Questões de Concurso Sobre português

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Q4355295 Português
Cérebro em marcha lenta: os riscos do uso indevido da IA


        Um estudo recentemente publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, chamou a atenção dos educadores: o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários por quatro meses, dividindo-os em três grupos – os que usavam a IA para redigir textos; para mecanismos de busca e, por fim, um grupo que produzia redações sem lançar mão dos recursos digitais. A conclusão mostrou que, quanto mais intensa a utilização da IA, menor o engajamento neural, linguístico e menor a atividade cerebral. Principalmente, mostrou que há sinais de dependência e menor autonomia cognitiva.

        A pesquisa feita pelo MIT é apenas um exemplo de uma preocupação crescente de cientistas – e também de educadores – de investigar mais profundamente os impactos da difusão de recursos de inteligência artificial, em particular os chats, que hoje permitem a geração de textos e imagens com velocidade e qualidade mais do que surpreendentes. Será que estamos prestes a criar uma geração de humanos com dificuldades de memorizar, pensar criticamente, aprender?

        Os pesquisadores são unânimes em assumir que a IA veio para ficar – e tende a se aprimorar em velocidade desconhecida –, mas alertam reiteradamente para uma postura ativa da sociedade em compreender o impacto desses novos recursos, discernindo entre os hábitos que simplesmente delegam à tecnologia funções que antes eram esperadas do cérebro humano, e atitudes que promovem o pensamento crítico, potencializado pelo uso da IA. Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, ainda sofrem da falta de séries históricas comparativas e da complexidade de um tema apenas emergente.

      Ao mesmo tempo que acompanha os estudos mais recentes, a professora e pós-doutora em Psiquiatria pela USP, Telma Pantano, também observa as transformações cotidianas de seus alunos de graduação. “Eu tenho visto uma dificuldade muito grande dos alunos na produção, na criação, na estruturação do pensamento, nos últimos dois anos”, diz.

        Por isso, a estratégia da qual Telma lançou mão é pedir que os jovens escrevam à mão suas produções – o que, invariavelmente, provoca um enorme susto. “Quando não permitimos que usem a inteligência artificial, ficam bloqueados e se perguntam por onde começam, como se o acesso às redes neurais próprias não tivesse sido estimulado”, conta a professora.

        Segundo Telma Pantano, as pesquisas têm mostrado uma diferença muito importante entre pessoas que usam inteligência artificial para responder questões e para adquirir conhecimento e aquelas que usam inteligência artificial para resolver as atividades por elas. “Uma coisa é utilizar a inteligência artificial como fonte de organização e de busca. Outra é usar a inteligência artificial como se fosse a minha produção”, resume. Conforme a pesquisadora, os estudos vêm provando que o uso da IA pode levar a menor mobilização de recursos cognitivos.

        Embora a IA tenha adicionado um sentido de urgência às pesquisas, inclusive pela rapidez com que se difundiu, não é de hoje que os cientistas se preocupam com os efeitos do crescente uso de recursos digitais. Em alguns casos, vêm enfatizando a importância de se preservar aspectos que hoje parecem ultrapassados.

        Em 2024, por exemplo, estudo realizado por universidades norueguesas revelou que escrever à mão – como propôs Telma Pantano a seus alunos – traz um impacto positivo ao aprendizado. Analisando as atividades cerebrais, os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro essenciais para o aprendizado, como aquelas ligadas à memória e ao processo de informações visuais, bem como do funcionamento motor.
        
        Por que isso acontece? Entre outras razões, porque o ato de escrever à mão leva a uma complexa mobilização do corpo humano: o movimento dos dedos, o encadeamento motor, do aparelho visual e do cérebro, o tato para a pressão correta do lápis ou da caneta, o que requer uma coordenação de incontáveis processos.

        O impacto do digital não se resume à abdicação do uso da terceirização da própria inteligência para a IA, nem mesmo pela importância de se preservar processos que implicam a interação corpo e mente. O fenômeno é tão complexo que os cientistas vêm fazendo alertas sobre o declínio de capacidades como a da leitura de textos longos.

        Para Telma Pantano, o uso da IA como uma forma atual da lei do menor esforço é de certa forma esperada. O cérebro humano quer produzir mais com o menor dispêndio de energia. “Assim, a inteligência artificial é muito confortável porque num curto período de tempo, eu consigo respostas”, diz Telma. Mas, no atual contexto, o risco é grande. “Quanto mais fizermos uso de recursos automatizados, menor estímulo dedicaremos aos meios cognitivos internos de busca e produção de conhecimento”, diz.

        Por isso, a seu ver, o papel dos professores e dos gestores é essencial. “Precisamos ensinar a criança e o adolescente, devemos mostrar que a IA não pode ser o final do processo, mas o meio. Caso contrário, os alunos não serão capazes de produzir, inovar, fazer algo diferente, pois o cérebro não estará preparado”, diz.

(Por: Paulo de Camargo. Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
A palavra “produção” (4º§) apresenta o mesmo processo morfológico de “mobilização” e de “organização” (6º§). Esse grupo de palavras é formado morfologicamente pelo processo de:
Alternativas
Q4355294 Português
Cérebro em marcha lenta: os riscos do uso indevido da IA


        Um estudo recentemente publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, chamou a atenção dos educadores: o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários por quatro meses, dividindo-os em três grupos – os que usavam a IA para redigir textos; para mecanismos de busca e, por fim, um grupo que produzia redações sem lançar mão dos recursos digitais. A conclusão mostrou que, quanto mais intensa a utilização da IA, menor o engajamento neural, linguístico e menor a atividade cerebral. Principalmente, mostrou que há sinais de dependência e menor autonomia cognitiva.

        A pesquisa feita pelo MIT é apenas um exemplo de uma preocupação crescente de cientistas – e também de educadores – de investigar mais profundamente os impactos da difusão de recursos de inteligência artificial, em particular os chats, que hoje permitem a geração de textos e imagens com velocidade e qualidade mais do que surpreendentes. Será que estamos prestes a criar uma geração de humanos com dificuldades de memorizar, pensar criticamente, aprender?

        Os pesquisadores são unânimes em assumir que a IA veio para ficar – e tende a se aprimorar em velocidade desconhecida –, mas alertam reiteradamente para uma postura ativa da sociedade em compreender o impacto desses novos recursos, discernindo entre os hábitos que simplesmente delegam à tecnologia funções que antes eram esperadas do cérebro humano, e atitudes que promovem o pensamento crítico, potencializado pelo uso da IA. Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, ainda sofrem da falta de séries históricas comparativas e da complexidade de um tema apenas emergente.

      Ao mesmo tempo que acompanha os estudos mais recentes, a professora e pós-doutora em Psiquiatria pela USP, Telma Pantano, também observa as transformações cotidianas de seus alunos de graduação. “Eu tenho visto uma dificuldade muito grande dos alunos na produção, na criação, na estruturação do pensamento, nos últimos dois anos”, diz.

        Por isso, a estratégia da qual Telma lançou mão é pedir que os jovens escrevam à mão suas produções – o que, invariavelmente, provoca um enorme susto. “Quando não permitimos que usem a inteligência artificial, ficam bloqueados e se perguntam por onde começam, como se o acesso às redes neurais próprias não tivesse sido estimulado”, conta a professora.

        Segundo Telma Pantano, as pesquisas têm mostrado uma diferença muito importante entre pessoas que usam inteligência artificial para responder questões e para adquirir conhecimento e aquelas que usam inteligência artificial para resolver as atividades por elas. “Uma coisa é utilizar a inteligência artificial como fonte de organização e de busca. Outra é usar a inteligência artificial como se fosse a minha produção”, resume. Conforme a pesquisadora, os estudos vêm provando que o uso da IA pode levar a menor mobilização de recursos cognitivos.

        Embora a IA tenha adicionado um sentido de urgência às pesquisas, inclusive pela rapidez com que se difundiu, não é de hoje que os cientistas se preocupam com os efeitos do crescente uso de recursos digitais. Em alguns casos, vêm enfatizando a importância de se preservar aspectos que hoje parecem ultrapassados.

        Em 2024, por exemplo, estudo realizado por universidades norueguesas revelou que escrever à mão – como propôs Telma Pantano a seus alunos – traz um impacto positivo ao aprendizado. Analisando as atividades cerebrais, os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro essenciais para o aprendizado, como aquelas ligadas à memória e ao processo de informações visuais, bem como do funcionamento motor.
        
        Por que isso acontece? Entre outras razões, porque o ato de escrever à mão leva a uma complexa mobilização do corpo humano: o movimento dos dedos, o encadeamento motor, do aparelho visual e do cérebro, o tato para a pressão correta do lápis ou da caneta, o que requer uma coordenação de incontáveis processos.

        O impacto do digital não se resume à abdicação do uso da terceirização da própria inteligência para a IA, nem mesmo pela importância de se preservar processos que implicam a interação corpo e mente. O fenômeno é tão complexo que os cientistas vêm fazendo alertas sobre o declínio de capacidades como a da leitura de textos longos.

        Para Telma Pantano, o uso da IA como uma forma atual da lei do menor esforço é de certa forma esperada. O cérebro humano quer produzir mais com o menor dispêndio de energia. “Assim, a inteligência artificial é muito confortável porque num curto período de tempo, eu consigo respostas”, diz Telma. Mas, no atual contexto, o risco é grande. “Quanto mais fizermos uso de recursos automatizados, menor estímulo dedicaremos aos meios cognitivos internos de busca e produção de conhecimento”, diz.

        Por isso, a seu ver, o papel dos professores e dos gestores é essencial. “Precisamos ensinar a criança e o adolescente, devemos mostrar que a IA não pode ser o final do processo, mas o meio. Caso contrário, os alunos não serão capazes de produzir, inovar, fazer algo diferente, pois o cérebro não estará preparado”, diz.

(Por: Paulo de Camargo. Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
No texto, a função referencial da linguagem se manifesta com maior evidência ao: 
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Q4355293 Português
Cérebro em marcha lenta: os riscos do uso indevido da IA


        Um estudo recentemente publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, chamou a atenção dos educadores: o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários por quatro meses, dividindo-os em três grupos – os que usavam a IA para redigir textos; para mecanismos de busca e, por fim, um grupo que produzia redações sem lançar mão dos recursos digitais. A conclusão mostrou que, quanto mais intensa a utilização da IA, menor o engajamento neural, linguístico e menor a atividade cerebral. Principalmente, mostrou que há sinais de dependência e menor autonomia cognitiva.

        A pesquisa feita pelo MIT é apenas um exemplo de uma preocupação crescente de cientistas – e também de educadores – de investigar mais profundamente os impactos da difusão de recursos de inteligência artificial, em particular os chats, que hoje permitem a geração de textos e imagens com velocidade e qualidade mais do que surpreendentes. Será que estamos prestes a criar uma geração de humanos com dificuldades de memorizar, pensar criticamente, aprender?

        Os pesquisadores são unânimes em assumir que a IA veio para ficar – e tende a se aprimorar em velocidade desconhecida –, mas alertam reiteradamente para uma postura ativa da sociedade em compreender o impacto desses novos recursos, discernindo entre os hábitos que simplesmente delegam à tecnologia funções que antes eram esperadas do cérebro humano, e atitudes que promovem o pensamento crítico, potencializado pelo uso da IA. Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, ainda sofrem da falta de séries históricas comparativas e da complexidade de um tema apenas emergente.

      Ao mesmo tempo que acompanha os estudos mais recentes, a professora e pós-doutora em Psiquiatria pela USP, Telma Pantano, também observa as transformações cotidianas de seus alunos de graduação. “Eu tenho visto uma dificuldade muito grande dos alunos na produção, na criação, na estruturação do pensamento, nos últimos dois anos”, diz.

        Por isso, a estratégia da qual Telma lançou mão é pedir que os jovens escrevam à mão suas produções – o que, invariavelmente, provoca um enorme susto. “Quando não permitimos que usem a inteligência artificial, ficam bloqueados e se perguntam por onde começam, como se o acesso às redes neurais próprias não tivesse sido estimulado”, conta a professora.

        Segundo Telma Pantano, as pesquisas têm mostrado uma diferença muito importante entre pessoas que usam inteligência artificial para responder questões e para adquirir conhecimento e aquelas que usam inteligência artificial para resolver as atividades por elas. “Uma coisa é utilizar a inteligência artificial como fonte de organização e de busca. Outra é usar a inteligência artificial como se fosse a minha produção”, resume. Conforme a pesquisadora, os estudos vêm provando que o uso da IA pode levar a menor mobilização de recursos cognitivos.

        Embora a IA tenha adicionado um sentido de urgência às pesquisas, inclusive pela rapidez com que se difundiu, não é de hoje que os cientistas se preocupam com os efeitos do crescente uso de recursos digitais. Em alguns casos, vêm enfatizando a importância de se preservar aspectos que hoje parecem ultrapassados.

        Em 2024, por exemplo, estudo realizado por universidades norueguesas revelou que escrever à mão – como propôs Telma Pantano a seus alunos – traz um impacto positivo ao aprendizado. Analisando as atividades cerebrais, os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro essenciais para o aprendizado, como aquelas ligadas à memória e ao processo de informações visuais, bem como do funcionamento motor.
        
        Por que isso acontece? Entre outras razões, porque o ato de escrever à mão leva a uma complexa mobilização do corpo humano: o movimento dos dedos, o encadeamento motor, do aparelho visual e do cérebro, o tato para a pressão correta do lápis ou da caneta, o que requer uma coordenação de incontáveis processos.

        O impacto do digital não se resume à abdicação do uso da terceirização da própria inteligência para a IA, nem mesmo pela importância de se preservar processos que implicam a interação corpo e mente. O fenômeno é tão complexo que os cientistas vêm fazendo alertas sobre o declínio de capacidades como a da leitura de textos longos.

        Para Telma Pantano, o uso da IA como uma forma atual da lei do menor esforço é de certa forma esperada. O cérebro humano quer produzir mais com o menor dispêndio de energia. “Assim, a inteligência artificial é muito confortável porque num curto período de tempo, eu consigo respostas”, diz Telma. Mas, no atual contexto, o risco é grande. “Quanto mais fizermos uso de recursos automatizados, menor estímulo dedicaremos aos meios cognitivos internos de busca e produção de conhecimento”, diz.

        Por isso, a seu ver, o papel dos professores e dos gestores é essencial. “Precisamos ensinar a criança e o adolescente, devemos mostrar que a IA não pode ser o final do processo, mas o meio. Caso contrário, os alunos não serão capazes de produzir, inovar, fazer algo diferente, pois o cérebro não estará preparado”, diz.

(Por: Paulo de Camargo. Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
No 11º§, Telma Pantano destaca que o cérebro humano busca produzir mais com o menor dispêndio de energia (“lei do menor esforço”). No contexto da discussão sobre o uso da IA, essa característica biológica é apresentada como um(a):
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Q4355292 Português
Cérebro em marcha lenta: os riscos do uso indevido da IA


        Um estudo recentemente publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, chamou a atenção dos educadores: o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários por quatro meses, dividindo-os em três grupos – os que usavam a IA para redigir textos; para mecanismos de busca e, por fim, um grupo que produzia redações sem lançar mão dos recursos digitais. A conclusão mostrou que, quanto mais intensa a utilização da IA, menor o engajamento neural, linguístico e menor a atividade cerebral. Principalmente, mostrou que há sinais de dependência e menor autonomia cognitiva.

        A pesquisa feita pelo MIT é apenas um exemplo de uma preocupação crescente de cientistas – e também de educadores – de investigar mais profundamente os impactos da difusão de recursos de inteligência artificial, em particular os chats, que hoje permitem a geração de textos e imagens com velocidade e qualidade mais do que surpreendentes. Será que estamos prestes a criar uma geração de humanos com dificuldades de memorizar, pensar criticamente, aprender?

        Os pesquisadores são unânimes em assumir que a IA veio para ficar – e tende a se aprimorar em velocidade desconhecida –, mas alertam reiteradamente para uma postura ativa da sociedade em compreender o impacto desses novos recursos, discernindo entre os hábitos que simplesmente delegam à tecnologia funções que antes eram esperadas do cérebro humano, e atitudes que promovem o pensamento crítico, potencializado pelo uso da IA. Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, ainda sofrem da falta de séries históricas comparativas e da complexidade de um tema apenas emergente.

      Ao mesmo tempo que acompanha os estudos mais recentes, a professora e pós-doutora em Psiquiatria pela USP, Telma Pantano, também observa as transformações cotidianas de seus alunos de graduação. “Eu tenho visto uma dificuldade muito grande dos alunos na produção, na criação, na estruturação do pensamento, nos últimos dois anos”, diz.

        Por isso, a estratégia da qual Telma lançou mão é pedir que os jovens escrevam à mão suas produções – o que, invariavelmente, provoca um enorme susto. “Quando não permitimos que usem a inteligência artificial, ficam bloqueados e se perguntam por onde começam, como se o acesso às redes neurais próprias não tivesse sido estimulado”, conta a professora.

        Segundo Telma Pantano, as pesquisas têm mostrado uma diferença muito importante entre pessoas que usam inteligência artificial para responder questões e para adquirir conhecimento e aquelas que usam inteligência artificial para resolver as atividades por elas. “Uma coisa é utilizar a inteligência artificial como fonte de organização e de busca. Outra é usar a inteligência artificial como se fosse a minha produção”, resume. Conforme a pesquisadora, os estudos vêm provando que o uso da IA pode levar a menor mobilização de recursos cognitivos.

        Embora a IA tenha adicionado um sentido de urgência às pesquisas, inclusive pela rapidez com que se difundiu, não é de hoje que os cientistas se preocupam com os efeitos do crescente uso de recursos digitais. Em alguns casos, vêm enfatizando a importância de se preservar aspectos que hoje parecem ultrapassados.

        Em 2024, por exemplo, estudo realizado por universidades norueguesas revelou que escrever à mão – como propôs Telma Pantano a seus alunos – traz um impacto positivo ao aprendizado. Analisando as atividades cerebrais, os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro essenciais para o aprendizado, como aquelas ligadas à memória e ao processo de informações visuais, bem como do funcionamento motor.
        
        Por que isso acontece? Entre outras razões, porque o ato de escrever à mão leva a uma complexa mobilização do corpo humano: o movimento dos dedos, o encadeamento motor, do aparelho visual e do cérebro, o tato para a pressão correta do lápis ou da caneta, o que requer uma coordenação de incontáveis processos.

        O impacto do digital não se resume à abdicação do uso da terceirização da própria inteligência para a IA, nem mesmo pela importância de se preservar processos que implicam a interação corpo e mente. O fenômeno é tão complexo que os cientistas vêm fazendo alertas sobre o declínio de capacidades como a da leitura de textos longos.

        Para Telma Pantano, o uso da IA como uma forma atual da lei do menor esforço é de certa forma esperada. O cérebro humano quer produzir mais com o menor dispêndio de energia. “Assim, a inteligência artificial é muito confortável porque num curto período de tempo, eu consigo respostas”, diz Telma. Mas, no atual contexto, o risco é grande. “Quanto mais fizermos uso de recursos automatizados, menor estímulo dedicaremos aos meios cognitivos internos de busca e produção de conhecimento”, diz.

        Por isso, a seu ver, o papel dos professores e dos gestores é essencial. “Precisamos ensinar a criança e o adolescente, devemos mostrar que a IA não pode ser o final do processo, mas o meio. Caso contrário, os alunos não serão capazes de produzir, inovar, fazer algo diferente, pois o cérebro não estará preparado”, diz.

(Por: Paulo de Camargo. Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
No excerto: “[...] os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro [...]” (8º§), considerando a transitividade do verbo “identificar” nesse contexto, a conversão de tal estrutura para a voz passiva analítica, com preservação do sentido, do tempo verbal e da norma-padrão está corretamente indicada em:
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Q4355291 Português
Cérebro em marcha lenta: os riscos do uso indevido da IA


        Um estudo recentemente publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, chamou a atenção dos educadores: o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários por quatro meses, dividindo-os em três grupos – os que usavam a IA para redigir textos; para mecanismos de busca e, por fim, um grupo que produzia redações sem lançar mão dos recursos digitais. A conclusão mostrou que, quanto mais intensa a utilização da IA, menor o engajamento neural, linguístico e menor a atividade cerebral. Principalmente, mostrou que há sinais de dependência e menor autonomia cognitiva.

        A pesquisa feita pelo MIT é apenas um exemplo de uma preocupação crescente de cientistas – e também de educadores – de investigar mais profundamente os impactos da difusão de recursos de inteligência artificial, em particular os chats, que hoje permitem a geração de textos e imagens com velocidade e qualidade mais do que surpreendentes. Será que estamos prestes a criar uma geração de humanos com dificuldades de memorizar, pensar criticamente, aprender?

        Os pesquisadores são unânimes em assumir que a IA veio para ficar – e tende a se aprimorar em velocidade desconhecida –, mas alertam reiteradamente para uma postura ativa da sociedade em compreender o impacto desses novos recursos, discernindo entre os hábitos que simplesmente delegam à tecnologia funções que antes eram esperadas do cérebro humano, e atitudes que promovem o pensamento crítico, potencializado pelo uso da IA. Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, ainda sofrem da falta de séries históricas comparativas e da complexidade de um tema apenas emergente.

      Ao mesmo tempo que acompanha os estudos mais recentes, a professora e pós-doutora em Psiquiatria pela USP, Telma Pantano, também observa as transformações cotidianas de seus alunos de graduação. “Eu tenho visto uma dificuldade muito grande dos alunos na produção, na criação, na estruturação do pensamento, nos últimos dois anos”, diz.

        Por isso, a estratégia da qual Telma lançou mão é pedir que os jovens escrevam à mão suas produções – o que, invariavelmente, provoca um enorme susto. “Quando não permitimos que usem a inteligência artificial, ficam bloqueados e se perguntam por onde começam, como se o acesso às redes neurais próprias não tivesse sido estimulado”, conta a professora.

        Segundo Telma Pantano, as pesquisas têm mostrado uma diferença muito importante entre pessoas que usam inteligência artificial para responder questões e para adquirir conhecimento e aquelas que usam inteligência artificial para resolver as atividades por elas. “Uma coisa é utilizar a inteligência artificial como fonte de organização e de busca. Outra é usar a inteligência artificial como se fosse a minha produção”, resume. Conforme a pesquisadora, os estudos vêm provando que o uso da IA pode levar a menor mobilização de recursos cognitivos.

        Embora a IA tenha adicionado um sentido de urgência às pesquisas, inclusive pela rapidez com que se difundiu, não é de hoje que os cientistas se preocupam com os efeitos do crescente uso de recursos digitais. Em alguns casos, vêm enfatizando a importância de se preservar aspectos que hoje parecem ultrapassados.

        Em 2024, por exemplo, estudo realizado por universidades norueguesas revelou que escrever à mão – como propôs Telma Pantano a seus alunos – traz um impacto positivo ao aprendizado. Analisando as atividades cerebrais, os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro essenciais para o aprendizado, como aquelas ligadas à memória e ao processo de informações visuais, bem como do funcionamento motor.
        
        Por que isso acontece? Entre outras razões, porque o ato de escrever à mão leva a uma complexa mobilização do corpo humano: o movimento dos dedos, o encadeamento motor, do aparelho visual e do cérebro, o tato para a pressão correta do lápis ou da caneta, o que requer uma coordenação de incontáveis processos.

        O impacto do digital não se resume à abdicação do uso da terceirização da própria inteligência para a IA, nem mesmo pela importância de se preservar processos que implicam a interação corpo e mente. O fenômeno é tão complexo que os cientistas vêm fazendo alertas sobre o declínio de capacidades como a da leitura de textos longos.

        Para Telma Pantano, o uso da IA como uma forma atual da lei do menor esforço é de certa forma esperada. O cérebro humano quer produzir mais com o menor dispêndio de energia. “Assim, a inteligência artificial é muito confortável porque num curto período de tempo, eu consigo respostas”, diz Telma. Mas, no atual contexto, o risco é grande. “Quanto mais fizermos uso de recursos automatizados, menor estímulo dedicaremos aos meios cognitivos internos de busca e produção de conhecimento”, diz.

        Por isso, a seu ver, o papel dos professores e dos gestores é essencial. “Precisamos ensinar a criança e o adolescente, devemos mostrar que a IA não pode ser o final do processo, mas o meio. Caso contrário, os alunos não serão capazes de produzir, inovar, fazer algo diferente, pois o cérebro não estará preparado”, diz.

(Por: Paulo de Camargo. Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
A principal finalidade comunicativa do texto “Cérebro em marcha lenta: os riscos do uso indevido da IA” é: 
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Q4355290 Português
Cérebro em marcha lenta: os riscos do uso indevido da IA


        Um estudo recentemente publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, chamou a atenção dos educadores: o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários por quatro meses, dividindo-os em três grupos – os que usavam a IA para redigir textos; para mecanismos de busca e, por fim, um grupo que produzia redações sem lançar mão dos recursos digitais. A conclusão mostrou que, quanto mais intensa a utilização da IA, menor o engajamento neural, linguístico e menor a atividade cerebral. Principalmente, mostrou que há sinais de dependência e menor autonomia cognitiva.

        A pesquisa feita pelo MIT é apenas um exemplo de uma preocupação crescente de cientistas – e também de educadores – de investigar mais profundamente os impactos da difusão de recursos de inteligência artificial, em particular os chats, que hoje permitem a geração de textos e imagens com velocidade e qualidade mais do que surpreendentes. Será que estamos prestes a criar uma geração de humanos com dificuldades de memorizar, pensar criticamente, aprender?

        Os pesquisadores são unânimes em assumir que a IA veio para ficar – e tende a se aprimorar em velocidade desconhecida –, mas alertam reiteradamente para uma postura ativa da sociedade em compreender o impacto desses novos recursos, discernindo entre os hábitos que simplesmente delegam à tecnologia funções que antes eram esperadas do cérebro humano, e atitudes que promovem o pensamento crítico, potencializado pelo uso da IA. Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, ainda sofrem da falta de séries históricas comparativas e da complexidade de um tema apenas emergente.

      Ao mesmo tempo que acompanha os estudos mais recentes, a professora e pós-doutora em Psiquiatria pela USP, Telma Pantano, também observa as transformações cotidianas de seus alunos de graduação. “Eu tenho visto uma dificuldade muito grande dos alunos na produção, na criação, na estruturação do pensamento, nos últimos dois anos”, diz.

        Por isso, a estratégia da qual Telma lançou mão é pedir que os jovens escrevam à mão suas produções – o que, invariavelmente, provoca um enorme susto. “Quando não permitimos que usem a inteligência artificial, ficam bloqueados e se perguntam por onde começam, como se o acesso às redes neurais próprias não tivesse sido estimulado”, conta a professora.

        Segundo Telma Pantano, as pesquisas têm mostrado uma diferença muito importante entre pessoas que usam inteligência artificial para responder questões e para adquirir conhecimento e aquelas que usam inteligência artificial para resolver as atividades por elas. “Uma coisa é utilizar a inteligência artificial como fonte de organização e de busca. Outra é usar a inteligência artificial como se fosse a minha produção”, resume. Conforme a pesquisadora, os estudos vêm provando que o uso da IA pode levar a menor mobilização de recursos cognitivos.

        Embora a IA tenha adicionado um sentido de urgência às pesquisas, inclusive pela rapidez com que se difundiu, não é de hoje que os cientistas se preocupam com os efeitos do crescente uso de recursos digitais. Em alguns casos, vêm enfatizando a importância de se preservar aspectos que hoje parecem ultrapassados.

        Em 2024, por exemplo, estudo realizado por universidades norueguesas revelou que escrever à mão – como propôs Telma Pantano a seus alunos – traz um impacto positivo ao aprendizado. Analisando as atividades cerebrais, os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro essenciais para o aprendizado, como aquelas ligadas à memória e ao processo de informações visuais, bem como do funcionamento motor.
        
        Por que isso acontece? Entre outras razões, porque o ato de escrever à mão leva a uma complexa mobilização do corpo humano: o movimento dos dedos, o encadeamento motor, do aparelho visual e do cérebro, o tato para a pressão correta do lápis ou da caneta, o que requer uma coordenação de incontáveis processos.

        O impacto do digital não se resume à abdicação do uso da terceirização da própria inteligência para a IA, nem mesmo pela importância de se preservar processos que implicam a interação corpo e mente. O fenômeno é tão complexo que os cientistas vêm fazendo alertas sobre o declínio de capacidades como a da leitura de textos longos.

        Para Telma Pantano, o uso da IA como uma forma atual da lei do menor esforço é de certa forma esperada. O cérebro humano quer produzir mais com o menor dispêndio de energia. “Assim, a inteligência artificial é muito confortável porque num curto período de tempo, eu consigo respostas”, diz Telma. Mas, no atual contexto, o risco é grande. “Quanto mais fizermos uso de recursos automatizados, menor estímulo dedicaremos aos meios cognitivos internos de busca e produção de conhecimento”, diz.

        Por isso, a seu ver, o papel dos professores e dos gestores é essencial. “Precisamos ensinar a criança e o adolescente, devemos mostrar que a IA não pode ser o final do processo, mas o meio. Caso contrário, os alunos não serão capazes de produzir, inovar, fazer algo diferente, pois o cérebro não estará preparado”, diz.

(Por: Paulo de Camargo. Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
No trecho “[...] o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários [...]” (1º§), a palavra destacada funciona como adjetivo. Nesse contexto, assinale a alternativa em que o vocábulo “voluntário(s)” mantém essa mesma classe gramatical.
Alternativas
Q4355289 Português
Cérebro em marcha lenta: os riscos do uso indevido da IA


        Um estudo recentemente publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, chamou a atenção dos educadores: o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários por quatro meses, dividindo-os em três grupos – os que usavam a IA para redigir textos; para mecanismos de busca e, por fim, um grupo que produzia redações sem lançar mão dos recursos digitais. A conclusão mostrou que, quanto mais intensa a utilização da IA, menor o engajamento neural, linguístico e menor a atividade cerebral. Principalmente, mostrou que há sinais de dependência e menor autonomia cognitiva.

        A pesquisa feita pelo MIT é apenas um exemplo de uma preocupação crescente de cientistas – e também de educadores – de investigar mais profundamente os impactos da difusão de recursos de inteligência artificial, em particular os chats, que hoje permitem a geração de textos e imagens com velocidade e qualidade mais do que surpreendentes. Será que estamos prestes a criar uma geração de humanos com dificuldades de memorizar, pensar criticamente, aprender?

        Os pesquisadores são unânimes em assumir que a IA veio para ficar – e tende a se aprimorar em velocidade desconhecida –, mas alertam reiteradamente para uma postura ativa da sociedade em compreender o impacto desses novos recursos, discernindo entre os hábitos que simplesmente delegam à tecnologia funções que antes eram esperadas do cérebro humano, e atitudes que promovem o pensamento crítico, potencializado pelo uso da IA. Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, ainda sofrem da falta de séries históricas comparativas e da complexidade de um tema apenas emergente.

      Ao mesmo tempo que acompanha os estudos mais recentes, a professora e pós-doutora em Psiquiatria pela USP, Telma Pantano, também observa as transformações cotidianas de seus alunos de graduação. “Eu tenho visto uma dificuldade muito grande dos alunos na produção, na criação, na estruturação do pensamento, nos últimos dois anos”, diz.

        Por isso, a estratégia da qual Telma lançou mão é pedir que os jovens escrevam à mão suas produções – o que, invariavelmente, provoca um enorme susto. “Quando não permitimos que usem a inteligência artificial, ficam bloqueados e se perguntam por onde começam, como se o acesso às redes neurais próprias não tivesse sido estimulado”, conta a professora.

        Segundo Telma Pantano, as pesquisas têm mostrado uma diferença muito importante entre pessoas que usam inteligência artificial para responder questões e para adquirir conhecimento e aquelas que usam inteligência artificial para resolver as atividades por elas. “Uma coisa é utilizar a inteligência artificial como fonte de organização e de busca. Outra é usar a inteligência artificial como se fosse a minha produção”, resume. Conforme a pesquisadora, os estudos vêm provando que o uso da IA pode levar a menor mobilização de recursos cognitivos.

        Embora a IA tenha adicionado um sentido de urgência às pesquisas, inclusive pela rapidez com que se difundiu, não é de hoje que os cientistas se preocupam com os efeitos do crescente uso de recursos digitais. Em alguns casos, vêm enfatizando a importância de se preservar aspectos que hoje parecem ultrapassados.

        Em 2024, por exemplo, estudo realizado por universidades norueguesas revelou que escrever à mão – como propôs Telma Pantano a seus alunos – traz um impacto positivo ao aprendizado. Analisando as atividades cerebrais, os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro essenciais para o aprendizado, como aquelas ligadas à memória e ao processo de informações visuais, bem como do funcionamento motor.
        
        Por que isso acontece? Entre outras razões, porque o ato de escrever à mão leva a uma complexa mobilização do corpo humano: o movimento dos dedos, o encadeamento motor, do aparelho visual e do cérebro, o tato para a pressão correta do lápis ou da caneta, o que requer uma coordenação de incontáveis processos.

        O impacto do digital não se resume à abdicação do uso da terceirização da própria inteligência para a IA, nem mesmo pela importância de se preservar processos que implicam a interação corpo e mente. O fenômeno é tão complexo que os cientistas vêm fazendo alertas sobre o declínio de capacidades como a da leitura de textos longos.

        Para Telma Pantano, o uso da IA como uma forma atual da lei do menor esforço é de certa forma esperada. O cérebro humano quer produzir mais com o menor dispêndio de energia. “Assim, a inteligência artificial é muito confortável porque num curto período de tempo, eu consigo respostas”, diz Telma. Mas, no atual contexto, o risco é grande. “Quanto mais fizermos uso de recursos automatizados, menor estímulo dedicaremos aos meios cognitivos internos de busca e produção de conhecimento”, diz.

        Por isso, a seu ver, o papel dos professores e dos gestores é essencial. “Precisamos ensinar a criança e o adolescente, devemos mostrar que a IA não pode ser o final do processo, mas o meio. Caso contrário, os alunos não serão capazes de produzir, inovar, fazer algo diferente, pois o cérebro não estará preparado”, diz.

(Por: Paulo de Camargo. Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
No trecho “Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, [...]” (3º§), a expressão destacada constitui a seguinte figura de linguagem: 
Alternativas
Q4355288 Português
Cérebro em marcha lenta: os riscos do uso indevido da IA


        Um estudo recentemente publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, chamou a atenção dos educadores: o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários por quatro meses, dividindo-os em três grupos – os que usavam a IA para redigir textos; para mecanismos de busca e, por fim, um grupo que produzia redações sem lançar mão dos recursos digitais. A conclusão mostrou que, quanto mais intensa a utilização da IA, menor o engajamento neural, linguístico e menor a atividade cerebral. Principalmente, mostrou que há sinais de dependência e menor autonomia cognitiva.

        A pesquisa feita pelo MIT é apenas um exemplo de uma preocupação crescente de cientistas – e também de educadores – de investigar mais profundamente os impactos da difusão de recursos de inteligência artificial, em particular os chats, que hoje permitem a geração de textos e imagens com velocidade e qualidade mais do que surpreendentes. Será que estamos prestes a criar uma geração de humanos com dificuldades de memorizar, pensar criticamente, aprender?

        Os pesquisadores são unânimes em assumir que a IA veio para ficar – e tende a se aprimorar em velocidade desconhecida –, mas alertam reiteradamente para uma postura ativa da sociedade em compreender o impacto desses novos recursos, discernindo entre os hábitos que simplesmente delegam à tecnologia funções que antes eram esperadas do cérebro humano, e atitudes que promovem o pensamento crítico, potencializado pelo uso da IA. Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, ainda sofrem da falta de séries históricas comparativas e da complexidade de um tema apenas emergente.

      Ao mesmo tempo que acompanha os estudos mais recentes, a professora e pós-doutora em Psiquiatria pela USP, Telma Pantano, também observa as transformações cotidianas de seus alunos de graduação. “Eu tenho visto uma dificuldade muito grande dos alunos na produção, na criação, na estruturação do pensamento, nos últimos dois anos”, diz.

        Por isso, a estratégia da qual Telma lançou mão é pedir que os jovens escrevam à mão suas produções – o que, invariavelmente, provoca um enorme susto. “Quando não permitimos que usem a inteligência artificial, ficam bloqueados e se perguntam por onde começam, como se o acesso às redes neurais próprias não tivesse sido estimulado”, conta a professora.

        Segundo Telma Pantano, as pesquisas têm mostrado uma diferença muito importante entre pessoas que usam inteligência artificial para responder questões e para adquirir conhecimento e aquelas que usam inteligência artificial para resolver as atividades por elas. “Uma coisa é utilizar a inteligência artificial como fonte de organização e de busca. Outra é usar a inteligência artificial como se fosse a minha produção”, resume. Conforme a pesquisadora, os estudos vêm provando que o uso da IA pode levar a menor mobilização de recursos cognitivos.

        Embora a IA tenha adicionado um sentido de urgência às pesquisas, inclusive pela rapidez com que se difundiu, não é de hoje que os cientistas se preocupam com os efeitos do crescente uso de recursos digitais. Em alguns casos, vêm enfatizando a importância de se preservar aspectos que hoje parecem ultrapassados.

        Em 2024, por exemplo, estudo realizado por universidades norueguesas revelou que escrever à mão – como propôs Telma Pantano a seus alunos – traz um impacto positivo ao aprendizado. Analisando as atividades cerebrais, os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro essenciais para o aprendizado, como aquelas ligadas à memória e ao processo de informações visuais, bem como do funcionamento motor.
        
        Por que isso acontece? Entre outras razões, porque o ato de escrever à mão leva a uma complexa mobilização do corpo humano: o movimento dos dedos, o encadeamento motor, do aparelho visual e do cérebro, o tato para a pressão correta do lápis ou da caneta, o que requer uma coordenação de incontáveis processos.

        O impacto do digital não se resume à abdicação do uso da terceirização da própria inteligência para a IA, nem mesmo pela importância de se preservar processos que implicam a interação corpo e mente. O fenômeno é tão complexo que os cientistas vêm fazendo alertas sobre o declínio de capacidades como a da leitura de textos longos.

        Para Telma Pantano, o uso da IA como uma forma atual da lei do menor esforço é de certa forma esperada. O cérebro humano quer produzir mais com o menor dispêndio de energia. “Assim, a inteligência artificial é muito confortável porque num curto período de tempo, eu consigo respostas”, diz Telma. Mas, no atual contexto, o risco é grande. “Quanto mais fizermos uso de recursos automatizados, menor estímulo dedicaremos aos meios cognitivos internos de busca e produção de conhecimento”, diz.

        Por isso, a seu ver, o papel dos professores e dos gestores é essencial. “Precisamos ensinar a criança e o adolescente, devemos mostrar que a IA não pode ser o final do processo, mas o meio. Caso contrário, os alunos não serão capazes de produzir, inovar, fazer algo diferente, pois o cérebro não estará preparado”, diz.

(Por: Paulo de Camargo. Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
Considerando os efeitos do uso da IA na aprendizagem, o papel de professores e gestores é essencial, segundo o texto, para: 
Alternativas
Q4354781 Português
No contexto da escrita alfabética, estabelecem-se relações entre sons e letras. Entretanto, no Português Brasileiro, essas correspondências nem sempre são mantidas, pois encontramos diversas situações em que um mesmo som pode ser representado por diferentes letras, assim como uma mesma letra pode corresponder a diferentes sons. Os erros ortográficos decorrentes dessa característica são classificados como:
Alternativas
Q4354777 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão


Em novembro de 2020, Ailton Krenak concedeu entrevista ao Jornal da Universidade, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. As questões a seguir têm como referência trechos dessa entrevista, os quais dialogam entre si.



[...]


A trajetória de Ailton Krenak foi sempre ecoante e fundamental na luta histórica dos povos indígenas e pela preservação da Terra. Fez barulho quando, em 1987, discursou na Assembleia Nacional Constituinte durante a elaboração da Constituição Brasileira de 1988. Durante o discurso, posicionou-se na tribuna, em frente àqueles que ameaçavam os direitos aos territórios geográficos e culturais das tradições indígenas. Pintou o rosto com a tinta preta do jenipapo como um gesto de protesto contra os retrocessos e ataques aos seus diretos e de seus parentes.


Passados tantos anos, sua voz segue sendo urgente e ecoante. [...] Ailton Krenak nasceu na região do Vale do Rio Doce, onde fica localizada a Terra Indígena Krenak e onde, há exatos cinco anos, rompeu-se uma barragem de rejeitos de mineração denominada Fundão, controlada pela Samarco Mineração. O crime deixou o rio Doce "anulado", segundo Ailton. O rio que, para ele, é um avô, morreu. Foi morto por mais uma ação humana e corporativa de destruição. Hoje Ailton Krenak continua a viver na Terra próxima de onde a barragem foi rompida.


[...]


(https://www.ufrgs.br/jornal/ailton-krenak-a-terra-pode-nos-deixar-para-t ras-e-seguir-o-seu-caminho/. Acesso em: 20 ago. 2026. Adaptado.)

Também na entrevista ao Jornal da Universidade, Ailton Krenak afirmou:

A Terra seguir seu caminho é uma possibilidade de desafiar a centralidade que o ser humano se pretende. Faz com que essa centralidade seja posta em questão. [...] Então, se o pensamento dos seres humanos acerca da vida aqui no planeta ficou tão atomizado ao ponto de nós ameaçarmos as outras existências, a Terra pode nos deixar para trás e seguir o seu caminho.

A palavra "atomizado", no excerto, tem origem na palavra "átomo", sendo particípio do verbo "atomizar". Tendo isso em consideração e mobilizando seus conhecimentos prévios, analise as sentenças a seguir:

I. No pensamento de Krenak, o ser humano fragmentou tanto sua concepção de vida no planeta que se esqueceu ou destruiu a ideia de todo.
II. Nesse contexto, é possível substituir "atomizado" por "aperfeiçoado", mantendo a coesão e o sentido construído por Krenak, afinal, o pensamento dos seres humanos acerca da vida no planeta tem sido aperfeiçoado, ainda que seja em um aspecto negativo para a existência dessa vida.
III. Ao "atomizar" o pensamento que os seres humanos têm a respeito da vida no planeta, nós reduzimos algo complexo e diverso a uma dimensão mínima, o que faz com que desconsideremos outras formas de existência e nos vejamos como o centro dessa vida.

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q4354776 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão


Em novembro de 2020, Ailton Krenak concedeu entrevista ao Jornal da Universidade, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. As questões a seguir têm como referência trechos dessa entrevista, os quais dialogam entre si.



[...]


A trajetória de Ailton Krenak foi sempre ecoante e fundamental na luta histórica dos povos indígenas e pela preservação da Terra. Fez barulho quando, em 1987, discursou na Assembleia Nacional Constituinte durante a elaboração da Constituição Brasileira de 1988. Durante o discurso, posicionou-se na tribuna, em frente àqueles que ameaçavam os direitos aos territórios geográficos e culturais das tradições indígenas. Pintou o rosto com a tinta preta do jenipapo como um gesto de protesto contra os retrocessos e ataques aos seus diretos e de seus parentes.


Passados tantos anos, sua voz segue sendo urgente e ecoante. [...] Ailton Krenak nasceu na região do Vale do Rio Doce, onde fica localizada a Terra Indígena Krenak e onde, há exatos cinco anos, rompeu-se uma barragem de rejeitos de mineração denominada Fundão, controlada pela Samarco Mineração. O crime deixou o rio Doce "anulado", segundo Ailton. O rio que, para ele, é um avô, morreu. Foi morto por mais uma ação humana e corporativa de destruição. Hoje Ailton Krenak continua a viver na Terra próxima de onde a barragem foi rompida.


[...]


(https://www.ufrgs.br/jornal/ailton-krenak-a-terra-pode-nos-deixar-para-t ras-e-seguir-o-seu-caminho/. Acesso em: 20 ago. 2026. Adaptado.)

A vida é um organismo. A Terra é uma materialidade dessa vida. Nosso corpo, assim como o de uma formiga ou de uma borboleta, é a materialidade da vida.


No excerto, o trecho sublinhado corresponde        

Alternativas
Q4354775 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão


Em novembro de 2020, Ailton Krenak concedeu entrevista ao Jornal da Universidade, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. As questões a seguir têm como referência trechos dessa entrevista, os quais dialogam entre si.



[...]


A trajetória de Ailton Krenak foi sempre ecoante e fundamental na luta histórica dos povos indígenas e pela preservação da Terra. Fez barulho quando, em 1987, discursou na Assembleia Nacional Constituinte durante a elaboração da Constituição Brasileira de 1988. Durante o discurso, posicionou-se na tribuna, em frente àqueles que ameaçavam os direitos aos territórios geográficos e culturais das tradições indígenas. Pintou o rosto com a tinta preta do jenipapo como um gesto de protesto contra os retrocessos e ataques aos seus diretos e de seus parentes.


Passados tantos anos, sua voz segue sendo urgente e ecoante. [...] Ailton Krenak nasceu na região do Vale do Rio Doce, onde fica localizada a Terra Indígena Krenak e onde, há exatos cinco anos, rompeu-se uma barragem de rejeitos de mineração denominada Fundão, controlada pela Samarco Mineração. O crime deixou o rio Doce "anulado", segundo Ailton. O rio que, para ele, é um avô, morreu. Foi morto por mais uma ação humana e corporativa de destruição. Hoje Ailton Krenak continua a viver na Terra próxima de onde a barragem foi rompida.


[...]


(https://www.ufrgs.br/jornal/ailton-krenak-a-terra-pode-nos-deixar-para-t ras-e-seguir-o-seu-caminho/. Acesso em: 20 ago. 2026. Adaptado.)

Leia a resposta de Ailton Krenak à pergunta a seguir, feita durante entrevista ao Jornal da Universidade:


Todas essas atividades predatórias me lembram a imagem que falas sobre o progresso. O progresso como uma flecha. Poderia falar sobre isso?


Krenak: Esse grande ecossistema da nossa Mãe Terra não tem externalidade. Por isso eu citei o caso da mineração. Claro, têm muitas atividades que são consideradas importantes. A agricultura, por exemplo. Esta que começou nosso divórcio com a Terra, quando os humanos achavam que poderiam dominar tudo. Mas depois tem um outro período que chamamos de modernidade, que ajustou os termos desse divórcio, estabelecendo uma lógica, uma racionalidade que sugere que o tempo é uma prospecção, é uma flecha.


E nós, os humanos, vamos tomar essa flecha como uma medida de sucesso, de realização, de empreendimento, onde a vida passa a ser calculada e pode ser capturada pelo enunciado de que "tempo é dinheiro". [...]


Um contingente muito numeroso disso que chamamos de população do planeta, 7 bilhões e tanto de pessoas, vive rotinas alienadas ou alienantes, em que de manhã elas sequer olham onde estão. Não olham se o céu está nublado, se vai chover. Muitas, inclusive, nem olham o céu, porque vivem em condições urbanas e de condicionamento. Entram e saem de caixas.


[...]


A respeito da concordância verbal, analise as sentenças e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:


(__) O verbo "ter", em "têm muitas atividades que são consideradas importantes", foi usado no mesmo sentido do verbo "haver". Nesse caso, ele é impessoal e deveria estar no singular: "tem muitas atividades que são consideradas importantes".


(__) O verbo "viver", em "vive rotinas alienadas ou alienantes", está no singular equivocadamente porque deveria concordar com seu sujeito, "7 bilhões e tanto de pessoas".


(__) No trecho "em que de manhã elas sequer olham onde estão. Não olham se o céu está nublado, se vai chover", o sujeito é "elas", que se refere a "7 bilhões e tanto de pessoas". Nesse contexto, a concordância de todos os verbos que têm esse sujeito está correta.



Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:

Alternativas
Q4354774 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão


Em novembro de 2020, Ailton Krenak concedeu entrevista ao Jornal da Universidade, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. As questões a seguir têm como referência trechos dessa entrevista, os quais dialogam entre si.



[...]


A trajetória de Ailton Krenak foi sempre ecoante e fundamental na luta histórica dos povos indígenas e pela preservação da Terra. Fez barulho quando, em 1987, discursou na Assembleia Nacional Constituinte durante a elaboração da Constituição Brasileira de 1988. Durante o discurso, posicionou-se na tribuna, em frente àqueles que ameaçavam os direitos aos territórios geográficos e culturais das tradições indígenas. Pintou o rosto com a tinta preta do jenipapo como um gesto de protesto contra os retrocessos e ataques aos seus diretos e de seus parentes.


Passados tantos anos, sua voz segue sendo urgente e ecoante. [...] Ailton Krenak nasceu na região do Vale do Rio Doce, onde fica localizada a Terra Indígena Krenak e onde, há exatos cinco anos, rompeu-se uma barragem de rejeitos de mineração denominada Fundão, controlada pela Samarco Mineração. O crime deixou o rio Doce "anulado", segundo Ailton. O rio que, para ele, é um avô, morreu. Foi morto por mais uma ação humana e corporativa de destruição. Hoje Ailton Krenak continua a viver na Terra próxima de onde a barragem foi rompida.


[...]


(https://www.ufrgs.br/jornal/ailton-krenak-a-terra-pode-nos-deixar-para-t ras-e-seguir-o-seu-caminho/. Acesso em: 20 ago. 2026. Adaptado.)

Leia o excerto:
Alguns pensadores têm sugerido que o Homo Sapiens, essa variante que veio dar nessa humanidade que nós constituímos agora, eliminou os outros possíveis Homos, os outros parentes dele. Quer dizer, ele é um exterminador [risos]. Ele é. E bem-sucedido. Aquela ideia horrorosa do cinema de produzir um Exterminador do Futuro é uma metáfora sobre o homem. O ser humano é o exterminador do futuro em certo sentido.

No excerto, a palavra "bem-sucedido" foi escrita corretamente. Analise as sentenças a seguir:
I. A humanidade tem agido como uma sem-noção, não respeitando a pluralidade de existências que vivem na Terra.
II. Há muita má-fé quando uma pequena parcela da humanidade decide enriquecer às custas da destruição do planeta.
III. Quando olhamos para a humanidade, nota-se muito mal-grado em pensar a existência coletivamente, cuidando de toda a diversidade que compõe a Terra. Uma parcela luta, enquanto outra destrói sob o argumento do progresso.

Está correta a grafia da palavra destacada em:
Alternativas
Q4354773 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão


Em novembro de 2020, Ailton Krenak concedeu entrevista ao Jornal da Universidade, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. As questões a seguir têm como referência trechos dessa entrevista, os quais dialogam entre si.



[...]


A trajetória de Ailton Krenak foi sempre ecoante e fundamental na luta histórica dos povos indígenas e pela preservação da Terra. Fez barulho quando, em 1987, discursou na Assembleia Nacional Constituinte durante a elaboração da Constituição Brasileira de 1988. Durante o discurso, posicionou-se na tribuna, em frente àqueles que ameaçavam os direitos aos territórios geográficos e culturais das tradições indígenas. Pintou o rosto com a tinta preta do jenipapo como um gesto de protesto contra os retrocessos e ataques aos seus diretos e de seus parentes.


Passados tantos anos, sua voz segue sendo urgente e ecoante. [...] Ailton Krenak nasceu na região do Vale do Rio Doce, onde fica localizada a Terra Indígena Krenak e onde, há exatos cinco anos, rompeu-se uma barragem de rejeitos de mineração denominada Fundão, controlada pela Samarco Mineração. O crime deixou o rio Doce "anulado", segundo Ailton. O rio que, para ele, é um avô, morreu. Foi morto por mais uma ação humana e corporativa de destruição. Hoje Ailton Krenak continua a viver na Terra próxima de onde a barragem foi rompida.


[...]


(https://www.ufrgs.br/jornal/ailton-krenak-a-terra-pode-nos-deixar-para-t ras-e-seguir-o-seu-caminho/. Acesso em: 20 ago. 2026. Adaptado.)

Leia outro excerto da entrevista de Ailton Krenak concedida ao Jornal da Universidade:


Que humanidade somos hoje?


Somos uma humanidade complexa e diversa. Ela tem aquelas qualidades que nós gostaríamos às vezes que fossem presentes ao nosso redor: a complexidade e a pluralidade. Mas essa humanidade, exatamente por ter uma condição plural, não constitui uma comunidade. Poderia dizer que hoje estamos perplexos porque nós não conseguimos ter uma unidade de propósito e estamos passando por crises sucessivas. Crise ambiental, climática, econômica. É também uma crise de paradigma.


Após a leitura atenta do excerto e mobilizando seus conhecimentos prévios, analise as sentenças a seguir e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:



(__) Para Krenak, a pluralidade que constitui a humanidade não é condição para que haja uma comunidade/uma unidade entre os elementos que a constituem.


(__) Um dos requisitos básicos para que a humanidade seja um todo diverso e coeso é termos o mesmo propósito. Isso nos permite inferir que não termos um propósito comum não apenas nos dispersa, como também desencadeia diversas crises.


(__) Ao afirmar que as crises ambiental, climática, econômica são também uma crise de paradigma, Krenak critica os modelos que parte da humanidade decidiu seguir; por exemplo, o modelo econômico.



Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:

Alternativas
Q4354563 Português
De acordo com o texto “Aconselhamento breve sobre atividade física no Sistema Único de Saúde: uma possibilidade para todos os profissionais de saúde” (Vieira et al., 2024), qual é a principal intencionalidade do aconselhamento breve sobre atividade física? 
Alternativas
Q4354324 Português

MISANTROPIA


    Passados já vários dias do provável ataque hacker ao sistema da defesa civil, até hoje ninguém sabe quem invadiu milhões de celulares brasileiros, seja para mandar avisos de tempestades fortes, seja apenas para lançar apenas a palavra misantropia.

    Me lembrei do famoso caso provocado pelo escritor americano Orson Welles, em 1938, contando a história de A Guerra dos Mundos pelo rádio e simulando uma invasão alienígena. Foi um pânico em massa. As pessoas ficaram desesperadas. Queriam fugir dos marcianos, sem saber bem para onde.

    Entretanto, o falso aviso inesperado da defesa civil não provocou nada. No meu celular veio o ataque de chuvas fortes. Como já era tarde, e eu já estava deitada para dormir, minha vida não mudou em nada. Fiquei até feliz que a tal chuva forte iria me pegar na cama.

    Para outras pessoas que receberam em suas telas somente a palavra misantropia também não significou absolutamente nada. Seja porque não sabiam o que significava misantropia, seja porque não entenderam coisa nenhuma. O que me leva à conclusão que até para provocar pânico, as pessoas têm de ser minimamente inteligentes como um Orson Welles.

    O possível misantropo, que tem tanto ódio pela humanidade, deve ter percebido que não se consegue espalhar ódio pelo celular só com uma palavra. Ou seja, o fato dele ou sua mensagem existir não alterou a vida de alguém. Só podemos lamentar que esse misantropo se deu ao trabalho de hackear tantos celulares à toa. Creio que agora ele ainda vai ficar com ainda mais ódio de todos nós.

    Li em algum lugar que, pelo menos, algumas pessoas pesquisaram sobre o significado de misantropia e assim aprenderam algo. Se lessem O Misantropo do escritor francês Molière eu ficaria ainda mais feliz. Afinal, o destino do personagem chamado Alceste teria muito a ensinar aqueles que pensam que são os donos da verdade e que o resto do mundo não serve para nada.

    Não entendo bem como alguém possa ser misantropo. Não há como escapar. Vivemos em sociedade e a solidão absoluta e voluntária é algo terrível. Minha sugestão ao misantropo é que já que ele acha que a humanidade não presta, faça algo para ajudar a melhorá-la. Da próxima vez, use esse imenso poder de falar com milhares de pessoas ao mesmo tempo e explique o significado da palavra empatia. Será muito bom para ele mesmo e para tanta gente que se elege, trabalha em Brasília e não dá a mínima para o povo brasileiro.


(https://www.miriambevilacqua.com.br/)

Analise a citação:


"Como já era tarde, e eu já estava deitada para dormir, minha vida não mudou em nada. Fiquei até feliz que a tal chuva forte iria me pegar na cama."


Assinale a alternativa que apresenta corretamente os tempos verbais destacados no trecho.

Alternativas
Q4354323 Português

MISANTROPIA


    Passados já vários dias do provável ataque hacker ao sistema da defesa civil, até hoje ninguém sabe quem invadiu milhões de celulares brasileiros, seja para mandar avisos de tempestades fortes, seja apenas para lançar apenas a palavra misantropia.

    Me lembrei do famoso caso provocado pelo escritor americano Orson Welles, em 1938, contando a história de A Guerra dos Mundos pelo rádio e simulando uma invasão alienígena. Foi um pânico em massa. As pessoas ficaram desesperadas. Queriam fugir dos marcianos, sem saber bem para onde.

    Entretanto, o falso aviso inesperado da defesa civil não provocou nada. No meu celular veio o ataque de chuvas fortes. Como já era tarde, e eu já estava deitada para dormir, minha vida não mudou em nada. Fiquei até feliz que a tal chuva forte iria me pegar na cama.

    Para outras pessoas que receberam em suas telas somente a palavra misantropia também não significou absolutamente nada. Seja porque não sabiam o que significava misantropia, seja porque não entenderam coisa nenhuma. O que me leva à conclusão que até para provocar pânico, as pessoas têm de ser minimamente inteligentes como um Orson Welles.

    O possível misantropo, que tem tanto ódio pela humanidade, deve ter percebido que não se consegue espalhar ódio pelo celular só com uma palavra. Ou seja, o fato dele ou sua mensagem existir não alterou a vida de alguém. Só podemos lamentar que esse misantropo se deu ao trabalho de hackear tantos celulares à toa. Creio que agora ele ainda vai ficar com ainda mais ódio de todos nós.

    Li em algum lugar que, pelo menos, algumas pessoas pesquisaram sobre o significado de misantropia e assim aprenderam algo. Se lessem O Misantropo do escritor francês Molière eu ficaria ainda mais feliz. Afinal, o destino do personagem chamado Alceste teria muito a ensinar aqueles que pensam que são os donos da verdade e que o resto do mundo não serve para nada.

    Não entendo bem como alguém possa ser misantropo. Não há como escapar. Vivemos em sociedade e a solidão absoluta e voluntária é algo terrível. Minha sugestão ao misantropo é que já que ele acha que a humanidade não presta, faça algo para ajudar a melhorá-la. Da próxima vez, use esse imenso poder de falar com milhares de pessoas ao mesmo tempo e explique o significado da palavra empatia. Será muito bom para ele mesmo e para tanta gente que se elege, trabalha em Brasília e não dá a mínima para o povo brasileiro.


(https://www.miriambevilacqua.com.br/)

Analise a citação:


"Não entendo bem como alguém possa ser misantropo. Não há como escapar. Vivemos em sociedade e a solidão absoluta e voluntária é algo terrível."


Considerando os aspectos linguísticos e discursivos do trecho, assinale a alternativa correta.

Alternativas
Q4354322 Português

MISANTROPIA


    Passados já vários dias do provável ataque hacker ao sistema da defesa civil, até hoje ninguém sabe quem invadiu milhões de celulares brasileiros, seja para mandar avisos de tempestades fortes, seja apenas para lançar apenas a palavra misantropia.

    Me lembrei do famoso caso provocado pelo escritor americano Orson Welles, em 1938, contando a história de A Guerra dos Mundos pelo rádio e simulando uma invasão alienígena. Foi um pânico em massa. As pessoas ficaram desesperadas. Queriam fugir dos marcianos, sem saber bem para onde.

    Entretanto, o falso aviso inesperado da defesa civil não provocou nada. No meu celular veio o ataque de chuvas fortes. Como já era tarde, e eu já estava deitada para dormir, minha vida não mudou em nada. Fiquei até feliz que a tal chuva forte iria me pegar na cama.

    Para outras pessoas que receberam em suas telas somente a palavra misantropia também não significou absolutamente nada. Seja porque não sabiam o que significava misantropia, seja porque não entenderam coisa nenhuma. O que me leva à conclusão que até para provocar pânico, as pessoas têm de ser minimamente inteligentes como um Orson Welles.

    O possível misantropo, que tem tanto ódio pela humanidade, deve ter percebido que não se consegue espalhar ódio pelo celular só com uma palavra. Ou seja, o fato dele ou sua mensagem existir não alterou a vida de alguém. Só podemos lamentar que esse misantropo se deu ao trabalho de hackear tantos celulares à toa. Creio que agora ele ainda vai ficar com ainda mais ódio de todos nós.

    Li em algum lugar que, pelo menos, algumas pessoas pesquisaram sobre o significado de misantropia e assim aprenderam algo. Se lessem O Misantropo do escritor francês Molière eu ficaria ainda mais feliz. Afinal, o destino do personagem chamado Alceste teria muito a ensinar aqueles que pensam que são os donos da verdade e que o resto do mundo não serve para nada.

    Não entendo bem como alguém possa ser misantropo. Não há como escapar. Vivemos em sociedade e a solidão absoluta e voluntária é algo terrível. Minha sugestão ao misantropo é que já que ele acha que a humanidade não presta, faça algo para ajudar a melhorá-la. Da próxima vez, use esse imenso poder de falar com milhares de pessoas ao mesmo tempo e explique o significado da palavra empatia. Será muito bom para ele mesmo e para tanta gente que se elege, trabalha em Brasília e não dá a mínima para o povo brasileiro.


(https://www.miriambevilacqua.com.br/)

Analise e assinale a alternativa que apresenta a classificação correta da oração em destaque: 


Fiquei até feliz que a tal chuva forte iria me pegar na cama.

Alternativas
Q4354321 Português

MISANTROPIA


    Passados já vários dias do provável ataque hacker ao sistema da defesa civil, até hoje ninguém sabe quem invadiu milhões de celulares brasileiros, seja para mandar avisos de tempestades fortes, seja apenas para lançar apenas a palavra misantropia.

    Me lembrei do famoso caso provocado pelo escritor americano Orson Welles, em 1938, contando a história de A Guerra dos Mundos pelo rádio e simulando uma invasão alienígena. Foi um pânico em massa. As pessoas ficaram desesperadas. Queriam fugir dos marcianos, sem saber bem para onde.

    Entretanto, o falso aviso inesperado da defesa civil não provocou nada. No meu celular veio o ataque de chuvas fortes. Como já era tarde, e eu já estava deitada para dormir, minha vida não mudou em nada. Fiquei até feliz que a tal chuva forte iria me pegar na cama.

    Para outras pessoas que receberam em suas telas somente a palavra misantropia também não significou absolutamente nada. Seja porque não sabiam o que significava misantropia, seja porque não entenderam coisa nenhuma. O que me leva à conclusão que até para provocar pânico, as pessoas têm de ser minimamente inteligentes como um Orson Welles.

    O possível misantropo, que tem tanto ódio pela humanidade, deve ter percebido que não se consegue espalhar ódio pelo celular só com uma palavra. Ou seja, o fato dele ou sua mensagem existir não alterou a vida de alguém. Só podemos lamentar que esse misantropo se deu ao trabalho de hackear tantos celulares à toa. Creio que agora ele ainda vai ficar com ainda mais ódio de todos nós.

    Li em algum lugar que, pelo menos, algumas pessoas pesquisaram sobre o significado de misantropia e assim aprenderam algo. Se lessem O Misantropo do escritor francês Molière eu ficaria ainda mais feliz. Afinal, o destino do personagem chamado Alceste teria muito a ensinar aqueles que pensam que são os donos da verdade e que o resto do mundo não serve para nada.

    Não entendo bem como alguém possa ser misantropo. Não há como escapar. Vivemos em sociedade e a solidão absoluta e voluntária é algo terrível. Minha sugestão ao misantropo é que já que ele acha que a humanidade não presta, faça algo para ajudar a melhorá-la. Da próxima vez, use esse imenso poder de falar com milhares de pessoas ao mesmo tempo e explique o significado da palavra empatia. Será muito bom para ele mesmo e para tanta gente que se elege, trabalha em Brasília e não dá a mínima para o povo brasileiro.


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Assinale a alternativa em que o emprego do uso dos "porquês" está correto. 
Alternativas
Q4354320 Português

MISANTROPIA


    Passados já vários dias do provável ataque hacker ao sistema da defesa civil, até hoje ninguém sabe quem invadiu milhões de celulares brasileiros, seja para mandar avisos de tempestades fortes, seja apenas para lançar apenas a palavra misantropia.

    Me lembrei do famoso caso provocado pelo escritor americano Orson Welles, em 1938, contando a história de A Guerra dos Mundos pelo rádio e simulando uma invasão alienígena. Foi um pânico em massa. As pessoas ficaram desesperadas. Queriam fugir dos marcianos, sem saber bem para onde.

    Entretanto, o falso aviso inesperado da defesa civil não provocou nada. No meu celular veio o ataque de chuvas fortes. Como já era tarde, e eu já estava deitada para dormir, minha vida não mudou em nada. Fiquei até feliz que a tal chuva forte iria me pegar na cama.

    Para outras pessoas que receberam em suas telas somente a palavra misantropia também não significou absolutamente nada. Seja porque não sabiam o que significava misantropia, seja porque não entenderam coisa nenhuma. O que me leva à conclusão que até para provocar pânico, as pessoas têm de ser minimamente inteligentes como um Orson Welles.

    O possível misantropo, que tem tanto ódio pela humanidade, deve ter percebido que não se consegue espalhar ódio pelo celular só com uma palavra. Ou seja, o fato dele ou sua mensagem existir não alterou a vida de alguém. Só podemos lamentar que esse misantropo se deu ao trabalho de hackear tantos celulares à toa. Creio que agora ele ainda vai ficar com ainda mais ódio de todos nós.

    Li em algum lugar que, pelo menos, algumas pessoas pesquisaram sobre o significado de misantropia e assim aprenderam algo. Se lessem O Misantropo do escritor francês Molière eu ficaria ainda mais feliz. Afinal, o destino do personagem chamado Alceste teria muito a ensinar aqueles que pensam que são os donos da verdade e que o resto do mundo não serve para nada.

    Não entendo bem como alguém possa ser misantropo. Não há como escapar. Vivemos em sociedade e a solidão absoluta e voluntária é algo terrível. Minha sugestão ao misantropo é que já que ele acha que a humanidade não presta, faça algo para ajudar a melhorá-la. Da próxima vez, use esse imenso poder de falar com milhares de pessoas ao mesmo tempo e explique o significado da palavra empatia. Será muito bom para ele mesmo e para tanta gente que se elege, trabalha em Brasília e não dá a mínima para o povo brasileiro.


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Leia o trecho do texto:


"Foi um pânico em massa. As pessoas ficaram desesperadas. Queriam fugir dos marcianos, sem saber bem para onde."


Nesse trecho a expressão destacada corresponde a qual figura de linguagem?

Alternativas
Respostas
2221: D
2222: A
2223: B
2224: C
2225: A
2226: D
2227: B
2228: B
2229: B
2230: E
2231: E
2232: D
2233: D
2234: B
2235: D
2236: A
2237: B
2238: C
2239: D
2240: A