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Questões de Concurso Comentadas sobre pontuação em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 10.734 questões

Q3774584 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Com celular e redes sociais, sofrimento e bullying perseguem adolescentes por onde quer que vão

Nesta reportagem da série da BBC News Brasil dedicada à saúde mental, o foco recai sobre o cuidado profissional do sofrimento na adolescência, etapa marcada por transformações profundas e determinantes para a passagem à vida adulta.

O debate ganhou força após a estreia da série Adolescência, da Netflix, que acompanha a história de Jaime, de treze anos, acusado de esfaquear uma colega. Fora da ficção, adolescentes buscam apoio terapêutico por diversas razões, sendo o amor um tema recorrente, conforme aponta a psicanalista Diana Lichtenstein Corso, coautora de Adolescência em cartaz: psicanálise e filmes para entendê-la. Segundo ela, o sentimento deve ser levado a sério desde cedo, pois toda conquista é vivida como uma grande aventura e cada ruptura como uma catástrofe.

Conflitos nas amizades e dilemas éticos também são frequentes, assim como a timidez, que o adolescente enxerga como falha grave. Em uma era de hiperexposição, qualquer recuo natural pode ser sentido como incapacidade pessoal. Diana defende que se debata a pressão para se mostrar nas redes, bem como os padrões superficiais impostos nesse ambiente.

Nesse contexto, a escola desempenha papel central. Longe de ser neutra, reproduz desigualdades sociais e, ao mesmo tempo, oferece espaço de acolhimento. Pressões acadêmicas e exclusões se somam a formas de violência explícitas ou simbólicas. O psicanalista Alexandre Patrício de Almeida sugere que docentes recebam preparo para lidar com a saúde mental de alunos e que também sejam cuidados, com espaços regulares de escuta. Já o psicanalista Mário Corso alerta que, diante da busca dos pais por instituições rigorosas e competitivas, a escola deveria funcionar como escudo contra cobranças excessivas, focando no presente do aluno, reduzindo a ansiedade em torno de desempenho e fortalecendo a socialização.

O cuidado clínico começa com a nomeação da dor. Almeida explica que o processo terapêutico ajuda o adolescente a reconhecer sentimentos e a refletir sobre formas de enfrentamento, preferencialmente em perspectiva coletiva que envolva família, escola e comunidade. Ele ressalta a importância de fortalecer estruturas como os CAPS Infanto-Juvenis do SUS.

Para a psicanalista Rosa Maria Marini, as narrativas dos jovens — seja em diários, seja nas redes sociais — oferecem acesso ao mundo interno, cabendo ao analista ajudá-los a elaborar essas experiências. A adolescência é um período de separação dos pais e de construção de uma intimidade própria, como ressalta a psicanalista Adela Stoppel de Gueller. Por isso, o sigilo e a confiança são fundamentais, tornando o psicanalista um interlocutor adulto que não exerce o papel de autoridade familiar.

Outro desafio é a influência digital. A psicanalista Diana Lichtenstein Corso compara a formação da identidade a uma colcha de retalhos construída a partir de múltiplas referências sociais, culturais e familiares. A internet, porém, multiplica essas referências e as troca de forma incessante, produzindo instabilidade semelhante às imagens de um caleidoscópio. Essa dinâmica compromete a organização do pensamento e intensifica fragilidades psíquicas.

Para Mário Corso, não é coincidência que o aumento de sofrimento mental entre adolescentes acompanhe a disseminação de smartphones e redes sociais. O bullying, antes restrito ao espaço escolar, hoje invade a vida do jovem a qualquer hora do dia. Nesse sentido, ele considera positiva a lei que proíbe o uso de celulares em escolas públicas e privadas do Brasil, embora reconheça que o desafio permanece dentro de casa, já que muitos pais também se tornaram dependentes dos aparelhos.

Assim, em meio a cobranças sociais, pressões acadêmicas e influências digitais, a adolescência revela-se um período de intensas vulnerabilidades, em que o cuidado profissional, aliado ao apoio familiar, escolar e comunitário, torna-se essencial para preservar a saúde mental e oferecer aos jovens um caminho de construção de identidade, dignidade e pertencimento.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/ckgr66y4gg1o.ADAPTADO.
Nesse contexto, a escola desempenha papel central. Longe de ser neutra, reproduz desigualdades sociais e, ao mesmo tempo, oferece espaço de acolhimento.

Assinale a alternativa correta quanto à nova pontuação sem alteração do sentido original da frase. 
Alternativas
Q3774128 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Como oito segundos em fita de VHS devolveram voz à mulher com doença degenerativa após vinte e cinco anos


"Depois de tanto tempo, eu não conseguia mais me lembrar da minha voz. Quando ouvi novamente, senti vontade de chorar. É uma espécie de milagre", afirma Sarah Ezekiel.

Aos trinta e quatro anos, pouco depois do nascimento do segundo filho, ela recebeu o diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença degenerativa que compromete os neurônios motores. Em poucos meses, ela perdeu o uso das mãos e deixou de falar de maneira inteligível, passando a depender de cuidadores e de tecnologia para se comunicar. Durante mais de vinte anos, a única voz que os filhos conheceram foi a de uma máquina metálica e sem emoção.

A mudança veio quando a família encontrou uma fita VHS dos anos 1990, gravada em ambiente doméstico, na qual havia apenas oito segundos de fala de Sarah. Embora o som estivesse distorcido e abafado, ferramentas de inteligência artificial conseguiram isolar e reconstruir sua voz original, devolvendo-lhe entonação, identidade e emoção.

O impacto foi imediato. Sarah se emocionou ao ouvir a própria voz recriada, e os filhos relataram sentir-se mais próximos da mãe, que agora conseguia expressar estados de espírito e transmitir nuances de sua personalidade. A família descreve essa transformação como um ganho profundo, que reaproximou todos após anos de comunicação limitada.

Antes disso, Sarah viveu longos períodos de isolamento e depressão, até que, com o surgimento da tecnologia de rastreamento ocular, voltou a se expressar, a atuar em projetos de apoio a pessoas com deficiência e até a retomar a pintura. Com esforço, passou a transformar movimentos dos olhos em palavras, frases e obras de arte.

Especialistas observam que as vozes recriadas por inteligência artificial representam um avanço significativo em relação às antigas vozes padronizadas, porque preservam sotaques, ritmos e características individuais. Isso contribui para que cada paciente se reconheça em sua própria fala, reforçando a identidade e a ligação afetiva com familiares e amigos.

No Brasil, o Ministério da Saúde calcula que cerca de doze mil pessoas convivem com a ELA. Embora não exista cura, o Sistema Único de Saúde oferece medicamentos que retardam a progressão, além de fisioterapia, acompanhamento nutricional e cuidados paliativos. Entre os sintomas estão perda gradual da força, dificuldade para respirar e engolir, alterações na fala, engasgos frequentes, cãibras e perda de peso.

O caso de Sarah ilustra como a tecnologia ultrapassa barreiras impostas por doenças graves, devolvendo não apenas a capacidade de se comunicar, mas também a sensação de dignidade, identidade e pertencimento.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cx29gz8pg8qo.ADAPTADO.
Embora não exista cura, o Sistema Único de Saúde oferece medicamentos que retardam a progressão, além de fisioterapia, acompanhamento nutricional e cuidados paliativos.

Assinale a alternativa correta quanto à nova pontuação sem alteração do sentido original da frase.
Alternativas
Q3773979 Português

ESCOLA, ENSINO DE LÍNGUA, LETRAMENTO E CONHECIMENTO


    A língua não é um hábito que se exercita, nem um jogo em que se entra e sai, nem tampouco uma roupa que se veste conforme a ocasião, apropriada ou inapropriada. É uma totalidade que, constituída na história humana, constitui os sujeitos, é marca de identidade, condição de pensamento, forma fundamental de relacionamento e de intervenção no mundo. Independentemente de qual seja a base biológica em que se sustenta a linguagem humana, seja admitindo-se um fundamento genético específico, seja reconhecendo a capacidade simbólica humana consequente do desenvolvimento cerebral, o fato é que a língua é um fenômeno de ordem histórica e, como tal, realiza-se e produz-se em função da ação humana, do trabalho humano.

    Devemos sempre considerar, ao refletir sobre as formas de ser e os usos da língua, que ela é, acima de tudo, expressão de identidades: identidades de grupos, de nações, países ou regiões (de onde surge o conceito de língua ou línguas nacionais), de países, de comunidades de países, de localidades e, também e de forma muito significativa, de indivíduos. Evidentemente, não se postula nenhum processo “natural”, mas sim um movimento histórico, que se submete a múltiplas funções e é objeto de constante disputa. As identidades são produções histórico-sociais e pertencem ao humano genérico.

    Daí as limitações das percepções dicotômicas da língua que se constituíram na tradição dos estudos linguísticos e dos modelos pedagógicos de ensino de língua materna. Assim é que se estabeleceram, sempre em pares excludentes, paradigmas avaliativos ou descritivos dos usos e definições linguísticas, tais como próprio e impróprio, adequado e inadequado, forma culta e popular, registro formal e informal, língua padrão e não padrão, falar (ou escrever) certo e errado, modalidade escrita e oral, entre tantas outras oposições simplificadoras. Não se trata de afirmar que tais formas de apreensão do fenômeno linguístico são ilegítimas ou mero equívoco teórico. Pelo contrário, é preciso considerá-las como resultado dos focos de interesse que se manifestam nas formas como se realiza a luta pelo poder.

    Por isso faz todo sentido afirmar que língua é poder. O domínio sobre a linguagem, mais exatamente sobre seus usos, produzindo e legitimando determinadas formas como ela se realiza, pelo estabelecimento de uma legislação linguística (gramáticas, normas, gêneros, regras) e de valores arbitrários por meio da publicidade deste ou daquele registro é uma forma de poder. E um poder particularmente relevante na medida em que tanto o conhecimento formal como as formas de normatização da vida e de produção se concretizam na linguagem, em particular nas formas de escrita. Bourdieu (1998) captou com precisão essa ideia quando formulou o conceito de língua legítima, isto é, aquela que, para um determinado Estado, aparece como a única língua que expressa o poder e que é (e assim deve ser) muito mais reconhecida do que conhecida.

    O preconceito linguístico sustenta-se no reconhecimento desta língua legítima e na reprodução contínua de estereótipos de cultura e de incultura e na divulgação sistemática de um modelo regulador e corretivo, de caráter basicamente estilístico, cuja finalidade, mesmo que não afirmada e até negada, está em fazer crer que o suposto domínio deste modo de usar a língua (o que é praticamente impossível, não estando o sujeito inserido no lugar social em que este falar se realiza) traz sucesso social. Mais que isso, se naturaliza um estilo como original e se marcam os demais como desvios ou atrasos e, neste sentido, ameaça à integridade social. Deste fato (porque tal imagem se constitui como fato social, mesmo que se fundamente numa crença) se aproveitam pretensos especialistas que mantêm espaços didáticos regulares em jornais, revistas e programas de tevê; mas também, infelizmente, tendo interiorizado esta lógica e reconhecendo-a como verdade insuspeita, atuam nesta direção educadores sérios e dedicados. Esta forma de compreender a questão da linguagem é motivo de intenso debate pedagógico em que se indaga não apenas como a escola deve ensinar a língua materna, mas também o que tem a ensinar. Infelizmente, este debate raramente abandona o referencial normativo e, preso às concepções dicotômicas, desconsidera a questão central, a saber, aquela que diz respeito ao conhecimento [...]

    A posição que cabe sustentar não é a de que o ensino da língua legítima é democrático (visão monolítica de cunho autoritário) nem a de que cada um sabe do seu jeito e que não há o que aprender no que tange à linguagem (conceito que só se sustenta por um culturalismo idealista). Assumiremos por enquanto que “o papel da escola deve ser o de garantir ao aluno o acesso à escrita e aos discursos que se organizam a partir dela” (Britto, 1997). Isto porque a aprendizagem da escrita e dos conteúdos que se veiculam por ela é central na formação dos sujeitos e não se realiza senão através do exercício sistemático e reflexivo.

    De fato, a escrita é um instrumento poderoso, cuja principal característica – mas certamente não a única – é a de permitir a expansão da memória, que passa a situar-se fora dos indivíduos, o que, por sua vez, permite a produção de formas de pensamento descontextualizado e a monitoração continuada de ações e atividades intelectuais. Durante muito tempo, ela foi o único recurso desta natureza (hoje existem vários, como a gravação em áudio e vídeo, a fotografia, os arquivos eletrônicos). A expansão da memória oferece aos indivíduos e aos grupos sociais maior capacidade de pensamento, porque permite esquecer sem esquecer, uma vez que não é preciso guardar na mente todas as informações, mensagens, ideias, raciocínios. Armazenando e registrando a informação fora do corpo físico, mas ao alcance dos interessados, a escrita teve papel fundamental no desenvolvimento da ciência, da filosofia, das leis, das artes etc.

    Contrariamente ao que costuma repercutir o senso comum, a escrita não tem, nem teve em sua origem, como função primordial a comunicação. De fato, ela foi produzida principalmente em função da necessidade do registro da propriedade e do controle do fluxo de mercadorias e se desenvolveu na medida em que a sociedade de classes, centrada na apropriação da riqueza por uma das classes e pelo poder que esta classe exercia sobre o conjunto da sociedade, se expandiu. Há, portanto, um vínculo estrito entre a escrita e as formas de poder e de apropriação dos bens simbólicos produzidos na própria cultura escrita. E isto não é de se estranhar quando se considera uma ordem social em que a apropriação desigual da produção é essencial. Como ocorre com qualquer outra técnica, a posse da escrita, na sociedade de classes, está desigualmente distribuída.

    Até este momento da exposição, considerei a língua e a escrita como objetos em si, descolados de outras dimensões do conhecimento e das práticas humanas, conforme se costuma fazer nas reflexões oriundas na área da linguagem. Contudo, e esta é a tese fundamental que sustenta meu posicionamento atual, tal separação tem trazido significativos malentendidos e prejuízos, senão para os estudos da linguagem, pelos menos para a educação em sentido amplo.

    Para dar segmento a este raciocínio, tomo em consideração o conceito de letramento, que se vulgarizou dos anos noventa cara cá nos estudos de escrita, educação linguística e propostas de educação escolar. Para tanto, retomo aqui a defesa de Kato (1986), a primeira autora a usar o termo no Brasil, sobre a função da escola: “A função da escola é introduzir a criança no mundo da escrita, tornando um cidadão funcionalmente letrado, isto é, um sujeito capaz de fazer uso da linguagem escrita para sua necessidade individual de crescer cognitivamente e para atender às várias demandas de uma sociedade que prestigia esse tipo de linguagem como um dos instrumentos de comunicação. A chamada norma-padrão, ou língua falada culta, é consequência do letramento, motivo por que, indiretamente, é função da escola desenvolver no aluno o domínio da linguagem falada institucionalmente aceita.”

    A ideia de um mundo da escrita apareceu em função das análises dos gêneros da escrita e da relação que se estabelece entre eles e o conhecimento. Nos textos escritos, as frases podem ser mais longas e complexas e apresentar maior diversidade de palavras. As formas de organizar o enunciado se definem com outros critérios, diferentes das formas próprias da fala. Na fala são elementos essenciais o tempo e o ritmo, a repetição e a ênfase sonora como recursos para organizar o que dizemos. O ouvinte serve de orientação para que a falante se explique, se corrija, tome um novo ritmo, fale com maior ou menor intensidade. Ao escrever, organiza-se o texto em períodos, parágrafos, capítulos, partes.

    Além disso, a escrita favorece maior percepção da língua e a fixação de suas formas. Por permanecer presente diante daquele que a vê, permite que um texto possa ser revisto tantas vezes quantas o autor quiser e que o leitor possa retomar qualquer ponto do texto. Graças a essa possibilidade se estabeleceram conceitos, como o de palavra e de fonema, desenvolveram-se teorias para explicar a língua, seu funcionamento e sua relação com o pensamento, produziram-se dicionários e gramáticas. Outro aspecto relevante da escrita é a bidimensionalidade, em oposição ao caráter linear da fala, o que permite a construção de quadros, tabelas, esquemas e mapas, que, por sua vez, permitem outras formas de apreensão e representação do real. Também se associam à escrita diversas atividades intelectuais e sociais (literatura, filosofia, ciência, direito), além de produtos culturais materiais. A tais atividades e produtos se vinculam muitas profissões (a de escrever, a de ensinar, o jornalismo, o trabalho de edição e revisão de textos, a indústria gráfica e, mais recentemente, a eletrônica).

    Como vemos, a ideia de um mundo da escrita diz respeito às formas de organização da sociedade e do desenvolvimento do conhecimento. É certo que a língua ganhou novas conformações e estruturas neste processo, mas não há como imaginar que seja possível aprender esta escrita sem conhecer os conteúdos que a ela se associam e, portanto, entrar neste mundo da escrita é, de fato, entrar no mundo do conhecimento.

    Equivoca-se a autora quando estabelece a equivalência entre “introduzir a criança no mundo da escrita” e “torná-la um cidadão funcionalmente letrado”, porque a ideia de alfabetismo funcional implica não o domínio das formas superiores de conhecimento, mas a possibilidade de usar a escrita para as tarefas de cotidiano, as quais se relacionam com situações próprias do contexto imediato [...]

    Kato também deriva norma-padrão do conceito de letramento. Se é fato que a atividade normativa no âmbito da linguagem se desenvolveu enormemente com a escrita, isto não significa que haja correspondência estrita entre o conhecimento dos conteúdos veiculados pela escrita e o domínio de regras de uso e de um determinado estilo. Menos ainda se pode dizer que a norma-padrão (que seria uma espécie de cânone estabelecido pelos mecanismos de controle linguísticos) se equivalha à língua falada culta, que é a manifestação de oralidade de um segmento social. Tais confusões decorrem de uma percepção acrítica das questões políticosociais no plano da linguagem e fortalecem o preconceito e o normativismo. Esta postura fica evidente quando a autora sustenta que tal forma de linguagem é “a institucionalmente aceita”, como se isso fosse da natureza humana e não da história. A defesa do que se chama norma culta, como expressão de uma linguagem elaborada e “correta”, está diretamente relacionada com a reprodução da língua legítima e das relações de poderes em que ela se encerra, pouco se relacionando com o desenvolvimento intelectual e com o conhecimento formal (ver, a respeito, BRITTO, 1977; 2003).


Referências

BOURDIEU, P. A economia das trocas linguísticas. São Paulo: Edusp., 1998.

BRITTO, L. P. L. Contra o consenso: cultura escrita, educação e participação. Campinas: Mercado de Letras, 2003

BRITTO, L. P. L. A sombra do caos: ensino de língua x tradição gramatical. Campinas: Mercado de Letras / ALB, 1997.

KATO, M. A. No mundo da escrita: uma perspectiva psicolinguística. São Paulo, Ática, 1986.

LUIZ PERCIVAL LEME BRITTO

Adaptado de Calidoscópio, Porto Alegre, vol. 5, nº 1, jan./abr, 2007 [excerto adaptado].

No 11º parágrafo, o autor menciona diferenças entre a fala e a escrita, lembrando que “Ao escrever, organiza-se o texto em períodos, parágrafos, capítulos, partes”.


Com base na noção de período, responda à questão.  



No sistema gráfico da língua portuguesa, dentre os sinais que podem ser usados para delimitar um período, estão: 
Alternativas
Q3773120 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Como oito segundos em fita de VHS devolveram voz à mulher com doença degenerativa após vinte e cinco anos


"Depois de tanto tempo, eu não conseguia mais me lembrar da minha voz. Quando ouvi novamente, senti vontade de chorar. É uma espécie de milagre", afirma Sarah Ezekiel.


Aos trinta e quatro anos, pouco depois do nascimento do segundo filho, ela recebeu o diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença degenerativa que compromete os neurônios motores. Em poucos meses, ela perdeu o uso das mãos e deixou de falar de maneira inteligível, passando a depender de cuidadores e de tecnologia para se comunicar. Durante mais de vinte anos, a única voz que os filhos conheceram foi a de uma máquina metálica e sem emoção.

A mudança veio quando a família encontrou uma fita VHS dos anos 1990, gravada em ambiente doméstico, na qual havia apenas oito segundos de fala de Sarah. Embora o som estivesse distorcido e abafado, ferramentas de inteligência artificial conseguiram isolar e reconstruir sua voz original, devolvendo-lhe entonação, identidade e emoção.

O impacto foi imediato. Sarah se emocionou ao ouvir a própria voz recriada, e os filhos relataram sentir-se mais próximos da mãe, que agora conseguia expressar estados de espírito e transmitir nuances de sua personalidade. A família descreve essa transformação como um ganho profundo, que reaproximou todos após anos de comunicação limitada.

Antes disso, Sarah viveu longos períodos de isolamento e depressão, até que, com o surgimento da tecnologia de rastreamento ocular, voltou a se expressar, a atuar em projetos de apoio a pessoas com deficiência e até a retomar a pintura. Com esforço, passou a transformar movimentos dos olhos em palavras, frases e obras de arte.

Especialistas observam que as vozes recriadas por inteligência artificial representam um avanço significativo em relação às antigas vozes padronizadas, porque preservam sotaques, ritmos e características individuais. Isso contribui para que cada paciente se reconheça em sua própria fala, reforçando a identidade e a ligação afetiva com familiares e amigos.

No Brasil, o Ministério da Saúde calcula que cerca de doze mil pessoas convivem com a ELA. Embora não exista cura, o Sistema Único de Saúde oferece medicamentos que retardam a progressão, além de fisioterapia, acompanhamento nutricional e cuidados paliativos. Entre os sintomas estão perda gradual da força, dificuldade para respirar e engolir, alterações na fala, engasgos frequentes, cãibras e perda de peso.

O caso de Sarah ilustra como a tecnologia ultrapassa barreiras impostas por doenças graves, devolvendo não apenas a capacidade de se comunicar, mas também a sensação de dignidade, identidade e pertencimento.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cx29gz8pg8qo.ADAPTADO.
Embora não exista cura, o Sistema Único de Saúde oferece medicamentos que retardam a progressão, além de fisioterapia, acompanhamento nutricional e cuidados paliativos.

Assinale a alternativa correta quanto à nova pontuação sem alteração do sentido original da frase.
Alternativas
Q3772794 Português
Texto I

Tempos modernos – uma crítica à sociedade industrial

Por Arlindenor Pedro

    Quando o filme "Tempos Modernos" chegou às telas, em 1936, o mundo já convivia com o cinema sonoro há quase 10 anos. Durante todo esse tempo, o “vagabundo”, personagem que conhecemos como Carlitos, criado por Charlie Chaplin — que compartilhou nas primeiras décadas do século XX o infortúnio dos desvalidos, que viam nele uma identificação com seus geniais desempenhos — ficou sem aparecer nos cinemas.
    No intervalo entre o seu último filme, "Luzes da Cidade", e o lançamento de "Tempos Modernos", Chaplin amadureceu a ideia de que o “vagabundo” não iria transitar no mundo do cinema sonoro. Decidiu, então, que "Tempos Modernos" seria o último filme do personagem. O que aconteceu de fato!
    O mundo mudara muito nessa época, já se vivia a tensão de uma nova guerra que estava por vir!  
    Em 1931, Chaplin fez uma turnê pela Europa e viu que os males que afligiam a economia americana — a recessão e o desemprego — estavam presentes em todo lugar. Viu, também, que os capitalistas europeus, a exemplo dos americanos, buscavam superar a crise por alterações no processo produtivo, adaptando-se aos novos tempos, racionalizando cada vez mais a produção. Os conceitos de Henri Fayol e Frederick Taylor, de racionalizar as operações de trabalho, levariam a um considerável ganho de produtividade, reduzindo o custo unitário dos produtos e ampliando a margem de lucro por implementos, que tiveram seu ápice com a linha de montagem fordista. Isso encantava os empresários. A aplicação dessas ideias resultou no desemprego de milhões de pessoas, contribuindo para acelerar o confronto dos países capitalistas através da guerra. O conflito aliviaria as tensões sociais internas e abriria as portas para novos mercados.
    Retornando aos Estados Unidos, vivamente sensibilizado com essas questões, Charlie Chaplin tomou a decisão de fazer um novo filme, onde retrataria esse novo mundo. O cineasta sempre teve uma visão diferente daquela que estava sendo construída pelas elites econômicas da burguesia liberal. Sua Utopia era uma sociedade mais justa, com pleno emprego, sem a violência do Estado, com a felicidade ao alcance de todos, sem o racionalismo científico que tirava do ser humano a sua essência humanista, procurando transformá-lo em máquina. Eram ideias que ele procuraria sintetizar mais tarde, na cena final de seu próximo filme, lançado já em plena guerra: "O Grande Ditador".
    Em "Tempos Modernos", Chaplin nos mostra o “vagabundo” — antípoda da sociedade moderna racionalizada — às voltas com a linha de montagem fordista, em um ambiente asséptico, científico, controlado e não menos cruel. Numa cena clássica, vemos o nosso herói ser sugado, literalmente, pelas engrenagens das máquinas industriais, sem condições, portanto, de se adaptar à linha de produção e, por isso mesmo, levado à loucura.
    Nesses novos tempos, mais do que nunca, a competição econômica forçaria as empresas a buscarem a eficácia, revolucionando o trabalho, a técnica e os produtos, que adiante voltam a competir e a ser revolucionados, em um processo contínuo e infindável. Noutras palavras: estaria na lógica da produção de mercadorias a obrigatoriedade das empresas a racionalizarem o desenvolvimento das suas forças produtivas.

Fonte: https://www.jb.com.br/cadernob/2025/10/1057433-tempos-modernos-uma-critica-asociedade-industrial.html. Acesso em 31/10/2025. Excerto
Em “O mundo mudara muito nessa época, já se vivia a tensão de uma nova guerra que estava por vir!” (3º parágrafo), a vírgula antes de “já” tem como função:
Alternativas
Q3772760 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Passarela da Misantropia 


Caminho obedientemente atrás dele. Seus passos me parecem lentos. Como se desfilasse na passarela da misantropia. Como se não soubesse para onde ir. 


Percebo a tristeza no seu tom de voz. Quando ele diz meu nome, ele saliva solidão e angústias mal resolvidas. Não entendo o que ele diz, mas entendo, ao mesmo tempo. Não sei se me faço entender. Mas seu tom de voz diz tudo. E seu tom de voz agora é um manancial de depressão que rasga seu peito, outrora, vivaz.


Uma pena. Prefiro quando ele emana traços de felicidade. Momentos raros, devo destacar. Desde que ela foi embora. Desde que ela saiu pela porta da frente e nunca mais voltou. Lembro-me até hoje. Ela, raivosa. O semblante determinado. Não olhou para mim. Não olhou para trás. Não olhou para o que construíra. Simplesmente, partiu.


Ficamos eu e ele. Desde então, dois solitários. Porque a dor dele é minha também. Eu o amo. E compartilho a sua dor. E, de alguma forma, percebo que ele sabe a verdade sobre mim: eu jamais seguirei os passos dela. Jamais vou abandoná-lo.


Sempre que ele chamar Rex, eu irei até ele, o rabo abanando, tentando lhe conferir traços de afago em um dia repleto de desavenças internas.


MARTINZ, Juliano. Passarela da misantropia. Corrosiva, [s.d.]. Disponível em: https://corrosiva.com.br/cronicas/passarela-da-misantropia/ . Acesso em: 2 dez. 2025. 

Com base no trecho "E, de alguma forma, percebo que ele sabe a verdade sobre mim: eu jamais seguirei os passos dela.", analise o emprego dos sinais de pontuação empregados e assinale a alternativa correta quanto ao uso da vírgula e dos dois-pontos, conforme a norma culta da língua portuguesa.
Alternativas
Q3772725 Português
Texto I

Quantas vezes você mudou de opinião sobre o que quer ser quando crescer?

Luana Génot

    Muitas vezes, perguntamos às crianças o que querem ser quando crescer. E, por mais inocente que pareça, essa pergunta carrega muitas nuances: ela faz com que a gente projete o futuro, mas também perceba o quanto os nossos sonhos mudam com o tempo. Quanto mais repertório acumulamos, mais atualizamos nossos desejos. O sonho de ontem pode não fazer mais sentido hoje, e está tudo bem.
    Um executivo, certa vez, me contou algo que jamais esqueci. Ele saiu do interior da Bahia sonhando em ser caminhoneiro, como o pai. Achava que aquele era o topo. Não porque faltasse ambição, mas porque faltavam referências. Ao se mudar para estudar, porém, descobriu outros mundos. Passou a almejar um trabalho como auxiliar, depois, novos postos, e foi galgando degraus até virar diretor. Hoje, mais do que cargos, sonha em ter tempo. Tempo para si, para a família, para ver o sol se pôr.
   Sonhos mudam de roupa conforme a estação da vida. Às vezes, crescem; outras vezes, se simplificam. Já quisemos o palco e, depois, queremos o sossego. Já almejamos o sucesso financeiro a todo custo e, em seguida, queremos a saúde mental acima de tudo. E tudo isso faz parte do mesmo caminho e pode até coexistir em muitas medidas.
    O que me intriga é que também há aqueles que não se permitem sonhar. Gente que aprendeu cedo que isso é luxo, coisa de quem tem tempo ou dinheiro. Sonhar, porém, é ferramenta de sobrevivência, especialmente para quem sempre precisou lutar para existir. É uma forma de hackear o sistema, de furar a bolha do “impossível”, de encontrar brechas nas estruturas que dizem “não”.
    O sonho é ancestral. É herança das nossas avós que sonhavam em liberdade enquanto lavavam roupa no rio. É a centelha que moveu quem veio antes, que acreditou num amanhã que talvez nunca tenha visto, mas plantou para que a gente colhesse. Por isso, deixar o sonho morrer é como cortar o fio que liga o passado ao futuro.
    Manter os desejos em dia é um ato de resistência. É como revisar um documento importante da alma: precisa ser atualizado, revisitado, cuidado. Porque o mundo muda, e a gente muda junto. E, se há dias em que algo almejado parece distante, que isso vire farol, mesmo que fraquinho, para iluminar o caminho.
    Às vezes, o sonho não é mais ser astronauta, é só dormir melhor. Não é mais ser presidente, mas conseguir pagar as contas e sorrir. E está tudo certo. A beleza existe em continuar sonhando, mesmo que isso varie conforme o fôlego do momento.
    O importante é não deixar que o peso do real atropele a leveza do que parece impossível, que nos projeta. Que a pressa não atropele o propósito. Que o medo não atropele a esperança. Então, se hoje você não souber responder “o que quer ser quando crescer”, relaxa. Talvez o que você precise é só se perguntar: o que ainda quero sonhar?

Fonte: https://oglobo.globo.com/ela/luanagenot/coluna/2025/11/quantas-vezes-voce-mudou-deopiniao-sobre-o-que-quer-ser-quando-crescer.ghtml. Acesso em 15/11/2025. Adaptado.
No trecho “Manter os desejos em dia é um ato de resistência. É como revisar um documento importante da alma: precisa ser atualizado, revisitado, cuidado” (6º parágrafo), o uso dos dois-pontos indica:  
Alternativas
Q3772571 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Medo de mudar de opinião


Tem pessoas que sofrem por não terem coragem de mudar. Como em algum momento do passado elas defenderam uma causa em que acreditavam com muita força e convicção, agora se sentem interiormente impedidas de mudar, de reconhecer que as coisas e o tempo evoluem, e a mudança de ideias e opiniões acompanham. Com isso, sofrem muito. E o que é pior. Mesmo sabendo estarem erradas, continuam defendendo causas nas quais não acreditam mais, só por se sentirem incapazes de mudar de opinião e dizer que pensaram melhor, estudaram novos argumentos e mudaram de ideia. Para algumas pessoas isso é impensável! Isso acontece a respeito de qualquer tema: política, costumes, saúde, religião, meio-ambiente etc. Se o caro leitor é um desses, lembre-se que você tem o direito de mudar de ideia e de opinião sem ter medo nem vergonha, sem ter que dar satisfação a ninguém. Pense nisso. 



SANTOS, Alaides Garcia dos. Medo de mudar de opinião. Blog do Alaides, [s.d.]. Disponível em: https://www.blogdoalaides.com.br/cronicas-curtas-6/ . Acesso em: 2 dez. 2025.


Considere as afirmativas a seguir relacionadas à gramática normativa. Registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:

(__)Na oração "agora se sentem interiormente impedidas de mudar", o pronome oblíquo átono "se" está corretamente posicionado segundo as normas da colocação pronominal, pois o advérbio "agora" atrai a próclise.

(__)A oração "que as coisas e o tempo evoluem" presente no trecho "de reconhecer que as coisas e o tempo evoluem" é classificada como subordinada substantiva objetiva direta, pois exerce função de complemento da forma verbal "reconhecer".

(__)Os dois-pontos no trecho "Isso acontece a respeito de qualquer tema: política, costumes, saúde, religião, meio-ambiente etc." introduzem enumeração explicativa, estando seu uso em perfeita consonância com a norma culta.

Assinale a alternativa com a sequência correta, de cima para baixo:
Alternativas
Q3772247 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


A guardiã da rua


Era sábado de manhã quando cinco amigos procuravam um lugar para estacionar o carro. A viagem para o Guarujá tinha sido longa, e todos estavam animados para pisar na areia e cair no mar.

Depois de muito procurar, encontraram uma vaga perfeita na sombra de uma árvore e bem próxima da praia. Comemoraram: seria menos um gasto na viagem.

Enquanto pegavam todas as coisas no porta-malas do Honda Fit, uma senhora se aproximou. De estatura baixa, com um sorriso no rosto, um boné e roupas típicas de quem quer se proteger do sol, Dona Bel se apresentou e disse: "Cuido da rua por 20 reais".

Confusos, todos se entreolharam, assimilando a informação. Um dos amigos já avisou: "Não temos dinheiro". Contrariada, Dona Bel argumenta: "Tudo bem, pode ser 20 reais no pix mesmo. Sabem como é, né? A gente fica de olho nos carros aqui da rua para não acontecer nada de ruim".

Dali em diante, o tom da conversa já não era o mais simpático. O grupo pegou suas coisas e andou em direção à praia, desconversando a proposta da senhora até perdê-la de vista.

O dia estava maravilhoso, mas os gastos, nem tanto. Cem reais pelo guarda-sol e cadeiras, 50 na prancha de bodyboard, 20 para usar o banheiro e por aí vai. Mas o que vale é estar na praia com os amigos, certo? Entre uma conversa e outra, algumas piadas sobre a situação surgiam: "Será que a dona da rua ainda está lá?", "Se não pagarmos, ela vai bater na gente?", "Por 20 reais ela tem que saber lutar com bandidos".

Voltando para o carro, usaram garrafas de água para tirar o sal do corpo e trocaram de roupa dentro do veículo, tudo para não gastar mais 20 reais na ducha do quiosque ao lado.

Dona Bel observava de longe, pronta para cobrar o preço pelo seu serviço. Enquanto se secavam, o grupo de amigos combinava entre sussurros qual seria o plano para pular no carro e ir embora sem pagar nada.

Devagar, Dona Bel levantou e caminhou em direção ao grupo. Imediatamente, todos entraram no carro e saíram dali. No banco de trás, os meninos gritavam: "Corre que a Bel tá vindo! Ela vai bater na gente!", e todos riam sem fôlego, sentindo a adrenalina que a fuga da senhorinha mal-humorada causou.


LEANDRO, Beatriz Garcia. A guardiã da rua. In: Portal de Livros Abertos da USP. São Paulo: Universidade de São Paulo. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 691/1544/6178 . Acesso em: 14 nov. 2025. 
Em relação ao emprego dos sinais de pontuação na oração apresentada, analise as proposições abaixo:

I.A vírgula após "No banco de trás" está correta, pois isola um adjunto adverbial deslocado, conferindo clareza e fluidez à leitura.
II.Os dois-pontos introduzem corretamente uma fala direta, funcionando como elemento de transição entre o verbo de elocução ("gritavam") e o discurso que se segue.
III.As aspas e os pontos de exclamação foram empregados incorretamente, pois, segundo a norma-padrão, não se deve usar pontuação expressiva dentro das aspas quando já há pontuação externa delimitando o discurso direto.

Está correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3770942 Português
A liberdade é, antes de tudo, o direito à desigualdade. Sei que choco um de nossos mais caros preconceitos. Mas a liberdade que não reconhece ao indivíduo o direito de ser, em todos os sentidos, mais ou menos que os seus semelhantes, não é liberdade: é um manicômio de escravos.

(Adaptado de LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.)
No trecho “...não é liberdade: é um manicômio de escravos”, os dois-pontos foram utilizados para: 
Alternativas
Q3770928 Português
Letra e melodia


Cinco crianças se sentavam para assistir ao seriado favorito no tapete da sala, e eu era uma delas. Não lembro uma cena marcante sequer, mas a música de abertura está tatuada em minha mente. A letra dizia: "Ei, criança, não venda seus sonhos tão cedo. Pra onde você olhar haverá um coração, alguém para dar a mão". Só descobri seu sentido mais de uma década depois, quando aprendi um pouco de inglês.

Sempre me considerei do grupo que gosta da poesia dos versos, e me espanto ao perceber que já amava algumas músicas muito antes de saber sobre o que elas falavam. Minha mãe sempre foi fã dos hits dos anos 80 e 90, o tipo de música que todo mundo na minha família gosta. Ninguém precisa entender qualquer língua para sentir um arrepio com os acordes iniciais de Africa, do Toto.

Essa música, minha preferida, remete a tardes com minha mãe, quando eu não entendia nada do que dizia — e ainda assim já a amava. Crescer foi descobrir que essas canções tinham belas melodias e mensagens com as quais muitos podem se identificar.

Às vezes acontece o contrário: você descobre que a música que amava fala um bocado de abobrinhas. Outras, porém, revelam sentidos ainda melhores. Quem não achava a melodia de "Como nossos pais" bonita quando era pequeno? Mas talvez só alguém mais velho entenda a dor de Elis e Belchior no verso "eu sinto tudo na ferida viva do meu coração".

Talvez bom mesmo seja isso: amar algo mesmo sem compreendê-lo, permitir que desperte afeto, como uma criança que se apaixona pela melodia sem fazer ideia do que ela diz.

Texto Adaptado


PETROPOULEAS, Suzana Correa. Letra e melodia. In: Portal de Livros Abertos da USP. São Paulo: Universidade de São Paulo, [s.d.]. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/7 30/648/2404 . Acesso em: 16 nov. 2025.
Com base na norma culta da Língua Portuguesa e na função sintática e estilística dos sinais de pontuação empregados no trecho "A letra dizia: 'Ei, criança, não venda seus sonhos tão cedo. Para onde você olhar haverá um coração, alguém para dar a mão'", é correto afirmar que:
Alternativas
Q3770713 Português
Em qual alternativa o uso das conjunções coordenativas e da pontuação está correto e coerente com o sentido do período? 
Alternativas
Q3769646 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Vou te contar


Era uma manhã comum quando o professor de matemática parou a aula para perguntar se alguém tocava algum instrumento. Eu, que tinha começado aulas de piano há pouco tempo, falei com orgulho: "Eu toco piano!". Comentei que estudava MPB, o coleguinha disse que aprendia Wave no violão, e o professor perguntou se poderíamos tocar juntos no aniversário do colégio. Eu disse que sim, que conhecia a música e que era minha favorita — embora eu não conhecesse nem tocasse Wave .

Naquela semana, cheguei na aula de piano decidida: "Quero aprender a tocar Wave". Minha professora apenas pegou a partitura e disse: "Ok, então vamos tocar Wave". Eu me esforcei muito para aprender, querendo manter a imagem de aluna que toca MPB e impressionar a turma. E, apesar da dificuldade, consegui.

Quando finalmente toquei Wave, descobri o poder da música. Era a primeira canção que fazia minha família se juntar e cantar junto. Também foi a música que me aproximou de pessoas — inclusive do coleguinha do lado, que é meu amigo até hoje.

Com o tempo, Wave de fato se tornou minha música favorita. Depois da apresentação, até mudei minha biografia do Facebook para: "A música aproxima as pessoas como nenhuma outra forma de arte".

Texto Adaptado

KASSAB, Sofia. Vou te contar. In: UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Portal de Livros Abertos da USP. São Paulo: USP, [20--]. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/7 30/648/2404 . Acesso em: 13 nov. 2025.
Considere o seguinte trecho do texto:

"Eu, que tinha começado aulas de piano há pouco tempo, falei com orgulho: 'Eu toco piano!'."

Assinale a alternativa que apresenta análise gramatical e estilística correta a respeito do uso dos sinais de pontuação nesse período.
Alternativas
Q3769187 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Por Isso Sou

Certamente, todos possuem um momento, uma situação que ficou gravada na alma. Minha história, minha crônica é como um passado presente. A tristeza, a dor, o sofrimento me envolveu. Não são esses sentimentos que quero compartilhar com vocês, mas o momento e o que ele me trouxe.

Quando ainda era criança, presenciei um encontro de meus pais. Nele, mãe lhe disse que era seu filho. Ele me rejeitou e riu, descrente da verdade. Naquele momento, aquelas palavras se propagaram por todo o meu corpo me paralisando. Tive um choque de realidade. Alguns minutos foram uma eternidade. Tive a rejeição do meu pai e, claro, não é fácil para ninguém.

Tanta dor me trouxe alegria. Não seria o que sou se não tivesse uma dor superada. Transformei minhas lágrimas em sorrisos. Eu e meu pai podemos não nos conhecer, podemos não saber onde moramos, podemos não saber quem somos, mas sou feliz! Não por ter sofrido, mas por saber que, aonde quer que eu vá, terei um passado que me fará idealizar um futuro diferente.


Texto Adaptado

SILVA, Carlos Augusto da. Por isso sou. In: ALVES, Weber Firmino et al. Crônicas salineiras. Natal: IFRN, 2016. 142 p. Disponível em: https://memoria.ifrn.edu.br/bitstream/handle/1044/894/Ebook_Cro%CC %82nicas%20Salineiras.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 10 nov. 2025.
Com base na norma culta e nos efeitos de sentido, assinale a alternativa correta sobre o uso da vírgula no trecho "Quando ainda era criança, presenciei um encontro de meus pais":
Alternativas
Q3768995 Português
Leia o texto para responder à questão.


Passaporte da cultura


   Ao lado dos brasileiros, o povo mais musical que tive o privilégio de conhecer são os cabo-verdianos. O amor incondicional que nutrem pelo país e pelos seus ritmos não tem paralelo. Um amor libertador, que não precisa possuir para se validar. Um amor não exigente, mas que se faz presente na língua que todos aprendem a falar desde o berço — ou melhor, a declamar e a cantar desde o ventre. Não é exagero: todos os cabo-verdianos que conheço são poetas.

   Embora se reconheça Cesária Évora como sendo a voz que revelou a alma do arquipélago, existe nas montanhas longínquas do interior de Santiago um gênero que já sofrera os seus desafios de silenciamento. Uma música catártica, crua e negra com a qual gerações novas se reconciliaram e aprenderam a reivindicar a sua herança africana. A música continua a ser o passaporte da cultura cabo-verdiana no mundo. Está presente em todos os momentos marcantes da história do país, e é por meio dela que as memórias ancestrais são catalogadas e transportadas para o futuro.

  Um dos músicos mais celebrados da nação é Orlando Pantera, um cometa que viveu na terra por escassos 33 anos. Não gravou nenhum álbum, morreu no dia em que iniciaria, em Paris, as gravações do disco que confirmaria aquilo que os habitantes da ilha de Santiago já sabiam: era um gênio. E um dos poucos que conseguiu transportar para a canção o sentir das gentes dos campos, os esquecidos, os seus ritmos e desejos.


(Kalaf Epalanga. Minha pátria é a língua pretuguesa: Crônicas. 2023. Adaptado)
Considere as passagens:

•  ... mas que se faz presente na língua que todos aprendem a falar desde o berço — ou melhor, a declamar e a cantar desde o ventre. (1o parágrafo)
•  ... morreu no dia em que iniciaria, em Paris, as gravações do disco... (3o parágrafo)

As vírgulas empregadas nas passagens transcritas apresentam o mesmo motivo de emprego, respectivamente, nas expressões destacadas em:
Alternativas
Q3768985 Português
Leia o texto para responder à questão.


   A Universidade de Cambridge, onde Stephen Hawking realizou boa parte de suas contribuições, enfatizou que ele era uma “inspiração para milhões” de pessoas e deixa ao mundo “um legado indelével”. Em um comunicado, Stephen Toope, vice-reitor dessa instituição acadêmica, disse que o renomado professor era um “indivíduo único”, que será lembrado com “calor e carinho”, não só na universidade, mas também em todo o mundo.

  “Suas contribuições excepcionais para o conhecimento científico e a popularidade da ciência e da matemática deixaram um legado indelével”, afirmou a academia da universidade.


(https://www.estadao.com.br/ciencia, 14.03.2018. Adaptado)
Assinale a alternativa que atende à norma-padrão de pontuação e de emprego de pronome.
Alternativas
Q3768945 Português
Assinale a alternativa correta quanto ao emprego das vírgulas na frase “Se o estagiário finalizar o trabalho, pensei comigo, irei elogiá-lo”.
Alternativas
Q3768771 Português
Leia o trecho inspirado em Graciliano Ramos: “O menino caminhou pela estrada poeirenta, guardando na memória cada sombra que o sol desenhava no chão.”
Assinale a frase pontuada corretamente.
Alternativas
Q3768729 Português
Assinale a alternativa que justifica de forma correta o emprego das vírgulas na frase “Os dois gerentes da fábrica, Manuel e Olavo, eram primos”
Alternativas
Q3768303 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


A liberdade é, antes de tudo, o direito à desigualdade. Sei que choco um de nossos mais caros preconceitos. Mas a liberdade que não reconhece ao indivíduo o direito de ser, em todos os sentidos, mais ou menos que os seus semelhantes, não é liberdade: é um manicômio de escravos.

(Adaptado de LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.)
No trecho “...não é liberdade: é um manicômio de escravos”, os dois-pontos foram utilizados para: 
Alternativas
Respostas
1021: D
1022: C
1023: D
1024: C
1025: D
1026: C
1027: A
1028: A
1029: A
1030: B
1031: B
1032: B
1033: A
1034: B
1035: E
1036: D
1037: B
1038: A
1039: A
1040: B