Questões de Concurso Sobre pronomes pessoais oblíquos em português

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Q4239383 Português

Leia o texto que segue e responda à questão



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O vocábulo “dele” (linha 05) se refere a: 
Alternativas
Q4227212 Português

Analise a frase abaixo para responder à questão.


“… convém pensarmos desde já se utilizamos ‘este dom de viver’ da maneira mais digna”.

De acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa e quanto ao uso de pronomes, assinale a alternativa em que os termos destacados na frase acima são devidamente substituídos por um pronome pessoal. 
Alternativas
Q4226827 Português

Analise a frase abaixo para responder à questão.


“... é preciso que conserve ‘a mesma batida de sua braçada’”. 

De acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa e quanto ao uso de pronomes, assinale a alternativa em que os termos destacados na frase acima são devidamente substituídos por um pronome pessoal. 
Alternativas
Q4226612 Português

Leia o texto abaixo para responder à questão.



    A aproximação das comemorações do bicentenário da Independência tem despertado em alguns historiadores o desejo de promover um certo resgate da reputação da família real, e que foi satirizada em filmes e séries televisivas. Fundada em 1810 por Dom João 6º, a Biblioteca Nacional menciona esse objetivo em seu caderno de projetos para o bicentenário. O documento busca valorizar “personagens que se tornaram chacotas para o público em geral, através da TV e do cinema, quando a historiografia é capaz de trazer conteúdo objetivo e sério sobre a família que reinou no Brasil”.


    “É preciso apresentar a dimensão familiar da monarquia, da forma como se constituiu o poder no Brasil, e como questões centrais como autoridade, bem comum, religiosidade, sacrifício, vícios, doações e abusos vinham à tona”, diz a instituição. Em maio deste ano, a biblioteca promoveu uma exposição virtual sobre dona Maria, mãe de dom João 6º, em que o adjetivo “a louca” foi deixado de lado. Em seu lugar, privilegiou-se o título formal da soberana, dona Maria 1ª.  


    “É importante dignificar os fundadores da nação e superar um cacoete de negação que é muito forte”, diz Luiz Ramires Jr, coordenador-geral do centro de pesquisa e editoração da Biblioteca Nacional. Para ele, usar a sátira é algo que pode levar o tema ao conhecimento de mais pessoas, mas com riscos no processo. “À medida que você faz chacota dessas figuras centrais, isso decanta, sobretudo, em livros didáticos”. 


    Como afirma a historiadora Mary del Priore, “dona Maria foi uma mulher responsável pela criação de academias, assinatura de diversos tratados de comércio e diplomáticos. Muitos a adoravam, tanto que quando a família real vem para o Brasil, ela recebe cartas pedindo que volte para Portugal”. Nascida em 1734, ela tornou-se rainha em 1777. Para seus contemporâneos, era conhecida como “a piedosa”, pelo fervor religioso, que a fez isolar da corte o Marquês de Pombal, adepto do Iluminismo português. A instabilidade mental começou na segunda década de reinado, acentuando-se após uma sucessão de perdas na família, especialmente a do primogênito, Dom José, em 1788, aos 27 anos.


    O adjetivo “louca”, segundo a historiadora, é uma construção do movimento republicano português, em fins do século 19, em uma estratégia de deslegitimar a monarquia. Um dos maiores responsáveis por cunhar o termo à soberana foi o influente poeta modernista português Guerra Junqueira (1850-1923). Em seu poema “Pátria”, de 1896, o poeta descreve a rainha num estado de loucura, fúria e delírio. A república portuguesa acabaria sendo proclamada em 1910.

(Uma outra história. Folha de São Paulo, 31.10.2021.

Adaptado).

Assinale a alternativa cuja frase emprega o pronome de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa. 
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Q4201637 Português
Considere a fábula a seguir para responder a próxima questão.

“Estava um lobo a comer carne quando se lhe atravessou um osso na garganta, que o sufocava. Estando nesta aflição, pediu à garça que lhe valesse e que, com o seu pescoço comprido, lhe tirasse o osso da garganta, e que seria recompensada. A garça assim fez, e tirou-lhe o osso. Estando livre o lobo, pediu-lhe então a garça uma parte do muito que antes lhe oferecera. Porém o lobo respondeu-lhe: – Ó ingrata! Não te agradeci já o bastante por te ter deixado meter a cabeça dentro da minha boca, onde facilmente poderia apertar os dentes e matar-te? Não me peças recompensa, pois tu é que me deves favor, e bem ingrata és em não reconheceres tão grande benefício! Calou-se a garça, e ficou muito arrependida do que fizera, dizendo: – Nunca mais por gente ruim meterei a cabeça e a vida em semelhante perigo”. (Fábulas de Esopo, com adaptações)
No trecho “Estando livre o lobo, pediu-lhe então a garça”, o termo “lhe” diz respeito:
Alternativas
Q4201635 Português
Considere a fábula a seguir para responder a próxima questão.

“Estava um lobo a comer carne quando se lhe atravessou um osso na garganta, que o sufocava. Estando nesta aflição, pediu à garça que lhe valesse e que, com o seu pescoço comprido, lhe tirasse o osso da garganta, e que seria recompensada. A garça assim fez, e tirou-lhe o osso. Estando livre o lobo, pediu-lhe então a garça uma parte do muito que antes lhe oferecera. Porém o lobo respondeu-lhe: – Ó ingrata! Não te agradeci já o bastante por te ter deixado meter a cabeça dentro da minha boca, onde facilmente poderia apertar os dentes e matar-te? Não me peças recompensa, pois tu é que me deves favor, e bem ingrata és em não reconheceres tão grande benefício! Calou-se a garça, e ficou muito arrependida do que fizera, dizendo: – Nunca mais por gente ruim meterei a cabeça e a vida em semelhante perigo”. (Fábulas de Esopo, com adaptações)
No trecho “que o sufocava”, que aparece logo no início da história, o termo “o” retoma no texto a expressão:
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Q4188307 Português
Frases feitas Certas frases, de tão repetidas, viraram uma fórmula pronta para expressar uma ideia. Estão tão assimiladas ao idioma que às vezes, sem querer, pronto: soltamos uma frase feita. Às vezes, elas querem dizer uma coisa bem diferente do que pensamos ao ouvi-las pela primeira vez. Mas até isso mostra a riqueza e a poesia dessas expressões. Alguns exemplos são: 1. “Dar uma colher de chá”, 2. “Conversa mole para boi dormir”, 3. “Dor de cotovelo”, 4. “Minhoca na cabeça”.


Fonte: AZEVEDO, Ricardo. Bazar do folclore: tradição popular. São Paulo: Ática, 2001. (com alterações)
Assinale a alternativa que apresenta o conteúdo retomado pelo pronome “isso”. 
Alternativas
Q4188306 Português
Frases feitas Certas frases, de tão repetidas, viraram uma fórmula pronta para expressar uma ideia. Estão tão assimiladas ao idioma que às vezes, sem querer, pronto: soltamos uma frase feita. Às vezes, elas querem dizer uma coisa bem diferente do que pensamos ao ouvi-las pela primeira vez. Mas até isso mostra a riqueza e a poesia dessas expressões. Alguns exemplos são: 1. “Dar uma colher de chá”, 2. “Conversa mole para boi dormir”, 3. “Dor de cotovelo”, 4. “Minhoca na cabeça”.


Fonte: AZEVEDO, Ricardo. Bazar do folclore: tradição popular. São Paulo: Ática, 2001. (com alterações)
Assinale a alternativa que apresenta análise INCORRETA.
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Q4178704 Português
Atriz de ‘Game of Thrones’ sofre ataque gordofóbico

Emilia Clarck, que interpretou Daereys Targaryen na série Game of Thrones, foi alvo de comentários preconceituosos do CEO da TV australiana Foxtel, Patrick Delany. Durante discurso no lançamento de A Casa do Dragão, em Sidney, Delany assim se referiu à atriz: “Que série é essa, com essa personagem baixinha e cheinha que anda sobre o fogo, pensei a primeira vez que assisti à Game of Thrones?”. Repercutiu muito mal, o que o fez se desculpar publicamente. Delany disse que “foi mal compreendido e não queria ofender ninguém”.

(Texto adaptado. Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/veja-gente/)
Os pronomes podem exercer várias funções em um enunciado. Assinale a função sintática do pronome destacado no trecho: “o que o fez se desculpar publicamente”:
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Q4170240 Português
Assinale a alternativa que apresenta o número correto de pronomes presentes no trecho a seguir: “E eles me disseram que eu poderia rezar para qualquer coisa, contanto que não fosse eu mesma”. 
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Q4168825 Português
Em relação à colocação pronominal, marcar C para as sentenças Certas, E para as Erradas e, após, assinalar a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
(_) Calar-me-ei diante da grosseria.
(_) Nunca o vi tão desapontado.
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Q4168335 Português
__________ o ato de abanar gera um vento mais fresco que a temperatura ambiente?


   O ar em si não muda de temperatura. O vento só acelera a troca de calor entre você e o ambiente. É por isso que, quando está ventando, a sensação térmica fica menor que a temperatura ambiente – o ar em si não está mais frio, ele só parece estar __________ estamos perdendo calor mais rápido.
    A temperatura de uma coisa é o grau de agitação microscópica das moléculas que a compõem. O calor, por sua vez, é a energia que uma coisa transfere para agitar as moléculas de outra coisa, aumentando sua temperatura.
     Nós perdemos calor para o ar ao nosso redor o tempo todo. O vento – seja uma brisa ao ar livre ou o abano de um leque – faz com que mais moléculas de ar entrem em contato com o nosso corpo a cada segundo, acelerando a doação de energia para o ambiente.
    Isso dá a falsa impressão de que o ar em movimento é mais fresco, quando, na verdade, ele está na mesma temperatura que o ar parado. Tipo uma ilusão de ótica – só que na pele. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) considera que a sensação térmica diminui 1°C cada vez que a velocidade do vento aumenta 7km/h.

Fonte: Abril - adaptado.
Em relação à colocação pronominal, assinalar a alternativa CORRETA: 
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Q4168079 Português
Vencedor do prêmio Educador Nota 10 leva música para a sala de aula


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(http:g1.globo.com/como-sera/noticia/2018/10) 
Em “... ampliar o mundo dos alunos do 8º e 9º ano, levando-os a conhecer outros territórios e culturas...” (linhas 7 e 8 ), o termo “os” retoma
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Q4164752 Português
Considerando o emprego dos recursos coesivos, analise as assertivas a seguir:
I. Na linha 14, o pronome “nos” tem como referente a psicóloga Ariane Senna, que inclui o leitor em suas considerações. II. O pronome demonstrativo contraído à preposição “em”, “neste” (l. 26), é empregado por tratar o “mundo” como algo sem proximidade física com o enunciador. III. Na linha 14, o pronome relativo “que” tem como referente a palavra “castrações”.
Quais estão corretas? 
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Q4164582 Português
Instrução: A questão refere - se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.


O papel do networking e sua importância na nossa trajetória profissional
Por Rachel Jordan

(Disponível em: https://claudia.abril.com.br/coluna/trabalho-carreira-rachel-jordan/o-papel-do-networking-e-
sua-importancia-na-nossa-trajetoria-profissional/ – texto adaptado especialmente para esta prova). 
Assinale a alternativa que indica o número correto de pronomes presentes no trecho a seguir: “Mas se você ainda não sabe exatamente o que é networking na prática e como podemos desenvolvê-lo de forma positiva a nosso favor”. 
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Q4141188 Português
Assinale a alternativa que apresenta a classificação correta para as palavras destacadas em cada trecho.
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Q4114707 Português
Leia o texto e responda o que se pede no comando da questão:


Abaixo o Etarismo.


    Há pouco dias, um quadro do "Porta dos Fundos" causou polêmica pela abordagem infeliz. Fábio Porchat mais duas colegas simulam uma reunião on-line mas a mãe dele - de quem só ouvimos a voz - atrapalha-os o tempo todo, ao que ele aconselha: "Vá mexer no celular, mamãe! Psiu! Agora estou trabalhando". Suas colegas então perguntam como ele pode deixar sua mãe sozinha ao celular com tantas fake news, golpes, dark web etc. Ele diz que ela tem 57 anos e, desconsiderando sua capacidade de discernimento, trata-a de modo infantilizado como uma idosa ignorante no mundo tecnológico.

    Fazendo um contraponto, depois de assistir ao episódio, a escritora Cris Guerra explica a Porchat, com muita elegância que, se ele tenta combater todo tipo de preconceito, que fique atento ao "etarismo" - preconceito contra idosos. E mostra sem nenhum tipo de arrogância, o quanto ele está por fora nessa questão. Eu não conhecia a Cris Guerra, mas em apenas um vídeo, ela ganhou uma fã.

    Creio que ele realmente não conhece uma mulher de 57 anos. A maioria está nas redes sociais e domina razoavelmente bem a tecnologia. Hoje as mulheres dessa idade - ou mais! -não se contentam apenas com o papel de avó. Tenho amiga dessa idade, lançando cursos de inglês com material preparado por ela. Várias entrando no mundo das bikes, pedalando 40, 50, 60 km nos finais de semana. Há também as atletas com ótimo preparo físico, que competem frequentemente e ganham medalhas em triátion. Muitas venceram doenças importantes e hoje deram um novo significado em sua vida.

    Depois de aposentadas, descobriram um talento e agora costuram, fazem artesanato, são motoristas de aplicativos e, assim, arrumam outra fonte de renda e de realização. Quantas estão em instituições filantrópicas ajudando a construir um lugar melhor para o próximo; algumas cantam nos hospitais para alegrarem a vida dos pacientes, outras visitam doentes e preparam lanche para os que viajam em busca de tratamento médico. Elas fazem compra pela internet, fazem live, ensinam, orientam.

    Ah, o Porchat não conhece as mulheres "idosas" de hoje. Deveria prestar mais atenção ao que estão fazendo e aprender com elas. Se tiver a sorte de chegar aos 57 anos, descobrirá que "envelhecer é para os fortes". Abaixo o etarismo!

(Almeida, Eliana Jacó. 28 de fevereiro de 2021)
A relação coesiva entre pronome e referido não ocorre em:
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Q4109250 Português
Considere o texto abaixo para responder à questão:


Bo.ni.ta de ros.to


1. Locução usada por pessoas bem-intencionadas que, por considerarem o corpo de uma mulher feio, sentem a urgente necessidade de consolá-la, oferecendo-lhe a revelação de que seu rosto é bonito, apesar do resto.

2. Eufemismo de “gorda”, usado por pessoas igualmente bem-intencionadas.


Fonte: JURASALINSKY, Marina. Adjetivo feminino: dicionário de experiências. Rio de Janeiro: Atelier Editora, 2021.
Assinale a alternativa integralmente correta, considerando o texto apresentado.
Alternativas
Q4108461 Português
Textos para questão

Os Laços de família

A mulher e a mãe acomodaram-se finalmente no táxi que as levaria à Estação. A mãe contava e recontava as duas malas tentando convencer-se de que ambas estavam no carro. A filha, com seus olhos escuros, a que um ligeiro estrabismo dava um contínuo brilho de zombaria e frieza assistia.

— Não esqueci de nada? Perguntava, pela terceira vez a mãe.

— Não, não, não esqueceu de nada, respondia a filha divertida, com paciência.

Ainda estava sob a impressão da cena meio cômica entre sua mãe e seu marido, na hora da despedida. Durante as duas semanas da visita da velha, os dois mal se haviam suportado; os bons-dias e as boastardes soavam a cada momento com uma delicadeza cautelosa que a fazia querer rir. Mas eis que na hora da despedida, antes de entrarem no táxi, a mãe se transformara em sogra exemplar e o marido se tornara o bom genro. “Perdoe alguma palavra maldita”, dissera a velha senhora, e Catarina, com alguma alegria, vira Antônio não saber o que fazer das malas nas mãos, a gaguejar – perturbado em ser o bom genro. “Se eu rio, eles pensam que estou louca”, pensara Catarina franzindo as sobrancelhas. “Quem casa um filho perde um filho, quem casa uma filha ganha mais um”, acrescentara a mãe, e Antônio aproveitara sua gripe para tossir. Catarina, de pé, observava com malícia o marido, cuja segurança se desvanecera para dar lugar a um homem moreno e miúdo, forçado a ser filho daquela mulherzinha grisalha…Foi então que a vontade de rir tornou-se mais forte. Felizmente nunca precisava rir de fato quando tinha vontade de rir: seus olhos tomavam uma expressão esperta e contida, tornavam-se mais estrábicos – e o riso saía pelos olhos. Sempre doía um pouco ser capaz de rir. Mas nada podia fazer contra: desde pequena rira pelos olhos, desde sempre fora estrábica.

— Continuo a dizer que o menino está magro, disse a mãe resistindo aos solavancos do carro. E apesar de Antônio não estar presente, ela usava o mesmo tom de desafio e acusação que empregava diante dele. Tanto que uma noite Antônio se agitara: não é por culpa minha, Severina! Ele chamava a sogra de Severina, pois antes do casamento projetava serem sogra e genro modernos. Logo à primeira visita da mãe ao casal, a palavra Severina tornara-se difícil na boca do marido, e agora, então, o fato de chamá-la pelo nome não impedira que… – Catarina olhava-os e 

— O menino sempre foi magro, mamãe, respondeulhe. O táxi avançava monótono.

— Magro e nervoso, acrescentou a senhora com decisão.

— Magro e nervoso, assentiu Catarina paciente. Era um menino nervoso, distraído. Durante a visita da avó tornara-se ainda mais distante, dormira mal, perturbado pelos carinhos excessivos e pelos beliscões de amor da velha. Antônio, que nunca se preocupara especialmente com a sensibilidade do filho, passara a dar indiretas à sogra, “a proteger uma criança” …

— Não esqueci de nada…, recomeçou a mãe, quando uma freada súbita do carro lançou-as uma contra a outra e fez despencarem as malas. — Ah! ah! – exclamou a mãe como a um desastre irremediável, ah! dizia balançando a cabeça em surpresa, de repente envelhecida e pobre. E Catarina?

Catarina olhava a mãe, e a mãe olhava a filha, e também a Catarina acontecera um desastre? seus olhos piscaram surpreendidos, ela ajeitava depressa as malas, a bolsa, procurando o mais rapidamente possível remediar a catástrofe. Porque de fato sucedera alguma coisa, seria inútil esconder: Catarina fora lançada contra Severina, numa intimidade de corpo há muito esquecida, vinda do tempo em que se tem pai e mãe. Apesar de que nunca se haviam realmente abraçado ou beijado. Do pai, sim. Catarina sempre fora mais amiga. Quando a mãe enchia-lhes os pratos obrigando-os a comer demais, os dois se olhavam piscando em cumplicidade e a mãe nem notava. Mas depois do choque no táxi e depois de se ajeitarem, não tinham o que falar – por que não chegavam logo à Estação?

— Não esqueci de nada, perguntou a mãe com voz resignada.

Catarina não queria mais fitá-la nem responder-lhe.

— Tome suas luvas! disse-lhe, recolhendo-as do chão.

— Ah! ah! minhas luvas! exclamava a mãe perplexa. Só se espiaram realmente quando as malas foram dispostas no trem, depois de trocados os beijos: a cabeça da mãe apareceu na janela.

Catarina viu então que sua mãe estava envelhecida e tinha os olhos brilhantes.

O trem não partia e ambas esperavam sem ter o que dizer. A mãe tirou o espelho da bolsa e examinou-se no seu chapéu novo, comprado no mesmo chapeleiro da filha. Olhava-se compondo um ar excessivamente severo onde não faltava alguma admiração por si mesma. A filha observava divertida. Ninguém mais pode te amar senão eu, pensou a mulher rindo pelos olhos; e o peso da responsabilidade deu-lhe à boca um gosto de sangue. Como se “mãe e filha” fosse vida e repugnância. Não, não se podia dizer que amava sua mãe. Sua mãe lhe doía, era isso. A velha guardara o espelho na bolsa, e fitava-a sorrindo. O rosto usado e ainda bem esperto parecia esforçar-se por dar aos outros alguma impressão, da qual o chapéu faria parte. A campainha da Estação tocou de súbito, houve um movimento geral de ansiedade, várias pessoas correram pensando que o trem já partia: mamãe! disse a mulher. Catarina! disse a velha. Ambas se olhavam espantadas, a mala na cabeça de um carregador interrompeu-lhes a visão e um rapaz correndo segurou de passagem o braço de Catarina, deslocando-lhe a gola do vestido. Quando puderam ver-se de novo, Catarina estava sob a iminência de lhe perguntar se não esquecera de nada…

— …não esqueci de nada? perguntou a mãe.

— Também a Catarina parecia que haviam esquecido de alguma coisa, e ambas se olhavam atônitas – porque se realmente haviam esquecido, agora era tarde demais. Uma mulher arrastava uma criança, a criança chorava, novamente a campainha da Estação soou… Mamãe, disse a mulher. Que coisa tinham esquecido de dizer uma a outra? e agora era tarde demais. Parecia-lhe que deveriam um dia ter dito assim: sou tua mãe, Catarina. E ela deveria ter respondido: e eu sou tua filha.

— Não vá pegar corrente de ar! gritou Catarina.

— Ora menina, sou lá criança, disse a mãe sem deixar porém de se preocupar com a própria aparência. A mão sardenta, um pouco trêmula, arranjava com delicadeza a aba do chapéu e Catarina teve subitamente vontade de lhe perguntar se fora feliz com seu pai:

— Dê lembranças a titia! gritou.

— Sim, sim!

— Mamãe, disse Catarina porque um longo apito se ouvira e no meio da fumaça as rodas já se moviam.

— Catarina! disse a velha de boca aberta e olhos espantados, e ao primeiro solavanco a filha viu-a levar as mãos ao chapéu: este caíra-lhe até o nariz, deixando aparecer apenas a nova dentadura. O trem já andava e Catarina acenava. O rosto da mãe desapareceu um instante e reapareceu já sem o chapéu, o coque dos cabelos desmanchado caindo em mechas brancas sobre os ombros como as de uma donzela – o rosto estava inclinado sem sorrir, talvez mesmo sem enxergar mais a filha distante. 

No meio da fumaça Catarina começou a caminhar de volta, as sobrancelhas franzidas, e nos olhos a malícia dos estrábicos. Sem a companhia da mãe, recuperara o modo firme de caminhar: sozinha era mais fácil. Alguns homens a olhavam, ela era doce, um pouco pesada de corpo. Caminhava serena, moderna nos trajes, os cabelos curtos pintados de acaju. E de tal modo haviam-se disposto as coisas que o amor doloroso lhe pareceu a felicidade – tudo estava tão vivo e tenro ao redor, a rua suja, os velhos bondes, cascas de laranja – a força fluia e refluia no seu coração com pesada riqueza. Estava muito bonita neste momento, tão elegante; integrada na sua época e na cidade onde nascera como se a tivesse escolhido. Nos olhos vesgos qualquer pessoa adivinharia o gosto que essa mulher tinha pelas coisas do mundo. Espiava as pessoas com insistência, procurando fixar naquelas figuras mutáveis seu prazer ainda úmido de lágrimas pela mãe. Desviouse dos carros, conseguiu aproximar-se do ônibus burlando a fila, espiando com ironia; nada impediria que essa pequena mulher que andava rolando os quadris subisse mais um degrau misterioso nos seus dias.

O elevador zumbia no calor da praia. Abriu a porta do apartamento enquanto se libertava do chapeuzinho com a outra mão; parecia disposta a usufruir da largueza do mundo inteiro, caminho aberto pela sua mãe que lhe ardia no peito. Antônio mal levantou os olhos do livro. A tarde de sábado sempre fora “sua”, e, logo depois da partida de Severina, ele a retomava com prazer, junto à escrivaninha.

— “Ela” foi?

— Foi sim, respondeu Catarina empurrando a porta do quarto de seu filho. Ah, sim, lá estava o menino, pensou com alívio súbito. Seu filho. Magro e nervoso. Desde que se pusera de pé caminhara firme; mas quase aos quatro anos falava como se desconhecesse verbos: constatava as coisas com frieza, não as ligando entre si. Lá estava ele mexendo na toalha molhada, exato e distante. A mulher sentia um calor bom e gostaria de prender o menino para sempre a este momento; puxou-lhe a toalha das mãos em censura: este menino! Mas o menino olhava indiferente para o ar, comunicando-se consigo mesmo. Estava sempre distraído. Ninguém conseguira ainda chamar-lhe verdadeiramente a atenção. A mãe sacudia a toalha no ar e impedia com sua forma a visão do quarto: mamãe, disse o menino. Catarina voltou-se rápida. Era a primeira vez que ele dizia “mamãe” nesse tom e sem pedir nada. Fora mais que uma constatação: mamãe! A mulher continuou a sacudir a toalha com violência e perguntou-se a quem poderia contar o que sucedera, mas não encontrou ninguém que entendesse o que ela não pudesse explicar. Desamarrotou a toalha com vigor antes de pendurá-la para secar. Talvez pudesse contar, se mudasse a forma. Contaria que o filho dissera: mamãe, quem é Deus. Não, talvez: mamãe, menino quer Deus. Talvez. Só em símbolos a verdade caberia, só em símbolos é que a receberiam. Com os olhos sorrindo de sua mentira necessária, e sobretudo da própria tolice, fugindo de Severina, a mulher inesperadamente riu de fato para o menino, não só com os olhos: o corpo todo riu quebrado, quebrado um invólucro, e uma aspereza aparecendo como uma rouquidão. Feia, disse então o menino examinando-a.

— Vamos passear! respondeu corando e pegando-o pela mão.

Passou pela sala, sem parar avisou ao marido: vamos sair! e bateu a porta do apartamento.

Antônio mal teve tempo de levantar os olhos do livro – e com surpresa espiava a sala já vazia. Catarina! chamou, mas já se ouvia o ruído do elevador descendo. Aonde foram? perguntou-se inquieto, tossindo e assoando o nariz. Porque sábado era seu, mas ele queria que sua mulher e seu filho estivessem em casa enquanto ele tomava o seu sábado. Catarina! chamou aborrecido embora soubesse que ela não poderia mais ouvi-lo. Levantou-se, foi à janela e um segundo depois enxergou sua mulher e seu filho na calçada.

Os dois haviam parado, a mulher talvez decidindo o caminho a tomar. E de súbito pondo-se em marcha.

Por que andava ela tão forte, segurando a mão da criança? pela janela via sua mulher prendendo com força a mão da criança e caminhando depressa, com os olhos fixos adiante; e, mesmo sem ver, o homem adivinhava sua boca endurecida. A criança, não se sabia por que obscura compreensão, também olhava fixo para a frente, surpreendida e ingênua. Vistas de cima as duas figuras perdiam a perspectiva familiar, pareciam achatadas ao solo e mais escuras à luz do mar. Os cabelos da criança voavam…

O marido repetiu-se a pergunta que, mesmo sob a sua inocência de frase cotidiana, inquietou-o: aonde vão? Via preocupado que sua mulher guiava a criança e temia que neste momento em que ambos estavam fora de seu alcance ela transmitisse a seu filho… mas o quê? “Catarina”, pensou, “Catarina, esta criança ainda é inocente!” Em que momento é que a mãe, apertando uma criança, dava-lhe esta prisão de amor que se abateria para sempre sobre o futuro homem. Mais tarde seu filho, já homem, sozinho, estaria de pé diante desta mesma janela, batendo dedos nesta vidraça; preso. Obrigado a responder a um morto. Quem saberia jamais em que momento a mãe transferia ao filho a herança. E com que sombrio prazer. Agora mãe e filho compreendendo-se dentro do mistério partilhado. Depois ninguém saberia de que negras raízes se alimenta a liberdade de um homem. “Catarina”, pensou com cólera, “a criança é inocente!” Tinham porém desaparecido pela praia. O mistério partilhado.

“Mas e eu? e eu?” perguntou assustado. Os dois tinham ido embora sozinhos. E ele ficara. “Com o seu sábado.” E sua gripe. No apartamento arrumado, onde “tudo corria bem”. Quem sabe se sua mulher estava fugindo com o filho da sala de luz bem regulada, dos móveis bem escolhidos, das cortinas e dos quadros? fora isso o que ele lhe dera. Apartamento de um engenheiro. E sabia que se a mulher aproveitava da situação de um marido moço e cheio de futuro – deprezava-a também, com aqueles olhos sonsos, fugindo com seu filho nervoso e magro. O homem inquietou-se. Porque não poderia continuar a lhe dar senão: mais sucesso. E porque sabia que ela o ajudaria a consegui-lo e odiaria o que conseguissem. Assim era aquela calma mulher de trinta e dois anos que nunca falava propriamente, como se tivesse vivido sempre. As relações entre ambos eram tão tranquilas. Às vezes ele procurava humilhá-la, entrava no quarto enquanto ela mudava de roupa porque sabia que ela detestava ser vista nua. Por que precisava humilhá-la? no entanto ele bem sabia que ela só seria de um homem enquanto fosse orgulhosa. Mas tinha se habituado a torna-la feminina deste modo: humilhava-a com ternura, e já agora ela sorria – sem rancor? Talvez de tudo isso tivessem nascido suas relações pacíficas, e aquelas conversas em voz tranquila que faziam a atmosfera do lar para a criança. Ou esta se irritava às vezes? Às vezes o menino se irritava, batia os pés, gritava sob pesadelos. De onde nascera esta criaturinha vibrante, senão do que sua mulher e ele haviam cortado da vida diária. Viviam tão tranquilos que, se se aproximava um momento de alegria, eles se olhavam rapidamente, quase irônicos, e os olhos de ambos diziam: não vamos gastá-lo, não vamos ridiculamente usá-lo. Como se tivessem vívido desde sempre.

Mas ele a olhara da janela, vira-a andar depressa de mãos dadas com o filho, e dissera-se: ela está tomando o momento de alegria – sozinha. Sentira-se frustrado porque há muito não poderia viver senão com ela. E ela conseguia tomar seus momentos – sozinha. Por exemplo, que fizera sua mulher entre o trem e o apartamento? não que a suspeitasse mas inquietava-se.

A última luz da tarde estava pesada e abatia-se com gravidade sobre os objetos. As areias estalavam secas. O dia inteiro estivera sob essa ameaça de irradiação. Que nesse momento, sem rebentar, embora, se ensurdecia cada vez mais e zumbia no elevador ininterrupto do edifício. Quando Catarina voltasse eles jantariam afastando as mariposas. O menino gritaria no primeiro sono, Catarina interromperia um momento o jantar… e o elevador não pararia por um instante sequer?! Não, o elevador não pararia um instante.

— “Depois do jantar iremos ao cinema”, resolveu o homem. Porque depois do cinema seria enfim noite, e este dia se quebraria com as ondas nos rochedos do Arpoador.

Clarice Lispector Extraído do livro Laços de Família, Editora Rocco – Rio de Janeiro, 1998.
Analise as proposições abaixo:
I- No período “ Felizmente nunca precisava rir de fato quando tinha vontade de rir” o sujeito é desinencial e há uma oração subordinada adverbial temporal.
II- No período “ A última luz da tarde estava pesada e abatia-se com gravidade sobre os objetos” a oração destacada é coordenada sindética adversativa
III- No fragmento “Mas ele a olhara da janela, vira-a andar depressa de mãos dadas com o filho”, o conectivo “Mas” é adversativo, a forma verbal “olhara” está conjugada no pretérito mais -que- perfeito do modo indicativo, na oração “ vira-a andar depressa de mãos dadas com o filho”, há um predicado verbal, e o pronome oblíquo átono, que complementa o sentido do verbo virar, classifica-se sintaticamente como objeto direto.
Está ou estão correta(s):
Alternativas
Respostas
601: E
602: A
603: A
604: D
605: B
606: B
607: A
608: C
609: A
610: D
611: D
612: A
613: A
614: D
615: D
616: B
617: C
618: C
619: B
620: A