Questões de Concurso
Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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( ) As expressões “novas regras” e “norma vigente” são exemplos de sinonímia.
( ) A expressão “vetada” pode ser substituída por “proibida” sem prejuízo do sentido original.
( ) A expressão “alvo de rusgas” remete à ideia de “objeto de desentendimentos”.
( ) Na palavra “descontentes”, o prefixo des- indica “separação”.
Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.
Irene no céu Irene preta Irene boa Irene sempre de bom humor. Imagino Irene entrando no céu: - Licença, meu branco! E São Pedro bonachão: - Entra, Irene. Você não precisa pedir licença. (Em: Libertinagem. Rio de Janeiro: Pongetti, 1930.)
É INCORRETO afirmar que a relação afetiva entre o sujeito lírico e Irene:
TEXTO 2

(Disponível em http://desinformadoss.blogspot.com.br/2015/11/cronica-odio-e-intolerancia-na-internet.html)
Em relação ao Texto, julgue, como VERDADEIRO ou FALSO, o item a seguir.
A crítica do autor da tirinha está representada pela violência física empregada pelo personagem
que diz “Ficou maluco, cara?”.
Em relação ao Texto 1, julgue, como VERDADEIRO ou FALSO, o item a seguir.
A referência à citação de Nelson Rodrigues,
ao final do texto, estabelece uma relação de
concessão às ideias da autora.
Em relação ao Texto 1, julgue, como VERDADEIRO ou FALSO, o item a seguir.
Os dados estatísticos e pesquisas
apresentados no texto corroboram o ponto
de vista da autora.
Em relação ao Texto 1, julgue, como VERDADEIRO ou FALSO, o item a seguir.
Os adjetivos “feroz, infantil e cega” e
“mesquinha, pequena e imoral” ratificam o
ponto de vista da autora, contrário à forma
como os internautas debatem nas redes
sociais.
Em relação ao Texto 1, julgue, como VERDADEIRO ou FALSO, o item a seguir.
A falta de debates inteligentes
é consequência da intolerância na
internet, porquanto tal atitude extrapola a
individualidade e a liberdade de expressão
das pessoas.
Em relação ao Texto 1, julgue, como VERDADEIRO ou FALSO, o item a seguir.
A calúnia é um tipo de crime cibernético.
Em relação ao Texto 1, julgue, como VERDADEIRO ou FALSO, o item a seguir.
Trata-se de um texto argumentativo que se
enquadra no gênero Artigo de Opinião, uma
vez que tem a finalidade de defender uma
opinião e convencer o interlocutor. Além
disso, apresenta um tom pessoal da autora
ao defender seu ponto de vista.
( ) A pesquisa do Data Senado revela que 7% das mulheres vítimas de agressão têm vergonha da situação e, por isso, não denunciam.
( ) Há, entre as vítimas que optaram por não denunciar, um percentual maior de mães preocupadas com seus filhos.
( ) Segundo a coordenadora do Nupige, a sociedade tem uma tendência a responsabilizar a mulher pelas agressões sofridas.
( ) A violência contra a mulher ganhou status de violência natural, uma vez que há a perpetuação do ato através das gerações.
( ) A violência doméstica é uma característica cultural das camadas mais pobres da população, por isso não há mobilização do poder público.
Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.
I. A Lei Maria da Penha apresenta uma legislação própria, de importante discussão social, acerca da questão de gênero.
II. Falta de estrutura pública é um dos grandes empecilhos encontrados pela Lei Maria da Penha para que ocorra sucesso em sua efetivação.
III. O Brasil é o único país a ter uma lei específica que defende as mulheres tanto da violência física quanto da moral.
IV. Episódios de menor importância, mesmo que envolvam violência, são entendidos como “briga entre casais” e não atendem aos requisitos da Lei Maria da Penha.
Assinale a alternativa correta.
I. O pronome “ela” faz referência ao termo “mulher”, evitando sua repetição.
II. O termo “para” indica finalidade, objetivo da ação.
III. O termo “como” foi empregado para introduzir exemplos de políticas públicas.
IV. A expressão “por isso” tem o mesmo efeito de sentido da palavra “portanto”.
Assinale a alternativa correta.
Banhos de mar
Meu pai acreditava que todos os anos se devia fazer uma cura de banhos de mar. E nunca fui tão feliz quanto naquelas temporadas de banhos em Olinda, Recife.
Meu pai também acreditava que o banho de mar salutar era o tomado antes do sol nascer. Como explicar o que eu sentia de presente inaudito em sair de casa de madrugada e pegar o bonde vazio que nos levaria para Olinda ainda na escuridão?
De noite eu ia dormir, mas o coração se mantinha acordado, em expectativa. E de puro alvoroço, eu acordava às quatro e pouco da madrugada e despertava o resto da família. Vestíamos depressa e saíamos em jejum. Porque meu pai acreditava que assim devia ser: em jejum.
Saíamos para uma rua toda escura, recebendo a brisa da pré-madrugada. E esperávamos o bonde. Até que lá de longe ouvíamos o seu barulho se aproximando. Eu me sentava bem na ponta do banco: e minha felicidade começava. Atravessar a cidade escura me dava algo que jamais tive de novo. No bonde mesmo o tempo começava a clarear e uma luz trêmula de sol escondido nos banhava e banhava o mundo.
Eu olhava tudo: as poucas pessoas na rua, a passagem pelo campo com os bichos-de-pé: “Olhe um porco de verdade!” gritei uma vez, e a frase de deslumbramento ficou sendo uma das brincadeiras de minha família, que de vez em quando me dizia rindo: “Olhe um porco de verdade”.
Passávamos por cavalos belos que esperavam de pé pelo amanhecer.
Eu não sei da infância alheia. Mas essa viagem diária me tornava uma criança completa de alegria. E me serviu como promessa de felicidade para o futuro. Minha capacidade de ser feliz se revelava. Eu me agarrava, dentro de uma infância muito infeliz, a essa ilha encantada que era a viagem diária.
No bonde mesmo começava a amanhecer. Meu coração batia forte ao nos aproximarmos de Olinda. Finalmente saltávamos e íamos andando para as cabinas pisando em terreno já de areia misturada com plantas. Mudávamos de roupa nas cabinas. E nunca um corpo desabrochou como o meu quando eu saía da cabina e sabia o que me esperava.
O mar de Olinda era muito perigoso. Davam-se alguns passos em um fundo raso e de repente caía-se num fundo de dois metros, calculo.
Outras pessoas também acreditavam em tomar banho de mar quando o sol nascia. Havia um salva-vidas que, por uma ninharia de dinheiro, levava as senhoras para o banho: abria os dois braços, e as senhoras, em cada um dos braços, agarravam o banhista para lutar contra as ondas fortíssimas do mar.
O cheiro do mar me invadia e me embriagava. As algas boiavam. Oh, bem sei que não estou transmitindo o que significavam como vida pura esses banhos em jejum, com o sol se levantando pálido ainda no horizonte. Bem sei que estou tão emocionada que não consigo escrever. O mar de Olinda era muito iodado e salgado. E eu fazia o que no futuro sempre iria fazer: com as mãos em concha, eu as mergulhava nas águas e trazia um pouco de mar até minha boca: eu bebia diariamente o mar, de tal modo queria me unir a ele.
Não demorávamos muito. O sol já se levantara todo, e meu pai tinha que trabalhar cedo. Mudávamos de roupa, e a roupa ficava impregnada de sal. Meus cabelos salgados me colavam na cabeça.
Então esperávamos, ao vento, a vinda do bonde para Recife. No bonde a brisa ia secando meus cabelos duros de sal. Eu às vezes lambia meu braço para sentir sua grossura de sal e iodo.
Chegávamos em casa e só então tomávamos café. E quando eu me lembrava de que no dia seguinte o mar se repetiria para mim, eu ficava séria de tanta ventura e aventura.
Meu pai acreditava que não se devia tomar logo banho de água doce: o mar devia ficar na nossa pele por algumas horas. Era contra a minha vontade que eu tomava um chuveiro que me deixava límpida e sem o mar.
A quem devo pedir que na minha vida se repita a felicidade? Como sentir com a frescura da inocência o sol vermelho se levantar? Nunca mais?
Nunca mais.
Nunca.
(Clarice Lispector. Pequenas descobertas do mundo. Rio de
Janeiro: Rocco, 2003.
