Questões de Concurso Comentadas sobre português

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Ano: 2025 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: EMBRAPA Provas: CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico - Área: Gestão da Informação - Subárea: Tecnologia da Informação | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico - Área: Gestão de Pessoas - Subárea: Segurança e Saúde do Trabalho | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Laboratório E Campos Experimentais – Subárea: Bioquímica E Biologia Molecular | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Laboratório E Campos Experimentais – Subárea: Laboratório | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Laboratório E Campos Experimentais – Subárea: Manejo Animal | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Laboratório E Campos Experimentais – Subárea: Manejo Florestal | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Laboratório E Campos Experimentais – Subárea: Manejo Vegetal | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Mecânica – Subárea: Mecânica De Precisão | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Suprimento, Manutenção E Serviços – Subárea: Aquicultura | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Orçamento E Finanças – Subárea: Contabilidade | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Suprimento, Manutenção E Serviços – Subárea: Ativos Patrimoniais E Imobiliários | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Suprimento, Manutenção E Serviços – Subárea: Monitoramento Preditivo | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Suprimento, Manutenção E Serviços – Subárea: Novas Tecnologias | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Suprimento, Manutenção E Serviços – Subárea: Suporte À Gestão | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Transferência De Tecnologia E Comunicação – Subárea: Técnico Audiovisual |
Q3288758 Português

Texto CG1A1        


        Duas ideias recentes que considerei fantásticas fizeram-me refletir sobre o conceito de sustentabilidade. A primeira foi de uma entrevista com Don Tapscott, um dos mais respeitados estudiosos do impacto das tecnologias nas empresas e na sociedade, autor e coautor de 14 livros. Na entrevista, ele afirma que a Internet não muda o que aprendemos, mas o modo como aprendemos — e o impacto dessa revolução terá a mesma intensidade que a invenção dos tipos móveis de Gutenberg: “Não vivemos na era da informação. Estamos na era da colaboração. A era da inteligência conectada”.


        A segunda ideia é da empresária americana Lisa Ganski, fundadora de várias empresas na Internet. Em sua ousada teoria, ela defende que o futuro dos negócios é o compartilhamento de produtos e serviços. Segundo sua tese, as pessoas não vão mais possuir coisas, vão apenas ter acesso a elas. Para que comprar um carro, gastar com seguro e manutenção se você pode alugar o do vizinho? Para que investir em roupas caras para o seu bebê (que espicha rápido) se você pode trocar peças com mamães de filhos já grandinhos? Lisa aposta que, com a ajuda das mídias sociais e da tecnologia, pessoas, serviços e empresas vão encontrar-se com mais facilidade para trocar ou compartilhar.


        A ideia do consumo compartilhado dirige-se aos bens de consumo de maior ociosidade. Por exemplo, nos Estados Unidos da América, a média de utilização de um automóvel é de 8%. Os 92% restantes são de ociosidade nos estacionamentos. Então, por que não alugar o carro em vez de comprar? Ganski sugere que sejam, cada vez mais, criados sistemas de locação para alguns bens de consumo de maior ociosidade.


        Na produção compartilhada, além da redução dos custos de produção por menores encargos trabalhistas, maior eficiência da mão de obra e menor consumo de energia, há em tese uma redução dos impactos ambientais pela redução de resíduos e dispersão destes em áreas distantes umas das outras. Logicamente há também uma maior geração de empregos e melhor distribuição de renda.


        Segundo esses pensadores, esta pode ser uma nova opção para o empresariado e para a sociedade segundo o moderno conceito de sustentabilidade. O meio ambiente agradece.


Raimundo Nonato Brabo Alves.

Compartilhar a produção e o consumo de bens em busca da sustentabilidade.

In: Crônicas ambientais ecos da floresta. Brasília, DF: Embrapa, 2015. p. 62-64 (com adaptações).

Em relação ao texto CG1A1, aos seus sentidos e à organização de suas ideias, julgue o item a seguir. 


Em relação ao gênero textual, é correto afirmar que o texto é uma crônica descritiva, pois o autor descreve duas ideias sobre economia compartilhada.

Alternativas
Ano: 2025 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: EMBRAPA Provas: CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico - Área: Gestão da Informação - Subárea: Tecnologia da Informação | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico - Área: Gestão de Pessoas - Subárea: Segurança e Saúde do Trabalho | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Laboratório E Campos Experimentais – Subárea: Bioquímica E Biologia Molecular | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Laboratório E Campos Experimentais – Subárea: Laboratório | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Laboratório E Campos Experimentais – Subárea: Manejo Animal | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Laboratório E Campos Experimentais – Subárea: Manejo Florestal | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Laboratório E Campos Experimentais – Subárea: Manejo Vegetal | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Mecânica – Subárea: Mecânica De Precisão | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Suprimento, Manutenção E Serviços – Subárea: Aquicultura | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Orçamento E Finanças – Subárea: Contabilidade | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Suprimento, Manutenção E Serviços – Subárea: Ativos Patrimoniais E Imobiliários | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Suprimento, Manutenção E Serviços – Subárea: Monitoramento Preditivo | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Suprimento, Manutenção E Serviços – Subárea: Novas Tecnologias | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Suprimento, Manutenção E Serviços – Subárea: Suporte À Gestão | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Transferência De Tecnologia E Comunicação – Subárea: Técnico Audiovisual |
Q3288757 Português

Texto CG1A1        


        Duas ideias recentes que considerei fantásticas fizeram-me refletir sobre o conceito de sustentabilidade. A primeira foi de uma entrevista com Don Tapscott, um dos mais respeitados estudiosos do impacto das tecnologias nas empresas e na sociedade, autor e coautor de 14 livros. Na entrevista, ele afirma que a Internet não muda o que aprendemos, mas o modo como aprendemos — e o impacto dessa revolução terá a mesma intensidade que a invenção dos tipos móveis de Gutenberg: “Não vivemos na era da informação. Estamos na era da colaboração. A era da inteligência conectada”.


        A segunda ideia é da empresária americana Lisa Ganski, fundadora de várias empresas na Internet. Em sua ousada teoria, ela defende que o futuro dos negócios é o compartilhamento de produtos e serviços. Segundo sua tese, as pessoas não vão mais possuir coisas, vão apenas ter acesso a elas. Para que comprar um carro, gastar com seguro e manutenção se você pode alugar o do vizinho? Para que investir em roupas caras para o seu bebê (que espicha rápido) se você pode trocar peças com mamães de filhos já grandinhos? Lisa aposta que, com a ajuda das mídias sociais e da tecnologia, pessoas, serviços e empresas vão encontrar-se com mais facilidade para trocar ou compartilhar.


        A ideia do consumo compartilhado dirige-se aos bens de consumo de maior ociosidade. Por exemplo, nos Estados Unidos da América, a média de utilização de um automóvel é de 8%. Os 92% restantes são de ociosidade nos estacionamentos. Então, por que não alugar o carro em vez de comprar? Ganski sugere que sejam, cada vez mais, criados sistemas de locação para alguns bens de consumo de maior ociosidade.


        Na produção compartilhada, além da redução dos custos de produção por menores encargos trabalhistas, maior eficiência da mão de obra e menor consumo de energia, há em tese uma redução dos impactos ambientais pela redução de resíduos e dispersão destes em áreas distantes umas das outras. Logicamente há também uma maior geração de empregos e melhor distribuição de renda.


        Segundo esses pensadores, esta pode ser uma nova opção para o empresariado e para a sociedade segundo o moderno conceito de sustentabilidade. O meio ambiente agradece.


Raimundo Nonato Brabo Alves.

Compartilhar a produção e o consumo de bens em busca da sustentabilidade.

In: Crônicas ambientais ecos da floresta. Brasília, DF: Embrapa, 2015. p. 62-64 (com adaptações).

Em relação ao texto CG1A1, aos seus sentidos e à organização de suas ideias, julgue o item a seguir. 


O vocábulo “ousada” (segundo período do segundo parágrafo) é empregado no texto como sinônimo de arriscada ou perigosa

Alternativas
Ano: 2025 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: EMBRAPA Provas: CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico - Área: Gestão da Informação - Subárea: Tecnologia da Informação | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico - Área: Gestão de Pessoas - Subárea: Segurança e Saúde do Trabalho | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Laboratório E Campos Experimentais – Subárea: Bioquímica E Biologia Molecular | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Laboratório E Campos Experimentais – Subárea: Laboratório | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Laboratório E Campos Experimentais – Subárea: Manejo Animal | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Laboratório E Campos Experimentais – Subárea: Manejo Florestal | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Laboratório E Campos Experimentais – Subárea: Manejo Vegetal | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Mecânica – Subárea: Mecânica De Precisão | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Suprimento, Manutenção E Serviços – Subárea: Aquicultura | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Orçamento E Finanças – Subárea: Contabilidade | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Suprimento, Manutenção E Serviços – Subárea: Ativos Patrimoniais E Imobiliários | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Suprimento, Manutenção E Serviços – Subárea: Monitoramento Preditivo | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Suprimento, Manutenção E Serviços – Subárea: Novas Tecnologias | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Suprimento, Manutenção E Serviços – Subárea: Suporte À Gestão | CESPE / CEBRASPE - 2025 - EMBRAPA - Técnico – Área: Transferência De Tecnologia E Comunicação – Subárea: Técnico Audiovisual |
Q3288756 Português

Texto CG1A1        


        Duas ideias recentes que considerei fantásticas fizeram-me refletir sobre o conceito de sustentabilidade. A primeira foi de uma entrevista com Don Tapscott, um dos mais respeitados estudiosos do impacto das tecnologias nas empresas e na sociedade, autor e coautor de 14 livros. Na entrevista, ele afirma que a Internet não muda o que aprendemos, mas o modo como aprendemos — e o impacto dessa revolução terá a mesma intensidade que a invenção dos tipos móveis de Gutenberg: “Não vivemos na era da informação. Estamos na era da colaboração. A era da inteligência conectada”.


        A segunda ideia é da empresária americana Lisa Ganski, fundadora de várias empresas na Internet. Em sua ousada teoria, ela defende que o futuro dos negócios é o compartilhamento de produtos e serviços. Segundo sua tese, as pessoas não vão mais possuir coisas, vão apenas ter acesso a elas. Para que comprar um carro, gastar com seguro e manutenção se você pode alugar o do vizinho? Para que investir em roupas caras para o seu bebê (que espicha rápido) se você pode trocar peças com mamães de filhos já grandinhos? Lisa aposta que, com a ajuda das mídias sociais e da tecnologia, pessoas, serviços e empresas vão encontrar-se com mais facilidade para trocar ou compartilhar.


        A ideia do consumo compartilhado dirige-se aos bens de consumo de maior ociosidade. Por exemplo, nos Estados Unidos da América, a média de utilização de um automóvel é de 8%. Os 92% restantes são de ociosidade nos estacionamentos. Então, por que não alugar o carro em vez de comprar? Ganski sugere que sejam, cada vez mais, criados sistemas de locação para alguns bens de consumo de maior ociosidade.


        Na produção compartilhada, além da redução dos custos de produção por menores encargos trabalhistas, maior eficiência da mão de obra e menor consumo de energia, há em tese uma redução dos impactos ambientais pela redução de resíduos e dispersão destes em áreas distantes umas das outras. Logicamente há também uma maior geração de empregos e melhor distribuição de renda.


        Segundo esses pensadores, esta pode ser uma nova opção para o empresariado e para a sociedade segundo o moderno conceito de sustentabilidade. O meio ambiente agradece.


Raimundo Nonato Brabo Alves.

Compartilhar a produção e o consumo de bens em busca da sustentabilidade.

In: Crônicas ambientais ecos da floresta. Brasília, DF: Embrapa, 2015. p. 62-64 (com adaptações).

Em relação ao texto CG1A1, aos seus sentidos e à organização de suas ideias, julgue o item a seguir. 


O principal objetivo do texto é discutir o conceito de economia compartilhada a partir das teses de dois especialistas no tema.

Alternativas
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Q3288754 Português

Texto CG1A1        


        Duas ideias recentes que considerei fantásticas fizeram-me refletir sobre o conceito de sustentabilidade. A primeira foi de uma entrevista com Don Tapscott, um dos mais respeitados estudiosos do impacto das tecnologias nas empresas e na sociedade, autor e coautor de 14 livros. Na entrevista, ele afirma que a Internet não muda o que aprendemos, mas o modo como aprendemos — e o impacto dessa revolução terá a mesma intensidade que a invenção dos tipos móveis de Gutenberg: “Não vivemos na era da informação. Estamos na era da colaboração. A era da inteligência conectada”.


        A segunda ideia é da empresária americana Lisa Ganski, fundadora de várias empresas na Internet. Em sua ousada teoria, ela defende que o futuro dos negócios é o compartilhamento de produtos e serviços. Segundo sua tese, as pessoas não vão mais possuir coisas, vão apenas ter acesso a elas. Para que comprar um carro, gastar com seguro e manutenção se você pode alugar o do vizinho? Para que investir em roupas caras para o seu bebê (que espicha rápido) se você pode trocar peças com mamães de filhos já grandinhos? Lisa aposta que, com a ajuda das mídias sociais e da tecnologia, pessoas, serviços e empresas vão encontrar-se com mais facilidade para trocar ou compartilhar.


        A ideia do consumo compartilhado dirige-se aos bens de consumo de maior ociosidade. Por exemplo, nos Estados Unidos da América, a média de utilização de um automóvel é de 8%. Os 92% restantes são de ociosidade nos estacionamentos. Então, por que não alugar o carro em vez de comprar? Ganski sugere que sejam, cada vez mais, criados sistemas de locação para alguns bens de consumo de maior ociosidade.


        Na produção compartilhada, além da redução dos custos de produção por menores encargos trabalhistas, maior eficiência da mão de obra e menor consumo de energia, há em tese uma redução dos impactos ambientais pela redução de resíduos e dispersão destes em áreas distantes umas das outras. Logicamente há também uma maior geração de empregos e melhor distribuição de renda.


        Segundo esses pensadores, esta pode ser uma nova opção para o empresariado e para a sociedade segundo o moderno conceito de sustentabilidade. O meio ambiente agradece.


Raimundo Nonato Brabo Alves.

Compartilhar a produção e o consumo de bens em busca da sustentabilidade.

In: Crônicas ambientais ecos da floresta. Brasília, DF: Embrapa, 2015. p. 62-64 (com adaptações).

Em relação ao texto CG1A1, aos seus sentidos e à organização de suas ideias, julgue o item a seguir. 


O vocábulo “Segundo”, presente no segundo e no último parágrafos, expressa a ideia de conformidade em ambas as ocorrências. 

Alternativas
Q3288686 Português
Essa tal liberdade

“O que eu vou fazer com essa tal liberdade?” Essa pergunta, que o poeta do pagode Alexandre Pires eternizou em uma música, volta e meia vinha à tona nas conversas com uma colega de trabalho. Sempre que falávamos sobre autonomia, ela soltava essa frase para provocar. A ideia era simples: a gente sempre pede por liberdade, mas o que fazemos com ela quando finalmente a temos? Parece um presente incrível, mas também pode ser assustador.

Essa provocação me acompanhou recentemente em uma viagem a São Francisco, na Califórnia. Fui palestrar em uma conferência sobre Inteligência Artificial e inclusão e, no meio disso tudo, acabei experimentando algo que trouxe essas reflexões
para a prática: dei uma voltinha em um carro autônomo. Sim, um carro sem motorista, circulando em um perímetro específico da cidade, no ritmo dele.

De cara, a experiência foi fascinante. É impressionante como a tecnologia evoluiu a ponto de um veículo ter a liberdade de tomar decisões sozinho. O carro dirigia devagar, atento aos sensores, parando toda vez que alguém cruzava a rua. Era quase como se ele estivesse “pensando”. Mas, claro, eu sabia que tudo ali era resultado de programação e algoritmos. Lá estava eu, surpresa, no banco da frente, vendo o volante se mexendo “sozinho”, quase como uma assombração. A cada movimento, pensei no quanto isso se conecta com o que discutimos sobre Inteligência Artificial e inclusão.

Há quem diga que as máquinas logo vão substituir os humanos. Será que em todas as funções? Há quem creia que os carros autônomos vão “roubar” os empregos de motoristas. Outros enxergam a tecnologia como a abertura de novos mercados. Porém, mais do que isso, o que me intrigava era: até que ponto podemos, e devemos, delegar decisões às máquinas? Até onde elas e nós temos liberdade na tomada de decisões?

Por mais que a tecnologia avance, acredito que há coisas que simplesmente não podemos delegar. Intencionalidade, por exemplo, não é algo que uma máquina pode assumir sozinha sem ser programada para isso. A decisão de incluir grupos sub-representados no mercado de trabalho, de buscar mais letramento racial e de gênero, de mudar nossos próprios vieses ou de criar um ambiente mais inclusivo não pode ser deixada nas mãos de algoritmos.

Até porque, caso se baseiem nas tomadas de decisão já feitas, tenderão a reproduzir visões limitantes que favoreçam grupos que já estão no poder. Para fazer diferente, as máquinas precisam intencionalmente receber uma programação para potencializar tomadas de decisão que andem neste caminho.

A tecnologia, sem dúvida, é uma facilitadora. Ela pode ajudar a identificar padrões, a analisar dados e a tornar processos mais rápidos e eficientes. Mas as diversas nuances em determinadas tomadas de decisão ainda são nossas. É preciso que quem pode e tem o poder da caneta use essa tal liberdade para fazer escolhas intencionais. Porque decisões como quem contratar, quem promover e como construir um mundo mais justo e diverso dependem ainda do nosso olhar, e não de um código.

Intencionalidade e senso crítico ainda exigem esforço humano.

GÉNOT, Luana. O Globo, 24 nov. 2024. Disponível em: https://oglobo.globo.com/ela/luana-genot/coluna/2024/11/essa-tal-liberdade.ghtml. Acesso em: 10 dez. 2024. Adaptado.
O sentido das palavras deve ser entendido no contexto em que se encontram. Dessa forma, no terceiro parágrafo, os vocábulos “pensando” e “sozinho”, escritos entre aspas, foram empregados com o seguinte propósito:
Alternativas
Q3288685 Português
Essa tal liberdade

“O que eu vou fazer com essa tal liberdade?” Essa pergunta, que o poeta do pagode Alexandre Pires eternizou em uma música, volta e meia vinha à tona nas conversas com uma colega de trabalho. Sempre que falávamos sobre autonomia, ela soltava essa frase para provocar. A ideia era simples: a gente sempre pede por liberdade, mas o que fazemos com ela quando finalmente a temos? Parece um presente incrível, mas também pode ser assustador.

Essa provocação me acompanhou recentemente em uma viagem a São Francisco, na Califórnia. Fui palestrar em uma conferência sobre Inteligência Artificial e inclusão e, no meio disso tudo, acabei experimentando algo que trouxe essas reflexões
para a prática: dei uma voltinha em um carro autônomo. Sim, um carro sem motorista, circulando em um perímetro específico da cidade, no ritmo dele.

De cara, a experiência foi fascinante. É impressionante como a tecnologia evoluiu a ponto de um veículo ter a liberdade de tomar decisões sozinho. O carro dirigia devagar, atento aos sensores, parando toda vez que alguém cruzava a rua. Era quase como se ele estivesse “pensando”. Mas, claro, eu sabia que tudo ali era resultado de programação e algoritmos. Lá estava eu, surpresa, no banco da frente, vendo o volante se mexendo “sozinho”, quase como uma assombração. A cada movimento, pensei no quanto isso se conecta com o que discutimos sobre Inteligência Artificial e inclusão.

Há quem diga que as máquinas logo vão substituir os humanos. Será que em todas as funções? Há quem creia que os carros autônomos vão “roubar” os empregos de motoristas. Outros enxergam a tecnologia como a abertura de novos mercados. Porém, mais do que isso, o que me intrigava era: até que ponto podemos, e devemos, delegar decisões às máquinas? Até onde elas e nós temos liberdade na tomada de decisões?

Por mais que a tecnologia avance, acredito que há coisas que simplesmente não podemos delegar. Intencionalidade, por exemplo, não é algo que uma máquina pode assumir sozinha sem ser programada para isso. A decisão de incluir grupos sub-representados no mercado de trabalho, de buscar mais letramento racial e de gênero, de mudar nossos próprios vieses ou de criar um ambiente mais inclusivo não pode ser deixada nas mãos de algoritmos.

Até porque, caso se baseiem nas tomadas de decisão já feitas, tenderão a reproduzir visões limitantes que favoreçam grupos que já estão no poder. Para fazer diferente, as máquinas precisam intencionalmente receber uma programação para potencializar tomadas de decisão que andem neste caminho.

A tecnologia, sem dúvida, é uma facilitadora. Ela pode ajudar a identificar padrões, a analisar dados e a tornar processos mais rápidos e eficientes. Mas as diversas nuances em determinadas tomadas de decisão ainda são nossas. É preciso que quem pode e tem o poder da caneta use essa tal liberdade para fazer escolhas intencionais. Porque decisões como quem contratar, quem promover e como construir um mundo mais justo e diverso dependem ainda do nosso olhar, e não de um código.

Intencionalidade e senso crítico ainda exigem esforço humano.

GÉNOT, Luana. O Globo, 24 nov. 2024. Disponível em: https://oglobo.globo.com/ela/luana-genot/coluna/2024/11/essa-tal-liberdade.ghtml. Acesso em: 10 dez. 2024. Adaptado.
Em “Até porque, caso se baseiem nas tomadas de decisão já feitas,” (6º§), a flexão do verbo destacado, no contexto em que se encontra, é justificada por concordar com:
Alternativas
Q3288684 Português
Essa tal liberdade

“O que eu vou fazer com essa tal liberdade?” Essa pergunta, que o poeta do pagode Alexandre Pires eternizou em uma música, volta e meia vinha à tona nas conversas com uma colega de trabalho. Sempre que falávamos sobre autonomia, ela soltava essa frase para provocar. A ideia era simples: a gente sempre pede por liberdade, mas o que fazemos com ela quando finalmente a temos? Parece um presente incrível, mas também pode ser assustador.

Essa provocação me acompanhou recentemente em uma viagem a São Francisco, na Califórnia. Fui palestrar em uma conferência sobre Inteligência Artificial e inclusão e, no meio disso tudo, acabei experimentando algo que trouxe essas reflexões
para a prática: dei uma voltinha em um carro autônomo. Sim, um carro sem motorista, circulando em um perímetro específico da cidade, no ritmo dele.

De cara, a experiência foi fascinante. É impressionante como a tecnologia evoluiu a ponto de um veículo ter a liberdade de tomar decisões sozinho. O carro dirigia devagar, atento aos sensores, parando toda vez que alguém cruzava a rua. Era quase como se ele estivesse “pensando”. Mas, claro, eu sabia que tudo ali era resultado de programação e algoritmos. Lá estava eu, surpresa, no banco da frente, vendo o volante se mexendo “sozinho”, quase como uma assombração. A cada movimento, pensei no quanto isso se conecta com o que discutimos sobre Inteligência Artificial e inclusão.

Há quem diga que as máquinas logo vão substituir os humanos. Será que em todas as funções? Há quem creia que os carros autônomos vão “roubar” os empregos de motoristas. Outros enxergam a tecnologia como a abertura de novos mercados. Porém, mais do que isso, o que me intrigava era: até que ponto podemos, e devemos, delegar decisões às máquinas? Até onde elas e nós temos liberdade na tomada de decisões?

Por mais que a tecnologia avance, acredito que há coisas que simplesmente não podemos delegar. Intencionalidade, por exemplo, não é algo que uma máquina pode assumir sozinha sem ser programada para isso. A decisão de incluir grupos sub-representados no mercado de trabalho, de buscar mais letramento racial e de gênero, de mudar nossos próprios vieses ou de criar um ambiente mais inclusivo não pode ser deixada nas mãos de algoritmos.

Até porque, caso se baseiem nas tomadas de decisão já feitas, tenderão a reproduzir visões limitantes que favoreçam grupos que já estão no poder. Para fazer diferente, as máquinas precisam intencionalmente receber uma programação para potencializar tomadas de decisão que andem neste caminho.

A tecnologia, sem dúvida, é uma facilitadora. Ela pode ajudar a identificar padrões, a analisar dados e a tornar processos mais rápidos e eficientes. Mas as diversas nuances em determinadas tomadas de decisão ainda são nossas. É preciso que quem pode e tem o poder da caneta use essa tal liberdade para fazer escolhas intencionais. Porque decisões como quem contratar, quem promover e como construir um mundo mais justo e diverso dependem ainda do nosso olhar, e não de um código.

Intencionalidade e senso crítico ainda exigem esforço humano.

GÉNOT, Luana. O Globo, 24 nov. 2024. Disponível em: https://oglobo.globo.com/ela/luana-genot/coluna/2024/11/essa-tal-liberdade.ghtml. Acesso em: 10 dez. 2024. Adaptado.
A expressão destacada em “De cara, a experiência foi fascinante” (3º parágrafo) poderia ser substituída sem prejuízo de sentido por:
Alternativas
Q3288683 Português
Essa tal liberdade

“O que eu vou fazer com essa tal liberdade?” Essa pergunta, que o poeta do pagode Alexandre Pires eternizou em uma música, volta e meia vinha à tona nas conversas com uma colega de trabalho. Sempre que falávamos sobre autonomia, ela soltava essa frase para provocar. A ideia era simples: a gente sempre pede por liberdade, mas o que fazemos com ela quando finalmente a temos? Parece um presente incrível, mas também pode ser assustador.

Essa provocação me acompanhou recentemente em uma viagem a São Francisco, na Califórnia. Fui palestrar em uma conferência sobre Inteligência Artificial e inclusão e, no meio disso tudo, acabei experimentando algo que trouxe essas reflexões
para a prática: dei uma voltinha em um carro autônomo. Sim, um carro sem motorista, circulando em um perímetro específico da cidade, no ritmo dele.

De cara, a experiência foi fascinante. É impressionante como a tecnologia evoluiu a ponto de um veículo ter a liberdade de tomar decisões sozinho. O carro dirigia devagar, atento aos sensores, parando toda vez que alguém cruzava a rua. Era quase como se ele estivesse “pensando”. Mas, claro, eu sabia que tudo ali era resultado de programação e algoritmos. Lá estava eu, surpresa, no banco da frente, vendo o volante se mexendo “sozinho”, quase como uma assombração. A cada movimento, pensei no quanto isso se conecta com o que discutimos sobre Inteligência Artificial e inclusão.

Há quem diga que as máquinas logo vão substituir os humanos. Será que em todas as funções? Há quem creia que os carros autônomos vão “roubar” os empregos de motoristas. Outros enxergam a tecnologia como a abertura de novos mercados. Porém, mais do que isso, o que me intrigava era: até que ponto podemos, e devemos, delegar decisões às máquinas? Até onde elas e nós temos liberdade na tomada de decisões?

Por mais que a tecnologia avance, acredito que há coisas que simplesmente não podemos delegar. Intencionalidade, por exemplo, não é algo que uma máquina pode assumir sozinha sem ser programada para isso. A decisão de incluir grupos sub-representados no mercado de trabalho, de buscar mais letramento racial e de gênero, de mudar nossos próprios vieses ou de criar um ambiente mais inclusivo não pode ser deixada nas mãos de algoritmos.

Até porque, caso se baseiem nas tomadas de decisão já feitas, tenderão a reproduzir visões limitantes que favoreçam grupos que já estão no poder. Para fazer diferente, as máquinas precisam intencionalmente receber uma programação para potencializar tomadas de decisão que andem neste caminho.

A tecnologia, sem dúvida, é uma facilitadora. Ela pode ajudar a identificar padrões, a analisar dados e a tornar processos mais rápidos e eficientes. Mas as diversas nuances em determinadas tomadas de decisão ainda são nossas. É preciso que quem pode e tem o poder da caneta use essa tal liberdade para fazer escolhas intencionais. Porque decisões como quem contratar, quem promover e como construir um mundo mais justo e diverso dependem ainda do nosso olhar, e não de um código.

Intencionalidade e senso crítico ainda exigem esforço humano.

GÉNOT, Luana. O Globo, 24 nov. 2024. Disponível em: https://oglobo.globo.com/ela/luana-genot/coluna/2024/11/essa-tal-liberdade.ghtml. Acesso em: 10 dez. 2024. Adaptado.
Ao longo do texto, ocorrem frases interrogativas. Enquanto a primeira é uma citação, as demais cumprem o propósito de: 
Alternativas
Q3288682 Português
Essa tal liberdade

“O que eu vou fazer com essa tal liberdade?” Essa pergunta, que o poeta do pagode Alexandre Pires eternizou em uma música, volta e meia vinha à tona nas conversas com uma colega de trabalho. Sempre que falávamos sobre autonomia, ela soltava essa frase para provocar. A ideia era simples: a gente sempre pede por liberdade, mas o que fazemos com ela quando finalmente a temos? Parece um presente incrível, mas também pode ser assustador.

Essa provocação me acompanhou recentemente em uma viagem a São Francisco, na Califórnia. Fui palestrar em uma conferência sobre Inteligência Artificial e inclusão e, no meio disso tudo, acabei experimentando algo que trouxe essas reflexões
para a prática: dei uma voltinha em um carro autônomo. Sim, um carro sem motorista, circulando em um perímetro específico da cidade, no ritmo dele.

De cara, a experiência foi fascinante. É impressionante como a tecnologia evoluiu a ponto de um veículo ter a liberdade de tomar decisões sozinho. O carro dirigia devagar, atento aos sensores, parando toda vez que alguém cruzava a rua. Era quase como se ele estivesse “pensando”. Mas, claro, eu sabia que tudo ali era resultado de programação e algoritmos. Lá estava eu, surpresa, no banco da frente, vendo o volante se mexendo “sozinho”, quase como uma assombração. A cada movimento, pensei no quanto isso se conecta com o que discutimos sobre Inteligência Artificial e inclusão.

Há quem diga que as máquinas logo vão substituir os humanos. Será que em todas as funções? Há quem creia que os carros autônomos vão “roubar” os empregos de motoristas. Outros enxergam a tecnologia como a abertura de novos mercados. Porém, mais do que isso, o que me intrigava era: até que ponto podemos, e devemos, delegar decisões às máquinas? Até onde elas e nós temos liberdade na tomada de decisões?

Por mais que a tecnologia avance, acredito que há coisas que simplesmente não podemos delegar. Intencionalidade, por exemplo, não é algo que uma máquina pode assumir sozinha sem ser programada para isso. A decisão de incluir grupos sub-representados no mercado de trabalho, de buscar mais letramento racial e de gênero, de mudar nossos próprios vieses ou de criar um ambiente mais inclusivo não pode ser deixada nas mãos de algoritmos.

Até porque, caso se baseiem nas tomadas de decisão já feitas, tenderão a reproduzir visões limitantes que favoreçam grupos que já estão no poder. Para fazer diferente, as máquinas precisam intencionalmente receber uma programação para potencializar tomadas de decisão que andem neste caminho.

A tecnologia, sem dúvida, é uma facilitadora. Ela pode ajudar a identificar padrões, a analisar dados e a tornar processos mais rápidos e eficientes. Mas as diversas nuances em determinadas tomadas de decisão ainda são nossas. É preciso que quem pode e tem o poder da caneta use essa tal liberdade para fazer escolhas intencionais. Porque decisões como quem contratar, quem promover e como construir um mundo mais justo e diverso dependem ainda do nosso olhar, e não de um código.

Intencionalidade e senso crítico ainda exigem esforço humano.

GÉNOT, Luana. O Globo, 24 nov. 2024. Disponível em: https://oglobo.globo.com/ela/luana-genot/coluna/2024/11/essa-tal-liberdade.ghtml. Acesso em: 10 dez. 2024. Adaptado.
O trecho que melhor reforça a opinião de Luana Génot de que a intencionalidade humana mantém sua importância, mesmo diante dos avanços tecnológicos, é:
Alternativas
Q3288637 Português
Leia o texto a seguir para responder a questão.

“AS PESSOAS AINDA NÃO FORAM TERMINADAS...”

(Rubens Alves)


       As diferenças entre um sábio e um cientista? São muitas e não posso dizer todas. Só algumas.

      O sábio conhece com a boca, o cientista, com a cabeça. Aquilo que o sábio conhece tem sabor, é comida, conhecimento corporal. O corpo gosta. A palavra “sapio”, em latim, quer dizer “eu degusto”... O sábio é um cozinheiro que faz pratos saborosos com o que a vida oferece. O saber do sábio dá alegria, razões para viver. Já o que o cientista oferece não tem gosto, não mexe com o corpo, não dá razões para viver. O cientista retruca: “Não tem gosto, mas tem poder”... É verdade. O sábio ensina coisas do amor. O cientista, do poder.

     Para o cientista, o silêncio é o espaço da ignorância. Nele não mora saber algum; é um vazio que nada diz. Para o sábio o silêncio é o tempo da escuta, quando se ouve uma melodia que faz chorar, como disse Fernando Pessoa num dos seus poemas. Roland Barthes, já velho, confessou que abandonara os saberes faláveis e se dedicava, no seu momento crepuscular, aos sabores inefáveis.

     Outra diferença é que para ser cientista há de se estudar muito, enquanto para ser sábio não é preciso estudar. Um dos aforismos do Tao-Te-Ching diz o seguinte: “Na busca dos saberes, cada dia alguma coisa é acrescentada. Na busca da sabedoria, cada dia alguma coisa é abandonada”. O cientista soma. O sábio subtrai.

     Riobaldo, ao que me consta, não tinha diploma. E, não obstante, era sábio. Vejam só o que ele disse: “O senhor mire e veja: o mais importante e bonito do mundo é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas — mas que elas vão sempre mudando...”

     É só por causa dessa sabedoria que há educadores. A educação acontece enquanto as pessoas vão mudando, para que não deixem de mudar. Se as pessoas estivessem prontas não haveria lugar para a educação. O educador ajuda os outros a irem mudando no tempo. (...) Parece que, ao nos criar, o Criador cometeu um erro (ou nos pregou uma peça!): deu-nos um DNA incompleto. E porque nosso DNA é incompleto somos condenados a pensar. Pensar para quê? Para inventar a vida! É por isso, porque nosso DNA é incompleto, que inventamos poesia, culinária, música, ciência, arquitetura, jardins, religiões, esses mundos a que se dá o nome de cultura.

    Pra isso existem os educadores: para cumprir o dito do Riobaldo... Uma escola é um caldeirão de bruxas que o educador vai mexendo para “desigualizar” as pessoas e fazer outros mundos nascerem…


(Revista Educação, edição 125) 
Qual é a função sintática do termo sublinhado na frase: "O sábio conhece com a boca"?
Alternativas
Q3288558 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

Os deuses da cidade

      Para ver uma cidade não basta ficar de olhos abertos. É preciso primeiramente descartar tudo aquilo que impede de vê-la, todas as ideias recebidas, as imagens pré-constituídas que continuam a estorvar o campo visual e a capacidade de compreensão. Depois é preciso saber simplificar, reduzir ao essencial o enorme número de elementos que a cada segundo a cidade põe diante dos olhos de quem a observa, e ligar os fragmentos espalhados num desenho analítico e ao mesmo tempo unitário, como o diagrama de uma máquina, com o qual se possa compreender como ela funciona.
      A comparação da cidade com uma máquina é, ao mesmo tempo, pertinente e desviante. Pertinente porque uma cidade vive na medida em que funciona, isso é, em que serve para se viver nela e para fazer viver. Desviante porque, diferentemente das máquinas, que são criadas com vistas a uma determinada função, as cidades são todas ou quase todas o resultado de adaptações sucessivas a funções diferentes, não previstas por sua fundação anterior (penso nas cidades italianas com sua história de séculos ou de milênios).
      Mais do que com a máquina, é a comparação com o organismo vivo na evolução da espécie que pode nos dizer alguma coisa importante sobre a cidade: como, ao passar de uma era para outra, as espécies vivas adaptam seus órgãos para novas funções ou desaparecem, assim também as cidades. E não podemos esquecer que na história da evolução toda espécie carrega consigo características que parecem de outras eras, na medida em que já não correspondem a necessidades vitais, mas que talvez um dia, em condições ambientais transformadas, serão as que salvarão a espécie da extinção. Assim a força da continuidade de uma cidade pode consistir em características e elementos que hoje parecem prescindíveis, porque esquecidos ou contraditos por seu funcionamento atual,
      Os antigos representavam o espírito de uma cidade com aquele tanto de vago e aquele tanto de preciso que essa operação implica, evocando os nomes dos deuses que presidiram sua fundação: nomes que equivalem a personificações de posturas vitais do comportamento humano e que tinham de garantir a vocação profunda da cidade. Lima cidade pode passar por catástrofes e anacronismos, ver estirpes diferentes sucedendo-se em suas casas, ver suas casas mudarem cada pedra, mas deve, no momento certo, sob formas diferentes, reencontrar os próprios deuses.

(Adaptado de CALVINO, Ítalo. Assunto encerrado. Trad. Roberta Bami. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 3332-336, passim) 
As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase: 
Alternativas
Q3288556 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

Os deuses da cidade

      Para ver uma cidade não basta ficar de olhos abertos. É preciso primeiramente descartar tudo aquilo que impede de vê-la, todas as ideias recebidas, as imagens pré-constituídas que continuam a estorvar o campo visual e a capacidade de compreensão. Depois é preciso saber simplificar, reduzir ao essencial o enorme número de elementos que a cada segundo a cidade põe diante dos olhos de quem a observa, e ligar os fragmentos espalhados num desenho analítico e ao mesmo tempo unitário, como o diagrama de uma máquina, com o qual se possa compreender como ela funciona.
      A comparação da cidade com uma máquina é, ao mesmo tempo, pertinente e desviante. Pertinente porque uma cidade vive na medida em que funciona, isso é, em que serve para se viver nela e para fazer viver. Desviante porque, diferentemente das máquinas, que são criadas com vistas a uma determinada função, as cidades são todas ou quase todas o resultado de adaptações sucessivas a funções diferentes, não previstas por sua fundação anterior (penso nas cidades italianas com sua história de séculos ou de milênios).
      Mais do que com a máquina, é a comparação com o organismo vivo na evolução da espécie que pode nos dizer alguma coisa importante sobre a cidade: como, ao passar de uma era para outra, as espécies vivas adaptam seus órgãos para novas funções ou desaparecem, assim também as cidades. E não podemos esquecer que na história da evolução toda espécie carrega consigo características que parecem de outras eras, na medida em que já não correspondem a necessidades vitais, mas que talvez um dia, em condições ambientais transformadas, serão as que salvarão a espécie da extinção. Assim a força da continuidade de uma cidade pode consistir em características e elementos que hoje parecem prescindíveis, porque esquecidos ou contraditos por seu funcionamento atual,
      Os antigos representavam o espírito de uma cidade com aquele tanto de vago e aquele tanto de preciso que essa operação implica, evocando os nomes dos deuses que presidiram sua fundação: nomes que equivalem a personificações de posturas vitais do comportamento humano e que tinham de garantir a vocação profunda da cidade. Lima cidade pode passar por catástrofes e anacronismos, ver estirpes diferentes sucedendo-se em suas casas, ver suas casas mudarem cada pedra, mas deve, no momento certo, sob formas diferentes, reencontrar os próprios deuses.

(Adaptado de CALVINO, Ítalo. Assunto encerrado. Trad. Roberta Bami. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 3332-336, passim) 
É preciso descartar tudo aquilo que impede a visão real de uma cidade.
Uma nova, correta e coerente redação da frase acima processa-se no seguinte caso: 
Alternativas
Q3288553 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

Os deuses da cidade

      Para ver uma cidade não basta ficar de olhos abertos. É preciso primeiramente descartar tudo aquilo que impede de vê-la, todas as ideias recebidas, as imagens pré-constituídas que continuam a estorvar o campo visual e a capacidade de compreensão. Depois é preciso saber simplificar, reduzir ao essencial o enorme número de elementos que a cada segundo a cidade põe diante dos olhos de quem a observa, e ligar os fragmentos espalhados num desenho analítico e ao mesmo tempo unitário, como o diagrama de uma máquina, com o qual se possa compreender como ela funciona.
      A comparação da cidade com uma máquina é, ao mesmo tempo, pertinente e desviante. Pertinente porque uma cidade vive na medida em que funciona, isso é, em que serve para se viver nela e para fazer viver. Desviante porque, diferentemente das máquinas, que são criadas com vistas a uma determinada função, as cidades são todas ou quase todas o resultado de adaptações sucessivas a funções diferentes, não previstas por sua fundação anterior (penso nas cidades italianas com sua história de séculos ou de milênios).
      Mais do que com a máquina, é a comparação com o organismo vivo na evolução da espécie que pode nos dizer alguma coisa importante sobre a cidade: como, ao passar de uma era para outra, as espécies vivas adaptam seus órgãos para novas funções ou desaparecem, assim também as cidades. E não podemos esquecer que na história da evolução toda espécie carrega consigo características que parecem de outras eras, na medida em que já não correspondem a necessidades vitais, mas que talvez um dia, em condições ambientais transformadas, serão as que salvarão a espécie da extinção. Assim a força da continuidade de uma cidade pode consistir em características e elementos que hoje parecem prescindíveis, porque esquecidos ou contraditos por seu funcionamento atual,
      Os antigos representavam o espírito de uma cidade com aquele tanto de vago e aquele tanto de preciso que essa operação implica, evocando os nomes dos deuses que presidiram sua fundação: nomes que equivalem a personificações de posturas vitais do comportamento humano e que tinham de garantir a vocação profunda da cidade. Lima cidade pode passar por catástrofes e anacronismos, ver estirpes diferentes sucedendo-se em suas casas, ver suas casas mudarem cada pedra, mas deve, no momento certo, sob formas diferentes, reencontrar os próprios deuses.

(Adaptado de CALVINO, Ítalo. Assunto encerrado. Trad. Roberta Bami. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 3332-336, passim) 
Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em: 
Alternativas
Q3288552 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

Os deuses da cidade

      Para ver uma cidade não basta ficar de olhos abertos. É preciso primeiramente descartar tudo aquilo que impede de vê-la, todas as ideias recebidas, as imagens pré-constituídas que continuam a estorvar o campo visual e a capacidade de compreensão. Depois é preciso saber simplificar, reduzir ao essencial o enorme número de elementos que a cada segundo a cidade põe diante dos olhos de quem a observa, e ligar os fragmentos espalhados num desenho analítico e ao mesmo tempo unitário, como o diagrama de uma máquina, com o qual se possa compreender como ela funciona.
      A comparação da cidade com uma máquina é, ao mesmo tempo, pertinente e desviante. Pertinente porque uma cidade vive na medida em que funciona, isso é, em que serve para se viver nela e para fazer viver. Desviante porque, diferentemente das máquinas, que são criadas com vistas a uma determinada função, as cidades são todas ou quase todas o resultado de adaptações sucessivas a funções diferentes, não previstas por sua fundação anterior (penso nas cidades italianas com sua história de séculos ou de milênios).
      Mais do que com a máquina, é a comparação com o organismo vivo na evolução da espécie que pode nos dizer alguma coisa importante sobre a cidade: como, ao passar de uma era para outra, as espécies vivas adaptam seus órgãos para novas funções ou desaparecem, assim também as cidades. E não podemos esquecer que na história da evolução toda espécie carrega consigo características que parecem de outras eras, na medida em que já não correspondem a necessidades vitais, mas que talvez um dia, em condições ambientais transformadas, serão as que salvarão a espécie da extinção. Assim a força da continuidade de uma cidade pode consistir em características e elementos que hoje parecem prescindíveis, porque esquecidos ou contraditos por seu funcionamento atual,
      Os antigos representavam o espírito de uma cidade com aquele tanto de vago e aquele tanto de preciso que essa operação implica, evocando os nomes dos deuses que presidiram sua fundação: nomes que equivalem a personificações de posturas vitais do comportamento humano e que tinham de garantir a vocação profunda da cidade. Lima cidade pode passar por catástrofes e anacronismos, ver estirpes diferentes sucedendo-se em suas casas, ver suas casas mudarem cada pedra, mas deve, no momento certo, sob formas diferentes, reencontrar os próprios deuses.

(Adaptado de CALVINO, Ítalo. Assunto encerrado. Trad. Roberta Bami. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 3332-336, passim) 
A expressão deuses da cidade, presente no título, deve-se à informação histórica manifesta neste segmento: 
Alternativas
Q3288493 Português
PROFETA DO BEM E DO MAL
VILMA GRYZINSKI
Alexander Soljenítsin enfrentou a URSS e detestou o Ocidente

        Dentro da grande tradição russa, Alexander Soljenítsin foi um fabuloso escritor, mas também um profeta, uma combinação de mente e espírito capazes de captar os círculos da água eterna que se projetam para o que achamos ser o futuro. “Na percepção do meu coração, não existe espaço para um conflito Rússia-Ucrânia e se, Deus nos livre, a questão chegar a isso, posso afirmar com certeza: jamais, em nenhuma circunstância, tomarei parte num confronto russo-ucraniano ou permitirei que meus filhos o façam - não importa o quanto os imprudentes destemperados tentem nos arrastar para isso.” Ele escreveu isso em 1981. Tinha convivido com prisioneiros ucranianos no Gulag e aprendido com seu sofrimento sob Stálin.

        Era também impossível. Expulso pela União Soviética em 1974, ele deveria ter se extasiado com o Ocidente, chorado diante da fartura das prateleiras de um supermercado americano - aconteceu com outros exilados do comunismo - e louvado o papel dos Estados Unidos na defesa das liberdades. Fez exatamente o contrário. Sua crítica ao modelo de democracia liberal é uma das mais radicais que existem. No famoso discurso de abertura do ano letivo em Harvard, em 1978, ele fez considerações que merecem ser lembradas cada vez que procuramos um olhar complexo e diversificado sobre o mundo. Numa crítica premonitória, anotou que, em reação ao passado de colonialismo, “as relações com o antigo mundo colonial viraram para o extremo oposto e o mundo ocidental agora frequentemente exibe um excesso de obsequiosidade” com os ex-colonizados - alguém já viu a nova onda “descolonizadora” nos círculos intelectuais das esquerdas hoje em dia? Enfiando a faca mais fundo, o escritor anotou que “um declínio da coragem pode ser a característica mais marcante que um observador de fora nota no Ocidente hoje”. Mencionou a coragem cívica. Imaginem a cara da fina flor de Harvard ao ouvir que “esse declínio na coragem é particularmente perceptível entre as elites governantes e intelectuais”. Teve mais: “A defesa dos direitos individuais atingiu tais extremos que tornam a sociedade como um todo indefesa diante de certos indivíduos”. Na sua visão, havia um excesso de condescendência com o crime - alguém já ouviu falar em tratar criminosos como vítimas da sociedade?

        Teria o grande Soljenítsin deixado de perceber as nuances do pensamento ocidental, as fraquezas que fazem sua força e sua criatividade, a capacidade de regeneração mesmo de sociedades altamente consumistas ou excessivamente indulgentes? “A inclinação da liberdade na direção do mal aconteceu gradualmente, mas evidentemente deriva de um conceito humanista segundo o qual o homem - o mestre desse mundo - não carrega nenhum mal dentro de si e todos os defeitos da vida são causados por sistemas sociais equivocados que, portanto, precisam ser corrigidos.”

        Qual intelectual hoje ousaria falar em mal ou bem? Soljenítsin falava. Escreveu ele em Arquipélago Gulag: “Gradualmente me foi revelado que a linha separando o bem do mal passa, não entre estados, não entre classes, nem entre partidos políticos - mas diretamente através de cada coração humano. Dentro de nós, oscila com o passar dos anos. E mesmo nos corações tomados pelo mal, uma pequena cabeça de ponte do bem permanece. E mesmo no melhor dos corações, permanece um canto intacto do mal”. Não é de arrepiar?

Revista Veja – 27/09/2024 
O mais novo acordo ortográfico da língua portuguesa, aprovado em 1990, mas cuja implantação no Brasil só começou em 2009, alterou as regras do uso do hífen em palavras compostas. Sabendo disso, assinale abaixo a única das alternativas cuja palavra em destaque está grafada adequadamente ao que pede o referido acordo.
Alternativas
Q3288492 Português
PROFETA DO BEM E DO MAL
VILMA GRYZINSKI
Alexander Soljenítsin enfrentou a URSS e detestou o Ocidente

        Dentro da grande tradição russa, Alexander Soljenítsin foi um fabuloso escritor, mas também um profeta, uma combinação de mente e espírito capazes de captar os círculos da água eterna que se projetam para o que achamos ser o futuro. “Na percepção do meu coração, não existe espaço para um conflito Rússia-Ucrânia e se, Deus nos livre, a questão chegar a isso, posso afirmar com certeza: jamais, em nenhuma circunstância, tomarei parte num confronto russo-ucraniano ou permitirei que meus filhos o façam - não importa o quanto os imprudentes destemperados tentem nos arrastar para isso.” Ele escreveu isso em 1981. Tinha convivido com prisioneiros ucranianos no Gulag e aprendido com seu sofrimento sob Stálin.

        Era também impossível. Expulso pela União Soviética em 1974, ele deveria ter se extasiado com o Ocidente, chorado diante da fartura das prateleiras de um supermercado americano - aconteceu com outros exilados do comunismo - e louvado o papel dos Estados Unidos na defesa das liberdades. Fez exatamente o contrário. Sua crítica ao modelo de democracia liberal é uma das mais radicais que existem. No famoso discurso de abertura do ano letivo em Harvard, em 1978, ele fez considerações que merecem ser lembradas cada vez que procuramos um olhar complexo e diversificado sobre o mundo. Numa crítica premonitória, anotou que, em reação ao passado de colonialismo, “as relações com o antigo mundo colonial viraram para o extremo oposto e o mundo ocidental agora frequentemente exibe um excesso de obsequiosidade” com os ex-colonizados - alguém já viu a nova onda “descolonizadora” nos círculos intelectuais das esquerdas hoje em dia? Enfiando a faca mais fundo, o escritor anotou que “um declínio da coragem pode ser a característica mais marcante que um observador de fora nota no Ocidente hoje”. Mencionou a coragem cívica. Imaginem a cara da fina flor de Harvard ao ouvir que “esse declínio na coragem é particularmente perceptível entre as elites governantes e intelectuais”. Teve mais: “A defesa dos direitos individuais atingiu tais extremos que tornam a sociedade como um todo indefesa diante de certos indivíduos”. Na sua visão, havia um excesso de condescendência com o crime - alguém já ouviu falar em tratar criminosos como vítimas da sociedade?

        Teria o grande Soljenítsin deixado de perceber as nuances do pensamento ocidental, as fraquezas que fazem sua força e sua criatividade, a capacidade de regeneração mesmo de sociedades altamente consumistas ou excessivamente indulgentes? “A inclinação da liberdade na direção do mal aconteceu gradualmente, mas evidentemente deriva de um conceito humanista segundo o qual o homem - o mestre desse mundo - não carrega nenhum mal dentro de si e todos os defeitos da vida são causados por sistemas sociais equivocados que, portanto, precisam ser corrigidos.”

        Qual intelectual hoje ousaria falar em mal ou bem? Soljenítsin falava. Escreveu ele em Arquipélago Gulag: “Gradualmente me foi revelado que a linha separando o bem do mal passa, não entre estados, não entre classes, nem entre partidos políticos - mas diretamente através de cada coração humano. Dentro de nós, oscila com o passar dos anos. E mesmo nos corações tomados pelo mal, uma pequena cabeça de ponte do bem permanece. E mesmo no melhor dos corações, permanece um canto intacto do mal”. Não é de arrepiar?

Revista Veja – 27/09/2024 
Uma das principais dificuldades ortográficas do português é gerada pela representação gráfica dos sons de /s/. Sabendo disso, assinale a única alternativa em que todas as palavras estão grafadas corretamente. 
Alternativas
Q3288491 Português
PROFETA DO BEM E DO MAL
VILMA GRYZINSKI
Alexander Soljenítsin enfrentou a URSS e detestou o Ocidente

        Dentro da grande tradição russa, Alexander Soljenítsin foi um fabuloso escritor, mas também um profeta, uma combinação de mente e espírito capazes de captar os círculos da água eterna que se projetam para o que achamos ser o futuro. “Na percepção do meu coração, não existe espaço para um conflito Rússia-Ucrânia e se, Deus nos livre, a questão chegar a isso, posso afirmar com certeza: jamais, em nenhuma circunstância, tomarei parte num confronto russo-ucraniano ou permitirei que meus filhos o façam - não importa o quanto os imprudentes destemperados tentem nos arrastar para isso.” Ele escreveu isso em 1981. Tinha convivido com prisioneiros ucranianos no Gulag e aprendido com seu sofrimento sob Stálin.

        Era também impossível. Expulso pela União Soviética em 1974, ele deveria ter se extasiado com o Ocidente, chorado diante da fartura das prateleiras de um supermercado americano - aconteceu com outros exilados do comunismo - e louvado o papel dos Estados Unidos na defesa das liberdades. Fez exatamente o contrário. Sua crítica ao modelo de democracia liberal é uma das mais radicais que existem. No famoso discurso de abertura do ano letivo em Harvard, em 1978, ele fez considerações que merecem ser lembradas cada vez que procuramos um olhar complexo e diversificado sobre o mundo. Numa crítica premonitória, anotou que, em reação ao passado de colonialismo, “as relações com o antigo mundo colonial viraram para o extremo oposto e o mundo ocidental agora frequentemente exibe um excesso de obsequiosidade” com os ex-colonizados - alguém já viu a nova onda “descolonizadora” nos círculos intelectuais das esquerdas hoje em dia? Enfiando a faca mais fundo, o escritor anotou que “um declínio da coragem pode ser a característica mais marcante que um observador de fora nota no Ocidente hoje”. Mencionou a coragem cívica. Imaginem a cara da fina flor de Harvard ao ouvir que “esse declínio na coragem é particularmente perceptível entre as elites governantes e intelectuais”. Teve mais: “A defesa dos direitos individuais atingiu tais extremos que tornam a sociedade como um todo indefesa diante de certos indivíduos”. Na sua visão, havia um excesso de condescendência com o crime - alguém já ouviu falar em tratar criminosos como vítimas da sociedade?

        Teria o grande Soljenítsin deixado de perceber as nuances do pensamento ocidental, as fraquezas que fazem sua força e sua criatividade, a capacidade de regeneração mesmo de sociedades altamente consumistas ou excessivamente indulgentes? “A inclinação da liberdade na direção do mal aconteceu gradualmente, mas evidentemente deriva de um conceito humanista segundo o qual o homem - o mestre desse mundo - não carrega nenhum mal dentro de si e todos os defeitos da vida são causados por sistemas sociais equivocados que, portanto, precisam ser corrigidos.”

        Qual intelectual hoje ousaria falar em mal ou bem? Soljenítsin falava. Escreveu ele em Arquipélago Gulag: “Gradualmente me foi revelado que a linha separando o bem do mal passa, não entre estados, não entre classes, nem entre partidos políticos - mas diretamente através de cada coração humano. Dentro de nós, oscila com o passar dos anos. E mesmo nos corações tomados pelo mal, uma pequena cabeça de ponte do bem permanece. E mesmo no melhor dos corações, permanece um canto intacto do mal”. Não é de arrepiar?

Revista Veja – 27/09/2024 
Analisando a estrutura morfossintática do período “Sua crítica ao modelo de democracia liberal é uma das mais radicais que existem.”, podemos classificá-lo como 
Alternativas
Q3288490 Português
PROFETA DO BEM E DO MAL
VILMA GRYZINSKI
Alexander Soljenítsin enfrentou a URSS e detestou o Ocidente

        Dentro da grande tradição russa, Alexander Soljenítsin foi um fabuloso escritor, mas também um profeta, uma combinação de mente e espírito capazes de captar os círculos da água eterna que se projetam para o que achamos ser o futuro. “Na percepção do meu coração, não existe espaço para um conflito Rússia-Ucrânia e se, Deus nos livre, a questão chegar a isso, posso afirmar com certeza: jamais, em nenhuma circunstância, tomarei parte num confronto russo-ucraniano ou permitirei que meus filhos o façam - não importa o quanto os imprudentes destemperados tentem nos arrastar para isso.” Ele escreveu isso em 1981. Tinha convivido com prisioneiros ucranianos no Gulag e aprendido com seu sofrimento sob Stálin.

        Era também impossível. Expulso pela União Soviética em 1974, ele deveria ter se extasiado com o Ocidente, chorado diante da fartura das prateleiras de um supermercado americano - aconteceu com outros exilados do comunismo - e louvado o papel dos Estados Unidos na defesa das liberdades. Fez exatamente o contrário. Sua crítica ao modelo de democracia liberal é uma das mais radicais que existem. No famoso discurso de abertura do ano letivo em Harvard, em 1978, ele fez considerações que merecem ser lembradas cada vez que procuramos um olhar complexo e diversificado sobre o mundo. Numa crítica premonitória, anotou que, em reação ao passado de colonialismo, “as relações com o antigo mundo colonial viraram para o extremo oposto e o mundo ocidental agora frequentemente exibe um excesso de obsequiosidade” com os ex-colonizados - alguém já viu a nova onda “descolonizadora” nos círculos intelectuais das esquerdas hoje em dia? Enfiando a faca mais fundo, o escritor anotou que “um declínio da coragem pode ser a característica mais marcante que um observador de fora nota no Ocidente hoje”. Mencionou a coragem cívica. Imaginem a cara da fina flor de Harvard ao ouvir que “esse declínio na coragem é particularmente perceptível entre as elites governantes e intelectuais”. Teve mais: “A defesa dos direitos individuais atingiu tais extremos que tornam a sociedade como um todo indefesa diante de certos indivíduos”. Na sua visão, havia um excesso de condescendência com o crime - alguém já ouviu falar em tratar criminosos como vítimas da sociedade?

        Teria o grande Soljenítsin deixado de perceber as nuances do pensamento ocidental, as fraquezas que fazem sua força e sua criatividade, a capacidade de regeneração mesmo de sociedades altamente consumistas ou excessivamente indulgentes? “A inclinação da liberdade na direção do mal aconteceu gradualmente, mas evidentemente deriva de um conceito humanista segundo o qual o homem - o mestre desse mundo - não carrega nenhum mal dentro de si e todos os defeitos da vida são causados por sistemas sociais equivocados que, portanto, precisam ser corrigidos.”

        Qual intelectual hoje ousaria falar em mal ou bem? Soljenítsin falava. Escreveu ele em Arquipélago Gulag: “Gradualmente me foi revelado que a linha separando o bem do mal passa, não entre estados, não entre classes, nem entre partidos políticos - mas diretamente através de cada coração humano. Dentro de nós, oscila com o passar dos anos. E mesmo nos corações tomados pelo mal, uma pequena cabeça de ponte do bem permanece. E mesmo no melhor dos corações, permanece um canto intacto do mal”. Não é de arrepiar?

Revista Veja – 27/09/2024 
No segundo parágrafo do texto, a autora cita a seguinte frase de Alexander: “as relações com o antigo mundo colonial viraram para o extremo oposto e o mundo ocidental agora frequentemente exibe um excesso de obsequiosidade”. Assinale a única alternativa que a reescreve mantendo seu sentido original.
Alternativas
Q3288489 Português
PROFETA DO BEM E DO MAL
VILMA GRYZINSKI
Alexander Soljenítsin enfrentou a URSS e detestou o Ocidente

        Dentro da grande tradição russa, Alexander Soljenítsin foi um fabuloso escritor, mas também um profeta, uma combinação de mente e espírito capazes de captar os círculos da água eterna que se projetam para o que achamos ser o futuro. “Na percepção do meu coração, não existe espaço para um conflito Rússia-Ucrânia e se, Deus nos livre, a questão chegar a isso, posso afirmar com certeza: jamais, em nenhuma circunstância, tomarei parte num confronto russo-ucraniano ou permitirei que meus filhos o façam - não importa o quanto os imprudentes destemperados tentem nos arrastar para isso.” Ele escreveu isso em 1981. Tinha convivido com prisioneiros ucranianos no Gulag e aprendido com seu sofrimento sob Stálin.

        Era também impossível. Expulso pela União Soviética em 1974, ele deveria ter se extasiado com o Ocidente, chorado diante da fartura das prateleiras de um supermercado americano - aconteceu com outros exilados do comunismo - e louvado o papel dos Estados Unidos na defesa das liberdades. Fez exatamente o contrário. Sua crítica ao modelo de democracia liberal é uma das mais radicais que existem. No famoso discurso de abertura do ano letivo em Harvard, em 1978, ele fez considerações que merecem ser lembradas cada vez que procuramos um olhar complexo e diversificado sobre o mundo. Numa crítica premonitória, anotou que, em reação ao passado de colonialismo, “as relações com o antigo mundo colonial viraram para o extremo oposto e o mundo ocidental agora frequentemente exibe um excesso de obsequiosidade” com os ex-colonizados - alguém já viu a nova onda “descolonizadora” nos círculos intelectuais das esquerdas hoje em dia? Enfiando a faca mais fundo, o escritor anotou que “um declínio da coragem pode ser a característica mais marcante que um observador de fora nota no Ocidente hoje”. Mencionou a coragem cívica. Imaginem a cara da fina flor de Harvard ao ouvir que “esse declínio na coragem é particularmente perceptível entre as elites governantes e intelectuais”. Teve mais: “A defesa dos direitos individuais atingiu tais extremos que tornam a sociedade como um todo indefesa diante de certos indivíduos”. Na sua visão, havia um excesso de condescendência com o crime - alguém já ouviu falar em tratar criminosos como vítimas da sociedade?

        Teria o grande Soljenítsin deixado de perceber as nuances do pensamento ocidental, as fraquezas que fazem sua força e sua criatividade, a capacidade de regeneração mesmo de sociedades altamente consumistas ou excessivamente indulgentes? “A inclinação da liberdade na direção do mal aconteceu gradualmente, mas evidentemente deriva de um conceito humanista segundo o qual o homem - o mestre desse mundo - não carrega nenhum mal dentro de si e todos os defeitos da vida são causados por sistemas sociais equivocados que, portanto, precisam ser corrigidos.”

        Qual intelectual hoje ousaria falar em mal ou bem? Soljenítsin falava. Escreveu ele em Arquipélago Gulag: “Gradualmente me foi revelado que a linha separando o bem do mal passa, não entre estados, não entre classes, nem entre partidos políticos - mas diretamente através de cada coração humano. Dentro de nós, oscila com o passar dos anos. E mesmo nos corações tomados pelo mal, uma pequena cabeça de ponte do bem permanece. E mesmo no melhor dos corações, permanece um canto intacto do mal”. Não é de arrepiar?

Revista Veja – 27/09/2024 
        Os textos em geral se organizam em tipos textuais predominantes. No texto em análise, por exemplo, predomina o tipo dissertativo-argumentativo. Apesar disso, há ao longo do texto períodos e/ou parágrafos que se organizam em outras tipologias textuais. Sabendo disso, identifique a alternativa que contém o tipo textual predominante no trecho abaixo fornecido.
“Dentro da grande tradição russa, Alexander Soljenítsin foi um fabuloso escritor, mas também um profeta, uma combinação de mente e espírito capazes de captar os círculos da água eterna que se projetam para o que achamos ser o futuro.” 
Alternativas
Q3288488 Português
PROFETA DO BEM E DO MAL
VILMA GRYZINSKI
Alexander Soljenítsin enfrentou a URSS e detestou o Ocidente

        Dentro da grande tradição russa, Alexander Soljenítsin foi um fabuloso escritor, mas também um profeta, uma combinação de mente e espírito capazes de captar os círculos da água eterna que se projetam para o que achamos ser o futuro. “Na percepção do meu coração, não existe espaço para um conflito Rússia-Ucrânia e se, Deus nos livre, a questão chegar a isso, posso afirmar com certeza: jamais, em nenhuma circunstância, tomarei parte num confronto russo-ucraniano ou permitirei que meus filhos o façam - não importa o quanto os imprudentes destemperados tentem nos arrastar para isso.” Ele escreveu isso em 1981. Tinha convivido com prisioneiros ucranianos no Gulag e aprendido com seu sofrimento sob Stálin.

        Era também impossível. Expulso pela União Soviética em 1974, ele deveria ter se extasiado com o Ocidente, chorado diante da fartura das prateleiras de um supermercado americano - aconteceu com outros exilados do comunismo - e louvado o papel dos Estados Unidos na defesa das liberdades. Fez exatamente o contrário. Sua crítica ao modelo de democracia liberal é uma das mais radicais que existem. No famoso discurso de abertura do ano letivo em Harvard, em 1978, ele fez considerações que merecem ser lembradas cada vez que procuramos um olhar complexo e diversificado sobre o mundo. Numa crítica premonitória, anotou que, em reação ao passado de colonialismo, “as relações com o antigo mundo colonial viraram para o extremo oposto e o mundo ocidental agora frequentemente exibe um excesso de obsequiosidade” com os ex-colonizados - alguém já viu a nova onda “descolonizadora” nos círculos intelectuais das esquerdas hoje em dia? Enfiando a faca mais fundo, o escritor anotou que “um declínio da coragem pode ser a característica mais marcante que um observador de fora nota no Ocidente hoje”. Mencionou a coragem cívica. Imaginem a cara da fina flor de Harvard ao ouvir que “esse declínio na coragem é particularmente perceptível entre as elites governantes e intelectuais”. Teve mais: “A defesa dos direitos individuais atingiu tais extremos que tornam a sociedade como um todo indefesa diante de certos indivíduos”. Na sua visão, havia um excesso de condescendência com o crime - alguém já ouviu falar em tratar criminosos como vítimas da sociedade?

        Teria o grande Soljenítsin deixado de perceber as nuances do pensamento ocidental, as fraquezas que fazem sua força e sua criatividade, a capacidade de regeneração mesmo de sociedades altamente consumistas ou excessivamente indulgentes? “A inclinação da liberdade na direção do mal aconteceu gradualmente, mas evidentemente deriva de um conceito humanista segundo o qual o homem - o mestre desse mundo - não carrega nenhum mal dentro de si e todos os defeitos da vida são causados por sistemas sociais equivocados que, portanto, precisam ser corrigidos.”

        Qual intelectual hoje ousaria falar em mal ou bem? Soljenítsin falava. Escreveu ele em Arquipélago Gulag: “Gradualmente me foi revelado que a linha separando o bem do mal passa, não entre estados, não entre classes, nem entre partidos políticos - mas diretamente através de cada coração humano. Dentro de nós, oscila com o passar dos anos. E mesmo nos corações tomados pelo mal, uma pequena cabeça de ponte do bem permanece. E mesmo no melhor dos corações, permanece um canto intacto do mal”. Não é de arrepiar?

Revista Veja – 27/09/2024 
Nosso texto faz várias citações diretas de frases de Alexander. Em uma delas, ele diz que “A defesa dos direitos individuais atingiu tais extremos que tornam a sociedade como um todo indefesa diante de certos indivíduos”. Caso queiramos substituir a citação direta por uma citação indireta, manteríamos o mesmo sentido que a frase tem no texto na opção:
Alternativas
Respostas
33341: E
33342: E
33343: E
33344: C
33345: C
33346: B
33347: A
33348: A
33349: D
33350: D
33351: E
33352: D
33353: B
33354: A
33355: D
33356: D
33357: B
33358: A
33359: C
33360: B