Questões de Concurso Comentadas sobre português

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Q3762136 Português
Este tipo textual é empregado para transmitir informações ou conhecimentos, para tanto, utiliza linguagem objetiva e verbos no presente e pode haver o predomínio da 3ª pessoa. Exemplos desse tipo textual incluem seminários, verbetes de enciclopédia, resumos, conferências e relatórios (adaptado da obra “Oficina de Redação”, de Leila Lauar Sarmento, 4ª edição, 2013). O tipo textual descrito é: 
Alternativas
Q3761945 Português

Santos Dumont inventou avião, lançou moda e foi celebridade do seu tempo

Por Marcella Franco



(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folhinha/2023/07/santos-dumont-inventou-aviao-lancou-moda-e-foicelebridade-do-seu-tempo.shtml – texto adaptado especialmente para esta prova).

Analise os períodos a seguir, retirados do texto.

1. Ele foi tão incrível.
2. Santos Dumont perdeu o controle da aeronave e bateu no chão.
3. O 14-bis voava direitinho.

Sobre os verbos sublinhados, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q3761800 Português
Num reino distante, um velho rei, para encontrar seu sucessor, pediu que cada um de seus conselheiros plantasse uma semente e, depois de um ano, trouxesse a mais bela flor. O herdeiro era o filho de um camponês humilde, pois, apesar de não ter trazido uma flor, ele havia tido a honestidade de contar a verdade.

Qual a conclusão mais importante sobre a história?
Alternativas
Q3761798 Português
Assinale a alternativa em que todas as palavras estão acentuadas corretamente de acordo com a regra básica da língua portuguesa:
Alternativas
Q3761796 Português

Segurança nas Redes Sociais


As redes sociais são ferramentas de comunicação muito populares. No entanto, é fundamental ter atenção à segurança. Um erro comum é aceitar pedidos de amizade de pessoas desconhecidas, pois elas podem usar suas informações pessoais para fins maliciosos. Além disso, jamais se deve clicar em links enviados por e-mail ou mensagens de remetentes duvidosos, pois podem instalar vírus no seu aparelho. O ideal é manter sempre suas configurações de privacidade ativas.

De acordo com o texto "Segurança nas Redes Sociais", qual é um dos erros comuns que as pessoas cometem e que pode prejudicar sua segurança nas redes?
Alternativas
Q3761624 Português
“O desenvolvimento da identidade é um processo complexo, subjacente a fatores que, ora contribuem para a sua fixação, ora a desestabilizam. Mas apesar disso, a identidade deste evento, que colocou o livro, a leitura e a literatura em evidência, proporcionou à cidade de Boqueirão transformações culturais e sociais de grande relevância, através do esforço coletivo de alguns escritores locais.”

De acordo com o texto, a Festa Literária de Boqueirão (FLIBO) proporcionou transformações culturais e sociais na cidade. Isso ocorreu principalmente porque:
Alternativas
Q3761619 Português
Analise as palavras destacadas nas frases presentes no quadro a seguir.

1 -A imagem dela refletiu bem naquele espelho;
2 -A filha refletiu muito sobre o conselho da mãe.

Após análise dos termos em destaque nas frases, pode-se afirmar que se tratam de palavras:
Alternativas
Q3761618 Português
Leia a tirinha da Mafalda a seguir e responda à questão.

Q18.png (700×200)

Após leitura da tirinha da Mafalda, analise, como verdadeiras (V) ou falsas (F), as afirmativas a seguir. 

( ) A palavra “indicador” possui o mesmo significado no segundo e no quarto quadrinho da tirinha da Mafalda.
( ) O termo “AAAAAH!...” classifica-se, morfologicamente, como uma preposição.
( ) No período “Esse deve ser o tal indicador de desemprego de que tanto se fala!”, há três orações.
( ) A oração “de que tanto se fala” trata-se de uma subordinada adjetiva.

Após análise das afirmativas, conclui-se que a sequência correta é:
Alternativas
Q3761616 Português
Todas as palavras em destaque nas frases das alternativas a seguir possuem cinco sílabas, com exceção do vocábulo destacado no seguinte período: 
Alternativas
Q3761615 Português
Leia o artigo de opinião a seguir e responda a questão.


O massacre na Penha obriga o país a escolher


Amarílis Costa (Doutoranda em direitos humanos na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo)


    Enquanto isso, 132 casas amanhecem mais vazias no Complexo da Penha. E, nessa máquina de moer gente, morrem também os policiais — homens pobres, filhos de mulheres que choram do mesmo lado da trincheira. Não existe vencedor numa guerra em que o povo perde. Sangramos todos nós. E, ainda assim, o país não parou diante da pilha de corpos. A cena de guerra não esvaziou o ponto de ônibus. Como diria a canção de Criolo, retomamos as atividades do dia: lavar os copos, contar os corpos e sorrir esta morna rebeldia.  

    Criolo, poeta da sobrevivência, escreveu sem saber que seu refrão seria prenúncio. No Rio de Janeiro, moradores da Penha transformaram a praça em necrotério improvisado, expondo à luz do dia aquilo que o genocídio negro institucionalizado que o Estado insiste em varrer para as sombras. Na madrugada de 29 de outubro de 2025, mais de setenta corpos foram levados por mãos calejadas até a Praça São Lucas. Corpos de jovens, corpos sem nome, corpos com documentos no bolso e dignidade arrancada à bala. O governo contabiliza sessenta e quatro. A Defensoria fala em cento e trinta e dois. Entre um número e outro, há o abismo das vidas que o Estado decide não contar. 

    Quando o governador se apressa em declarar “sucesso” à operação, o verbo não se refere à segurança pública — mas à manutenção da política de extermínio. É o sucesso de um projeto antigo, minuciosamente descrito por Ana Flauzina em Corpo Negro Caído no chão: o sistema penal como braço operativo do Estado genocida. As mortes nas favelas não são exceções; são procedimentos, relatórios, índices que alimentam a indústria da bala, o discurso moralista e a necropolítica. O Estado antinegro não apenas mata — ele administra a morte, calcula o risco, racionaliza a ausência. E quando o povo da Penha leva os corpos à praça, realiza um gesto profundamente subversivo: rompe o pacto de silêncio, restitui humanidade ao cadáver e denuncia o País.

    O nome da ação policial — Operação Contenção — é um ato falho. Flauzina nos ensina que o racismo é o eixo metodológico do sistema penal. Eu acrescentaria: é o projeto ontológico do Estado brasileiro. Enquanto os helicópteros sobrevoam, a democracia racial implode. Enquanto o governador sorri, o solo absorve o sangue negro, como tem feito há séculos. Enquanto as câmeras filmam a apreensão de fuzis, as famílias apreensivas choram a perda do que o Direito não alcança nomear.  

    Essas mortes não são apenas estatísticas, são expressões do que denomino dano de anulação existencial. Cada corpo tombado é uma biografia interrompida pela lógica de um Estado que se reserva o direito de decidir quem vive e quem morre. A anulação começa antes da morte: na escola sucateada, na ausência de saneamento, no olhar armado da polícia. O crime não é a causa, é o pretexto. O corpo negro é o crime em si, o alvo preferencial de um Estado que naturalizou a sua eliminação.  

    Não há como invocar a expressão “Estado Democrático de Direito” enquanto o mais elementar dos direitos, o de existir, permanece suspenso nas favelas. Sem responsabilização, sem reparação, sem ruptura, o país seguirá orbitando o abismo moral que ele próprio cavou. Enquanto o trono da branquitude permanecer intocado, seguiremos lavando copos, contando corpos e sorrindo o riso amargo da resistência. Porque, como entoa Criolo, “se fosse pra ter medo dessa estrada, eu não taria há tanto tempo nessa caminhada”. E é nessa travessia ensanguentada que o Brasil decidirá se quer ser nação ou necrotério.  

    Precisamos refletir que a eleição de 2026 se avizinha, e com ela a urgência de encarar o projeto em curso — aquele que nem mesmo a ADPF das Favelas conseguiu frear. No trono da justiça, uma cadeira do Supremo Tribunal Federal permanece vazia, e essa vacância ecoa o anseio profundo de um país por uma mulher negra naquele espaço de poder.

    No Brasil, o verbo existir se conjuga em sangue. Cada gota derramada grita um nome que o Estado não quer ouvir. No altar profano do chão da favela, onde repousam os filhos que a nação renega, este sangue escorre e desenha o mapa real do Brasil – um país que administra a morte com precisão burocrática e chama isso de política pública.

    Nós sobreviventes seguiremos tentando, entre o choro e o aço, reinventar o verbo existir.


Fonte: https://www.cartacapital.com.br/opiniao/ o-massacre-na-penha-obriga-o-pais-a-escolher/
No que diz respeito ao uso da crase, assinale, a seguir, a alternativa na qual o uso da crase assemelha-se ao caso em destaque na frase “Corpos de jovens, corpos sem nome, corpos com documentos no bolso e dignidade arrancada à bala”, retirada do artigo de opinião lido.  
Alternativas
Q3761614 Português
Leia o artigo de opinião a seguir e responda a questão.


O massacre na Penha obriga o país a escolher


Amarílis Costa (Doutoranda em direitos humanos na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo)


    Enquanto isso, 132 casas amanhecem mais vazias no Complexo da Penha. E, nessa máquina de moer gente, morrem também os policiais — homens pobres, filhos de mulheres que choram do mesmo lado da trincheira. Não existe vencedor numa guerra em que o povo perde. Sangramos todos nós. E, ainda assim, o país não parou diante da pilha de corpos. A cena de guerra não esvaziou o ponto de ônibus. Como diria a canção de Criolo, retomamos as atividades do dia: lavar os copos, contar os corpos e sorrir esta morna rebeldia.  

    Criolo, poeta da sobrevivência, escreveu sem saber que seu refrão seria prenúncio. No Rio de Janeiro, moradores da Penha transformaram a praça em necrotério improvisado, expondo à luz do dia aquilo que o genocídio negro institucionalizado que o Estado insiste em varrer para as sombras. Na madrugada de 29 de outubro de 2025, mais de setenta corpos foram levados por mãos calejadas até a Praça São Lucas. Corpos de jovens, corpos sem nome, corpos com documentos no bolso e dignidade arrancada à bala. O governo contabiliza sessenta e quatro. A Defensoria fala em cento e trinta e dois. Entre um número e outro, há o abismo das vidas que o Estado decide não contar. 

    Quando o governador se apressa em declarar “sucesso” à operação, o verbo não se refere à segurança pública — mas à manutenção da política de extermínio. É o sucesso de um projeto antigo, minuciosamente descrito por Ana Flauzina em Corpo Negro Caído no chão: o sistema penal como braço operativo do Estado genocida. As mortes nas favelas não são exceções; são procedimentos, relatórios, índices que alimentam a indústria da bala, o discurso moralista e a necropolítica. O Estado antinegro não apenas mata — ele administra a morte, calcula o risco, racionaliza a ausência. E quando o povo da Penha leva os corpos à praça, realiza um gesto profundamente subversivo: rompe o pacto de silêncio, restitui humanidade ao cadáver e denuncia o País.

    O nome da ação policial — Operação Contenção — é um ato falho. Flauzina nos ensina que o racismo é o eixo metodológico do sistema penal. Eu acrescentaria: é o projeto ontológico do Estado brasileiro. Enquanto os helicópteros sobrevoam, a democracia racial implode. Enquanto o governador sorri, o solo absorve o sangue negro, como tem feito há séculos. Enquanto as câmeras filmam a apreensão de fuzis, as famílias apreensivas choram a perda do que o Direito não alcança nomear.  

    Essas mortes não são apenas estatísticas, são expressões do que denomino dano de anulação existencial. Cada corpo tombado é uma biografia interrompida pela lógica de um Estado que se reserva o direito de decidir quem vive e quem morre. A anulação começa antes da morte: na escola sucateada, na ausência de saneamento, no olhar armado da polícia. O crime não é a causa, é o pretexto. O corpo negro é o crime em si, o alvo preferencial de um Estado que naturalizou a sua eliminação.  

    Não há como invocar a expressão “Estado Democrático de Direito” enquanto o mais elementar dos direitos, o de existir, permanece suspenso nas favelas. Sem responsabilização, sem reparação, sem ruptura, o país seguirá orbitando o abismo moral que ele próprio cavou. Enquanto o trono da branquitude permanecer intocado, seguiremos lavando copos, contando corpos e sorrindo o riso amargo da resistência. Porque, como entoa Criolo, “se fosse pra ter medo dessa estrada, eu não taria há tanto tempo nessa caminhada”. E é nessa travessia ensanguentada que o Brasil decidirá se quer ser nação ou necrotério.  

    Precisamos refletir que a eleição de 2026 se avizinha, e com ela a urgência de encarar o projeto em curso — aquele que nem mesmo a ADPF das Favelas conseguiu frear. No trono da justiça, uma cadeira do Supremo Tribunal Federal permanece vazia, e essa vacância ecoa o anseio profundo de um país por uma mulher negra naquele espaço de poder.

    No Brasil, o verbo existir se conjuga em sangue. Cada gota derramada grita um nome que o Estado não quer ouvir. No altar profano do chão da favela, onde repousam os filhos que a nação renega, este sangue escorre e desenha o mapa real do Brasil – um país que administra a morte com precisão burocrática e chama isso de política pública.

    Nós sobreviventes seguiremos tentando, entre o choro e o aço, reinventar o verbo existir.


Fonte: https://www.cartacapital.com.br/opiniao/ o-massacre-na-penha-obriga-o-pais-a-escolher/
Sobre o processo de formação da palavra destacada no período “É o sucesso de um projeto antigo, minuciosamente descrito por Ana Flauzina em Corpo Negro Caído no chão: o sistema penal como braço operativo do Estado genocida”, retirado do artigo de opinião de Amarílis Costa, pode-se afirmar que: 
Alternativas
Q3761613 Português
Leia o artigo de opinião a seguir e responda a questão.


O massacre na Penha obriga o país a escolher


Amarílis Costa (Doutoranda em direitos humanos na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo)


    Enquanto isso, 132 casas amanhecem mais vazias no Complexo da Penha. E, nessa máquina de moer gente, morrem também os policiais — homens pobres, filhos de mulheres que choram do mesmo lado da trincheira. Não existe vencedor numa guerra em que o povo perde. Sangramos todos nós. E, ainda assim, o país não parou diante da pilha de corpos. A cena de guerra não esvaziou o ponto de ônibus. Como diria a canção de Criolo, retomamos as atividades do dia: lavar os copos, contar os corpos e sorrir esta morna rebeldia.  

    Criolo, poeta da sobrevivência, escreveu sem saber que seu refrão seria prenúncio. No Rio de Janeiro, moradores da Penha transformaram a praça em necrotério improvisado, expondo à luz do dia aquilo que o genocídio negro institucionalizado que o Estado insiste em varrer para as sombras. Na madrugada de 29 de outubro de 2025, mais de setenta corpos foram levados por mãos calejadas até a Praça São Lucas. Corpos de jovens, corpos sem nome, corpos com documentos no bolso e dignidade arrancada à bala. O governo contabiliza sessenta e quatro. A Defensoria fala em cento e trinta e dois. Entre um número e outro, há o abismo das vidas que o Estado decide não contar. 

    Quando o governador se apressa em declarar “sucesso” à operação, o verbo não se refere à segurança pública — mas à manutenção da política de extermínio. É o sucesso de um projeto antigo, minuciosamente descrito por Ana Flauzina em Corpo Negro Caído no chão: o sistema penal como braço operativo do Estado genocida. As mortes nas favelas não são exceções; são procedimentos, relatórios, índices que alimentam a indústria da bala, o discurso moralista e a necropolítica. O Estado antinegro não apenas mata — ele administra a morte, calcula o risco, racionaliza a ausência. E quando o povo da Penha leva os corpos à praça, realiza um gesto profundamente subversivo: rompe o pacto de silêncio, restitui humanidade ao cadáver e denuncia o País.

    O nome da ação policial — Operação Contenção — é um ato falho. Flauzina nos ensina que o racismo é o eixo metodológico do sistema penal. Eu acrescentaria: é o projeto ontológico do Estado brasileiro. Enquanto os helicópteros sobrevoam, a democracia racial implode. Enquanto o governador sorri, o solo absorve o sangue negro, como tem feito há séculos. Enquanto as câmeras filmam a apreensão de fuzis, as famílias apreensivas choram a perda do que o Direito não alcança nomear.  

    Essas mortes não são apenas estatísticas, são expressões do que denomino dano de anulação existencial. Cada corpo tombado é uma biografia interrompida pela lógica de um Estado que se reserva o direito de decidir quem vive e quem morre. A anulação começa antes da morte: na escola sucateada, na ausência de saneamento, no olhar armado da polícia. O crime não é a causa, é o pretexto. O corpo negro é o crime em si, o alvo preferencial de um Estado que naturalizou a sua eliminação.  

    Não há como invocar a expressão “Estado Democrático de Direito” enquanto o mais elementar dos direitos, o de existir, permanece suspenso nas favelas. Sem responsabilização, sem reparação, sem ruptura, o país seguirá orbitando o abismo moral que ele próprio cavou. Enquanto o trono da branquitude permanecer intocado, seguiremos lavando copos, contando corpos e sorrindo o riso amargo da resistência. Porque, como entoa Criolo, “se fosse pra ter medo dessa estrada, eu não taria há tanto tempo nessa caminhada”. E é nessa travessia ensanguentada que o Brasil decidirá se quer ser nação ou necrotério.  

    Precisamos refletir que a eleição de 2026 se avizinha, e com ela a urgência de encarar o projeto em curso — aquele que nem mesmo a ADPF das Favelas conseguiu frear. No trono da justiça, uma cadeira do Supremo Tribunal Federal permanece vazia, e essa vacância ecoa o anseio profundo de um país por uma mulher negra naquele espaço de poder.

    No Brasil, o verbo existir se conjuga em sangue. Cada gota derramada grita um nome que o Estado não quer ouvir. No altar profano do chão da favela, onde repousam os filhos que a nação renega, este sangue escorre e desenha o mapa real do Brasil – um país que administra a morte com precisão burocrática e chama isso de política pública.

    Nós sobreviventes seguiremos tentando, entre o choro e o aço, reinventar o verbo existir.


Fonte: https://www.cartacapital.com.br/opiniao/ o-massacre-na-penha-obriga-o-pais-a-escolher/
Analise o período retirado do artigo no quadro a seguir e, posteriormente, analise as afirmativas.

No Rio de Janeiro, moradores da Penha transformaram a praça em necrotério improvisado, expondo à luz do dia aquilo que o genocídio negro institucionalizado que o Estado insiste em varrer para as sombras.

I. No período analisado, há três orações;
II. O termo “que o Estado” poderia ser retirado do período para melhorar a construção sintático-semântica;
III. O termo “à luz do dia” exerce função sintática de adjunto adverbial no período; 
IV. A vírgula que intercala o termo “No Rio de Janeiro” é desnecessária no período.

Após análise das afirmativas, conclui-se que estão corretas apenas: 
Alternativas
Q3761612 Português
Leia o artigo de opinião a seguir e responda a questão.


O massacre na Penha obriga o país a escolher


Amarílis Costa (Doutoranda em direitos humanos na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo)


    Enquanto isso, 132 casas amanhecem mais vazias no Complexo da Penha. E, nessa máquina de moer gente, morrem também os policiais — homens pobres, filhos de mulheres que choram do mesmo lado da trincheira. Não existe vencedor numa guerra em que o povo perde. Sangramos todos nós. E, ainda assim, o país não parou diante da pilha de corpos. A cena de guerra não esvaziou o ponto de ônibus. Como diria a canção de Criolo, retomamos as atividades do dia: lavar os copos, contar os corpos e sorrir esta morna rebeldia.  

    Criolo, poeta da sobrevivência, escreveu sem saber que seu refrão seria prenúncio. No Rio de Janeiro, moradores da Penha transformaram a praça em necrotério improvisado, expondo à luz do dia aquilo que o genocídio negro institucionalizado que o Estado insiste em varrer para as sombras. Na madrugada de 29 de outubro de 2025, mais de setenta corpos foram levados por mãos calejadas até a Praça São Lucas. Corpos de jovens, corpos sem nome, corpos com documentos no bolso e dignidade arrancada à bala. O governo contabiliza sessenta e quatro. A Defensoria fala em cento e trinta e dois. Entre um número e outro, há o abismo das vidas que o Estado decide não contar. 

    Quando o governador se apressa em declarar “sucesso” à operação, o verbo não se refere à segurança pública — mas à manutenção da política de extermínio. É o sucesso de um projeto antigo, minuciosamente descrito por Ana Flauzina em Corpo Negro Caído no chão: o sistema penal como braço operativo do Estado genocida. As mortes nas favelas não são exceções; são procedimentos, relatórios, índices que alimentam a indústria da bala, o discurso moralista e a necropolítica. O Estado antinegro não apenas mata — ele administra a morte, calcula o risco, racionaliza a ausência. E quando o povo da Penha leva os corpos à praça, realiza um gesto profundamente subversivo: rompe o pacto de silêncio, restitui humanidade ao cadáver e denuncia o País.

    O nome da ação policial — Operação Contenção — é um ato falho. Flauzina nos ensina que o racismo é o eixo metodológico do sistema penal. Eu acrescentaria: é o projeto ontológico do Estado brasileiro. Enquanto os helicópteros sobrevoam, a democracia racial implode. Enquanto o governador sorri, o solo absorve o sangue negro, como tem feito há séculos. Enquanto as câmeras filmam a apreensão de fuzis, as famílias apreensivas choram a perda do que o Direito não alcança nomear.  

    Essas mortes não são apenas estatísticas, são expressões do que denomino dano de anulação existencial. Cada corpo tombado é uma biografia interrompida pela lógica de um Estado que se reserva o direito de decidir quem vive e quem morre. A anulação começa antes da morte: na escola sucateada, na ausência de saneamento, no olhar armado da polícia. O crime não é a causa, é o pretexto. O corpo negro é o crime em si, o alvo preferencial de um Estado que naturalizou a sua eliminação.  

    Não há como invocar a expressão “Estado Democrático de Direito” enquanto o mais elementar dos direitos, o de existir, permanece suspenso nas favelas. Sem responsabilização, sem reparação, sem ruptura, o país seguirá orbitando o abismo moral que ele próprio cavou. Enquanto o trono da branquitude permanecer intocado, seguiremos lavando copos, contando corpos e sorrindo o riso amargo da resistência. Porque, como entoa Criolo, “se fosse pra ter medo dessa estrada, eu não taria há tanto tempo nessa caminhada”. E é nessa travessia ensanguentada que o Brasil decidirá se quer ser nação ou necrotério.  

    Precisamos refletir que a eleição de 2026 se avizinha, e com ela a urgência de encarar o projeto em curso — aquele que nem mesmo a ADPF das Favelas conseguiu frear. No trono da justiça, uma cadeira do Supremo Tribunal Federal permanece vazia, e essa vacância ecoa o anseio profundo de um país por uma mulher negra naquele espaço de poder.

    No Brasil, o verbo existir se conjuga em sangue. Cada gota derramada grita um nome que o Estado não quer ouvir. No altar profano do chão da favela, onde repousam os filhos que a nação renega, este sangue escorre e desenha o mapa real do Brasil – um país que administra a morte com precisão burocrática e chama isso de política pública.

    Nós sobreviventes seguiremos tentando, entre o choro e o aço, reinventar o verbo existir.


Fonte: https://www.cartacapital.com.br/opiniao/ o-massacre-na-penha-obriga-o-pais-a-escolher/
Levando em consideração o contexto, no período “No trono da justiça, uma cadeira do Supremo Tribunal Federal permanece vazia, e essa vacância ecoa o anseio profundo de um país por uma mulher negra naquele espaço de poder”, retirado do artigo lido, o termo em destaque pode ser substituído, sem prejuízo semântico, pelo seguinte termo sinônimo:  
Alternativas
Respostas
21281: B
21282: D
21283: C
21284: E
21285: A
21286: B
21287: D
21288: C
21289: C
21290: A
21291: C
21292: D
21293: B
21294: A
21295: A
21296: C
21297: B
21298: B
21299: D
21300: E