Questões de Concurso
Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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Em defesa da dúvida
Numa época em que tantos parecem ter tanta certeza sobre tudo, vale a pena pensar no prestígio que a dúvida já teve. Nos diálogos de Platão, seu amigo Sócrates pulveriza a certeza absoluta de seus contendores abalando-a por meio de sucessivas perguntas, que os acabam convencendo da fragilidade de suas convicções. Séculos mais tarde, o filósofo Descartes ponderou que o maior estímulo para se instituir um método de conhecimento é considerar a presença desafiadora da dúvida, como um primeiro passo. Lendo os jornais e revistas de hoje, assistindo na TV a entrevistas de personalidades, o que não falta são especialistas infalíveis em todos os assuntos, na política, na ciência, na economia, nas artes. Todos têm receitas imediatas e seguras para a solução de todos os problemas. A hesitação, a dúvida, o tempo para reflexão são interpretados como incompetência, passividade, absenteísmo. É como se a velocidade tecnológica, que dá o ritmo aos nossos novos hábitos, também ditasse a urgência de constituirmos nossas certezas.
A dúvida corresponde ao nosso direito de suspender a verdade ilusória das aparências e buscar a verdade funda daquilo que não aparece. Julgar um fato pelo que dele diz um jornal, avaliar um problema pelo ângulo estrito dos que nele estão envolvidos é submeter-se à força de valores já estabelecidos, que deixamos de investigar. A dúvida supõe a necessidade que tem a consciência de se afastar dos julgamentos já produzidos, permitindo-se, assim, o tempo necessário para o exame mais detido da matéria a ser analisada. A dúvida pode ser o primeiro passo para o caminho das afirmações que acabam sendo as mais seguras, porque mais refletidas e devidamente questionadas.
(Cássio da Silveira, inédito)
Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento em:
De acordo com o texto, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas. ( ) “As meninas do Brasil fizeram bonito neste sábado.” é a ideia central do primeiro parágrafo do texto. ( ) O Brasil venceu a competição com 223.625 pontos. ( ) Daiane dos Santos ajudou a seleção a conquistar o resultado inédito. A sequência está correta em
No evento em questão, tal qual em eventos similares, o atirador era oriundo de uma família desestruturada, com histórico de envolvimento com drogas.
Numere-os conforme a causa do problema:
Coluna 1 Causas incompatibilidade semântica entre vocábulos contidos na frase. supressão de palavra em expressão idiomática. Coluna 2 Excertos
( ) “A maré tornou minha volta à costa mais fácil do que eu temia […]”. (p.35)
( ) “Não disse que você ia tomar caldo” esclareci. “Disse apenas que, se isso acontecesse, você deveria rolar com [a] onda.” (p.56)
( ) “ ‘Ah… oi, John’ Enfiei-me na cadeira, ainda tentando acordar. ‘Sei que levantei cedo, mas queria encontrar você antes que saísse para o trabalho.’ ” (p.84)
( ) “Ajeitei os cobertores sobre ele e fiz minha cama no chão ao lado, ouvindo sua dificuldade para respirar e seus chiados.” (p.202-203)
( ) “E Savannah… sei que ela vai ficar devastada se acontecer algo comigo.” (p.265)
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
I. A concepção em produzir profissionais por meio de cursos de especialização rápidos desconsidera a qualidade da formação. II. Boa parte dos alunos do nosso país, sem compromisso com as necessidades sociais, migram para áreas técnicas. III. Paradoxalmente, os alunos da universidade pública, não servem ao bem-estar da população. IV. Embora a sociedade mantenha a universidade pública, ela não vê retorno por parte dos alunos que nela se formam uma vez que eles servirão às grandes empresas de saúde, de equipamentos e fabricantes de remédios que possuem interesses no bem-estar da população.
Esta correto o que se afirma em:
O Globo. 27/12/2011, capa (com adaptações).
Tendo o texto acima como referência inicial e considerando aspectos característicos da sociedade brasileira, nos quais historicamente avultam desigualdades econômicas e sociais, julgue o item que se segue.
Integrante do G-20 e identificado como importante economia emergente no cenário globalizado do mundo contemporâneo, o Brasil tem ampliado sua participação no total mundial das exportações, situação que deve ser alterada ante a recente decisão do país de afastar-se da Organização Mundial do Comércio (OMC), como represália aos subsídios agrícolas que os países mais ricos teimam em continuar praticando.
Um dos ambientes mais desagradáveis hoje no Brasil são as farmácias. Quando se entra numa, atravessam-se longos corredores formados por estandes, os quais exibem fartas opções de xampus, sabonetes, desodorantes. Os outros setores são igualmente bem servidos. Os bochechos bucais vêm em embalagens que permitem a um cidadão passar seis meses gargarejando sem parar um segundo. Mas nada supera o estoque de fraldas descartáveis – haja bebês para ensopar aquilo tudo!
Tudo isso é formidável, exceto que o setor de remédios resume-se a uma parede no fundo da farmácia, e, em 90% dos casos, está desabastecido do medicamento que você procura. Não precisa ser algo complicado, como um dentifrício especial para boca seca, um anticonvulsivante que exige receita médica ou uma pomada para hemorroidas. Remédios muito mais simples, de fabricação nacional, vivem em falta. É lógico – não há capital que chegue para manter em dia o sortimento de fraldas.
Ruy Castro: Uma parede no fundo – adapt. Folha de São Paulo, 12/09/2012, p. 2.
Atenção! Os números entre parênteses referem-se aos parágrafos em que se encontram os fragmentos citados.
Assinale a alternativa correta.
“Ao começar a atravessar o campus em direção à biblioteca, um vulto se aproximou, saindo de trás de um poste.
– Alô, Cathy. Para onde vai?
Era Ron Peterson, sorrindo para ela, e o coração de Catherine começou a bater tanto que chegou a sair do peito.” (Sidney Sheldon)
Assinale a alternativa que apresenta argumentação falsa sobre aspectos semânticos e gramaticais contidos nele.
Logo em sua primeira noite, cerca de 400 pessoas marcaram presença para assistir ao debate Fernando Sabino – O homem, o escritor, sua contribuição, com Ignácio de Loyola Brandão e Mauro Ventura e mediação do curador da festa, Humberto Werneck. Durante o debate, os convidados contaram, de forma lúdica e com muito bom humor, como as obras de Sabino influenciaram suas carreiras profissionais e até a vida pessoal, além de ressaltar características marcantes do homenageado e do seu legado. “Sabino conta o que está em volta da gente. Ele sabia tirar dessa nossa vida, dos nossos interiores, o que era liberdade, o que era sonho. Sabino não era grande pro acaso, ele era grande porque era grande”, contou o escritor e jornalista Ignácio de Loyola Brandão.
O diretor de comunicação da Iveco, Marco Piquini, falou sobre a importância de promover eventos como a Literata a fim de disseminar a cultura e ampliar as oportunidades de conhecimento. “A literatura nos leva a conhecer países e culturas distantes e, mesmo com tanta diversidade, nos faz ver que somos todos iguais. A literatura nos humaniza, e esse é um dos motivos que levaram a Iveco a presentear Sete Lagoas, pelo segundo ano consecutivo, com essa grande festa”, disse. O secretário de cultura e comunicação social de Sete Lagoas, Freddy Antoniazzi, reforçou a importância da Literata: “um projeto de cultura e literatura é mais que louvável, é admirável”.
( Portal Sete Lagoas. Fonte: Rede Comunicação de Resultado ).
A ideia central do texto é a de demonstrar que a cidade de Sete Lagoas
Quando o navegador português Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil, em abril de 1500, os índios já moravam aqui havia muito tempo. Naquela época não existiam cidades e os habitantes se dividiam em grupos e tribos. As tribos eram diferentes umas das outras, e cada uma ocupava uma região do país. Além disso, os estudiosos descobriram que cada grupo tinha sua língua. Eles fizeram as contas e encontraram mais de 300 idiomas falados pelos índios! E nenhum deles era o Português. Até hoje usamos muitas palavras que herdamos dos primeiros habitantes do Brasil. Veja só:
YARA
É nome de menina,e a letra Y quer dizer água e Uara, dona ou senhora. Segundo a lenda, a Yara é uma espécie de sereia. Ela tem cabelos longos e verdes. Em vez de morar no mar, como a Pequena Sereia, ela vive nos rios de água doce, na Amazônia.
MANDIOCA
Vem de Mani Oca, ou casa da Mani. A lenda conta que a filha de um cacique que vivia perto de Belém (Pará) teve uma linda bebê, chamada Mani. Mas, de um dia para o outro, Mani morreu e foi enterrada na Oca, ou casa. Todos ficaram tristes. Para alegrara tribo, no mesmo lugar nasceu essa planta, que é muito gostosa.
CAPIVARA O maior roedor que existe no Brasil vive na beira de rios e lagos e é tão grande que pode pesar até 50 quilos! Apesar do tamanho,ela só se alimenta de grama e mato, daí o seu nome: Kaapi (capim) e Wara (aquele que come).
JURURU
Já percebeu que, até quando a gente fala Jururu, faz biquinho com os lábios, como se estivesse triste? Pois é por isso mesmo que os índios usavam essa palavra para se referir a alguém que não estava feliz. Também é parecida com Cururu, que quer dizer a mesma coisa.
Fonte: Revista TAM Kids. Ed. Março/Abril, 2012, p. 16/18.
Assinale a alternativa que NÃO caracteriza a Yara:
Alguns mapas e textos do século XVII apresentam-nos a vila de São Paulo como centro de amplo sistema de estradas expandindo-se rumo ao sertão e à costa. Os toscos desenhos e os nomes estropiados desorientam, não raro, quem pretenda servir-se desses documentos para a elucidação de algum ponto obscuro de nossa geografia histórica. Recordam-nos, entretanto, a singular importância dessas estradas para a região de Piratininga, cujos destinos aparecem assim representados em um panorama simbólico.
Neste caso, como em quase tudo, os adventícios deveram habituar-se às soluções e muitas vezes aos recursos materiais dos primitivos moradores da terra. Às estreitas veredas e atalhos que estes tinham aberto para uso próprio, nada acrescentariam aqueles de considerável, ao menos durante os primeiros tempos. Para o sertanista branco ou mamaluco, o incipiente sistema de viação que aqui encontrou foi um auxiliar tão prestimoso e necessário quanto o fora para o indígena. Donos de uma capacidade de orientação nas brenhas selvagens, em que tão bem se revelam suas afinidades com o gentio, mestre e colaborador inigualável nas entradas, sabiam os paulistas como transpor pelas passagens mais convenientes as matas espessas ou as montanhas aprumadas, e como escolher sítio para fazer pouso e plantar mantimentos.
Eram de vária espécie esses tênues e rudimentares caminhos de índios. Quando em terreno fragoso e bem vestido, distinguiam-se graças aos galhos cortados a mão de espaço a espaço. Uma sequência de tais galhos, em qualquer floresta, podia significar uma pista. Nas expedições breves serviam de balizas ou mostradores para a volta. Era o processo chamado ibapaá, segundo Montoya, caapeno, segundo o padre João Daniel, cuapaba, segundo Martius, ou ainda caapepena, segundo Stradelli: talvez o mais generalizado, não só no Brasil como em quase todo o continente americano. Onde houvesse arvoredo grosso, os caminhos eram comumente assinalados a golpes de machado nos troncos mais robustos. Em campos extensos, chegavam em alguns casos a extremos de sutileza. Koch-Grünberg viu uma dessas marcas de caminho na serra de Tunuí: constava simplesmente de uma vareta quebrada em partes desiguais, a maior metida na terra, e a outra, em ângulo reto com a primeira, mostrando o rio. Só a um olhar muito exercitado seria perceptível o sinal.
(Sérgio Buarque de Holanda. Caminhos e fronteiras. 3.ed. S. Paulo: Cia. das Letras, 1994. p.19-20)
Há no texto a sugestão de que