Questões de Concurso
Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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A desigualdade mundial: de 150 euros por mês a 3.000 euros por mês
A desigualdade mundial contrasta países cuja renda média por habitante é da ordem de 150-250 euros por mês (África Subsaariana e Índia) com países onde a renda média por habitante alcança um patamar entre 2.500-3.000 euros por mês (Europa Ocidental, América do Norte, Japão) – ou seja, onde as pessoas ganham vinte vezes mais. A média global, que corresponde aproximadamente ao nível da China, situa-se em torno de 600-800 euros mensais.
Essas ordens de grandeza são significativas e merecem ser guardadas na memória. É preciso salientar, todavia, que são afetadas por margens de erro significativas: é sempre muito mais difícil medir a desigualdade entre nações (ou entre épocas diferentes) do que dentro de um determinado país.
PIKETY, Thomas. O capital no século XXI. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2014, p. 69.
Segundo o texto, as ordens de grandeza levantadas são afetadas
por uma margem de erro, definida pelo(a)
O primo Basílio
Eça de Queiroz
[...]
Entraram para o escritório.
Era uma saleta pequena, com uma estante alta e envidraçada, tendo em cima a estatueta de gesso, empoeirada e velha, de uma bacante em delírio. A mesa, com um antigo tinteiro de prata que fora de seu avô, estava ao pé da janela; uma coleção empilhada de Diários do Governo branquejava a um canto; por cima da cadeira de marroquim-escuro pendia, num caixilho preto, uma larga fotografia de Jorge; e sobre o quadro duas espadas encruzadas reluziam. Uma porta, no fundo, coberta com um reposteiro de baeta escarlate, abria para o patamar.
Disponível em: <https://www.dominiopublico.gov.br/dowload/texto/ph000227.pdf>. Acesso em: 20 fev. 2017.
Texto
A IMAGEM NO ESPELHO
Aos 20 anos escreveu suas memórias. Daí por diante é que começou a viver. Justificava-se:
– Se eu deixar para escrever minhas memórias quando tiver 70 anos, vou esquecer muita coisa e mentir demais. Redigindo-as logo de saída, serão mais fiéis e terão a graça das coisas verdes.
O que viveu depois disto não foi propriamente o que constava do livro, embora ele se esforçasse por viver o contado, não recuando nem diante de coisas desabonadoras. Mas os fatos nem sempre correspondiam ao texto e, para ser franco, direi que muitas vezes o contradiziam.
Querendo ser honesto, pensou em retificar as memórias à proporção que a vida as contrariava. Mas isto seria falsificação do que honestamente pretendera (ou imaginara) devesse ser a sua vida. Ele não tinha fantasiado coisa alguma. Pusera no papel o que lhe parecia próprio de acontecer. Se não tinha acontecido, era certamente traição da vida, não dele.
Em paz com a consciência, ignorou a versão do real, oposta ao real prefigurado. Seu livro foi adotado nos colégios, e todos reconheceram que aquele era o único livro de memórias totalmente verdadeiro. Os espelhos não mentem.
(ANDRADE, C. D. de. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1981, p. 23.)
Texto
AQUI SOZINHO
Aqui sozinho, nesta calma, toda a história da humanidade e da vida rolam diante de mim. Respiro o ar inaugural do mundo, o perfume das rosas do Éden ainda recendentes de originalidade. A primeira mulher colhe o primeiro botão. Vejo as pirâmides subindo; o rosto da esfinge pela primeira vez iluminado pela lua cheia que sobe no oriente; ouço os gritos dos conquistadores avançando. Observo o matemático inca no orgasmo de criar a mais simples e fantástica invenção humana – o zero. Entro na banheira em Siracusa e percebo, emocionado, meu corpo sofrendo um impulso de baixo para cima igual ao peso do líquido por ele deslocado. Reabro feridas de traições, horrores do poder, rios de sangue correm pela história, justos são condenados, injustos devidamente glorificados. Sinto as frustrações neuróticas de tantos seres ansiosos, e a tentativa de superá-las com o exercício de supostas santidades. Com a emoção a que nenhum sexo se compara, começo, pouco a pouco, a decifrar, numa pedra com uma tríplice inscrição, o que pensaram seres como eu em dias assustadoramente remotos. Acompanho um homem – num desses raros instantes de competência que embelezam e justificam a humanidade – pintando e repintando o teto de uma capela; ouço o som divino que outro tira de um instrumento que ele próprio é incapaz de ouvir. Componho em minha imaginação o retrato de maravilhosas sedutoras, espiãs, cortesãs e barregãs, que possivelmente nem foram tão belas, nem seduziram tanto. Sento e sinto e vejo, numa criação única, pessoal e intensa, porque ninguém materializou nada num teatro, numa televisão, num filme. Estou só com a minha imaginação. E um livro.
(Fernandes, M. JB – 01.02.92)
“Sinto as frustrações neuróticas de tantos seres ansiosos, e a tentativa de superá-las COM O EXERCÍCIO DE SUPOSTAS SANTIDADES.”
A expressão em destaque na frase acima apresenta um valor de:
Texto
AQUI SOZINHO
Aqui sozinho, nesta calma, toda a história da humanidade e da vida rolam diante de mim. Respiro o ar inaugural do mundo, o perfume das rosas do Éden ainda recendentes de originalidade. A primeira mulher colhe o primeiro botão. Vejo as pirâmides subindo; o rosto da esfinge pela primeira vez iluminado pela lua cheia que sobe no oriente; ouço os gritos dos conquistadores avançando. Observo o matemático inca no orgasmo de criar a mais simples e fantástica invenção humana – o zero. Entro na banheira em Siracusa e percebo, emocionado, meu corpo sofrendo um impulso de baixo para cima igual ao peso do líquido por ele deslocado. Reabro feridas de traições, horrores do poder, rios de sangue correm pela história, justos são condenados, injustos devidamente glorificados. Sinto as frustrações neuróticas de tantos seres ansiosos, e a tentativa de superá-las com o exercício de supostas santidades. Com a emoção a que nenhum sexo se compara, começo, pouco a pouco, a decifrar, numa pedra com uma tríplice inscrição, o que pensaram seres como eu em dias assustadoramente remotos. Acompanho um homem – num desses raros instantes de competência que embelezam e justificam a humanidade – pintando e repintando o teto de uma capela; ouço o som divino que outro tira de um instrumento que ele próprio é incapaz de ouvir. Componho em minha imaginação o retrato de maravilhosas sedutoras, espiãs, cortesãs e barregãs, que possivelmente nem foram tão belas, nem seduziram tanto. Sento e sinto e vejo, numa criação única, pessoal e intensa, porque ninguém materializou nada num teatro, numa televisão, num filme. Estou só com a minha imaginação. E um livro.
(Fernandes, M. JB – 01.02.92)
O corpo humano é dotado de cinco sentidos que lhe possibilita interagir com o mundo exterior (pessoas, objetos, luzes, fenômenos climáticos, cheiros, sabores, etc.). Na frase abaixo, a palavra em destaque diz respeito a um dos nossos cinco sentidos, a visão.
“VEJO as pirâmides subindo; o rosto da esfinge pela primeira vez iluminado pela lua cheia que sobe no oriente;...”
A palavra em destaque que também se refere a um dos nossos cinco sentidos é:
Com base no texto, analise as afirmativas abaixo.
I - Os moradores do Espírito Santo tiveram que mudar seus hábitos devido à violência que atinge o Estado.
II - Segundo Marileia, a situação da cidade de Serra está complicada, mas - de acordo com a moradora - nada mudou com a falta de policiamento.
III - Fotos de cadáveres foram enviadas via aplicativo de mensagem.
Das afirmações acima, qual(is) está(ão) correta(s)?
De acordo com o texto, analise as afirmações abaixo e assinale (V) para Verdadeiro e (F) para Falso.
( )No dia 06 de fevereiro, devido à insegurança, a maior parte do comércio
permaneceu fechada.
( )A funcionária do consultório médico, localizado na zona nobre de Vitória, é a mesma que recebeu mensagens afirmando que a academia onde ela faz ginástica não abriria dia 06.
( ) Paulo Sérgio, apesar da violência, não pretende deixar de trabalhar.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Moradores fixam placas em ruas no RS para avisar sobre furtos e assaltos
01 Moradores de duas das principais cidades do Rio Grande do Sul fixaram placas
02 para denunciar o perigo em regiões onde acontecem crimes. A iniciativa, registrada
03 em Porto Alegre e em Caxias do Sul, na Serra, tem como objetivo alertar quem passa
04 por locais onde já ocorreram furtos e assaltos.
05 Uma placa amarela fixada na parede de um prédio na Travessa Cauduro no
06 Bairro Bom Fim, Região Central de Porto Alegre, alerta que os carros estacionados na
07 região costumam ser arrombados. A professora Mariú Jardim concorda com o aviso.
08 "Quase todos os dias, sempre há assalto. E o pior,____mão armada", diz a moradora.
09 O DJ Jonathan Trevisan conta que um colega teve o carro roubado em frente ao
10 prédio onde mora. "O cara estava com a arma no peito dele. O outro percebeu que eu
11 estava na janela, apontou a arma para mim e me mandou entrar e ficar quieto", conta.
12 No Centro da capital, a Rua Chaves Barcellos também virou alvo dos bandidos,
13 de acordo com o relato de quem vive ou trabalha na região. "Não____para deixar
14 dinheiro na bolsa, celular também, _______ eles sempre estão pegando", conta a
15 atendente Natália Cristiane dos Santos.
16 Escrito à mão em um pedaço de papelão fixado em um poste, um pedido
17 deixado por um comerciante mostra que a situação chegou ao limite: "Prezados
18 ladrões, peço a gentileza de respeitar esta rua".
19 A Brigada Militar diz que planeja aperfeiçoar o uso de um aplicativo de celular
20 para receber informações da comunidade, segundo o comandante interino do 9o
21 Batalhão, major Macarthur Vilanova. "A comunidade que está no terreno, que está
22 vivenciando o dia a dia da sua área, do seu bairro, nos informa coisas que a polícia às
23 vezes não enxerga, pontos em que os delinquentes estão se concentrando, locais mais
24 vulneráveis e horários", explica.
25 Em Caxias do Sul, na Serra gaúcha, uma placa próxima ____ uma das
26 principais universidades da cidade diz que lá há um alto índice de arrombamento de
27 veículos. O empresário Mateus Pasquali conta ter idealizado ____ iniciativa após
28 encontrar pelo chão material que, segundo ele acredita, foi furtado dos carros
29 estacionados.
30 "Já recolhi jaleco de funcionário e de estagiário do hospital geral. Muitas vezes,
31 alguma capa de câmera fotográfica, porque acho que a câmera acabaram furtando. E
32 como isso se repete há alguns meses, desde dezembro eu venho acompanhando, eu e
33 um funcionário que trabalha comigo tomamos a atitude de produzir essa placa e
34 colocarmos aí para tentar evitar que o pessoal estacione nesse ponto", conta.
35 A Brigada Militar pede que as vítimas registrem as ocorrências. "Não temos
36 nenhum registro do ano passado e até agora, em janeiro de 2017, também não temos
37 registro, então é importante que as pessoas registrem os furtos e roubos de veículos
38 porque ________ disso que a Brigada Militar faz seu planejamento", diz o
39 subcomandante do 12° Batalhão da cidade gaúcha, major Emerson Ubirajara.
Disponível em <http://g1.globo.eom/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2017/02/moradores-fixam-placas-em-ruas-no-rs-para-avisar-sobre-furtose-assaltos.html> (adaptado). Acesso em 11 fev. 2017.
Observe as seguintes perguntas:
I - Qual o pedido feito pela Brigada Militar?
II - Mateus Pasquali teve a ideia de fixar uma placa perto de uma Universidade a partir de que situação?
III-Qual o nome do aplicativo que será aperfeiçoado pela Brigada Militar e disponibilizado à população?
Das perguntas acima, qual(is) é(são) respondida(s) pelo texto?
Terra em transe
Fevereiro mal havia começado quando a cúpula da segurança do Espírito Santo captou os primeiros rumores de que policiais militares do estado estavam armando paralisação. O movimento não chegou a preocupar. Embora a PM estivesse claramente insatisfeita com seu salário, apostava-se no máximo em atos isolados, aqui e ali, sem grande repercussão. Num erro dramático, ninguém se mexeu para marcar uma reunião, iniciar uma negociação, ouvir e apresentar propostas. Na sexta-feira 3, a tropa começou a evaporar das ruas. No dia seguinte, Vitória era uma cidade à mercê de bandidos, saqueadores assaltantes e gangues em guerra – e cidadãos de bem estavam subitamente sendo transformados em feras do crime. (...). Os policiais continuavam nos quartéis. Poucas vezes na história do país tamanho pandemônio tomou conta de uma região metropolitana.
(...)
(Revista Veja. Editora Abril. Edição 2517 – ano 50 – nº 7, 15 de fevereiro de 2017. Por Luisa Bustamante, Maria Clara Vieira e Thiago Prado, p. 62).
Terra em transe
Fevereiro mal havia começado quando a cúpula da segurança do Espírito Santo captou os primeiros rumores de que policiais militares do estado estavam armando paralisação. O movimento não chegou a preocupar. Embora a PM estivesse claramente insatisfeita com seu salário, apostava-se no máximo em atos isolados, aqui e ali, sem grande repercussão. Num erro dramático, ninguém se mexeu para marcar uma reunião, iniciar uma negociação, ouvir e apresentar propostas. Na sexta-feira 3, a tropa começou a evaporar das ruas. No dia seguinte, Vitória era uma cidade à mercê de bandidos, saqueadores assaltantes e gangues em guerra – e cidadãos de bem estavam subitamente sendo transformados em feras do crime. (...). Os policiais continuavam nos quartéis. Poucas vezes na história do país tamanho pandemônio tomou conta de uma região metropolitana.
(...)
(Revista Veja. Editora Abril. Edição 2517 – ano 50 – nº 7, 15 de fevereiro de 2017. Por Luisa Bustamante, Maria Clara Vieira e Thiago Prado, p. 62).






