Questões de Concurso
Comentadas sobre pontuação em português
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(André Dahmer. Malvados # 846. Disponível em: www.malvados.com.br)
A vírgula no 1o quadro foi empregada pelo mesmo motivo que em:
"Sua casa refletia essa memória afetiva, onde até a colher de pau e a panela de pressão mostravam sinais de desgaste, tal como sua própria dona."
Sobre a estrutura dessa frase, analise as afirmativas a seguir, à luz da gramática normativa e dos mecanismos de organização frasal.
I.O deslocamento do segmento "tal como sua própria dona" para o início do período comprometeria a clareza referencial e a progressão temática do enunciado, pois eliminaria o paralelismo com o termo "sinais de desgaste".
II.A substituição do termo "onde" por "na qual" manteria a correção gramatical e a clareza referencial, embora atribua maior formalidade sintática ao trecho.
III.A modificação da expressão "refletia essa memória afetiva" por "guardava essas memórias afetivas" implicaria mudança de aspecto verbal e de sentido, substituindo um valor metafórico por um valor literal mais objetivo.
IV.A correção gramatical do período seria comprometida caso se suprimisse a vírgula após "afetiva", pois tal pontuação delimita uma oração adjetiva restritiva, essencial ao entendimento do referente "casa".
Está CORRETO o que se afirma em:
Sabor que foge da xícara: por que temperatura média traz o melhor do café
Tem gente que diz que felicidade é uma xícara de café quente. Pode até ser. Mas a verdade é que essa felicidade tem prazo de validade. E não é longo. Basta dar uma distraída, responder um e-mail, ou se perder num papo, e pronto: o café já esfriou — e com ele, boa parte do encanto.
É que o café, meus amigos, é um pouco como o amor no verão: intenso, cheio de aroma e calor, mas fugaz. Não dá para segurar por muito tempo. Ele nasce vibrante, perfumado, cheio de promessas e vai embora pela borda da xícara enquanto a gente pensa na vida.
A ciência, que tudo explica, mas nem sempre entende, mostra que à medida que a temperatura do café cai, os tais compostos voláteis, que são como os perfumes que sentimos ao passar por alguém interessante, simplesmente evaporam. Vão embora como o cheiro de um bom domingo, e levam junto a alma da bebida.
E tem mais: nosso paladar também é meio temperamental. Quando o café está "pelando", sentimos pouco. Quando esfria demais, também. Mas naquele meio do caminho, ali pelos 40 e poucos graus, é onde mora a magia. É quando o café se mostra como é de verdade, com suas notas de frutas, flores, chocolates, caramelos... Ou aquele amargor triste de um grão mal tratado.
Fiz o teste. Café coado com carinho, tomado aos poucos, marcando no relógio. Nos primeiros goles, quente demais. Depois de uns 10, 15 minutos... Ah, aí sim. O sabor aparece, elegante, equilibrado. Uns toques de acidez, doçura no fundo.
Trinta minutos depois, ele começa a se despedir. Ainda está ali, mas já não brilha como antes. Com uma hora... Bom, aí já virou outra coisa. Frio, opaco, um pouco melancólico. Como uma festa que durou demais. Ah, e nem pense em colocar no micro-ondas. Aquilo ali é como tentar reviver um amor antigo com uma mensagem no WhatsApp às duas da manhã: pode até esquentar, mas nunca mais vai ser a mesma coisa. O sabor volta torto, cozido, com gosto de ontem.
A solução? Tratar o café com respeito: pré-aquecer a xícara, usar uma tampinha, servir menos por vez. Ou investir numa daquelas canecas tecnológicas que mantêm tudo na temperatura certa, um luxo necessário para quem não quer ver o melhor do café evaporar antes da hora.
No fim das contas, tomar café é quase um ato de presença, um exercício de atenção: é estar ali, de verdade, nos primeiros minutos, quando o sabor ainda canta. Porque se tem uma lição que o café ensina, é essa: o melhor da vida tem hora marcada e passa rápido.
Fonte: Sabor que foge da xícara: por que temperatura média traz o melhor do café | CNN Brasil V&G
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Encanto ou Ilusão
Lá estava Luiza sentada em um banco da praça, numa linda manhã de domingo. Ela observava seus pequenos filhos brincando, correndo e fazendo bolinhas de sabão. Dentro de si, pensava a mãe, encantada com o sorriso das crianças: "Que colorido mágico! Que profusão de cores!
André corria e gritava:
— Olha mamãe, as minhas bolinhas são maiores que as de Ana.
Perto deles estava Teko, seu pequeno cachorro que latia sem parar, correndo de um lado para o outro. Ana soprava para ver se conseguia fazer bolinhas tão bonitas quantos as de seu irmão. Para a garota, estava acontecendo um lindo espetáculo no céu que era vislumbrado pelos seus lindos olhos azuis, isto é, ela admirava tantas bolinhas subirem e descerem e por fim, uma pura ilusão; elas estouram.
A mãe observava de perto a alegria que estava no ar, porém, Luiza não sabia se ria ou se lamentava ao ouvir os gritos enlouquecidos das crianças. Naquela singela manhã, a mãe notou que cada bolinha era como seus filhos, únicos, belos, encantadores, cheios de vida. A mãe podia entender que seu encanto em observar os filhos findava em cada bolinha estourada, pois sabia que aquela alegria tinha tempo determinado, tornando-se em ilusão quando a bolinha estourava em suas pequenas mãos tecendo um espetáculo de gotas coloridas.
ALMEIDA, Mariza Gregório de. Encanto ou Ilusão. In: CALICCHIO, Fátima Christina; CARNEIRO, Otávio Felipe (org.). Crônicas e Minicontos: histórias reflexivas de professores em formação [recurso eletrônico]. Maringá − PR: UniCV, 2024. Disponível em: https://unicv.edu.br/wp-content/uploads/2024/06/Livro-de-Cronicas-e-Mi nicontos-Projeto-GOPT-1-1.pdf . Acesso em: 21 nov. 2025.
Nesse processo, determinados recursos garantem a inteligibilidade do texto, assegurando que suas partes se relacionem de maneira adequada. Quando essas ligações não são estabelecidas de forma eficiente, o sentido lógico do texto fica comprometido.
Com base nisso e nos conhecimentos acerca dos recursos de coesão e coerência, julgue as afirmativas a seguir:
I.Um texto coerente pressupõe a ausência de contradições, evitando que o leitor seja conduzido a interpretações equivocadas. Para garantir a clareza textual, o autor deve adotar certos cuidados, entre os quais se destaca a necessidade de evitar construções suscetíveis de gerar múltiplas interpretações. Um exemplo disso é a frase 'Carolina, funcionária pública, pediu a Marcos para sair antes do horário', enunciado que pode gerar interpretação dúbia.
II.A pontuação desempenha papel fundamental na escrita, pois organiza as ideias, regula o ritmo da leitura, substitui elementos da oralidade — como entonação e gestos — e assegura a clareza e o sentido de frases e textos. A vírgula, por exemplo, é um sinal de pontuação que pode, em certos contextos, ser acrescentado ao enunciado sem alterar o sentido, apenas tornando a frase mais fluida, como se observa nos exemplos a seguir: 'A professora agitada corria pelo corredor da escola'. 'A professora, agitada, corria pelo corredor da escola'.
III.Os pronomes demonstrativos figuram entre os principais conectores da língua portuguesa, pois estabelecem relações entre termos no tempo, no espaço e no próprio texto. O exemplo a seguir ilustra o uso adequado desse tipo de conector:
O professor e o aluno estavam felizes. Aquele por ter passado no concurso, este por ter ganhado a olimpíada de matemática.
IV.O paralelismo é um recurso associado à coordenação de segmentos que apresentam valores sintáticos equivalentes, conteúdos semânticos semelhantes e estruturas gramaticais paralelas. O emprego adequado desse recurso pode ser observado no enunciado: 'A professora pediu para a aluna ir à biblioteca e que, na volta, passasse na sala dos professores'.
É correto o que se afirma em:
Texto para responder a questão.
João Paulo Bem‑te‑vi
Eis um personagem que você ainda não conhece no folclore brasileiro. Reza a lenda que, no primeiro dia de dezembro, a primeira criança que subir num pé de goiaba ou de manga às 06:00h da manhã em ponto vira um bem-te-vi e sai voando e cantando livremente, feito passarinho.
O que acontece depois, bem… As versões variam. Uns dizem que o bem-te-vi acorda de um sonho atrasado para a escola. Outros, que o João Paulo Bem‑te‑vi pode ser qualquer um de nós, que já foi passarinho e apenas não se lembra de mais nada… Seja como for, um novo dezembro sempre vem...
Internet:
Turim, no norte da Itália, ganha museu do chocolate e da gianduia
A cidade de Turim, no norte da Itália, ganhou no último mês de junho um museu dedicado ao chocolate e à gianduia. O Choco Story Turim ocupa a antiga oficina da loja Pfatisch, uma das mais famosas do país e que ajudou a difundir e a elevar o chocolate pela região.
A loja continua em funcionamento e oferece barras, pastas, bombons e chocolates como o gianduiotto, típico de Turim. Já o museu possui mais de 700 objetos, entre ferramentas de processamento de açúcar, xícaras e embalagens de chocolateiros piemonteses.
O tour foca nas origens do cultivo do cacau e nas primeiras receitas dos maias e dos astecas, assim como explora a importação para a Europa e o nascimento da tradição chocolateira em Turim e na região do Piemonte.
Os visitantes são levados primeiramente a uma sala dedicada à descoberta e ao desenvolvimento do cultivo de cacau. A jornada do ingrediente até a Europa também está documentada, assim como um globo interativo conta a evolução do mercado global de chocolate, as variedades existentes de cacau e seus países de origem.
A ligação do chocolate com Turim também é destaque em uma sala que remete à família Savoy, que o estimulou na região já no século 16. Outra sala é dedicada ao gianduiotto, um dos primeiros chocolates embrulhados que se tem notícia e típico de Turim.
Um antigo maquinário para a produção de chocolate usado desde 1921 também pode ser visto e funciona até hoje. Por fim, visitantes podem acompanhar o trabalho de mestres chocolateiros por trás de janelas de vidro. Instalações, jogos multimídia educativos e filmes que contam a história do chocolate na região completam os atrativos.
A entrada para o museu sai por 12 € (cerca de R$ 70) para adultos. Pessoas com mais de 65 anos pagam 10 € (R$ 60) e crianças entre 3 e 11 anos pagam 7 € (R$ 40). Esta é a primeira unidade da Choco Story na Itália. A rede de museus focados em chocolate tem 12 filiais espalhadas pela Bélgica, França, República Tcheca, Líbano e México.
Fonte: Turim, no norte da Itália, ganha museu do chocolate e da gianduia | CNN Brasil V&G 01)
Texto 1
Leia com atenção a canção abaixo de autoria de Chico César e responda à questão a seguir:
Deus me proteja de mim
E da maldade de gente boa
Da bondade da pessoa ruim
Deus me governe e guarde, ilumine e zele assim
Deus me proteja de mim
E da maldade de gente boa
Da bondade da pessoa ruim
Deus me governe e guarde, ilumine e zele assim
Caminho se conhece andando
Então vez em quando é bom se perder
Perdido fica perguntando
Vai só procurando
E acha sem saber
Perigo é se encontrar perdido
Deixar sem ter sido
Não olhar, não ver
Bom mesmo é ter sexto sentido
Sair distraído, espalhar bem-querer
CÉSAR, Chico. Deus me proteja de mim. Disponível em: https://www. letras.mus.br/chico-cesar/1281067/. Acessado em: 28/10/2025.
— A gente combinamos de não morrer! (2o parágrafo)
— Mataram a mulher, puseram o corpo na lixeira e atearam fogo! (4° parágrafo) A habilidade BNCC EF69LP47 prevê “Analisar, em textos narrativos ficcionais, as diferentes formas de composição próprias de cada gênero, os recursos coesivos que constroem a passagem do tempo e articulam suas partes, [...] os efeitos de sentido decorrentes [...] do uso de pontuação expressiva...”. Com base nesse conhecimento, conclui -se corretamente que, nas frases transcritas, o uso do ponto de exclamação sinaliza, correta e respectivamente:
Leia o texto a seguir para responder a questão:
O coreto
E vieram dizer que não haveria mais banda. A que tocava no jardim, às noites de domingo, entre o povo, as árvores e as rosas, fora demitida. A prefeitura achou que não lhe concernia a obrigação de alimentar aquela espécie de música. E aquela espécie de música se tornou deste modo um fenômeno a considerar. É dessas coisas que durante séculos se mantiveram jovens e amadas mas de repente amanheceram velhas e sozinhas. A gente sabe o que é velhice, a mesma para todos e para tudo. Um negócio chato. Às vezes, o tempo é que esgota as fontes de juventude, outras vezes não é o tempo, somente o tempo.
Há também a força de ardis e manobras que promovem o envelhecimento a curto prazo, como se faz hoje com certos vinhos e se pode fazer com os homens e com as coisas humanas. Com os vinhos para que entrem mais cedo no mercado, com os homens para que saiam dele.
A música de Chico Buarque aí está para dizer que a banda não é apenas uma evocação e uma saudade. É uma instituição, um símbolo, uma segunda linguagem nacional. Quantas vezes gostosíssima, divertida, fina e incomparável música essa das bandas.
Nesta cidade de Poços de Caldas, elas nunca faltaram, tanto nos seus grandes como nos seus pequenos acontecimentos. E, mais do que os oradores e os poetas, eram a voz do povo. Chegando um filho da terra doutor formado, chegando Pedro Sanches de sua viagem à Europa, chegando um presidente, chegando um Rui Barbosa ou um Santos Dumont, lá estava na Estação da Mogiana a banda para recebê-los em triunfo.
Mas vieram estes dias impetuosos de hoje. E por eles estive sabendo que isso não vale mais nada. Ou não vale duas patacas no orçamento municipal. O coreto no jardim ficará vazio, ou talvez já convertido num mictório. E não sei a quem dizer do meu pesar: se ao povo, se à prefeitura ou se apenas a mim mesmo.
(Jurandir Ferreira. Da quieta substância dos dias. Instituto Moreira Sales, 1991. Adaptado)
Qual alternativa preenche, CORRETAMENTE, a lacuna?
Leia o texto para responder à questão abaixo.
Inovação “made in China”
A China ultrapassou a Alemanha e entrou, pela primeira vez, no top 10 do ranking dos países mais inovadores do mundo, conhecido como Índice Global de Inovação (GII, na sigla em inglês). O indicador é compilado e divulgado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), uma das agências da ONU.
Em 2024, o gigante asiático foi o décimo país mais inovador do planeta. A primeira posição segue com a Suíça, que lidera o GII desde 2011. Logo depois aparecem Suécia e EUA. O país latino-americano mais bem posicionado no ranking, composto por 139 países, é o Chile, num intermediário 51o lugar. O Brasil vem logo depois, na 52a posição.
A entrada da China no top 10 da inovação global é mais um demonstrativo de que Pequim entendeu que o crescimento futuro do PIB depende mais da inovação digital do que da produção em série de bens de consumo que, por serem descartáveis, também podem ser mais facilmente reproduzidos por outros competidores.
Não deixa de ser sintomático que a China passe a figurar na lista dos países mais inovadores do mundo no momento em que a guerra tarifária do presidente dos EUA desordena o fluxo comercial global. Enquanto Trump tem como motivação o passado industrial glorioso dos EUA, a China tenta se antecipar ao futuro.
O país asiático caminha para se tornar o que mais investe em pesquisa e desenvolvimento (P&D) no mundo, e isso em um momento em que os gastos de outras nações nesse segmento perdem força. Pelas projeções que fazem parte do GII, o crescimento dos gastos globais com P&D deve ser de 2,3% neste ano, o porcentual mais baixo desde 2010.
Certamente não é coincidência que, em 2024, a China tenha respondido por cerca de um quarto dos pedidos de registro de patentes em todo o mundo, enquanto os pedidos de EUA, Japão e Alemanha, que juntos respondem por cerca de 40% dos registros de patentes globais, tenham caído ligeiramente. A propriedade de patentes está fortemente associada à saúde econômica e ao conhecimento técnico de um país.
Outra área que a China domina é a de número de clusters de inovação (grupo de empresas e fornecedores de um mesmo segmento concentrados em uma determinada região geográfica). Em 2024, havia 24 deles no país asiático, contra 22 nos EUA.
A China tem apostado fortemente na educação, o que explica parte de seu avanço no desenvolvimento de inovações tecnológicas. Exemplo disso é o destaque que o GII dá ao bom desempenho dos estudantes chineses no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês).
(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 23.09.2025. Adaptado)