Questões de Concurso Comentadas sobre ortografia em português

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Q3440636 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

O som que faz curva e chega só ao seu ouvido no meio da multidão

E se você ouvisse música ou um podcast sem fones de ouvido e sem incomodar ninguém ao seu redor? Ou ter uma conversa particular em público sem que outras pessoas o ouçam?

Uma pesquisa recém-publicada pelos pesquisadores Jiaxin Zhong e Yun Jing da Universidade Estadual da Pensilvânia apresenta uma maneira de criar enclaves de áudio — bolsões localizados de som isolados do resto do ambiente. Em outras palavras, eles desenvolveram uma tecnologia que cria som exatamente onde ele precisa estar.

A capacidade de enviar um som que se torna audível apenas em um local específico pode transformar o entretenimento, a comunicação e as experiências de áudio espacial.

Segundo os pesquisadores, eles descobriram uma nova maneira de enviar o som para um ouvinte específico por meio de feixes de ultrassom autoflexionados e um conceito chamado acústica não linear.

"Em nosso trabalho, usamos o ultrassom como um transportador de som audível. Ele transporta o som pelo espaço silenciosamente, tornando-se audível somente quando desejado", explica Jiaxin Zhong.

Normalmente, as ondas sonoras se combinam linearmente, o que significa que elas se somam proporcionalmente em uma onda maior. Entretanto, quando as ondas sonoras são suficientemente intensas, elas interagem de forma não linear, gerando novas frequências que não estavam presentes antes. 

Os enclaves de áudio permitem áudio personalizado em espaços públicos. Por exemplo, os museus forneceriam diferentes guias de áudio aos visitantes sem fones de ouvido, e as bibliotecas permitiriam que os alunos estudassem com aulas em áudio sem incomodar os outros.

Em um carro, os passageiros ouvirão música sem distrair o motorista de prestar atenção nas instruções de navegação. Escritórios e ambientes militares também podem se beneficiar de zonas de fala localizadas para conversas confidenciais.

Os enclaves de áudio também se adaptam para cancelar o ruído em áreas designadas, criando zonas de silêncio para melhoria de concentração em locais de trabalho ou reduzir a poluição sonora nas cidades.

Isso não é algo que estará nas prateleiras das lojas em um futuro imediato, pois ainda há desafios para essa tecnologia. A distorção não linear afeta a qualidade do som e a eficiência energética é outro problema, haja visto que a conversão de ultrassom em som audível requer campos de alta intensidade que consomem muita energia para serem gerados.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cly851exe5yo.adaptado.
Em um carro, os passageiros ouvirão música sem distrair o motorista de prestar atenção nas instruções de navegação. Escritórios e ambientes militares também podem se beneficiar.

De acordo com as regras de acentuação, é correto afirmar que:
Alternativas
Q3440634 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

O som que faz curva e chega só ao seu ouvido no meio da multidão

E se você ouvisse música ou um podcast sem fones de ouvido e sem incomodar ninguém ao seu redor? Ou ter uma conversa particular em público sem que outras pessoas o ouçam?

Uma pesquisa recém-publicada pelos pesquisadores Jiaxin Zhong e Yun Jing da Universidade Estadual da Pensilvânia apresenta uma maneira de criar enclaves de áudio — bolsões localizados de som isolados do resto do ambiente. Em outras palavras, eles desenvolveram uma tecnologia que cria som exatamente onde ele precisa estar.

A capacidade de enviar um som que se torna audível apenas em um local específico pode transformar o entretenimento, a comunicação e as experiências de áudio espacial.

Segundo os pesquisadores, eles descobriram uma nova maneira de enviar o som para um ouvinte específico por meio de feixes de ultrassom autoflexionados e um conceito chamado acústica não linear.

"Em nosso trabalho, usamos o ultrassom como um transportador de som audível. Ele transporta o som pelo espaço silenciosamente, tornando-se audível somente quando desejado", explica Jiaxin Zhong.

Normalmente, as ondas sonoras se combinam linearmente, o que significa que elas se somam proporcionalmente em uma onda maior. Entretanto, quando as ondas sonoras são suficientemente intensas, elas interagem de forma não linear, gerando novas frequências que não estavam presentes antes. 

Os enclaves de áudio permitem áudio personalizado em espaços públicos. Por exemplo, os museus forneceriam diferentes guias de áudio aos visitantes sem fones de ouvido, e as bibliotecas permitiriam que os alunos estudassem com aulas em áudio sem incomodar os outros.

Em um carro, os passageiros ouvirão música sem distrair o motorista de prestar atenção nas instruções de navegação. Escritórios e ambientes militares também podem se beneficiar de zonas de fala localizadas para conversas confidenciais.

Os enclaves de áudio também se adaptam para cancelar o ruído em áreas designadas, criando zonas de silêncio para melhoria de concentração em locais de trabalho ou reduzir a poluição sonora nas cidades.

Isso não é algo que estará nas prateleiras das lojas em um futuro imediato, pois ainda há desafios para essa tecnologia. A distorção não linear afeta a qualidade do som e a eficiência energética é outro problema, haja visto que a conversão de ultrassom em som audível requer campos de alta intensidade que consomem muita energia para serem gerados.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cly851exe5yo.adaptado.
Segundo os pesquisadores, eles descobriram uma nova maneira de enviar o som para um ouvinte específico por meio de feixes de ultrassom autoflexionados e um conceito chamado acústica não linear.

Assinale a alternativa em que a grafia da palavra está plenamente conforme as normas ortográficas do português contemporâneo, considerando a formação morfológica e a etimologia dos vocábulos empregados. 
Alternativas
Q3440391 Português
Festa Junina: a origem da celebração pagã que virou religiosa e 'caipira' no Brasil
(Edison Veiga)


Para um brasileiro, pode ser difícil entender como as estações do ano são capazes de influenciar o imaginário e a própria organização da sociedade. Mas em países de clima temperado ou frio, onde primavera, verão, outono e inverno são mais demarcados, é contagiante a alegria com que o verão é celebrado, depois de meses de dias curtos, temperaturas frequentemente negativas e poucas possibilidades de interação social.

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É por isso que, desde os tempos mais antigos, as primeiras civilizações europeias já tinham festas específicas para celebrar tanto a chegada da primavera — a volta da vida desabrochando — quanto o solstício de verão — o ápice do sol, o dia mais longo do ano. E, segundo pesquisadores, são esses dois tipos de celebração, depois abraçados pelo catolicismo, que explicam a origem das festas juninas, que no Brasil acabariam sendo reinventadas com um sotaque próprio.           2


"As origens são mesmo as antigas festas pagãs das antigas civilizações, ligadas aos ciclos da natureza, às estações do ano. Sociedades antigas faziam grandes festividades, com durações longas, até de um mês, sobretudo nos períodos de plantio e de colheita", contextualiza o pesquisador de culturas populares Alberto Tsuyoshi Ikeda.

3

Se nessa época do ano o que se via era a explosão da natureza, a vida social espelhava isso. "Os grupos humanos realizavam grandes comemorações dedicadas à própria natureza, muitas vezes rendendo homenagens aos antigos deuses relacionados à natureza, à vida animal, à vida vegetal de um modo geral. Eram festas comunitárias com muita alegria, muita alimentação e reunião de pessoas em grande número: foi o que deu origem às festas juninas que a gente conhece no Brasil e em outras partes do mundo."

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Ikeda lembra que as festas populares têm uma importância antropológica por serem "práticas gregárias que ciclicamente comemoram a própria constituição, a própria existência das comunidades enquanto coletividade, a reunião de grupos humanos que preservam uma história comum". (in: https://www.terra.com.br/, com adaptações)

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Observe as afirmações a seguir:

I- Em “é contagiante a alegria” (1 º parágrafo), o termo sublinhado é o predicativo do sujeito.

II- Em “as primeiras civilizações europeias já tinham festas específicas para celebrar tanto a chegada da primavera... quanto o solstício de verão” (2 º parágrafo), a preposição “para” tem o sentido de finalidade.

III- Em “com um sotaque próprio” (2 º parágrafo), a palavra em destaque foi usada com sentido conotativo.

IV- As palavras “até” e “mês” são acentuadas pela mesma regra.

Quais são as corretas:
Alternativas
Q3439722 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Pando, a árvore considerada um dos seres vivos mais antigos e pesados do mundo

Para o visitante desavisado, Pando nada mais é do que um belo bosque de uma espécie de álamo chamada álamo-trêmulo.

Mas há milhares de anos suas raízes guardam um segredo genético que o torna ainda mais interessante.

Localizado em uma área de quarenta e três hectares perto de Fish Lake, em Utah, nos Estados Unidos, Pando é considerado por cientistas como o maior e mais pesado organismo vivo do mundo.

O motivo? As quarenta e sete mil árvores que fazem parte dele estão conectadas por um sistema de raízes e são geneticamente idênticas.

"Todas estas árvores são, na verdade, uma só árvore", explicou o geógrafo Paul Rogers à BBC News Mundo, em 2018.

Para estudar a história evolutiva de Pando, a bióloga Rozenn Pineau e seus colegas, do Instituto de Tecnologia da Geórgia, em Atlanta, coletaram e sequenciaram mais de quinhentas amostras da árvore, assim como vários tipos de tecido, incluindo folhas, raízes e cascas.

O objetivo era extrair dados genéticos, procurando mutações somáticas, que são alterações no DNA que ocorrem nas células de um organismo após a concepção.

"No início, quando Pando germinou de uma semente, todas as suas células continham DNA essencialmente idêntico", explicou Pineau à revista científica New Scientist.

De acordo com o estudo, ao observar o marcador genético dessas mutações presentes em diferentes partes da árvore, os pesquisadores conseguiram reconstruir a história evolutiva de Pando e estimar sua idade.

Vale lembrar que os bosques de álamo se reproduzem de duas maneiras: uma delas é quando as árvores maduras deixam cair sementes que depois germinam; e a outra é quando elas liberam brotos de suas raízes, dos quais nascem novas árvores, chamadas de clones.

Pando não é o único bosque de clones, mas é o mais extenso. Como os especialistas o consideram um único organismo, ele tem o peso somado de todas as suas árvores, resultando em um ser vivo com peso estimado em treze milhões de toneladas.

Os pesquisadores fizeram três estimativas diferentes da idade da árvore, pois não tinham certeza se haviam deixado passar algumas mutações ou se algumas das mutações identificadas eram falsos positivos.

Supondo que os cientistas tenham identificado corretamente cada mutação na parte do genoma que sequenciaram, a primeira estimativa é que Pando tenha cerca de trinta e quatro mil anos.

Se os especialistas incluírem possíveis mutações somáticas não detectadas, a segunda estimativa — e a menos conservadora — sugere que a árvore tenha, aproximadamente, oitenta e um mil anos.

E se considerarmos que apenas seis por cento das mutações observadas pelos biólogos são de fato positivas, então Pando teria dezesseis mil anos.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/c33e6m7ygnjo.adaptado.
Se os especialistas incluírem possíveis mutações somáticas não detectadas, a segunda estimativa — e a menos conservadora — sugere que a árvore tenha, aproximadamente, oitenta e um mil anos.

De acordo com as regras de acentuação, é correto afirmar que: 
Alternativas
Q3438869 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO.


Por que no clima frio é mais difícil para o corpo combater doenças respiratórias


“Pois a chegada do inverno resolve as doenças do verão, e a chegada do verão elimina as do inverno”, escreveu o homem considerado “o pai da medicina”, o médico e filósofo grego Hipócrates, em 400 a.C.


Esse relato é considerado o mais antigo estudo registrado sobre a variabilidade sazonal de uma doença, a saber, a gripe. Entretanto, o motivo pelo qual algumas doenças são periódicas foi um mistério que intrigou os cientistas até a era moderna.


Especialmente no inverno, o ar frio e seco e a falta de luz solar afetam negativamente nossa capacidade de evitar infecções respiratórias, como os vários tipos de vírus influenza, que causam a gripe ou o coronavírus da Convid-19.


Respirar um ar mais frio e seco de fato altera o funcionamento do sistema imunológico, afirma Akiko Iwasaki, imunologista da Universidade de Yale e pesquisadora do Howard Hughes Medical Institute, nos Estados Unidos.


Em um artigo de 2015, Iwasaki e seus colegas demonstraram que no clima frio as células que revestem as vias aéreas de camundongos produziam menos moléculas chamadas interferons quando estavam mais frias. Os interferons são uma classe de proteínas que soam o alarme de um vírus, chamando as células imunológicas, que com sorte, conseguem interromper o processo de infecção.


“Desde que esse estudo foi publicado, tenho dito aos meus filhos para usarem um lenço em volta do nariz — e atualmente, obviamente, máscaras – porque isso permite que a temperatura permaneça mais quente no nariz”, diz Iwasaki.


Mais recentemente, Iwasaki e sua equipe descobriram que a baixa umidade também pode diminuir a primeira linha de defesa do corpo: o muco nasal. As vias aéreas são revestidas com a substância viscosa (o muco) e, abaixo dela, com cílios, que servem como pequenas pás semelhantes a dedos usadas em todo o reino animal para se movimentar.


Esses dois componentes trabalham juntos como uma correia transportadora: O muco retém a sujeira e os cílios batem juntos para mover o muco para fora do corpo pelo nariz e pela boca. Alguém precisa de um lenço?


Esse processo é chamado de depuração mucociliar, e o ar frio e seco não é seu amigo. Como a baixa umidade, as camadas de muco ficam mais em nossos rostos e gargantas, ela interrompe o movimento dos cílios, tornando mais difícil para o corpo expulsar qualquer vírus invasor.


“Então, essas coisas acontecem quando inalamos ar seco e, combinadas com o ar frio, estamos realmente sobrecarregando a resposta imunológica do hospedeiro, de modo que não somos mais capazes de combater bem essas infecções virais”, explica Iwasaki.


 Iwasaki recomenda comprar um umidificador e manter sua casa com 40 a 60% de umidade. “Dessa forma, não apenas ajudamos nossa resposta imunológica aos patógenos, mas também, no ar úmido, as partículas que contêm vírus acumulam água”, diz ela. “Em vez de serem transportadas pelo ar, elas caem no chão.”


Fonte: https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/06/por-queno-clima-frio-e-mais-dificil-para-o-corpo-combater-doencas-respiratorias (adaptado).

Das palavras abaixo, assinale aquela que segue as mesmas regras de acentuação gráfica da palavra “úmido”, presente no texto:
Alternativas
Q3438476 Português
Os dragões não conhecem o paraíso



        Tenho um dragão que mora comigo. Não, isso não é verdade.
       Não tenho nenhum dragão. E, ainda que tivesse, ele não moraria comigo nem com ninguém. Para os dragões, nada mais inconcebível que dividir seu espaço – seja com outro dragão, seja com uma pessoa banal feito eu. Eles são solitários, os dragões. Quase tão solitários quanto eu me encontrei, sozinho neste apartamento, depois de sua partida. Digo quase porque, durante aquele tempo em que ele esteve comigo, alimentei a ilusão de que meu isolamento para sempre tinha acabado. E digo ilusão porque, outro dia, numa dessas manhãs áridas da ausência dele, felizmente cada vez menos frequentes (a aridez, não a ausência), pensei assim: os homens precisam da ilusão do amor da mesma forma como precisam da ilusão de Deus. Da ilusão do amor, para não afundarem no poço horrível da solidão absoluta; da ilusão de Deus, para não se perderem no caos da desordem sem nexo.
       Gosto de dizer tenho um dragão que mora comigo, embora não seja verdade. Como eu dizia, um dragão jamais pertence e nem mora com alguém. Mas no tempo em que vivia comigo, eu tentava – digamos – adaptá-lo às circunstâncias. Dizia por favor, tente compreender, querido, os vizinhos banais do andar de baixo já reclamaram da sua cauda batendo no chão ontem às quatro da madrugada. O bebê acordou, disseram, não deixou ninguém mais dormir. Além disso, quando você desperta na sala, as plantas ficam todas queimadas pelo seu fogo. E, quando você desperta no quarto, aquela pilha de livros vira cinzas na minha cabeceira. Ele não prometia corrigir-se.
       Ele cheirava a hortelã, a alecrim. Eu acreditava na sua existência por esse cheiro verde de ervas esmagadas dentro das duas palmas das mãos. Quando chegava, o apartamento inteiro ficava impregnado desse perfume. Até os vizinhos perguntavam se eu andava usando incenso ou defumação.
       Nos dias que antecediam a sua chegada, eu acordava no meio da noite, o coração disparado. As palmas das mãos suavam frio. Sem saber por que, nas manhãs seguintes, compulsivamente eu começava a comprar flores, limpar a casa, ir ao supermercado e à feira para encher o apartamento de rosas e palmas e morangos daqueles bem gordos e cachos de uvas reluzentes e berinjelas luzidias que eu mesmo não conseguia comer. Arrumava em pratos, pelos cantos, com flores e velas e fitas, para que o espaço ficasse mais bonito.
       Como uma fome, me dava. Mas uma fome de ver, não de comer. Sentava na sala toda arrumada, tapete escovado, cortinas lavadas, cestas de frutas, vasos de flores – acendia um cigarro e ficava mastigando com os olhos a beleza das coisas limpas, ordenadas, sem conseguir comer nada com a boca, faminto de ver. À medida que a casa ficava mais bonita, eu me tornava cada vez mais feio, mais magro, olheiras fundas, faces encovadas. Porque não conseguia dormir nem comer, à espera dele. Agora, agora vou ser feliz, pensava o tempo todo numa certeza histérica. Até que aquele cheiro de alecrim, de hortelã, começasse a ficar mais forte, para então, um dia, escorregar que nem brisa por baixo da porta e se instalar devagarinho no corredor de entrada, no sofá da sala, no banheiro, na minha cama. Ele tinha chegado.
        Nos dias seguintes repetia quando sentia saudade: alecrim-hortelã, antes ainda, o pressentimento de sua visita trazia unicamente ansiedade, taquicardias, aflição, unhas roídas. Não era bom. Eu não conseguia trabalhar, ir ao cinema, ler ou afundar em qualquer outra dessas ocupações banais que as pessoas como eu têm quando vivem. Só conseguia pensar em coisas bonitas para a casa, e em ficar bonito eu mesmo para encontrá-lo. A ansiedade era tanta que eu enfeava, à medida que os dias passavam. E, quando ele enfim chegava, eu nunca tinha estado tão feio. Os dragões não perdoam a feiura.
        Depois que ele vinha, o bonito da casa contrastando com o feio do meu corpo, tudo aos poucos começava a desabar. Feito dor, não alegria. Agora agora agora vou ser feliz, eu repetia: agora agora agora. Naqueles dias, enlouquecia cada vez mais, querendo agora já urgente ser feliz. Percebendo minha ânsia, ele tornava-se cada vez mais remoto. Ausentava-se, retirava-se, fingia partir. Rarefazia seu cheiro de ervas até que não passasse de uma suspeita verde no ar. Eu respirava mais fundo, perdia o fôlego no esforço de percebê-lo, dia após dia, enquanto flores e frutas apodreciam nos vasos, nos cestos, nos cantos. Aquelas mosquinhas negras miúdas esvoaçavam em volta delas, agourentas.
        Tudo apodrecia mais e mais, sem que eu percebesse, doído do impossível que era tê-lo. Atento somente à minha dor, que apodrecia também, cheirava mal. Então algum dos vizinhos batia à porta para saber se eu tinha morrido e sim, eu queria dizer, estou apodrecendo lentamente, cheirando mal como as pessoas banais ou não cheiram quando morrem, à espera de uma felicidade que não chega nunca.
          Os dragões, já disse, não suportam a feiura. Ele partia quando aquele cheiro de frutas e flores e, pior que tudo, de emoções apodrecidas tornava-se insuportável. Igual e confundido ao cheiro da minha felicidade que, desta e mais uma vez, ele não trouxera. Dormindo ou acordado, eu recebia sua partida como um súbito soco no peito. Então olhava para cima, para os lados, à procura de Deus ou qualquer coisa assim.
       Só quem já teve um dragão em casa pode saber como essa casa parece deserta depois que ele parte.
       Os dragões não permanecem. Os dragões não querem ser aceitos. Eles fogem do paraíso, esse paraíso que nós, as pessoas banais, inventamos – como eu inventava uma beleza de artifícios para esperá-lo e prendê-lo para sempre junto a mim. Os dragões não conhecem o paraíso, onde tudo acontece perfeito e nada dói nem cintila ou ofega, numa eterna monotonia de pacífica falsidade. Seu paraíso é o conflito, nunca a harmonia.


(ABREU, Caio Fernando. Contos Completos. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. p. 520-527. Adaptado.)
Assinale a afirmativa que NÃO possui erro de ortografia.
Alternativas
Q3438475 Português
Os dragões não conhecem o paraíso



        Tenho um dragão que mora comigo. Não, isso não é verdade.
       Não tenho nenhum dragão. E, ainda que tivesse, ele não moraria comigo nem com ninguém. Para os dragões, nada mais inconcebível que dividir seu espaço – seja com outro dragão, seja com uma pessoa banal feito eu. Eles são solitários, os dragões. Quase tão solitários quanto eu me encontrei, sozinho neste apartamento, depois de sua partida. Digo quase porque, durante aquele tempo em que ele esteve comigo, alimentei a ilusão de que meu isolamento para sempre tinha acabado. E digo ilusão porque, outro dia, numa dessas manhãs áridas da ausência dele, felizmente cada vez menos frequentes (a aridez, não a ausência), pensei assim: os homens precisam da ilusão do amor da mesma forma como precisam da ilusão de Deus. Da ilusão do amor, para não afundarem no poço horrível da solidão absoluta; da ilusão de Deus, para não se perderem no caos da desordem sem nexo.
       Gosto de dizer tenho um dragão que mora comigo, embora não seja verdade. Como eu dizia, um dragão jamais pertence e nem mora com alguém. Mas no tempo em que vivia comigo, eu tentava – digamos – adaptá-lo às circunstâncias. Dizia por favor, tente compreender, querido, os vizinhos banais do andar de baixo já reclamaram da sua cauda batendo no chão ontem às quatro da madrugada. O bebê acordou, disseram, não deixou ninguém mais dormir. Além disso, quando você desperta na sala, as plantas ficam todas queimadas pelo seu fogo. E, quando você desperta no quarto, aquela pilha de livros vira cinzas na minha cabeceira. Ele não prometia corrigir-se.
       Ele cheirava a hortelã, a alecrim. Eu acreditava na sua existência por esse cheiro verde de ervas esmagadas dentro das duas palmas das mãos. Quando chegava, o apartamento inteiro ficava impregnado desse perfume. Até os vizinhos perguntavam se eu andava usando incenso ou defumação.
       Nos dias que antecediam a sua chegada, eu acordava no meio da noite, o coração disparado. As palmas das mãos suavam frio. Sem saber por que, nas manhãs seguintes, compulsivamente eu começava a comprar flores, limpar a casa, ir ao supermercado e à feira para encher o apartamento de rosas e palmas e morangos daqueles bem gordos e cachos de uvas reluzentes e berinjelas luzidias que eu mesmo não conseguia comer. Arrumava em pratos, pelos cantos, com flores e velas e fitas, para que o espaço ficasse mais bonito.
       Como uma fome, me dava. Mas uma fome de ver, não de comer. Sentava na sala toda arrumada, tapete escovado, cortinas lavadas, cestas de frutas, vasos de flores – acendia um cigarro e ficava mastigando com os olhos a beleza das coisas limpas, ordenadas, sem conseguir comer nada com a boca, faminto de ver. À medida que a casa ficava mais bonita, eu me tornava cada vez mais feio, mais magro, olheiras fundas, faces encovadas. Porque não conseguia dormir nem comer, à espera dele. Agora, agora vou ser feliz, pensava o tempo todo numa certeza histérica. Até que aquele cheiro de alecrim, de hortelã, começasse a ficar mais forte, para então, um dia, escorregar que nem brisa por baixo da porta e se instalar devagarinho no corredor de entrada, no sofá da sala, no banheiro, na minha cama. Ele tinha chegado.
        Nos dias seguintes repetia quando sentia saudade: alecrim-hortelã, antes ainda, o pressentimento de sua visita trazia unicamente ansiedade, taquicardias, aflição, unhas roídas. Não era bom. Eu não conseguia trabalhar, ir ao cinema, ler ou afundar em qualquer outra dessas ocupações banais que as pessoas como eu têm quando vivem. Só conseguia pensar em coisas bonitas para a casa, e em ficar bonito eu mesmo para encontrá-lo. A ansiedade era tanta que eu enfeava, à medida que os dias passavam. E, quando ele enfim chegava, eu nunca tinha estado tão feio. Os dragões não perdoam a feiura.
        Depois que ele vinha, o bonito da casa contrastando com o feio do meu corpo, tudo aos poucos começava a desabar. Feito dor, não alegria. Agora agora agora vou ser feliz, eu repetia: agora agora agora. Naqueles dias, enlouquecia cada vez mais, querendo agora já urgente ser feliz. Percebendo minha ânsia, ele tornava-se cada vez mais remoto. Ausentava-se, retirava-se, fingia partir. Rarefazia seu cheiro de ervas até que não passasse de uma suspeita verde no ar. Eu respirava mais fundo, perdia o fôlego no esforço de percebê-lo, dia após dia, enquanto flores e frutas apodreciam nos vasos, nos cestos, nos cantos. Aquelas mosquinhas negras miúdas esvoaçavam em volta delas, agourentas.
        Tudo apodrecia mais e mais, sem que eu percebesse, doído do impossível que era tê-lo. Atento somente à minha dor, que apodrecia também, cheirava mal. Então algum dos vizinhos batia à porta para saber se eu tinha morrido e sim, eu queria dizer, estou apodrecendo lentamente, cheirando mal como as pessoas banais ou não cheiram quando morrem, à espera de uma felicidade que não chega nunca.
          Os dragões, já disse, não suportam a feiura. Ele partia quando aquele cheiro de frutas e flores e, pior que tudo, de emoções apodrecidas tornava-se insuportável. Igual e confundido ao cheiro da minha felicidade que, desta e mais uma vez, ele não trouxera. Dormindo ou acordado, eu recebia sua partida como um súbito soco no peito. Então olhava para cima, para os lados, à procura de Deus ou qualquer coisa assim.
       Só quem já teve um dragão em casa pode saber como essa casa parece deserta depois que ele parte.
       Os dragões não permanecem. Os dragões não querem ser aceitos. Eles fogem do paraíso, esse paraíso que nós, as pessoas banais, inventamos – como eu inventava uma beleza de artifícios para esperá-lo e prendê-lo para sempre junto a mim. Os dragões não conhecem o paraíso, onde tudo acontece perfeito e nada dói nem cintila ou ofega, numa eterna monotonia de pacífica falsidade. Seu paraíso é o conflito, nunca a harmonia.


(ABREU, Caio Fernando. Contos Completos. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. p. 520-527. Adaptado.)
No que tange à acentuação das palavras, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q3438473 Português
Os dragões não conhecem o paraíso



        Tenho um dragão que mora comigo. Não, isso não é verdade.
       Não tenho nenhum dragão. E, ainda que tivesse, ele não moraria comigo nem com ninguém. Para os dragões, nada mais inconcebível que dividir seu espaço – seja com outro dragão, seja com uma pessoa banal feito eu. Eles são solitários, os dragões. Quase tão solitários quanto eu me encontrei, sozinho neste apartamento, depois de sua partida. Digo quase porque, durante aquele tempo em que ele esteve comigo, alimentei a ilusão de que meu isolamento para sempre tinha acabado. E digo ilusão porque, outro dia, numa dessas manhãs áridas da ausência dele, felizmente cada vez menos frequentes (a aridez, não a ausência), pensei assim: os homens precisam da ilusão do amor da mesma forma como precisam da ilusão de Deus. Da ilusão do amor, para não afundarem no poço horrível da solidão absoluta; da ilusão de Deus, para não se perderem no caos da desordem sem nexo.
       Gosto de dizer tenho um dragão que mora comigo, embora não seja verdade. Como eu dizia, um dragão jamais pertence e nem mora com alguém. Mas no tempo em que vivia comigo, eu tentava – digamos – adaptá-lo às circunstâncias. Dizia por favor, tente compreender, querido, os vizinhos banais do andar de baixo já reclamaram da sua cauda batendo no chão ontem às quatro da madrugada. O bebê acordou, disseram, não deixou ninguém mais dormir. Além disso, quando você desperta na sala, as plantas ficam todas queimadas pelo seu fogo. E, quando você desperta no quarto, aquela pilha de livros vira cinzas na minha cabeceira. Ele não prometia corrigir-se.
       Ele cheirava a hortelã, a alecrim. Eu acreditava na sua existência por esse cheiro verde de ervas esmagadas dentro das duas palmas das mãos. Quando chegava, o apartamento inteiro ficava impregnado desse perfume. Até os vizinhos perguntavam se eu andava usando incenso ou defumação.
       Nos dias que antecediam a sua chegada, eu acordava no meio da noite, o coração disparado. As palmas das mãos suavam frio. Sem saber por que, nas manhãs seguintes, compulsivamente eu começava a comprar flores, limpar a casa, ir ao supermercado e à feira para encher o apartamento de rosas e palmas e morangos daqueles bem gordos e cachos de uvas reluzentes e berinjelas luzidias que eu mesmo não conseguia comer. Arrumava em pratos, pelos cantos, com flores e velas e fitas, para que o espaço ficasse mais bonito.
       Como uma fome, me dava. Mas uma fome de ver, não de comer. Sentava na sala toda arrumada, tapete escovado, cortinas lavadas, cestas de frutas, vasos de flores – acendia um cigarro e ficava mastigando com os olhos a beleza das coisas limpas, ordenadas, sem conseguir comer nada com a boca, faminto de ver. À medida que a casa ficava mais bonita, eu me tornava cada vez mais feio, mais magro, olheiras fundas, faces encovadas. Porque não conseguia dormir nem comer, à espera dele. Agora, agora vou ser feliz, pensava o tempo todo numa certeza histérica. Até que aquele cheiro de alecrim, de hortelã, começasse a ficar mais forte, para então, um dia, escorregar que nem brisa por baixo da porta e se instalar devagarinho no corredor de entrada, no sofá da sala, no banheiro, na minha cama. Ele tinha chegado.
        Nos dias seguintes repetia quando sentia saudade: alecrim-hortelã, antes ainda, o pressentimento de sua visita trazia unicamente ansiedade, taquicardias, aflição, unhas roídas. Não era bom. Eu não conseguia trabalhar, ir ao cinema, ler ou afundar em qualquer outra dessas ocupações banais que as pessoas como eu têm quando vivem. Só conseguia pensar em coisas bonitas para a casa, e em ficar bonito eu mesmo para encontrá-lo. A ansiedade era tanta que eu enfeava, à medida que os dias passavam. E, quando ele enfim chegava, eu nunca tinha estado tão feio. Os dragões não perdoam a feiura.
        Depois que ele vinha, o bonito da casa contrastando com o feio do meu corpo, tudo aos poucos começava a desabar. Feito dor, não alegria. Agora agora agora vou ser feliz, eu repetia: agora agora agora. Naqueles dias, enlouquecia cada vez mais, querendo agora já urgente ser feliz. Percebendo minha ânsia, ele tornava-se cada vez mais remoto. Ausentava-se, retirava-se, fingia partir. Rarefazia seu cheiro de ervas até que não passasse de uma suspeita verde no ar. Eu respirava mais fundo, perdia o fôlego no esforço de percebê-lo, dia após dia, enquanto flores e frutas apodreciam nos vasos, nos cestos, nos cantos. Aquelas mosquinhas negras miúdas esvoaçavam em volta delas, agourentas.
        Tudo apodrecia mais e mais, sem que eu percebesse, doído do impossível que era tê-lo. Atento somente à minha dor, que apodrecia também, cheirava mal. Então algum dos vizinhos batia à porta para saber se eu tinha morrido e sim, eu queria dizer, estou apodrecendo lentamente, cheirando mal como as pessoas banais ou não cheiram quando morrem, à espera de uma felicidade que não chega nunca.
          Os dragões, já disse, não suportam a feiura. Ele partia quando aquele cheiro de frutas e flores e, pior que tudo, de emoções apodrecidas tornava-se insuportável. Igual e confundido ao cheiro da minha felicidade que, desta e mais uma vez, ele não trouxera. Dormindo ou acordado, eu recebia sua partida como um súbito soco no peito. Então olhava para cima, para os lados, à procura de Deus ou qualquer coisa assim.
       Só quem já teve um dragão em casa pode saber como essa casa parece deserta depois que ele parte.
       Os dragões não permanecem. Os dragões não querem ser aceitos. Eles fogem do paraíso, esse paraíso que nós, as pessoas banais, inventamos – como eu inventava uma beleza de artifícios para esperá-lo e prendê-lo para sempre junto a mim. Os dragões não conhecem o paraíso, onde tudo acontece perfeito e nada dói nem cintila ou ofega, numa eterna monotonia de pacífica falsidade. Seu paraíso é o conflito, nunca a harmonia.


(ABREU, Caio Fernando. Contos Completos. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. p. 520-527. Adaptado.)
Dá-se o nome de dígrafos ao grupo de letras que simbolizam apenas um som. Nesse sentido, assinale a palavra que contém dígrafo.
Alternativas
Q3437665 Português
Chico Buarque de Holanda


        Entrei num restaurante com uma amiga e logo deparei com Carlinhos Oliveira, o que me deu alegria. Olhei depois entorno. E quem é que eu vejo? Chico Buarque de Holanda. Eu disse para Carlinhos: quando meus filhos souberem que eu o vi, vão me respeitar mais. Então Carlinhos, que se sentara na nossa mesa, gritou:
       Chico! Ele veio, fui apresentada. Para a minha surpresa, ele disse: e eu que estive lendo você ontem! Chico é lindo e é tímido, e é triste. Ah, como eu gostaria de dizer-lhe alguma coisa – o quê? – que diminuísse a sua tristeza.
      Contei a meus dois filhos com quem eu estivera. E eles, se não me respeitam mais, ficaram boquiabertos. Então eu tive uma ideia e não sei se ela irá adiante; se for, contarei a vocês. Era chamar Chico e Carlinhos para me visitar em casa. Eu os verei de novo, e sobretudo meus filhos os verão. Falei dessa ideia e um de meus filhos disse que não queria. Perguntei por quê. Respondeu: porque ele é uma personalidade. Eu lhe disse: mas você também é, aos sete anos de idade ouvia tudo de Beethoven que tínhamos e pedia mais, tanto gostava e sentia e entendia.
      Mas quero respeitar meu filho. Disse-lhe: se eu convidar Chico, se ele vier, você só aperta a mão dele e, se quiser, sai da sala.
   Também achei Carlinhos triste. Perguntei: porque estamos tão tristes? Respondeu: é assim mesmo.
      É assim mesmo.


(LISPECTOR, Clarice. Chico Buarque de Holanda. Publicada, originalmente, no Jornal do Brasil, de 04/02/1968. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/. Acesso em: maio de 2025. Adaptado.)


No trecho “Para a minha surpresa, ele disse: e eu que estive lendo você ontem!” (1º§), a palavra grifada recebe acento por ser oxítona. Assinale a alternativa cuja palavra em destaque recebe acento por fazer parte do mesmo grupo. 
Alternativas
Q3437664 Português
Chico Buarque de Holanda


        Entrei num restaurante com uma amiga e logo deparei com Carlinhos Oliveira, o que me deu alegria. Olhei depois entorno. E quem é que eu vejo? Chico Buarque de Holanda. Eu disse para Carlinhos: quando meus filhos souberem que eu o vi, vão me respeitar mais. Então Carlinhos, que se sentara na nossa mesa, gritou:
       Chico! Ele veio, fui apresentada. Para a minha surpresa, ele disse: e eu que estive lendo você ontem! Chico é lindo e é tímido, e é triste. Ah, como eu gostaria de dizer-lhe alguma coisa – o quê? – que diminuísse a sua tristeza.
      Contei a meus dois filhos com quem eu estivera. E eles, se não me respeitam mais, ficaram boquiabertos. Então eu tive uma ideia e não sei se ela irá adiante; se for, contarei a vocês. Era chamar Chico e Carlinhos para me visitar em casa. Eu os verei de novo, e sobretudo meus filhos os verão. Falei dessa ideia e um de meus filhos disse que não queria. Perguntei por quê. Respondeu: porque ele é uma personalidade. Eu lhe disse: mas você também é, aos sete anos de idade ouvia tudo de Beethoven que tínhamos e pedia mais, tanto gostava e sentia e entendia.
      Mas quero respeitar meu filho. Disse-lhe: se eu convidar Chico, se ele vier, você só aperta a mão dele e, se quiser, sai da sala.
   Também achei Carlinhos triste. Perguntei: porque estamos tão tristes? Respondeu: é assim mesmo.
      É assim mesmo.


(LISPECTOR, Clarice. Chico Buarque de Holanda. Publicada, originalmente, no Jornal do Brasil, de 04/02/1968. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/. Acesso em: maio de 2025. Adaptado.)


Há, no texto em análise, uma palavra que contém erro ortográfico proposital. Assinale, a seguir, a alternativa que identifica essa palavra, bem como sua respectiva correção. 
Alternativas
Q3437662 Português
Chico Buarque de Holanda


        Entrei num restaurante com uma amiga e logo deparei com Carlinhos Oliveira, o que me deu alegria. Olhei depois entorno. E quem é que eu vejo? Chico Buarque de Holanda. Eu disse para Carlinhos: quando meus filhos souberem que eu o vi, vão me respeitar mais. Então Carlinhos, que se sentara na nossa mesa, gritou:
       Chico! Ele veio, fui apresentada. Para a minha surpresa, ele disse: e eu que estive lendo você ontem! Chico é lindo e é tímido, e é triste. Ah, como eu gostaria de dizer-lhe alguma coisa – o quê? – que diminuísse a sua tristeza.
      Contei a meus dois filhos com quem eu estivera. E eles, se não me respeitam mais, ficaram boquiabertos. Então eu tive uma ideia e não sei se ela irá adiante; se for, contarei a vocês. Era chamar Chico e Carlinhos para me visitar em casa. Eu os verei de novo, e sobretudo meus filhos os verão. Falei dessa ideia e um de meus filhos disse que não queria. Perguntei por quê. Respondeu: porque ele é uma personalidade. Eu lhe disse: mas você também é, aos sete anos de idade ouvia tudo de Beethoven que tínhamos e pedia mais, tanto gostava e sentia e entendia.
      Mas quero respeitar meu filho. Disse-lhe: se eu convidar Chico, se ele vier, você só aperta a mão dele e, se quiser, sai da sala.
   Também achei Carlinhos triste. Perguntei: porque estamos tão tristes? Respondeu: é assim mesmo.
      É assim mesmo.


(LISPECTOR, Clarice. Chico Buarque de Holanda. Publicada, originalmente, no Jornal do Brasil, de 04/02/1968. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/. Acesso em: maio de 2025. Adaptado.)


Considerando as palavras a seguir relacionadas, extraídas da crônica, assinale a alternativa que contém apenas palavras oxítonas.
Alternativas
Q3437658 Português
A borboleta amarela


        Era uma borboleta. Passou roçando em meus cabelos, e no primeiro instante pensei que fosse uma bruxa ou qualquer outro desses insetos que fazem vida urbana; mas, como olhasse, vi que era uma borboleta amarela.

        Era na esquina de Graça Aranha com Araújo Porto Alegre; ela borboleteava junto ao mármore negro do Grande Ponto; depois desceu, passando em face das vitrinas de conservas e uísques; eu vinha na mesma direção; logo estávamos defronte da A.B.I.. Entrou um instante no hall, entre duas colunas; seria uma jornalista? – pensei com certo tédio.

      Mas logo saiu. E subiu mais alto, acima das colunas, até o travertino encardido. Na rua México eu tive de esperar que o sinal abrisse: ela tocou, fagueira, para o outro lado, indiferente aos carros que passavam roncando sob suas leves asas. Fiquei a olhá-la. Tão amarela e tão contente da vida, de onde vinha, aonde iria? Fora trazida pelo vento das ilhas – ou descera no seu voo sassaricante e leve da floresta da Tijuca ou de algum morro – talvez o de São Bento. Onde estaria uma hora antes, qual sua idade? Nada sei de borboletas. Nascera, acaso, no jardim do Ministério da Educação? Não; o Burle Marx faz bons jardins, mas creio que ainda não os fez com borboletas – o que, aliás, é uma boa ideia. Quando eu o mandar fazer os jardins de meu palácio, direi: Burle, aqui sobre esses manacás, quero uma borboleta amare... Mas o sinal abriu e atravessei a rua correndo, pois já ia perdendo de vista a minha borboleta.

        A minha borboleta! Isso, que agora eu disse sem querer, era o que eu sentia naquele instante: a borboleta era minha – como se fosse meu cão ou minha amada de vestido amarelo que tivesse atravessado a rua na minha frente, e eu devesse segui- -la. Reparei que nenhum transeunte olhava a borboleta; eles passavam, devagar ou depressa, vendo vagamente outras coisas – as casas, os veículos ou se vendo –, só eu vira a borboleta, e a seguia, com meu passo fiel. Naquele ângulo há um jardinzinho, atrás da Biblioteca Nacional. Ela passou entre os ramos de uma acácia e de uma árvore sem folhas, talvez um “flamboyant”; havia, naquela hora, um casal de namorados pobres em um banco, e dois ou três sujeitos espalhados pelos outros bancos, dos quais uns são de pedra, outros de madeira, sendo que estes são pintados de azul e branco. Notei isso pela primeira vez, aliás, naquele instante, eu que sempre passo por ali; é que a minha borboleta amarela se tornava sensível às cores.

      Ela borboleteou um instante sobre o casal de namorados; depois passou quase junto da cabeça de um mulato magro, sem gravata, que descansava num banco; e seguiu em direção à Avenida. Amanhã eu conto mais.




(BRAGA, Rubem. A Borboleta Amarela. Rio de Janeiro: Editora Sabiá, 1963. p. 170-176. Adaptado.)
A tonicidade das palavras em Português é determinada pela sílaba tônica, ou seja, a sílaba que é pronunciada com maior intensidade ou força. Quanto à tonicidade das palavras, assinale a afirmativa correta. 
Alternativas
Q3437583 Português
Texto para a questão.

Corpo de dentista que morreu em acidente aéreo no AC é o primeiro a ser liberado pelo IML; identificação foi pela arcada dentária

    O Departamento da Polícia Técnico‑Científica do Acre liberou o primeiro corpo do acidente aéreo que matou 12 pessoas em Rio Branco, no Acre, no último domingo (29). Pela manhã, foi repassado que não havia prazo para a liberação dos corpos, mas, de acordo com o Instituto Médico Legal, a identificação de Jamilo Motta Maciel, de 27 anos, foi possível pela arcada dentária. A vítima era natural de Eirunepé, no Amazonas, e completaria 28 anos em 24 de dezembro.
    No site oficial da Polícia Civil, o diretor‑geral do Departamento de Polícia Técnico‑Científica, Mário Sandro Martins, informou que nas próximas 48 horas outros sete corpos devem ser liberados também pela identificação da arcada dentária e os outros pelo exame de DNA.
    Jamilo era cirurgião dentista e mantinha uma clínica na cidade de Eirunepé ao lado da sua esposa, também dentista, Gleyciane Maciel. Os dois têm uma filha. Nas redes sociais, ele mostrava o dia a dia como marido, pai e dentista. A última postagem, datada em 25 de agosto, foi uma homenagem à filha. “Eu te amo”.
    O voo era particular, da empresa ART Taxi Aéreo, e decolou de Rio Branco com destino a Envira, no Amazonas. O advogado da empresa, Thiago Abreu, informou que a empresa está dando o suporte para a família e que o traslado deve ser na quarta‑feira (1).

Internet: <www.g1.globo.com> (com adaptações).
Na passagem “Os dois têm uma filha”, o acento que se emprega na forma verbal é justificado pelo fato de que
Alternativas
Q3433791 Português
Especifique a alternativa, onde o uso ou não do hífen está incorreto. 
Alternativas
Q3433788 Português
Indique a alternativa em que todas as palavras são acentuadas graficamente, segundo a mesma regra.
Alternativas
Q3429703 Português

Leia o Texto 1 para responder à questão.


Texto 1



A acentuação gráfica da palavra “rótulo” justifica-se pela mesma regra que orienta a acentuação da palavra
Alternativas
Q3428558 Português
Texto para a questão

Tal como a chuva caída
Fecunda a terra, no estio,
Para fecundar a vida
O trabalho se inventou.

Feliz quem pode, orgulhoso,
Dizer: “Nunca fui vadio:
E, se hoje sou venturoso,
Devo ao trabalho o que sou!”

É preciso, desde a infância,
Ir preparando o futuro;
Para chegar à abundância,
É preciso trabalhar.
Não nasce a planta perfeita,
Não nasce o fruto maduro;
E, para ter a colheita,
É preciso semear...
Olavo Bilac:
https://www.pensador.com/versos_do_dia_do_trabalho/

A palavra “trabalho” é escrita com o dígrafo LH. Quais palavras do poema são escritas com o mesmo dígrafo?
Alternativas
Q3428427 Português
Leia o Texto III e responda à questão.

Texto III

Q16_18.png (261×160)

Fonte: Arquivo próprio (2024).
Observe o emprego de letras maiúsculas nos termos “Açude” “Bodocongó”, “Pedras” e “Pai”, extraídos do Texto III, e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3428423 Português
Leia o Texto II e responda à questão.


Texto II


O que é a AIDS?

A AIDS é uma doença causada pela infecção do Vírus da Imunodeficiência Humana (da sigla em inglês HIV). A doença ataca diretamente o sistema imunológico, que é o responsável por defender o organismo de doenças. A AIDS pode ser transmitida por relações sexuais sem proteção, por compartilhamento do uso de seringas contaminadas e de mãe para filho durante a gravidez e amamentação, quando não são tomadas as devidas proteções.


Como é o tratamento da AIDS?

Todas as pessoas diagnosticadas com HIV têm direito a iniciar o tratamento com os medicamentos antirretrovirais, imediatamente, e, assim, poupar o seu sistema imunológico. Os medicamentos, também conhecidos como coquetel, evitam que a imunidade caia e que a AIDS apareça. 


O que são IST?

IST é a sigla para Infecções Sexualmente Transmissíveis. As formas mais comuns de transmissão são através do contato sexual com uma pessoa que esteja infectada, sem uso de preservativo masculino ou feminino, mas também podem ser causadas pelo contato de mucosas ou pele não íntegra com secreções corporais contaminadas.


Fonte: CARDOSO, P. Dezembro vermelho: entenda a origem. Revista Veja, 2 dez. 2024. Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/dezembro-vermelho-entendaa-origem-da-campanha/. Acesso em: 10 dez 2024. Adaptado.
Assinale a alternativa CORRETA sobre a tonicidade das palavras, no fragmento: “A doença ataca diretamente o sistema imunológico” (1º§).
Alternativas
Respostas
2221: B
2222: B
2223: C
2224: B
2225: D
2226: D
2227: C
2228: D
2229: B
2230: D
2231: A
2232: B
2233: E
2234: C
2235: D
2236: D
2237: D
2238: C
2239: B
2240: B