sua beleza. Apesar disso, ela ficava revoltada por ter crescido ao lado de um Cacto que achava tão feio. Todos os dias, a Rosa criticava a aparência do Cacto e ele ficava quieto. As outras plantas no jardim tentavam chamar a Rosa à razão, mas ela estava tão encantada pela própria beleza que nem se importava.

Quando o verão chegou, o poço do jardim secou e não havia mais água para as plantas. Foi então que a Rosa começou a murchar. Ela viu um pardal mergulhando o bico no Cacto para pegar um pouco de água. Mesmo envergonhada, ela perguntou ao Cacto se também poderia beber um pouco de água. O Cacto concordou prontamente e os dois enfrentaram o verão difícil juntos, como amigos.
No trecho “o poço do jardim secou”, o verbo “secou” se refere a algo que:
Alternativas
Q3376798 Português
Leia o conto abaixo e responda a questão.


A Rosa orgulhosa


Era uma vez uma Rosa que tinha muito orgulho da sua beleza. Apesar disso, ela ficava revoltada por ter crescido ao lado de um Cacto que achava tão feio. Todos os dias, a Rosa criticava a aparência do Cacto e ele ficava quieto. As outras plantas no jardim tentavam chamar a Rosa à razão, mas ela estava tão encantada pela própria beleza que nem se importava.

Quando o verão chegou, o poço do jardim secou e não havia mais água para as plantas. Foi então que a Rosa começou a murchar. Ela viu um pardal mergulhando o bico no Cacto para pegar um pouco de água. Mesmo envergonhada, ela perguntou ao Cacto se também poderia beber um pouco de água. O Cacto concordou prontamente e os dois enfrentaram o verão difícil juntos, como amigos.
De acordo com o conto, o Cacto dividiu com a Rosa aquilo que era preciso para enfrentarem o verão. O que era?
Alternativas
Q3376627 Português

Não aconselho envelhecer



    Aos moços dou um conselho: não fiquem velhos. Verdade que as opções são poucas – ou morrer, ou lutar contra a velhice. E morrer não seria opção, mas entrega; e a luta? Bem, a luta resulta sempre numa batalha perdida e inglória.


    Entre os processos cruéis da natureza, é a velhice o mais cruel. Implacável, insidiosa, ataca por todos os lados, abre a porta a todas as moléstias mortais. Pensando bem, é uma espécie de HIV a longo prazo. Te ataca o coração, o pulmão, todas as demais vísceras – a tripa, o fígado, o que nos abatedouros se chama o arrasto. E mais a fiação arterial e venosa, e a coluna! E não falei na atividade cerebral. E também esqueci os ossos, a infame osteoporose, que te rói os ossos pelo tutano, deixando-os como frágeis cascas de ovos. E então basta um pequeno escorregão na banheira para deixar um fêmur fraturado.


    Os moços compadecidos, os quarentões assustados e os próprios velhos, apelando para tudo, inventaram ultimamente essas bobagens de “terceira idade”, clubes e associações que trabalham contra o isolamento e as tristezas da velhice. Mas não se iluda, velho, meu amigo e colega. Ninguém está acreditando naquilo. Você já viu na TV um quadro de propaganda dessa falsa recuperação de terceira idade? Um velho e uma velha, vestidos à moda dos anos trinta, tentando dançar um tango argentino? É patético, embora a maioria dos moços apenas o considere docemente ridículo.


    Diz-se que já se consegue muito na luta contra a velhice. Ginástica, dieta, malhação, corrida etc. Cirurgia plástica. Ah, já pensaram no tormento de uma bela mulher, atriz, dama do soçaite, cortesã, que viva da e para a sua beleza, ao descobrir as primeiras rugas, a flacidez do mento, daquela sutil rede de outras pequenas rugas que rodeiam os lábios? O Dr. Pitanguy opera e os seus colegas de mérito variável também operam. Mas, por mais famosos, competentes e mágicos que sejam os cirurgiões plásticos, só fazem mágicas, não fazem milagres. Esticam a pele sobre os músculos flácidos, fazem um peeling, que é uma espécie de raladura na cútis, fica lindo a princípio, mas, como toda mágica, não dura muito. E aí têm que começar tudo outra vez, as cicatrizes já não se escondem tão bem atrás das orelhas ou no couro cabeludo que, aparado, vai encurtando, deixando as pacientes com testas enormes, quase uma calvície. E nem falei em calvície que, mercê de Deus, ataca mais os homens que as mulheres! 


    Você contempla no espelho, vê as rugas do seu rosto, do seu pescoço, como se olhasse uma máscara que se desfaz. Vê bem, sabe como está velho, embora não sinta que está velho. Sua alma, seus sentimentos, sua cabeça, nada disso confirma a palavra ou a imagem do espelho. Mas os outros só veem de você o que o espelho vê.


    E ao par disso as cãs, quer dizer, os cabelos brancos? Bem, os cabelos, pintam-se. Mas vocês já descobriram que, por mais excelentes sejam o cabeleireiro e as tinturas, o cabelo pintado fica sempre gritantemente diverso do natural? Pensei sobre isso e acabei descobrindo: o cabelo nosso, a natureza lhe dá cor de fio em fio, cada fio na sua tonalidade, uns mais claros, outros mais escuros: o conjunto toma esse colorido inimitável, que profissional nenhum pode obter, já que lhe é impossível tingir fio por fio. E, daí, essas senhoras de comas tão louras, tão ruivas, tão castanhas e negras, não iludirem nunca, darem mesmo a impressão de que usam perucas.


    E, no final de tudo, vem o envelhecimento da cabeça, da inteligência, das ideias, da alma – da chamada psiquê. O velho tenta se equiparar às audácias dos jovens, até mesmo excedê-las – mas a si próprio não se convence. Sabe que as suas ideias são as do seu tempo, fruto do que leu, viu e acumulou; e isso pode ser camuflado, mas não pode ser modificado. Dizem que as células cerebrais não se renovam, como as demais células do corpo – será verdade? Até mesmo as ideias dos gênios mortos envelhecem; e diante das ideias de um Nietzsche, de um Freud, tem que se dar o desconto do tempo e das mudanças. Contudo, o pior mesmo é quando você, com honesta sinceridade, lamenta diante de alguém os estragos que lhe traz a velhice, e isso alguém protesta com veemência: “Eu queria, quando chegar à sua idade, ter essa sua lucidez!”


    Lucidez? O que é que eu esperava? Que você já estivesse caduco?



(QUEIROZ, Raquel (1995) Não aconselho envelhecer. In Falso mar, falso mundo. São Paulo: Arx, 2002.)


Considere as reproduções de trechos abaixo e assinale a alternativa cujo verbo sublinhado se refere a um sujeito indeterminado.
Alternativas
Q3376626 Português

Não aconselho envelhecer



    Aos moços dou um conselho: não fiquem velhos. Verdade que as opções são poucas – ou morrer, ou lutar contra a velhice. E morrer não seria opção, mas entrega; e a luta? Bem, a luta resulta sempre numa batalha perdida e inglória.


    Entre os processos cruéis da natureza, é a velhice o mais cruel. Implacável, insidiosa, ataca por todos os lados, abre a porta a todas as moléstias mortais. Pensando bem, é uma espécie de HIV a longo prazo. Te ataca o coração, o pulmão, todas as demais vísceras – a tripa, o fígado, o que nos abatedouros se chama o arrasto. E mais a fiação arterial e venosa, e a coluna! E não falei na atividade cerebral. E também esqueci os ossos, a infame osteoporose, que te rói os ossos pelo tutano, deixando-os como frágeis cascas de ovos. E então basta um pequeno escorregão na banheira para deixar um fêmur fraturado.


    Os moços compadecidos, os quarentões assustados e os próprios velhos, apelando para tudo, inventaram ultimamente essas bobagens de “terceira idade”, clubes e associações que trabalham contra o isolamento e as tristezas da velhice. Mas não se iluda, velho, meu amigo e colega. Ninguém está acreditando naquilo. Você já viu na TV um quadro de propaganda dessa falsa recuperação de terceira idade? Um velho e uma velha, vestidos à moda dos anos trinta, tentando dançar um tango argentino? É patético, embora a maioria dos moços apenas o considere docemente ridículo.


    Diz-se que já se consegue muito na luta contra a velhice. Ginástica, dieta, malhação, corrida etc. Cirurgia plástica. Ah, já pensaram no tormento de uma bela mulher, atriz, dama do soçaite, cortesã, que viva da e para a sua beleza, ao descobrir as primeiras rugas, a flacidez do mento, daquela sutil rede de outras pequenas rugas que rodeiam os lábios? O Dr. Pitanguy opera e os seus colegas de mérito variável também operam. Mas, por mais famosos, competentes e mágicos que sejam os cirurgiões plásticos, só fazem mágicas, não fazem milagres. Esticam a pele sobre os músculos flácidos, fazem um peeling, que é uma espécie de raladura na cútis, fica lindo a princípio, mas, como toda mágica, não dura muito. E aí têm que começar tudo outra vez, as cicatrizes já não se escondem tão bem atrás das orelhas ou no couro cabeludo que, aparado, vai encurtando, deixando as pacientes com testas enormes, quase uma calvície. E nem falei em calvície que, mercê de Deus, ataca mais os homens que as mulheres! 


    Você contempla no espelho, vê as rugas do seu rosto, do seu pescoço, como se olhasse uma máscara que se desfaz. Vê bem, sabe como está velho, embora não sinta que está velho. Sua alma, seus sentimentos, sua cabeça, nada disso confirma a palavra ou a imagem do espelho. Mas os outros só veem de você o que o espelho vê.


    E ao par disso as cãs, quer dizer, os cabelos brancos? Bem, os cabelos, pintam-se. Mas vocês já descobriram que, por mais excelentes sejam o cabeleireiro e as tinturas, o cabelo pintado fica sempre gritantemente diverso do natural? Pensei sobre isso e acabei descobrindo: o cabelo nosso, a natureza lhe dá cor de fio em fio, cada fio na sua tonalidade, uns mais claros, outros mais escuros: o conjunto toma esse colorido inimitável, que profissional nenhum pode obter, já que lhe é impossível tingir fio por fio. E, daí, essas senhoras de comas tão louras, tão ruivas, tão castanhas e negras, não iludirem nunca, darem mesmo a impressão de que usam perucas.


    E, no final de tudo, vem o envelhecimento da cabeça, da inteligência, das ideias, da alma – da chamada psiquê. O velho tenta se equiparar às audácias dos jovens, até mesmo excedê-las – mas a si próprio não se convence. Sabe que as suas ideias são as do seu tempo, fruto do que leu, viu e acumulou; e isso pode ser camuflado, mas não pode ser modificado. Dizem que as células cerebrais não se renovam, como as demais células do corpo – será verdade? Até mesmo as ideias dos gênios mortos envelhecem; e diante das ideias de um Nietzsche, de um Freud, tem que se dar o desconto do tempo e das mudanças. Contudo, o pior mesmo é quando você, com honesta sinceridade, lamenta diante de alguém os estragos que lhe traz a velhice, e isso alguém protesta com veemência: “Eu queria, quando chegar à sua idade, ter essa sua lucidez!”


    Lucidez? O que é que eu esperava? Que você já estivesse caduco?



(QUEIROZ, Raquel (1995) Não aconselho envelhecer. In Falso mar, falso mundo. São Paulo: Arx, 2002.)


Embora por vezes seja possível ver-se frente a vocábulos de significado desconhecido em razão de seu parco uso na comunicação comum, o entendimento da significação das palavras no texto constitui uma competência essencial para a assimilação de sua mensagem. O contexto é fundamental nesses casos, pois pode permitir que certo verbete de conceito desconhecido seja adequadamente compreendido. Considere, portanto, o termo “cãs” (6º§). É correto dizer que, ao considerar o contexto em que se insere, o termo sublinhado pode ter seu significado correto identificado como:
Alternativas
Q3376625 Português

Não aconselho envelhecer



    Aos moços dou um conselho: não fiquem velhos. Verdade que as opções são poucas – ou morrer, ou lutar contra a velhice. E morrer não seria opção, mas entrega; e a luta? Bem, a luta resulta sempre numa batalha perdida e inglória.


    Entre os processos cruéis da natureza, é a velhice o mais cruel. Implacável, insidiosa, ataca por todos os lados, abre a porta a todas as moléstias mortais. Pensando bem, é uma espécie de HIV a longo prazo. Te ataca o coração, o pulmão, todas as demais vísceras – a tripa, o fígado, o que nos abatedouros se chama o arrasto. E mais a fiação arterial e venosa, e a coluna! E não falei na atividade cerebral. E também esqueci os ossos, a infame osteoporose, que te rói os ossos pelo tutano, deixando-os como frágeis cascas de ovos. E então basta um pequeno escorregão na banheira para deixar um fêmur fraturado.


    Os moços compadecidos, os quarentões assustados e os próprios velhos, apelando para tudo, inventaram ultimamente essas bobagens de “terceira idade”, clubes e associações que trabalham contra o isolamento e as tristezas da velhice. Mas não se iluda, velho, meu amigo e colega. Ninguém está acreditando naquilo. Você já viu na TV um quadro de propaganda dessa falsa recuperação de terceira idade? Um velho e uma velha, vestidos à moda dos anos trinta, tentando dançar um tango argentino? É patético, embora a maioria dos moços apenas o considere docemente ridículo.


    Diz-se que já se consegue muito na luta contra a velhice. Ginástica, dieta, malhação, corrida etc. Cirurgia plástica. Ah, já pensaram no tormento de uma bela mulher, atriz, dama do soçaite, cortesã, que viva da e para a sua beleza, ao descobrir as primeiras rugas, a flacidez do mento, daquela sutil rede de outras pequenas rugas que rodeiam os lábios? O Dr. Pitanguy opera e os seus colegas de mérito variável também operam. Mas, por mais famosos, competentes e mágicos que sejam os cirurgiões plásticos, só fazem mágicas, não fazem milagres. Esticam a pele sobre os músculos flácidos, fazem um peeling, que é uma espécie de raladura na cútis, fica lindo a princípio, mas, como toda mágica, não dura muito. E aí têm que começar tudo outra vez, as cicatrizes já não se escondem tão bem atrás das orelhas ou no couro cabeludo que, aparado, vai encurtando, deixando as pacientes com testas enormes, quase uma calvície. E nem falei em calvície que, mercê de Deus, ataca mais os homens que as mulheres! 


    Você contempla no espelho, vê as rugas do seu rosto, do seu pescoço, como se olhasse uma máscara que se desfaz. Vê bem, sabe como está velho, embora não sinta que está velho. Sua alma, seus sentimentos, sua cabeça, nada disso confirma a palavra ou a imagem do espelho. Mas os outros só veem de você o que o espelho vê.


    E ao par disso as cãs, quer dizer, os cabelos brancos? Bem, os cabelos, pintam-se. Mas vocês já descobriram que, por mais excelentes sejam o cabeleireiro e as tinturas, o cabelo pintado fica sempre gritantemente diverso do natural? Pensei sobre isso e acabei descobrindo: o cabelo nosso, a natureza lhe dá cor de fio em fio, cada fio na sua tonalidade, uns mais claros, outros mais escuros: o conjunto toma esse colorido inimitável, que profissional nenhum pode obter, já que lhe é impossível tingir fio por fio. E, daí, essas senhoras de comas tão louras, tão ruivas, tão castanhas e negras, não iludirem nunca, darem mesmo a impressão de que usam perucas.


    E, no final de tudo, vem o envelhecimento da cabeça, da inteligência, das ideias, da alma – da chamada psiquê. O velho tenta se equiparar às audácias dos jovens, até mesmo excedê-las – mas a si próprio não se convence. Sabe que as suas ideias são as do seu tempo, fruto do que leu, viu e acumulou; e isso pode ser camuflado, mas não pode ser modificado. Dizem que as células cerebrais não se renovam, como as demais células do corpo – será verdade? Até mesmo as ideias dos gênios mortos envelhecem; e diante das ideias de um Nietzsche, de um Freud, tem que se dar o desconto do tempo e das mudanças. Contudo, o pior mesmo é quando você, com honesta sinceridade, lamenta diante de alguém os estragos que lhe traz a velhice, e isso alguém protesta com veemência: “Eu queria, quando chegar à sua idade, ter essa sua lucidez!”


    Lucidez? O que é que eu esperava? Que você já estivesse caduco?



(QUEIROZ, Raquel (1995) Não aconselho envelhecer. In Falso mar, falso mundo. São Paulo: Arx, 2002.)


Considere o trecho “O velho tenta se equiparar às audácias dos jovens, até mesmo excedê-las [...]” (7º§). É correto dizer que o verbo “equiparar”, no contexto em que se insere e em relação à sua predicação verbal, é corretamente classificado como:
Alternativas
Respostas
39381: B
39382: B
39383: E
39384: D
39385: B
39386: D
39387: A
39388: A
39389: A
39390: C
39391: A
39392: C
39393: A
39394: C
39395: B
39396: D
39397: A
39398: C
39399: B
39400: A