Questões de Concurso
Comentadas sobre pontuação em português
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Leia o texto a seguir para responder à questão.
Vício secreto
Depois de vários assaltos, ela decidiu que estava na hora de mudar de vida. De nada adianta, dizia, andar de carro de luxo e morar em palacete se isso serve apenas para atrair assaltantes. De modo que comprou um automóvel usado, mudou-se para um apartamento menor e até começou a evitar os restaurantes da moda.
Tudo isso resultou em inesperada economia e criou um problema: o que fazer com o dinheiro que ela já não gastava? Aplicar na Bolsa de Valores parecia-lhe uma solução temerária; não poucos tinham perdido muito dinheiro de uma hora para outra – quase como se fosse um assalto. Outras aplicações também não a atraíam. De modo que passou a comprar aquilo de que mais gostava: joias. Sobretudo relógios caros. Multiplicavam-se os Bulgan, os Breitling, os Rolex. Já que o tempo tem de passar, dizia, quero vê-lo passar num relógio de luxo.
E aí veio a questão; onde usar todas essas joias? Na rua, nem pensar. Em festas? Tanta gente desconhecida vai a festas, não seria impossível que ali também houvesse um assaltante, ou pelo menos alguém capaz de ser tentado a um roubo ao ter a visão de um Breitling. Sua paranoia cresceu, e lá pelas tantas desconfiava até de seus familiares. De modo que decidiu: só usa as joias quando está absolutamente só.
Uma vez por semana tranca-se no quarto, abre o cofre, tira as joias e as vai colocando: os colares, os anéis, os braceletes – os relógios, claro, os relógios. E admira-se longamente no espelho, murmurando: que tesouros eu tenho, que tesouros.
O que lhe dá muito prazer. Melhor: lhe dava muito prazer. Porque ultimamente há algo que a incomoda. É o olhar no rosto que vê no espelho. Há uma expressão naquele olhar, uma expressão de sinistra cobiça que não lhe agrada nada, nada.
(SCLIAR, Moacyr. Texto adaptado. Original disponível em: www.folha.uol.com.br. Acesso em: julho de 2024.)
Nos termos da Norma Culta da Língua Portuguesa, é correto separar o recorte "disse Bruno Côelho Cavalcanti" do restante do período por vírgulas.
“A definição de saúde é de um bem-estar físico, mental e social. Comer passa por isso”, diz Sophie, pesquisadora da USP, ao analisar os perigos da dietas ‘infalíveis’ divulgadas na internet.”
Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/profissionais-de-saude-se-mobilizam-contra-dietas-infaliveis-da-internet/. Acesso em: 21 maio 2024.
Em maio de 2023, a Netflix anunciou o fim do sistema de compartilhamento de senhas e começou a cobrar por cada usuário que utiliza a mesma conta. No entanto, abriu-se uma exceção para que moram na mesma casa, com a promessa de identificar a localização dos dispositivos conectados. [...]
Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/virou-viral/por-que-clientes-estao-acionando-a-justica-contra-a-netflix/. Acesso em: 10 jul. 2024.
I. No primeiro período a vírgula separa uma expressão adverbial de tempo deslocada.
II. As três vírgulas separam expressões deslocadas dentro de períodos compostos por orações adversativas.
III. A primeira vírgula do segundo período separa uma locução de valor adversativo que inicia a oração.
Assinale a alternativa que justifica corretamente o uso de vírgulas no seguinte parágrafo:
“A fumaça dos incêndios no Pantanal pode ter prejudicado um avião de pequeno porte em Corumbá. O pouso forçado da aeronave, que levava quatro pessoas, ocorreu em uma estrada da região do Paiaguás e pode ter sido causado pela fumaça e falta de visibilidade, informa o Correio do Estado”.
Disponível em: https://climainfo.org.br/2023/11/17/. Acesso em: 09 jul. 2024.
Analise a imagem abaixo:

Com base na imagem e na variedade padrão da língua escrita, assinale a alternativa correta.
Pai não entende nada
— Um biquíni novo?
— É, pai.
— Você comprou um no ano passado!
— Não serve mais, pai. Eu cresci.
— Como não serve? No ano passado você tinha 14 anos, este ano tem 15. Não cresceu tanto assim.
— Não serve, pai.
— Está bem. Toma o dinheiro. Compra um biquíni maior.
— Maior não, pai. Menor.
Aquele pai, também, não entendia nada.
Fonte: VERÍSSIMO, Luis Fernando. Comédias da vida privada: 101 crônicas escolhidas. Porto Alegre: L&PM, 1995. p. 255.
Com base no texto e na variedade padrão da língua escrita, assinale a alternativa correta.
Vacina contra herpes-zóster pode reduzir risco de
demência, diz estudo
A vacina recombinante contra o herpes-zóster foi associada a um risco 17% menor de demência em comparação com a vacina atenuada contra o vírus, nos seis anos subsequentes a vacinação. O achado é de estudo publicado na revista científica Nature Medicine.
A vacina atenuada possui o vírus do herpes-zóster ativo, mas enfraquecido, enquanto a vacina recombinante é inativada, ou seja, é feita apenas com uma proteína do vírus em combinação com o adjuvante AS01. Em outras palavras, o imunizante recombinante não contém o vírus ativo em sua composição. No Brasil, existem os dois tipos de imunizantes para a prevenção da doença.
Estudos anteriores haviam mostrado uma relação entre a vacina atenuada e o menor risco de demência. No entanto, a maioria desses estudos foi em pequenas coortes, ou seja, feitos com uma pequena quantidade de participantes. Ao mesmo tempo, a vacina atenuada foi descontinuada em alguns países, como os Estados Unidos, em favor da vacina recombinante, que apresenta eficácia maior para prevenir o herpes-zóster.
Diante disso, os pesquisadores queriam entender se a vacina recombinante poderia ter os mesmos efeitos na proteção contra a demência. Para isso, eles analisaram dados de saúde eletrônicos dos Estados Unidos de um total de 103.837 pessoas que receberam sua primeira dose de vacina contra herpes-zóster entre 2017 e 2020, com 95% deles recebendo a vacina recombinante. Em seguida, compararam os dados encontrados com as descobertas mostradas pelos estudos anteriores feitos com a vacina atenuada.
Os pesquisadores descobriram que a vacina recombinante estava associada a um menor risco de demência nos seis anos após a vacinação em comparação com o risco encontrado com a vacina atenuada. Segundo o estudo, a vacina com o vírus inativado leva a 17% mais tempo vivido sem diagnóstico da doença, o que significa 164 dias a mais vividos sem diagnóstico de demência em pessoas posteriormente afetadas.
Além disso, segundo o estudo, o efeito protetor foi 9% maior nas mulheres em comparação com os homens. Os autores também observaram que tanto a vacina atenuada quanto a recombinante parecem fornecer proteção contra a demência em comparação com outros dois imunizantes comumente aplicados em idosos: a vacina Tdap (tétano, difteria e coqueluche) e a vacina contra a gripe.
Apesar das descobertas, os pesquisadores ressaltam que o estudo foi apenas observacional, ou seja, não pode confirmar que a vacina, de fato, previne a demência. Para que essa confirmação seja feita, estudos adicionais precisam ser realizados.
Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/vacina-contra-herpes
zoster-pode-reduzir-risco-de-demencia-diz-estudo/ (modificado). Acesso:
25/07/2024.
Marque a alternativa correta sobre a função da pontuação na frase:
"Pedro, venha aqui!"
Leia atentamente o texto a seguir, escrito pelo cronista brasileiro Paulo Mendes Campos, para responder à questão.
Professores de melancolia
É bem possível, segundo já afirmaram, que a tristeza dos homens vá aumentando à medida que se inventem novos instrumentos de conforto. Não porque esses instrumentos determinem por si um acréscimo de melancolia, mas sim porque a presença deles revela a presença de novas exigências na alma humana, novas insatisfações, novos cansaços em busca de esquecimento.
O homem é um animal triste – eis uma frase que podemos adicionar sem brilho e sem desdoiro a centenas de afirmações semelhantes. Os sábados, por exemplo. Todos nós já vivemos muitos domingos. Sabemos que nada acontecerá e que nenhum milagre nos espera. Mas chega o dia de sábado e somos levados na corrente enganosa. O sábado é um dia essencialmente infiel e mentiroso. Promete absurdos. Deixa na gente uma expectativa, uma apreensão nervosa que demora a encontrar o caminho do sono. A noite de sábado é um túnel. Mas chega o domingo, sem alumbramentos, as mesmas caras, as mesmas decepções, a mesma vontade de tomar um trem ou um navio e essa consciência lúcida de sentir a inutilidade dos gestos.
Às vezes, arriscamos mais. Alguma coisa inexprimível e fatigada nos conduz a uma festa. Não vamos: somos levados. Há infalivelmente uma pessoa que não está. A dolência de um blues nos invade sub-reptícia, descolando as paredes de nossa alma, umedecendo de romantismo as dobras de nossa alma. Vem uma vontade grande de beber qualquer coisa forte. Daremos um berro? Diremos para a senhorinha que está ao nosso lado: ‘Não, senhorinha, não estou dizendo propriamente que o filme de Esther Williams foi ótimo; quis dizer somente que não vale a pena, ouviu; que o mundo vai mal, os homens vão bem e eu vou como posso’? Não, não diremos. Sorriremos com uma precisão matemática que assustaria nossos amigos íntimos.
Teremos todas as respostas e perguntas devidamente catalogadas no bolso, sem certo ar de indiferença que assusta a nós mesmos, uns tímidos. Voltamos para casa. Os pés cansados, mas os pés importam pouco. O coração cansado. Isto já é mais grave. E, aos poucos, das massas turvas da nossa melancolia começa a escorrer uma sombra indigna que inunda a nossa vida inteira. Mais um domingo que nos traiu. A culpa, entretanto, é do sábado.
(“Professores de melancolia”, por Paulo Mendes Campos, com adaptações)