Questões de Concurso
Comentadas sobre pontuação em português
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Instrução: As questões de números 01 a 12 referem-se ao texto abaixo.
A teoria da incomodação zero
01 Os homens se distinguem dos animais, não porque ____ consciência, já afirmavam teorias
02 sociológicas do fim do século 19, mas porque produzem as condições de sua própria existência. Estas
03 condições são, em grande parte, oriundas do trabalho, que sempre fez parte da vida humana. Contudo,
04 desde que surge a propriedade privada capitalista, a relação de trabalho estabelecida entre empregador e
05 empregado passou por muitas transformações. O trabalho consistia em sinônimo de segurança, de um
06 ambiente ordenado, regular, confiável e duradouro. Em uma época não tão distante, o imediatismo não
07 figurava como valor maior, e a lógica do trabalho se assemelhava a uma construção: tijolo __ tijolo, andar
08 __ andar, no trabalho lento, que findava com uma obra sólida e firme – a carreira.
09 Mas hoje o status do trabalho parece estar subvertido ou, ao menos, tem se revestido de
10 características muito distintas das de outrora. O sociólogo polonês Zigmunt Bauman nos revela que o novo
11 perfil do trabalhador, buscado pelas empresas, não é mais exatamente aquele que prima por um sujeito
12 íntegro, enraizado em valores, com princípios e tradições sólidas. O mais novo filtro utilizado nesta
13 escolha é de outra natureza. De acordo com Bauman, desde 1997, usa-se nos EUA uma expressão que
14 designa o perfil de trabalhador que o mercado procura, o chamado “chateação zero”. A expressão cômica,
15 mas extremamente reveladora, nos mostra que o trabalhador que possuir menos fatores potenciais para
16 chatear ou incomodar a empresa durante o seu labor será aquele com maior chance de conseguir a vaga.
17 Por exemplo, um sujeito dotado de família e filhos tem o seu nível de chateação elevado, pois
18 provavelmente não terá tanta flexibilidade para aceitar tarefas em qualquer horário ou local.
19 Ora, se você é um empregado que ousa questionar as relações e que procura cumprir as suas
20 obrigações, cobrando dos demais o mínimo de responsabilidade, saiba que você possui um nível de
21 chateação elevadíssimo. Vantajoso é ser alguém descomprometido com a realidade social, com laços
22 afetivos frágeis e que possa estar sempre à disposição. A preferência é por “empregados ‘flutuantes’,
23 acríticos, descomprometidos, flexíveis, ‘generalistas’ e, em última instância, descartáveis (do tipo ‘pau
24 pra toda obra’, em vez de especializados e submetidos a um treinamento estritamente focalizado)”,
25 afirma Bauman. O mercado de trabalhadores é também um mercado de produtos.
26 Neste ambiente “líquido-moderno”, estendemos o retrato da prática do consumo para as demais
27 instâncias da vida, como parece ocorrer com as atividades do trabalho. Uma predileção pela facilidade,
28 desprendimento e individualização. Um produto é comprado, usado até perder o valor e depois
29 descartado, pois uma imensidão de outros estará __ disposição. O trabalhador assume, enfim, o status de
30 descartável. Incomodando zero, disponível sempre e criticando nunca.
(Salbego, Solange. Zero Hora, 21-02-2010 – adaptação)
Nas linhas 22 e 23, a autora utiliza aspas para marcar os adjetivos flutuantes e generalistas com o objetivo
RECOMEÇOS PASSADOS E PRESENTES
01 ____ Em 2010 completam-se 100 anos da morte de Joaquim Nabuco e Brasília faz cinquenta anos. São duas efemérides
02 que dizem dos destinos da pátria de forma semelhante – ambas têm a ver com recomeços, ou tentativas de recomeço. Lembrar
03 de Nabuco é lembrar da abolição da escravatura, movimento do qual ele foi talvez o principal dos agentes, e com certeza o
04 mais elegante. Com a abolição pretendeu-se um recomeço. Com Brasília, 72 anos depois da abolição, pretendeu-se outro. Era a
05 aurora de um país destemido, porque avançava por sertões ignotos; dinâmico, porque ousara um empreendimento que só em
06 sonho outros ousariam; justo, porque na nova capital as diferenças de classe e de hierarquia se dissolveriam na homogeneidade
07 das superquadras e das vias expressas; e moderno, porque os terrenos baldios daquele naco do Planalto Central seriam
08 preenchidos por uma arquitetura de riscos deslumbrantemente avançados.
09 ____ Joaquim Nabuco (1849-1910) forma, com José Bonifácio, o Patriarca da Independência (1763-1838), a dupla de
10 maiores estadistas da história do Brasil. Eles merecem esse título não só pelo que fizeram, mas também pela ideia geral que os
11 movia – a ideia rara, lúcida e generosa de construção de uma nação. José Bonifácio está fora das datas redondas que serão
12 lembradas neste ano, mas é outro que personifica um recomeço – merece uma carona neste texto, por isso. Ele personifica a
13 independência, assim como Nabuco personifica a abolição. Ambos venceram, no sentido de que, em grande parte pelas
14 manobras de Bonifácio, o Brasil em 1822 se tornou independente, assim como, em grande parte pela pregação de Nabuco, a
15 escravidão foi legalmente abolida em 1888. Ambos perderam, porém, no que propunham como sequência necessária de tais
16 objetivos.
17 ____ Bonifácio ousou querer dotar o jovem estado brasileiro de um povo. Ora, um povo não podia ser formado por uma
18 sociedade dividida entre senhores e escravos. Daí que, três gerações antes de Nabuco, ele já propusesse a abolição da
19 escravidão. Falaram mais alto os interesses dos traficantes e dos senhores de escravos. Nabuco, se pegou a fortaleza escravista
20 já mais desgastada, pronta para o assalto final, não teve êxito na segunda parte de sua pregação: a distribuição de terras entre os
21 antigos escravos (ele dizia que a questão da “democratização do solo” era inseparável da emancipação) e o investimento num
22 sistema de educação abrangente o bastante para abrigá-los. Tal qual o de José Bonifácio, o recomeço pretendido por Nabuco
23 ficou pela metade.
24 ____ Que dizer do recomeço representado por Brasília? Há versões segundo as quais, entre os motivos que levaram o
25 presidente Juscelino Kubitschek a projetá-la, estaria a estratégia de fugir da pressão popular presente numa metrópole como o
26 Rio de Janeiro. Uma espúria síndrome de Versalhes contaminaria, desse modo, as nobres razões oficiais para a mudança da
27 capital. Mais perverso que a eventual mancha de origem, no entanto, é o destino que estava reservado à “capital da esperança”.
28 Meros quatro anos depois de inaugurada, ela viraria, com seu isolamento dos grandes centros e suas avenidas tão propícias à
29 investida dos tanques, a capital dos sonhos da ditadura militar. Hoje, é identificada com a corrupção e a tramoia. Pode ser
30 injusto. Falta demonstrar que, em outra cidade, a corrupção e a tramoia teriam curso menos desimpedido. Não importa. Para a
31 desgraça de Brasília, o estigma grudou-lhe na pele.
32 ____ “Falo, falo, e não digo o essencial”, costumava escrever Nelson Rodrigues. O essencial é o seguinte: nunca antes neste
33 país houve um governo tão imbuído da ideia de que veio para recomeçar a história. Embalado por um lado em seus próprios
34 mitos, e por outro em festivos, se não interesseiros, louvores internacionais, chega a esta quadra acreditando que preside a uma
35 inédita mudança de estruturas, na ordem interna, ao mesmo tempo em que é premiado com uma promoção pela comunidade
36 internacional. Assim como ocorreu pelo menos duas vezes, em décadas recentes – com o “desenvolvimentismo” de JK e com o
37 “milagre econômico” dos militares –, propaga-se a ideia de que “desta vez vai”. A noção de que se está reinaugurando o país
38 traz o duplo prejuízo de poder ser interpretada como um embuste, de um lado, e induzir ao autoengano, de outro. Não há
39 refundação possível. Raras são as oportunidades de recomeço. O poder das continuidades é sempre maior.
40 ____ P.S.: É ano novo. Bom recomeço, para quem acredita neles.
TOLEDO, R. P. Recomeços Passados e Presentes. Veja. São Paulo, ed. 2146, ano 43, n. 1, p. 102, 06 jan. 2010.
Em “São duas efemérides que dizem dos destinos da pátria de forma semelhante – ambas têm a ver com recomeços, ou tentativas de recomeço.” (𝓁. 1-2), o travessão simples é utilizado para:
RECOMEÇOS PASSADOS E PRESENTES
01 ____ Em 2010 completam-se 100 anos da morte de Joaquim Nabuco e Brasília faz cinquenta anos. São duas efemérides
02 que dizem dos destinos da pátria de forma semelhante – ambas têm a ver com recomeços, ou tentativas de recomeço. Lembrar
03 de Nabuco é lembrar da abolição da escravatura, movimento do qual ele foi talvez o principal dos agentes, e com certeza o
04 mais elegante. Com a abolição pretendeu-se um recomeço. Com Brasília, 72 anos depois da abolição, pretendeu-se outro. Era a
05 aurora de um país destemido, porque avançava por sertões ignotos; dinâmico, porque ousara um empreendimento que só em
06 sonho outros ousariam; justo, porque na nova capital as diferenças de classe e de hierarquia se dissolveriam na homogeneidade
07 das superquadras e das vias expressas; e moderno, porque os terrenos baldios daquele naco do Planalto Central seriam
08 preenchidos por uma arquitetura de riscos deslumbrantemente avançados.
09 ____ Joaquim Nabuco (1849-1910) forma, com José Bonifácio, o Patriarca da Independência (1763-1838), a dupla de
10 maiores estadistas da história do Brasil. Eles merecem esse título não só pelo que fizeram, mas também pela ideia geral que os
11 movia – a ideia rara, lúcida e generosa de construção de uma nação. José Bonifácio está fora das datas redondas que serão
12 lembradas neste ano, mas é outro que personifica um recomeço – merece uma carona neste texto, por isso. Ele personifica a
13 independência, assim como Nabuco personifica a abolição. Ambos venceram, no sentido de que, em grande parte pelas
14 manobras de Bonifácio, o Brasil em 1822 se tornou independente, assim como, em grande parte pela pregação de Nabuco, a
15 escravidão foi legalmente abolida em 1888. Ambos perderam, porém, no que propunham como sequência necessária de tais
16 objetivos.
17 ____ Bonifácio ousou querer dotar o jovem estado brasileiro de um povo. Ora, um povo não podia ser formado por uma
18 sociedade dividida entre senhores e escravos. Daí que, três gerações antes de Nabuco, ele já propusesse a abolição da
19 escravidão. Falaram mais alto os interesses dos traficantes e dos senhores de escravos. Nabuco, se pegou a fortaleza escravista
20 já mais desgastada, pronta para o assalto final, não teve êxito na segunda parte de sua pregação: a distribuição de terras entre os
21 antigos escravos (ele dizia que a questão da “democratização do solo” era inseparável da emancipação) e o investimento num
22 sistema de educação abrangente o bastante para abrigá-los. Tal qual o de José Bonifácio, o recomeço pretendido por Nabuco
23 ficou pela metade.
24 ____ Que dizer do recomeço representado por Brasília? Há versões segundo as quais, entre os motivos que levaram o
25 presidente Juscelino Kubitschek a projetá-la, estaria a estratégia de fugir da pressão popular presente numa metrópole como o
26 Rio de Janeiro. Uma espúria síndrome de Versalhes contaminaria, desse modo, as nobres razões oficiais para a mudança da
27 capital. Mais perverso que a eventual mancha de origem, no entanto, é o destino que estava reservado à “capital da esperança”.
28 Meros quatro anos depois de inaugurada, ela viraria, com seu isolamento dos grandes centros e suas avenidas tão propícias à
29 investida dos tanques, a capital dos sonhos da ditadura militar. Hoje, é identificada com a corrupção e a tramoia. Pode ser
30 injusto. Falta demonstrar que, em outra cidade, a corrupção e a tramoia teriam curso menos desimpedido. Não importa. Para a
31 desgraça de Brasília, o estigma grudou-lhe na pele.
32 ____ “Falo, falo, e não digo o essencial”, costumava escrever Nelson Rodrigues. O essencial é o seguinte: nunca antes neste
33 país houve um governo tão imbuído da ideia de que veio para recomeçar a história. Embalado por um lado em seus próprios
34 mitos, e por outro em festivos, se não interesseiros, louvores internacionais, chega a esta quadra acreditando que preside a uma
35 inédita mudança de estruturas, na ordem interna, ao mesmo tempo em que é premiado com uma promoção pela comunidade
36 internacional. Assim como ocorreu pelo menos duas vezes, em décadas recentes – com o “desenvolvimentismo” de JK e com o
37 “milagre econômico” dos militares –, propaga-se a ideia de que “desta vez vai”. A noção de que se está reinaugurando o país
38 traz o duplo prejuízo de poder ser interpretada como um embuste, de um lado, e induzir ao autoengano, de outro. Não há
39 refundação possível. Raras são as oportunidades de recomeço. O poder das continuidades é sempre maior.
40 ____ P.S.: É ano novo. Bom recomeço, para quem acredita neles.
TOLEDO, R. P. Recomeços Passados e Presentes. Veja. São Paulo, ed. 2146, ano 43, n. 1, p. 102, 06 jan. 2010.
O articulista emprega as aspas por variados motivos, um deles é impor um tom de censura irônica ao que diz. Assinale a alternativa em que todos os usos das aspas devem assim ser entendidos.
A pontuação está inteiramente correta na frase:
Atenção: As questões de números 1 a 10 baseiam-se no texto abaixo.
"Nenhum homem é uma ilha", escreveu o inglês John Donne em 1624, frase que atravessaria os séculos como um dos lugares-comuns mais citados de todos os tempos. Todo lugar- comum, porém, tem um alicerce na realidade ou nos sentimentos humanos – e esse não é exceção. Durante toda a história da espécie, a biologia e a cultura conspiraram juntas para que a vida humana adquirisse exatamente esse contorno, o de um continente, um relevo que se espraia, abraça e se interliga.
A vida moderna, porém, alterou-o de maneira drástica. Em certos aspectos partiu o continente humano em um arquipélago tão fragmentado que uma pessoa pode se sentir totalmente separada das demais. Vencer tal distância e se reunir aos outros, entretanto, é um dos nossos instintos básicos. E é a ele que atende um setor do mercado editorial que cresce a passos largos: o da autoajuda e, em particular, de uma autoajuda que se pode descrever como espiritual. Não porque tenha necessariamente tonalidades religiosas (embora elas, às vezes, sejam nítidas), mas porque se dirige àquelas questões de alma que sempre atormentam os homens. Como a perda de uma pessoa querida, a rejeição ou o abandono, a dificuldade de conviver com os próprios defeitos e os alheios, o medo da velhice e da morte, conflitos com os pais e os filhos, a frustração com as aspirações que não se realizaram, a perplexidade diante do fim e a dúvida sobre o propósito da existência. Questões que, como séculos de filosofia já explicitaram, nem sempre têm solução clara – mas que são suportáveis quando se tem com quem dividir seu peso, e esmagadoras quando se está só.
As mudanças que conduziram a isso não são poucas nem sutis: na sua segunda metade, em particular, o século XX foi pródigo em abalos de natureza social que reconfiguraram o modo como vivemos. O campo, com suas relações próximas, foi trocado em massa pelas cidades, onde vigora o anonimato. As mulheres saíram de casa para o trabalho, e a instituição da "comadre" virtualmente desapareceu. Desmanchou-se também a ligação quase compulsória que se tinha com a religião, as famílias encolheram drasticamente não só em número de filhos mas também em sua extensão. A vida profissional se tornou terrivelmente competitiva, o que acrescenta ansiedade e reduz as chances de fazer amizades verdadeiras no local de trabalho. Também o celular e o computador fazem sua parte, aumentando o número de contatos de que se desfruta, mas reduzindo sua profundidade e qualidade.
Perdeu-se aquela vasta rede de segurança que, é certo, originava fofoca e intromissão, mas também implicava conselhos e experiência, valores sólidos e afeição desprendida, que não aumenta nem diminui em função do sucesso ou da beleza. Essa é a lacuna da vida moderna que a autoajuda vem se propondo a preencher: esse sentido de desconexão que faz com que em certas ocasiões cada um se sinta como uma ilha desgarrada do continente e sem meios de se reunir novamente a ele.
(Isabela Boscov e Silvia Rogar. Veja, 2 de dezembro de 2009, pp. 141–143, com adaptações)
Considere as seguintes afirmativas, a respeito do emprego de sinais de pontuação no texto:
I. O emprego das aspas que isolam a 1a frase e a palavra "comadre" no 3o parágrafo tem o mesmo sentido em ambos os casos.
II. Os travessões que se encontram no 1o e no final do 2o parágrafo podem ser corretamente substituídos por vírgulas, sem alteração do sentido original.
III. O emprego dos dois-pontos no 2o e no final do último parágrafo sinaliza a introdução de segmentos que especificam a afirmativa imediatamente anterior a eles.
IV. O segmento isolado por parênteses no 2o parágrafo apresenta sentido contraditório no contexto, podendo ser inteiramente descartado, sem prejuízo do sentido textual.
Está correto o que se afirma APENAS em
Instrução: As questões de números 01 a 15 referem-se ao texto abaixo.
A vírgula da linha 1 foi usada para
Jeitinho
O jeitinho não se relaciona com um sentimento revolu-
cionário, pois aqui não há o ânimo de se mudar o status quo.
O que se busca é obter um rápido favor para si, às escondidas e
sem chamar a atenção; por isso, o jeitinho pode ser também
5 definido como "molejo", "jogo de cintura", habilidade de se "dar
bem" em uma situação "apertada".
Em sua obra O Que Faz o Brasil, Brasil?, o antropólogo
Roberto DaMatta compara a postura dos norte-americanos e a
dos brasileiros em relação às leis. Explica que a atitude
10 formalista, respeitadora e zelosa dos norte-americanos causa
admiração e espanto aos brasileiros, acostumados a violar e a
ver violadas as próprias instituições; no entanto, afirma que é
ingênuo creditar a postura brasileira apenas à ausência de
educação adequada.
15 O antropólogo prossegue explicando que, diferente das
norte-americanas, as instituições brasileiras foram desenhadas
para coagir e desarticular o indivíduo. A natureza do Estado é
naturalmente coercitiva; porém, no caso brasileiro, é inadequada
à realidade individual. Um curioso termo – Belíndia – define
20 precisamente esta situação: leis e impostos da Bélgica, realidade
social da Índia.
Ora, incapacitado pelas leis, descaracterizado por uma
realidade opressora, o brasileiro buscará utilizar recursos que
vençam a dureza da formalidade se quiser obter o que muitas
25 vezes será necessário à sua sobrevivência. Diante de uma
autoridade, utilizará termos emocionais, tentará descobrir alguma
coisa que possuam em comum - um conhecido, uma cidade da
qual gostam, a “terrinha” natal onde passaram a infância - e
apelará para um discurso emocional, com a certeza de que a
30 autoridade, sendo exercida por um brasileiro, poderá muito bem
se sentir tocada por esse discurso. E muitas vezes conseguirá o
que precisa.
Nos Estados Unidos da América, as leis não admitem
permissividade alguma e possuem franca influência na esfera
35 dos costumes e da vida privada. Em termos mais populares, diz-
se que, lá, ou “pode” ou “não pode”. No Brasil, descobre-se que
é possível um “pode-e-não-pode”. É uma contradição simples:
acredita-se que a exceção a ser aberta em nome da cordialidade
não constituiria pretexto para outras exceções. Portanto, o
40 jeitinho jamais gera formalidade, e essa jamais sairá ferida após
o uso desse atalho.
Ainda de acordo com DaMatta, a informalidade é também
exercida por esferas de influência superiores. Quando uma
autoridade "maior" vê-se coagida por uma "menor",
45 imediatamente ameaça fazer uso de sua influência; dessa forma,
buscará dissuadir a autoridade "menor" de aplicar-lhe uma
sanção.
A fórmula típica de tal atitude está contida no golpe
conhecido por "carteirada", que se vale da célebre frase "você
50 sabe com quem está falando?". Num exemplo clássico, um
promotor público que vê seu carro sendo multado por uma
autoridade de trânsito imediatamente fará uso (no caso, abusivo)
de sua autoridade: "Você sabe com quem está falando? Eu sou
o promotor público!". No entendimento de Roberto DaMatta, de
55 qualquer forma, um "jeitinho" foi dado.
(In: www.wikipedia.org - com adaptações.)
Assinale a alternativa em que a vírgula está corretamente empregada.
Leia o texto a seguir para responder às questões de 06 a 15.
TEXTO:
Trabalhar e sofrer
“O trabalho enobrece” é uma dessas frases feitas que a gente repete sem refletir no que significam,
feito reza automatizada. Outra é “A quem Deus ama, Ele faz sofrer”, que fala de uma divindade cruel, fria,
que não mereceria uma vela acesa sequer. Sinto muito: nem sempre trabalhar nos torna nobres, nem
sempre a dor nos torna mais justos, mais generosos. O tempo para contemplação da arte e da natureza,
5 ou para a curtição dos afetos, por exemplo, deve enobrecer bem mais. Ser feliz, viver com alguma
harmonia, há de nos tornar melhores do que a desgraça. A ilusão de que o trabalho e o sofrimento nos
aperfeiçoam é uma ideia que deve ser reavaliada e certamente desmascarada.
O trabalho tem de ser o primeiro dos nossos valores, nos ensinaram, colocando à nossa frente
cartazes pintados que impedem que a gente enxergue além disso. Eu prefiro a velha dama esquecida
10 num canto feito uma mala furada, que se chama ética. Palavra refinada para dizer o que está ao alcance
de qualquer um de nós: decência. Prefiro, ao mito do trabalho como única salvação e da dor como
cursinho de aperfeiçoamento pessoal, a realidade possível dos amores e a dos valores que nos tornariam
mais humanos, para que trabalhássemos com mais força e ímpeto e vivêssemos com mais esperança.
O trabalho que dá valor ao ser humano e algum sentido à vida pode, por outro lado, deformar e
15 destruir. O desprezo pela alegria e pelo lazer espalha-se entre muitos de nossos conceitos, e, por isso, nos
sentimos culpados se não estamos em atividade, na cultura do corre-corre e da competência pela
competência, do poder pelo poder, por mais tolo que ele seja.
Assim como o sofrimento pode nos tornar amargos e até emocionalmente estéreis, o trabalho pode
aviltar, humilhar, explorar e solapar qualquer dignidade, roubar nosso tempo, saúde e possibilidade de
20 crescimento. Na verdade, o que enobrece é a responsabilidade que os deveres, incluindo os do trabalho,
trazem consigo. O que nos pode tornar mais bondosos e tolerantes, eventualmente, nasce do sofrimento
suportado com dignidade, quem sabe com resignação. Mas um ser humano decente é resultado de muito
mais que isso: de genética, da família, da sociedade em que está inserido, da sorte ou do azar, e das
escolhas pessoais (essas a gente costuma esquecer: queixar-se é tão mais fácil!).
LUFT, Lya. Trabalhar e sofrer. Veja, São Paulo: Abril, ed. 2148, ano 43, n. 3, p. 24, 20 jan. 2010. Adaptado.
Quanto aos sinais de pontuação usados no texto, é correto afirmar:
TEXTO: asdasdasdasdasdasdasdasdasdasdasdasdasdsasdasdasdasdadsasd
a Convivas de boa memória
sdaHá dessas reminiscências que não descansam antes que a pena ou a língua as publique. Um antigo dizia arrenegar de conviva que tem boa memória. A vida é cheia de tais convivas, e eu sou acaso um deles, conquanto a prova de ter a memória fraca seja exatamente não me acudir agora o nome de tal antigo; mas era um antigo, e basta.
sdaNão, não, a minha memória não é boa. Ao contrário, é comparável a alguém que tivesse vivido por hospedarias, sem guardar delas nem caras nem nomes, e somente raras circunstâncias. A quem passe a vida na mesma casa de família, com os seus eternos móveis e costumes, pessoas e afeições, é que se lhe grava tudo pela continuidade e repetição. Como eu invejo os que não esqueceram a cor das primeiras calças que vestiram! Eu não atino com a das que enfiei ontem. Juro só que não eram amarelas porque execro essa cor; mas isso mesmo pode ser olvido e confusão.
sdaE antes seja olvido que confusão; explico-me. Nada se emenda bem nos livros confusos, mas tudo se pode meter nos livros omissos. Eu, quando leio algum desta outra casta, não me aflijo nunca. O que faço, em chegando ao fim, é cerrar os olhos e evocar todas as coisas que não achei nele. Quantas ideias finas me acodem então! Que de reflexões profundas! Os rios, as montanhas, as igrejas que não vi nas folhas lidas, todos me aparecem agora com as suas águas, as suas árvores, os seus altares, e os generais sacam das espadas que tinham ficado na bainha, e os clarins soltam as notas que dormiam no metal, e tudo marcha com uma alma imprevista.
sdaÉ que tudo se acha fora de um livro falho, leitor amigo. Assim preencho as lacunas alheias; assim podes também preencher as minhas.
(Assis, de Machado. Dom Casmurro – Editora Scipione – 1994 – pág. 65)
No trecho: “É que tudo se acha fora de um livro falho, leitor amigo.” a utilização da vírgula se justifica por:
Assinale a alternativa em que a pontuação do texto I foi utilizada estilisticamente para dar ênfase ao sentimento de indignação do autor.
SINGRANDO OS ARES
01 Esta vida airada de saltimbanco das letras ainda me mata.
02 Quando comecei a perpetrar meus livros, os escritores apenas escreviam. Hoje - é o que penso resignadamente, enquanto
03 afivelo o cinto e observo os letreiros de "não fumar" -, há períodos em que o escritor trabalha como funcionário do
04 departamento de vendas da editora e, nesse esforçado mister, às vezes viaja tanto que volta e meia, ao despertar num aposento
05 estranho, leva um certo tempo para descobrir em que cidade está. E eis-me de volta a um avião.
06 Nada como este avião, para lembrar como sou antigo. Tenho a impressão de que, se contasse o que eram as viagens de avião
07 dos velhos tempos, ia ser tido na conta de mentiroso. Escolha de menus na classe econômica, talheres de metal, pratos de
08 louça, refeições quentinhas, precedidas por aperitivos e acompanhadas por vinhos [...].
09 Ninguém pensava em problemas de segurança, não havia a revista e a inspeção a que hoje os passageiros têm de submeter-se.
10 Lembro com um arrepio o dia em que, por eu me encaixar à perfeição num tal perfil do terrorista que algum órgão de
11 segurança americano criou, quiseram me levar em cana em Chicago e quase levam mesmo, tendo os orixás me salvado pelo
12 gongo. E, desse tempo para cá, as coisas só fizeram piorar. Inevitável avaliar as pessoas que embarcaram comigo.
13 O de bigodinho que acaba de se sentar parece um pouco nervoso. Terá inserido em si um supositório explosivo, como agora
14 dizem que é a nova onda, em matéria de terrorismo? Quem vê cara não vê supositório. Só saberei, ou não, depois de chegarmos
15 ao destino.
16 Encaixei-me no que cinicamente chamam de poltrona e pressagiei o dia em que os comissários de bordo empregarão pés-de-
17 cabra para socar nos assentos os passageiros mais graudinhos. Isso com certeza será trombeteado como mais um serviço para
18 maior conforto do passageiro. Não há por que duvidar dessa possibilidade, pois é o mesmo tipo de argumento que vi faz pouco,
19 num comercial de tevê ou num anúncio de revista. Uma empresa agora não dá mais nada aos passageiros, com a possível
20 exceção de um copo de água de torneira. O resto é vendido, mas ela se gaba disso, enquanto anuncia um cardápio baratinho,
21 para os que tiverem uma queda de curva glicêmica durante o voo e precisarem comer alguma coisa. O que antes era incluído
22 no preço agora é cobrado à parte e isso é qualificado como vantagem para o passageiro.
23 Mas talvez a situação no Brasil não seja tão ruim. Já li sobre diversas novidades em matéria de viagem aérea que espero que
24 não sejam adotadas aqui. Uma delas é a cobrança pelo uso do banheiro do avião. Fico imaginando um passageiro sem um
25 vintém no bolso e sem cartão de crédito. Se o problema for xixi, menos mal, talvez. Pode dar para pedir aos demais que olhem
26 para o outro lado, enquanto a questão é resolvida da melhor forma viável, a necessidade é a mãe da invenção. Em casos mais
27 graves, quero crer que, movidos não tanto pela solidariedade quanto pelo instinto de sobrevivência, os passageiros nas
28 proximidades da vítima da infausta premência farão uma vaquinha para pagar o banheiro dela. Nada que, com boa vontade,
29 não possa ser resolvido e, como sempre, o mercado encontrará soluções.
30 Em outro exemplo, a companhia aérea cobra dobrado, se o traseiro do passageiro ultrapassa determinadas proporções. Isso
31 provavelmente é divulgado como um serviço espontâneo em prol da saúde pública, por incentivar a manutenção de um corpo
32 esbelto, sem enxúndias que façam mal ao organismo e ao bolso. No início, acredito que os gordinhos terão os fundilhos
33 medidos por funcionários especializados ou por nadegômetros eletrônicos, mas logo essa tarefa, por acarretar custos quiçá
34 onerosos, será repassada ao consumidor, que, ao comprar a passagem, terá de informar suas medidas posteriores, aceitando ter
35 de tomá-las novamente no check-in, nos casos em que houver a suspeita de que as declaradas não correspondam à realidade.
36 Não existe razão para crer que as mudanças vão parar aí. Não haverá de ser tão impossível assim que, ao menos em viagens
37 curtas como as entre o Rio e São Paulo, passem a ser aceitos passageiros em pé, como nos ônibus e trens urbanos. A preços
38 baixos, essas viagens talvez tivessem uma freguesia apreciável.
39 Quem sabe se, para quem more em Congonhas e se veja surpreendido em Guarulhos pela Mãe de Todos os Engarrafamentos,
40 não seria uma opção prática para voltar para casa antes da meia-noite. Mas chega de mau humor e caturrice, o avião já
41 aterrissou. Ligeiro sobressalto, depois que um comissário fez um pequeno discurso sobre a limpeza da aeronave para os
42 próximos passageiros. Seremos solicitados a realizar essa tarefa? Não, ainda não chegamos lá. Mas, dentro em breve, acho que
43 podemos esperar que nos cobrem uma porcentagem do valor do bilhete como taxa de faxina - mais um serviço de nossa
44 companhia aérea favorita.
RIBEIRO, João Ubaldo. Singrando os ares. O Globo, Domingo, 25 out. 2009.
Assinale a alternativa CORRETA, quanto à justificativa para o uso do travessão no trecho: "Hoje - é o que penso resignadamente, enquanto afivelo o cinto e observo os letreiros de "não fumar" -, há períodos em que o escritor trabalha como funcionário do departamento de vendas da editora..." (e. 2-4).
Texto IV, para responder às questões de 15 a 18.
1 “A educação é um típico ‘que-fazer’ humano, ou
seja, um tipo de atividade que se caracteriza
fundamentalmente por uma preocupação, por uma finalidade
4 a ser atingida. A educação dentro de uma sociedade não se
manifesta como um fim em si mesmo, mas sim como um
instrumento de manutenção ou transformação social”
7 (LUCKESI, 2001, p. 30).
A afirmação do autor implica dizer que o processo
educacional exige que olhemos para as ações humanas, as
10 quais se explicam na relação com sua finalidade. As ações
humanas se caracterizam por serem “instrumentos” para a
“manutenção ou transformação social”. Isso significa que a
13 educação é um dos elementos que ajudam a constituir e a
moldar a sociedade, pois ela “participa do processo de
produção de crenças e ideias, de qualificações e
16 especialidades que envolvem as trocas de símbolos, bens e
poderes que, em conjunto, constroem tipos de sociedades. É
essa a sua força” (BRANDÃO, 1985, p. 11).
19Paulo Freire afirma que “ninguém educa ninguém,
ninguém se educa sozinho. As pessoas se educam em
comunidade” (GADOTTI, 1984; BRANDÃO, 1985). Assim,
22 poderíamos dizer que as ações educacionais ocorrem em
processo, o que leva à conclusão de que estamos
trabalhando com algo dinâmico, pois as ações processuais
25 redundam em recriações constantes.
Partindo disso, podemos dizer que estagnação é
negação da educação. Entretanto a sociedade humana,
28 apesar de se caracterizar pela constância do progresso,
concretamente é avessa às novidades. Por mais que se
beneficie com a evolução, com o progresso, com o
31 desenvolvimento, sempre que se defronta com situações que
demandam a “desinstalação” para instalação de novidades, o
ser humano cria resistências. O novo incomoda... e, sendo
31 assim, o processo educacional é um processo incômodo...
embora visto como necessário.
Internet: <www.artigonal.com> (com adaptações).
Quanto à pontuação e à coesão textual dos trechos reescritos a seguir, assinale a alternativa correta.
Texto II, para responder às questões de 6 a 10.
Por que escolher o SESI
1 Formar cidadãos empreendedores, criativos,
socialmente responsáveis e preocupados com o meio
ambiente contribui para o desenvolvimento de mão de obra
4 qualificada. Há sessenta anos, esse é o trabalho do SESI no
setor industrial.
O programa da entidade começa na base, com a
7 educação infantil, e acompanha o jovem até a conclusão do
ensino fundamental. Para quem precisou interromper os
estudos, o SESI presta serviços de alfabetização e educação
10 básica para adultos.
Com metodologias próprias e inovadoras, as
escolas da Rede SESI oferecem ensino qualificado aos filhos
13 dos industriários e a toda a comunidade. Além de aprender
matérias essenciais como português e matemática, as
crianças têm acesso a cultura, lazer e esporte.
16 Na educação para jovens e adultos (EJA), o SESI
oferece horários flexíveis e leva a escola até os alunos,
diminuindo assim a evasão. Os professores da rede recebem
19 treinamento específico para educar de forma adequada seus
alunos — sejam eles adultos ou crianças — sempre com
conteúdos apropriados à faixa etária e às experiências de
22 vida da turma.
O SESI trabalha em parceria com o Serviço
Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), em um
25 programa idealizado pela Confederação Nacional da
Indústria (CNI), o Educação para a Nova Indústria. A
iniciativa é uma resposta ao desafio de aumentar a oferta de
28 oportunidades para a formação de profissionais que atendam
aos requisitos do mercado de trabalho e está sintonizada
com o Mapa Estratégico da Indústria 2007-2015.
31 Com isso, o SESI oferece ensino de qualidade,
associado a oportunidades de desenvolvimento pessoal e
social, guiado por valores básicos de cidadania. Além dos
34 serviços em educação, o SESI desenvolve projetos como
Indústria do Conhecimento, Telecongresso de Educação e
Prêmio SESI de Qualidade na Educação.
Internet: <www.sesi.org.br>
Assinale a alternativa em que a palavra retirada do texto II não apresenta relação de significado compatível com o termo após o sinal de dois-pontos.
Texto II, para responder às questões de 5 a 10.
1 Foi tudo muito rápido. A executiva bem-sucedida
sentiu uma pontada no peito, vacilou, cambaleou. Deu um
gemido e apagou. Quando voltou a abrir os olhos, viu-se
4 diante de um imenso portal. Ainda meio zonza, atravessou-o
e viu uma miríade de pessoas, todas vestindo cândidos
camisolões e caminhando despreocupadas. Sem entender
7 bem o que estava acontecendo, a executiva bem-sucedida
abordou um dos passantes:
— Enfermeiro, eu preciso voltar urgente para o meu
10 escritório, porque tenho um meeting importantíssimo. Aliás,
acho que fui trazida para cá por engano, porque meu
convênio médico é classe A, e isto aqui está me parecendo
13 mais um pronto-socorro. Onde é que nós estamos?
— No céu.
— No céu?...
16 — Tipo assim... O céu, CÉU?!... Aquele com
querubins voando e coisas do gênero?
— Certamente. Aqui todos vivemos em estado de
19 gozo permanente.
Apesar das óbvias evidências de nenhuma
poluição, todo mundo sorrindo, ninguém usando telefone
22 celular, custou um pouco à executiva bem-sucedida admitir
que havia mesmo apitado na curva. Tentou, então, o plano B:
convencer o interlocutor, por meio das infalíveis técnicas
25 avançadas de negociação, de que aquela situação era
inaceitável. Porque, ponderou, dali a uma semana, ela iria
receber o bônus anual, além de estar fortemente cotada para
28 assumir a posição de presidente do conselho de
administração da empresa. E foi aí que o interlocutor sugeriu:
— Talvez seja melhor você conversar com Pedro, o
31 síndico.
— É? E como é que eu marco uma audiência? Ele
tem secretária?
34 — Não, não. Basta estalar os dedos, e ele aparece.
— Assim (...)?
— Pois não?
37 A executiva bem-sucedida quase desaba da nuvem.
À sua frente, imponente, segurando uma chave que mais
parecia um martelo, estava o próprio Pedro. Mas a executiva
40 havia feito um curso intensivo de approach para situações
inesperadas e reagiu rapidinho:
— Bom dia. Muito prazer. Belas sandálias. Eu sou
43 uma executiva bem-sucedida e...
— Executiva... Que palavra estranha! De que século
você veio?
46 — Do XXI. O distinto vai me dizer que não conhece
o termo “executiva”?
— Já ouvi falar. Mas não é do meu tempo.
49 Foi então que a executiva bem-sucedida teve um
insight. A máxima autoridade ali no paraíso aparentava ser
um zero à esquerda em modernas técnicas de gestão
52 empresarial. Logo, com seu brilhante currículo tecnocrático,
a executiva poderia rapidamente assumir uma posição
hierárquica, por assim dizer, celestial ali na organização.
55 — Sabe, meu caro Pedro, se você me permite, eu
gostaria de lhe fazer uma proposta. Basta olhar para esse
povo todo aí, só batendo papo e andando à toa, para
58 perceber que aqui no Paraíso há enormes oportunidades
para dar um upgrade na produtividade sistêmica.
— É mesmo?
61 — Pode acreditar, porque tenho PhD em
reengenharia. Por exemplo, não vejo ninguém usando
crachá. Como é que a gente sabe quem é quem aqui, e
64 quem faz o quê?
— Ah, não sabemos.
— Entendeu o meu ponto? Sem controle, há
67 dispersão. E dispersão gera desmotivação. Com o tempo,
isso aqui vai acabar virando uma anarquia. Mas nós dois
podemos consertar tudo isso rapidinho, implementando um
70 simples programa de targets individuais e avaliação de
performance.
— Que interessante...
73 — É claro que, antes de tudo, precisaríamos de uma
hierarquização e um organograma funcional, nada que
dinâmicas de grupo e avaliações de perfis psicológicos não
76 consigam resolver.
— !!!...???....!!!...???...!!!
— Aí, contrataríamos uma consultoria especializada
79 para nos ajudar a definir as estratégias operacionais e
estabeleceríamos algumas metas factíveis de leverage,
maximizando, dessa forma, o retorno do investimento do
82 Grande Acionista... Ele existe, certo?
— Sobre todas as coisas.
— Ótimo.
85 — Impressionante!
— Isso significa que podemos partir para a
implementação?
88 — Não. Significa que você terá um futuro brilhante...
se for trabalhar com o nosso concorrente. Porque você
acaba de descrever, exatamente, como funciona o Inferno...
Max Gehringer. In: Exame (com adaptações)
Acerca de fatos gramaticais presentes no texto II, assinale a alternativa correta.
TEXTO 1
Festival Canavial 2009 movimenta a rede cultural da Zona da Mata Norte de PE
Jornal iTEIA
A região da Zona da Mata Norte do Estado - especificamente as cidades de Nazaré da Mata, Vicência, Goiana, Condado e Aliança – reunirá entre 20 de novembro e 5 de dezembro toda a riqueza cultural local no Festival Canavial 2009. Uma programação diversificada que abrangerá música como o Lançamento dos CD´s Maracatu Atômico – Kaosnavial de Jorge Mautner e o Maracatu Estrela de Ouro e Pretinhas do Congo de Goiana; danças com os encontros de coco de rodas, maracatus e caboclinhos; oficinas, aulas-espetáculo e seminários de formação de cultura popular, e o projeto itinerante Caminhos do Canavial (uma espécie de ônibus-biblioteca, devidamente padronizado, onde educadores levarão o fomento à leitura para onde não se tem acesso à leitura, a exemplo de engenhos, assentamentos e comunidades rurais).
“O festival tem acima de tudo, um cunho educacional, com uma programação diversificada montada na maioria das vezes dentro do próprio canavial”, diz um dos organizadores do projeto, o produtor cultural Afonso Oliveira. A última edição do festival aconteceu em 2007, mas a atividade começou a fazer parte da cena cultural da Zona da Mata Norte em 2006. O objetivo do Festival Canavial é contribuir com a Política Cultural da região hoje integrada no Movimento Canavial, ação responsável pela existência do grande número de projetos culturais executados pelos diversos Pontos de Cultura e grupos Culturais.
“Grande parte da programação desenvolvida para o Festival Canavial se apresenta através de projetos premiados pelo Ministério da Cultura e pela Fundarpe, discussões, seminários, oficinas artísticas, consolidando uma política para a Zona da Mata Norte”, esclarece Afonso Oliveira. A Mata Norte vem há 15 anos expressando uma das cenas culturais mais ricas de Pernambuco.
“É hoje a região de maior produção cultural fora da Região Metropolitana e o Festival é um panorama desse movimento”, lembra Oliveira. As atrações se concentrarão em sete pontos de cultura escolhidos pelo Ministério da Cultura e pela Fundarpe (Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco), pelas escolas públicas, praças públicas, engenhos, distritos e sedes dos grupos culturais.
Os pontos de cultura são iniciativas desenvolvidas pela sociedade civil que firmam convênio com órgãos de cultura do Estado e Ministério da Cultura para articular e impulsionar ações que já existem nas comunidades envolvendo Arte e Educação, Cidadania com Cultura e Cultura com Economia Solidária.
(Fonte: http://www.iteia.org.br/festival-canavial-2009-movimenta-arede- cultural-da-zona-da-mata-norte-de-pe)
Em todos os casos de emprego das aspas, no texto 1, a finalidade é:
TEXTO 1
Festival Canavial 2009 movimenta a rede cultural da Zona da Mata Norte de PE
Jornal iTEIA
A região da Zona da Mata Norte do Estado - especificamente as cidades de Nazaré da Mata, Vicência, Goiana, Condado e Aliança – reunirá entre 20 de novembro e 5 de dezembro toda a riqueza cultural local no Festival Canavial 2009. Uma programação diversificada que abrangerá música como o Lançamento dos CD´s Maracatu Atômico – Kaosnavial de Jorge Mautner e o Maracatu Estrela de Ouro e Pretinhas do Congo de Goiana; danças com os encontros de coco de rodas, maracatus e caboclinhos; oficinas, aulas-espetáculo e seminários de formação de cultura popular, e o projeto itinerante Caminhos do Canavial (uma espécie de ônibus-biblioteca, devidamente padronizado, onde educadores levarão o fomento à leitura para onde não se tem acesso à leitura, a exemplo de engenhos, assentamentos e comunidades rurais).
“O festival tem acima de tudo, um cunho educacional, com uma programação diversificada montada na maioria das vezes dentro do próprio canavial”, diz um dos organizadores do projeto, o produtor cultural Afonso Oliveira. A última edição do festival aconteceu em 2007, mas a atividade começou a fazer parte da cena cultural da Zona da Mata Norte em 2006. O objetivo do Festival Canavial é contribuir com a Política Cultural da região hoje integrada no Movimento Canavial, ação responsável pela existência do grande número de projetos culturais executados pelos diversos Pontos de Cultura e grupos Culturais.
“Grande parte da programação desenvolvida para o Festival Canavial se apresenta através de projetos premiados pelo Ministério da Cultura e pela Fundarpe, discussões, seminários, oficinas artísticas, consolidando uma política para a Zona da Mata Norte”, esclarece Afonso Oliveira. A Mata Norte vem há 15 anos expressando uma das cenas culturais mais ricas de Pernambuco.
“É hoje a região de maior produção cultural fora da Região Metropolitana e o Festival é um panorama desse movimento”, lembra Oliveira. As atrações se concentrarão em sete pontos de cultura escolhidos pelo Ministério da Cultura e pela Fundarpe (Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco), pelas escolas públicas, praças públicas, engenhos, distritos e sedes dos grupos culturais.
Os pontos de cultura são iniciativas desenvolvidas pela sociedade civil que firmam convênio com órgãos de cultura do Estado e Ministério da Cultura para articular e impulsionar ações que já existem nas comunidades envolvendo Arte e Educação, Cidadania com Cultura e Cultura com Economia Solidária.
(Fonte: http://www.iteia.org.br/festival-canavial-2009-movimenta-arede- cultural-da-zona-da-mata-norte-de-pe)
O emprego das vírgulas no enunciado em negrito “As atrações se concentrarão em sete pontos de cultura escolhidos pelo Ministério da Cultura e pela Fundarpe (Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco), pelas escolas públicas, praças públicas, engenhos, distritos e sedes dos grupos culturais.” (texto 1) tem a finalidade de:
TEXTO 03 para as questões de 13 a 15.
Observe os trechos abaixo.
I. “Inicialmente escolhi-o para aliviar-me da depressão.”
II. “A seguir precisei de tempo para escrever.”
III. “Após havê-lo praticado por certo tempo, descobri, todavia, seu valor espiritual.”
IV. “Agora sinto-me como se tivesse sido feito para o silêncio.”
Sobre eles, é CORRETO afirmar que
TEXTO 01 para as questões de 01 a 07.
INCLUSÃO DIGITAL, PROGRAMA DE ÍNDIO CONECTADO À WEB
ILHÉUS (Bahia) – Quem visitar a Aldeia de Itapoã em Olivença, distrito de Ilhéus, cidade do sul da Bahia, localizada a 465 quilômetros de Salvador, vai encontrar índios que frequentam escolas, surfam nas praias ilheenses e navegam na Internet. Se essa imagem não era possível há alguns anos, hoje faz parte da realidade de grande parte das tribos indígenas.
Na aldeia de Itapoã, as residências são de taipa, mas os telhados, de amianto. Em vez de fogueiras, energia elétrica. Não foi apenas o urbanismo e outras facilidades do mundo moderno que invadiram as aldeias indígenas. Hoje, a inclusão digital também é realidade.
Sete nações indígenas estão em processo de inclusão digital por meio do site Índios On Line (www.indios.org.br), um portal de diálogo intercultural.
O site Índios On Line é uma forma de fazer com que o próprio índio seja o seu historiador, fotógrafo e seu próprio jornalista”, afirma Jaborandy Yandé, índio tupinambá de Olivença e um dos coordenadores do projeto.
Para o gestor da rede, Alexandre Pankararu, do Estado de Pernambuco, o site é uma grande conquista para os índios. “Só o fato de a gente mostrar nossa cara, como a gente vive hoje, já é uma grande mudança na forma como as pessoas nos olham”, diz Alexandre Pankararu.
Oliveira, Camila. Agência A Tarde. Jornal do Commercio. Caderno C. 28 de março de 2010. p.16.
Analise as afirmativas abaixo, observando os sinais de PONTUAÇÃO.
I. “Na aldeia de Itapoã, as residências são de taipa, mas os telhados, de amianto.”
II. “Hoje, a inclusão digital também é realidade.”
III. “Quem visitar a Aldeia de Itapoã em Olivença, distrito de Ilhéus, cidade do sul da Bahia...”
IV. “Para o gestor da rede, Alexandre Pankararu, do Estado de Pernambuco...”
É CORRETO afirmar que
TEXTO 2 – QUESTÕES 07 a 10
A barbárie nossa de todos os dias
Paulo Henrique Costa Mattos
1 Diante da atual onda de violência no Brasil fala-se muito de uma ameaça
2 de regressão à barbárie. A cada dia naturalizam-se as mazelas e as misérias da
3 condição humana, que em nome de um determinismo amparado pelo viés
4 tecnicista e pelas necessidades da concorrência internacional faz predominar o
5 mercado de forma absoluta e de maneira a suprimir quaisquer possibilidades
6 históricas alternativas. Os poderosos de plantão decretam que não existem
7 alternativas e muitos intelectuais, salvo algumas honrosas exceções, se
8 acomodam. Frequentemente quem quer lutar contra tudo isso é taxado de radical,
9 maluco e inconsequente, pois a única postura aceita é o comodismo, o servilismo
10 e a passividade.
11 Um das evidências mais brutais do aviltamento da condição humana e da
12 barbárie instalada é a exploração sexual infantil. A situação de violência e as
13 redes de exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil são
14 evidenciadas pelos números. Segundo a ABRAPIA (Associação brasileira
15 multiprofissional de proteção à infância e adolescência), sete crianças e
16 adolescentes sofrem abuso sexual por hora no Brasil. E a estatística é maior
17 ainda quando falamos na exploração mercantil do sexo infantil. Segundo a
18 UNICEF, o Brasil tem 937 municípios onde ocorre a exploração sexual comercial
19 infantil. Destes 937 31,8% estão concentrados no Nordeste, 25,7% no Sudeste,
20 17,3% no Sul, 11,6% no Centro-Oeste e 13,6% na Região Norte.
21 Essa é a barbárie nossa de cada dia, que está conduzindo o país a uma
22 encruzilhada existencial e a uma situação de tragédia social como nunca antes
23 vista.
http://www.socialismo.org.br/portal/questoes-sociais/113-artigo/299--a-barbarie-nossa-de-todos-os-dias
[com adaptações]
Só não há desvio, em relação ao uso dos sinais de pontuação, no seguinte fragmento de texto: