Questões de Concurso Comentadas sobre português

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Q3393229 Português
Leia a notícia a seguir.
Novos radares reforçam fiscalização na BR-153 em Goiás e Tocantins
Oitenta radares começaram a operar desde o final do mês de novembro em trechos das BRs-153, 050 e 414 entre Anápolis e Aliança do Tocantins. Segundo a Ecovias do Araguaia, ao todo são 80 radares, sendo 56 deles operando na velocidade máxima de 80km/h e outros 9 operando com limite de 100km/h para veículos leves, dependendo do trecho onde foram instalados e de acordo com o limite estabelecido pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
Disponível em: <https://atitudeto.com.br/noticias/estado/novos-radares-reforcam-fiscalizacao-na-br-153-em-goias-e-tocantins/>. Acesso em: 03 dez. 2023.

O gênero notícia tem como função 
Alternativas
Q3393228 Português
Leia o texto a seguir.
Canção do exílio
Gonçalves Dias
Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho à noite, Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá.
DIAS, Gonçalves. Canção do Exílio. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_ac tion&co_obra=2112>. Acesso em: 25 jan. 2024.

Considerando o sentido das palavras no poema de Gonçalves Dias, a expressão “cismar” significa pensar 
Alternativas
Q3393160 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Brasil 50 graus: ondas de calor no contexto das mudanças climáticas



No ano passado, todos os recordes de temperatura do planeta foram rompidos: 2023 foi o mais quente da história. O Brasil foi assolado por oito ondas de calor. Surge desse cenário dantesco a seguinte pergunta: essas temperaturas intensas têm a ver com o aquecimento global? Depois de se debruçarem sobre a questão, pesquisadores concluíram: sim, há nisso um peso significativo das mudanças climáticas. Portanto, a principal ação é reduzir as emissões de gases de efeito estufa para estabilizar as temperaturas globais.


Ano: 2016. Os registros de temperatura globais haviam marcado surpreendente +0,94 grau celsius (ºC) a mais em relação à média histórica do século passado, tendo ultrapassado o aquecimento recorde de +0,04 ºC registrado no ano anterior. A anomalia foi ainda maior se consideramos só os valores registrados nas porções continentais: +1,43 ºC. Em âmbito regional, as anomalias chegaram a +0,75 ºC no hemisfério Sul, +1,13 ºC no hemisfério Norte e a surpreendentes +2,06 ºC no Ártico. Esses dados foram mais do que suficientes para credenciar 2016 como o ano mais quente já registrado. Mas a comunidade científica já sabia antecipadamente que aquele ano, na verdade, seria o mais quente até então.


Ano: 2023. Todos os recordes de temperatura do planeta foram rompidos. Janeiro foi identificado como o sétimo mais quente da história. Fevereiro foi anunciado como o quarto mais quente, seguido por março como o segundo mais quente da história. Finalmente, chegamos a junho, que, de fato, inaugurou o início de uma série de meses que seriam marcados como aqueles mais quentes já registrados. Em resumo: julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro terminaram de consolidar 2023 como o mais quente da história.


Isso sem contar outra informação digna de nota: alguns dos mais quentes da história foram registrados entre as décadas de 2010 (mais especificamente, 2014) e 2020. Ou seja, os anos mais recentes têm se apresentado como os mais quentes em escala global.


Cientistas têm se debruçado incansavelmente para aprofundar o entendimento das causas e dos mecanismos que podem ter produzido esses resultados. As respostas têm sido convergentes e, cada vez mais, inequívocas: apesar de identificada a participação de fenômenos naturais e inerentes ao sistema climático, a constante quebra de recordes de temperatura em escala global seria impossível sem a participação das mudanças climáticas.


Portanto, a combinação entre modos de variabilidade naturais e mudanças climáticas globais está longe de ser equilibrada: considerando principalmente 2016 e 2023, o peso das mudanças climáticas foi significativo, tendo sido determinante para a ocorrência de eventos extremos de tempo atmosférico, como ondas de calor.


O que temos em comum entre 2016 e 2023? A já identificada (e amplamente investigada) atuação de um modo de variabilidade natural que é um velho conhecido da ciência do clima: o El Niño.


Wanderson Luiz Silva, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro, descreveu as principais características desse modo de variabilidade: o El Niño (e sua oposta, La Niña) são marcados pelo aumento (ou diminuição, no caso da La Niña) da temperatura média da superfície do mar na faixa do oceano Pacífico Equatorial.


Nessa região, esse aumento (ou diminuição) tem influência direta dos alísios. Formados nas zonas subtropicais, a baixas altitudes, esses ventos úmidos se enfraquecem (ou se fortalecem) de modo não linear, em escala temporal entre dois e sete anos.


Esse modo de variabilidade influencia (ou, tecnicamente, 'modula') o tempo e o clima em todo o planeta − inclusive, na América do Sul e, mais destacadamente, no Brasil. Em situação de El Niño, sua atuação se apresenta mais destacada nos meses de primavera e segue verão adiante.


No Brasil, sua ocorrência típica é marcada pelo aumento das condições chuvosas no Sul − e elevação das temperaturas no Centro-Oeste e parte do Sudeste −, bem como pelo déficit de precipitação no Nordeste e em parte do Norte.


Ainda que as influências do aumento das emissões de gases de efeito estufa no El Niño (La Niña) estejam por ser mais profundamente conhecidas, estudos recentes apontam que as mudanças climáticas globais, potencialmente, apresentam participação na ocorrência de eventos El Niño (La Niña), tornando ambos mais extremos.


Retirado e adaptado de: ARMOND, Núbia Beray. BRASIL 50 graus ondas de calor no contexto das mudanças climáticas.


Ciência HOJE. Disponível em: https://cienciahoje.org.br Acesso em: 18 jan., 2024.

Considere a sintaxe dos seguintes períodos, retirados de "Brasil 50 graus: ondas de calor no contexto das mudanças climáticas":



I. Mas a comunidade científica já sabia que aquele ano, na verdade, seria o mais quente até então.


II. Esses dados foram mais do que suficientes para credenciar 2016 como o ano mais quente já registrado.


III. Cientistas têm se debruçado incansavelmente para aprofundar o entendimento das causas e dos mecanismos que podem ter produzido esses resultados.



Assinale a alternativa que apresenta correta e respectivamente a função sintática do "que" em cada uma das sentenças:

Alternativas
Q3393157 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Brasil 50 graus: ondas de calor no contexto das mudanças climáticas



No ano passado, todos os recordes de temperatura do planeta foram rompidos: 2023 foi o mais quente da história. O Brasil foi assolado por oito ondas de calor. Surge desse cenário dantesco a seguinte pergunta: essas temperaturas intensas têm a ver com o aquecimento global? Depois de se debruçarem sobre a questão, pesquisadores concluíram: sim, há nisso um peso significativo das mudanças climáticas. Portanto, a principal ação é reduzir as emissões de gases de efeito estufa para estabilizar as temperaturas globais.


Ano: 2016. Os registros de temperatura globais haviam marcado surpreendente +0,94 grau celsius (ºC) a mais em relação à média histórica do século passado, tendo ultrapassado o aquecimento recorde de +0,04 ºC registrado no ano anterior. A anomalia foi ainda maior se consideramos só os valores registrados nas porções continentais: +1,43 ºC. Em âmbito regional, as anomalias chegaram a +0,75 ºC no hemisfério Sul, +1,13 ºC no hemisfério Norte e a surpreendentes +2,06 ºC no Ártico. Esses dados foram mais do que suficientes para credenciar 2016 como o ano mais quente já registrado. Mas a comunidade científica já sabia antecipadamente que aquele ano, na verdade, seria o mais quente até então.


Ano: 2023. Todos os recordes de temperatura do planeta foram rompidos. Janeiro foi identificado como o sétimo mais quente da história. Fevereiro foi anunciado como o quarto mais quente, seguido por março como o segundo mais quente da história. Finalmente, chegamos a junho, que, de fato, inaugurou o início de uma série de meses que seriam marcados como aqueles mais quentes já registrados. Em resumo: julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro terminaram de consolidar 2023 como o mais quente da história.


Isso sem contar outra informação digna de nota: alguns dos mais quentes da história foram registrados entre as décadas de 2010 (mais especificamente, 2014) e 2020. Ou seja, os anos mais recentes têm se apresentado como os mais quentes em escala global.


Cientistas têm se debruçado incansavelmente para aprofundar o entendimento das causas e dos mecanismos que podem ter produzido esses resultados. As respostas têm sido convergentes e, cada vez mais, inequívocas: apesar de identificada a participação de fenômenos naturais e inerentes ao sistema climático, a constante quebra de recordes de temperatura em escala global seria impossível sem a participação das mudanças climáticas.


Portanto, a combinação entre modos de variabilidade naturais e mudanças climáticas globais está longe de ser equilibrada: considerando principalmente 2016 e 2023, o peso das mudanças climáticas foi significativo, tendo sido determinante para a ocorrência de eventos extremos de tempo atmosférico, como ondas de calor.


O que temos em comum entre 2016 e 2023? A já identificada (e amplamente investigada) atuação de um modo de variabilidade natural que é um velho conhecido da ciência do clima: o El Niño.


Wanderson Luiz Silva, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro, descreveu as principais características desse modo de variabilidade: o El Niño (e sua oposta, La Niña) são marcados pelo aumento (ou diminuição, no caso da La Niña) da temperatura média da superfície do mar na faixa do oceano Pacífico Equatorial.


Nessa região, esse aumento (ou diminuição) tem influência direta dos alísios. Formados nas zonas subtropicais, a baixas altitudes, esses ventos úmidos se enfraquecem (ou se fortalecem) de modo não linear, em escala temporal entre dois e sete anos.


Esse modo de variabilidade influencia (ou, tecnicamente, 'modula') o tempo e o clima em todo o planeta − inclusive, na América do Sul e, mais destacadamente, no Brasil. Em situação de El Niño, sua atuação se apresenta mais destacada nos meses de primavera e segue verão adiante.


No Brasil, sua ocorrência típica é marcada pelo aumento das condições chuvosas no Sul − e elevação das temperaturas no Centro-Oeste e parte do Sudeste −, bem como pelo déficit de precipitação no Nordeste e em parte do Norte.


Ainda que as influências do aumento das emissões de gases de efeito estufa no El Niño (La Niña) estejam por ser mais profundamente conhecidas, estudos recentes apontam que as mudanças climáticas globais, potencialmente, apresentam participação na ocorrência de eventos El Niño (La Niña), tornando ambos mais extremos.


Retirado e adaptado de: ARMOND, Núbia Beray. BRASIL 50 graus ondas de calor no contexto das mudanças climáticas.


Ciência HOJE. Disponível em: https://cienciahoje.org.br Acesso em: 18 jan., 2024.

A respeito das relações coesivas em "Brasil 50 graus: ondas de calor no contexto das mudanças climáticas", indique o que está sendo retomado por cada um dos seguintes termos:



I. desse cenário (primeiro parágrafo)


a. O Brasil foi assolado por oito ondas de calor.


b. recordes de temperatura do planeta foram rompidos.



II. Esses dados (segundo parágrafo)


a. A anomalia foi ainda maior se consideramos só os valores registrados nas porções continentais: +1,43 ºC.


b. Em âmbito regional, as anomalias chegaram a +0,75 ºC no hemisfério Sul, +1,13 ºC no hemisfério Norte e a surpreendentes +2,06 ºC no Ártico.



III. sua ocorrência (décimo primeiro parágrafo)


a. Brasil.


b. El Niño.



Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:

Alternativas
Q3393153 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Brasil 50 graus: ondas de calor no contexto das mudanças climáticas



No ano passado, todos os recordes de temperatura do planeta foram rompidos: 2023 foi o mais quente da história. O Brasil foi assolado por oito ondas de calor. Surge desse cenário dantesco a seguinte pergunta: essas temperaturas intensas têm a ver com o aquecimento global? Depois de se debruçarem sobre a questão, pesquisadores concluíram: sim, há nisso um peso significativo das mudanças climáticas. Portanto, a principal ação é reduzir as emissões de gases de efeito estufa para estabilizar as temperaturas globais.


Ano: 2016. Os registros de temperatura globais haviam marcado surpreendente +0,94 grau celsius (ºC) a mais em relação à média histórica do século passado, tendo ultrapassado o aquecimento recorde de +0,04 ºC registrado no ano anterior. A anomalia foi ainda maior se consideramos só os valores registrados nas porções continentais: +1,43 ºC. Em âmbito regional, as anomalias chegaram a +0,75 ºC no hemisfério Sul, +1,13 ºC no hemisfério Norte e a surpreendentes +2,06 ºC no Ártico. Esses dados foram mais do que suficientes para credenciar 2016 como o ano mais quente já registrado. Mas a comunidade científica já sabia antecipadamente que aquele ano, na verdade, seria o mais quente até então.


Ano: 2023. Todos os recordes de temperatura do planeta foram rompidos. Janeiro foi identificado como o sétimo mais quente da história. Fevereiro foi anunciado como o quarto mais quente, seguido por março como o segundo mais quente da história. Finalmente, chegamos a junho, que, de fato, inaugurou o início de uma série de meses que seriam marcados como aqueles mais quentes já registrados. Em resumo: julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro terminaram de consolidar 2023 como o mais quente da história.


Isso sem contar outra informação digna de nota: alguns dos mais quentes da história foram registrados entre as décadas de 2010 (mais especificamente, 2014) e 2020. Ou seja, os anos mais recentes têm se apresentado como os mais quentes em escala global.


Cientistas têm se debruçado incansavelmente para aprofundar o entendimento das causas e dos mecanismos que podem ter produzido esses resultados. As respostas têm sido convergentes e, cada vez mais, inequívocas: apesar de identificada a participação de fenômenos naturais e inerentes ao sistema climático, a constante quebra de recordes de temperatura em escala global seria impossível sem a participação das mudanças climáticas.


Portanto, a combinação entre modos de variabilidade naturais e mudanças climáticas globais está longe de ser equilibrada: considerando principalmente 2016 e 2023, o peso das mudanças climáticas foi significativo, tendo sido determinante para a ocorrência de eventos extremos de tempo atmosférico, como ondas de calor.


O que temos em comum entre 2016 e 2023? A já identificada (e amplamente investigada) atuação de um modo de variabilidade natural que é um velho conhecido da ciência do clima: o El Niño.


Wanderson Luiz Silva, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro, descreveu as principais características desse modo de variabilidade: o El Niño (e sua oposta, La Niña) são marcados pelo aumento (ou diminuição, no caso da La Niña) da temperatura média da superfície do mar na faixa do oceano Pacífico Equatorial.


Nessa região, esse aumento (ou diminuição) tem influência direta dos alísios. Formados nas zonas subtropicais, a baixas altitudes, esses ventos úmidos se enfraquecem (ou se fortalecem) de modo não linear, em escala temporal entre dois e sete anos.


Esse modo de variabilidade influencia (ou, tecnicamente, 'modula') o tempo e o clima em todo o planeta − inclusive, na América do Sul e, mais destacadamente, no Brasil. Em situação de El Niño, sua atuação se apresenta mais destacada nos meses de primavera e segue verão adiante.


No Brasil, sua ocorrência típica é marcada pelo aumento das condições chuvosas no Sul − e elevação das temperaturas no Centro-Oeste e parte do Sudeste −, bem como pelo déficit de precipitação no Nordeste e em parte do Norte.


Ainda que as influências do aumento das emissões de gases de efeito estufa no El Niño (La Niña) estejam por ser mais profundamente conhecidas, estudos recentes apontam que as mudanças climáticas globais, potencialmente, apresentam participação na ocorrência de eventos El Niño (La Niña), tornando ambos mais extremos.


Retirado e adaptado de: ARMOND, Núbia Beray. BRASIL 50 graus ondas de calor no contexto das mudanças climáticas.


Ciência HOJE. Disponível em: https://cienciahoje.org.br Acesso em: 18 jan., 2024.

Assinale a alternativa correta no que diz respeito à colocação pronominal:
Alternativas
Q3392456 Português
Leia o fragmento a seguir. “Muito mais conhecido pelo romance Triste fim de Policarpo Quaresma, Lima Barreto escreveu crônicas e contos que igualmente denunciavam a situação política que o Brasil atravessava no início do século 20, além de expor os problemas sociais daquele período. Neto de escrava alforriada, Lima Barreto era preto, pobre e, por consequência, foi excluído da sociedade e do meio acadêmico. Tornou-se alcoólatra, ou alcoolista – como se diagnosticava na época –, foi internado duas vezes no Hospital Nacional dos Alienados, até que, em 1922, sofreu um ataque cardíaco e faleceu. Sua importância como escritor só foi reconhecida após a sua morte.”
MARTINS, Georgina. Outra cartomante. Ciência Hoje, agosto de 2023. Coluna Literária. Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/outra-cartomante/. Acesso em: 26 dez. 2023.

Qual das expressões coesivas a seguir pode substituir a que está destacada no fragmento, sem que haja, contudo, alteração de sentido? 
Alternativas
Q3392455 Português
“A literatura latino-americana de hoje nos propõe um texto e, ao mesmo tempo, abre o campo teórico onde é preciso se inspirar durante a elaboração do discurso crítico de que ela será o objeto. O campo teórico contradiz os princípios de certa crítica universitária que só se interessa pela parte invisível do texto, pelas dívidas contraídas pelo escritor, ao mesmo tempo que ele rejeita o discurso de uma crítica pseudomarxista que prega uma prática primária do texto, observando que sua eficácia seria consequência de uma leitura fácil. Estes teóricos esquecem que a eficácia de uma crítica não pode ser medida pela preguiça que ela inspira; pelo contrário, ela deve descondicionar o leitor, tornar impossível sua vida no interior da sociedade burguesa e de consumo. A leitura fácil dá razão às forças neocolonialistas que insistem no fato de que o país se encontra na situação de colônia pela preguiça de seus habitantes. O escritor latino-americano nos ensina que é preciso liberar a imagem de uma América Latina sorridente e feliz, o carnaval e a fiesta, colônia de férias para turismo cultural.”
SANTIAGO, Silviano. Uma literatura nos trópicos: ensaios sobre dependência cultural. 2ª ed. Rio de Janeiro: Rocco, 2000. Adaptado.

Segundo o autor, a literatura latino-americana contemporânea (dentro da qual se inclui a literatura brasileira) tem um caráter 
Alternativas
Q3392454 Português
No excerto a seguir, existe uma palavra que NÃO está acentuada conforme a ortografia oficial da Língua Portuguesa.
        “Apesar de considerar que o brasileiro médio não incluirá tão cedo em sua rotina alimentar os chamados insetos comestíveis, o cientista de alimentos Antonio Bisconsin Junior, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (Ifro), defende que faz todo o sentido inseri-los na dieta – tanto pelo valor nutricional quanto pela ótica da sustentabilidade. ‘Insetos são uma alternativa para nosso sistema agroalimentar, que atualmente produz muito gás de efeito estufa e usa muita terra e recursos, com pouco retorno’, afirmou à Pesquisa FAPESP.         Em 2023, ele concluiu o doutorado no Programa de Ciência de Alimentos da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas (FEA-Unicamp), feito sob orientação da professora Lilian Mariutti, que incluiu um período de seis meses no Instituto Leibniz para Tecnologia Agrícola e Bioeconomia, em Postdam, na Alemanha. Lá ele desenvolveu um concentrado protéico de grilo para consumo humano – um suplemento alimentar similar ao conhecido whey protein, a proteína do soro do leite. O concentrado também pode ser usado como ingrediente pela indústria de alimentos. [...]”
JONES, Frances. Antonio Bisconsin Junior: “Comer insetos faz todo o sentido”, defende cientista de alimentos. Pesquisa Fapesp, dezembro de 2023. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/antonio-bisconsin-junior-comer-insetos-faz-todo-o-sentido-defende-cientista-de-alimentos/. Acesso em: 27 dez. 2023. Adaptado.

Assinale a alternativa que identifica essa palavra. 
Alternativas
Q3392453 Português
A regência verbal que se encontra adequadamente empregada, segundo a norma padrão da Língua Portuguesa, apresenta-se na seguinte frase da opção: 
Alternativas
Q3392452 Português
Identifique, dentre os vocábulos listados, aquele cuja formação deriva de um processo de parassíntese. 
Alternativas
Q3392450 Português
Leia o trecho a seguir. “Um estudo deste ano da Universidade de Chapman, em Orange, Califórnia (EUA), com mais de 50 mil pessoas, mostra que 95% dos homens heterossexuais1 disseram que, geralmente ou sempre, têm orgasmo em relações sexuais, enquanto apenas 65% das mulheres heterossexuais disseram o mesmo2. O resultado é semelhante em várias outras pesquisas, como a divulgada pela Sage Journals, uma editora acadêmica americana3 independente, que publicou uma pesquisa, em 2018, mostrando que algumas pessoas acreditam que essa diferença se deve ao fato de os orgasmos femininos serem biologicamente evasivos e que mulheres têm mais orgasmos quando estão sozinhas4 ou com parceiras. Pelo menos 92% das mulheres têm orgasmo quando dão prazer a si mesmas5.”
DORNELAS, Helena. Pesquisa comprova que mulheres têm menos orgasmos. Correio Braziliense, 26 de dezembro de 2023. Blog Daquilo. Disponível em: https://blogs.correiobraziliense.com.br/daquilo/pesquisa-comprova-que-mulheres-tem-menos-orgasmos/. Acesso em: 27 dez. 2023. Adaptado.

Qual dos números sobrescritos identifica o vocábulo que, no trecho, recebe a classificação de substantivo, tendo em vista seu emprego no contexto? 
Alternativas
Q3392449 Português
Leia o excerto a seguir.

“Conseguiu aprontar-se mas não teve tempo de guardar o material de maquiagem espalhado sobre a penteadeira. Olhou-se no espelho. Nem bonita, nem feia. Secretária. Sou uma secretária, pensou, procurando conscientizar-se. Não devo ser, no trabalho, nem bonita, nem feia. Devo me pintar, vestir-me bem, mas sem exagero. Beleza mesmo é pra fim de semana. Nem bonita, nem feia, disse consigo mesma. Concluiu que não havia tempo nem para o café. Cruzou a sala e o hall em disparada, na direção da porta de saída, ao mesmo tempo em que gritava para a mãe envolvida pelos vapores da cozinha, eu como alguma coisa lá mesmo. Sempre tem alguém com alguma bolachinha disponível. Café nunca falta. A mãe reclamou mais uma vez. Você acaba doente, Su. Assim não pode. Assim, não. Su, enlouquecida pela pressa, nada ouviu. Poucas vezes ouvia o que a mãe lhe dizia. Louca de pressa, ia sair, avançou a mão para a maçaneta da porta e assustou-se. A campainha tocou naquele exato momento. Quem haveria de ser àquela hora? A campainha era insistente. Algum dedo nervoso apertava-a sem tréguas. A campainha. [...]”
FIORANI, Silvio. Nunca é tarde, sempre é tarde. In: LADEIRA, Julieta de Godoy (org.). Contos brasileiros contemporâneos. São Paulo: Moderna, 1994.

A partir das informações do excerto, é possível pressupor que a personagem Su 
Alternativas
Q3392448 Português
Em qual das frases a seguir é possível identificar um nível de linguagem escrita menos formal? 
Alternativas
Q3392447 Português
Leia as proposições a seguir, que tratam de elementos relacionados à construção de textos.

I. No trecho “A celebração de casamentos em massa se tornou mais comum no Afeganistão, à medida que casais de baixa renda procuram evitar os altos custos de um casamento tradicional.” (BBC Brasil, 26/12/23), há um conectivo que indica proporcionalidade.
II. Em “O azeite de oliva tem sido um dos vilões da lista do supermercado dos brasileiros nos últimos meses. O item, que é essencial para preparo de pratos ou temperar saladas, acumula alta de até 80% em importadoras do produto nos últimos 12 meses.” (CNN Brasil, 25/12/23), foi empregado um hiperônimo como um recurso de coesão referencial.
III. No excerto “Pedro Domingos do Prado, que inspirou o hit ‘Acorda Pedrinho’, da banda Jovem Dionisio, morreu nesta segunda (25), aos 65 anos, em Curitiba. Segundo a prefeitura, ele foi encontrado morto no quarto de hotel onde morava.” (Folha de São Paulo, 26/12/23), percebe-se a utilização de um discurso reportado.
IV. Em “Um Airbus A330-200 da Maleth-Aero, matrícula 9H-MFS, que realizava o voo DB-1975, de Bridgetown, em Barbados, para Manchester, no Reino Unido, com 225 passageiros e 13 tripulantes, estava em rota quando a aeronave encontrou uma forte turbulência, que causou ferimentos em 11 passageiros.” (R7, 26/12/23), os dois quês empregados funcionam como recursos de coesão referencial.

Marque a opção que apresenta as proposições CORRETAS. 
Alternativas
Q3392446 Português
Como se classifica sintaticamente a estrutura que se encontra entre os travessões no trecho a seguir?
“No mundo da tecnologia, 2023 talvez seja lembrado como o ano em que a inteligência artificial (IA) generativa – aquela capaz de gerar textos ou imagens em resposta a solicitações em linguagem comum – se tornou popular.”
MORRIS, Bem. Inteligência artificial, robôs, carros elétricos: as promessas da tecnologia para 2024. BBC Brasil, 27 de dezembro de 2023. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c72yn31p66go. Acesso em: 27 dez. 2023. 
Alternativas
Q3392445 Português
Leia com atenção, o excerto a seguir.
        “Desde o final de 2016, quando a Oxford Dictionaries elegeu a ‘pós-verdade’ (post-truth) como palavra do ano, o debate sobre o termo repercutiu nas variadas áreas das ciências humanas, que passaram a refletir sobre sua validade e a refinar sua definição. Definida como ‘circunstância em que fatos objetivos são menos influentes na formação da opinião pública do que apelos à emoção e à crença pessoal' [...], a pós-verdade vem sendo conceitualmente reelaborada em diferentes áreas do conhecimento, havendo mesmo quem a conceba como embuste teórico. Nesses casos, que inclui o senso comum, o termo é concebido como manobra produzida para que se negocie com a mentira [...].         Nas ciências sociais, entretanto, o conceito vem sendo desenvolvido pelo descolamento com uma enunciação específica, não podendo, portanto, ser confundido com a mentira, já que esta se institui por enunciação sem rebatimento na realidade. Para que haja mentira, é necessário que o enunciador esteja ciente de que seu dizer não guarda relação de fidelidade com o referente e [...] tais relações – de consciência enunciativa e referenciais – pouco dizem sobre a pós-verdade da maneira como a compreendemos. Não se afirma, com isso, a inexistência de relação entre pós-verdade e mentira, pois se reconhece a pós-verdade como terreno fértil para sua proliferação. O importante aqui é não tratar como equivalentes conceitos que apenas se relacionam. [...]”
DOMINGUEZ, Michelle Gomes Alonso. A pós-verdade como paradigma argumentativo. Linha D’Água, São Paulo, v. 36, n. 02, p. 124-137, mai.-ago. 2023. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/linhadagua/article/view/204983/197039. Acesso em: 26 dez. 2023.

Segundo o texto, 
Alternativas
Q3392443 Português
Leia o texto a seguir.

Como funciona o ar-condicionado moderno?
         Os aparelhos modernos usam gases refrigerantes em ciclos repetidos de compressão e expansão. O calor dentro de nossas casas é absorvido e transferido para fora por meio desses gases (no Brasil o mais usado é o R-22).          O ciclo começa quando o ar quente do ambiente passa por uma serpentina (evaporador), preenchida com o fluido refrigerante, que esfria ao fazer a conversão de fase de líquido para gás. À medida que essa conversão ocorre, essa substância refrigerante absorve calor do ar quente. O gás quente vai para o compressor do ar-condicionado, que serve para colocar o gás sob alta pressão, fazendo com que volte para o estado líquido.          Esse processo de compressão gera calor, e todo o calor extra produzido pela compressão do gás é evacuado para o exterior com a ajuda de um segundo conjunto de serpentinas (condensador) e um segundo ventilador. Por isso, a parte de fora do ar-condicionado é mais quente.          Agora que o compressor já fez o gás voltar ao estado líquido, o ciclo recomeça. O gás volta à serpentina do evaporador, evapora e se expande, se tornando mais frio e resfriando o ambiente.
LOBO, Leandro. A inusitada história da invenção do ar-condicionado. Ciência Hoje, dezembro de 2023. Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/a-inusitada-historia-da-invencao-do-ar-condicionado/. Acesso em: 26 dez. 2023.

A partir da leitura do texto, entende-se que sua finalidade é 
Alternativas
Q3392441 Português
Texto para a questão.


Uma lição de Drummond sobre a saudade

A saudade anda para a frente, não para trás, como cremos.

Por Fabrício Carpinejar | Publicado em 10 de novembro de 2023

        Fui um dos convidados do Festival Literário Internacional de Itabira, organizado pelo incansável amigo Afonso Borges. Conheci a casa da infância de Carlos Drummond de Andrade, onde dormia, suas janelas, os ângulos de suas miradas para o pico do Cauê, que terminou desmanchado, infelizmente, pela extração do minério de ferro.
        A cada entrada num novo aposento, a cada retrato doído de sua formação na parede, eu recitava baixinho seus versos como uma oração, tentando entender o que ele sentira a partir daquilo que podia enxergar de indícios sentimentais do lugar:
        “(…) nasci em Itabira. Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro. Noventa por cento de ferro nas calçadas. Oitenta por cento de ferro nas almas. E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação. A vontade de amar, que me paralisa o trabalho, vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes”.
        Entre os corredores do casarão, interrompendo meu cantochão, encontrei seu neto, o artista Pedro Augusto Graña Drummond, que é, assim como eu, filho de dois escritores, o argentino Manuel Graña Etcheverry e Maria Julieta Drummond de Andrade. Lançou-me um olhar açucarado e oceânico, que se afundava ainda mais em ondas pelo uso da boina.

O término do transe mostrou-se providencial.

        Talvez assistindo ao quanto caminhava melancólico pelas salas, pois os mensageiros sempre sabem a quem entregar as missivas do destino, Pedro Augusto me descreveu uma conversa emblemática com seu avô.
        Quando havia perdido um amigo na juventude, aos 21 anos, e chorava copiosamente, Drummond o consolou dizendo que, a partir daquele momento, ele descobriria o que é o amor verdadeiro.

O neto, então, se defendeu:
– Mas eu já amava o meu amigo.
O poeta de Itabira concordou:

        – Já o amava, porém agora vai amar ainda mais. Só a morte possibilita o amor puro, desinteressado, que continua existindo e crescendo sem receber nada em troca.

        Era uma verdade. O luto é a maior resistência da afeição. Porque você não tem direito a receber mais nada do outro – nenhum abraço, nenhuma visita, nenhum colo, nenhum favor, nenhum apoio, nenhuma recompensa, simplesmente nada – e segue amando-o infinitamente. É uma sobrevivência emocional feita exclusivamente do ato de dar, do gesto incondicional da oferta, descompromissada de segundas intenções, desvinculada de benefícios diretos, desligada de interesses egoístas.

        A saudade anda para a frente, não para trás, como cremos. A gratidão do passado empurra a saudade para o futuro, para acrescentar sensações e impressões à amizade antiga.
        Quando o contato é sincero, quando a intimidade é honesta, não se deixa de gostar de alguém após a despedida. A emoção da primeira vez não cessa de renascer.
        A perda, portanto, não traz um vazio. Traz tudo, menos um vazio. Você transborda de lembranças. Passa a apresentar uma hipersensibilidade, percebendo os mínimos tremores e arrepios do universo. Não é capaz de escolher o que sentir de tanto que sente, de tanto que está presente por dois.

O luto é isto: uma solidão a dois.

        Eu somente consegui me despedir de Itabira porque agora a carrego em mim.

CARPINEJAR, Fabrício. Uma lição de Drummond sobre a saudade. O Tempo, 10 de novembro de 2023. Disponível em: https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/uma-licao-de-drummond-sobre-a-saudade-1.3271388. Acesso em: 26 dez. 2023.
Em qual dos trechos a seguir, recortes do texto de Drummond, é possível identificar o emprego de uma antonomásia? 
Alternativas
Q3392440 Português
Texto para a questão.


Uma lição de Drummond sobre a saudade

A saudade anda para a frente, não para trás, como cremos.

Por Fabrício Carpinejar | Publicado em 10 de novembro de 2023

        Fui um dos convidados do Festival Literário Internacional de Itabira, organizado pelo incansável amigo Afonso Borges. Conheci a casa da infância de Carlos Drummond de Andrade, onde dormia, suas janelas, os ângulos de suas miradas para o pico do Cauê, que terminou desmanchado, infelizmente, pela extração do minério de ferro.
        A cada entrada num novo aposento, a cada retrato doído de sua formação na parede, eu recitava baixinho seus versos como uma oração, tentando entender o que ele sentira a partir daquilo que podia enxergar de indícios sentimentais do lugar:
        “(…) nasci em Itabira. Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro. Noventa por cento de ferro nas calçadas. Oitenta por cento de ferro nas almas. E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação. A vontade de amar, que me paralisa o trabalho, vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes”.
        Entre os corredores do casarão, interrompendo meu cantochão, encontrei seu neto, o artista Pedro Augusto Graña Drummond, que é, assim como eu, filho de dois escritores, o argentino Manuel Graña Etcheverry e Maria Julieta Drummond de Andrade. Lançou-me um olhar açucarado e oceânico, que se afundava ainda mais em ondas pelo uso da boina.

O término do transe mostrou-se providencial.

        Talvez assistindo ao quanto caminhava melancólico pelas salas, pois os mensageiros sempre sabem a quem entregar as missivas do destino, Pedro Augusto me descreveu uma conversa emblemática com seu avô.
        Quando havia perdido um amigo na juventude, aos 21 anos, e chorava copiosamente, Drummond o consolou dizendo que, a partir daquele momento, ele descobriria o que é o amor verdadeiro.

O neto, então, se defendeu:
– Mas eu já amava o meu amigo.
O poeta de Itabira concordou:

        – Já o amava, porém agora vai amar ainda mais. Só a morte possibilita o amor puro, desinteressado, que continua existindo e crescendo sem receber nada em troca.

        Era uma verdade. O luto é a maior resistência da afeição. Porque você não tem direito a receber mais nada do outro – nenhum abraço, nenhuma visita, nenhum colo, nenhum favor, nenhum apoio, nenhuma recompensa, simplesmente nada – e segue amando-o infinitamente. É uma sobrevivência emocional feita exclusivamente do ato de dar, do gesto incondicional da oferta, descompromissada de segundas intenções, desvinculada de benefícios diretos, desligada de interesses egoístas.

        A saudade anda para a frente, não para trás, como cremos. A gratidão do passado empurra a saudade para o futuro, para acrescentar sensações e impressões à amizade antiga.
        Quando o contato é sincero, quando a intimidade é honesta, não se deixa de gostar de alguém após a despedida. A emoção da primeira vez não cessa de renascer.
        A perda, portanto, não traz um vazio. Traz tudo, menos um vazio. Você transborda de lembranças. Passa a apresentar uma hipersensibilidade, percebendo os mínimos tremores e arrepios do universo. Não é capaz de escolher o que sentir de tanto que sente, de tanto que está presente por dois.

O luto é isto: uma solidão a dois.

        Eu somente consegui me despedir de Itabira porque agora a carrego em mim.

CARPINEJAR, Fabrício. Uma lição de Drummond sobre a saudade. O Tempo, 10 de novembro de 2023. Disponível em: https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/uma-licao-de-drummond-sobre-a-saudade-1.3271388. Acesso em: 26 dez. 2023.
No trecho: “A cada entrada num novo aposento, a cada retrato doído de sua formação na parede, eu recitava baixinho seus versos como uma oração [...]” (2º parágrafo). Qual é o sentido veiculado pela palavra “como”? 
Alternativas
Q3392439 Português
Texto para a questão.


Uma lição de Drummond sobre a saudade

A saudade anda para a frente, não para trás, como cremos.

Por Fabrício Carpinejar | Publicado em 10 de novembro de 2023

        Fui um dos convidados do Festival Literário Internacional de Itabira, organizado pelo incansável amigo Afonso Borges. Conheci a casa da infância de Carlos Drummond de Andrade, onde dormia, suas janelas, os ângulos de suas miradas para o pico do Cauê, que terminou desmanchado, infelizmente, pela extração do minério de ferro.
        A cada entrada num novo aposento, a cada retrato doído de sua formação na parede, eu recitava baixinho seus versos como uma oração, tentando entender o que ele sentira a partir daquilo que podia enxergar de indícios sentimentais do lugar:
        “(…) nasci em Itabira. Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro. Noventa por cento de ferro nas calçadas. Oitenta por cento de ferro nas almas. E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação. A vontade de amar, que me paralisa o trabalho, vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes”.
        Entre os corredores do casarão, interrompendo meu cantochão, encontrei seu neto, o artista Pedro Augusto Graña Drummond, que é, assim como eu, filho de dois escritores, o argentino Manuel Graña Etcheverry e Maria Julieta Drummond de Andrade. Lançou-me um olhar açucarado e oceânico, que se afundava ainda mais em ondas pelo uso da boina.

O término do transe mostrou-se providencial.

        Talvez assistindo ao quanto caminhava melancólico pelas salas, pois os mensageiros sempre sabem a quem entregar as missivas do destino, Pedro Augusto me descreveu uma conversa emblemática com seu avô.
        Quando havia perdido um amigo na juventude, aos 21 anos, e chorava copiosamente, Drummond o consolou dizendo que, a partir daquele momento, ele descobriria o que é o amor verdadeiro.

O neto, então, se defendeu:
– Mas eu já amava o meu amigo.
O poeta de Itabira concordou:

        – Já o amava, porém agora vai amar ainda mais. Só a morte possibilita o amor puro, desinteressado, que continua existindo e crescendo sem receber nada em troca.

        Era uma verdade. O luto é a maior resistência da afeição. Porque você não tem direito a receber mais nada do outro – nenhum abraço, nenhuma visita, nenhum colo, nenhum favor, nenhum apoio, nenhuma recompensa, simplesmente nada – e segue amando-o infinitamente. É uma sobrevivência emocional feita exclusivamente do ato de dar, do gesto incondicional da oferta, descompromissada de segundas intenções, desvinculada de benefícios diretos, desligada de interesses egoístas.

        A saudade anda para a frente, não para trás, como cremos. A gratidão do passado empurra a saudade para o futuro, para acrescentar sensações e impressões à amizade antiga.
        Quando o contato é sincero, quando a intimidade é honesta, não se deixa de gostar de alguém após a despedida. A emoção da primeira vez não cessa de renascer.
        A perda, portanto, não traz um vazio. Traz tudo, menos um vazio. Você transborda de lembranças. Passa a apresentar uma hipersensibilidade, percebendo os mínimos tremores e arrepios do universo. Não é capaz de escolher o que sentir de tanto que sente, de tanto que está presente por dois.

O luto é isto: uma solidão a dois.

        Eu somente consegui me despedir de Itabira porque agora a carrego em mim.

CARPINEJAR, Fabrício. Uma lição de Drummond sobre a saudade. O Tempo, 10 de novembro de 2023. Disponível em: https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/uma-licao-de-drummond-sobre-a-saudade-1.3271388. Acesso em: 26 dez. 2023.
Dado o contexto em que foi empregado, o que quer dizer, sob o ponto de vista do autor, o trecho “os mensageiros sempre sabem a quem entregar as missivas do destino” (6º parágrafo)? 
Alternativas
Respostas
38741: A
38742: A
38743: D
38744: E
38745: E
38746: E
38747: C
38748: D
38749: D
38750: A
38751: B
38752: A
38753: B
38754: E
38755: D
38756: A
38757: A
38758: D
38759: C
38760: A