Questões de Concurso
Comentadas sobre pontuação em português
Foram encontradas 10.439 questões
Na frase “Marie Curie, persistente e corajosa, é uma personagem importante na história da física e da química.”, as vírgulas foram utilizadas para demarcar:
Mais de 70% dos novos alunos do ensino superior privado optaram por estudar à distância, diz Inep
Por Luiza Tenente
- Dados do Censo da Educação Superior de 2022 foram divulgados e os números revelam
- que 1 a cada 5 jovens, de 18 a 24 anos, não concluiu o ensino médio nem vai ___ escola no
- Brasil. Além disso, 72% dos alunos que foram aprovados no ensino superior privado optaram
- por estudar à distância, conforme a divulgação feita pelo Instituto Nacional de Estudos e
- Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Nas licenciaturas (cursos de formação de
- professor), o índice foi ainda maior ▲ 93,2%.
- O crescimento da Educação à Distância (EaD), tendência presente nos últimos anos, gera
- preocupação de especialistas por conta da regulação frágil do setor e da dificuldade de mensurar
- a qualidade dessas graduações. Os mecanismos atuais de avaliação de cursos não consideram,
- por exemplo, o tipo de plataforma online usada pelas instituições de ensino e o tempo dedicado
- ___ aulas “síncronas”, em que os alunos podem interagir em tempo real com os professores. A
- tendência é que as faculdades gravem o material didático apenas uma vez e o vendam para um
- número cada vez maior de interessados.
- “O papel do MEC é regular isso. É um sinal vermelho aceso para a gente tomar medidas
- importantes diante desse cenário”, afirmou Camilo Santana, ministro da Educação, durante o
- evento de divulgação dos dados. Segundo ele● por decisão do governo federal, 16 cursos
- superiores não poderão ser feitos à distância: 4 já estão suspensos (Enfermagem, Direito,
- Odontologia e Psicologia) e outros 12 ainda estão em debate, por meio de consulta pública.
- Rodrigo Capelato, diretor-executivo do Semesp, entidade que representa mantenedoras
- de ensino superior no Brasil, explica que a modalidade à distância “tem sido mais atrativa por
- trazer flexibilidade em termos de local e horário [para o aluno estudar], mas, principalmente,
- por ser oferecida com mensalidades muito, muito mais baratas”. Ele complementa dizendo que
- “80% do alunado brasileiro têm renda per capita de até 3 salários-mínimos, ou seja, não têm
- condição de pagar mensalidades [dos cursos presenciais]. ___ cobertura do Prouni e do Fies é
- baixa e o número de vagas no ensino público também”.
- O número de novos alunos que escolheram fazer faculdade à distância cresceu 20% entre
- 2021 e 2022: saltou de 3,9 milhões para 4,7 milhões. Desde 2020, a EaD ultrapassou o ensino
- presencial no quesito “ingressantes”. A quantidade de cursos EaD no ensino superior triplicou
- em 4 anos: foi de 3.177 graduações, em 2018, para 9.186, em 2022. Os índices do Censo,
- referentes a professores ◆ alunos e instituições de ensino, servem para embasar novas políticas
- públicas e desenhar um panorama da educação brasileira.
(Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Os símbolos das linhas 06, 16 e 30 podem ser substituídos, respectivamente, por quais sinais de pontuação?
Texto CG1A1
Uma pesquisa feita na Universidade Federal Fluminense (UFF) gerou um método para detecção de notícias falsas, as chamadas fake news, nas redes sociais, com o uso de inteligência artificial (IA). A técnica é fruto de um estudo do engenheiro de telecomunicações Nicollas Rodrigues, em sua dissertação de mestrado pela universidade.
O estudante e seu orientador, Diogo Mattos, professor do Laboratório de Ensino e Pesquisa em Redes de Nova Geração da UFF, desenvolveram uma ferramenta de IA capaz de diferenciar fatos de notícias falsas, a partir da análise de palavras e estruturas textuais, com precisão de 94%.
Isso significa que, a cada 100 notícias analisadas, a ferramenta conseguiu acertar se era fato ou boato em 94 situações. No total, foram analisadas mais de 30mil mensagens publicadas em uma rede social na Internet.
“Testamos três metodologias e duas tiveram sucesso maior. A gente indica, no final dos resultados, a possibilidade de utilizar ambas em conjunto, de forma complementar”, explica Rodrigues.
A primeira metodologia consistiu em abastecer um algoritmo com notícias verdadeiras e depois treinar o algoritmo para reconhecer essas notícias. Aquelas que não se encaixavam no perfil aprendido eram classificadas como fake news.
A outra abordagem é semelhante à primeira no que se refere a análise textual, mas, no lugar do algoritmo, foi utilizada metodologia estatística que analisa a frequência com que determinadas palavras e combinações de palavras aparecem nas fake news.
Os resultados do trabalho podem-se transformar em ferramentas uteis para o usuário da Internet identificar noticias que apresentam indícios de fake news e, assim, ter cautela maior com aquela informação.
“Pode-se transformar a ferramenta em um plugin [ferramenta que apresenta recursos adicionais ao programa principal] compatível com algumas redes sociais. E, a partir do momento em que você usa a rede social, o plugin vai poder indicar não que a notícia ¢ falsa, de maneira assertiva, mas que ela pode ser falsa, de acordo com alguns parâmetros, como erros de português. Também existe a possibilidade de fazer uma aplicação na própria Web, onde você cola o texto da notícia e essa aplicação vai te dizer se aquilo se assemelha ou não a uma notícia falsa”, explica Rodrigues.
Internet: <wwwcartacapital.combr> (com adaptações)
Com relação ao emprego dos sinais de pontuação, a correção gramatical do texto CG1A1 seria prejudicada caso fosse eliminada a vírgula empregada logo após
Identifique a alternativa cuja pontuação não merece reparo:
Um peso, duas medidas
Mãe tem que dar conta sozinha, pai precisa de apoio. Ele nem precisou pedir ajuda, a ajuda apareceu
Bebel Soares | 02/06/2024
Janaína chegou com a filha de 8 anos naquela cidadezinha rural, que fica a 280 quilômetros de Belo Horizonte. O pai dela estava preso por tráfico, e Janaína não tinha família nem amigos. A moça conheceu Danilo, que já morava naquela cidade há uns cinco anos, e eles acabaram se casando.
Janaína engravidou, e Danilo as levou para morar longe da cidade. O local ficava a uns oito quilômetros de distância do Centro, uma casinha isolada, num local ermo, com acesso por estrada de terra, sem sinal de celular. Ele era abusivo, a humilhava e a privava de tudo.
Danilo foi trabalhar como segurança na cidade vizinha, passava a semana lá e, nos fins de semana, ia ver a esposa e as meninas, sempre indo embora e as deixando com poucos recursos. Janaína desenvolveu alcoolismo, bebia cachaça e deixava a filha mais nova sob os cuidados da mais velha. Depois passou a vender bebidas em casa, e a preocupação com a segurança das crianças passou a ser pauta no serviço social da cidade, especialmente em relação a abusos sexuais. As meninas ficaram abandonadas, até que o Conselho Tutelar interveio e ameaçou tirar a guarda das meninas.
Foi nesse momento que Janaína pediu ajuda: ela queria parar de beber, e não conseguiria fazer isso sozinha. Desde 1967, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera o alcoolismo uma doença e é recomendado que autoridades o encarem como uma questão de saúde pública. No entanto, essa mãe, que pedia socorro para se livrar do vício, foi negligenciada. Mesmo pedindo ajuda, era ignorada.
Quando o marido aparecia, ele a humilhava, dizia que ela o envergonhava, não ajudava e continuava passando as semanas na cidade onde trabalhava, deixando-a sozinha com as crianças e com seu vício.
Anos depois, a mãe começou a ter crises de dor abdominal, indo ao posto de saúde. Ela precisava ser encaminhada para o hospital referência da cidade, mas se negava, não tinha com quem deixar as crianças. Nessas idas ao posto, ela confidenciava às profissionais que queria mudar. Que queria se arrumar, se cuidar, escovar o cabelo, fazer as unhas, mas não tinha forças para isso.
As dores abdominais voltavam, ela era encaminhada com urgência para o hospital, mas não ia, não tinha ninguém para ficar com as meninas, mesmo numa emergência tão séria. Não tinha nenhuma rede de apoio. Não podia contar com ninguém, nem com o próprio marido.
Na última crise, Janaína faleceu. Ela tinha 35 anos e foi levada por uma pancreatite numa manhã de domingo. Estava sozinha, nem o marido a acompanhava. Ela era uma mulher linda, saudável, jovem. Sucumbiu ao etilismo por abandono, pela solidão. Tantas vezes pediu ajuda, e a ajuda nunca veio. Nunca conseguiu uma rede de apoio, nem quando precisava cuidar da própria saúde. Não pôde se tratar ________ precisava ficar com as filhas. Perdeu a vida. Saiu da sua terra para morrer sozinha, numa terra que não era dela, onde ela era invisibilizada.
Depois de tudo isso, a população se sensibilizou com o pai – sim, ela teve que dar conta sozinha, mas o pobre Danilo, não. “Tadinho do Danilo, coitado... Viúvo, vai precisar de uma grande rede de apoio, já que agora está sozinho com as filhas e precisa trabalhar.”
Um peso, duas medidas. Mãe tem que dar conta sozinha, pai precisa de apoio. Ele nem precisou pedir ajuda, a ajuda apareceu. Mulheres, mães, se solidarizaram com a situação do pai solo, como se ele fosse a vítima e Janaína tivesse morrido como uma vilã. Como se ela tivesse escolhido o abandono.
(Texto baseado no relato de uma amiga que acompanhou a história. Os nomes foram alterados para preservar a identidade dos envolvidos.)
SOARES, Bebel. Um peso, duas medidas. Estado de Minas, 02 de junho de 2024.
Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/bebelsoares/2024/06/6869183-um-peso-duas-medidas.html. Acesso em: 02 jun. 2024. Adaptado.
As aspas duplas foram empregadas no penúltimo parágrafo do texto para indicar:
“Vamos meter o pé”
Por Leandro Prazeres e João da Mata
- Odila tem pouco mais de um metro e meio de altura e o cabelo liso e grisalho, preso para
- trás. O corpo parece frágil, num contraste com as mãos, grossas e fortes da vida na roça nos
- tempos da juventude. Ela diz viver com a pensão equivalente a pouco mais de um salário mínimo,
- advinda da morte do marido, há 21 anos.
- Ela chegou ___ cidade de Estrela há 30 anos, depois que se casou. Teve quatro filhos 🔷 o
- mais novo é Elizandro, que ainda vive com ela. A casa onde criou a família levou décadas para
- ficar como ela queria. “Nós tínhamos uma casinha velha, de madeira, que ganhamos da
- Prefeitura. Nós fomos construindo. Juntamos uns troquinhos daqui e dali e fizemos uma parte
- da casa, em alvenaria”, contou. “A gente foi botando telhado. O piso, fomos pagando em
- prestações. Por último ▲foi feita uma área numa parte para fora, com churrasqueira” e, assim,
- Odila ia descrevendo a casa.
- O bairro Moinhos, onde a casa está localizada, era habitado, em sua maioria, por
- trabalhadores de baixa renda, como Odila. ___ ruas eram, inicialmente, cobertas com
- paralelepípedos, acentuando o ar bucólico do local. As casas eram cercadas por pequenos jardins
- de grama verde e baixa e, nos últimos anos, a prefeitura asfaltou algumas ruas do local. Elizandro
- disse ter uma relação especial com a vizinhança: “Ajudei a construir metade dessa vila”, contou
- com a voz embargada. O bairro já havia sido severamente atingido pela enchente de setembro
- do ano passado. Na ocasião, o Vale do Taquari também foi afetado e, no total, o Rio Grande do
- Sul registrou 54 mortes. O trauma de setembro deixou os moradores da região em estado de
- alerta. “A gente tem medo. O pessoal começou a dizer: ‘Á água está vindo. Á água está vindo’.
- Aí eu disse 🔵 ‘Vamos meter o pé’”, relembrou Odila. Após a decisão de partir, começou outra
- fase de angústia. Como sair de um lugar quando todos querem sair ao mesmo tempo?
- “Quando começou a enchente, nós começamos a reunir as coisas e esperamos o caminhão.
- Ligamos para os caminhões, mas não tinha mais porque eles não podiam socorrer todo mundo.
- Estávamos numa aflição porque sabíamos que a água ia tomar conta”, disse ela. Com a ajuda
- de vizinhos e dos filhos, Odila conseguiu reunir alguns poucos pertences e documentos e foi
- levada para um abrigo improvisado. Elizandro só chegou no abrigo no dia seguinte, pois tentou
- ajudar os vizinhos ___ levar móveis para os pisos superiores das casas. Não adiantou. A água
- encobriu todas as casas, ele contou.
(Disponível em: www.bbc.com/portuguese/articles/cj554e3zgmyo – texto adaptado especialmente para esta prova).
Os símbolos das linhas 05, 10 e 21 podem ser substituídos, respectivamente, por quais sinais de pontuação?
Responda às questões 1 a 10 com base no seguinte texto:
Com o debate cada vez mais acirrado e as problemáticas em torno da inteligência artificial (IA), a Editora Librinova, da França, comunicou à imprensa a criação de um selo de garantia editorial para certificar que uma obra (escrita, audiovisual ou musical) foi de fato produzida por um cérebro humano. Vale lembrar que, recentemente, a japonesa RieKudan (Qudan) venceu um prêmio literário no seu país e, ao recebê-lo, revelou que uma pequena parte do seu romance foi escrito com a ajuda do ChatGPT. Esse fato acaba, no entanto, desencadeando vários questionamentos: Quais são os limites éticos? O livro teria um ‘coautor’? É justo ela concorrer com aqueles candidatos que não utilizaram a ferramenta?, e muitos outros. A Editora estima que no país existam inúmeros livros autopublicados que utilizam o software de inteligência artificial generativa (conhecida como Chat GPT). Como esse tipo de publicação tende a ser em tempo recorde, geralmente, apresentam erros factuais graves, inclusive, já identificados por leitores e parentes de biografados.
Adaptadode:https://jornalnota.com.br/2024/03/12/editora-francesa-cria-selo-para-identificar-que-livros-foramescritos-por-humanos-e-nao-por-ia/amp/
Considere a frase a Editora Librinova, da França, comunicou à imprensa a criação de um selo de garantia editorial para certificar que uma obra (escrita, audiovisual ou musical) foi de fato produzida por um cérebro humano. Pode-se afirmar que os parênteses poderiam ser substituídos, sem alterar o sentido expresso no texto, por:
Analise as sentenças a seguir e assinale a alternativa em que se verifica algum emprego inadequado de sinal de pontuação.
Analise as sentenças a seguir quanto aos sinais de pontuação e assinale a alternativa em que se verifica(m) vírgula(s) empregada(s) de forma incorreta.
Texto 1
A dengue faz parte de um grupo de doenças denominadas arboviroses, que se caracterizam por serem causadas por vírus transmitidos por vetores artrópodes. No Brasil, o vetor da dengue é a fêmea do mosquito Aedes aegypti (significa “odioso do Egito). Os vírus dengue (DENV) estão classificados cientificamente na família Flaviviridae e no gênero Flavivirus. Até o momento são conhecidos quatro sorotipos – DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4 –, que apresentam distintos materiais genéticos (genótipos) e linhagens.
As evidências apontam que o mosquito tenha vindo nos navios que partiam da África com escravos. No Brasil, a primeira epidemia documentada clínica e laboratorialmente ocorreu em 1981- 1982, em Boa Vista (RR), causada pelos sorotipos 1 e 4. Após quatro anos, em 1986, ocorreram epidemias atingindo o estado do Rio de Janeiro e algumas capitais da região Nordeste. Desde então, a dengue vem ocorrendo de forma continuada (endêmica), intercalando-se com a ocorrência de epidemias, geralmente associadas à introdução de novos sorotipos em áreas indenes (sem transmissão) e/ou alteração do sorotipo predominante, acompanhando a expansão do mosquito vetor. Aspectos como a urbanização, o crescimento desordenado da população, o saneamento básico deficitário e os fatores climáticos mantêm as condições favoráveis para a presença do vetor, com reflexos na dinâmica de transmissão desses arbovírus. A dengue possui padrão sazonal, com aumento do número de casos e o risco para epidemias, principalmente entre os meses de outubro de um ano a maio do ano seguinte.
Todas as faixas etárias são igualmente suscetíveis à doença, porém as pessoas mais velhas e aquelas que possuem doenças crônicas, como diabetes e hipertensão arterial, têm maior risco de evoluir para casos graves e outras complicações que podem levar à morte.
(https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/dengue Acesso em 20/03/2024)
A pontuação empregada em “doenças crônicas, como diabetes e hipertensão arterial, têm maior risco” isola
"A grande geleira Thwaites, conhecida como 'Geleira do Juízo Final' e localizada na Antártida, corre maior risco de derreter do que cientistas acreditavam".
Disponível em: <https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agenciaestado/2024/05/23/geleira-do-juizo-final-risco-de-derreterestudo.htm?cmpid=copiaecola>. Acesso em: 23 mai. 2024.
No exemplo de período simples acima, as vírgulas são utilizadas para separar:
Texto para as questões 1 a 10:
Oceanos batem recorde de calor em meio à falta de ações
1Recorde de temperaturas, ondas de calor cada vez mais frequentes e acidificação acelerada: o mais recente relatório
da OMM (Organização Meteorológica Mundial) confirmou uma série de indicadores negativos para os oceanos.
As águas, que cobrem mais de 70% da superfície da Terra, têm um papel importante na regulação do clima. A maior
parte da energia acumulada no sistema atmosférico vai para os oceanos, que foram fundamentais para que as temperaturas
5 globais não se elevassem ainda mais nas últimas décadas.
Os dados mais recentes evidenciam, contudo, uma rápida degradação das condições dos mares. Ano mais quente da
história da humanidade, 2023 ficou marcado também por um aumento sem precedentes das ondas de calor marinhas, que
chegaram a uma cobertura média diária de 32% dos oceanos. No recorde anterior, em 2016, as cifras eram de 23%.
A situação mereceu um alerta especial da OMM, que é vinculada à ONU (Organização das Nações Unidas). “A escala
10 de tempo dos oceanos não é tão rápida quanto a da atmosfera. Mas, uma vez que a mudança está estabelecida, eu diria que
é quase irreversível”, avaliou a secretária-geral da entidade, Celeste Saulo.
“A tendência é realmente muito preocupante. E isso se deve às características da água, que retém o calor por mais
tempo do que a atmosfera. É por isso que estamos prestando cada vez mais atenção ao que está acontecendo nos oceanos.”
As ondas de calor marinhas têm grande influência também no processo de branqueamento de corais, ecossistemas
15 essenciais para o equilíbrio da vida marinha. Nos últimos meses, diversas instituições, incluindo a Noaa (agência atmosférica
e oceânica americana), emitiram alertas para o risco de episódios de grandes proporções.
Nesse processo, desencadeado pelo estresse térmico, os corais expulsam as algas que vivem em seus tecidos, ficando
assim mais vulneráveis a diversos problemas, incluindo a falta de nutrientes e a doenças.
“Temos o risco de uma espécie de desertificação [da vida] dos oceanos quando esse branqueamento de corais se
20 expande muito amplamente”, disse o chefe de monitoramento climático da OMM, Omar Baddour.
Os níveis recordes de acidificação dos oceanos, resultado da absorção dos níveis sem precedentes de dióxido de
carbono, contribuem para deteriorar ainda mais os ecossistemas marinhos.
Diante desse cenário, cientistas de todo o mundo têm elevado os alertas para reforçar a proteção dos oceanos.
Em 2023, após mais de uma década de negociações, a comunidade internacional concordou com um tratado no âmbito
25 da ONU para a preservação do chamado “alto-mar”, as águas que se estendem para além do limite de 370 km da costa das
atuais jurisdições nacionais.
Até agora, os compromissos internacionais de preservação se enquadravam nas águas nacionais. Ainda que o alto-
mar tenha sido de certa forma mais preservado historicamente, a situação se alterou nas últimas décadas.
O aumento da regulação nos mares mais próximos, combinado à crescente exaustão de recursos naturais nessas
30 regiões, tem expandido rapidamente as “fronteiras” marítimas. Além dos danos trazidos pelas mudanças climáticas, as águas
mais afastadas tornaram-se frequentemente exploradas por atividades intensivas que se aproveitam das lacunas legais.
No tratado, os países assumem o compromisso com a preservação de pelo menos 30% dos oceanos até 2030.
Atualmente, apenas cerca de 3% dos oceanos do globo estão sob proteção total ou muito elevada.
Apesar de ter sido classificado como histórico por ambientalistas, o acordo só entra em vigor quando pelo menos 60
35 países o tiverem ratificado. Até agora, apenas Palau, um Estado insular do Pacífico, e o Chile cumpriram esse requisito.
“O tratado foi um avanço muito grande na perspectiva da governança global dos oceanos. Estamos fechando uma
lacuna importante, porém ainda é necessário que os países se comprometam e ratifiquem o documento no seu cenário
doméstico”, destaca Leandra Gonçalves, doutora em relações internacionais e professora do Instituto do Mar da Unifesp
(Universidade Federal de São Paulo).
40 “O Brasil, por exemplo, ainda não ratificou”, completou a bióloga.
A necessidade dos processos de ratificação foi um dos temas debatidos na Cúpula Mundial dos Oceanos, realizada em
março em Lisboa. Diretor científico e administrador da Fundação Oceano Azul, Emanuel Gonçalves destacou a importância da
proteção dos ecossistemas marinhos.
“Nós levamos 300 anos para proteger 3% dos oceanos da pesca extrativa. Se fizermos agora a mesma coisa, vamos
45 levar mais 300 anos. Temos de fazer diferente. Precisamos acelerar os processos e garantir a proteção baseada na melhor
evidência científica”, diz o pesquisador.
A falta de financiamento para medidas de preservação tem sido historicamente um dos principais entraves ao
estabelecimento das zonas protegidas. Além de cobrar mais recursos para a implementação das áreas de proteção, Gonçalves
diz que os oceanos merecem mais espaço na agenda internacional.
50 “A relação entre o oceano e o clima tem sido algo negligenciado no âmbito das convenções das alterações climáticas
[as COPs]”, avaliou.
Para Leandra Gonçalves, embora o tema venha ganhando espaço desde a Rio+20, realizada em 2012, ainda é preciso
garantir que as discussões se transformem em medidas concretas
“Os oceanos estão ocupando um espaço maior na agenda internacional, e isso tem se refletido na agenda doméstica
55 dos países, em especial daqueles que têm grandes zonas costeiras. Mas ainda está muito tímida a prática desses países para
as questões das mudanças climáticas, da conservação da biodiversidade e da poluição”, enumerou. “Precisamos aproximar
o discurso da prática.”
Giuliana Miranda. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/. Acesso em: 28 mar. 2024.
Nos últimos meses, diversas instituições, incluindo a Noaa (agência atmosférica e oceânica americana), emitiram alertas para o risco de episódios de grandes proporções. (linhas 15 e 16)
Selecione a alternativa em que se tenha construído pontuação igualmente correta para o período acima.
(todos os fragmentos foram retirados do site https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2016/Setembro/vereador-conheca-o-papel-e-as-funcoes-desse-representante-politico e adaptados para a finalidade desta questão):
A única alternativa em que a pontuação foi adequadamente utilizada é