Questões de Concurso Comentadas sobre ortografia em português

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Q470432 Português
                              A COPA DO MUNDO PERDIDA
                              Chico Alencar, O Globo, 14/02/2014
                     “O conhecimento do Brasil passa pelo Futebol” (José Lins do Rego)
      A seleção brasileira de futebol tem boas chances de ganhar a Copa do Mundo. Mas os titulares da política, em termos de conquistas permanentes para a sociedade, o propalado “legado social”, já desperdiçaram uma grande oportunidade.
      Fico só no estritamente prometido pelos promotores do evento esportivo, já que iniciativas em educação e saúde, por exemplo, nem no banco de reservas ficaram. Recursos não faltaram, especialmente os públicos. As suntuosas “arenas” reformadas ou erguidas consumiram R$8,9 bilhões, dos quais só R$133 milhões da iniciativa privada. É a prova, em concreto e aço, de que, no Brasil, quando se quer, se faz. Mesmo os atrasos de praxe são resolvidos rapidamente, com aditivos contratuais. A junção de trabalho operoso, tecnologia de ponta e vontade política tudo realiza. E no padrão que a “mestra Fifa” mandou... O que fazer com os “elefantes brancos” fica para depois.
      Não faltaram recursos também para os Centros de Treinamento ofertados às 31 seleções que chegarão aqui até junho. Foram preparados nada menos que 74 estádios e instalações, em várias cidades. (....) Gol contra mesmo são as obras de mobilidade urbana. As 56 intervenções viárias e de transporte de massa previstas nas 12 cidades-sede caíram para 39 - das quais apenas meia dúzia está concluída. Seu impacto no dia a dia da população será pequeno. Entre o prometido e o que está sendo entregue há um abismo. É que, ao contrário do destinado aos equipamentos esportivos, os cortes foram de R$8,34 bilhões, quase 50% do investimento previsto em 2010. Assim, essas iniciativas resumem-se a acessos aos estádios e melhorias das vias nos seus entornos. Em Manaus, o placar das obras viárias não sai do zero, Brasília e Rio só terão uma e Cuiabá, Salvador e Porto Alegre, duas. Resultados frustrantes para quem anunciava verdadeiras “goleadas” na locomoção da população das regiões metropolitanas, de 2014 em diante.
      O Brasil fora das quatro linhas não é uma “caixinha de surpresas”: como é de nossa má tradição, faltou o jogo coletivo, o respeito ao público. E, como um time com setores desarticulados, sobrou distância entre o planejado e o realizado, entre o social de longo prazo e o ganho particular imediato. A Copa da Fifa será um evento ruidoso, agitado e ... passageiro. Em matéria de legado, já fomos desclassificados.

Abaixo estão cinco termos grafados, no texto, com iniciais maiúsculas. O termo que poderia, em outro contexto, aparecer com iniciais minúsculas é:
Alternativas
Q470430 Português
                              A COPA DO MUNDO PERDIDA
                              Chico Alencar, O Globo, 14/02/2014
                     “O conhecimento do Brasil passa pelo Futebol” (José Lins do Rego)
      A seleção brasileira de futebol tem boas chances de ganhar a Copa do Mundo. Mas os titulares da política, em termos de conquistas permanentes para a sociedade, o propalado “legado social”, já desperdiçaram uma grande oportunidade.
      Fico só no estritamente prometido pelos promotores do evento esportivo, já que iniciativas em educação e saúde, por exemplo, nem no banco de reservas ficaram. Recursos não faltaram, especialmente os públicos. As suntuosas “arenas” reformadas ou erguidas consumiram R$8,9 bilhões, dos quais só R$133 milhões da iniciativa privada. É a prova, em concreto e aço, de que, no Brasil, quando se quer, se faz. Mesmo os atrasos de praxe são resolvidos rapidamente, com aditivos contratuais. A junção de trabalho operoso, tecnologia de ponta e vontade política tudo realiza. E no padrão que a “mestra Fifa” mandou... O que fazer com os “elefantes brancos” fica para depois.
      Não faltaram recursos também para os Centros de Treinamento ofertados às 31 seleções que chegarão aqui até junho. Foram preparados nada menos que 74 estádios e instalações, em várias cidades. (....) Gol contra mesmo são as obras de mobilidade urbana. As 56 intervenções viárias e de transporte de massa previstas nas 12 cidades-sede caíram para 39 - das quais apenas meia dúzia está concluída. Seu impacto no dia a dia da população será pequeno. Entre o prometido e o que está sendo entregue há um abismo. É que, ao contrário do destinado aos equipamentos esportivos, os cortes foram de R$8,34 bilhões, quase 50% do investimento previsto em 2010. Assim, essas iniciativas resumem-se a acessos aos estádios e melhorias das vias nos seus entornos. Em Manaus, o placar das obras viárias não sai do zero, Brasília e Rio só terão uma e Cuiabá, Salvador e Porto Alegre, duas. Resultados frustrantes para quem anunciava verdadeiras “goleadas” na locomoção da população das regiões metropolitanas, de 2014 em diante.
      O Brasil fora das quatro linhas não é uma “caixinha de surpresas”: como é de nossa má tradição, faltou o jogo coletivo, o respeito ao público. E, como um time com setores desarticulados, sobrou distância entre o planejado e o realizado, entre o social de longo prazo e o ganho particular imediato. A Copa da Fifa será um evento ruidoso, agitado e ... passageiro. Em matéria de legado, já fomos desclassificados.

Como se pode ver no texto, a palavra “impacto” deve ser grafada com I. A palavra abaixo que também deveria ser grafada com I e não com E é:
Alternativas
Q469080 Português
Assinale a alternativa em que a letra inicial da expressão em destaque, segundo a Ortografa Oficial, deve ser escrita obrigatoriamente com minúscula:
Alternativas
Q469079 Português
Assinale a alternativa em que a grafia da expressão em destaque está correta:
Alternativas
Q469078 Português
O texto abaixo serve de referência para a questão.

                       Homem passa 20 dias perdido
                                       no parque


                                                                                  Luiz Carlos da Cruz, correspondente em Cascavel


      Um homem que estava desaparecido havia 25 dias dentro do Parque Nacional do Iguaçu, no  Oeste do Paraná, foi encontrado na manhã de ontem por policiais ambientais. Ele estava com uma  perna quebrada havia 20 dias e foi localizado oito  quilômetros mata adentro, em um local de difícil  acesso. O homem teria se arrastado por cerca de  quatro quilômetros, mesmo com a perna fraturada.
      Segundo o tenente Nilson Figueiredo, da Polícia Ambiental, a corporação foi avisada do sumiço  do homem, que seria um caçador, por familiares dele. O homem tinha o hábito de acampar no parque,  mas nunca havia ficado tantos dias fora. Policiais localizaram o homem, cuja identidade não foi  revelada ainda, por volta das 11 horas de ontem.  Ele estava bastante debilitado.
      Um helicóptero chegou a decolar de Foz do  Iguaçu para tentar fazer o resgate, mas não houve    condições de pouso por ser um local de mata  fechada. Mas uma maca, medicamentos, água,  comida e materiais para imobilizar a fratura foram  deixados no local. A tentativa de resgate será retomada   hoje. Durante a noite, uma equipe de resgate composta por 20 pessoas pousaria com a vítima,   moradora de Capitão Leônidas Marques. “É  uma área de difícil acesso, com morros íngremes",   explica Figueiredo. Para o policial, a localização  rápida da vítima “foi como encontrar agulha no palheiro".

                                                                                                            (Gazeta do Povo, 17/09/14, p. 11)

O “Ç” (cê cedilhado) é utilizado em algumas palavras do texto como Iguaçu e sumiço. Assinale a alternativa que contém palavra em que o “Ç” é também empregado:
Alternativas
Q469077 Português
O texto abaixo serve de referência para a questão.

                       Homem passa 20 dias perdido
                                       no parque


                                                                                  Luiz Carlos da Cruz, correspondente em Cascavel


      Um homem que estava desaparecido havia 25 dias dentro do Parque Nacional do Iguaçu, no  Oeste do Paraná, foi encontrado na manhã de ontem por policiais ambientais. Ele estava com uma  perna quebrada havia 20 dias e foi localizado oito  quilômetros mata adentro, em um local de difícil  acesso. O homem teria se arrastado por cerca de  quatro quilômetros, mesmo com a perna fraturada.
      Segundo o tenente Nilson Figueiredo, da Polícia Ambiental, a corporação foi avisada do sumiço  do homem, que seria um caçador, por familiares dele. O homem tinha o hábito de acampar no parque,  mas nunca havia ficado tantos dias fora. Policiais localizaram o homem, cuja identidade não foi  revelada ainda, por volta das 11 horas de ontem.  Ele estava bastante debilitado.
      Um helicóptero chegou a decolar de Foz do  Iguaçu para tentar fazer o resgate, mas não houve    condições de pouso por ser um local de mata  fechada. Mas uma maca, medicamentos, água,  comida e materiais para imobilizar a fratura foram  deixados no local. A tentativa de resgate será retomada   hoje. Durante a noite, uma equipe de resgate composta por 20 pessoas pousaria com a vítima,   moradora de Capitão Leônidas Marques. “É  uma área de difícil acesso, com morros íngremes",   explica Figueiredo. Para o policial, a localização  rápida da vítima “foi como encontrar agulha no palheiro".

                                                                                                            (Gazeta do Povo, 17/09/14, p. 11)

É de fundamental importância para estudos de Ortografa – e até para nossa vida profssional – conhecermos o alfabeto. Sendo assim, assinale a alternativa em que as palavras retiradas do texto estejam em rigorosa ordem alfabética:
Alternativas
Q469075 Português
O texto abaixo serve de referência para a questão.

                       Homem passa 20 dias perdido
                                       no parque


                                                                                  Luiz Carlos da Cruz, correspondente em Cascavel


      Um homem que estava desaparecido havia 25 dias dentro do Parque Nacional do Iguaçu, no  Oeste do Paraná, foi encontrado na manhã de ontem por policiais ambientais. Ele estava com uma  perna quebrada havia 20 dias e foi localizado oito  quilômetros mata adentro, em um local de difícil  acesso. O homem teria se arrastado por cerca de  quatro quilômetros, mesmo com a perna fraturada.
      Segundo o tenente Nilson Figueiredo, da Polícia Ambiental, a corporação foi avisada do sumiço  do homem, que seria um caçador, por familiares dele. O homem tinha o hábito de acampar no parque,  mas nunca havia ficado tantos dias fora. Policiais localizaram o homem, cuja identidade não foi  revelada ainda, por volta das 11 horas de ontem.  Ele estava bastante debilitado.
      Um helicóptero chegou a decolar de Foz do  Iguaçu para tentar fazer o resgate, mas não houve    condições de pouso por ser um local de mata  fechada. Mas uma maca, medicamentos, água,  comida e materiais para imobilizar a fratura foram  deixados no local. A tentativa de resgate será retomada   hoje. Durante a noite, uma equipe de resgate composta por 20 pessoas pousaria com a vítima,   moradora de Capitão Leônidas Marques. “É  uma área de difícil acesso, com morros íngremes",   explica Figueiredo. Para o policial, a localização  rápida da vítima “foi como encontrar agulha no palheiro".

                                                                                                            (Gazeta do Povo, 17/09/14, p. 11)

Assinale a alternativa que contém palavra que NÃO é acentuada pela mesma razão que existe acento em “quilômetro”:
Alternativas
Ano: 2014 Banca: CEC Órgão: Prefeitura de Piraquara - PR Provas: CEC - 2014 - Prefeitura de Piraquara - PR - Técnico Florestal | CEC - 2014 - Prefeitura de Piraquara - PR - Educador Social | CEC - 2014 - Prefeitura de Piraquara - PR - Fiscal | CEC - 2014 - Prefeitura de Piraquara - PR - Terapeuta Ocupacional | CEC - 2014 - Prefeitura de Piraquara - PR - Técnico Administrativo | CEC - 2014 - Prefeitura de Piraquara - PR - Técnico em Construções | CEC - 2014 - Prefeitura de Piraquara - PR - Técnico em Enfermagem | CEC - 2014 - Prefeitura de Piraquara - PR - Técnico em Higiene Dental | CEC - 2014 - Prefeitura de Piraquara - PR - Artes Visuais | CEC - 2014 - Prefeitura de Piraquara - PR - Assistente Social | CEC - 2014 - Prefeitura de Piraquara - PR - Contador | CEC - 2014 - Prefeitura de Piraquara - PR - Engenheiro Agrônomo | CEC - 2014 - Prefeitura de Piraquara - PR - Biólogo | CEC - 2014 - Prefeitura de Piraquara - PR - Enfermeiro | CEC - 2014 - Prefeitura de Piraquara - PR - Fisioterapeuta | CEC - 2014 - Prefeitura de Piraquara - PR - Médico veterinário | CEC - 2014 - Prefeitura de Piraquara - PR - Nutricionista | CEC - 2014 - Prefeitura de Piraquara - PR - Fonoaudiólogo | CEC - 2014 - Prefeitura de Piraquara - PR - Procurador Municipal | CEC - 2014 - Prefeitura de Piraquara - PR - Engenheiro Civil | CEC - 2014 - Prefeitura de Piraquara - PR - Psicólogo | CEC - 2014 - Prefeitura de Piraquara - PR - Professor | CEC - 2014 - Prefeitura de Piraquara - PR - Arquiteto | CEC - 2014 - Prefeitura de Piraquara - PR - Analista de Sistema | CEC - 2014 - Prefeitura de Piraquara - PR - Artes Cênicas | CEC - 2014 - Prefeitura de Piraquara - PR - Técnico em Recursos Humanos |
Q468297 Português
Leia as palavras a seguir.

I. fábrica
II. revólver
III. decretará

Assinale a alternativa que indica a(s) palavra(s) cuja retirada do acento implica mudança de classe gramatical
Alternativas
Q468296 Português
Assinale a alternativa cuja frase contém um erro ortográfico
Alternativas
Q468102 Português
De acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa e quanto à ortografia, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q468100 Português
De acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa e quanto à acentuação, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q466759 Português
Casa de canário

Casara-se havia duas semanas. Por isso, em casa dos sogros, a família resolveu que ele é que daria cabodo canário:

- Você compreende. Nenhum de nós teria coragem de sacrificar o pobrezinho, que nos deu tanta alegria. Todos somos muito ligados a ele, seria uma barbaridade. Você é diferente, ainda não teve tempode afeiçoar-se ao bichinho. Vai ver que nem reparou nele, durante o noivado.

- Mas eu também tenho coração, ora essa. Como é que vou matar um pássaro só porque o conheço há menos tempo do que vocês?

- Porque não tem cura, o médico já disse. Pensa que não tentamos tudo? É para ele não sofrer mais e não aumentar o nosso sofrimento. Seja bom; vá.

O sogro, a sogra apelaram no mesmo tom. Os olhos claros de sua mulher pediram-lhe com doçura:

- Vai, meu bem.

Com repugnância pela obra de misericórdia que ia praticar, ele aproximou-se da gaiola. O canário nem sequer abriu o olho. Jazia a um canto, arrepiado, morto-vivo. É, esse está mesmo na última lona, e dói ver a lenta agonia de um ser tão gracioso, que viveu para cantar.

- Primeiro me tragam um vidro de éter, e algodão. Assim ele não sentirá o horror da coisa.

Embebeu de éter a bolinha de algodão, tirou o canário para fora com infinita delicadeza, aconchegouo na palma da mão esquerda e, olhando para outro lado, aplicou-lhe a bolinha no bico. Sempre sem olhar para a vítima, deu-lhe uma torcida rápida e leve, com dois dedos no pescoço.

E saiu para a rua, pequenino por dentro, angustiado, achando a condição humana uma droga. As pessoas da casa não quiseram aproximar-se do cadáver. Coube à cozinheira recolher a gaiola, para que sua vista não despertasse saudade e remorso em ninguém. Não havendo jardim para sepultar o corpo, depositou-o na lata do lixo.

Chegou a hora de jantar, mas quem é que tinha fome naquela casa enlutada? O sacrificador, esse, ficara rodando por aí, e seu desejo seria não voltar para casa nem para dentro de si mesmo.

No dia seguinte, pela manhã, a cozinheira foi ajeitar a lata de lixo para o caminhão, e recebeu uma bicada voraz no dedo.

- Ui!

Não é que o canário tinha ressuscitado, perdão, reluzia vivinho da vida, com uma fome danada?

- Ele estava precisando mesmo era de éter - concluiu o estrangulador, que se sentiu ressuscitarpor sua vez.

Carlos Drummond de Andrade
Assinale a alternativa em que, pelo menos, haja um erro de ortografia.
Alternativas
Q466756 Português
Casa de canário

Casara-se havia duas semanas. Por isso, em casa dos sogros, a família resolveu que ele é que daria cabodo canário:

- Você compreende. Nenhum de nós teria coragem de sacrificar o pobrezinho, que nos deu tanta alegria. Todos somos muito ligados a ele, seria uma barbaridade. Você é diferente, ainda não teve tempode afeiçoar-se ao bichinho. Vai ver que nem reparou nele, durante o noivado.

- Mas eu também tenho coração, ora essa. Como é que vou matar um pássaro só porque o conheço há menos tempo do que vocês?

- Porque não tem cura, o médico já disse. Pensa que não tentamos tudo? É para ele não sofrer mais e não aumentar o nosso sofrimento. Seja bom; vá.

O sogro, a sogra apelaram no mesmo tom. Os olhos claros de sua mulher pediram-lhe com doçura:

- Vai, meu bem.

Com repugnância pela obra de misericórdia que ia praticar, ele aproximou-se da gaiola. O canário nem sequer abriu o olho. Jazia a um canto, arrepiado, morto-vivo. É, esse está mesmo na última lona, e dói ver a lenta agonia de um ser tão gracioso, que viveu para cantar.

- Primeiro me tragam um vidro de éter, e algodão. Assim ele não sentirá o horror da coisa.

Embebeu de éter a bolinha de algodão, tirou o canário para fora com infinita delicadeza, aconchegouo na palma da mão esquerda e, olhando para outro lado, aplicou-lhe a bolinha no bico. Sempre sem olhar para a vítima, deu-lhe uma torcida rápida e leve, com dois dedos no pescoço.

E saiu para a rua, pequenino por dentro, angustiado, achando a condição humana uma droga. As pessoas da casa não quiseram aproximar-se do cadáver. Coube à cozinheira recolher a gaiola, para que sua vista não despertasse saudade e remorso em ninguém. Não havendo jardim para sepultar o corpo, depositou-o na lata do lixo.

Chegou a hora de jantar, mas quem é que tinha fome naquela casa enlutada? O sacrificador, esse, ficara rodando por aí, e seu desejo seria não voltar para casa nem para dentro de si mesmo.

No dia seguinte, pela manhã, a cozinheira foi ajeitar a lata de lixo para o caminhão, e recebeu uma bicada voraz no dedo.

- Ui!

Não é que o canário tinha ressuscitado, perdão, reluzia vivinho da vida, com uma fome danada?

- Ele estava precisando mesmo era de éter - concluiu o estrangulador, que se sentiu ressuscitarpor sua vez.

Carlos Drummond de Andrade
Assim como em “As pessoas da casa não quiseram aproximar-se do cadáver”, opte pela alternativa cujas palavras são todas escritas com x.
Alternativas
Q466755 Português
Casa de canário

Casara-se havia duas semanas. Por isso, em casa dos sogros, a família resolveu que ele é que daria cabodo canário:

- Você compreende. Nenhum de nós teria coragem de sacrificar o pobrezinho, que nos deu tanta alegria. Todos somos muito ligados a ele, seria uma barbaridade. Você é diferente, ainda não teve tempode afeiçoar-se ao bichinho. Vai ver que nem reparou nele, durante o noivado.

- Mas eu também tenho coração, ora essa. Como é que vou matar um pássaro só porque o conheço há menos tempo do que vocês?

- Porque não tem cura, o médico já disse. Pensa que não tentamos tudo? É para ele não sofrer mais e não aumentar o nosso sofrimento. Seja bom; vá.

O sogro, a sogra apelaram no mesmo tom. Os olhos claros de sua mulher pediram-lhe com doçura:

- Vai, meu bem.

Com repugnância pela obra de misericórdia que ia praticar, ele aproximou-se da gaiola. O canário nem sequer abriu o olho. Jazia a um canto, arrepiado, morto-vivo. É, esse está mesmo na última lona, e dói ver a lenta agonia de um ser tão gracioso, que viveu para cantar.

- Primeiro me tragam um vidro de éter, e algodão. Assim ele não sentirá o horror da coisa.

Embebeu de éter a bolinha de algodão, tirou o canário para fora com infinita delicadeza, aconchegouo na palma da mão esquerda e, olhando para outro lado, aplicou-lhe a bolinha no bico. Sempre sem olhar para a vítima, deu-lhe uma torcida rápida e leve, com dois dedos no pescoço.

E saiu para a rua, pequenino por dentro, angustiado, achando a condição humana uma droga. As pessoas da casa não quiseram aproximar-se do cadáver. Coube à cozinheira recolher a gaiola, para que sua vista não despertasse saudade e remorso em ninguém. Não havendo jardim para sepultar o corpo, depositou-o na lata do lixo.

Chegou a hora de jantar, mas quem é que tinha fome naquela casa enlutada? O sacrificador, esse, ficara rodando por aí, e seu desejo seria não voltar para casa nem para dentro de si mesmo.

No dia seguinte, pela manhã, a cozinheira foi ajeitar a lata de lixo para o caminhão, e recebeu uma bicada voraz no dedo.

- Ui!

Não é que o canário tinha ressuscitado, perdão, reluzia vivinho da vida, com uma fome danada?

- Ele estava precisando mesmo era de éter - concluiu o estrangulador, que se sentiu ressuscitarpor sua vez.

Carlos Drummond de Andrade
Observe a passagem do texto que diz: “ O sacrificador, esse, ficara rodando por aí (...)”. Considerando o vocábulo aí, escolha a alternativa em que todas as palavras terminadas em i devem ser acentuadas na última sílaba
Alternativas
Q466588 Português
Texto 1:

O campeonato dos defuntos

Estranho caso, esse, de que vema notícia em um telegrama do Pará. Estranho e macabro. Estranho e terrível na sua ironia fúnebre. Mas profundamente humano na sua verdade. Os dentes à mostra, as tíbias cruzadas por baixo da caveira, a Morte também se diverte. E como é contemporânea de todos os povos, e se associa aos prazeres de todas as gentes, ei-la esportiva, promovendo, diante de uma cidade morta, entre as palmas e as aclamações dos vivos, uma regata com um páreo único, disputado por defuntos. À margem do Tocantins, morimbunda, ou morta, e meio devorada pelas águas do seu rio, dorme Cametá, a velha cidade histórica. Decadente no seu comércio e nas suas letras, com os seus casarões e os seus templos de quase três séculos, que lembram jesuí tas e capi tães-mores, abandonaram-na os compradores da sua borracha, da sua castanha, dos seus peixes saborosos. Só o seu cemitério permanece o mesmo. Levaram-lhe tudo, menos os defuntos. E é assim que, de todos os povoados que lhe ficam próximos, e de todos os pequenos rios que, cinco léguas acima ou cinco léguas abaixo, deságuam no Tocantins, descem ou sobemcanoas conduzindo cadáveres para a fome da sua necrópole. Solidários no silêncio final e eterno, os mortos continuam procurando o repouso na quietude da terramorta. O campeonato dos defuntos.

À margem do Tocantins, morimbunda, ou morta, e meio devorada pelas águas do seu rio, dorme Cametá, a velha cidade histórica. Decadente no seu comércio e nas suas letras, com os seus casarões e os seus templos de quase três séculos, que lembram jesuí tas e capi tães-mores, abandonaram-na os compradores da sua borracha, da sua castanha, dos seus peixes saborosos. Só o seu cemitério permanece o mesmo. Levaram-lhe tudo, menos os defuntos. E é assim que, de todos os povoados que lhe ficam próximos, e de todos os pequenos rios que, cinco léguas acima ou cinco léguas abaixo, deságuam no Tocantins, descem ou sobemcanoas conduzindo cadáveres para a fome da sua necrópole. Solidários no silêncio final e eterno, os mortos continuam procurando o repouso na quietude da terra morta.

[...]

(CAMPOS, H. O campeonato dos defuntos. In: WERNECK, H. (Org.). Crônicas. São Paulo:Companhia das Letras, 2005.)

Assinale a alternativa em que ambas as palavras exigem acento gráfico.
Alternativas
Q466543 Português
imagem-004.jpg

Em relação à charge acima, julgue as alternativas a seguir:

I – O tema central da charge é o desmatamento;
II – O aumentativo da palavra fogo, presente no jornal que a mulher segura é fogão;
III – A palavra querozene está escrita de forma errada.
Alternativas
Q466542 Português
Assinale a alternativa em que todas as palavras estão escritas CORRETAMENTE:
Alternativas
Q466540 Português
Um Apólogo
Machado de Assis

Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que
sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
Estavam nisto, quando a costureira chegou a casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e
acima...
A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha
espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:
— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência,
murmurou a pobre agulha:
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me
espetam, fico.
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:
— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!


Texto extraído do livro "Para Gostar de Ler - Volume 9 - Contos",
Editora Ática - São Paulo, 1984, pág. 59.

Observe outro trecho do texto: “E era tudo silêncio na sala de costura;”. Assinale a alternativa em que NÃO acentuamos pela mesma regra da palavra destacada:
Alternativas
Q464721 Português
Considere os pares de palavras a seguir.

I - saúde (l. 09) – indústrias (l. 20)

II - atrás (l. 19) – às (l. 37)

III - espécie (l. 35) – família (l. 52)

Em quais pares as palavras são acentuadas em virtude da mesma regra?
Alternativas
Q464102 Português
A reconstrução da democracia 

    A sociedade brasileira acorda para os 50 anos de um trauma que viveu em sua história democrática.
    O golpe de 1964 atrasou a consolidação das bases da democracia brasileira e o alargamento de suas vias de desenvolvimento político, socioeconômico e cultural. É extremamente oportuno trazer à memória os eventos arbitrários que levaram à destituição do presidente João Goulart, que cumpria legítimo mandato democrático. Tais eventos abriram ao país os terríveis anos de chumbo, fechando as portas da liberdade com a instalação de 21 anos de ditadura.
    Todos os desdobramentos, danos e reflexos daquele fatídico 31 de março devem ser lembrados como aprendizado, como antídoto a eliminar, de pronto, eventuais sinais de ameaça que venham a pairar sobre o Estado democrático de Direito. 
    Regimes de exceção perpetuam privilégios, disseminam a injustiça, atrasam o desenvolvimento, comprometem as perspectivas de emancipação do povo e fecham as janelas do futuro de uma nação. 
    As sociedades atuais encontraram nas legislações de caráter democrático a referência para estabilizar a convivência entre os homens, sob a base ampla de direitos e deveres comuns a todos. Nesse contexto está a advocacia, profissão com status constitucional que defende os direitos dos cidadãos junto ao Estado, exercendo extraordinária função de caráter social. Na moldura arbitrária e sombria imposta aos brasileiros entre 1964 e 1985, a advocacia emergiu como principal defensora da cidadania, a despeito de pressões, prisões, ameaças e abusos de toda a espécie que se abateram sobre seus quadros. 
    A seccional paulista e o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) enfrentaram corajosamente os governos militares pela salvaguarda das prerrogativas dos advogados em seu papel de defesa dos presos e perseguidos políticos, procurando-os em delegacias, quartéis e em centros clandestinos de detenção e tortura. Pesava aí não apenas a demanda pela legalidade processual, mas a urgência da preservação da vida. É sabido que centenas de brasileiros, vítimas de prisões arbitrárias, acabaram mortos sob tortura. 
    A advocacia emergiu na linha de frente pela reconstrução da ordem democrática, mesmo nos anos mais duros da repressão. Conduziu as bandeiras libertárias a um Congresso que atuava com direitos mínimos e controlados, aos representantes do Judiciário, à imprensa, às entidades organizadas da sociedade civil, às praças. Viveu-se nesse tempo sob a imposição de atos institucionais, como o AI-5, que estabeleceu o estado de sítio, suspendeu direitos políticos e cassou o habeas corpus daqueles acusados de crimes contra a Lei de Segurança Nacional. 
    Momento digno de nota, porque memorável, foi a leitura da “Carta aos Brasileiros” pelo jurista Goffredo Telles Júnior. Em 8 de agosto de 1977, sob as arcadas da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, ele conclamou a volta da democracia, do “Estado de Direito, já”. Goffredo justifica o brado dizendo-se representante da família do Direito, uma “família indestrutível, espalhada por todos os rincões da pátria”.
    Nos duros anos do regime militar, os advogados, em todos os espaços do país, assumiram com destemor seu papel em defesa dos cidadãos e da normalidade institucional. Alguns desses nomes ainda permanecem à frente de ações que, hoje, buscam promover o resgate da memória nacional e da verdade, em uma demonstração de que o caminho mais viável para o Brasil superar seus imensos desafios passa, necessariamente, pela democracia. 

(Marcos da Costa. Folha de São Paulo. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2014/04/1434430-marcos-da-costa-a- reconstrucao-da-democracia.shtml. Adaptado.) 

Analise a palavra destacada no trecho “[...] enfrentaram corajosamente os governos militares pela salvaguarda [...]" (6º§). Considerando que essa palavra está adequada quanto à acentuação gráfica, assinale a alternativa INCORRETA a respeito da sua pronúncia.
Alternativas
Respostas
12081: B
12082: E
12083: C
12084: E
12085: D
12086: E
12087: E
12088: D
12089: C
12090: A
12091: C
12092: A
12093: C
12094: E
12095: D
12096: D
12097: E
12098: D
12099: C
12100: B