Questões de Concurso Comentadas sobre português

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Q3763571 Português
Observe, atentamente, a palavra “compromisso” e marque a alternativa que apresenta o número de sílabas desse vocábulo:
Alternativas
Q3763570 Português

Leia com atenção o texto e marque a única alternativa correta. O verso “Experimente!” expressa:


Alternativas
Q3763569 Português

TEXTO I



        O lixo pode muitas vezes conter materiais perigosos, que oferecem sérios riscos à saúde humana e ao meio ambiente [...].



     O lixo depositado [...] em terrenos baldios atrai ratos, baratas, moscas, mosquitos, formigas e escorpiões, entre outros, podendo transmitir doenças [...].



         (Instituto de Biociências da USP. Disponível em: www.ib.br/coletaseletiva/saudecoletiva/doencas.htm. Adaptado. Acesso em: 17 out.2025.)

Marque a alternativa correta sobre o objetivo principal desse texto: 
Alternativas
Q3763568 Português

TEXTO I



        O lixo pode muitas vezes conter materiais perigosos, que oferecem sérios riscos à saúde humana e ao meio ambiente [...].



     O lixo depositado [...] em terrenos baldios atrai ratos, baratas, moscas, mosquitos, formigas e escorpiões, entre outros, podendo transmitir doenças [...].



         (Instituto de Biociências da USP. Disponível em: www.ib.br/coletaseletiva/saudecoletiva/doencas.htm. Adaptado. Acesso em: 17 out.2025.)

Marque a alternativa que apresenta um significado para a palavra “baldio” nesse contexto:
Alternativas
Q3763567 Português

TEXTO I



        O lixo pode muitas vezes conter materiais perigosos, que oferecem sérios riscos à saúde humana e ao meio ambiente [...].



     O lixo depositado [...] em terrenos baldios atrai ratos, baratas, moscas, mosquitos, formigas e escorpiões, entre outros, podendo transmitir doenças [...].



         (Instituto de Biociências da USP. Disponível em: www.ib.br/coletaseletiva/saudecoletiva/doencas.htm. Adaptado. Acesso em: 17 out.2025.)

Marque a alternativa que apresenta duas palavras escritas com s (com som de z) e entre vogais:


Alternativas
Q3763566 Português

TEXTO I



        O lixo pode muitas vezes conter materiais perigosos, que oferecem sérios riscos à saúde humana e ao meio ambiente [...].



     O lixo depositado [...] em terrenos baldios atrai ratos, baratas, moscas, mosquitos, formigas e escorpiões, entre outros, podendo transmitir doenças [...].



         (Instituto de Biociências da USP. Disponível em: www.ib.br/coletaseletiva/saudecoletiva/doencas.htm. Adaptado. Acesso em: 17 out.2025.)

Leia o fragmento do texto I e marque a única alternativa correta sobre o tema principal do texto:

Alternativas
Q3763449 Português

Observe a charge abaixo:


 Imagem associada para resolução da questão


Na fala dos pais (“…batendo papo na internet…”) e na resposta do filho (“naum eh verdade >:-(”), qual elemento expressa mais claramente uma personificação? 

Alternativas
Q3763445 Português

Leia o texto e responda à questão.



“A Cartomante”

Machado de Assis

 


HAMLET observa a Horácio que há mais coisas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de novembro de 1869, quando este ria dela por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras.

— Ria, ria. Os homens são assim; não acreditam em nada. Pois saiba que fui, e que ela me disse coisas admiráveis.

Camilo ria; e, rindo, pegou-lhe nas mãos enluvadas, tão bonitas, que ele tinha vontade de as beijar. Não as beijou; mas ficou a olhá-las, com um ar de contemplação de artista. Rita retirou as mãos, e perguntou se ele ia vê-la no domingo.

— Vou.

— Jura?

— Juro.

Era mistificação. No domingo não podia ir; tinha que assistir a um jantar em casa de Vilela, seu amigo de infância, que se casara com Rita havia tempos. Camilo e Vilela eram íntimos; fora ele que os aproximara antes do casamento. Depois, afastou-se um pouco; via-os menos; até que, um dia, a convivência, o acaso e os olhos de Rita trouxeram o que trazem às vezes: uma dessas paixões que começam devagar e acabam depressa, ou começam depressa e acabam devagar.

Na véspera, Rita, inquieta de um recado anônimo, buscara a cartomante. A mulher morava em uma das ruas do centro, italiana, morena e magra, com grandes olhos. Abriu um baralho de cartas compridas e enxovalhadas; enquanto as baralhava, olhava por baixo dos olhos para o moço que lhe levava a alma e a vontade. Voltou três cartas e disse: — Não tenha medo; tudo há de correr bem.

Rita saiu aliviada. No dia seguinte, disse a Camilo que a cartomante confirmara a felicidade deles. Camilo, que não acreditava nessas coisas, achou graça; mas não lhe custou crer no sorriso da amiga.

No sábado, recebeu um bilhete de Vilela: pedia-lhe que fosse à sua casa, logo, sem demora. Camilo sentiu um calafrio. Ajuntou lembranças dispersas, recados estranhos, gestos vagos. Tinha medo; e, contudo, foi. No caminho, passou pela casa de Rita. Encontrou-a pálida.

— Vai — disse ela —, mas escreve-me logo. E, por favor, antes de ir, vem comigo à cartomante. Quero saber se há perigo.

Camilo cedeu. A cartomante disse-lhes coisas doces e vagas, que parecem talhadas para qualquer destino; e Rita respirou. Camilo riu, e saiu. Ao chegar à casa de Vilela, achou o amigo pálido, sereno, com os olhos fixos. — Entra — disse Vilela.

Entrou. Na sala ao lado, viu, estendida no sofá, Rita, com o peito manchado de sangue. Não teve um grito. Vilela, de costas, murmurou: — Era infiel. Logo depois, ouviu-se um estampido.

 

Fonte: https://machadodeassis.net/ - (Adaptado)

No desfecho do conto, logo após a fala “Era infiel”, ouve-se um tiro. Que efeito de sentido predomina nesse fechamento?
Alternativas
Q3763444 Português

Leia o texto e responda à questão.



“A Cartomante”

Machado de Assis

 


HAMLET observa a Horácio que há mais coisas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de novembro de 1869, quando este ria dela por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras.

— Ria, ria. Os homens são assim; não acreditam em nada. Pois saiba que fui, e que ela me disse coisas admiráveis.

Camilo ria; e, rindo, pegou-lhe nas mãos enluvadas, tão bonitas, que ele tinha vontade de as beijar. Não as beijou; mas ficou a olhá-las, com um ar de contemplação de artista. Rita retirou as mãos, e perguntou se ele ia vê-la no domingo.

— Vou.

— Jura?

— Juro.

Era mistificação. No domingo não podia ir; tinha que assistir a um jantar em casa de Vilela, seu amigo de infância, que se casara com Rita havia tempos. Camilo e Vilela eram íntimos; fora ele que os aproximara antes do casamento. Depois, afastou-se um pouco; via-os menos; até que, um dia, a convivência, o acaso e os olhos de Rita trouxeram o que trazem às vezes: uma dessas paixões que começam devagar e acabam depressa, ou começam depressa e acabam devagar.

Na véspera, Rita, inquieta de um recado anônimo, buscara a cartomante. A mulher morava em uma das ruas do centro, italiana, morena e magra, com grandes olhos. Abriu um baralho de cartas compridas e enxovalhadas; enquanto as baralhava, olhava por baixo dos olhos para o moço que lhe levava a alma e a vontade. Voltou três cartas e disse: — Não tenha medo; tudo há de correr bem.

Rita saiu aliviada. No dia seguinte, disse a Camilo que a cartomante confirmara a felicidade deles. Camilo, que não acreditava nessas coisas, achou graça; mas não lhe custou crer no sorriso da amiga.

No sábado, recebeu um bilhete de Vilela: pedia-lhe que fosse à sua casa, logo, sem demora. Camilo sentiu um calafrio. Ajuntou lembranças dispersas, recados estranhos, gestos vagos. Tinha medo; e, contudo, foi. No caminho, passou pela casa de Rita. Encontrou-a pálida.

— Vai — disse ela —, mas escreve-me logo. E, por favor, antes de ir, vem comigo à cartomante. Quero saber se há perigo.

Camilo cedeu. A cartomante disse-lhes coisas doces e vagas, que parecem talhadas para qualquer destino; e Rita respirou. Camilo riu, e saiu. Ao chegar à casa de Vilela, achou o amigo pálido, sereno, com os olhos fixos. — Entra — disse Vilela.

Entrou. Na sala ao lado, viu, estendida no sofá, Rita, com o peito manchado de sangue. Não teve um grito. Vilela, de costas, murmurou: — Era infiel. Logo depois, ouviu-se um estampido.

 

Fonte: https://machadodeassis.net/ - (Adaptado)

Considerando a sequência de eventos no conto, assinale a alternativa que explica de modo mais consistente a decisão de Camilo de acompanhar Rita à cartomante.
Alternativas
Q3763443 Português

Leia o texto e responda à questão.



“A Cartomante”

Machado de Assis

 


HAMLET observa a Horácio que há mais coisas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de novembro de 1869, quando este ria dela por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras.

— Ria, ria. Os homens são assim; não acreditam em nada. Pois saiba que fui, e que ela me disse coisas admiráveis.

Camilo ria; e, rindo, pegou-lhe nas mãos enluvadas, tão bonitas, que ele tinha vontade de as beijar. Não as beijou; mas ficou a olhá-las, com um ar de contemplação de artista. Rita retirou as mãos, e perguntou se ele ia vê-la no domingo.

— Vou.

— Jura?

— Juro.

Era mistificação. No domingo não podia ir; tinha que assistir a um jantar em casa de Vilela, seu amigo de infância, que se casara com Rita havia tempos. Camilo e Vilela eram íntimos; fora ele que os aproximara antes do casamento. Depois, afastou-se um pouco; via-os menos; até que, um dia, a convivência, o acaso e os olhos de Rita trouxeram o que trazem às vezes: uma dessas paixões que começam devagar e acabam depressa, ou começam depressa e acabam devagar.

Na véspera, Rita, inquieta de um recado anônimo, buscara a cartomante. A mulher morava em uma das ruas do centro, italiana, morena e magra, com grandes olhos. Abriu um baralho de cartas compridas e enxovalhadas; enquanto as baralhava, olhava por baixo dos olhos para o moço que lhe levava a alma e a vontade. Voltou três cartas e disse: — Não tenha medo; tudo há de correr bem.

Rita saiu aliviada. No dia seguinte, disse a Camilo que a cartomante confirmara a felicidade deles. Camilo, que não acreditava nessas coisas, achou graça; mas não lhe custou crer no sorriso da amiga.

No sábado, recebeu um bilhete de Vilela: pedia-lhe que fosse à sua casa, logo, sem demora. Camilo sentiu um calafrio. Ajuntou lembranças dispersas, recados estranhos, gestos vagos. Tinha medo; e, contudo, foi. No caminho, passou pela casa de Rita. Encontrou-a pálida.

— Vai — disse ela —, mas escreve-me logo. E, por favor, antes de ir, vem comigo à cartomante. Quero saber se há perigo.

Camilo cedeu. A cartomante disse-lhes coisas doces e vagas, que parecem talhadas para qualquer destino; e Rita respirou. Camilo riu, e saiu. Ao chegar à casa de Vilela, achou o amigo pálido, sereno, com os olhos fixos. — Entra — disse Vilela.

Entrou. Na sala ao lado, viu, estendida no sofá, Rita, com o peito manchado de sangue. Não teve um grito. Vilela, de costas, murmurou: — Era infiel. Logo depois, ouviu-se um estampido.

 

Fonte: https://machadodeassis.net/ - (Adaptado)

Qual é a função narrativa do bilhete urgente enviado por Vilela a Camilo? 
Alternativas
Q3763442 Português

Leia o texto e responda à questão.



“A Cartomante”

Machado de Assis

 


HAMLET observa a Horácio que há mais coisas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de novembro de 1869, quando este ria dela por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras.

— Ria, ria. Os homens são assim; não acreditam em nada. Pois saiba que fui, e que ela me disse coisas admiráveis.

Camilo ria; e, rindo, pegou-lhe nas mãos enluvadas, tão bonitas, que ele tinha vontade de as beijar. Não as beijou; mas ficou a olhá-las, com um ar de contemplação de artista. Rita retirou as mãos, e perguntou se ele ia vê-la no domingo.

— Vou.

— Jura?

— Juro.

Era mistificação. No domingo não podia ir; tinha que assistir a um jantar em casa de Vilela, seu amigo de infância, que se casara com Rita havia tempos. Camilo e Vilela eram íntimos; fora ele que os aproximara antes do casamento. Depois, afastou-se um pouco; via-os menos; até que, um dia, a convivência, o acaso e os olhos de Rita trouxeram o que trazem às vezes: uma dessas paixões que começam devagar e acabam depressa, ou começam depressa e acabam devagar.

Na véspera, Rita, inquieta de um recado anônimo, buscara a cartomante. A mulher morava em uma das ruas do centro, italiana, morena e magra, com grandes olhos. Abriu um baralho de cartas compridas e enxovalhadas; enquanto as baralhava, olhava por baixo dos olhos para o moço que lhe levava a alma e a vontade. Voltou três cartas e disse: — Não tenha medo; tudo há de correr bem.

Rita saiu aliviada. No dia seguinte, disse a Camilo que a cartomante confirmara a felicidade deles. Camilo, que não acreditava nessas coisas, achou graça; mas não lhe custou crer no sorriso da amiga.

No sábado, recebeu um bilhete de Vilela: pedia-lhe que fosse à sua casa, logo, sem demora. Camilo sentiu um calafrio. Ajuntou lembranças dispersas, recados estranhos, gestos vagos. Tinha medo; e, contudo, foi. No caminho, passou pela casa de Rita. Encontrou-a pálida.

— Vai — disse ela —, mas escreve-me logo. E, por favor, antes de ir, vem comigo à cartomante. Quero saber se há perigo.

Camilo cedeu. A cartomante disse-lhes coisas doces e vagas, que parecem talhadas para qualquer destino; e Rita respirou. Camilo riu, e saiu. Ao chegar à casa de Vilela, achou o amigo pálido, sereno, com os olhos fixos. — Entra — disse Vilela.

Entrou. Na sala ao lado, viu, estendida no sofá, Rita, com o peito manchado de sangue. Não teve um grito. Vilela, de costas, murmurou: — Era infiel. Logo depois, ouviu-se um estampido.

 

Fonte: https://machadodeassis.net/ - (Adaptado)

Considerando Rita, qual efeito imediato a consulta à cartomante produz na dinâmica do casal? 
Alternativas
Q3763441 Português

Leia o texto e responda à questão.



“A Cartomante”

Machado de Assis

 


HAMLET observa a Horácio que há mais coisas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de novembro de 1869, quando este ria dela por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras.

— Ria, ria. Os homens são assim; não acreditam em nada. Pois saiba que fui, e que ela me disse coisas admiráveis.

Camilo ria; e, rindo, pegou-lhe nas mãos enluvadas, tão bonitas, que ele tinha vontade de as beijar. Não as beijou; mas ficou a olhá-las, com um ar de contemplação de artista. Rita retirou as mãos, e perguntou se ele ia vê-la no domingo.

— Vou.

— Jura?

— Juro.

Era mistificação. No domingo não podia ir; tinha que assistir a um jantar em casa de Vilela, seu amigo de infância, que se casara com Rita havia tempos. Camilo e Vilela eram íntimos; fora ele que os aproximara antes do casamento. Depois, afastou-se um pouco; via-os menos; até que, um dia, a convivência, o acaso e os olhos de Rita trouxeram o que trazem às vezes: uma dessas paixões que começam devagar e acabam depressa, ou começam depressa e acabam devagar.

Na véspera, Rita, inquieta de um recado anônimo, buscara a cartomante. A mulher morava em uma das ruas do centro, italiana, morena e magra, com grandes olhos. Abriu um baralho de cartas compridas e enxovalhadas; enquanto as baralhava, olhava por baixo dos olhos para o moço que lhe levava a alma e a vontade. Voltou três cartas e disse: — Não tenha medo; tudo há de correr bem.

Rita saiu aliviada. No dia seguinte, disse a Camilo que a cartomante confirmara a felicidade deles. Camilo, que não acreditava nessas coisas, achou graça; mas não lhe custou crer no sorriso da amiga.

No sábado, recebeu um bilhete de Vilela: pedia-lhe que fosse à sua casa, logo, sem demora. Camilo sentiu um calafrio. Ajuntou lembranças dispersas, recados estranhos, gestos vagos. Tinha medo; e, contudo, foi. No caminho, passou pela casa de Rita. Encontrou-a pálida.

— Vai — disse ela —, mas escreve-me logo. E, por favor, antes de ir, vem comigo à cartomante. Quero saber se há perigo.

Camilo cedeu. A cartomante disse-lhes coisas doces e vagas, que parecem talhadas para qualquer destino; e Rita respirou. Camilo riu, e saiu. Ao chegar à casa de Vilela, achou o amigo pálido, sereno, com os olhos fixos. — Entra — disse Vilela.

Entrou. Na sala ao lado, viu, estendida no sofá, Rita, com o peito manchado de sangue. Não teve um grito. Vilela, de costas, murmurou: — Era infiel. Logo depois, ouviu-se um estampido.

 

Fonte: https://machadodeassis.net/ - (Adaptado)

No início do texto, a referência a Hamlet cumpre que função no sentido do conto?
Alternativas
Q3763390 Português
Morte


        Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma pada pronta. Morrer é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?

        Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer.

     A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um clichê.

      Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.

     Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?

     Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e amente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.

    Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.

     (Pedro Bial. Junho de 2006)
(PMLM/URCA 2025) Indique a alternativa em que haja erro de regência nominal.
Alternativas
Q3763388 Português
Morte


        Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma pada pronta. Morrer é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?

        Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer.

     A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um clichê.

      Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.

     Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?

     Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e amente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.

    Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.

     (Pedro Bial. Junho de 2006)
(PMLM/URCA 2025) Morrer cedo é uma transgressão. Dadas as palavras a seguir, escreve-se com SS:
Alternativas
Q3763387 Português
Morte


        Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma pada pronta. Morrer é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?

        Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer.

     A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um clichê.

      Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.

     Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?

     Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e amente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.

    Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.

     (Pedro Bial. Junho de 2006)

(PMLM/URCA 2025) Marque o item que completa as lacunas corretamente.


O ano é 2006, dia 17 de junho, em Vaterstetan - Alemanha,                   8h30, falece Bussunda. Ele estava                       apenas oito dias para completar quarenta anos.                       meia hora que                    TV noticia o fato. Todos que foram                     solenidade de despedida ouviram Bial dizer                     plateia que alguns episódios dispensam ensaios.                     muitas pessoas chorando. 

Alternativas
Q3763386 Português
Morte


        Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma pada pronta. Morrer é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?

        Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer.

     A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um clichê.

      Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.

     Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?

     Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e amente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.

    Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.

     (Pedro Bial. Junho de 2006)
(PMLM/URCA 2025) Observe as expressões, em seguida marque a opção que as preenchem corretamente.

               você mora que não veio despedir-se do amigo?
A morte é cruel                 . São afazes                  para vida de menos! 
O momento é de                 fala e                 riso.
Essa é uma atitude                  de pessoas maduras.
Alternativas
Q3763385 Português
Morte


        Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma pada pronta. Morrer é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?

        Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer.

     A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um clichê.

      Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.

     Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?

     Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e amente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.

    Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.

     (Pedro Bial. Junho de 2006)
(PMLM/URCA 2025) Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio. Recebe acentuação pela mesma regra do termo em destaque:
Alternativas
Q3763384 Português
Morte


        Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma pada pronta. Morrer é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?

        Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer.

     A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um clichê.

      Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.

     Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?

     Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e amente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.

    Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.

     (Pedro Bial. Junho de 2006)
(PMLM/URCA 2025) Ao utilizar: Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena., o autor quer dá ênfase...
Alternativas
Q3763383 Português
Morte


        Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma pada pronta. Morrer é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?

        Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer.

     A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um clichê.

      Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.

     Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?

     Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e amente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.

    Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.

     (Pedro Bial. Junho de 2006)
(PMLM/URCA 2025) Das proposições a seguir, qual recebe o acento grave assim como a expressão: cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida.
Alternativas
Q3763382 Português
Morte


        Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma pada pronta. Morrer é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?

        Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer.

     A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um clichê.

      Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.

     Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?

     Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e amente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.

    Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.

     (Pedro Bial. Junho de 2006)
(PMLM/URCA 2025) Na expressão: A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma piada pronta. O narrador demonstra:
Alternativas
Respostas
21201: B
21202: C
21203: D
21204: A
21205: B
21206: A
21207: A
21208: B
21209: E
21210: D
21211: C
21212: A
21213: C
21214: A
21215: D
21216: D
21217: A
21218: E
21219: C
21220: B