Questões de Concurso
Comentadas sobre pontuação em português
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Texto CG1A1-I
A separação da vida privada e doméstica das mulheres em relação ao mundo público dos homens foi constitutiva do liberalismo patriarcal já em suas origens, e, desde meados do século XIX, a esposa economicamente dependente tem sido apresentada como o ideal para todas as classes respeitáveis da sociedade. A identificação das mulheres e da esfera doméstica também está sendo reforçada atualmente pelo renascimento de organizações antifeministas e pela reformulação “científica” do argumento da natureza por sociobiólogos. É claro que as mulheres nunca estiveram completamente excluídas da vida pública, mas a forma como elas são incluídas está baseada, tão firmemente quanto sua posição na esfera doméstica, em crenças e práticas patriarcais.
Carole Pateman. Críticas feministas à dicotomia público/privado.
In: Luis Felipe Miguel e Flávia Birole. (orgs.) Teoria política feminista:
textos centrais. Vinhedo: Editora Horizonte, 2013 (com adaptações).
“Cada língua indígena é um reservatório único de conhecimento medicinal”. Assim escrevem os pesquisadores Rodrigo Cámara-Leret e Jordi Bascompte em um recente estudo que faz um alerta: o perigo do desaparecimento de antigos conhecimentos de plantas medicinais a partir da extinção das línguas indígenas.
Em geral, quando se fala em plantas com propriedades medicinais, as discussões giram em torno da extinção da biodiversidade. Nessa pesquisa, contudo, os cientistas focaram no que costuma ser esquecido: o impacto da extinção das línguas para a perda desse conhecimento, tradicionalmente transmitido oralmente.
Antes de tudo, a equipe do estudo precisava entender em que medida acontecia a perda de conhecimento linguisticamente único.
No caso das plantas medicinais, era preciso entender em que grau o conhecimento delas estava atrelado a apenas uma língua indígena. Dessa forma, seria possível compreender quais saberes seriam perdidos no caso de extinção de determinado idioma.
Para isso, os pesquisadores analisaram três conjuntos de dados etnobotânicos (a ciência que estuda a relação entre humanos e plantas). Eles contavam com cerca de 3,6 mil plantas medicinais, 236 línguas indígenas e 12,5 mil “serviços de plantas medicinais” — combinações entre espécies de plantas e a subcategoria medicinal para a qual elas eram indicadas, como “figueira-brava (Ficus insipida) + sistema digestivo”. Os dados são referentes a três regiões com grande diversidade linguística e biológica: América do Norte, noroeste da Amazônia e Nova Guiné.
Depois de analisarem os dados, os cientistas apontaram que o conhecimento indígena sobre as plantas medicinais está, de fato, apoiado na singularidade linguística. No noroeste da Amazônia, 91% do conhecimento medicinal não é compartilhado entre línguas — e se concentra em apenas um idioma. Em Nova Guiné, essa taxa é de 84%; na América do Norte, 73%.
Além disso, eles observaram a porcentagem desse conhecimento que se concentra, especificamente, em línguas ameaçadas de extinção. Na América do Norte, 86% do conhecimento medicinal único ocorre, justamente, em idiomas em risco. No noroeste da Amazônia, 100%.
Para os cientistas, uma das hipóteses é a alta rotatividade cultural. Isso significa que, para uma mesma planta, os povos indígenas possuem diversos conhecimentos e aplicações exclusivos. Sem uma Wikipédia para reunir informações, cada cultura acumulou, ao longo do tempo, as próprias descobertas sobre cada espécie.
O estudo ajuda a mostrar que cada língua (e cultura) indígena tem percepções únicas que, inclusive, podem vir a oferecer seus conhecimentos medicinais também a outras sociedades.
Internet: <super.abril.com.br> (com adaptações).
Com base nas ideias e nos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir.
A vírgula empregada no trecho “No noroeste da Amazônia,
100%” (sétimo parágrafo) marca a elipse de um termo.
O texto seguinte servirá de base para responder às questões de 1 a 10.
O mito da fênix e a combustão espontânea
A fênix é uma ave mitológica, dotada de diversos poderes e cercada por muitos mistérios e histórias. Bastante presente em nossa cultura atual, a fênix é conhecida por meio das histórias de ficção (livros, filmes, games e séries), mas não pense que esse pássaro é uma criação moderna.
Há cerca de 5 mil anos, a região que hoje é conhecida como Emirados Árabes Unidos abrigava a maior espécie de garça que já passou pela Terra: a garça de Heron (também chamada pelo nome científico de Ardea bennuides). Acredita-se que essa garça serviu de inspiração para o surgimento de Benu, um ser mitológico do Egito Antigo associado à alma do deus do Sol, Rá. Essa ave sagrada também era vista como símbolo do renascimento (o que a ligava ao deus Osíris), pois se acreditava que, a cada 500 anos, ela era capaz de se consumir em chamas e renascer das próprias cinzas.
Posteriormente, já na Grécia Antiga, surgiram histórias de um pássaro com propriedades muito semelhantes a Benu e que, na mitologia grega, recebeu o nome de fênix. Embora haja contestações sobre a real origem desse ser mitológico, foram muitas as civilizações que cultuaram animais análogos a essa ave - ou outros pássaros com habilidades mágicas -, como os chineses, os árabes e os persas.
Por meio das histórias orais e escritas, o mito da fênix foi se propagando ao longo dos séculos. E podemos dizer que, dentre todas as histórias de pássaros mágicos, essa foi o que mais criou raízes no imaginário popular ocidental.
O processo de queima - ou combustão - nada mais é do que uma reação química decorrente do encontro de três elementos: um combustível (qualquer material oxidável, ou seja, capaz de reagir com o oxigênio e pegar fogo); um comburente (geralmente, o oxigênio); e uma fonte de ignição (por exemplo, uma faísca, que fornece a energia necessária para a reação ocorrer). Se algum desses três elementos não está presente, a queima não ocorre.
A combustão é uma reação fundamental para a manutenção da vida humana no planeta e teve seu marco histórico de origem datado por pesquisas arqueológicas em cerca de 7 mil anos antes de Cristo, quando os povos antigos começaram a produzir fogo, possibilitando diversos avanços tecnológicos.
Você já acendeu uma fogueira ou viu alguém fazendo isso? Para esse processo, podemos usar um pedaço de madeira, que funcionará como combustível (ou seja, irá queimar). Para facilitar a queima, podemos jogar sobre a madeira um líquido inflamável (como o álcool). O oxigênio irá participar dessa reação química fazendo o papel de comburente. E você ainda precisa de uma fonte de energia, como a chama de um fósforo ou a faísca de um isqueiro. Se a madeira queimar por completo (ou seja, o combustível se esgotar), a combustão se interrompe. Se você cobrir essa fogueira, impedindo a entrada de mais oxigênio, a fogueira se apaga por falta de comburente.
A partir dessas informações, vamos pensar na combustão da fênix. O combustível dessa reação é a própria fênix (tanto que quando ela se torna somente cinzas, a chama acaba). O comburente dessa reação é o próprio oxigênio. Mas e a fonte de energia externa, a ignição? Como é possível um objeto pegar fogo sem receber nenhuma energia?
Apesar de parecer realmente mágica, a combustão espontânea é um fenômeno real. O fato de não haver uma fonte externa visível de energia não significa que ela não exista. A temperatura de um corpo está diretamente associada à energia que esse corpo tem. Isso significa que um corpo quente (em alta temperatura) é um corpo com mais energia do que um corpo mais frio. Portanto, embora não seja algo muito comum, alguns materiais podem pegar fogo espontaneamente, apenas com o seu próprio calor.
Existe uma propriedade denominada 'ponto de ignição', que é a temperatura mínima para a ocorrência de uma combustão espontânea, sem a presença de uma fonte externa de ignição (como uma faísca). O ponto de ignição do álcool, por exemplo, é 363 ºC. Isso significa que, se por alguma razão, o álcool for aquecido até essa temperatura, ele pegará fogo, mesmo sem uma faísca para acendê-lo.
Materiais como carvão, feno, algodão, filmes antigos, estrume de vaca e até grãos de pistache possuem pontos de ignição baixos o suficiente para sofrerem esse tipo de combustão. Um exemplo de combustão espontânea ocorre em alguns biomas, como o pantanal e o cerrado. Em períodos de seca, incêndios pontuais podem acontecer.
O que podemos concluir é que, se a fênix não for composta por feno ou outro material de baixo ponto de ignição, dificilmente ela seria capaz de entrar em combustão espontânea, mas podemos levantar uma hipótese final. Diferentemente dos répteis, anfíbios e peixes, as aves e os mamíferos são endotérmicos (também chamados de 'animais de sangue quente'), ou seja, são capazes de controlar a própria temperatura corporal e manter o corpo aquecido mesmo em ambientes mais frios. Talvez a fênix seja capaz de aquecer o próprio corpo a uma temperatura tão grande que a leve à combustão. Por se tratar de um pássaro mitológico, porém, não podemos encontrar um desses no mundo real e estudá-lo. Portanto, só nos resta fazer especulações e nos maravilharmos com suas belas aparições nos cinemas.
Retirado e adaptado de: WAGNER, Frans.; OPPE, Ingrid Gerdi.; MIRANDA, Lucas Mascarenhas de. O mito da fênix e a combustão espontânea. Ciência Hoje. Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/o-mito-da-fenix-e-a-combustao-espontanea/ Acesso em: 07. ago., 2022.
Assinale a alternativa na qual se apresenta o correto emprego da pontuação:
Texto.
AFINIDADE
Afinidade é um dos poucos sentimentos que resistem a todo e qualquer tempo. A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos.
É o mais independente. Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades.
Quando realmente há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação no exato ponto em que foi interrompido. Retoma também o diálogo, a conversa, o afeto.
Afinidade é não haver tempo mediando a vida.
É uma vitória do adivinhado sobre o real. Do subjetivo para o objetivo. Do permanente sobre o passageiro. Do básico sobre o superficial.
É muito raro ter afinidade.
Mas quando existe não se precisa de códigos verbais para se expressar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar a um afim, sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavras.
Afinidade é jamais "sentir por".
Quem "sente por", confunde afinidade com masoquismo, mas quem "sente com", avalia sem se contaminar.
(...)
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças.
É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidades vividas.
Afinidade é retornar à relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas oportunidades dadas ou tiradas pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais a expressão do outro sob a forma ampliada do eu individual aprimorado.
Do livro: "Alguém que já não fui" Artur da Távola, pseudônimo de Paulo Alberto Moretzsohn Monteiro de Barros - Adaptado Fonte: https://www.contandohistorias.com.br/cgi-bin/ch.cgi
No trecho: “Quando realmente há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação...”, a vírgula foi empregada para:
O texto seguinte servirá de base para responder às questões de 1 a 10.
Recursos marinhos não renováveis: vão durar?
Estanho, titânio, cascalho, calcário, enxofre, carvão e petróleo são exemplos de minerais utilizados amplamente pela sociedade atual. Estão na base das mais avançadas tecnologias que facilitam nossas vidas, mas, cabe lembrar, são recursos não renováveis. Sua exploração segue desenfreada, inclusive no ambiente marinho.
O oceano tem diferentes ecossistemas, cada um deles com variados e abundantes recursos, e os minerais marcam forte presença. Nas águas mais rasas da zona costeira e da plataforma continental, os principais são o cascalho e a areia - esta é muito utilizada para produção de cimento ou vidro e aquele, útil na produção de cosméticos, fertilizantes e cimentos. Em regiões costeiras também há os ditos minerais pesados, como ilmenita, rutilo, zircão, monazita e magnetita, todos importantes para a produção de pigmentos e de ligas metálicas.
Há também os evaporitos, um tipo de rocha sedimentar formada em ambientes marinhos com pouca influência de sedimentos de origem continental. Entre os evaporitos, estão a halita, utilizada como sal de cozinha e fonte de cloro e derivados; a silvita, principal fonte de potássio para a produção de fertilizantes e fogos de artifício; a gipsita, matéria-prima para a fabricação de gesso; além da calcita, da anidrita e da dolomita, presentes na fabricação de cal para argamassa. Outro tipo de rocha sedimentar formada no ambiente marinho em grandes profundidades (maiores que mil metros) é a fosforita, bastante usada na produção de fertilizantes.
Formados ao longo de milhões de anos a partir da matéria orgânica de seres vivos, os depósitos de carvão mineral, gás natural e petróleo são importantes fontes de energia para a sociedade. O petróleo, além de ser a principal matriz energética na atualidade, também é usado na fabricação de tecidos, plásticos, detergentes, entre outros produtos.
Há, ainda, um composto energético marinho, talvez mais abundante do que todo o petróleo e o carvão: os hidratos de gás. São sólidos cristalinos semelhantes ao gelo, presentes em todas as margens oceânicas abaixo dos 500 metros de profundidade. Com uma estrutura que aprisiona gases, principalmente o metano, eles têm alto potencial energético a ser explorado.
Em diferentes profundidades do oceano, encontram-se também outros minerais: os nódulos polimetálicos, as crostas cobaltíferas e os sulfetos metálicos. Os nódulos, que contêm ferro e manganês, estão localizados sobre o sedimento marinho entre 4 mil e 5 mil metros de profundidade. Os sulfetos metálicos, ricos em ferro e cobre, são encontrados em zonas relacionadas ao vulcanismo e à expansão das placas tectônicas, a aproximadamente 3 mil metros de profundidade. As crostas cobaltíferas, ricas em cobalto, são formadas sobre estruturas rochosas em regiões entre 400 metros e 4 mil metros de profundidade.
O olhar sobre esses minerais é estratégico, uma vez que são ricos em elementos usados na construção de painéis solares, celulares, lâmpadas, ligas metálicas, vidro, lentes dos óculos, cabos de transmissão de dados, entre outros.
A obtenção desses e de outros recursos minerais do oceano apresenta desafios ambientais e tecnológicos complexos, mas que certamente não são insuperáveis. Acontece que, se nesse movimento pela exploração, a ganância pelo lucro prescindir do bem maior que é o meio ambiente, pode-se considerar o comprometimento das gerações atuais e futuras.
A diversidade biológica também é enorme nos fundos marinhos - grande parte ainda desconhecida -, e pode ser afetada de forma irreversível se os cuidados necessários não forem tomados. A obtenção desses recursos deve considerar os grandes custos envolvidos e ser feita para gerar e compartilhar prosperidade, sem inviabilizar a natureza.
Há quem se pergunte como contribuir para que a exploração não ocorra desnecessariamente e de modo predatório. Já é de grande valia uma atitude individual que considere o consumo de forma consciente e, melhor ainda, seria se, coletivamente, houvesse mais pressão para que as empresas desenvolvam produtos com maior eficiência e durabilidade, demandando menos recursos e reciclando materiais.
Retirado e adaptado de: TOLEDO, Felipe.; BIAZON, Tássia. Recursos marinhos não renováveis: vão durar? Ciência Hoje. Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/recursos-marinhos-nao-renovaveis-vao-durar/ Acesso em 2 ago., 2022.
Associe a segunda coluna, de acordo com a primeira, que relaciona funções da pontuação com seus exemplos retirados do texto Recursos marinhos não renováveis: vão durar?:
Primeira coluna: função da pontuação
(1) Sequência de elementos
(2) Isolamento de adjunto adverbial
(3) Aposto
Segunda coluna: excerto do texto
(_)Os sulfetos metálicos, ricos em ferro e cobre, são encontrados em zonas relacionadas ao vulcanismo e à expansão das placas tectônicas.
(_)Em diferentes profundidades do oceano, encontram-se também outros minerais.
(_)Estanho, titânio, cascalho, calcário, enxofre, carvão e petróleo são exemplos de minerais utilizados amplamente pela sociedade atual.
Assinale a alternativa que apresenta a correta associação entre as colunas:
Leia o texto 1 e responda às questões de 31 a 34.
São Paulo inicia comemorações da Semana de Arte Moderna de 22
A cidade de São Paulo completa 468 anos nesta terça-feira (25) e inicia as celebrações em torno do centenário da Semana de Arte Moderna de 1922, comemorado em 13 de fevereiro. A programação traz como proposta mostrar a periferia como realizadora do “novo modernismo”.
“Em 1922, quem apresentou o modernismo foi a classe intelectual. Hoje, 100 anos depois de os modernistas reivindicarem arte verdadeiramente nossa, quem apresenta o modernismo é a periferia pujante. Não precisa ser da academia para desenvolver cultura. A cultura da periferia exala nos poros, e não só nos livros”, destaca a secretária de Cultura de São Paulo, Aline Torres.
Palco da Semana de Arte Moderna de 1922, o tradicional Theatro Municipal de São Paulo estará presente nas festividades do centenário, mas, desta vez, vai dividir as atenções com outros palcos espalhados pela periferia da cidade. Segundo a secretária, a intenção é fazer o público do centro conhecer os artistas das regiões mais afastadas e vice-versa.
“A ideia é trazer artistas da periferia para tocar nos palcos centrais e levar os artistas que costumam tocar nesses palcos para os da periferia. É fazer essa troca e, assim, promover, de verdade, a formação de público, o fomento cultural, esse intercâmbio de cultura. A gente vai ter muita programação incrível no Theatro, mas, ao mesmo tempo, atividades mostrando o modernismo da Brasilândia”, acrescenta Aline
Ela destaca que a intenção de aproximação não vai ser somente geográfica, mas também de linguagem. “Quando você pergunta a um adolescente de ensino médio, principalmente na escola pública, ‘você sabe o que é a semana do modernismo? ’, ele vai falar não, isso não é para mim, não sei o que é isso. E o que a gente quer é aproximar o modernismo falando a linguagem da juventude, a linguagem da periferia, mostrando que ele também faz parte desse novo modernismo”.
https://aloalobahia.com/notas
Sobre o uso das aspas simples em: ‘você sabe o que é a semana do modernismo?’, assinale a alternativa ADEQUADA.
O texto a seguir é referência para as questões 01 a 10.
-
Guerra diminuiu apetite por risco de investidores de startup
-
Emanuel Pessoa
-
1 -------Desde a crise financeira de 2008, os países desenvolvidos, principalmente os Estados Unidos, injetam grandes volumes de
2 dinheiro na economia. Isso aumentou fortemente a quantidade de capital disponível nos mercados, com mais dinheiro em circulação
3 nos últimos 14 anos.
4 -------Um dos efeitos colaterais foi o inchaço do valor de mercado das empresas de tecnologia e o aumento descomunal no número
5 de startups investidas. Com dinheiro ______ preço extremamente baixo se comparado ao período pré-2008, os investidores tinham
6 dinheiro em excesso e aportaram em empresas de mérito duvidoso. Só no Brasil, as startups receberam US$ 9,4 bilhões em 2021,
7 segundo levantamento da plataforma Distrito.
8 _________, essa tendência apresenta desgaste. O ponto de inflexão pode ser a guerra da Ucrânia. Nos últimos meses,
9 muitos investidores já demonstraram a necessidade de verem resultados concretos de suas investidas. No entanto, a maior parte
10 deles ainda os ignorava diante de um discurso megalomaníaco por parte dos fundadores do próximo Uber disso ou do novo
11 Facebook daquilo.
12 -------O conflito provocou um aumento fortíssimo no preço das commodities, já que as sanções contra a Rússia e o receio de uma
13 escalada na disputa armada levaram os investidores ______ anteciparem uma subida futura de preços, comprarem mais para
14 estocar e aportarem capital em várias delas (sendo o ouro um exemplo) para proteger seu dinheiro.
15 -------Assim, o apetite por risco diminuiu de modo que as startups agora precisam comprovar uma relação de probabilidade entre
16 risco e retorno, muito superior ao período precedente ______ guerra, para receberem os mesmos investimentos.
17 -------Embora o capital barato tenha incentivado o crescimento de startups, esse tipo de montante também mascarava ineficiências
18 que levaram ______ destruição imensa de valor, como aconteceu no caso do WeWork.
19 -------Por mais que seja desejável a realização de investimentos em empresas de inovação, ela deve se guiar por regras que
20 prestigiem startups que fazem seu dever de casa, cortando ineficiências e crescendo de forma escalável, sob pena de que o capital
21 abundante oferecido pelo mundo seja desperdiçado em investimentos indevidos.
(Jornal O Estado de S. Paulo, ano 143, n. 47033, p. B2, 26 jul. 2022. Adaptado.)
Releia o seguinte trecho:
-
Desde a crise financeira de 2008, os países desenvolvidos, principalmente os Estados Unidos, injetam grandes volumes de dinheiro na economia.
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De acordo com a norma padrão escrita da língua portuguesa, esse trecho também pode ser pontuado da seguinte forma:
Em relação à pontuação, analisar os itens abaixo:
I. Ele foi ao mercado e comprou batatas, cenouras, e laranjas.
II. João – o marido de Joana – não era muito inteligente.
AS QUESTÕES DE 31 A 36 SE REFEREM AO TEXTO SEGUINTE.
É preciso saber viver
Bertha Maakaroun
Resistir à dominação, à crueldade e à barbárie; tomar consciência da complexidade humana; levar uma vida poética, com fé no amor. Essas são lições partilhadas pelo sociólogo e filósofo francês Edgar Morin ao narrar as suas memórias no livro “Leçons d’un siècle de vie” (Ed. Denoël, 2021), que marcou o seu centenário, em 8 de julho de 2021.
Morin é um dos grandes pensadores franceses do século 20. Com a mesma modéstia intelectual que caracteriza a sua trajetória, já no preâmbulo de Lições de um século de vida procura desfazer equívocos que possam suscitar o título. “Que fique bem claro: não dou lições a ninguém. Tento extrair lições de uma experiência centenária e secular de vida, e desejo que elas sejam úteis a cada um, não só a quem queria refletir sobre sua própria vida, mas também a quem queira encontrar sua própria via.”
Ele se define como “humanista regenerado”. Para Morin, ser humanista está muito além de pensar que as incertezas e perigos das crises da democracia, do pensamento político, da concentração de renda, do neoliberalismo exacerbado, da biosfera e a crise multidimensional carreada pela pandemia une os seres humanos numa comunhão de destinos.
“Ser humanista doravante não é apenas saber que somos todos humanos semelhantes e diferentes, não é apenas querer escapar das catástrofes e aspirar a um mundo melhor. Ser humanista é também sentir intimamente que cada um de nós é um momento efêmero de uma aventura extraordinária, a aventura da vida que deu origem à aventura humana, que, ao longo de criações, tormentos e desastres chegou a uma crise gigantesca, na qual está em jogo o destino da espécie”, afirma o autor.
A complexidade humana é expressa pelo autor a partir das seguintes anotações: o ser humano racional e sábio (Homo sapiens) é também louco e delirante (Homo demens); ao mesmo tempo em que cria ferramentas, técnicas e constrói (Homo faber), é também crente, religioso, mitológico (Homo fidelis ou H. religionis, H. mythologicus); e, por fim, ao mesmo tempo em que se dedica ao lucro pessoal (Homo aeconomicus), também é insuficiente e precisa dar lugar para o lúdico (Homo ludens) e a generosidade, praticando atividades desinteressadamente (Homo liber).
“Em suma, o substrato de racionalidade que se encontra em sapiens, faber e aeconomicus constitui apenas um polo do que é humano (indivíduo, sociedade, história), enquanto se mostram com importância no mínimo igual a paixão, a fé, o mito, a ilusão, o delírio, o lúdico”, considera Morin. “A grande lição que extraí disso é que toda paixão precisa comportar a vigilância da razão, e toda razão precisa comportar o combustível da paixão”, sustenta.
“Cada um traz em si o imperativo complementar do Eu e do Nós, do individualismo e do comunitarismo, do egoísmo e do altruísmo. A consciência desse duplo imperativo enraizou-se profundamente em meu espírito ao longo dos anos. Ela sempre me impeliu a alimentar e fortalecer a capacidade de amor, maravilhamento e, ao mesmo tempo, resistência obstinada à crueldade do mundo”, afirma, acrescentando que a consciência da complexidade humana conduz à benevolência. “A benevolência possibilita considerar o outro não só em seus defeitos e carências, mas também em suas qualidades, tanto em suas intenções quanto em suas ações”, sublinha.
Saber viver, é portanto, mais uma lição compartilhada por Morin. E há um duplo sentido na palavra vida: por um lado, trata-se de existir, respirar, alimentarse, proteger-se; por outro, trata-se de conduzir a vida com suas oportunidades e seus riscos, possibilidades de prazer e sofrimento. “A sobrevivência é necessária à vida, mas uma vida reduzida à sobrevivência já não é vida”, considera Morin.
O autor anota que as inúmeras mazelas humanas, sob miséria e humilhação, são estados de subviver, pior ainda que sobreviver. “Uma das tarefas essenciais de uma política humanista é criar condições que deem não só a possibilidade de sobreviver, mas também de viver”, assinala. Lembrando que todos os períodos de felicidade comportam uma dimensão poética, Morin declara: “Se a primeira grande aspiração humana é realizar-se individualmente inserido numa comunidade, a segunda é levar vida poética”. A urgência é, então, para esse sábio centenário, encontrar o caminho da poesia, do êxtase, do convívio, do calor humano e da benevolência amorosa.
Estado de Minas, Pensar, 04 fev. 2022, p. 1. Adaptado
As afirmações a seguir dizem respeito aos sinais de pontuação.
Texto I
Resistir à dominação, à crueldade e à barbárie; tomar consciência da complexidade humana; levar uma vida poética, com fé no amor. Essas são lições partilhadas pelo sociólogo e filósofo francês Edgar Morin ao narrar as suas memórias no livro “Leçons d’un siècle de vie” (Ed. Denoël, 2021), que marcou o seu centenário, em 8 de julho de 2021. (§ 1)
(É preciso saber viver, Bertha Maakaroun)
Texto II
Disponível em: <https://br.pinterest.com/pin/583005114258422086/>.
Informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma.
( ) No primeiro quadrinho da charge, empregou-se a vírgula para separar uma oração subordinada adverbial desenvolvida.
( ) No Texto I as aspas foram utilizadas para isolar uma frase intercalada no período, com caráter explicativo, em lugar dos dois-pontos.
( ) Na charge, as reticências têm a mesma finalidade dos parênteses, sendo empregadas para indicar um esclarecimento do que foi dito anteriormente.
( ) Em “A urgência é, então, para esse sábio centenário, encontrar o caminho da poesia...” (Texto I), o termo em destaque está entre vírgulas por apresentar, entre outros, valor argumentativo.
De acordo com as afirmações, a sequência correta é
Leia a tirinha.
No primeiro quadrinho, o sinal de aspas está sendo usado para:
Leia o trecho abaixo e responda as questões de 5 a 8.
ÉDIPO, REI
Sófocles
CORO DOS ANCIÃOS DE TEBAS: A ação passa-se em Tebas (Cadméia), diante do palácio do rei ÉDIPO. Junto a cada porta há um altar, a que se sobe por três degraus. O povo está ajoelhado em tomo dos altares, trazendo ramos de louros ou de oliveira. Entre os anciãos está um sacerdote de Júpiter. Abre-se a porta central; ÉDIPO aparece, contempla o povo, e fala em tom paternal.
[...]
ÉDIPO: Ó meus filhos, tão dignos de piedade! Eu sei, sei muito bem o que viestes pedir-me. Não desconheço vossos sofrimentos; mas na verdade, de todos nós, quem mais se aflige sou eu. Cada um de vós tem a sua queixa; mas eu padeço as dores de toda a cidade, e as minhas próprias [...].
No trecho "ÉDIPO: Ó meus filhos, tão dignos!", o uso de dois pontos se justifica por
Polarização política é obstáculo para cobertura ambiental no jornalismo
- Uma pesquisa recente do instituto Pew Research Center mostrou que a vasta maioria dos americanos apoia novas
- medidas de combate ao aquecimento do planeta.
- Mais de dois terços são a favor de incentivos para o uso de veículos elétricos ou híbridos e da criação de impostos para
- corporações com base em suas emissões de carbono. Nova regulação obrigando o aumento do uso de energia de recursos
- renováveis teria o apoio de 72%, e 79% favorecem incentivos fiscais do governo para ajudar empresas em projetos de captura e
- armazenamento de carbono.
- A preocupação com o ambiente vem crescendo na última década e, em junho, uma pesquisa da empresa
- YouGovAmerica revelou que hoje 56% da população se identifica como "ambientalista". Então, por que só 30% dos americanos
- se dizem interessados em acompanhar notícias sobre o meio ambiente?
- A polarização política nos EUA — e também a corrupção de políticos comprados por interesses especiais — ajuda a
- explicar como o país está rachado ao meio no apoio à encolhida agenda ambiental de Joe Biden, que sofre assaltos não só de
- ultraconservadores na Suprema Corte como do próprio partido. O senador Joe Manchin, da Virgínia Ocidental, vendido ao lobby
- do carvão, quase matou um pacote legislativo ambiental ligado ao plano BBB (Build Back Better) antes de voltar atrás nesta
- quarta (27).
- É difícil manter a atenção do público já assediado por más notícias sobre economia e saúde com previsões apocalípticas.
- Mas os desinformados, consumindo uma dieta negacionista como a servida nos EUA pela Fox News, não são os maiores
- responsáveis pela falta de apoio ao combate ao aquecimento global; são os narradores da mídia que tratam a ciência como
- ideologia.
- A agência federal de ambiente dos EUA foi criada por Richard Nixon, um conservador cristão. O correspondente do setor
- da rede CNN comparou recentemente os âncoras da rede de Rupert Murdoch a sabotadores que bloqueiam a saída de um teatro
- pegando fogo.
- Se o jornalismo quer ser tratado como serviço público, cabe ao jornalismo contribuir melhor para desembaralhar a falácia
- de que a ciência ambiental é "de esquerda". Se no primeiro semestre de 2020 a catástrofe da pandemia jogou repórteres de todos
- os setores na cobertura de um vírus, chegou a hora de parar de setorizar a reportagem de ambiente.
- Toda a cobertura tem um aspecto ambiental num mundo em que eventos relacionados ao clima já matam 5 milhões por
- ano e devastam economias de qualquer porte.
- Um obstáculo evidente é que a reportagem cientifica requer um grau maior de especialização. Outro é articular melhor
- o relato de fatos no contexto da destruição ambiental. O comentarista financeiro que descreve só as cifras quando o governo
- precisa intervir no mercado de seguros da Luisiana porque as tempestades e os furacões tornaram 600 mil residências
- inafiançáveis não deve omitir como a ciência explica a debacle econômica.
- A narrativa ambiental nunca teve à disposição tantas notícias promissoras com o progresso científico na proteção
- ambiental. Equilibrar o noticiário entre os sacrifícios e as recompensas é um poder que o jornalismo tem de resgatar a ciência
- refém dos autocratas populistas.
(Lúcia Guimarães. https:/www1.folha.uol.com.br/colunas/lucia-guimaraes/2022/07/polarizacao-política-e-obstaculo-para-cobertura-ambiental-no-jomalismo.shtml Folha de S.Paulo, 27 jul.2022)
O senador Joe Manchin, da Virgínia Ocidental, vendido ao lobby do carvão, quase matou um pacote legislativo ambiental ligado ao plano BBB (Build Back Better) antes de voltar atrás nesta quarta (27). (linhas 12 a 14)
Assinale a alternativa que apresente pontuação igualmente correta para o período acima.
Polarização política é obstáculo para cobertura ambiental no jornalismo
- Uma pesquisa recente do instituto Pew Research Center mostrou que a vasta maioria dos americanos apoia novas
- medidas de combate ao aquecimento do planeta.
- Mais de dois terços são a favor de incentivos para o uso de veículos elétricos ou híbridos e da criação de impostos para
- corporações com base em suas emissões de carbono. Nova regulação obrigando o aumento do uso de energia de recursos
- renováveis teria o apoio de 72%, e 79% favorecem incentivos fiscais do governo para ajudar empresas em projetos de captura e
- armazenamento de carbono.
- A preocupação com o ambiente vem crescendo na última década e, em junho, uma pesquisa da empresa
- YouGovAmerica revelou que hoje 56% da população se identifica como "ambientalista". Então, por que só 30% dos americanos
- se dizem interessados em acompanhar notícias sobre o meio ambiente?
- A polarização política nos EUA — e também a corrupção de políticos comprados por interesses especiais — ajuda a
- explicar como o país está rachado ao meio no apoio à encolhida agenda ambiental de Joe Biden, que sofre assaltos não só de
- ultraconservadores na Suprema Corte como do próprio partido. O senador Joe Manchin, da Virgínia Ocidental, vendido ao lobby
- do carvão, quase matou um pacote legislativo ambiental ligado ao plano BBB (Build Back Better) antes de voltar atrás nesta
- quarta (27).
- É difícil manter a atenção do público já assediado por más notícias sobre economia e saúde com previsões apocalípticas.
- Mas os desinformados, consumindo uma dieta negacionista como a servida nos EUA pela Fox News, não são os maiores
- responsáveis pela falta de apoio ao combate ao aquecimento global; são os narradores da mídia que tratam a ciência como
- ideologia.
- A agência federal de ambiente dos EUA foi criada por Richard Nixon, um conservador cristão. O correspondente do setor
- da rede CNN comparou recentemente os âncoras da rede de Rupert Murdoch a sabotadores que bloqueiam a saída de um teatro
- pegando fogo.
- Se o jornalismo quer ser tratado como serviço público, cabe ao jornalismo contribuir melhor para desembaralhar a falácia
- de que a ciência ambiental é "de esquerda". Se no primeiro semestre de 2020 a catástrofe da pandemia jogou repórteres de todos
- os setores na cobertura de um vírus, chegou a hora de parar de setorizar a reportagem de ambiente.
- Toda a cobertura tem um aspecto ambiental num mundo em que eventos relacionados ao clima já matam 5 milhões por
- ano e devastam economias de qualquer porte.
- Um obstáculo evidente é que a reportagem cientifica requer um grau maior de especialização. Outro é articular melhor
- o relato de fatos no contexto da destruição ambiental. O comentarista financeiro que descreve só as cifras quando o governo
- precisa intervir no mercado de seguros da Luisiana porque as tempestades e os furacões tornaram 600 mil residências
- inafiançáveis não deve omitir como a ciência explica a debacle econômica.
- A narrativa ambiental nunca teve à disposição tantas notícias promissoras com o progresso científico na proteção
- ambiental. Equilibrar o noticiário entre os sacrifícios e as recompensas é um poder que o jornalismo tem de resgatar a ciência
- refém dos autocratas populistas.
(Lúcia Guimarães. https:/www1.folha.uol.com.br/colunas/lucia-guimaraes/2022/07/polarizacao-política-e-obstaculo-para-cobertura-ambiental-no-jomalismo.shtml Folha de S.Paulo, 27 jul.2022)
Nova regulação obrigando o aumento do uso de energia de recursos renováveis teria o apoio de 72%, e 79% favorecem incentivos fiscais do governo para ajudar empresas em projetos de captura e armazenamento de carbono. (linhas 4 a 6)
No período acima, empregou-se corretamente a vírgula antes da conjunção E, seguindo regra específica.
Assinale a alternativa em que essa regra igualmente tenha sido empregada.
Texto para as questões 1 a 20
Perdemos nossas casas em Alcântara para ricaços brincarem de astronautas
1 _____ Em noites escuras, quem se embrenha mato adentro no Quilombo de Canelatiua sente-se como se estivesse caminhando
2 no espaço. Os vaga-lumes ao redor e as estrelas no céu causam a sensação. Nossos ancestrais chegaram aqui da Africa; não
3 vieram de foguete, mas em navios negreiros.
4 _____ Apesar disso, fizeram da região de Alcântara (MA) sua terra. Ainda assim, somos tratados como ETs: só soubemos pelos
5 jornais que a base de lançamentos instalada em nosso lar pode servir de espaçoporto para turismo espacial. Imagine perder sua
6 casa para ricaços brincarem de astronauta?
7 _____ A Virgin Orbit, empresa que pertence ao conglomerado do bilionário inglês Richard Branson, conseguiu em junho licença
8 para operar no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Seu avião de fuselagem dupla, do qual são lançadas as naves, vai
9 decolar de sua pista.
10 _____ É o mesmo usado por outro braço da empresa, a Virgin Galactic, que cobra US$ 450 mil (cerca de R$ 2,4 milhões) para quem
11 quer bancar o Luke Skywalker. Tememos por nosso futuro próximo pela forma como temos sido tratados desde um passado não
12 tão distante assim.
13 _____ O Território Étnico de Alcântara, no Maranhão, começa a se formar no final do século 19, com o abandono das terras por
14 seus proprietários. Ele foi certificado como remanescente de quilombo em 2004, pela Fundação Cultural Palmares. Legalmente,
15 porém, sua existência é reconhecida desde 1856, quando obteve um registro na freguesia de São João de Cortes.
16 _____ Consta, ainda, uma doação feita por Theofilo José de Barros, registrada no cartório de 1º. Ofício de Alcântara, em 1915. O
17 CLA foi criado nos anos 1980; naquela época, mais de 300 famílias de 24 comunidades do litoral foram removidas para o interior.
18 _____ O impacto social foi enorme, já que a pesca é o nosso principal meio de subsistência. Não é possível, contudo, mensurá-lo
19 com exatidão, assim como os danos causados à natureza, já que a base funciona sem nenhum estudo ou licença ambiental.
20 _____ O CLA é um porto pirata. Não há informações públicas oficiais sobre que tipos de combustível são usados ou componentes
21 quimicos lançados no meio ambiente. Da mesma forma, o Movimento dos Atingidos pela Base Espacial de Alcântara (Mabe) só
22 pode fazer estimativas de quantos de nós ainda perderão seus lares. Acontecimentos recentes indicam que cerca de 800 famílias
23 e 30 quilombos estão ameaçados.
24 _____ No fim de 2019, o CLA foi cedido aos norte-americanos. O contrato prevê a possibilidade da ampliação de suas instalações
25 sobre o território quilombola. Em 27 de março de 2020, o governo quis remover 792 famílias de 27 comunidades, durante o pico
26 da pandemia.
27 _____ A medida só foi definitivamente revogada em dezembro passado, quando uma denúncia enviada à Comissão Interamericana
28 de Direitos Humanos da OEA em 2001, referente aos despejos dos anos 1980, foi alçada a uma instância superior, a Corte
29 Interamericana de Direitos Humanos.
30 ____ Em 2011, o WikiLeaks revelou que os EUA não admitiam que desenvolvêssemos tecnologia para fabricar foguetes. Não
31 somos só nós que temos a perder; a própria soberania nacional pode ir para o espaço.
(Danilo Serejo, Quilombola de Alcântara (MA) e membro do Movimento dos Atingidos pela Base Espacial de Alcântara (Mabe). Folha de S. Paulo,
hitps:/Awww. folha uol. com.br/opiniaa/2022/07/perdemos-nossas-casas-em-alcantara-para-ricacos-brincarem-de-astronautas.shtml)
Ainda assim, somos tratados como ETs: só soubemos pelos jornais que a base de lançamentos instalada em nosso lar pode servir de espaçoporto para turismo espacial. (linhas 4 e 5)
O segmento após os dois-pontos, em relação ao trecho anterior, desempenha papel de
Texto para as questões 1 a 25
Por que é importante diversidade no sequenciamento genético
1___Se houvesse um ranking de fatores que unem os indivíduos ao redor do mundo, sem dúvida o DNA estaria no topo: 99,9%
2 das sequências de DNA humano são idênticas entre si.
3___O monge e cientista austríaco Gregor Johann Mendel (1822-1884) foi o primeiro a sugerir que certos "fatores invisíveis"
4 eram responsáveis pelas diversas caracteristicas humanas. Sabe-se hoje que tais fatores são os genes, compostos de ácido
5 desoxirribonucleico, ou DNA.
6___Essas moléculas de ácido dão instruções genéticas aos seres vivos. Mas se os humanos compartilham tanto do mesmo
7 material genético, por que a diversidade é importante no contexto de seu sequenciamento?
8___Para entender isso, deve-se mudar o foco para o 0,1% de diferença entre as sequências de DNA, Essa diferença
9 aparentemente pequena decorre das variações existentes entre os 3 bilhões de pares de bases (ou nucleotideos) que compõem o
10 genoma humano.
11___Todas as características que distinguem os seres humanos entre si, incluindo altura e cor dos olhos ou cabelo, se devem
12 a essas variações. Mas vai além: ao longo dos anos, cientistas descobriram que essas variações também podem fornecer
13 informações vitais sobre o risco de um individuo ou população desenvolver uma doença específica.
14___Assim, pode-se usar a avaliação de risco dos dados genéticos para projetar uma estratégia de saúde adaptada ao indivíduo
15 ou à região.
16___Em consultas médicas, é comum o paciente ter que preencher formulários sobre o histórico de saúde de seus pais e
17 familiares. Se um dos pais for diabético, por exemplo, recomenda-se que o filho fique longe de doces e açúcares processados.
18___Embora a transferência de doenças cardíacas, câncer e diabetes entre as gerações seja mais conhecida, existem muitas
19 outras doenças que podem ser herdadas geneticamente.
20___Por exemplo, sabe-se que a anemia falciforme ocorre quando se herdam duas cópias anormais do gene que produz a
21 hemoglobina (proteína dos glóbulos vermelhos do sangue), uma de cada genitor.
22___Nas últimas décadas, a pesquisa genética avançou a ponto de os cientistas conseguirem isolar os genes responsáveis
23 por muitas doenças. Mas aqui está o problema: a ciência tem conhecimento dessa correlação entre genes e doenças aplicado a
24 uma população muito restrita.
25___Sarah Tishkoff, geneticista e bióloga evolutiva da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, é uma entre muitos
26 cientistas que pressionam por conjuntos de dados genômicos mais diversos.
27___É problemático, por exemplo, se um "estudo focado em indivíduos com ascendência europeia identificar variantes
28 genéticas associadas ao risco de doenças cardíacas ou diabetes, e usar essa informação para prever o risco de doenças em
29 pacientes não incluídos no estudo original”.
30___"Sabemos por experiência que essa previsão de risco de doença não funciona bem quando aplicada a indivíduos com
31 diferentes ascendências, principalmente se tiverem ascendência africana", explica Tishkoff.
32___Historicamente, quem fornece seu DNA para pesquisa genômica é predominantemente de ascendência europeia, "o que
33 cria lacunas no conhecimento sobre os genomas no resto do mundo", registra o Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano
34 (NHGRI, na sigla em inglês), nos EUA.
35___Segundo a instituição, 87% de todos os dados de genoma disponíveis no mundo são de ascendência europeia, seguidos
36 por 10% de asiáticos e 2% de africanos.
37___Como resultado, os potenciais benefícios da pesquisa genética, que inclui diagnóstico precoce e tratamento de várias
38 doenças, podem não beneficiar as populações sub-representadas.
39___O problema não acaba na avaliação do risco de doença. Também leva à desigualdade nos cuidados médicos, diz Jan
40 Witkowski, professor da Escola de Pós-Graduação em Ciências Biológicas do Laboratório Cold Spring Harbor, no estado de Nova
41 York, EUA.
42___"Digamos que existam dois grupos, A e B, que são muito diferentes. O conhecimento e as informações que se aprende
43 sobre o grupo A podem não se aplicar ao grupo B. Imagine desenvolver tratamentos médicos para todos, baseados apenas nas
44 informações do grupo A. Não vai funcionar no grupo B."
45___Ao incluir diversas populações nos estudos genômicos, pesquisadores podem identificar variantes genômicas associadas
46 a várias configurações de saúde, tanto no nível individual quanto populacional,
47___Segundo o instituto NHGRI, contudo, diversificar os participantes na pesquisa genômica é caro e exige o estabelecimento
48 de relações de confiança e de respeito, no longo prazo, entre as comunidades e os pesquisadores.
(Sushmitha Ramakrishnan. https:/Awaw? folha. uol com. briciencia/2022/07/por-que-e-importante-diversidade-no-sequenciamento-genetico.shtml. 25,jul. 2022)
Na linha 3, usa-se a expressão "fatores invisíveis" entre aspas com a justificativa de
Texto para as questões 1 a 25
Por que é importante diversidade no sequenciamento genético
1___Se houvesse um ranking de fatores que unem os indivíduos ao redor do mundo, sem dúvida o DNA estaria no topo: 99,9%
2 das sequências de DNA humano são idênticas entre si.
3___O monge e cientista austríaco Gregor Johann Mendel (1822-1884) foi o primeiro a sugerir que certos "fatores invisíveis"
4 eram responsáveis pelas diversas caracteristicas humanas. Sabe-se hoje que tais fatores são os genes, compostos de ácido
5 desoxirribonucleico, ou DNA.
6___Essas moléculas de ácido dão instruções genéticas aos seres vivos. Mas se os humanos compartilham tanto do mesmo
7 material genético, por que a diversidade é importante no contexto de seu sequenciamento?
8___Para entender isso, deve-se mudar o foco para o 0,1% de diferença entre as sequências de DNA, Essa diferença
9 aparentemente pequena decorre das variações existentes entre os 3 bilhões de pares de bases (ou nucleotideos) que compõem o
10 genoma humano.
11___Todas as características que distinguem os seres humanos entre si, incluindo altura e cor dos olhos ou cabelo, se devem
12 a essas variações. Mas vai além: ao longo dos anos, cientistas descobriram que essas variações também podem fornecer
13 informações vitais sobre o risco de um individuo ou população desenvolver uma doença específica.
14___Assim, pode-se usar a avaliação de risco dos dados genéticos para projetar uma estratégia de saúde adaptada ao indivíduo
15 ou à região.
16___Em consultas médicas, é comum o paciente ter que preencher formulários sobre o histórico de saúde de seus pais e
17 familiares. Se um dos pais for diabético, por exemplo, recomenda-se que o filho fique longe de doces e açúcares processados.
18___Embora a transferência de doenças cardíacas, câncer e diabetes entre as gerações seja mais conhecida, existem muitas
19 outras doenças que podem ser herdadas geneticamente.
20___Por exemplo, sabe-se que a anemia falciforme ocorre quando se herdam duas cópias anormais do gene que produz a
21 hemoglobina (proteína dos glóbulos vermelhos do sangue), uma de cada genitor.
22___Nas últimas décadas, a pesquisa genética avançou a ponto de os cientistas conseguirem isolar os genes responsáveis
23 por muitas doenças. Mas aqui está o problema: a ciência tem conhecimento dessa correlação entre genes e doenças aplicado a
24 uma população muito restrita.
25___Sarah Tishkoff, geneticista e bióloga evolutiva da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, é uma entre muitos
26 cientistas que pressionam por conjuntos de dados genômicos mais diversos.
27___É problemático, por exemplo, se um "estudo focado em indivíduos com ascendência europeia identificar variantes
28 genéticas associadas ao risco de doenças cardíacas ou diabetes, e usar essa informação para prever o risco de doenças em
29 pacientes não incluídos no estudo original”.
30___"Sabemos por experiência que essa previsão de risco de doença não funciona bem quando aplicada a indivíduos com
31 diferentes ascendências, principalmente se tiverem ascendência africana", explica Tishkoff.
32___Historicamente, quem fornece seu DNA para pesquisa genômica é predominantemente de ascendência europeia, "o que
33 cria lacunas no conhecimento sobre os genomas no resto do mundo", registra o Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano
34 (NHGRI, na sigla em inglês), nos EUA.
35___Segundo a instituição, 87% de todos os dados de genoma disponíveis no mundo são de ascendência europeia, seguidos
36 por 10% de asiáticos e 2% de africanos.
37___Como resultado, os potenciais benefícios da pesquisa genética, que inclui diagnóstico precoce e tratamento de várias
38 doenças, podem não beneficiar as populações sub-representadas.
39___O problema não acaba na avaliação do risco de doença. Também leva à desigualdade nos cuidados médicos, diz Jan
40 Witkowski, professor da Escola de Pós-Graduação em Ciências Biológicas do Laboratório Cold Spring Harbor, no estado de Nova
41 York, EUA.
42___"Digamos que existam dois grupos, A e B, que são muito diferentes. O conhecimento e as informações que se aprende
43 sobre o grupo A podem não se aplicar ao grupo B. Imagine desenvolver tratamentos médicos para todos, baseados apenas nas
44 informações do grupo A. Não vai funcionar no grupo B."
45___Ao incluir diversas populações nos estudos genômicos, pesquisadores podem identificar variantes genômicas associadas
46 a várias configurações de saúde, tanto no nível individual quanto populacional,
47___Segundo o instituto NHGRI, contudo, diversificar os participantes na pesquisa genômica é caro e exige o estabelecimento
48 de relações de confiança e de respeito, no longo prazo, entre as comunidades e os pesquisadores.
(Sushmitha Ramakrishnan. https:/Awaw? folha. uol com. briciencia/2022/07/por-que-e-importante-diversidade-no-sequenciamento-genetico.shtml. 25,jul. 2022)
Assinale a alternativa em que, no texto, o termo indicado exerça papel semântico distinto do dos demais.
Texto para as questões 1 a 25
Por que é importante diversidade no sequenciamento genético
1___Se houvesse um ranking de fatores que unem os indivíduos ao redor do mundo, sem dúvida o DNA estaria no topo: 99,9%
2 das sequências de DNA humano são idênticas entre si.
3___O monge e cientista austríaco Gregor Johann Mendel (1822-1884) foi o primeiro a sugerir que certos "fatores invisíveis"
4 eram responsáveis pelas diversas caracteristicas humanas. Sabe-se hoje que tais fatores são os genes, compostos de ácido
5 desoxirribonucleico, ou DNA.
6___Essas moléculas de ácido dão instruções genéticas aos seres vivos. Mas se os humanos compartilham tanto do mesmo
7 material genético, por que a diversidade é importante no contexto de seu sequenciamento?
8___Para entender isso, deve-se mudar o foco para o 0,1% de diferença entre as sequências de DNA, Essa diferença
9 aparentemente pequena decorre das variações existentes entre os 3 bilhões de pares de bases (ou nucleotideos) que compõem o
10 genoma humano.
11___Todas as características que distinguem os seres humanos entre si, incluindo altura e cor dos olhos ou cabelo, se devem
12 a essas variações. Mas vai além: ao longo dos anos, cientistas descobriram que essas variações também podem fornecer
13 informações vitais sobre o risco de um individuo ou população desenvolver uma doença específica.
14___Assim, pode-se usar a avaliação de risco dos dados genéticos para projetar uma estratégia de saúde adaptada ao indivíduo
15 ou à região.
16___Em consultas médicas, é comum o paciente ter que preencher formulários sobre o histórico de saúde de seus pais e
17 familiares. Se um dos pais for diabético, por exemplo, recomenda-se que o filho fique longe de doces e açúcares processados.
18___Embora a transferência de doenças cardíacas, câncer e diabetes entre as gerações seja mais conhecida, existem muitas
19 outras doenças que podem ser herdadas geneticamente.
20___Por exemplo, sabe-se que a anemia falciforme ocorre quando se herdam duas cópias anormais do gene que produz a
21 hemoglobina (proteína dos glóbulos vermelhos do sangue), uma de cada genitor.
22___Nas últimas décadas, a pesquisa genética avançou a ponto de os cientistas conseguirem isolar os genes responsáveis
23 por muitas doenças. Mas aqui está o problema: a ciência tem conhecimento dessa correlação entre genes e doenças aplicado a
24 uma população muito restrita.
25___Sarah Tishkoff, geneticista e bióloga evolutiva da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, é uma entre muitos
26 cientistas que pressionam por conjuntos de dados genômicos mais diversos.
27___É problemático, por exemplo, se um "estudo focado em indivíduos com ascendência europeia identificar variantes
28 genéticas associadas ao risco de doenças cardíacas ou diabetes, e usar essa informação para prever o risco de doenças em
29 pacientes não incluídos no estudo original”.
30___"Sabemos por experiência que essa previsão de risco de doença não funciona bem quando aplicada a indivíduos com
31 diferentes ascendências, principalmente se tiverem ascendência africana", explica Tishkoff.
32___Historicamente, quem fornece seu DNA para pesquisa genômica é predominantemente de ascendência europeia, "o que
33 cria lacunas no conhecimento sobre os genomas no resto do mundo", registra o Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano
34 (NHGRI, na sigla em inglês), nos EUA.
35___Segundo a instituição, 87% de todos os dados de genoma disponíveis no mundo são de ascendência europeia, seguidos
36 por 10% de asiáticos e 2% de africanos.
37___Como resultado, os potenciais benefícios da pesquisa genética, que inclui diagnóstico precoce e tratamento de várias
38 doenças, podem não beneficiar as populações sub-representadas.
39___O problema não acaba na avaliação do risco de doença. Também leva à desigualdade nos cuidados médicos, diz Jan
40 Witkowski, professor da Escola de Pós-Graduação em Ciências Biológicas do Laboratório Cold Spring Harbor, no estado de Nova
41 York, EUA.
42___"Digamos que existam dois grupos, A e B, que são muito diferentes. O conhecimento e as informações que se aprende
43 sobre o grupo A podem não se aplicar ao grupo B. Imagine desenvolver tratamentos médicos para todos, baseados apenas nas
44 informações do grupo A. Não vai funcionar no grupo B."
45___Ao incluir diversas populações nos estudos genômicos, pesquisadores podem identificar variantes genômicas associadas
46 a várias configurações de saúde, tanto no nível individual quanto populacional,
47___Segundo o instituto NHGRI, contudo, diversificar os participantes na pesquisa genômica é caro e exige o estabelecimento
48 de relações de confiança e de respeito, no longo prazo, entre as comunidades e os pesquisadores.
(Sushmitha Ramakrishnan. https:/Awaw? folha. uol com. briciencia/2022/07/por-que-e-importante-diversidade-no-sequenciamento-genetico.shtml. 25,jul. 2022)
Mas aqui está o problema: a ciência tem conhecimento dessa correlação entre genes e doenças aplicado a uma população muito restrita. (linhas 23 e 24)
O segmento logo após os dois-pontos, em relação ao trecho anterior, estabelece uma relação de
AS QUESTÕES DE 01 A 08 SE REFEREM AO TEXTO SEGUINTE.
Não vale dizer
Ruy Castro*
Vale dizer. Vale lembrar. Vale ressaltar. Vale destacar. Vale acrescentar. E outros vales isso ou aquilo. Você pode não ter se tocado, mas, de há algum tempo, essas palavras estão lhe entrando pelos olhos com alarmante frequência e ocupando espaço à toa. A frase começa com "Vale dizer que ..." e segue-se o que a pessoa acha que vale dizer. Não ocorre a ela que, se dispensar o "vale dizer" e disser logo o que tem a dizer, sua informação não sofrerá nenhum prejuízo. Ao contrário, ganhará em concisão e objetividade.
É um vício de linguagem, como um tique nervoso ou uma pálpebra que dispara. E, como todo vício ou tique, brota de algum lugar no espaço e chega direto aos dedos de quem escreve, sem um estágio intermediário no nicho do cérebro onde se escolhem as palavras. A pessoa, quando se dá conta, já escreveu e, na verdade, nem se dá conta. Aliás, "na verdade" também é um desses tiques. Na verdade, por que "na verdade"? E quem garante que seja verdade? Em tempo: mesmo que fique ansioso com a ideia, experimente escrever sem usar "na verdade" e veja como não lhe fará a menor falta.
"Em tempo"? Eis outra relíquia arrancada do passado e posta a circular na mídia como se já não pudéssemos passar sem. Equivale ao "vale dizer". Dá-se assim: na sequência de uma informação, sapeca-se um ponto-parágrafo e, sem qualquer motivo, começa-se o parágrafo seguinte com "Em tempo ..." ‒ e lá vem a preciosa informação. É como se o autor temesse esquecer-se dela ou que seu espaço fosse acabar e ele não a usasse a tempo. Donde volto a sugerir: se escrever "Em tempo ...", experimente apagá-la e veja se seu conteúdo perde alguma coisa.
Alguém dirá que são implicâncias de um escriba ranzinza e que ninguém está ligando para isso. Pois devia estar. Manter a língua eficiente, como queria Ezra Pound, é obrigação de todos os que fazem uso dela.
"Fazer uso"? Epa! De todos que a usam, digo.
* Jornalista e escritor.
Folha de São Paulo, Opinião, 14 mar. 2022, p. A 2. Adaptado.
Considere os dois textos as seguir
TEXTO I
"Em tempo"? Eis outra relíquia arrancada do passado e posta a circular na mídia como se já não pudéssemos passar sem. Equivale ao "vale dizer". Dá-se assim: na sequência de uma informação, sapeca-se um ponto-parágrafo e, sem qualquer motivo, começa-se o parágrafo seguinte com "Em tempo ..." ‒ e lá vem a preciosa informação. É como se o autor temesse esquecer-se dela ou que seu espaço fosse acabar e ele não a usasse a tempo.
TEXTO II
Disponível em: <https://br.pinterest.com/pin/745908757017111559/>.
Avalie as afirmações sobre os sinais de pontuação.
I – O sinal de pontuação que marca, na escrita, a entonação de um questionamento foi utilizado adequadamente nos dois textos.
II – O travessão na frase “ ‒ e lá vem a preciosa informação.” (Texto I) indica a interrupção do que o autor desejava comunicar.
III – O ponto de exclamação em “Olha só!” (Texto II) introduz uma reflexão e antecede as palavras ditas por uma das personagens.
IV – As aspas em “vale dizer” (Texto I) e em “encarnar” (Texto II) foram empregadas para isolar expressão e palavra intercaladas no respectivo período.
Está correto apenas o que se afirma em