Questões de Concurso
Comentadas sobre ortografia em português
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(IstoÉ, 22/06/2011. Adaptado)
As lacunas do texto devem ser preenchidas, correta e respectivamente, com:
Teremos sempre gente nos julgando. Os vizinhos, os parentes, os colegas de trabalho, da academia e do inglês, quem nos tirou no amigo secreto, quem nos viu no cinema. Chamados para opinar, vão demonstrar uma intimidade surpreendente. Não é paranoia, todos só estão esperando que eu faça algo realmente grande para confe__ar que me conheciam.
E pode ser agradável e pode ser nocivo, não importa. As maçãs podres partilham a cesta com as frutas sadias, o joio e o trigo são irmãos gêmeos, a maldade e a bondade são mais parecidas entre si do que o amor e a amizade. Diante de uma atitude boa, dirão que já sabiam que eu era sinônimo de retidão. Diante de um fato ruim, também dirão que já sabiam que eu não prestava. O sonho da maioria é desfraldar a faixa: “Eu já sabia, Galvão”.
O fofoqueiro deseja ser profeta, pretende dar a notícia em primeira mão seja lá qual for e como for. Os conhecidos guardam meus antecedentes negativos e positivos numa pastinha na área de trabalho do Windows, prontos para a i...pressão.
Ao me tornar santo, não será complicado encontrar testemunhas dos meus milagres. Citarão coisas inacreditáveis. Quando pulei o muro de três metros da escola Imperatriz Leopoldina aos 11 anos e fui suspenso, avisaram que nada me aconteceu porque meu corpo é protegido pelo Nosso Senhor Jesus Cristo e que a direção me castigava injustamente e não co...preendia meu dom.
Ao me tornar louco, comentarão que o mesmo pulo já dava provas da posse__ão do demônio, que meu apelido Chuck indicava a liderança negativa na turma, que merecia expul__ão da diretora.
De um lado da moeda, a santidade. De outro, a ausência de sanidade. Em a...bos, a mesma efígie. Somos influenciáveis. Há a ânsia em definir o próximo para nos poupar da encrenca de assumir as próprias ambiguidades. Em caso de me converter num herói salvando criança de atropelamento, a opinião pública tecerá elogios de minha conduta familiar. Lembrará do amor inco...dicional aos filhos. Na hipótese de atropelar alguém, o público me enxergará como uma máquina mortífera desde a infância. Desde quando andava de triciclo e amassava formigas. Puxarão os pontos da carteira de habilitação, e o zelador do meu prédio, Carlos, descreverá minhas dificuldades para tirar o carro de ré.
Teremos se...pre gente nos condenando. Viver é uma execução sumária. Certo que, um dia, termino no paredão. Pelo menos, vou pintando os muros de meu fim. Verdes de esperança. Mas não faltará amigo supondo que isso é ironia.
(Fabrício Carpinejar - Zero Hora - 31/01/2012-Página 02 – Adaptado)
Se colocássemos as palavras abaixo, todas retiradas do texto, em rigorosa ordem alfabética, qual deveria ser a primeira?
I - passo – paço.
II - comprido – cumprido.
III - carga – descarga.
IV - atar – amarrar.
Assinale a alternativa que classifica corretamente as palavras.
Teremos sempre gente nos julgando. Os vizinhos, os parentes, os colegas de trabalho, da academia e do inglês, quem nos tirou no amigo secreto, quem nos viu no cinema. Chamados para opinar, vão demonstrar uma intimidade surpreendente. Não é paranoia, todos só estão esperando que eu faça algo realmente grande para confe__ar que me conheciam.
E pode ser agradável e pode ser nocivo, não importa. As maçãs podres partilham a cesta com as frutas sadias, o joio e o trigo são irmãos gêmeos, a maldade e a bondade são mais parecidas entre si do que o amor e a amizade. Diante de uma atitude boa, dirão que já sabiam que eu era sinônimo de retidão. Diante de um fato ruim, também dirão que já sabiam que eu não prestava. O sonho da maioria é desfraldar a faixa: “Eu já sabia, Galvão”.
O fofoqueiro deseja ser profeta, pretende dar a notícia em primeira mão seja lá qual for e como for. Os conhecidos guardam meus antecedentes negativos e positivos numa pastinha na área de trabalho do Windows, prontos para a i...pressão.
Ao me tornar santo, não será complicado encontrar testemunhas dos meus milagres. Citarão coisas inacreditáveis. Quando pulei o muro de três metros da escola Imperatriz Leopoldina aos 11 anos e fui suspenso, avisaram que nada me aconteceu porque meu corpo é protegido pelo Nosso Senhor Jesus Cristo e que a direção me castigava injustamente e não co...preendia meu dom.
Ao me tornar louco, comentarão que o mesmo pulo já dava provas da posse__ão do demônio, que meu apelido Chuck indicava a liderança negativa na turma, que merecia expul__ão da diretora.
De um lado da moeda, a santidade. De outro, a ausência de sanidade. Em a...bos, a mesma efígie. Somos influenciáveis. Há a ânsia em definir o próximo para nos poupar da encrenca de assumir as próprias ambiguidades. Em caso de me converter num herói salvando criança de atropelamento, a opinião pública tecerá elogios de minha conduta familiar. Lembrará do amor inco...dicional aos filhos. Na hipótese de atropelar alguém, o público me enxergará como uma máquina mortífera desde a infância. Desde quando andava de triciclo e amassava formigas. Puxarão os pontos da carteira de habilitação, e o zelador do meu prédio, Carlos, descreverá minhas dificuldades para tirar o carro de ré.
Teremos se...pre gente nos condenando. Viver é uma execução sumária. Certo que, um dia, termino no paredão. Pelo menos, vou pintando os muros de meu fim. Verdes de esperança. Mas não faltará amigo supondo que isso é ironia.
(Fabrício Carpinejar - Zero Hora - 31/01/2012-Página 02 – Adaptado)
Todas as palavras abaixo, retiradas do texto, podem ser flexionadas no feminino, MENOS:
Diretora do Todos Pela Educação e vencedora do Prêmio Jovens Lideranças fala de sua formação "Sempre fui 'cdf na escola e gostava de todas as matérias, mas quando chegou o momento de escolher o curso universitário fiquei muito dividida entre Arquitetura, Agronomia e Publicidade. Fiz a inscrição no vestibular para Administração da FGV, por duas razões: por ser um curso aberto o suficiente para que eu pudesse adiar a escolha profissional e por influência do meu pai, um empreendedor nato."
Logo no primeiro semestre, percebi que o curso era amplo demais. Resolvi prestar vestibular para Direito na USP, achando que não teria muita chance de passar. Fui aprovada com ótima colocação, em grande parte porque estava muito calma, já que não sofria pressão, por ter entrado em outra universidade. Foi uma grande experiência, pois entendi que na vida adulta a emoção governa boa parte da nossa trajetória.
Na Sanfran - que fiz à noite, enquanto cursava a FGV de manhã-, tive uma das experiências mais ricas da minha vida: saí de ambientes muito homogêneos (minha escola e a FGV) para vivenciar a diversidade da faculdade pública, com alunos de várias classes e Estados, com orientações religiosas e ideológicas totalmente distintas e de várias faixas etárias, com experiências de vida bem orientações religiosas e ideológicas e de várias faixas etárias, com experiências de vida bem diferentes das minhas. Também foi na Sanfran que passei a gostar de política, de debater ideias e de me posicionar em relação às causas em que acreditava.
Hoje sou extremamente grata às escolhas que fiz ainda meio sem saber aonde me levariam. As grandes decisões definem nossa vida (como a escolha do curso universitário), mas temos menos controle do que imaginamos sobre as consequências dessas escolhas em parte, acho, porque as decisões do dia a dia, aquela conversa no Centro Acadêmico, um trabalho em grupo nos fazem perceber o que queremos da vida.
Já formada, testei algumas carreiras e aproveitei muito todas as oportunidades que apareciam. Mas sentia falta de algo. Numa conversa com amigos da FGV me dei conta de que, apesar de muito bem remunerados para a idade, todos estavam descontentes com o seu trabalho - menos uma amiga, que não trabalhava em uma empresa, mas em uma organização social na área da cultura. Nesse momento tive um estalo: eu queria ser feliz com o que fazia, exatamente como ela. E comentei isso naquela noite.
Outra amiga me encaminhou para uma ONG e mandei o currículo sem saber exatamente o que era terceiro setor. Saí da consultoria onde trabalhava e fiz uma das escolhas mais importantes da minha vida. Coordenei o comitê brasileiro do Ano Internacional do Voluntário da ONU em 2001, ajudei a fundar e fui coordenadora do Instituto Faça Parte e também ajudei a fundar o movimento Todos Pela Educação, do qual hoje sou diretora executiva. Em consequência disso, fiz outra descoberta: é possível ser arquiteta de soluções, agrônoma para ajudar a plantar um país melhor, publicitária de causas, administradora de um projeto de nação, tudo isso buscando contribuir para a plena efetivação do direito à educação de qualidade de todas as crianças e jovens."
(Disponivel em www.estadao.com.br)
A forma verbal "saí" é acentuada porque:
TEXTO 2: A rua diferente
Na minha rua estão cortando árvores
botando trilhos
construindo casas.
Minha rua acordou mudada.
Os vizinhos não se conformam.
Eles não sabem que a vida
tem dessas exigências brutas.
Só minha filha goza o espetáculo
e se diverte com os andaimes,
a luz da solda autógena
e o cimento escorrendo nas formas.
(ANDRADE, Carlos Drummond. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar Editora, 1973, p. 60)
“e o cimento escorrendo nas formas.”
A palavra destacada, dependendo do timbre da vogal, remete a significados distintos, com diferentes registros nos dicionários: como “molde” (/fôrma/) ou como “formato, feitio” (/fórma/).
Com o último acordo ortográfico, quando se tratar de /fôrma/, a acentuação gráfica tornou-se facultativa. Observe a utilização das palavras no poema “Os sapos”, de Manuel Bandeira:
“Vai por cinquenta anos/ Que lhes dei a norma: / Reduzi sem danos / A fôrmas a forma.”
Nesse exemplo, a ausência do acento gráfico traria a seguinte decorrência:
Texto: Por que a Rio+20 foi um sucesso?
É muito fácil dizer que a Rio+20 foi um fracasso. Basta analisar o texto final das negociações oficiais travadas pelos governos no Riocentro e avaliar se houve avanço. Não havendo, declara-se o fiasco. É uma avaliação correta, mas limitada, de um evento que foi muito mais amplo do que uma busca de acordos ou documentos oficiais. Não dá para afirmar que o texto final assinado pelos representantes dos países foi uma decepção ou que ficou aquém das expectativas. Essas expectativas já eram baixas. Os desafios presentes muito antes do início da Rio+20 já deixavam claro que não havia muita margem para avanço oficial. Mas, felizmente o progresso rumo a uma economia verde depende cada vez menos dos governos.
Um passeio pelas centenas de eventos paralelos à reunião oficial no Riocentro mostrava um quadro encorajador. Foi o maior encontro de empresas, ONGs e representantes de governos federais, estaduais e municipais rumo ao desenvolvimento sustentável. Eles tinham boas histórias para contar e ótimos acordos para travar.
[...]
Bandeiras que há décadas eram agitadas apenas por pesquisadores e ativistas mais ousados agora entraram na linguagem consensual. Há 20 anos, na ECO 92, pensadores propunham acabar com os subsídios para os combustíveis fósseis e eram desdenhados por empresas e governos. Durante a Rio+20, enquanto os ativistas estendiam faixa em Copacabana pedindo o fim do apoio à energia suja, a mesma proposta rolava em mesas de discussão promovidas pelo Fundo Monetário Internacional (o antigo terror dos ativistas).
Durante a Rio+20, o que se viu foi uma convergência de visões que superou as expectativas. A necessidade de se adequar aos limites naturais já é aceita como uma realidade. Enfrentar as mudanças climáticas é uma premissa básica. Se a ECO 92 foi um grande encontro para conscientização e alerta, a Rio+20 foi uma convenção para combinar os caminhos a seguir.
(Alexandre Mansur – Blog do planeta – adaptado. Disponível em: http://
colunas. revistaepoca.globo.com/planeta/2012/06/23/por-que-ario20-foi-um-sucesso/)
Um retroce__o na luta feminina é o fato de a men__ão aos direitos reprodutivos das mulheres ter sido excluída da Rio+20; como esse, foram e__purgados os aspectos mais polêmicos.
A frase obedecerá a correta grafia, quanto ao emprego de letras, caso as lacunas das palavras sejam preenchidas, respectivamente, com:
Texto: Por que a Rio+20 foi um sucesso?
É muito fácil dizer que a Rio+20 foi um fracasso. Basta analisar o texto final das negociações oficiais travadas pelos governos no Riocentro e avaliar se houve avanço. Não havendo, declara-se o fiasco. É uma avaliação correta, mas limitada, de um evento que foi muito mais amplo do que uma busca de acordos ou documentos oficiais. Não dá para afirmar que o texto final assinado pelos representantes dos países foi uma decepção ou que ficou aquém das expectativas. Essas expectativas já eram baixas. Os desafios presentes muito antes do início da Rio+20 já deixavam claro que não havia muita margem para avanço oficial. Mas, felizmente o progresso rumo a uma economia verde depende cada vez menos dos governos.
Um passeio pelas centenas de eventos paralelos à reunião oficial no Riocentro mostrava um quadro encorajador. Foi o maior encontro de empresas, ONGs e representantes de governos federais, estaduais e municipais rumo ao desenvolvimento sustentável. Eles tinham boas histórias para contar e ótimos acordos para travar.
[...]
Bandeiras que há décadas eram agitadas apenas por pesquisadores e ativistas mais ousados agora entraram na linguagem consensual. Há 20 anos, na ECO 92, pensadores propunham acabar com os subsídios para os combustíveis fósseis e eram desdenhados por empresas e governos. Durante a Rio+20, enquanto os ativistas estendiam faixa em Copacabana pedindo o fim do apoio à energia suja, a mesma proposta rolava em mesas de discussão promovidas pelo Fundo Monetário Internacional (o antigo terror dos ativistas).
Durante a Rio+20, o que se viu foi uma convergência de visões que superou as expectativas. A necessidade de se adequar aos limites naturais já é aceita como uma realidade. Enfrentar as mudanças climáticas é uma premissa básica. Se a ECO 92 foi um grande encontro para conscientização e alerta, a Rio+20 foi uma convenção para combinar os caminhos a seguir.
(Alexandre Mansur – Blog do planeta – adaptado. Disponível em: http://
colunas. revistaepoca.globo.com/planeta/2012/06/23/por-que-ario20-foi-um-sucesso/)
Circuito fechado
“Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo, pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, gravata, paletó. Carteira, níqueis, documentos, caneta, chaves, lenço, relógio, maço de cigarros, caixa de fósforos. Jornal. Mesa, cadeiras, xícara e pires, prato, bule, talhares, guardanapo. Quadros. Pasta, carro. Cigarro, fósforo,. Mesa e poltrona, cadeira, cinzeiro, papéis, telefone, agenda, copo com lápis, canetas, bloco de notas, espátula, pastas, caixas de entrada, de saída, vaso com plantas, quadros, papéis, cigarro, fósforo. Bandeja, xícara pequena. Cigarro e fósforo. Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis, {...}”
RAMOS, Ricardo, In: JOSEF, Bella (org). os melhores contos de Ricardo Ramos. São Paulo: Global, 1998.
Julgue as assertivas com relação ao que se pede.
I. Em “vaso com plantas” a preposição que liga uma palavra à outra tem sentido de lugar.
II. Quando se diz “água fria, água quente” as palavras em destaques são adjetivos com ideia opostas.
III. As palavras “paletó, xícara e caneta” são classificadas, quanto à acentuação, respectivamente em oxítona, proparoxítona e paroxítona.
TEXTO I:
Azul e lindo planeta Terra, nossa casa
Mas para que a Terra continue a nos dar tudo aquilo de que precisamos para viver, temos que cuidar dela como cuidamos de nossa própria casa.
E melhor ainda. Pois da nossa casa nós podemos nos mudar. Da Terra não.
E nós sabemos que não estamos tratando da Terra como deveríamos.
Por isso os membros da Organização das Nações Unidas (ONU) preocupam-se com o meio ambiente.
Várias reuniões já foram feitas para discutir esse problema. E destas reuniões têm saído declarações, manifestos e planos de ação que tentam estabelecer o que pode ser feito para evitar que a Terra – a nossa Terra – a nossa casa – venha a se transformar num ambiente hostil, com muitos desertos, águas envenenadas, florestas devastadas, onde seria impossível viver.
Essas declarações, manifestos, planos de ação dizem mais ou menos o seguinte: todos os homens são iguais e, portanto, têm o direito de viver bem, num ambiente saudável. Todos têm o dever de proteger e respeitar o meio ambiente e a vida em todas as suas formas.
(Ruth Rocha e Otávio Roth)
“Os corais que mantêm a vida e o oxigênio nas águas estão fenecendo.” (linhas 29)
A acentuação colocada na palavra acima sublinhada tem como justificativa
Eu me inteiro diariamente do que acontece nas principais rodovias do país, pois coleto material para pesquisa em andamento. Tenho observado que em véspera ou dia pós-feriado os acidentes aumentam, na medida em que as pessoas, fora de sua rotina, têm sua atenção dispersada.
Lamento a má interpretação que se deu a alguns dados que publiquei recentemente sobre esse assunto, mas a atribuo a fala equivocada de um policial rodoviário. Encontrando-o de novo – conheço o trecho sob sua vigilância –, farei questão de esclarecer meu ponto de vista. Se ainda vir necessidade de maiores explicações, republicarei a matéria, acrescida, porém, de informações técnicas.
A carta-testamento deixada por Getúlio Vargas no dia de sua morte, a 24 de agosto de 1954, vem a ser a peça retórica mais contundente que o então denominado “Pai dos Pobres” terá produzido durante toda a sua vida política. Contrapartida dramática da sua morte, seria ela a arma pela qual o polêmico e contraditório político iria tentar revolver a encenação de seus últimos dias.
Postos assim, nesses termos, parecerá ao leitor que estou reduzindo os últimos dias de Vargas a uma simples manifestação histriônica. Em termos, sim. Mas não se trata de uma simplificação. A teatralidade a que esse fato remete tem um significado que transcende seu aparente artifício.
Pensada na função, digamos, psicológica que aquela missiva poderia vir a ter sobre seus destinatários, ela não difere muito do que são, em sua grande maioria, as cartas dos suicidas. Resultado aparente de um esforço de explicitação das causas que teriam levado o autor ao ato definitivo, na verdade, ela tenta fazer cair sobre os agentes da morte o peso de seus próprios atos. É uma peça que, valendo-se desse processo de culpabilização, tenta dar um sentido e uma fecundidade ao autoaniquilamento (via de regra, o indivíduo que comete, junto com a própria morte, uma carta “aos que ficam”, deve acreditar no poder transfigurador de seu próprio ato). Pensando dessa forma, é que dá para admitir a aproximação entre esse tipo de suicídio e a cena teatral. A morte para o seu “sujeito” não é o fim, mas sim, é parte decisiva de uma vida que continua, e sobre a qual fatalmente seu ato incidirá. A vida continuará, mas será outra.
(Haquira Osakabe, A carta-testamento ou a cena final de Getúlio Vargas. In: Prezado senhor, prezada senhora: estudos sobre cartas. Org. Walnice Galvão, Nádia Battella Gotlib. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. p.373 e 374)
É uma peça que, valendo-se desse processo de culpabilização, tenta dar um sentido e uma fecundidade ao autoaniquilamento (via de regra, o indivíduo que comete, junto com a própria morte, uma carta “aos que ficam”, deve acreditar no poder transfigurador de seu próprio ato).
No fragmento acima,
