Questões de Concurso
Comentadas sobre paralelismo sintático e semântico em português
Foram encontradas 483 questões
INSTRUÇÃO: Leia o texto I para responder às questões de 1 a 7.
TEXTO I
Varrer as redes sociais para debaixo do tapete não é solução
O Brasil caminha para fechar o ano com mais de 171 milhões de usuários de redes sociais, de acordo com o portal de estatísticas Statisa. Desse contingente, fazem parte crianças e jovens que, mesmo sem idade para oficialmente criarem contas e perfis nas plataformas, têm algum tipo de contato com o conteúdo que transita por elas. Diante desse fato, há dois caminhos possíveis: proibir ou educar. A proibição, embora tentadora, significa ignorar que pré-adolescentes e adolescentes já estão expostos ao que as redes sociais têm de melhor e de pior, sem que necessariamente estejam preparados para fazer essa distinção. Educar é trabalhoso, mas talvez seja a solução mais efetiva diante daquilo que parece um caminho sem volta: a influência de novas tecnologias digitais na maneira como nos comunicamos, interagimos com o mundo e vivemos.
A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo decidiu bloquear o uso de redes sociais e streamings (como Netflix e Globoplay) nas escolas estaduais, argumentando que a restrição visa “garantir um ambiente adequado para o aprendizado e evitar usos considerados inapropriados e / ou excessivo de redes, que podem prejudicar a qualidade da conexão e interferir no andamento das atividades pedagógicas”.
Enxergar tais plataformas apenas como obstáculo é, de certa forma, se eximir da responsabilidade de guiar seu uso consciente e crítico. É privar os estudantes do acesso a conteúdos que podem enriquecer as aulas e torná-las mais conectadas com a realidade em que vivem. É dificultar o exercício da autoexpressão, já que jovens poderiam usar as redes de maneira positiva para mobilizar e engajar a comunidade escolar na resolução de problemas de sua região. Isso não significa uma defesa incondicional das redes. Pelo contrário: só poderemos participar da construção de um ecossistema digital melhor se pudermos conhecê-lo, entendendo a engrenagem por trás das plataformas, seu modelo de negócios, o modus operandi dos algoritmos, o papel dos influenciadores e tantos outros fenômenos que, feliz ou infelizmente, já fazem parte de nossas vidas. [...] Hoje, currículos são construídos levando em consideração a relevância da internet em nossas vidas e a necessidade de “desvendá-la”, de modo a minimizar os riscos e ampliar as oportunidades de quem está conectado. [...]
Educar para as redes proporcionará aos estudantes um olhar mais crítico para consumir as informações que por elas transitam e responsabilidade para produzir e compartilhar conteúdos, entendendo o alcance que sua voz pode ter. A construção de tais competências é também pilar para que as crianças e jovens de hoje se tornem adultos mais conscientes do poder da comunicação, aptos a compreender que as redes sociais podem ser usadas para propagar fake news e discurso de ódio, mas também para o exercício da cidadania e a diversidade de vozes numa sociedade cada vez mais conectada.
Num país de tamanha desigualdade como o Brasil, não se pode ignorar que uma parte dos estudantes sequer conta com internet estável nas escolas. Ainda assim, ignorar a existência das redes sociais não é uma boa solução — e pode, inclusive, ampliar a distância entre os jovens que têm a oportunidade de vivenciá-las com criticidade e aqueles que simplesmente não têm a chance de discuti-las em um ambiente mais seguro e mediado por educadores. Nesse caso, educar é melhor do que proibir.
MACHADO, Daniela. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2023/03/varrer-as-redes-sociais-para-debaixo-do-tapete-nao-e-solucao.shtml. Acesso em: 11 jun. 2023. [Fragmento adaptado]
A palavra entre parênteses não é sinônima da palavra destacada no trecho extraído do texto em:
Dicas para economizar água
01 Garantir que todos os brasileiros tenham acesso à água de qualidade é um dos maiores
02 desafios do país. A água é um dos recursos naturais que mais é desperdiçado. Por isso, é
03 importante falar sobre economia de água.
04 A água é essencial para diversos fins, desde atividades cotidianas até o desenvolvimento
05 econômico do nosso país. Afinal, a água é indispensável para inúmeros processos industriais,
06 para a geração de energia, para a agricultura, entre outras atividades.
07 Abaixo, temos algumas dicas de como você pode contribuir para economizar água:
08 1. Cronometre o banho: um banho de 15 minutos pode gastar até 135 litros de água. Se
09 você reduzir o tempo embaixo do chuveiro para 5 minutos, apenas 45 litros são utilizados.
10 Portanto, o ideal é optar por banhos rápidos, que durem o tempo necessário para fazer a higiene
11 do corpo.
12 2. Desligue a torneira ao escovar os dentes: as torneiras também são grandes responsáveis
13 pelo desperdício. Escovar os dentes e lavar o rosto e as mãos com a torneira aberta pode
14 representar um gasto de 12 litros de água.
15 3. Limite o uso da máquina de lavar: o ideal é usar a máquina sempre cheia e em ciclos
16 completos de lavagem. Para isso, acumule mais roupas para lavar tudo de uma vez.
17 4. Reaproveite a água da máquina de lavar: a água utilizada na máquina de lavar costuma
18 ser descartada pelo ralo. No entanto, por conter apenas resíduos de sabão, na maioria dos casos,
19 ela pode ser reaproveitada e servir para lavar pisos, lavar o quintal e até regar plantas.
20 5. Verifique e corrija quaisquer vazamentos: infiltrações e vazamentos podem acontecer
21 sem que você perceba e representar um elevado desperdício de água. Goteiras, manchas na
22 parede e mofo são alguns indícios.
23 6. Feche bem as torneiras: torneira vazando é fácil de perceber e pode desperdiçar até 40
24 litros de água por dia. Se perceber esse problema, é fundamental realizar a troca ou o conserto
(Disponível em: agergs.rs.gov.br/dica-do-dia-conheca-algumas-maneiras-de-economizar-agua-e-ajudar-o-meio-ambiente - texto adaptado especialmente para esta prova).
O correto par de antônimos, ou seja, palavras de sentido contrário, é:
Cuidados com a hidratação no inverno
Por Redação Hcor
- As baixas temperaturas provocam alterações no organismo, que diminuem a sensação de
- sede e fazem com que muitas pessoas acabem reduzindo o consumo diário de líquido. “No verão,
- por exemplo, suamos frequentemente e sentimos mais sede. Por isso, é natural que tenhamos
- uma preocupação maior com __ hidratação, porém, o que pouca gente sabe é que o risco de
- desidratação também existe no inverno. Além de nos fazer suar menos, __ baixas temperaturas
- causam mudanças no organismo que diminuem a sensação de sede. Isso faz com que muitas
- pessoas acabem diminuindo a ingestão diária de líquido, o que pode ser prejudicial __ saúde”,
- revela Diego Barros, fisiologista do esporte do HCor (Hospital do Coração). A falta de sede que
- sentimos no inverno se dá principalmente por causa das mudanças sofridas por um hormônio
- conhecido como ADH, ou antidiurético. Nos dias frios, essa molécula de...encadeia reações que
- fazem com que a circulação sanguínea fique concentrada nos vasos centrais para preservar o
- calor do corpo. Esse processo traz uma sensação interna de que estamos suficientemente
- hidratados. Consequentemente, nosso organismo leva mais tempo para se dar conta de que
- precisa de líquido. “Jamais podemos nos esquecer de que, no frio, precisamos de tanta água
- quanto no calor. Ter essa consciência é ainda mais importante no caso de quem pratica atividades
- físicas regulares, o que sempre demanda uma reposição ainda maior de líquido. Por isso, é
- impre...indível conhecer os sintomas da desidratação nessa época do ano para que possamos
- evitar o problema e manter a saúde em dia”, recomenda Diego.
- Para que possamos identificar quando o corpo precisa de hidratação no inverno, Barros
- aponta alguns sinais que vão muito além da simples sensação de sede. Entre eles estão: febre
- repentina, dor de cabeça, boca seca, prisão de ventre, irritabilidade, problemas de pele, como
- ressecamento, dermatite, além de urina mais escura e espessa. “Quadros de desidratação são
- bastante perigosos porque enfraquecem o sistema imunológico e favorecem o surgimento ou o
- agravamento de diferentes tipos de doenças. Tanto que, no inverno, observamos que há um
- aumento na in...idência de infecções urinárias e problemas renais, por exemplo”, revela.
- Para manter a hidratação necessária, o principal cuidado é não deixar de beber, pelo menos,
- dois litros de água por dia. “Quem pratica exercícios deve procurar beber rigorosamente a mesma
- quantidade de líquido que costuma ingerir no verão, mesmo suando menos.
(Disponível em: https://www.hcor.com.br/imprensa/noticias/fisiologista-do-esporte-hcor-alerta-para-os-cuidados-com-hidratacao-no-inverno/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que poderia substituir, sem prejudicar o sentido do texto, a palavra “preservar” (l. 11).
Aprenda a chamar a polícia
Eu tenho o sono muito leve, e numa noite dessas notei que havia alguém andando sorrateiramente no quintal de casa. Levantei em silêncio e fiquei acompanhando os leves ruídos que vinham lá de fora, até ver uma silhueta passando pela janela do banheiro. Como minha casa era muito segura, com grades nas janelas e trancas internas nas portas, não fiquei muito preocupado, mas era claro que eu não ia deixar um ladrão ali, espiando tranquilamente.
Liguei baixinho para a polícia, informei a situação e o meu endereço. Perguntaram-me se o ladrão estava armado ou se já estava no interior da casa. Esclareci que não e disseram-me que não havia nenhuma viatura por perto para ajudar, mas que iriam mandar alguém assim que fosse possível.
Um minuto depois, liguei de novo e disse com a voz calma:
— Oi, eu liguei há pouco porque tinha alguém no meu quintal. Não precisa mais ter pressa. Eu já matei o ladrão com um tiro de escopeta calibre 12, que tenho guardada em casa para estas situações. O tiro fez um estrago danado no cara!
Passados menos de três minutos, estavam na minha rua cinco carros da polícia, um helicóptero, uma unidade do resgate, uma equipe de TV e a turma dos direitos humanos, que não perderiam isso por nada neste mundo.
Eles prenderam o ladrão em flagrante, que ficava olhando tudo com cara de assombrado. Talvez ele estivesse pensando que aquela era a casa do Comandante da Polícia.
No meio do tumulto, um tenente se aproximou de mim e disse:
— Pensei que tivesse dito que tinha matado o ladrão.
Eu respondi:
— Pensei que tivesse dito que não havia ninguém disponível.
(Fonte: Luis Fernando Verissimo - adaptado.)
Assinalar a alternativa em que a palavra homônima sublinhada está empregada INCORRETAMENTE:
Sexismo linguístico
Antes de entender o movimento por uma linguagem neutra ou inclusiva, é preciso argumentar por que a linguagem do dia-a-dia não pode ser chamada de inclusiva. Segundo a professora Raquel Freitag, existe uma concepção de que a língua é sexista. “Uma língua não existe senão em uma sociedade. Se a sociedade é sexista, como o é a nossa, a língua apenas reflete esse sexismo”, explica. Nesse sentido também discursa Guilherme Ribeiro Colaço Mäder em seu artigo “Masculino genérico e sexismo gramatical”.
No português, assim como na grande maioria das línguas do mundo, o masculino é considerado o gênero não marcado, aquele utilizado como genérico para se referir a um grupo de várias identidades. Em oposição, o gênero feminino é considerado marcado, ou seja, só remete a pessoas que se identificam com o pronome feminino. Porém, como é avaliado no artigo, a própria convenção do masculino genérico é um reflexo do machismo na sociedade e, por isso, caracteriza um “falso” neutro.
Apesar disso, é comum o uso do feminino genérico em determinadas situações, principalmente de maneira pejorativa. Enquanto “médicos”, no masculino, é usado genericamente, “enfermeiras”, no feminino, tem sentido genérico. Isso também acontece com as palavras “executivo” e “secretária”, por exemplo. O comum, nessas situações, é que profissões consideradas mais importantes são referidas no masculino, enquanto outras, desvalorizadas, são expressas no feminino, reforçando estereótipos.
Na manchete do artigo publicado na Istoé, Enfermeiras e médicos, os ‘heróis’ da batalha contra o novo coronavírus, apesar do masculino ser usado como genérico para as palavras “médicos” e “heróis”, o termo feminino “enfermeiras” foge à regra e também é utilizado como genérico.
(Autora: Sarah Rabelo. Disponível em https://blogfca.pucminas.br/colab/linguagemneutra/)
A primeira vez que o cantor veio ao Brasil, foi para participar de um grande festival de música. Desde então, visita AMIÚDE o país.
Destaque o termo que contém um sinônimo da palavra destacada:
Assinalar a frase em que a palavra homônima sublinhada está empregada de forma INCORRETA:
Assinale a alternativa em que as duas palavras não são sinônimas.
Atenção: Para responder às questões de números 8 a 10, leia o trecho de “Torto Arado”.
De loucura meu pai entendia, assim diziam, porque ele mesmo já havia caído louco num período remoto de sua vida. Os curadores serviam para restituir a saúde do corpo e do espírito dos doentes, era o que sabíamos desde o nascimento. O que mais chegava à nossa porta eram as moléstias do espírito dividido, gente esquecida de suas histórias, memórias, apartada do próprio eu, sem se distinguir de uma fera perdida na mata. Diziam que talvez fosse por conta do passado minerador do povo que chegou à região, ensandecido pela sorte de encontrar um diamante, de percorrer seu brilho na noite, deixando um monte para adentrar noutro, deixando a terra para entrar no rio. Gente que perseguia a fortuna, que dormia e acordava desejando a ventura, mas que se frustrava depois de tempos prolongados de trabalho fatigante, quebrando rochas, lavando cascalho, sem que o brilho da pedra pudesse tocar de forma ínfima o seu horizonte. Quantos dos que encontravam a pedra estavam libertos dos delírios? Quantos tinham que proteger seu bambúrrio da cobiça alheia, passando dias sem dormir. com os diamantes debaixo do corpo, sem se banhar nas águas dos rios, atentos a qualquer gesto de trapaça que poderia vir de onde menos se esperava?
(VIEIRA Jr., Itamar. Torto arado. São Paulo: Todavia, 2019. Edição eletrônica)
No contexto em que se encontra, o termo
Considere o discurso a seguir, proferido na Câmara dos Deputados, em homenagem póstuma ao presidente americano John Kennedy, para responder as próximas questões.
"Foi como se uma luz se tivesse apagado, de repente, no mundo. Foi como se uma noite de angústia e de soturnos íncubos tivesse baixado, repentinamente, sobre a face da Terra. Foi como se um pesadelo e uma delirante alucinação tivesse, inesperadamente, dilacerado nas suas garras de loucura o coração de milhões de homens. Eram aquelas horas mansas e preguiçosas, quando a tarde escorre, plácida, para os braços do crepúsculo, velho e cansado porteiro da noite; mas aquele dia, a noite se antecipou. la descer primeiro sobre os corações; depois, sobre o mundo. A noite com o seu mistério, a noite com os seus fantasmas, a noite com o seu pavor, a noite com a sua mentira, a noite com as suas armadilhas sagazes e as suas emboscadas traiçoeiras, a noite com os seus laços bem urdidos e os seus venenos sutis, com os seus gritos solitários e os seus uivos lancinantes, a noite que gela o coração e acoberta o crime, a noite que atrai vítima desprevenida e empresta à morte o seu regaço de sombra para a solerte tocaia; aquele dia, a noite chegou inesperada, trazendo no seu bojo a gargalhada sinistra que, num átimo - num átimo quase eterno, num átimo que fixou o tempo e estancou o fluxo da história -, ecoou pelos quatro cantos do mundo, como que desafiando a mais tenaz capacidade de crer, zombando da mais desesperada esperança e deixando escorrer a baba envenenada do ódio inimaginável, do ódio que se julgara proscrito, para sempre, da conveniência humana. Com os olhos vendados pela súbita escuridão e velados pelas primeiras lágrimas que nenhuma força humana consegue reter, homens e mulheres de todas as raças e de todas as crenças tentaram agarrar-se a alguma coisa que lhes permitisse não crer, que desmentisse as palavras sinistras que, àquela hora, já se atropelavam nas asas das ondas velozes por sobre montanhas e mares, cidades e vales, até a última fronteira do mundo. Mas, ai de nós, a verdade temida, a verdade terrível, a verdade jamais pressentida, era, desgraçadamente, a verdade verdadeira. A milhares de quilômetros, numa cidade embandeirada em festa, entre flores e aclamações, entre os gritos dos peões na pradaria sem fim, ao cheiro acre do petróleo brotando aos borbotões do solo esturricado, alguém fechara a derradeira porta à compreensão e à fraternidade, e uma janela se abrira ao ódio assassino, covarde e desvairado. Sobre ela a morte se debruçara paciente e tranquila, fria e calculada. Como quem sabe que a presa não lhe fugirá. Como quem não tem pressa, porque conhece a sua hora. Como o caçador previdente a quem o instinto não engana e sabe que a flecha da sua aljava é ligeira, e certeiro seu olho experimentado. Como o encenador que prepara a tragédia para que o herói caia, entre o céu e a terra, ao som das tubas gloriosas, ao rufar de místicos tambores, ante o espanto da multidão colhida de surpresa e as vozes do coro que justifica, soturno, a catástrofe."
(Deputado Padre Godinho, Homenagem póstuma a John Kennedy, 1963, com adaptações).
No trecho "Foi como se uma noite de angústia e de soturnos íncubos tivesse baixado, repentinamente, sobre a face da Terra", o termo "repentinamente" poderia ser substituído, sem prejuízo ao sentido global do discurso, por:
Viver é um grito
Por Adriana Antunes
01 Pare, observe, escute. Todos os dias pedaços de nós chegam ao fim. Pedaços que, de certa
02 forma, já não são mais nossos. Mudamos. Reparo e, às vezes, os vejo cru...arem a rua e
03 passarem para o outro lado da calçada. Pedaços de mim que partem. O tempo junta e separa
04 pessoas. Junta e separa amores. O tempo é uma espécie de morte. Cada morte chega com um
05 gosto diferente. Há as que causam alegria, alívio. Há as que doem demais. Há as que abrem
06 espaço para outra vida. Há as que aprisionam por um tempo. Algumas têm aquele gosto que
07 resta na boca depois do sono. Outras têm gosto das quatro da tarde com mistura de chá e pão.
08 Já morremos tantas vezes nesta vida. Não sei por que temos tanto medo de falar sobre isso.
09 Viver e morrer é tão assertivo quanto trombarmos, vez por outra, em nossas pequenas mortes
10 cotidianas. O fim de um livro bom, o encontro desmarcado, o telefone não atendido, a louça suja
11 sobre a pia, um velho cartão-postal de um amor já partido, as cartas da juventude, uma foto
12 esquecida e reencontrada, cheia de marcas de outro tempo, nossas pequenas mortes. A cada
13 um desses encontros, ensaiamos uma pequena coreografia de um adeus. É um assombro, a
14 constatação da finitude. Depois, sabemos que a vida continua. Esse reviver é como acordar, abrir
15 a janela e ver o dia lá fora.
16 Viver é um grito. Aquilo que rasga ao meio a apatia dos dias que se sucedem. Repare, tem
17 dias em que há um mundo no fundo da ....ícara. Um mundo que se contrai para dar nascimento
18 à alegria. Uma delicada porcelana que recobre os fatos e nos faz sonhar outra vez.
19 Na dor da morte ficamos com eles. O detalhe do sorriso, do olho que se fecha ao falar, do
20 timbre do oi, do perfume da camisa, das mãos que gesticulam. A imagem nunca vem inteira. É
21 a cor do cabelo, o contorno dos lábios, os botões do casaco. E com o passar do tempo, vai se
22 apagando.
23 Repare: um dia a coisa toda muda, queiramos ou não. Se encerra. Atravessa a rua, passa
24 para o outro lado da calçada. Ficamos machucados, nos recolhemos. Um pedaço da trama
25 começa a desfiar. A vida segue mesmo assim.
(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Qual das palavras abaixo NÃO pertence à mesma família da palavra “amor”?
Viver é um grito
Por Adriana Antunes
01 Pare, observe, escute. Todos os dias pedaços de nós chegam ao fim. Pedaços que, de certa
02 forma, já não são mais nossos. Mudamos. Reparo e, às vezes, os vejo cru...arem a rua e
03 passarem para o outro lado da calçada. Pedaços de mim que partem. O tempo junta e separa
04 pessoas. Junta e separa amores. O tempo é uma espécie de morte. Cada morte chega com um
05 gosto diferente. Há as que causam alegria, alívio. Há as que doem demais. Há as que abrem
06 espaço para outra vida. Há as que aprisionam por um tempo. Algumas têm aquele gosto que
07 resta na boca depois do sono. Outras têm gosto das quatro da tarde com mistura de chá e pão.
08 Já morremos tantas vezes nesta vida. Não sei por que temos tanto medo de falar sobre isso.
09 Viver e morrer é tão assertivo quanto trombarmos, vez por outra, em nossas pequenas mortes
10 cotidianas. O fim de um livro bom, o encontro desmarcado, o telefone não atendido, a louça suja
11 sobre a pia, um velho cartão-postal de um amor já partido, as cartas da juventude, uma foto
12 esquecida e reencontrada, cheia de marcas de outro tempo, nossas pequenas mortes. A cada
13 um desses encontros, ensaiamos uma pequena coreografia de um adeus. É um assombro, a
14 constatação da finitude. Depois, sabemos que a vida continua. Esse reviver é como acordar, abrir
15 a janela e ver o dia lá fora.
16 Viver é um grito. Aquilo que rasga ao meio a apatia dos dias que se sucedem. Repare, tem
17 dias em que há um mundo no fundo da ....ícara. Um mundo que se contrai para dar nascimento
18 à alegria. Uma delicada porcelana que recobre os fatos e nos faz sonhar outra vez.
19 Na dor da morte ficamos com eles. O detalhe do sorriso, do olho que se fecha ao falar, do
20 timbre do oi, do perfume da camisa, das mãos que gesticulam. A imagem nunca vem inteira. É
21 a cor do cabelo, o contorno dos lábios, os botões do casaco. E com o passar do tempo, vai se
22 apagando.
23 Repare: um dia a coisa toda muda, queiramos ou não. Se encerra. Atravessa a rua, passa
24 para o outro lado da calçada. Ficamos machucados, nos recolhemos. Um pedaço da trama
25 começa a desfiar. A vida segue mesmo assim.
(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Qual das alternativas abaixo é um sinônimo (palavra de sentido semelhante) da palavra “aprisionam” (l. 06)?
Abaixo o trote nas universidades
Por Dráuzio Varella
- O objetivo do trote é impor ao novato uma posição subalterna para submetê-lo aos
- caprichos dos já iniciados, tributo a pagar para ser admitido no grupo. O calouro aceita passar
- por essa experiência ve...aminosa por considerá-la parte do ritual para ser aceito pelo grupo. O
- consolo é que, no ano seguinte, ele irá ___ forra, perpetuando a baixaria.
- Como toda imposição autoritária praticada em grupo, a escalada da violência é inevitável
- nessas ocasiões. No meio de brincadeiras aparentemente inocentes, como impedir que um
- veterano imbecil seja mais agressivo? Como evitar a repetição de cenas que mais parecem
- se...ões de tortura? Está certo fecharmos os olhos quando meninas e meninos feridos vão parar
- no pronto-socorro, como tantas vezes acontece?
- No passado, o trote ocorria apenas no primeiro dia de aula. Em muitas escolas, hoje, dura
- meses. No interior, onde muitos moram em “repúblicas”, os abusos não se limitam ao campus
- universitário, são entregues a domicílio no dia ___ dia.
- Embora essa praga esteja espalhada pelo país inteiro nos cursos mais variados, a
- repercussão é maior quando envolve estudantes de Medicina. A sociedade fica revoltada ao
- tomar conhecimento da selva...eria e de atos indecorosos quando praticados por aqueles que
- deveriam ser preparados para aliviar o sofrimento humano, a razão de existir da nossa profissão.
- Que médico será esse que violenta os mais novos? Que não respeita sequer as colegas de
- faculdade?
- Não podemos esquecer que o médico tem acesso ao corpo do outro, relação interpessoal
- que exige respeito máximo. O estudante de Medicina deve ser formado para assumir essa
- responsabilidade desde o dia em que põe os pés na sala de aula. Os professores têm o dever de
- prepará-lo para aprender os aspectos éticos de uma profissão que não é apenas uma ciência,
- mas também uma arte sem a qual formaremos maus profissionais, ainda que conhecedores das
- técnicas.
- As faculdades de Medicina têm que dar fim ___ complacência diante do trote. Não é uma
- brincadeira de crianças, os adultos que abusam dos mais novos sabem muito bem o que estão
- fazendo. Dizer que o trote aconteceu fora do campus não serve de desculpa.
- Medidas educativas são absolutamente necessárias, mas não suficientes: é preciso proibir
- e punir essa indecência que maltrata justamente os que deveriam ser acolhidos de forma
- civilizada no ambiente universitário.
(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que apresenta um sinônimo da palavra “indecorosos” (l. 15).
Luto antes da morte: um processo que ajuda a lidar com a perda
Por Gabriela Cupani
- Uma despedida nunca é fácil. Muito menos quando a partida é para sempre. Porém, ela
- pode se tornar um pouco mais leve se __ pessoa puder dar vazão aos sentimentos de perda
- mesmo antes da morte. Nesse sentido, a tristeza por uma doença prolongada e incurável pode
- ser uma oportunidade de encontrar a paz que muitas vezes falta a quem enfrentou um fim súbito.
- Encarar esse sofrimento é uma forma de sanar as pendências ▲ de não deixar nada por dizer ou
- fazer por aquela pessoa que está partindo.
- O chamado luto antecipatório, comum em pacientes que enfrentam doenças terminais e
- seus familiares, foi observado primeiramente em mulheres de soldados que iam para __ guerra
- e que passavam a se comportar como viúvas. Ainda assim, o conceito não é con...enso entre os
- especialistas e envolve muitas caracterizações, sugere um artigo recém-publicado no periódico
- científico Palliative Medicine. Na prática, ele também não é facilmente reconhecido pelos
- profissionais de saúde. “O luto antecipatório pode ser encarado como uma preparação para __
- processo de luto real e ocorre quando a morte é prevista, como numa experiência de doença
- grave”, observa Ana Claudia Arantes, médica geriatra do Hospital Albert Einstein com formação
- especializada em cuidados paliativos.
- Isso porque, diante da finitude, a pessoa transita por várias etapas que vão se alternando
- e que envolvem negação, raiva, barganha, depressão, aceitação – na maioria das vezes, sem
- uma ordem e um tempo determinado para cada etapa. “Poder vivenciar isso antes da morte
- facilita cumprir etapas, desenvolver coragem, força, resolver pendências, amar e se sentir
- amado”, continua Ana Claudia. Assumir a situação também permite que o paciente deixe
- orientações sobre suas vontades e seu legado, a forma como gostaria de ser lembrado.
- Por isso, a melhor forma de ajudar quem está vivendo esse processo é saber escutar. “Não
- se deve fugir ou negar a situação, mas, ao contrário, fazer perguntas, estimular que o outro
- e...presse seus sentimentos, medos e angústias”, orienta a médica. O objetivo é que ele possa
- encontrar as respostas que estão dentro de si mesmo. Caso não consiga superar esses
- sentimentos, vale recomendar um suporte psicológico especializado.
- Mesmo que a tristeza seja inevitável, o luto pode ser um podero...o recurso de
- transformação capaz de dar um novo significado àquela falta. “Trata-se de conseguir transformar
- a presença física que está partindo em uma presença simbólica, estar em paz com o legado
- afetivo, com a construção do relacionamento”, diz Ana. E perceber, depois do adeus, o quanto
- do amor pela pessoa querida ainda permanece aqui.
(Disponível em: www.istoe.com.br/luto-antes-da-morte-um-processo-que-ajuda-a-lidar-com-a-perda/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Na linha 09, a expressão “Ainda assim” garante, ao trecho em que ocorre, sentido:
Por que escrevo?
Por Martha Medeiros
01 Escrevo para dar exclusividade ___ solidão que vive em mim. Para não parecer tão
02 esquisita como pareceria se fosse uma solitária que não escreve. Escrevo para não desperdiçar a
03 minha sinceridade. Sozinhos, somos mais sinceros do que quando socializamos.
04 Escrevo para ficar quieta por mais tempo. Para não falar sobre ___ vida dos outros —
05 escrever sobre eles dá menos problema. Escrevo porque não sei tocar guitarra, porque não
06 aprendi a esculpir em madeira, porque meus glúteos são muito largos para o balé. Escrevo
07 porque teria dificuldade de decorar o texto para uma peça, porque só sei desenhar uma casinha
08 — e mal.
09 Escrevo porque a literatura é uma arte discreta. Escrevo porque não existe horário para
10 começar, nem terminar, nem dia útil, nem dia inútil, nem ônibus para pegar, nem parada para
11 descer, nem apito de fábrica, nem gerente, nem chefe (nem carteira assinada também, é o
12 ônus).
13 Escrevo porque gosto muito de ficar em casa. Nunca escrevo em quartos de hotéis, em
14 trens, em espaços de coworking. Escrevo porque ninguém me acusa de estar me escondendo,
15 mesmo que eu esteja.
16 Escrevo porque dizem que a maioria dos homens não suporta mulheres que escrevem.
17 Abençoo esta triagem. Só os corajosos me atraem.
18 Escrevo para me relacionar melhor com a morte. A morte não traz benefícios para quem
19 fabrica guarda-chuvas, atende em consultórios ou limpa vidraças. Mas ela costuma ser generosa
20 com escritores: inspira e, se você for uma Clarice Lispector, eterniza.
21 Escrevo porque não é um trabalho de equipe. Escrevo para uma única pessoa: você, que
22 ao me ler estará sozinho também (mesmo cercado de gente) e em silêncio. Prefiro relações a
23 dois. Escrevo para dar voz às minhas feras, bruxas, demônios. Escrevo porque posso ser
24 malvada, traidora, desaforada, matar e morrer — e acordar ilesa na segunda-feira.
25 Escrevo para me consolar dos traumas de infância e para transformar as dores de amor
26 em royalties — é uma compensação justa. Escrevo porque escrever ativa ___ esperança. A
27 esperança de ser lida, compreendida e amada. E a esperança de que meu texto sirva para fazer
28 alguém se sentir menos estranho para si mesmo. Escrevo porque, se eu parecer louca, ninguém
29 vai dar muita atenção. Periga até eu ganhar um prêmio.
30 Escrevo porque enquanto estou escrevendo, estou lembrando. Escrevo porque nunca sei
31 sobre o que irei escrever. É uma aventura constante revelar para mim mesma o que permanece
32 desconhecido em mim.
33 Em meu primeiro livro, ainda muito jovem, publiquei um verso que dizia: quanto mais
34 escrava, mais escrevo. O tempo passou, me libertei de quase tudo o que me oprimia e devo isso
35 a todos os livros que li, e aos meus. É por ela, a liberdade, que escrevo.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/donna/colunistas/martha-medeiros/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando a palavra “ônus” (l. 12), analise as assertivas a seguir:
I. Trata-se de um substantivo masculino que é antônimo de “sobrecarga”.
II. A partir da palavra “ônus”, pode-se formar o adjetivo “oneroso”, que mantém com ela relações de proximidade de sentido.
III. Um sinônimo possível para a palavra é “custo”.
Quais estão corretas?
“Ratificar” e “retificar” são palavras parônimas, já que não têm escrita nem pronúncia iguais, mas sim parecidas. Nas alternativas, a lacuna que deveria ser completada com o “ratificar” é:
Responda às questões 1 a 5 com base no seguinte texto:
Esta imensa campina, que se dilata por horizontes infindos, é o sertão de minha terra natal. Aí campeia o destemido vaqueiro cearense, que à unha de cavalo acossa o touro indômito no cerrado mais espesso, e o derriba pela cauda com admirável destreza. Aí, ao morrer do dia, reboa entre os mugidos das reses, a voz saudosa e plangente do rapaz que abóia o gado para o recolher aos currais no tempo da ferra. Quando te tomarei a ver, sertão da minha terra, que atravessei há muitos anos na aurora serena e feliz da minha infância? Quando tornarei a respirar tuas auras impregnadas de perfumes agrestes, nas quais o homem comunga a seiva dessa natureza possante? De dia em dia aquelas remotas regiões vão perdendo a primitiva rudeza, que tamanho encanto lhes infundia. A civilização que penetra pelo interior corta os campos de estradas, e semeia pelo vastíssimo deserto as casas e mais tarde as povoações. Não era assim no fim do século passado, quando apenas se encontravam de longe em longe extensas fazendas, as quais ocupavam todo o espaço entre as raras freguesias espalhadas pelo interior da província.
Autor: José de Alencar. Trecho extraído da obra O Sertanejo.
Relativamente a aspectos gramaticais, analise as assertivas.
I. Considerando a colocação pronominal, na frase que se dilata por horizontes infindos, tem-se um caso de ênclise.
II. O verbo reboa, na frase reboa entre os mugidos das reses, a voz saudosa e plangente do rapaz, possui como sinônimo o verbo retumba.
III. Há linguagem conotativa em ao morrer do dia.
Pode-se afirmar que:
Analise a tirinha a seguir, do personagem Armandinho, criado por Alexandre Beck:
Fonte:
https://qualusar.files.wordpress.com/2017/11/tumblr_nyus00dnu41u1iys qo1_500.png?w=750 Acesso em: 05 nov., 2023.
A tirinha apresentada poderia ser empregada no ensino de qual fenômeno da língua portuguesa?
O texto seguinte servirá de base para responder às questões de 41 a 47.
A escuta nas práticas de leitura
Mesmo antes do surgimento da escrita, o homem lia o mundo com o seu olhar, com suas experiências sensoriais. Utilizando-se da linguagem oral e das imagens, trocava ideias, refletindo sobre tudo o que o cercava. E, mesmo depois da invenção da escrita, continua utilizando-se da palavra oral e das imagens para fazer observações, construir conhecimentos, partilhar suas impressões sobre a vida e discutir as questões que ocorrem a sua volta.
A produção de sentidos a partir da leitura, seja pela criança, pelo leitor jovem ou adulto, está relacionada a vários elementos, entre os quais podemos destacar: o ambiente de leitura; a formação histórico-cultural do leitor; sua disposição pessoal para a leitura; as leituras anteriores feitas pelo leitor; a forma como a leitura é mediada etc.
Na escola, especificamente, as apropriações feitas pelo aluno são múltiplas, com diversas interpretações, valorizações que estão ligadas aos elementos mencionados, como também ao trabalho desenvolvido em sala de aula, na biblioteca, na totalidade da escola ou fora dela. A leitura com envolvimento proporciona uma simbiose entre o leitor e o livro, mas quando esta não é acompanhada e orientada pode não atingir os seus objetivos. Um sujeito que tem uma história de mediação afetivamente positiva com relação a essas práticas de leitura desenvolverá a capacidade de "ouvir" nas entrelinhas dos textos.
O livro Ouvir nas entrelinhas: o valor da escuta nas práticas de leitura, da pesquisadora argentina Cecilia Bajour, trata justamente dessas discussões sobre o papel do mediador e a qualidade de suas intervenções, tendo como propósito principal refletir sobre a escuta como vínculo pedagógico entre docentes e alunos em diversas práticas de leitura literária [...].
Para Bajour, a tarefa do professor é "escutar e se nutrir de leituras e saberes", a fim de descobrir como ocorre a construção de mundos com palavras e imagens. O mediador deve esboçar perguntas que instiguem a discussão, o pensamento sobre o lido. Para isso, entra a necessidade primeira de se conhecerem a fundo os textos que serão escolhidos. Somente assim tem-se uma escuta apurada no momento da conversa.
No primeiro capítulo do livro, a autora [...] discorre sobre a importância da escuta para o sucesso no trabalho com a leitura e enfatiza o papel do mediador como sujeito ativo na interlocução entre o texto e o leitor. Destaca, ainda, o potencial da conversação literária como possibilidade de mudança nos métodos tradicionais de leitura adotados na escola e aponta a seleção de textos como sendo um dos pilares no trabalho de formação de leitores [...].
No segundo capítulo, o texto debruça-se sobre a conversa literária como uma situação de ensino. A partir da análise de falas dos professores que participaram do curso de especialização em Literatura Infantil e Juvenil, a autora ressalta que diversas experiências relatadas mostraram a necessidade de um posicionamento crítico por parte dos professores a respeito da relação entre seleção de textos e teoria. Quanto mais esses mediadores conhecerem a respeito dos textos e das maneiras de lê-los, menos ficarão presos a receitas, esquemas, critérios fixos etc. no momento de fazer escolhas. Esses pontos de partida muitas vezes desprezam a importância do estético e propõem classificações e tipologias que deixam o literário e o artístico em segundo plano [...].
O título que introduz o terceiro capítulo traz uma indagação provocativa: "O que a promoção da leitura tem a ver com a escola?". Inicialmente, a autora tece críticas sobre algumas versões que são dadas ao conceito de "promoção", associando-o à ideia de "animação", "espetáculo", "show", que acabam deixando o livro e a leitura em segundo plano ou, em casos mais graves, nos quais eles quase não aparecem. Por outro lado, ela mostra-se a favor de muitas práticas artísticas ligadas ao campo da "promoção" que colocam a leitura e os livros como o centro das propostas. Artes como o teatro, a narração oral, o cinema e as canções podem oferecer novas possibilidades sempre que valorizam esteticamente os textos e os colocam em destaque.
Entretanto, Bajour não defende a desescolarização da leitura. De acordo com a autora, "não há motivo para que a responsabilidade da escola de propiciar aos alunos experiências culturais ricas e variadas seja concebida de forma apartada da responsabilidade de ensinar".
No quarto e último capítulo, a autora, no intuito de ampliar as discussões sobre as escolhas, trata da questão do cânone referente à literatura infantil. Ela propõe uma forma possível de mudar essa ideia de cânone, concebido como algo totalitário, sagrado, surdo e autorreferencial, que consagra os textos e define sua circulação. Bajour aponta que se deve pensar em um cânone que escute, que se ofereça ao diálogo, que se abra para a cultura que corre fora das instituições e que não se reduza a seus ditames.
A partir da leitura da obra, pode-se concluir que a literatura na escola deve se pautar em textos que possibilitem o desenvolvimento do senso crítico. Os alunos devem ser percebidos como leitores plurais e as mediações necessitam de critérios e ações capazes de levar o leitor iniciante a valorizar a leitura e a reconhecê-la como um processo de escuta que conduz a novos horizontes.
Retirado e adaptado de: Revista Presença Pedagógica. A escuta nas práticas de leitura. Editora Pulo do Gato. Disponível em: http://www.editorapulodogato.com.br/pagina.php?id=102 Acesso em: 05 nov., 2023.
Fonte: Revista Presença Pedagógica.
Analise os aspectos semânticos do seguinte trecho, retirado de "A escuta nas práticas de leitura":
Na escola, especificamente, as apropriações feitas pelo aluno são múltiplas, com diversas interpretações, valorizações que estão ligadas aos elementos mencionados, como também ao trabalho desenvolvido em sala de aula, na biblioteca, na totalidade da escola ou fora dela.
A palavra em destaque foi empregada no trecho com o mesmo sentido que em:
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 04 e, a seguir, responda às questões que a ele se referem.
Texto 04
A (nem sempre) sutil diferença entre ser autêntico e ser grosseiro
Muita gente usa a sinceridade ou autenticidade como desculpa para grosserias: “O que eu tenho pra falar, falo na cara!”; “Não douro pílula, não uso meias palavras, sou uma pessoa autêntica!”
Quantas vezes você já ouviu frases como essas? Na verdade, elas são, na maioria das vezes, desculpas para esconder a falta de tato de pessoas ríspidas. Pessoas assim escondem a própria rudeza em argumentos como autenticidade ou mesmo sinceridade.
Claro que não vamos pedir que as pessoas não sejam autênticas, que não sejam sinceras, que sorriam para todos e sejam hipócritas. Mas, no trato com as pessoas, é sempre possível encontrar expressões menos grosseiras, mais positivas e animadoras do que frases duras, secas e amargas. [...]
Disponível em: https://www.bemparana.com.br/trabalho-negocios. Acesso em: 18 abr. 2023. Adaptado.
Analise as afirmativas, tendo em vista os recursos usados na construção do texto.
I. No título, os parênteses foram usados para a inserção de uma ideia, os quais, se retirados, provocam alteração de sentido.
II. No primeiro parágrafo, verifica-se o uso de palavras e expressões da linguagem coloquial.
III. No primeiro parágrafo, verifica-se o uso de expressões que estão na linguagem conotativa.
IV. No primeiro parágrafo, as aspas foram usadas para marcar tanto a presença do discurso direto quanto da ironia.
V. No último parágrafo, verifica-se o uso do paralelismo sintático, ou seja, há complementos do verbo “pedir” que são utilizados conjuntamente.
Estão CORRETAS as afirmativas
Partindo-se do princípio de que as palavras estabelecem entre si uma relação de significado, observe este enunciado:
Cérebro antigo, mundo moderno
O cérebro que herdou a capacidade primitiva de encarar as coisas como boas ou ruins agora lida com novas complexidades, como a inteligência artificial
Disponível em: https://saude.abril.com.br/coluna/com-a-palavra/cerebro-antigo-mundo-moderno/.
Acesso em: 12 jun. 2023.
Os vocábulos destacados no enunciado expressam, entre si, uma relação de