Questões de Concurso Comentadas sobre português

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Q3435220 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

A palavra “lavanderia” tem algo a ver com a flor de lavanda? Na verdade, é o contrário: a flor é que tem a ver com a lavanderia.

A raiz leue- já se referia ao ato de tirar sujeira das coisas na Europa pré-histórica de 4 mil anos atrás, e deu origem à raiz lav- em latim, que então desembocou em “lavar”, “lavanderia”, “lavabo” e afins em português. Quando os romanos começaram a usar óleo de lavanda para perfumar roupas lavadas, a flor ganhou o nome. Outras palavras que vêm da raiz leue- são “dilúvio” e “diluir”, que ganham o di(s)- antes. Essa partícula remete à noção de distância (algo que fica óbvio na própria palavra “distância”) e, junto de leue-, significa usar água para levar algo para longe. Por fim, existe a palavra “aluvião”, nome que se dá à terra, argila e cascalho carregados pela água corrente de um rio, que vão se acumulando. A partícula a- antes do lu- significa “para”, “com a finalidade de”. Ou seja, aquela sujeira seria algo “para lavar”.

Fonte: blog Origem da Palavra, Online Etymology Dictionary.

Oráculo. Revista Superinteressante. Disponível em <https://super.abril.com.br/coluna/oraculo/a-palavra-lavanderia-tem-algo-a-ver-com-a-flor-de-lavanda/>
Enquanto substantivos, a característica comum entre as palavras lavanda, lavanderia, aluvião e dilúvio é o fato de serem: 
Alternativas
Q3435219 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

A palavra “lavanderia” tem algo a ver com a flor de lavanda? Na verdade, é o contrário: a flor é que tem a ver com a lavanderia.

A raiz leue- já se referia ao ato de tirar sujeira das coisas na Europa pré-histórica de 4 mil anos atrás, e deu origem à raiz lav- em latim, que então desembocou em “lavar”, “lavanderia”, “lavabo” e afins em português. Quando os romanos começaram a usar óleo de lavanda para perfumar roupas lavadas, a flor ganhou o nome. Outras palavras que vêm da raiz leue- são “dilúvio” e “diluir”, que ganham o di(s)- antes. Essa partícula remete à noção de distância (algo que fica óbvio na própria palavra “distância”) e, junto de leue-, significa usar água para levar algo para longe. Por fim, existe a palavra “aluvião”, nome que se dá à terra, argila e cascalho carregados pela água corrente de um rio, que vão se acumulando. A partícula a- antes do lu- significa “para”, “com a finalidade de”. Ou seja, aquela sujeira seria algo “para lavar”.

Fonte: blog Origem da Palavra, Online Etymology Dictionary.

Oráculo. Revista Superinteressante. Disponível em <https://super.abril.com.br/coluna/oraculo/a-palavra-lavanderia-tem-algo-a-ver-com-a-flor-de-lavanda/>
Considere o excerto a seguir quanto à palavra “aluvião”: “A partícula a- antes do lu- significa “para”, “com a finalidade de”.” As características gramaticais dessa partícula, descritas no excerto apresentado, permitem classificá-la como um
Alternativas
Q3435218 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

A palavra “lavanderia” tem algo a ver com a flor de lavanda? Na verdade, é o contrário: a flor é que tem a ver com a lavanderia.

A raiz leue- já se referia ao ato de tirar sujeira das coisas na Europa pré-histórica de 4 mil anos atrás, e deu origem à raiz lav- em latim, que então desembocou em “lavar”, “lavanderia”, “lavabo” e afins em português. Quando os romanos começaram a usar óleo de lavanda para perfumar roupas lavadas, a flor ganhou o nome. Outras palavras que vêm da raiz leue- são “dilúvio” e “diluir”, que ganham o di(s)- antes. Essa partícula remete à noção de distância (algo que fica óbvio na própria palavra “distância”) e, junto de leue-, significa usar água para levar algo para longe. Por fim, existe a palavra “aluvião”, nome que se dá à terra, argila e cascalho carregados pela água corrente de um rio, que vão se acumulando. A partícula a- antes do lu- significa “para”, “com a finalidade de”. Ou seja, aquela sujeira seria algo “para lavar”.

Fonte: blog Origem da Palavra, Online Etymology Dictionary.

Oráculo. Revista Superinteressante. Disponível em <https://super.abril.com.br/coluna/oraculo/a-palavra-lavanderia-tem-algo-a-ver-com-a-flor-de-lavanda/>
Observando os radicais das palavras a seguir e levando em consideração os seus significados, conclui-se que a única palavra que não é formada a partir do mesmo radical mencionado no texto é:
Alternativas
Q3435216 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

A palavra “lavanderia” tem algo a ver com a flor de lavanda? Na verdade, é o contrário: a flor é que tem a ver com a lavanderia.

A raiz leue- já se referia ao ato de tirar sujeira das coisas na Europa pré-histórica de 4 mil anos atrás, e deu origem à raiz lav- em latim, que então desembocou em “lavar”, “lavanderia”, “lavabo” e afins em português. Quando os romanos começaram a usar óleo de lavanda para perfumar roupas lavadas, a flor ganhou o nome. Outras palavras que vêm da raiz leue- são “dilúvio” e “diluir”, que ganham o di(s)- antes. Essa partícula remete à noção de distância (algo que fica óbvio na própria palavra “distância”) e, junto de leue-, significa usar água para levar algo para longe. Por fim, existe a palavra “aluvião”, nome que se dá à terra, argila e cascalho carregados pela água corrente de um rio, que vão se acumulando. A partícula a- antes do lu- significa “para”, “com a finalidade de”. Ou seja, aquela sujeira seria algo “para lavar”.

Fonte: blog Origem da Palavra, Online Etymology Dictionary.

Oráculo. Revista Superinteressante. Disponível em <https://super.abril.com.br/coluna/oraculo/a-palavra-lavanderia-tem-algo-a-ver-com-a-flor-de-lavanda/>
A formação de palavras de base latina na língua portuguesa, temática do texto apresentado, evoca o conceito gramatical de: 
Alternativas
Q3435206 Português
Leia o texto para responder a questão.


Vacina anticâncer para cães dobra a taxa de sobrevivência dos animais


Com tratamentos convencionais como quimioterapia, cachorros com certos tipos de câncer têm 35% mais chances de sobreviver por um período extra de um ano. Com uma nova vacina anticâncer, essa probabilidade sobe para 60% – praticamente o dobro.
Os resultados foram publicados na revista Translational Oncology em 2021, mas só foram divulgados em 5 de março pela Universidade de Yale, nos Estados Unidos. O tratamento é uma forma de imunoterapia e está atualmente sob revisão pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
A vacina foi submetida a múltiplos ensaios clínicos ao longo dos últimos oito anos. Ela foi aplicada inclusive no golden retriever Hunter, de 11 anos, que, também passou por quimioterapia e, dois anos após seu diagnóstico inicial, não apresenta mais sinais de câncer.
O cachorro brincalhão que trabalhava antes como cão de resgate em locais de desastres agora vive com apenas três patas. Ele passou por uma amputação da pata dianteira esquerda após ser diagnosticado com osteossarcoma, forma de câncer ósseo que mata mais de 65% dos cães que aflige dentro de 12 meses.
“Cães, assim como humanos, desenvolvem câncer espontaneamente; eles crescem, metastatizam e mutam, assim como os cânceres humanos”, diz em comunicado um dos desenvolvedores da vacina, Mark Mamula, professor de reumatologia na Escola de Medicina de Yale.
O especialista conta que perdeu seu próprio cachorro para um câncer inoperável há cerca de 11 anos atrás. “Se pudermos fornecer algum benefício, algum alívio – uma vida sem dor – esse é o melhor resultado que poderíamos ter”, ele afirma.


Resultados promissores

Hunter recebeu sua primeira dose da vacina antes de sua cirurgia de amputação. A segunda dose veio antes do cachorro iniciar a quimioterapia e depois ele ainda recebeu um reforço.
Até agora, mais de 300 cães foram tratados com o imunizante durante uma série de ensaios clínicos, que ainda estão em andamento em 10 locais nos EUA e Canadá. Os resultados mostraram que a vacina cria anticorpos que encontram e se ligam a tumores, interferindo com as vias de sinalização responsáveis pelo crescimento tumoral.
Além de aumentar a taxa de sobrevivência de um ano após a vacinação, o tratamento também reduz os tumores em muitos dos cães. Por enquanto, a intervenção só se aplica a cachorros que já foram diagnosticados com câncer, mas, no futuro, os cientistas esperam descobrir se isso poderá ser aplicado para reduzir a incidência de tumores em cães saudáveis.
Mark Mamula criou uma empresa chamada TheraJan, que deve produzir eventualmente a vacina. “Recebo muitos e-mails de proprietários de cães gratos que foram informados de que seus animais de estimação teriam semanas ou meses de vida, mas que agora estão dois ou três anos além de seu diagnóstico de câncer”, ele relata.


Revista Superinteressante. Adaptado. Disponível em <https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2024/03/vacina-anti-cancer-para-caes-dobra-a-taxa-de-sobrevivencia-dos-animais.ghtml>

De acordo com o texto, é incorreto afirmar que: 
Alternativas
Q3435106 Português
Tratando-se da significação das palavras, relacione a Coluna I com a Coluna II e marque a alternativa correta.

Coluna I.

A- Sinonímia.
B- Antonímia.
C- Homonímia.
D- Paronímia.

Coluna II.

1- São palavras que ora possuem a mesma pronúncia, (palavras homófonas), ora possuem a mesma grafia, (palavras homógrafas), entretanto, possuem significados diferentes.
2- São palavras que possuem significados semelhantes, são classificadas de acordo com a semelhança que compartilham com outro termo.
3- São palavras que possuem significados contrários.
4- São palavras que possuem significados diferentes, porém, se assemelham na pronúncia e na escrita, como em “descriminar” e “discriminar”, que têm pronúncias muito próximas, mas a primeira palavra significa “tirar a culpa”, a segunda quer dizer “diferenciar”.
Alternativas
Q3434535 Português
Sobre tipologia textual, marque (V) verdadeiro ou (F) falso e assinale a alternativa devida.

( ) A narração também é um exemplo de tipologia textual.
( ) Dissertar significa falar sobre algo, explicar um assunto, discorrer sobre um fato, um tema.
( ) Uma dissertação pode ter caráter expositivo ou argumentativo.
( ) Há dissertação-expositiva, (informativa) e dissertação-argumentativa.
Alternativas
Q3434534 Português
Com base na norma-padrão da Língua Portuguesa, assinale a alternativa que apresenta palavra, incorretamente, acentuada.
Alternativas
Q3434532 Português
Em relação à concordância verbal, marque a alternativa incorreta.
Alternativas
Q3434531 Português
Referindo-se à flexão de número dos substantivos, marque a alternativa incorreta.
Alternativas
Q3434530 Português
Leia o texto para responder à questão.


Se eu morrer antes de você. (Chico Xavier).


Se eu morrer antes de você, faça-me um favor:

Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus

Por Ele me haver levado.

Se não quiser chorar, não chore.

Se não conseguir chorar, não se preocupe.

Se tiver vontade de rir, ria.

Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito,

ouça e acrescente sua versão.

Se me elogiarem demais, corrija o exagero.

Se me criticarem demais, defenda-me.

Se me quiserem fazer um santo, só porque morri,

mostre que eu tinha um pouco de santo,

mas estava longe de ser o santo que me pintam.

Se me quiserem fazer um demônio, mostre

que eu talvez tivesse um pouco de demônio,

mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo.

Espero estar com Ele o suficiente para continuar

sendo útil a você, lá onde estiver.

E se tiver vontade de escrever alguma coisa

sobre mim, diga apenas uma frase:

"Foi meu amigo, acreditou em mim

e me quis mais perto de Deus!"

Aí, então derrame uma lágrima.

Eu não estarei presente para enxugá-la,

mas não faz mal, outros amigos farão isso no meu lugar.

E, vendo-me bem substituído,

irei cuidar de minha nova tarefa no céu.

Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha

na direção de Deus.

Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz

vendo você olhar para Ele.

E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí,

sem nenhum véu a separar a gente,

vamos viver em Deus,

a amizade que aqui nos preparou para Ele.

Você acredita nessas coisas?

Então ore para que nós vivamos

como quem sabe que vai morrer um dia,

que morramos, como quem soube viver direito.

Amizade só faz sentido,

se traz o céu para mais perto da gente,

se inaugura aqui mesmo o seu começo.

Mas, se eu morrer antes de você,

acho que não vou estranhar o céu...

Ser seu amigo... já é um pedaço dele...
No período do texto, “mas não brigue com Deus”, temos uma oração:
Alternativas
Q3434529 Português
Leia o texto para responder à questão.


Se eu morrer antes de você. (Chico Xavier).


Se eu morrer antes de você, faça-me um favor:

Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus

Por Ele me haver levado.

Se não quiser chorar, não chore.

Se não conseguir chorar, não se preocupe.

Se tiver vontade de rir, ria.

Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito,

ouça e acrescente sua versão.

Se me elogiarem demais, corrija o exagero.

Se me criticarem demais, defenda-me.

Se me quiserem fazer um santo, só porque morri,

mostre que eu tinha um pouco de santo,

mas estava longe de ser o santo que me pintam.

Se me quiserem fazer um demônio, mostre

que eu talvez tivesse um pouco de demônio,

mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo.

Espero estar com Ele o suficiente para continuar

sendo útil a você, lá onde estiver.

E se tiver vontade de escrever alguma coisa

sobre mim, diga apenas uma frase:

"Foi meu amigo, acreditou em mim

e me quis mais perto de Deus!"

Aí, então derrame uma lágrima.

Eu não estarei presente para enxugá-la,

mas não faz mal, outros amigos farão isso no meu lugar.

E, vendo-me bem substituído,

irei cuidar de minha nova tarefa no céu.

Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha

na direção de Deus.

Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz

vendo você olhar para Ele.

E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí,

sem nenhum véu a separar a gente,

vamos viver em Deus,

a amizade que aqui nos preparou para Ele.

Você acredita nessas coisas?

Então ore para que nós vivamos

como quem sabe que vai morrer um dia,

que morramos, como quem soube viver direito.

Amizade só faz sentido,

se traz o céu para mais perto da gente,

se inaugura aqui mesmo o seu começo.

Mas, se eu morrer antes de você,

acho que não vou estranhar o céu...

Ser seu amigo... já é um pedaço dele...
Tratando-se de encontros vocálicos, as palavras do texto, (demônio, continuar, aí), são respectivamente:
Alternativas
Q3434528 Português
Leia o texto para responder à questão.


Se eu morrer antes de você. (Chico Xavier).


Se eu morrer antes de você, faça-me um favor:

Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus

Por Ele me haver levado.

Se não quiser chorar, não chore.

Se não conseguir chorar, não se preocupe.

Se tiver vontade de rir, ria.

Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito,

ouça e acrescente sua versão.

Se me elogiarem demais, corrija o exagero.

Se me criticarem demais, defenda-me.

Se me quiserem fazer um santo, só porque morri,

mostre que eu tinha um pouco de santo,

mas estava longe de ser o santo que me pintam.

Se me quiserem fazer um demônio, mostre

que eu talvez tivesse um pouco de demônio,

mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo.

Espero estar com Ele o suficiente para continuar

sendo útil a você, lá onde estiver.

E se tiver vontade de escrever alguma coisa

sobre mim, diga apenas uma frase:

"Foi meu amigo, acreditou em mim

e me quis mais perto de Deus!"

Aí, então derrame uma lágrima.

Eu não estarei presente para enxugá-la,

mas não faz mal, outros amigos farão isso no meu lugar.

E, vendo-me bem substituído,

irei cuidar de minha nova tarefa no céu.

Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha

na direção de Deus.

Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz

vendo você olhar para Ele.

E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí,

sem nenhum véu a separar a gente,

vamos viver em Deus,

a amizade que aqui nos preparou para Ele.

Você acredita nessas coisas?

Então ore para que nós vivamos

como quem sabe que vai morrer um dia,

que morramos, como quem soube viver direito.

Amizade só faz sentido,

se traz o céu para mais perto da gente,

se inaugura aqui mesmo o seu começo.

Mas, se eu morrer antes de você,

acho que não vou estranhar o céu...

Ser seu amigo... já é um pedaço dele...
Com base na leitura do texto, assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Q3434142 Português
Analise as palavras a seguir quanto à realização sonora. Assinale a alternativa em que ocorre dígrafo.
Alternativas
Q3434141 Português
Dentre as palavras a seguir, aquela que é paroxítona é:
Alternativas
Q3434140 Português
Analise as sentenças a seguir e assinale a alternativa em que se verifica desvio gramatical na(s) forma(s) verbal(is) empregada(s). 
Alternativas
Q3434139 Português
Analise as sentenças a seguir e assinale aquela em que deveria haver o emprego do acento indicativo de crase.
Alternativas
Q3434138 Português

Considere as sentenças a seguir:

I. A menina, filha única do casal, tem parecido muito deprimida e solitária.

II. Desde o desaparecimento do cãozinho, a família tenta ser mais unida.

III. A escola não será mais a mesma sem você, meu amigo.

Nas sentenças dadas, o emprego da vírgula introduz um aposto apenas em: 

Alternativas
Q3434137 Português
Metafísica


   Contam que um admirador de Albert Einstein foi visitar o mestre em sua casa e o encontrou estirado numa poltrona, com a cabeça para trás e os olhos fechados. Não querendo perturbar o aparente repouso do professor, o visitante sentou-se num canto e ficou esperando que ele acordasse.

  Passou meia hora, o professor continuava estirado na poltrona, a cabeça para trás e os olhos fechados. Foi quando o visitante viu um ratinho aparecer debaixo da mesa e dirigir-se para os pés de Albert Einstein. O visitante ficou em pânico. O que fazer? O ratinho se aproximava dos pés do mestre com passinhos curtos mas resolutos. Devia acordar Einstein e avisar do perigo iminente? Ou esperar que o ratinho mudasse de rota? Ou, silenciosamente, sem acordar o professor, enxotar o ratinho?

   Enquanto o visitante decidia o que fazer, o ratinho chegou até o pé direito de Einstein e deu uma mordidinha no seu dedão pelo buraco do chinelo. Einstein nem abriu os olhos. Fez que sim com a cabeça. O ratinho voltou correndo para sua toca. Minutos mais tarde, Einstein abriu os olhos e deu com o visitante no canto. Este desculpou-se, disse que não pretendia acordá-lo, mas Einstein o silenciou com um gesto. Não estava dormindo. Estava pensando.

   Sempre fazia isso. Sentava naquela poltrona, atirava a cabeça para trás, fechava os olhos e deixava o cérebro funcionar. Pensava no universo, pensava no funcionamento do universo, pensava nas explicações para o funcionamento do universo... Mas precisava ter cuidado. Sua mente tinha uma tendência muito grande para a metafísica. Escapava ao controle, disparava, quando ele via ela estava perdida no infinito, em equações fantásticas...

   Felizmente, sempre que isto acontecia, ele sentia uma cosquinha no dedão. Era o sinal para voltar à física, à realidade e às coisas prováveis. Fora assim que desenvolvera a sua teoria da relatividade. Seu cérebro indo em todas as direções, mas a cosquinha no dedão indicando o caminho, alertando-o para os excessos, chamando-o de volta à realidade e à razão.

   O visitante engoliu em seco.

   — E o senhor tem... uma explicação para a cosquinha no dedão?

   Einstein não respondeu em seguida. Suspirou. Coçou a cabeça. Depois disse:

   — Aí é que está. Só pode ser explicada como um sinal divino. Mas eu preciso resistir à metafísica!

   O visitante procurou o ratinho com o olhar mas não o avistou. Além de tudo, era modesto.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Considere o excerto: “Felizmente, sempre que isto acontecia, ele sentia uma cosquinha no dedão.” No contexto apresentado, o advérbio “felizmente” modifica:
Alternativas
Q3434136 Português
Metafísica


   Contam que um admirador de Albert Einstein foi visitar o mestre em sua casa e o encontrou estirado numa poltrona, com a cabeça para trás e os olhos fechados. Não querendo perturbar o aparente repouso do professor, o visitante sentou-se num canto e ficou esperando que ele acordasse.

  Passou meia hora, o professor continuava estirado na poltrona, a cabeça para trás e os olhos fechados. Foi quando o visitante viu um ratinho aparecer debaixo da mesa e dirigir-se para os pés de Albert Einstein. O visitante ficou em pânico. O que fazer? O ratinho se aproximava dos pés do mestre com passinhos curtos mas resolutos. Devia acordar Einstein e avisar do perigo iminente? Ou esperar que o ratinho mudasse de rota? Ou, silenciosamente, sem acordar o professor, enxotar o ratinho?

   Enquanto o visitante decidia o que fazer, o ratinho chegou até o pé direito de Einstein e deu uma mordidinha no seu dedão pelo buraco do chinelo. Einstein nem abriu os olhos. Fez que sim com a cabeça. O ratinho voltou correndo para sua toca. Minutos mais tarde, Einstein abriu os olhos e deu com o visitante no canto. Este desculpou-se, disse que não pretendia acordá-lo, mas Einstein o silenciou com um gesto. Não estava dormindo. Estava pensando.

   Sempre fazia isso. Sentava naquela poltrona, atirava a cabeça para trás, fechava os olhos e deixava o cérebro funcionar. Pensava no universo, pensava no funcionamento do universo, pensava nas explicações para o funcionamento do universo... Mas precisava ter cuidado. Sua mente tinha uma tendência muito grande para a metafísica. Escapava ao controle, disparava, quando ele via ela estava perdida no infinito, em equações fantásticas...

   Felizmente, sempre que isto acontecia, ele sentia uma cosquinha no dedão. Era o sinal para voltar à física, à realidade e às coisas prováveis. Fora assim que desenvolvera a sua teoria da relatividade. Seu cérebro indo em todas as direções, mas a cosquinha no dedão indicando o caminho, alertando-o para os excessos, chamando-o de volta à realidade e à razão.

   O visitante engoliu em seco.

   — E o senhor tem... uma explicação para a cosquinha no dedão?

   Einstein não respondeu em seguida. Suspirou. Coçou a cabeça. Depois disse:

   — Aí é que está. Só pode ser explicada como um sinal divino. Mas eu preciso resistir à metafísica!

   O visitante procurou o ratinho com o olhar mas não o avistou. Além de tudo, era modesto.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
No excerto “(...) passinhos curtos mas resolutos (...)”, a palavra “resoluto” poderia ser substituída, sem modificação de significado, por: 
Alternativas
Respostas
37321: C
37322: B
37323: D
37324: A
37325: D
37326: C
37327: B
37328: B
37329: D
37330: A
37331: C
37332: A
37333: D
37334: A
37335: B
37336: D
37337: D
37338: A
37339: D
37340: C