Questões de Concurso Sobre português

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Q3519655 Português

O manicômio vive dentro de nós



    No dia 18 de maio, comemora-se o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, data que lembra a mobilização do movimento da reforma psiquiátrica, iniciado na década de 1970, que reúne, desde então, pessoas com transtornos mentais, familiares, profissionais de saúde e setores da academia em prol de uma atenção à saúde humanizada e com respeito aos direitos fundamentais.


    No cuidado à pessoa com transtornos mentais, dois modelos estão em tensão. De um lado, a proposta de tratamento como segregação do louco do convívio familiar e social. De outro, parte-se da premissa de que é necessário priorizar a atenção ambulatorial e a convivência familiar e comunitária, sendo cabível a internação apenas mediante solicitação médica, quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes, tendo como objetivo a reinserção do paciente no meio social.


    As incoerências e as graves violações de direitos humanos pelas quais passaram os pacientes com transtornos mentais foram vastamente relatadas pelos pacientes e estão documentadas na literatura e no cinema. Apenas como referência, convidamos o leitor a se familiarizar e se conscientizar sobre o tema a partir da leitura de obras como “O Alienista”, de Machado de Assis, “Nos porões da loucura”, de Hiram Firmino, e, mais recente, o chocante livro “Holocausto Brasileiro”, de Daniela Arbex, que baseou o documentário produzido pela rede de TV HBO. Ainda, filmes como “O bicho de sete cabeças” e “Em nome da razão” são obras obrigatórias sobre o universo de violações de direitos vivido por pacientes psiquiátricos.


    A história revela que o isolamento e a institucionalização dos doentes rapidamente conduziram à superlotação de hospitais, que se tornaram depósitos de pessoas sem atenção clínica e psiquiátrica adequada, ao uso de práticas sem devido fundamento científico, à privação de liberdade, ao isolamento, à perda da privacidade e à violência, entre outras gravíssimas violações de direitos humanos.


    Muitas vezes, sequer, essas pessoas tiveram um diagnóstico adequado e justificativa para sua internação. Muitas dessas pessoas não encontraram a luz da porta de saída e morreram ainda no ambiente hospitalar. Teriam sido 60 mil apenas no Hospital Colônia de Barbacena, segundo nos conta Daniela Arbex.  


    Mesmo diante desses fatos, ainda hoje, muitas vozes, por vezes camuflando suas reais intenções, insistem em práticas segregacionistas, que “coisificam” o doente, que perde sua condição de pessoa e de sujeito de direitos. Não há dúvidas de que o cuidado com o paciente com transtornos mentais é complexo e impacta gravemente a vida de sua família. No entanto, a institucionalização e a segregação trazem tranquilidade apenas para a consciência daqueles que acreditam que “o que os olhos não veem o coração não sente”.


    Em visita ao Hospital Colônia de Barbacena, o jornalista Hiram Firmino testemunhou: “Não encontramos os loucos terríveis que supúnhamos encontrar. Mas seres humanos como nós. Pessoas que, fora das crises, vivem lúcidas o tempo todo”.


    Portanto, neste dia 18 de maio, proponho que lutemos contra o manicômio que está dentro de cada um de nós e que o poder público, em vez de admitir práticas que configuram retrocesso no cuidado das pessoas com transtornos mentais, esteja empenhado em fortalecer a Rede de Atenção Psicossocial do SUS (RAPS), promover a inclusão social, resgatar a cidadania e dispensar apoio intersetorial ao paciente e sua família.



(Luciano Moreira de Oliveira, Promotor de Justiça, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa da Saúde do MPMG, Estado de Minas. Em: maio de 2023.)

A inclusão de informações atribuídas a jornalistas e escritores, como ocorre no texto “O manicômio vive dentro de nós”, indica: 
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Q3519654 Português

O manicômio vive dentro de nós



    No dia 18 de maio, comemora-se o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, data que lembra a mobilização do movimento da reforma psiquiátrica, iniciado na década de 1970, que reúne, desde então, pessoas com transtornos mentais, familiares, profissionais de saúde e setores da academia em prol de uma atenção à saúde humanizada e com respeito aos direitos fundamentais.


    No cuidado à pessoa com transtornos mentais, dois modelos estão em tensão. De um lado, a proposta de tratamento como segregação do louco do convívio familiar e social. De outro, parte-se da premissa de que é necessário priorizar a atenção ambulatorial e a convivência familiar e comunitária, sendo cabível a internação apenas mediante solicitação médica, quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes, tendo como objetivo a reinserção do paciente no meio social.


    As incoerências e as graves violações de direitos humanos pelas quais passaram os pacientes com transtornos mentais foram vastamente relatadas pelos pacientes e estão documentadas na literatura e no cinema. Apenas como referência, convidamos o leitor a se familiarizar e se conscientizar sobre o tema a partir da leitura de obras como “O Alienista”, de Machado de Assis, “Nos porões da loucura”, de Hiram Firmino, e, mais recente, o chocante livro “Holocausto Brasileiro”, de Daniela Arbex, que baseou o documentário produzido pela rede de TV HBO. Ainda, filmes como “O bicho de sete cabeças” e “Em nome da razão” são obras obrigatórias sobre o universo de violações de direitos vivido por pacientes psiquiátricos.


    A história revela que o isolamento e a institucionalização dos doentes rapidamente conduziram à superlotação de hospitais, que se tornaram depósitos de pessoas sem atenção clínica e psiquiátrica adequada, ao uso de práticas sem devido fundamento científico, à privação de liberdade, ao isolamento, à perda da privacidade e à violência, entre outras gravíssimas violações de direitos humanos.


    Muitas vezes, sequer, essas pessoas tiveram um diagnóstico adequado e justificativa para sua internação. Muitas dessas pessoas não encontraram a luz da porta de saída e morreram ainda no ambiente hospitalar. Teriam sido 60 mil apenas no Hospital Colônia de Barbacena, segundo nos conta Daniela Arbex.  


    Mesmo diante desses fatos, ainda hoje, muitas vozes, por vezes camuflando suas reais intenções, insistem em práticas segregacionistas, que “coisificam” o doente, que perde sua condição de pessoa e de sujeito de direitos. Não há dúvidas de que o cuidado com o paciente com transtornos mentais é complexo e impacta gravemente a vida de sua família. No entanto, a institucionalização e a segregação trazem tranquilidade apenas para a consciência daqueles que acreditam que “o que os olhos não veem o coração não sente”.


    Em visita ao Hospital Colônia de Barbacena, o jornalista Hiram Firmino testemunhou: “Não encontramos os loucos terríveis que supúnhamos encontrar. Mas seres humanos como nós. Pessoas que, fora das crises, vivem lúcidas o tempo todo”.


    Portanto, neste dia 18 de maio, proponho que lutemos contra o manicômio que está dentro de cada um de nós e que o poder público, em vez de admitir práticas que configuram retrocesso no cuidado das pessoas com transtornos mentais, esteja empenhado em fortalecer a Rede de Atenção Psicossocial do SUS (RAPS), promover a inclusão social, resgatar a cidadania e dispensar apoio intersetorial ao paciente e sua família.



(Luciano Moreira de Oliveira, Promotor de Justiça, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa da Saúde do MPMG, Estado de Minas. Em: maio de 2023.)

A razão da ocorrência de crase em “[...] atenção à saúde humanizada [...]” (1º§) está corretamente indicada em:
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Q3519653 Português

O manicômio vive dentro de nós



    No dia 18 de maio, comemora-se o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, data que lembra a mobilização do movimento da reforma psiquiátrica, iniciado na década de 1970, que reúne, desde então, pessoas com transtornos mentais, familiares, profissionais de saúde e setores da academia em prol de uma atenção à saúde humanizada e com respeito aos direitos fundamentais.


    No cuidado à pessoa com transtornos mentais, dois modelos estão em tensão. De um lado, a proposta de tratamento como segregação do louco do convívio familiar e social. De outro, parte-se da premissa de que é necessário priorizar a atenção ambulatorial e a convivência familiar e comunitária, sendo cabível a internação apenas mediante solicitação médica, quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes, tendo como objetivo a reinserção do paciente no meio social.


    As incoerências e as graves violações de direitos humanos pelas quais passaram os pacientes com transtornos mentais foram vastamente relatadas pelos pacientes e estão documentadas na literatura e no cinema. Apenas como referência, convidamos o leitor a se familiarizar e se conscientizar sobre o tema a partir da leitura de obras como “O Alienista”, de Machado de Assis, “Nos porões da loucura”, de Hiram Firmino, e, mais recente, o chocante livro “Holocausto Brasileiro”, de Daniela Arbex, que baseou o documentário produzido pela rede de TV HBO. Ainda, filmes como “O bicho de sete cabeças” e “Em nome da razão” são obras obrigatórias sobre o universo de violações de direitos vivido por pacientes psiquiátricos.


    A história revela que o isolamento e a institucionalização dos doentes rapidamente conduziram à superlotação de hospitais, que se tornaram depósitos de pessoas sem atenção clínica e psiquiátrica adequada, ao uso de práticas sem devido fundamento científico, à privação de liberdade, ao isolamento, à perda da privacidade e à violência, entre outras gravíssimas violações de direitos humanos.


    Muitas vezes, sequer, essas pessoas tiveram um diagnóstico adequado e justificativa para sua internação. Muitas dessas pessoas não encontraram a luz da porta de saída e morreram ainda no ambiente hospitalar. Teriam sido 60 mil apenas no Hospital Colônia de Barbacena, segundo nos conta Daniela Arbex.  


    Mesmo diante desses fatos, ainda hoje, muitas vozes, por vezes camuflando suas reais intenções, insistem em práticas segregacionistas, que “coisificam” o doente, que perde sua condição de pessoa e de sujeito de direitos. Não há dúvidas de que o cuidado com o paciente com transtornos mentais é complexo e impacta gravemente a vida de sua família. No entanto, a institucionalização e a segregação trazem tranquilidade apenas para a consciência daqueles que acreditam que “o que os olhos não veem o coração não sente”.


    Em visita ao Hospital Colônia de Barbacena, o jornalista Hiram Firmino testemunhou: “Não encontramos os loucos terríveis que supúnhamos encontrar. Mas seres humanos como nós. Pessoas que, fora das crises, vivem lúcidas o tempo todo”.


    Portanto, neste dia 18 de maio, proponho que lutemos contra o manicômio que está dentro de cada um de nós e que o poder público, em vez de admitir práticas que configuram retrocesso no cuidado das pessoas com transtornos mentais, esteja empenhado em fortalecer a Rede de Atenção Psicossocial do SUS (RAPS), promover a inclusão social, resgatar a cidadania e dispensar apoio intersetorial ao paciente e sua família.



(Luciano Moreira de Oliveira, Promotor de Justiça, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa da Saúde do MPMG, Estado de Minas. Em: maio de 2023.)

Os termos destacados a seguir têm funções sintáticas equivalentes, EXCETO:
Alternativas
Q3519652 Português

O manicômio vive dentro de nós



    No dia 18 de maio, comemora-se o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, data que lembra a mobilização do movimento da reforma psiquiátrica, iniciado na década de 1970, que reúne, desde então, pessoas com transtornos mentais, familiares, profissionais de saúde e setores da academia em prol de uma atenção à saúde humanizada e com respeito aos direitos fundamentais.


    No cuidado à pessoa com transtornos mentais, dois modelos estão em tensão. De um lado, a proposta de tratamento como segregação do louco do convívio familiar e social. De outro, parte-se da premissa de que é necessário priorizar a atenção ambulatorial e a convivência familiar e comunitária, sendo cabível a internação apenas mediante solicitação médica, quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes, tendo como objetivo a reinserção do paciente no meio social.


    As incoerências e as graves violações de direitos humanos pelas quais passaram os pacientes com transtornos mentais foram vastamente relatadas pelos pacientes e estão documentadas na literatura e no cinema. Apenas como referência, convidamos o leitor a se familiarizar e se conscientizar sobre o tema a partir da leitura de obras como “O Alienista”, de Machado de Assis, “Nos porões da loucura”, de Hiram Firmino, e, mais recente, o chocante livro “Holocausto Brasileiro”, de Daniela Arbex, que baseou o documentário produzido pela rede de TV HBO. Ainda, filmes como “O bicho de sete cabeças” e “Em nome da razão” são obras obrigatórias sobre o universo de violações de direitos vivido por pacientes psiquiátricos.


    A história revela que o isolamento e a institucionalização dos doentes rapidamente conduziram à superlotação de hospitais, que se tornaram depósitos de pessoas sem atenção clínica e psiquiátrica adequada, ao uso de práticas sem devido fundamento científico, à privação de liberdade, ao isolamento, à perda da privacidade e à violência, entre outras gravíssimas violações de direitos humanos.


    Muitas vezes, sequer, essas pessoas tiveram um diagnóstico adequado e justificativa para sua internação. Muitas dessas pessoas não encontraram a luz da porta de saída e morreram ainda no ambiente hospitalar. Teriam sido 60 mil apenas no Hospital Colônia de Barbacena, segundo nos conta Daniela Arbex.  


    Mesmo diante desses fatos, ainda hoje, muitas vozes, por vezes camuflando suas reais intenções, insistem em práticas segregacionistas, que “coisificam” o doente, que perde sua condição de pessoa e de sujeito de direitos. Não há dúvidas de que o cuidado com o paciente com transtornos mentais é complexo e impacta gravemente a vida de sua família. No entanto, a institucionalização e a segregação trazem tranquilidade apenas para a consciência daqueles que acreditam que “o que os olhos não veem o coração não sente”.


    Em visita ao Hospital Colônia de Barbacena, o jornalista Hiram Firmino testemunhou: “Não encontramos os loucos terríveis que supúnhamos encontrar. Mas seres humanos como nós. Pessoas que, fora das crises, vivem lúcidas o tempo todo”.


    Portanto, neste dia 18 de maio, proponho que lutemos contra o manicômio que está dentro de cada um de nós e que o poder público, em vez de admitir práticas que configuram retrocesso no cuidado das pessoas com transtornos mentais, esteja empenhado em fortalecer a Rede de Atenção Psicossocial do SUS (RAPS), promover a inclusão social, resgatar a cidadania e dispensar apoio intersetorial ao paciente e sua família.



(Luciano Moreira de Oliveira, Promotor de Justiça, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa da Saúde do MPMG, Estado de Minas. Em: maio de 2023.)

O título do texto apresenta uma construção linguística que:




I. Por meio de figura de linguagem apresenta uma afirmativa subjetiva.



II. Desenvolve o pensamento crítico assim como o protagonismo do interlocutor.



III. Tem como objetivo provocar o interlocutor de forma a persuadi-lo quanto a uma possível leitura do texto.




Está correto o que se afirma em

Alternativas
Q3519335 Português
Leia o trecho: “O candidato falou bastante, porém, suas ideias não estavam claras.” Qual recurso de coesão textual foi utilizado?
Alternativas
Q3519334 Português
Leia a oração: “João estudou muito, mas não conseguiu aprovação.” A conjunção destacada introduz uma oração classificada como:
Alternativas
Q3519333 Português
Qual alternativa apresenta erro na concordância verbal segundo a norma padrão?
Alternativas
Q3519332 Português
Assinale a alternativa em que há erro na concordância nominal:
Alternativas
Q3519331 Português
A expressão “Coloca logo esse negócio aqui em cima da mesa!” apresenta qual variedade linguística?
Alternativas
Q3519330 Português
Assinale a alternativa em que o uso dos pronomes está de acordo com a norma padrão da língua portuguesa:
Alternativas
Q3519329 Português
Assinale a alternativa em que identifica, correta e respectivamente, as conjunções assinaladas do seguinte período: “Eu emprestei um livro de álgebra linear, pois gosto desse assunto, embora tenha certa dificuldade para compreendê-lo.” 
Alternativas
Q3519328 Português
Em qual alternativa a conjunção destacada estabelece relação de oposição?
Alternativas
Q3519327 Português
Leia o período a seguir e assinale a alternativa que interpreta corretamente a mensagem principal: “O importante não é vencer todos os dias, mas lutar sempre.” 
Alternativas
Q3519107 Português
Tantas são as velhas árvores

        Ainda não anoitecera e a notícia tinha sido confirmada. Parecia que uma nuvem de paz voltaria a reinar sobre a nossa casa e nossa família.

        Papai me pegou pela mão e diante de todos me sentou no colo. Balançou devagar a cadeira para que eu não ficasse tonto.

        — Tudo passou, meu filho. Tudo. Você um dia vai ser pai e vai também descobrir como são difíceis certos momentos na vida de um homem. Parece que nada dá certo, provocando um desespero interminável. Mas agora, não. Papai foi nomeado gerente da Fábrica de Santo Aleixo. Nunca mais vai faltar nada nos seus sapatinhos na noite de Natal.

        Fez uma pausa. Ele também nunca mais ia esquecer daquilo para o resto da vida.

        — Vamos viajar muito. Mamãe não precisará mais trabalhar, nem suas irmãs. Você ainda tem a medalha do índio?

        Remexi os bolsos e encontrei a medalha.

        — Pois bem, vou comprar de novo um relógio e colocar a medalha. Um dia será seu...

        “Portuga, você sabe o que é carborundum?”
        E Papai falava e falava sempre.
        Me fazia mal seu rasto barbado roçar no meu rosto. O cheiro que escapava da sua camisa muito usada me fazia arrepios. Fui escorregando pelos seus joelhos e caminhei para a porta da cozinha. Sentei-me nos degraus e contemplei o quintal com o morrer de todas as luzes. Meu coração se revoltara sem raiva. “Que quer esse homem que me pega no colo?” Ele não é meu pai. Meu pai morreu. O Mangaratiba matou ele.

        Papai tinha me seguido e viu que os meus olhos se encontravam de novo molhados.

        Quase se ajoelhou para falar comigo.

        — Não chore, meu filho. Nós vamos ter uma casa muito grande. Um rio de verdade passa bem atrás. Grandes árvores e tantas, que serão só suas. Você pode fazer, armar balanços.

        Ele não entendia. Ele não entendia. Nenhuma árvore deveria ser tão linda na vida, como a Rainha Carlota.

        — O primeiro a escolher as árvores, será você.

        Olhei os seus pés, os dedos saindo dos tamancos. Ele era uma velha árvore de raízes escuras. Era um pai-árvore. Mas uma árvore que eu quase não conhecia.

        — Depois tem mais. Tão cedo não vão cortar o seu pé de Laranja Lima. Quando o cortarem você estará longe e nem sentirá.

        Agarrei-me soluçando aos seus joelhos.

        — Não adianta, Papai. Não adianta...

        E olhando o seu rosto, que também se encontrava cheio de lágrimas, murmurei como um morto:

        — Já cortaram, Papai. Faz mais de uma semana que cortaram o meu pé de Laranja Lima.

VASCONCELOS, José Mauro de. Meu pé de laranja lima. São Paulo: Melhoramentos, 1975, pp.119-120. Com adaptações.

“Parecia que uma nuvem de paz voltaria a reinar sobre a nossa casa e nossa família” (1º§).


O termo destacado deve ser corretamente classificado como:

Alternativas
Q3519106 Português
Tantas são as velhas árvores

        Ainda não anoitecera e a notícia tinha sido confirmada. Parecia que uma nuvem de paz voltaria a reinar sobre a nossa casa e nossa família.

        Papai me pegou pela mão e diante de todos me sentou no colo. Balançou devagar a cadeira para que eu não ficasse tonto.

        — Tudo passou, meu filho. Tudo. Você um dia vai ser pai e vai também descobrir como são difíceis certos momentos na vida de um homem. Parece que nada dá certo, provocando um desespero interminável. Mas agora, não. Papai foi nomeado gerente da Fábrica de Santo Aleixo. Nunca mais vai faltar nada nos seus sapatinhos na noite de Natal.

        Fez uma pausa. Ele também nunca mais ia esquecer daquilo para o resto da vida.

        — Vamos viajar muito. Mamãe não precisará mais trabalhar, nem suas irmãs. Você ainda tem a medalha do índio?

        Remexi os bolsos e encontrei a medalha.

        — Pois bem, vou comprar de novo um relógio e colocar a medalha. Um dia será seu...

        “Portuga, você sabe o que é carborundum?”
        E Papai falava e falava sempre.
        Me fazia mal seu rasto barbado roçar no meu rosto. O cheiro que escapava da sua camisa muito usada me fazia arrepios. Fui escorregando pelos seus joelhos e caminhei para a porta da cozinha. Sentei-me nos degraus e contemplei o quintal com o morrer de todas as luzes. Meu coração se revoltara sem raiva. “Que quer esse homem que me pega no colo?” Ele não é meu pai. Meu pai morreu. O Mangaratiba matou ele.

        Papai tinha me seguido e viu que os meus olhos se encontravam de novo molhados.

        Quase se ajoelhou para falar comigo.

        — Não chore, meu filho. Nós vamos ter uma casa muito grande. Um rio de verdade passa bem atrás. Grandes árvores e tantas, que serão só suas. Você pode fazer, armar balanços.

        Ele não entendia. Ele não entendia. Nenhuma árvore deveria ser tão linda na vida, como a Rainha Carlota.

        — O primeiro a escolher as árvores, será você.

        Olhei os seus pés, os dedos saindo dos tamancos. Ele era uma velha árvore de raízes escuras. Era um pai-árvore. Mas uma árvore que eu quase não conhecia.

        — Depois tem mais. Tão cedo não vão cortar o seu pé de Laranja Lima. Quando o cortarem você estará longe e nem sentirá.

        Agarrei-me soluçando aos seus joelhos.

        — Não adianta, Papai. Não adianta...

        E olhando o seu rosto, que também se encontrava cheio de lágrimas, murmurei como um morto:

        — Já cortaram, Papai. Faz mais de uma semana que cortaram o meu pé de Laranja Lima.

VASCONCELOS, José Mauro de. Meu pé de laranja lima. São Paulo: Melhoramentos, 1975, pp.119-120. Com adaptações.
Um trecho no qual se pode reconhecer claramente o uso metafórico/simbólico da linguagem é:
Alternativas
Q3519105 Português
Tantas são as velhas árvores

        Ainda não anoitecera e a notícia tinha sido confirmada. Parecia que uma nuvem de paz voltaria a reinar sobre a nossa casa e nossa família.

        Papai me pegou pela mão e diante de todos me sentou no colo. Balançou devagar a cadeira para que eu não ficasse tonto.

        — Tudo passou, meu filho. Tudo. Você um dia vai ser pai e vai também descobrir como são difíceis certos momentos na vida de um homem. Parece que nada dá certo, provocando um desespero interminável. Mas agora, não. Papai foi nomeado gerente da Fábrica de Santo Aleixo. Nunca mais vai faltar nada nos seus sapatinhos na noite de Natal.

        Fez uma pausa. Ele também nunca mais ia esquecer daquilo para o resto da vida.

        — Vamos viajar muito. Mamãe não precisará mais trabalhar, nem suas irmãs. Você ainda tem a medalha do índio?

        Remexi os bolsos e encontrei a medalha.

        — Pois bem, vou comprar de novo um relógio e colocar a medalha. Um dia será seu...

        “Portuga, você sabe o que é carborundum?”
        E Papai falava e falava sempre.
        Me fazia mal seu rasto barbado roçar no meu rosto. O cheiro que escapava da sua camisa muito usada me fazia arrepios. Fui escorregando pelos seus joelhos e caminhei para a porta da cozinha. Sentei-me nos degraus e contemplei o quintal com o morrer de todas as luzes. Meu coração se revoltara sem raiva. “Que quer esse homem que me pega no colo?” Ele não é meu pai. Meu pai morreu. O Mangaratiba matou ele.

        Papai tinha me seguido e viu que os meus olhos se encontravam de novo molhados.

        Quase se ajoelhou para falar comigo.

        — Não chore, meu filho. Nós vamos ter uma casa muito grande. Um rio de verdade passa bem atrás. Grandes árvores e tantas, que serão só suas. Você pode fazer, armar balanços.

        Ele não entendia. Ele não entendia. Nenhuma árvore deveria ser tão linda na vida, como a Rainha Carlota.

        — O primeiro a escolher as árvores, será você.

        Olhei os seus pés, os dedos saindo dos tamancos. Ele era uma velha árvore de raízes escuras. Era um pai-árvore. Mas uma árvore que eu quase não conhecia.

        — Depois tem mais. Tão cedo não vão cortar o seu pé de Laranja Lima. Quando o cortarem você estará longe e nem sentirá.

        Agarrei-me soluçando aos seus joelhos.

        — Não adianta, Papai. Não adianta...

        E olhando o seu rosto, que também se encontrava cheio de lágrimas, murmurei como um morto:

        — Já cortaram, Papai. Faz mais de uma semana que cortaram o meu pé de Laranja Lima.

VASCONCELOS, José Mauro de. Meu pé de laranja lima. São Paulo: Melhoramentos, 1975, pp.119-120. Com adaptações.
As três ocorrências da palavra “muito” no texto são exemplos de advérbios. Marque a opção em que o termo destacado NÃO representa um advérbio:
Alternativas
Q3519104 Português
Tantas são as velhas árvores

        Ainda não anoitecera e a notícia tinha sido confirmada. Parecia que uma nuvem de paz voltaria a reinar sobre a nossa casa e nossa família.

        Papai me pegou pela mão e diante de todos me sentou no colo. Balançou devagar a cadeira para que eu não ficasse tonto.

        — Tudo passou, meu filho. Tudo. Você um dia vai ser pai e vai também descobrir como são difíceis certos momentos na vida de um homem. Parece que nada dá certo, provocando um desespero interminável. Mas agora, não. Papai foi nomeado gerente da Fábrica de Santo Aleixo. Nunca mais vai faltar nada nos seus sapatinhos na noite de Natal.

        Fez uma pausa. Ele também nunca mais ia esquecer daquilo para o resto da vida.

        — Vamos viajar muito. Mamãe não precisará mais trabalhar, nem suas irmãs. Você ainda tem a medalha do índio?

        Remexi os bolsos e encontrei a medalha.

        — Pois bem, vou comprar de novo um relógio e colocar a medalha. Um dia será seu...

        “Portuga, você sabe o que é carborundum?”
        E Papai falava e falava sempre.
        Me fazia mal seu rasto barbado roçar no meu rosto. O cheiro que escapava da sua camisa muito usada me fazia arrepios. Fui escorregando pelos seus joelhos e caminhei para a porta da cozinha. Sentei-me nos degraus e contemplei o quintal com o morrer de todas as luzes. Meu coração se revoltara sem raiva. “Que quer esse homem que me pega no colo?” Ele não é meu pai. Meu pai morreu. O Mangaratiba matou ele.

        Papai tinha me seguido e viu que os meus olhos se encontravam de novo molhados.

        Quase se ajoelhou para falar comigo.

        — Não chore, meu filho. Nós vamos ter uma casa muito grande. Um rio de verdade passa bem atrás. Grandes árvores e tantas, que serão só suas. Você pode fazer, armar balanços.

        Ele não entendia. Ele não entendia. Nenhuma árvore deveria ser tão linda na vida, como a Rainha Carlota.

        — O primeiro a escolher as árvores, será você.

        Olhei os seus pés, os dedos saindo dos tamancos. Ele era uma velha árvore de raízes escuras. Era um pai-árvore. Mas uma árvore que eu quase não conhecia.

        — Depois tem mais. Tão cedo não vão cortar o seu pé de Laranja Lima. Quando o cortarem você estará longe e nem sentirá.

        Agarrei-me soluçando aos seus joelhos.

        — Não adianta, Papai. Não adianta...

        E olhando o seu rosto, que também se encontrava cheio de lágrimas, murmurei como um morto:

        — Já cortaram, Papai. Faz mais de uma semana que cortaram o meu pé de Laranja Lima.

VASCONCELOS, José Mauro de. Meu pé de laranja lima. São Paulo: Melhoramentos, 1975, pp.119-120. Com adaptações.
Quanto ao título “Tantas são as velhas árvores”, o termo destacado desempenha função sintática de: 
Alternativas
Q3519103 Português
Tantas são as velhas árvores

        Ainda não anoitecera e a notícia tinha sido confirmada. Parecia que uma nuvem de paz voltaria a reinar sobre a nossa casa e nossa família.

        Papai me pegou pela mão e diante de todos me sentou no colo. Balançou devagar a cadeira para que eu não ficasse tonto.

        — Tudo passou, meu filho. Tudo. Você um dia vai ser pai e vai também descobrir como são difíceis certos momentos na vida de um homem. Parece que nada dá certo, provocando um desespero interminável. Mas agora, não. Papai foi nomeado gerente da Fábrica de Santo Aleixo. Nunca mais vai faltar nada nos seus sapatinhos na noite de Natal.

        Fez uma pausa. Ele também nunca mais ia esquecer daquilo para o resto da vida.

        — Vamos viajar muito. Mamãe não precisará mais trabalhar, nem suas irmãs. Você ainda tem a medalha do índio?

        Remexi os bolsos e encontrei a medalha.

        — Pois bem, vou comprar de novo um relógio e colocar a medalha. Um dia será seu...

        “Portuga, você sabe o que é carborundum?”
        E Papai falava e falava sempre.
        Me fazia mal seu rasto barbado roçar no meu rosto. O cheiro que escapava da sua camisa muito usada me fazia arrepios. Fui escorregando pelos seus joelhos e caminhei para a porta da cozinha. Sentei-me nos degraus e contemplei o quintal com o morrer de todas as luzes. Meu coração se revoltara sem raiva. “Que quer esse homem que me pega no colo?” Ele não é meu pai. Meu pai morreu. O Mangaratiba matou ele.

        Papai tinha me seguido e viu que os meus olhos se encontravam de novo molhados.

        Quase se ajoelhou para falar comigo.

        — Não chore, meu filho. Nós vamos ter uma casa muito grande. Um rio de verdade passa bem atrás. Grandes árvores e tantas, que serão só suas. Você pode fazer, armar balanços.

        Ele não entendia. Ele não entendia. Nenhuma árvore deveria ser tão linda na vida, como a Rainha Carlota.

        — O primeiro a escolher as árvores, será você.

        Olhei os seus pés, os dedos saindo dos tamancos. Ele era uma velha árvore de raízes escuras. Era um pai-árvore. Mas uma árvore que eu quase não conhecia.

        — Depois tem mais. Tão cedo não vão cortar o seu pé de Laranja Lima. Quando o cortarem você estará longe e nem sentirá.

        Agarrei-me soluçando aos seus joelhos.

        — Não adianta, Papai. Não adianta...

        E olhando o seu rosto, que também se encontrava cheio de lágrimas, murmurei como um morto:

        — Já cortaram, Papai. Faz mais de uma semana que cortaram o meu pé de Laranja Lima.

VASCONCELOS, José Mauro de. Meu pé de laranja lima. São Paulo: Melhoramentos, 1975, pp.119-120. Com adaptações.
Uma característica do tipo narrativo que NÃO está presente no texto é:
Alternativas
Q3519102 Português
Festival Intermunicipal de Malha em Piraju

    Neste domingo, dia 23/02, a partir das 8 da manhã, no Clube da Malha em Piraju, ocorre o Festival Intermunicipal de Malha 2025, com premiação em troféus e medalhas, coordenação de Octávio Alves e realização do Departamento Municipal de Esportes e Lazer. O clube da malha está ao lado do Centro de Lazer Dr. Luiz Ferreira de Oliveira na Vila Cantizni em Piraju. Entrada franca.

Disponível em <https://www.estanciadepiraju.sp.gov.br/vernoticia/festival-intermunicipal-de-malha-em-piraju>.
Acesso em 09/03/2025. Com adaptações.
“O clube da malha está ao lado do Centro de Lazer Dr. Luiz Ferreira de Oliveira na Vila Cantizni em Piraju”.
O termo em destaque é sintaticamente equivalente a um: 
Alternativas
Q3519101 Português
Festival Intermunicipal de Malha em Piraju

    Neste domingo, dia 23/02, a partir das 8 da manhã, no Clube da Malha em Piraju, ocorre o Festival Intermunicipal de Malha 2025, com premiação em troféus e medalhas, coordenação de Octávio Alves e realização do Departamento Municipal de Esportes e Lazer. O clube da malha está ao lado do Centro de Lazer Dr. Luiz Ferreira de Oliveira na Vila Cantizni em Piraju. Entrada franca.

Disponível em <https://www.estanciadepiraju.sp.gov.br/vernoticia/festival-intermunicipal-de-malha-em-piraju>.
Acesso em 09/03/2025. Com adaptações.
“O clube da malha está ao lado do Centro de Lazer Dr. Luiz Ferreira de Oliveira na Vila Cantizni em Piraju”.
A expressão em destaque, considerado o núcleo ao qual se liga, deve ser classificada morfologicamente como uma locução de valor:
Alternativas
Respostas
31981: A
31982: D
31983: C
31984: C
31985: D
31986: B
31987: A
31988: D
31989: B
31990: C
31991: A
31992: B
31993: C
31994: B
31995: D
31996: B
31997: A
31998: C
31999: D
32000: C