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Questões de Concurso Comentadas sobre preposições em português

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Q970590 Português

     "O certo a ser feito": as marcas do utilitarismo no nosso dia-a-dia

                               Por Carlos Henrique Cardoso


      Ultimamente tenho analisado e refletido sobre a situação política do país e sua judicialização. E enxergo muito dos princípios do utilitarismo instaurados nos desejos de boa parte dos cidadãos. Enxergo o que? Como assim?

      O utilitarismo é uma teoria social desenvolvida pelo jurista, economista, e filósofo Jeremy Bentham, lá pelos fins do século XVIII e início do XIX. Essa teoria também foi objeto de estudo do filósofo John Stuart Mill. Tem como princípio a busca do prazer e da felicidade, mas também satisfazer os indivíduos na coletividade, almejando benefícios, onde as leis seriam socialmente úteis e as escolhas mais corretas. Alguns testes e dinâmicas de grupo também utilizam conceitos de base utilitarista, pautadas nas melhores escolhas para cada situação posta com a finalidade de encontrarmos um bem comum a todos.

      Um exemplo. No único hospital de uma pequena cidade, há apenas uma máquina de hemodiálise e quatro doentes renais. As características sociais, econômicas, profissionais, familiares, e pessoais de cada um são apresentadas e faz-se a pergunta: qual deles merece ser salvo para que possa utilizar o equipamento? Após um pequeno debate, chega-se à conclusão e as razões para que aquele felizardo seja o escolhido. Ou seja, o intuito é tomar decisões para obter o melhor resultado para todos.

      O utilitarismo pode ser transposto para o nosso cotidiano e sua doutrina ética pode estar incrustada em vários fatos e decisões. Sua aplicação pode ser considerável diante de fatores que venham a ocorrer e se tornar aceitável para diversos setores sociais.

      Digamos que comecem a aparecer pessoas feridas por rajadas de metralhadora nas ruas de um município e que muitos testemunharam um homem portando essa arma por aí. As autoridades partem a sua busca, mas não o encontram em lugar nenhum. E novas pessoas são baleadas. Com o rumo das investigações, familiares do suspeito são localizados. Como não informam seu paradeiro, os policiais passam a torturar seus pais, irmãos, e outros parentes a fim de obterem respostas ou pistas para sua descoberta. Dias depois, o “louco da metralhadora” é encontrado. A tortura é proibida por lei, mas sua utilização foi justificada pelo bem-estar público, ou seja, “o certo a ser feito”. Um cálculo que foi interpretado como moralmente aceitável por muitos que consideram aquela postura adequada para que mais ninguém fosse alvejado. Mesmo que jamais fosse preciso tomar tal atitude para um crime ser desvendado. Um princípio utilitarista.

      E assim observo muitas atitudes manifestadas por seguimentos de nossa população. Na véspera da decisão do Supremo Tribunal Federal em conceder ou não o Habeas Corpus para o ex-presidente Lula, grupos pediam que o STF não concedesse o HC porque Lula “tinha que ser preso”, pois já havia sido condenado. Apesar do HC ser um quesito legal, o desejo de prisão parecia ser maior que a virtude da lei. O que imperava era a vontade popular, o desejo de ver alguém que aprenderam a detestar, encarcerado. Importava menos o previsto em lei e mais “a voz das ruas”.

      Declarações de ministros e ex-ministros do STF engrossaram os manifestos. “Temos que ouvir a voz das ruas”, “o sentimento social”, e “o clamor popular” foram termos utilizados pelos ocupantes da Suprema Corte. Apesar das decisões judiciais não serem pautadas, obviamente, pelas vontades do povo profissionais que interpretam as leis não podem estimular aproximações demasiadas entre “as ruas” e os juízes, como termômetro a medir algum “choque térmico” entre a conclusão dos processos e os anseios sociais amparados pelas paixões e ódios. Uma linha tênue entre a lei e “o certo a ser feito”. Reflexões realizadas no calor dos acontecimentos podem influenciar atos finais moralmente justificáveis. Um receio calcado em posturas utilitaristas.

      Essas condutas são visíveis quando qualificam defensores dos Direitos Humanos – que seguem resoluções ratificadas por órgãos internacionais – como “defensores de bandidos”. Isso porque “o pessoal” dos Direitos Humanos defendem medidas previstas em leis e na Constituição Federal. Curioso que muitos dos críticos se referem aos Direitos Humanos como se fosse uma ONG, uma entidade representativa, com CNPJ, sede, funcionários (“o pessoal”) que se reúnem frequentemente em torno de uma grande mesa e passam a discutir políticas de apoio a assassinos, estupradores, e ladrões – uma espécie de “Greenpeace” voltado para meliantes. Com isso, proporcionam reflexões equivocadas sobre como devem ser tratados detentos, como a justiça deve agir com acusados de crime hediondo, ou como nossos policiais devem ser protegidos em autos de resistência ou intervenções repressoras. Tudo para alcançar o bem-estar social e “o certo a ser feito”. E a lei? Que se lasque!! Atos para que o “cidadão de bem” fique protegido das mazelas sociais e que se cumpra a vontade popular acima de qualquer artigo, parágrafo, inciso, ou decreto. Enquanto não se reestrutura o nosso defasado Código Penal, podemos bradar juntos as delicias de um Estado Utilitarista.

https://www.soteroprosa.com/inicio/author/Carlos-Henrique-Cardoso. Acessado em 28/01/2019 (Com adaptação)

Com base nos aspectos gramaticais e estilísticos presentes no período “Curioso que muitos dos críticos se referem aos Direitos Humanos como se fosse uma ONG, uma entidade representativa, com CNPJ, sede, funcionários (“o pessoal”) que se reúnem frequentemente em torno de uma grande mesa e passam a discutir políticas de apoio a assassinos, estupradores, e ladrões – uma espécie de “Greenpeace” voltado para meliantes”, julgue os itens abaixo:


I. A flexão das formas verbais "reúnem" e "passam" no plural, usadas como recursos de estilo, classificam-se como silepse de número. 

II. A forma verbal "reúnem", mesmo depois do novo acordo ortográfico, continua recebendo acento agudo de acordo com a regra dos hiatos.

III. Em "(...) políticas de apoio a assassinos, estupradores, e ladrões (...)", o termo grifado, morfologicamente, classifica-se como preposição.


Está correto o que se afirma no (nos) item (itens):

Alternativas
Q969230 Português

      Mais da metade dos seres humanos hoje vivem em cidades, e esse número deve aumentar para 70% até 2050. Em termos econômicos, os resultados da urbanização foram notáveis. As cidades representam 80% do Produto Interno Bruto (PIB) global. Nos Estados Unidos, o corredor Boston-Nova York-Washington gera mais de 30% do PIB do país.

      Mas o sucesso tem sempre um custo - e as cidades não são exceção, segundo análise do Fórum Econômico Mundial. Padrões insustentáveis de consumo, degradação ambiental e desigualdade persistente são alguns dos problemas das cidades modernas. Recentemente, entraram na equação as consequências da transformação digital. Há quem fale sobre uma futura desurbanização. Mas os especialistas consultados pelo Fórum descartam essa possibilidade. Preferem discorrer sobre como as cidades vão se adaptar à era da digitalização e como vão moldar a economia mundial.

      A digitalização promete melhorar a vida das pessoas nas cidades. Em cidades inteligentes como Tallinn, na Estônia, os cidadãos podem votar nas eleições nacionais e envolver-se com o governo local via plataformas digitais, que permitem a assinatura de contratos e o pagamento de impostos, por exemplo. Programas similares em Cingapura e Amsterdã tentam criar uma espécie de “governo 4.0”.

      Além disso, a tecnologia vai permitir uma melhora na governança. Plataformas digitais possibilitam acesso, abertura e transparência às operações de governos locais e provavelmente irão mudar a forma como os governos interagem com as pessoas.

(Adaptado de:“5 previsões para a cidade do futuro, segundo o Fórum Econômico Mundial”. Disponível em: https://epocanegocios.globo.com)

Considerando a função que exercem no contexto, pode-se afirmar que pertencem à mesma classe de palavras ambos os vocábulos sublinhados em:
Alternativas
Q969100 Português

Analise a frase a seguir: “Recuso, com o mesmo sorriso...”


Pergunta-se: a alternativa em que a preposição destacada tem o mesmo sentido que possui na frase acima é:

Alternativas
Q968785 Português

Imagem associada para resolução da questão

Em relação à classe e ao emprego de palavras no texto, na oração “A abordagem social constitui-se em um processo de trabalho planejado de aproximação” (linhas 1 e 2), os vocábulos sublinhados classificam-se, respectivamente, em

Alternativas
Ano: 2019 Banca: VUNESP Órgão: TJ-SP Prova: VUNESP - 2019 - TJ-SP - Enfermeiro Judiciário |
Q967733 Português

        Um estudo realizado por pesquisadores do Porto concluiu que a intervenção de enfermeiros especialistas em saúde mental, aliada _____ medicação, é significativamente mais eficaz _____ reduzir os níveis de ansiedade quando comparada com o tratamento apenas com medicamentos.

        A pesquisa, _____ que o jornal teve acesso, foi realizada por um grupo de pesquisadores do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde e da Escola Superior de Enfermagem do Porto e publicada no Journal of Advanced Nursing.

        Os resultados indicam um “efeito positivo da intervenção psicoterapêutica da enfermagem”, realizada por um enfermeiro especialista em saúde mental, registrando-se uma clara diminuição dos níveis de ansiedade e um aumento do autocontrole da ansiedade no final das cinco sessões (45 a 60 minutos/semana) realizadas em cinco semanas consecutivas.

(Expresso. https://expresso.sapo.pt. Adaptado)

De acordo com a norma-padrão, as lacunas do texto devem ser preenchidas, correta e respectivamente, com:
Alternativas
Q967473 Português

Muitas das vezes, os investidores vão à procura de opiniões que corroborem _____sua, quando o que deviam era procurar, sobretudo, opiniões contrárias. Quando encontram opiniões que divergem _____sua, os investidores tendem a descredibilizá-las ou a lê-las na diagonal, processo exatamente oposto ___ que ocorre quando descobrem opiniões coincidentes____ deles, que leem com muita atenção, veneração, quase que procurando um reforço positivo que lhes dê o empurrão que faltava para validar a sua posição.

                                                         (www.jornaldenegocios.pt. Adaptado)


Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas do enunciado devem ser preenchidas, respectivamente, com:

Alternativas
Q966569 Português
A classe gramatical do termo grifado está corretamente indicada em
Alternativas
Q965248 Português
A classe das preposições pode assumir diversos valores semânticos, contribuindo para a compreensão do texto. No trecho “Até o dia 29 de agosto”, o uso da preposição expressa:
Alternativas
Q964771 Português
Em relação às classes gramaticais de palavras extraídas do texto de referência, é INCORRETO afirmar que:
Alternativas
Q964718 Português
Marque a alternativa em que a palavra negritada e sublinhada possui a mesma classificação morfológica que a palavra negritada e sublinhada no título do texto de referência “‘Ifes é projeto de vida de muitos estudantes no Espírito Santo’, afirma Ministro da Educação”:
Alternativas
Q963852 Português
Considerando as relações responsáveis pela construção do sentido do texto, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q2728517 Português

Texto 1


DOMÍCIO DA GAMA


Domício da Gama (Domício Afonso Forneiro,

adotou do padrinho o Gama), jornalista, diplomata,

contista e cronista, nasceu em Maricá, RJ, em 23 de

outubro de 1862 e faleceu no Rio de Janeiro, RJ,

5 em 8 de novembro de 1925. Foi um dos dez

acadêmicos eleitos na sessão de 28 de janeiro de 1897,

para completar o quadro de fundadores da Academia.

Escolheu Raul Pompeia como patrono, ocupando a

cadeira no 33. Foi recebido na sessão de 1º de julho de

10 1900, por Lúcio de Mendonça.

Fez estudos preparatórios no Rio de Janeiro e

ingressou na Escola Politécnica, mas não chegou a

terminar o curso. Seguiu para o estrangeiro em missões

diplomáticas. A sua primeira missão foi a de secretário

15 do Serviço de Imigração, e o contato, nessa época, com

o Barão do Rio Branco, valeu-lhe ser nomeado

secretário da missão Rio Branco para a questão de

limites Brasil-Argentina (1893-1895), com a Guiana

Francesa (1895-1900) e com a Guiana Inglesa

20 (1900-1901). Foi secretário de Legação na Santa Sé,

em 1900, e ministro em Lima, em 1906. Embaixador em

missão especial, em 1910, representou o Brasil no

centenário da independência da Argentina e nas festas

centenárias do Chile. Embaixador do Brasil em

25 Washington, de 1911 a 1918, foi o digno sucessor de

Joaquim Nabuco, por escolha do próprio Barão do Rio

Branco. Ao celebrar-se a paz europeia de Versalhes,

Domício, como ministro das Relações Exteriores,

pretendeu representar o Brasil naquela conferência,

30 propósito que suscitou divergências na imprensa

brasileira. Convidado para a mesma embaixada, Rui

Barbosa recusou, e o chefe da representação brasileira

foi, afinal, Epitácio Pessoa, eleito pouco depois, em

seguida à morte de Rodrigues Alves, presidente da

35 República. Domício foi substituído na Chancelaria por

Azevedo Marques, seguindo como embaixador em

Londres, em 1920-21. Foi posto em disponibilidade

durante a Presidência Bernardes.

Em 1919 foi Presidente da Academia Brasileira

40 de Letras, em substituição a Rui Barbosa.

Domício da Gama era colaborador da Gazeta de

Notícias ao tempo de Ferreira de Araújo e, ainda no

início da carreira, escreveu contos, crônicas e críticas

literárias.


Texto editado. Disponível em: http://www.academia.org.br/academicos/ domicio-da-gama/biografia. Acesso em: 10 jul.2018.

Considerando os fragmentos “Foi um dos dez acadêmicos eleitos na sessão de 28 de janeiro de 1897, para completar o quadro de fundadores da Academia” (linhas 5-7) e “Seguiu para o estrangeiro em missões diplomáticas” (linhas 13-14), pode-se afirmar que, em cada ocorrência, a preposição “para” significa, respectivamente:

Alternativas
Q2722262 Português

As palavras: ciente, misericordioso, ansioso, suspeito e paralelamente regem, respectivamente, as preposições:

Alternativas
Q2062696 Português

Infolatria tecnofágica: a era do smartphone


A cibercultura e as realidades virtuais estão transformando radicalmente a nossa experiência psicossocial coletiva: a forma como vivemos, nos comportamos, nos sentimos, nos compreendemos e a própria realidade ao nosso redor.


Toda essa cultura cibernético-informacional é, de fato, incrivelmente cômoda, útil, funcional, sedutora, mas, ainda assim, afirmamos que mais informação circulando nas redes e mídias não significa de modo algum mais conhecimento assimilado, educação, cidadania; e que muito menos a tecnologia, por si, seja sinal seguro de mais esclarecimento, humanidade, erudição e desenvolvimento cultural. O que vale dizer que mais disponibilidade – de dados, conteúdos, twitters, posts, zaps e congêneres – não determina, por si só, qualquer tipo de evolução cognitiva e intelectual.


Outro mito muito propalado aos quatro ventos é o de que a tecnologia seria essencial e necessariamente benéfica às coletividades humanas. O que é – diga-se – uma balela. Pois nós – que pesquisamos a referida matéria há quase uma década – chegamos à dura conclusão de que as tecnologias sempre acabam servindo primeiro aos poderes hegemônicos já dominantes e, tardiamente, à sociedade de uma maneira mais ampla. Sim, pois os investidores que apostam nesses projetos só o fazem com vistas – é óbvio – ao retorno financeiro que eles possam proporcionar, e não num altruísmo improvável que não tem lugar no mundo materialista e venal que aí está. Mesmo porque vivemos numa realidade mercantilista, cuja lógica comercial rege grande parte das relações sociais humanas e assim molda a realidade factual, consuma o presente e vai plasmando também o próprio futuro. 


Ipso facto, podemos afirmar que a cibercultura e o ciberespaço seguem as mesmas leis, operam no mesmo meio societal, sob o mesmo regime econômico, e, por isso mesmo, estão sujeitos às mesmas dinâmicas. E essa fixação – que hoje se observa em relação, por exemplo, aos smartphones, seu culto e massiva utilização – reflete exatamente essa exploração das massas por meio das tecnologias e da própria cultura que se cria em torno delas. Em pouquíssimas palavras, a pessoa paga uma verdadeira fortuna para comprar o aparelho, e ainda adquire um custo fixo considerável para o fornecimento de um serviço – frise-se – que é executado, em sua maioria, por máquinas e sequências algorítmicas. Sim, pois mais uma linha telefônica conectada à rede de qualquer operadora significa, na prática, apenas um comando de computador.


QUARESMA, Alexandre.


<http://sociologiacienciaevida.com.br/infolatria-tecnofagica-era-do-smartphone/> Acesso em 27/março/2018. [Adaptado]

Assinale a alternativa correta, com base no texto.
Alternativas
Q2060998 Português
As câmeras ficaram inteligentes – e um pouco assustadoras


    Algo estranho, assustador e sublime está acontecendo com as câmeras e vai complicar tudo o que você sabia sobre imagens. Elas estão ficando inteligentes.
   Até poucos anos atrás, praticamente todas as câmeras – as dos celulares, as automáticas ou as de vigilância em circuitos fechados de televisão – eram como olhos desconectados de um cérebro. Elas capturavam tudo o que você colocava na frente delas, mas não entendiam nada do que estavam vendo.
    Mas tudo isso está mudando. Há uma nova geração de câmeras que entendem o que veem. Elas são olhos conectados a cérebros, máquinas que não só registram o que está na frente delas, mas que podem agir sobre o tema.
    Primeiro, essas câmeras nos permitirão tirar fotos melhores e capturar momentos que talvez antes não fossem possíveis com todas as câmeras burras que existiram até agora. Essa é a propaganda que o Google está fazendo da Clips, sua nova câmera. Ela usa o chamado aprendizado de máquina para descobrir como tirar automaticamente instantâneos de pessoas, animais e outras coisas que achar interessantes.
    Uma empresa chamada Lighthouse AI quer fazer algo parecido para sua casa, usando uma câmera de segurança que soma uma camada de inteligência visual à imagem que vê. Quando você coloca a câmera na entrada de casa, ela analisa constantemente a cena, alertando se seus filhos não chegaram em casa até um determinado horário depois da escola.
     Não leva muito tempo para imaginar as possibilidades úteis e muito assustadoras de câmeras que podem decifrar o mundo. Elas vão deixar que você analise imagens com precisão profissional, aumentando o espectro de um novo tipo de vigilância – não apenas pelo governo, mas por todos a sua volta, mesmo aqueles que você ama.

(Farhad Manjoo. Exame. 22.03.2018. https://exame.abril.com.br. Adaptado)
Ela usa o chamado aprendizado de máquina para descobrir como tirar automaticamente instantâneos de pessoas, animais e outras coisas que achar interessantes. Nessa frase, o vocábulo destacado estabelece relação de
Alternativas
Q2051064 Português
TEXTO 1

'É COMO USAR DROGAS': POR QUE AS PESSOAS ACREDITAM E COMPARTILHAM FAKE NEWS?
Felipe Souza
BBC News Brasil em São Paulo, 26 outubro 2018


      Desde as eleições que elegeram o presidente americano Donald Trump em 2016, a expressão fake news se espalhou mundialmente. Com a popularização dos computadores e smartphones, boa parte da população brasileira tem acesso a redes sociais, como Facebook e WhatsApp, diariamente e se tornou alvo de uma avalanche de notícias falsas disparadas a todo momento.

       Mas além de receber e acreditar em memes, fotos, vídeos e textos falsos, parte da população também compartilha esses arquivos com amigos, familiares e até mesmo em grupos de pessoas desconhecidas. Afinal, por que tanta gente acredita em fake news?

    Em entrevista à BBC News Brasil, o psiquiatra e diretor da Associação Brasileira de Psiquiatria, Claudio Martins, afirmou que as pessoas que compartilham notícias falsas experimentam uma sensação de bem-estar semelhante à de usar drogas.

   "Quando a pessoa recebe uma notícia que a agrada, são estimulados os mecanismos de recompensa imediata do cérebro e dão uma sensação de prazer instantâneo, assim como as drogas. Ocorre uma descarga emocional e gera uma satisfação imediata. Isso impulsiona a pessoa a transmitir compulsivamente a mesma informação para que seu círculo de amizades sinta o mesmo. Por isso, há os encaminhadores compulsivos", explica o psiquiatra.

    Segundo Claudio Martins, essa sensação de euforia causada pelas notícias falsas impede o desenvolvimento de um senso crítico em quem as recebe. É a "infantilização emocional", que faz com que poucas pessoas se preocupem em checar a origem ou a veracidade da informação.

   O psiquiatra explica ainda que esse movimento causa uma angústia que leva a pessoa a imaginar que é portadora de uma novidade que deve ser contada com extrema urgência. O sentimento, explica ele, é o mesmo quando alguém ouve uma fofoca.
    "Ela, então, transmite informações não checadas, capazes de gerar uma curiosidade ampliada em outras pessoas, além de um alto nível de identificação e propagação de conteúdo. O campo da política é muito propício para esse fenômeno. Uma certeza é que as fake news são um fenômeno novo que atrai pessoas com transtornos de personalidade sérios. Ele é muito simplório e vai ser cada vez mais estudado", afirmou.

Futebol, religião e política

        Em uma analogia com futebol e religião, o psiquiatra explica que a política é um assunto tratado como uma crença por parte da população.

     "O ser humano tem essa tendência a buscar essas crenças, mágicas. Quando ele recebe correntes de pensamento político, incorpora aquilo como uma verdade absoluta, amplia e divulga para reforçar sua satisfação. Ele usa o mecanismo para compartilhar sem pensar. Muitas vezes, acaba repassando até para grupos que nem tratam do assunto", afirma.

     Assim como no futebol, o psiquiatra explica que a política funciona no cérebro de parte da população como um sistema de projeção em que o indivíduo se sente como se fosse o próprio candidato. "Se o meu time marca um gol ou ganha um título é como se o gol fosse meu e o título também. É inclusive assim que comento com os amigos", compara o psiquiatra.

    Claudio Martins diz que o problema dessa crença é que as pessoas que recebem informações sobre política não querem saber se são verdadeiras. "Ela age com impulsividade. Não pesquisa, não quer saber quem mandou. Só pensa em dar impacto àquela informação que ela recebeu, como se fosse algo exclusivo, e numa impulsão, ela repassa aquilo como se fosse algo que vai alterar a realidade do mundo." 

     "Crença é algo muito difícil de combater, principalmente nos espaços mais radicais. A crença religiosa é tão forte quanto a política, gera uma cegueira. A religiosa não tem evidências científicas, mas para quem crê isso não interessa porque ela não busca evidências que possam comprovar um sentido. A pessoa apenas incorpora aquilo como uma necessidade de ter a idealização de alguém ou grupo político que possa suprir suas carências porque o ser humano é muito carente. Quando a pessoa está necessitada, ela deseja ter um super protetor", afirmou.
         O codiretor do Instituto Tecnologia e Equidade, Thiago Rondon, diz que os produtores de notícias falsas sabem disso e têm dois objetivos como estratégia ao criar suas correntes: gerar medo e emergência. Segundo ele, essa situação de alarde é vital para que as pessoas repassem a informação.
       "É necessário tomar medidas estruturais para evitar que essa situação se agrave. Uma delas é que nosso sistema educacional discuta esse tipo de assunto nas escolas. É necessário fortalecer as pessoas com consciência e educação desde cedo. A gente precisa se organizar para se adequar a esse mundo digital. A solução não é bloquear o uso de aplicativos de troca de mensagens, pois esses lugares são excelentes para troca de ideias e debates. Ações assim são um erro em relação a liberdades", afirmou.

        Ele afirma também que deve haver mecanismos mais eficientes para combater notícias falsas. Um deles é dar ferramentas para que a população as identifique por conta própria.

        "É necessário mudar a forma de se comunicar, não apenas negando e desmentindo informações porque elas dificilmente vão ter o mesmo alcance da fake news. Por exemplo, no primeiro turno deste ano um boletim de urna (compartilhado no WhatsApp) mostrava um dos candidatos com mais de 9 mil votos registrados. O TSE poderia divulgar como o eleitor pode ter acesso a esses documentos, usar o aplicativo oficial e confirmar se aquela informação é real", afirmou Rondon.

Analfabetismo digital e bolhas ideológicas

      O diretor da Associação Brasileira de Psiquiatria diz que a crença em fake news é um fenômeno sociocultural que envolve diversos fatores de alta complexidade. Entre os mais relevantes, ele cita o analfabetismo digital da população brasileira, já que a popularização da internet e a chegada do WhatsApp são recursos novos para boa parte dos cidadãos.

      "Isso demonstra claramente uma falha na educação digital que precisa ser corrigida com urgência. Prova que há uma ausência de educação digital no Brasil", afirmou.

         Os especialistas ouvidos pela reportagem apontam ainda que a formação de bolhas ideológicas nas redes também facilita a propagação de notícias falsas. O psiquiatra faz uma nova analogia com times de futebol para explicar o fenômeno.

        "As pessoas procuram estar perto dos pertencentes aos grupos que se identificam. Isso é natural. Se o cara é palmeirense, ele vai tentar andar com o grupo dos palmeirenses. Isso não tem nenhum problema. O problema é quando a gente perde a capacidade de senso crítico, fica cego, e perde a habilidade de saber se os palmeirenses estão mentindo", afirmou.

[...]

Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-45767478 Acesso: 26 out. 2018 (Adaptado).
A classificação morfológica do vocábulo “a” em “boa parte da população brasileira tem acesso a redes sociais” SÓ NÃO se repete em: 
Alternativas
Q2049635 Português
A palavra CONTROLE que aparece no trecho: ”sem nenhum controle normativo” é classificada, segundo as classes de palavras, como:
Alternativas
Q2048871 Português
No princípio era a fome

   Nosso falar mole e descansado vem conservando, perante a comida, um respeitoso vínculo, profundo e quase umbilical.
   Vítima da miséria secular, a gente brasileira encontrou nas metáforas ligadas à alimentação uma forma genuína de expressar-se, de representar e recriar o mundo.
    Em um país de tanta abundância e tão pouca oportunidade para tantos, sabe-se que apenas alguns estão destinados a ficar por cima da carne seca e tirar a barriga da miséria. Nem nos causa estranheza que nossos ministros sejam fritados ou a liberação de recursos para a saúde e a educação seja eternamente cozinhada em fogo brando e mantida em banho-maria. Aliás, quem é que não sabe que tudo acaba em pizza?
     No Brasil, fast-food e alopatia convivem na boa com a mamadeira, a canjica, os chás de erva-cidreira e erva-doce. Geleia global. Tudo bem que os americanos tenham o seu “piece of cake”, designativo das coisas fáceis de obter. Houve tempo em que eles só souberam da fartura e não sentiram na carne o que é ter de descascar um abacaxi, resolver um pepino, encarar uma batata quente e enfrentar o angu de caroço que é o nosso dia a dia. Afinal, mesmo em crise, eles ainda ganham em dólar. E comem como poucos...
     Essas e outras tantas expressões, todo brasileiro sabe. Conhecê-las faz parte de nossa educação; desconhecê-las é menosprezar as motivações que têm alimentado nossa alma.

(José Paulo Oliveira. https://groups.google.com/forum/#!topic/mensagens-especiais/0TtDv7GSxKA. Acesso em 22.05.2018. Adaptado.)
As preposições que contribuem para inserir no texto, respectivamente, as ideias de finalidade e de especificação do termo precedente estão destacadas em:
Alternativas
Q2047557 Português
As aventuras de Pi
(Fragmento)

    A história do meu nome não acaba com ele. Quando alguém se chama Bob, ninguém lhe pergunta “Como é que se escreve?”. Não é o que acontece com Piscine Molitor Patel.
    Alguns achavam que era P. Singh; deduziam que eu fosse *sique e ficavam se perguntando por que não estaria usando um turbante.
    Na época da faculdade, fui uma vez a Montreal com uns amigos. Certa noite, eu é que tive de pedir as pizzas.
    Já não aguentava mais aquela gente que falava francês cair na gargalhada ao ouvir o meu nome, portanto, quando o sujeito ao telefone perguntou “O seu nome, por favor?”, respondi “Sou quem sou”. Meia hora mais tarde, chegaram duas pizzas para um tal de “Soul Ken Soul...
    É verdade que as pessoas que conhecemos podem nos modificar, e, às vezes, de uma forma tão profunda que, depois disso, não somos mais os mesmos, nem com relação ao nosso nome. O apóstolo Simão que passa a se chamar Pedro; Mateus, também chamado Levi; Nataniel que é também Bartolomeu; Judas, não o Iscariotes, que assumiu o nome de Tadeu; Simeão que ficou conhecido como o negro; Saulo que passou a ser Paulo.
    O meu soldado romano estava parado no pátio da escola, uma manhã, quando eu tinha doze anos. Eu tinha acabado de chegar. Ele me viu e um lampejo de gênio do mal se acendeu na sua mente estúpida. Erguendo o braço, apontou para mim e, aos berros, gritou meu nome acentuando a primeira sílaba em vez da segunda, como na palavra francesa:
     -Olha aí o Piscine Patel!
    Resultado: o que se ouviu foi pissing, “mijando” em inglês, a língua que todos falávamos ali.
     Num segundo, todo mundo estava rindo. Fiquei para trás quando fizemos fila para ir para a sala. Fui o último a entrar, envergando a minha coroa de espinhos.
     [,..]0 meu plano era melhor que isso.
    Resolvi botá-lo em prática já no meu primeiro dia de colégio, e na primeira aula. Ali na sala, havia outros ex-alunos do St. Joseph. A aula começou como todas elas começam: pela apresentação, íamos dizendo o nosso nome do nosso lugar, seguindo a ordem das carteiras em que estávamos sentados.
     [...]
    Tinha chegado a minha vez [...] Medina, me aguarde...
    Levantei do meu lugar e fui direto ao quadro-negro. Antes que o professor pudesse dizer uma palavra que fosse, peguei um giz e fui dizendo, enquanto escrevia:
     O meu nome é Piscine Molitor Patel conhecido como (sublinhei duas vezes as duas primeiras letras do meu nome) Pi Patel.
    Só por precaução, acrescentei π =3,14 e tracei um grande círculo que, depois, dividi em dois com a linha de diâmetro, para evocar a lição mais elementar da geometria.
     O silêncio foi total. O professor ficou olhando para o quadro. Eu prendi a respiração. Então, ele disse:
    -Tudo bem, Pi. Pode ir se sentar. Da próxima vez, peça permissão para sair da sua carteira.
-Sim, senhor.
MARTEL, Yann. As aventuras de Pi. Extraído do site: www.maismac.net/yannmartel_-_as_aventuras_de_pi.pdf.

*Sique: que ou quem segue o siquismo (religião monoteísta da índia). 
Sobre os elementos destacados do fragmento “A história do meu nome não acaba com ele.”, leia as afirmativas.
I. MEU é um pronome adjetivo possessivo. II. A palavra COM é uma preposição com valor de causa. III. NÃO, no contexto, é um substantivo. IV. ELE é um pronome pessoal oblíquo.
Está correto o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q2035524 Português
As ciências e as humanidades

    Os grandes pensadores do Iluminismo eram tanto cientistas, muitos com grandes contribuições à matemática, às ciências da natureza e à física, como filósofos que refletiam sobre nossa condição humana compartilhada. Posteriormente, dentro de uma lógica instrumental, por razões didáticas e para possibilitar maior profundidade nas abordagens, optamos por especializar os domínios de saber e pesquisa.
     Isso nos trouxe inúmeras vantagens e permitiu que avanços importantes ocorressem em áreas mais diversas. Mas foram igualmente relevantes as perdas: o mundo real não é separado em disciplinas, ele apresenta problemas a desafiar nossa inventividade e senso de justiça.
     Precisamos ter mecanismos para religar os saberes, tanto na prática profissional e de pesquisa como na educação das novas gerações que terão que enfrentar um mundo muito distinto do nosso. Mas, mesmo dentro do que é específico de cada domínio de saber, parece que há distâncias intransponíveis para que se faça uso de ferramentas próprias de qualquer ciência, como o raciocínio matemático.
    Steven Pinker, psicólogo cognitivista e linguista, ressalta em seu livro recente, “Enlightenment Now” (Iluminismo já), a importância de análises quantitativas e do uso de evidências científicas nas humanidades.
    Isso me fez lembrar das nossas dificuldades para formar analistas de políticas sociais que não tiveram, no ensino superior, um aprendizado sólido de estatística e um raciocínio matemático bem desenvolvido. Afinal, políticas públicas devem ser avaliadas em seus resultados e em seu impacto. Dizer que determinado programa educacional é instigante, apaixonante não quer dizer necessariamente que funciona para assegurar aprendizado em alto nível para todos.
    Um dos grandes erros em educação é nos basearmos só em impressões ou adotarmos abordagens em escala sem testarmos projetos num número menor de escolas para verificar se causam bons resultados de aprendizagem.
    Isso não quer dizer que as aulas devam ser monótonas ou não engajadoras. Hoje sabemos, graças a boas pesquisas educacionais que contam com dados qualitativos e quantitativos, que aulas em que alunos participam mais, aplicando conhecimentos adquiridos em problemas concretos, com bons professores orientando, tendem a dar mais certo.
(Claudia Costin. Folha de S.Paulo, 03.08.2018. Adaptado)
Os termos destacados na passagem “… por razões didáticas e para possibilitar maior profundidade nas abordagens…” exprimem, respectivamente, noção de
Alternativas
Respostas
1441: E
1442: B
1443: D
1444: B
1445: C
1446: D
1447: C
1448: D
1449: D
1450: D
1451: B
1452: D
1453: B
1454: A
1455: E
1456: A
1457: C
1458: C
1459: D
1460: C