Questões de Concurso Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q1323897 Português
O trecho a seguir foi extraído do romance O Triste Fim de Policarpo Quaresma, escrito por Lima Barreto. Leia-o atentamente para responder à próxima questão.


“Policarpo era patriota. Desde moço, aí pelos vinte anos, o amor da pátria tomou-o todo inteiro. Não fora o amor comum, palrador e vazio; fora um sentimento sério, grave e absorvente. Nada de ambições políticas ou administrativas; o que Quaresma pensou, ou melhor: o que o patriotismo o fez pensar foi num conhecimento inteiro do Brasil, levando-o a meditações sobre os seus recursos, para depois então apontar os remédios, as medidas progressivas, com pleno conhecimento de causa. Errava quem quisesse encontrar nele qualquer regionalismo: Quaresma era antes de tudo brasileiro. Não tinha predileção por esta ou aquela parte de seu país, tanto assim que aquilo que o fazia vibrar de paixão não eram só os pampas do Sul com o seu gado, não era o café de São Paulo, não eram o ouro e os diamantes de Minas, não era a beleza da Guanabara, não era a altura da Paulo Afonso, não era o estro de Gonçalves Dias ou o ímpeto de Andrade Neves - era tudo isso junto, fundido, reunido, sob a bandeira estrelada do Cruzeiro”. (Trecho com adaptações).
Na segunda frase do trecho, o autor afirma que “o amor da pátria tomou-o todo inteiro”. Nesse caso, o pronome “o”, em “tomou-o”, retoma no texto o substantivo:
Alternativas
Q1323894 Português
O trecho a seguir foi extraído do romance O Triste Fim de Policarpo Quaresma, escrito por Lima Barreto. Leia-o atentamente para responder à próxima questão.


“Policarpo era patriota. Desde moço, aí pelos vinte anos, o amor da pátria tomou-o todo inteiro. Não fora o amor comum, palrador e vazio; fora um sentimento sério, grave e absorvente. Nada de ambições políticas ou administrativas; o que Quaresma pensou, ou melhor: o que o patriotismo o fez pensar foi num conhecimento inteiro do Brasil, levando-o a meditações sobre os seus recursos, para depois então apontar os remédios, as medidas progressivas, com pleno conhecimento de causa. Errava quem quisesse encontrar nele qualquer regionalismo: Quaresma era antes de tudo brasileiro. Não tinha predileção por esta ou aquela parte de seu país, tanto assim que aquilo que o fazia vibrar de paixão não eram só os pampas do Sul com o seu gado, não era o café de São Paulo, não eram o ouro e os diamantes de Minas, não era a beleza da Guanabara, não era a altura da Paulo Afonso, não era o estro de Gonçalves Dias ou o ímpeto de Andrade Neves - era tudo isso junto, fundido, reunido, sob a bandeira estrelada do Cruzeiro”. (Trecho com adaptações).
Em relação à interpretação do texto, pode-se afirmar que o autor:
Alternativas
Q1321176 Português
Leia o texto para responder à questão:

Os resistentes

    Não sucumbi ao telefone celular. Não tenho e nunca terei um telefone celular. Quando preciso usar um, uso o da minha mulher. Mas segurando-o como se fosse um grande inseto, possivelmente venenoso, desconhecido da minha tribo. Sei que alguns celulares ronronam e vibram discretamente, em vez de desandarem a chamar seus donos com música. Infelizmente, os donos nem sempre mostram a mesma discrição. Não é raro você ser obrigado a ouvir alguém tratando de detalhes da sua intimidade ou dos furúnculos da tia Djalmira a céu aberto, por assim dizer.
        Não dá para negar que o celular é útil, mas no caso a própria utilidade é angustiante. O celular reduziu as pessoas a apenas extremos opostos de uma conexão, pontos soltos no ar, sem contato com o chão. Onde você se encontra se tornou irrelevante, o que significa que, em breve, ninguém mais vai se encontrar.
   Não tenho a menor ideia de como funciona o besouro maldito. E chega um momento em que cada nova perplexidade com ele se torna uma ofensa pessoal, ainda mais para quem ainda não entendeu bem como funciona uma torneira.
    Ouvi dizer que o celular destrói o cérebro aos poucos. Vejo a nós – os que não sucumbiram, os últimos resistentes – como os únicos sãos num mundo imbecilizado pelo micro-ondas de ouvido, com o qual as pessoas trocarão grunhidos pré-históricos, incapazes de um raciocínio ou de uma frase completa, mas ainda conectadas. Seremos poucos, mas nos manteremos unidos, e trocaremos informações. Usando sinais de fumaça.

(Luis Fernando Veríssimo [org. Adriana Falcão e Isabel Falcão], “Os resistentes”. Ironias do tempo, 2018. Adaptado.)
A correta análise do pronome destacado se faz em:
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Q1321165 Português
Muito devagar e sempre

    Um dos principais fatores a dificultar a retomada da economia nos últimos anos tem sido a exasperante letargia da criação de empregos. Apesar da elevada informalidade no mercado, há sinais de que a situação pode melhorar adiante.
    Dados recém-divulgados mostraram a criação líquida de 157,2 mil vagas com carteira assinada em setembro, no resultado mais positivo para o mês desde 2013. Outra novidade é a geração em todos os principais setores, incluindo os mais atingidos pela crise, como a construção civil.
    É verdade que os dados totais do mercado de trabalho, coletados pelo IBGE, contam uma história menos favorável. Mostra-se a criação de 1,84 milhão de vagas no período de 12 meses até agosto, com prevalência de ocupações na maior parte mais precárias (95% delas sem carteira ou por conta própria).
    Nada menos que 41% da população ocupada está na informalidade, e outras cifras suscitam preocupação. A taxa de desemprego tem caído lentamente – na média do trimestre junho-agosto foram 11,8%, ante 12,1% no período correspondente do ano passado. A desocupação ainda atinge 12,6 milhões de brasileiros.
    Embora o desempenho recente recomende cautela, os indícios são de continuidade na abertura de postos de trabalho. Uma coletânea de fatores pode impulsionar gradualmente a economia.

(Editorial. Folha de S.Paulo, 22.10.2019. Adaptado)
Uma afirmação coerente com as informações apresentadas no editorial é:
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Q1320614 Português

Esta startup compra roupas usadas e devolve para as fabricantes revendê-las

Britânica Stuffstr desenvolveu um negócio que tem como objetivo finalizar o ciclo de uso das vestimentas. Adidas já é uma das parceiras

    Pelo menos uma vez por ano, algumas pessoas fazem aquela limpeza no guarda roupas e pensam no que fazer com peças que não servem mais ou que já não combinam com o novo estilo de vida. A partir daí, as roupas são direcionadas para doação ou para revenda em sites ou brechós. Muitas, ainda, acabam sendo descartadas, mesmo com condições de uso. Enquanto isso, a fabricante não tem ideia de qual fim tiveram as peças produzidas.

    De olho nessa oportunidade, a startup britânica Stuffstr resolveu aprimorar o trabalho de recolhimento e repasse de roupas de segunda mão. Eles coletam e armazenam dados dos produtos por até cinco anos. Os clientes então podem pesquisar para descobrir quanto a empresa pagará para comprar o item de volta.

    A startup coleta o item do consumidor e leva para o local de triagem, que analisa se a peça ainda tem condições de uso. As que têm são direcionadas de volta às empresas; já as que têm perda total vão para reciclagem. A Stuffstr, então, envia essas informações de volta às marcas, com base nas condições das roupas devolvidas.

    As marcas podem usar essas informações para planejar o desenvolvimento futuro de produtos, visando melhor durabilidade, e ajustar os preços que oferecem aos consumidores pelos itens usados.

    Com isso, a startup argumenta que os consumidores ganham um dinheiro extra, o desperdício é reduzido e as marcas obtêm dados e informações valiosas sobre as peças e os clientes. As primeiras parcerias da Stuffstr foram com as empresas John Lewis e Adidas. Ao entrar no site das marcas, o cliente se depara com a possibilidade de vender peças usadas para a startup.

     À Forbes, o co-fundador da Stuffstr, John Atcheson disse que a startup está “em uma posição única para poder oferecer aos consumidores um nível sem precedentes de transparência sobre o que acontece com o material – onde é revendido e por quanto – e até o que acontece se não puder ser revendido e for direcionado para a reciclagem. 70% de tudo o que estamos comprando vai para aterros, mesmo que ainda seja utilizável”, diz. De acordo com ele, a ideia é fechar o ciclo de uso das peças e reduzir o descarte desnecessário.


Disponível em: <https://revistapegn.globo.com/Banco-de-ideias/Moda/noticia/2020/01/esta-startup-compra-roupasusadas-e-devolve-para-fabricantes-revende-las.html>. Acesso em: 29 jan. 2020

Os itens a seguir apresentam algumas possíveis vantagens que a empresa Stuffstr oferece:
I. Consumidores podem ganhar dinheiro ao vender suas roupas que não usam mais. II. As fabricantes de roupas podem obter informações mais facilmente e, com isso, ajudar no desenvolvimento de produtos melhores. III. A empresa Stuffstr compra os produtos dos consumidores finais e as marcas parceiras podem comprar seus produtos de volta mais facilmente. IV. Há redução no desperdício de materiais. V. Os clientes da startup podem receber produtos reciclados feitos com suas roupas usadas.
Quais dos itens são vantagens da startup?
Alternativas
Q1320613 Português

Esta startup compra roupas usadas e devolve para as fabricantes revendê-las

Britânica Stuffstr desenvolveu um negócio que tem como objetivo finalizar o ciclo de uso das vestimentas. Adidas já é uma das parceiras

    Pelo menos uma vez por ano, algumas pessoas fazem aquela limpeza no guarda roupas e pensam no que fazer com peças que não servem mais ou que já não combinam com o novo estilo de vida. A partir daí, as roupas são direcionadas para doação ou para revenda em sites ou brechós. Muitas, ainda, acabam sendo descartadas, mesmo com condições de uso. Enquanto isso, a fabricante não tem ideia de qual fim tiveram as peças produzidas.

    De olho nessa oportunidade, a startup britânica Stuffstr resolveu aprimorar o trabalho de recolhimento e repasse de roupas de segunda mão. Eles coletam e armazenam dados dos produtos por até cinco anos. Os clientes então podem pesquisar para descobrir quanto a empresa pagará para comprar o item de volta.

    A startup coleta o item do consumidor e leva para o local de triagem, que analisa se a peça ainda tem condições de uso. As que têm são direcionadas de volta às empresas; já as que têm perda total vão para reciclagem. A Stuffstr, então, envia essas informações de volta às marcas, com base nas condições das roupas devolvidas.

    As marcas podem usar essas informações para planejar o desenvolvimento futuro de produtos, visando melhor durabilidade, e ajustar os preços que oferecem aos consumidores pelos itens usados.

    Com isso, a startup argumenta que os consumidores ganham um dinheiro extra, o desperdício é reduzido e as marcas obtêm dados e informações valiosas sobre as peças e os clientes. As primeiras parcerias da Stuffstr foram com as empresas John Lewis e Adidas. Ao entrar no site das marcas, o cliente se depara com a possibilidade de vender peças usadas para a startup.

     À Forbes, o co-fundador da Stuffstr, John Atcheson disse que a startup está “em uma posição única para poder oferecer aos consumidores um nível sem precedentes de transparência sobre o que acontece com o material – onde é revendido e por quanto – e até o que acontece se não puder ser revendido e for direcionado para a reciclagem. 70% de tudo o que estamos comprando vai para aterros, mesmo que ainda seja utilizável”, diz. De acordo com ele, a ideia é fechar o ciclo de uso das peças e reduzir o descarte desnecessário.


Disponível em: <https://revistapegn.globo.com/Banco-de-ideias/Moda/noticia/2020/01/esta-startup-compra-roupasusadas-e-devolve-para-fabricantes-revende-las.html>. Acesso em: 29 jan. 2020

Os criadores da startup Stuffstr viram uma oportunidade de negócios:
Alternativas
Q1320362 Português

Leia o texto para responder à questão.


    Considerando-se que a vida social é fundamental à existência dos seres humanos, é na família que se dá início ao processo de socialização, educação e formação para o mundo. Os grupos familiares caracterizam-se por vínculos biológicos, mas sua constituição não se limita apenas ao aspecto da procriação e da preservação da espécie, pois é um fenômeno social.

As famílias são grupos primários, nos quais as relações entre os indivíduos são baseadas na força dos sentimentos entre as pessoas, o que justifica, muitas vezes, o amor existente entre pais e filhos adotivos, logo sem relação consanguínea.

    Assim, laços que unem os indivíduos em família não são sustentados pela lógica da troca, a partir de um cálculo racional. Ao contrário, a família é um grupo informal, ao qual as pessoas estão ligadas por afeto e afinidade e, por conta desses sentimentos, criam vínculos que garantem a convivência, além da cooperação econômica.

    Mesmo que por motivos quaisquer os indivíduos venham a se separar não mais residindo no mesmo local, obviamente continuam a constituir uma família, principalmente no aspecto legal.

    Embora seja um fenômeno social presente em todas as culturas, os grupos familiares e as relações de parentesco manifestam-se de formas peculiares, dependendo dos costumes de um determinado povo ou sociedade, podendo sofrer alterações como consequência direta das transformações sociais, econômicas e políticas, dentro de uma mesma cultura.

(brasilescola.uol.com.br/sociologia/família-não-apenas-um-grupo-masum-fenomeno-social.htm. Acesso em 21.10.2019. Adaptado)

No último parágrafo, o autor
Alternativas
Q1320360 Português

Leia o texto para responder à questão.


    Considerando-se que a vida social é fundamental à existência dos seres humanos, é na família que se dá início ao processo de socialização, educação e formação para o mundo. Os grupos familiares caracterizam-se por vínculos biológicos, mas sua constituição não se limita apenas ao aspecto da procriação e da preservação da espécie, pois é um fenômeno social.

As famílias são grupos primários, nos quais as relações entre os indivíduos são baseadas na força dos sentimentos entre as pessoas, o que justifica, muitas vezes, o amor existente entre pais e filhos adotivos, logo sem relação consanguínea.

    Assim, laços que unem os indivíduos em família não são sustentados pela lógica da troca, a partir de um cálculo racional. Ao contrário, a família é um grupo informal, ao qual as pessoas estão ligadas por afeto e afinidade e, por conta desses sentimentos, criam vínculos que garantem a convivência, além da cooperação econômica.

    Mesmo que por motivos quaisquer os indivíduos venham a se separar não mais residindo no mesmo local, obviamente continuam a constituir uma família, principalmente no aspecto legal.

    Embora seja um fenômeno social presente em todas as culturas, os grupos familiares e as relações de parentesco manifestam-se de formas peculiares, dependendo dos costumes de um determinado povo ou sociedade, podendo sofrer alterações como consequência direta das transformações sociais, econômicas e políticas, dentro de uma mesma cultura.

(brasilescola.uol.com.br/sociologia/família-não-apenas-um-grupo-masum-fenomeno-social.htm. Acesso em 21.10.2019. Adaptado)

Uma frase que condiz com a informação do 4º parágrafo é:
Alternativas
Q1320359 Português

Leia o texto para responder à questão.


    Considerando-se que a vida social é fundamental à existência dos seres humanos, é na família que se dá início ao processo de socialização, educação e formação para o mundo. Os grupos familiares caracterizam-se por vínculos biológicos, mas sua constituição não se limita apenas ao aspecto da procriação e da preservação da espécie, pois é um fenômeno social.

As famílias são grupos primários, nos quais as relações entre os indivíduos são baseadas na força dos sentimentos entre as pessoas, o que justifica, muitas vezes, o amor existente entre pais e filhos adotivos, logo sem relação consanguínea.

    Assim, laços que unem os indivíduos em família não são sustentados pela lógica da troca, a partir de um cálculo racional. Ao contrário, a família é um grupo informal, ao qual as pessoas estão ligadas por afeto e afinidade e, por conta desses sentimentos, criam vínculos que garantem a convivência, além da cooperação econômica.

    Mesmo que por motivos quaisquer os indivíduos venham a se separar não mais residindo no mesmo local, obviamente continuam a constituir uma família, principalmente no aspecto legal.

    Embora seja um fenômeno social presente em todas as culturas, os grupos familiares e as relações de parentesco manifestam-se de formas peculiares, dependendo dos costumes de um determinado povo ou sociedade, podendo sofrer alterações como consequência direta das transformações sociais, econômicas e políticas, dentro de uma mesma cultura.

(brasilescola.uol.com.br/sociologia/família-não-apenas-um-grupo-masum-fenomeno-social.htm. Acesso em 21.10.2019. Adaptado)

Na frase do 1o parágrafo – Os grupos familiares caracterizam-se por vínculos biológicos, mas sua constituição não se limita apenas ao aspecto da procriação e da preservação da espécie, pois é um fenômeno social. – o autor
Alternativas
Q1320358 Português

Leia o texto para responder à questão.


    Considerando-se que a vida social é fundamental à existência dos seres humanos, é na família que se dá início ao processo de socialização, educação e formação para o mundo. Os grupos familiares caracterizam-se por vínculos biológicos, mas sua constituição não se limita apenas ao aspecto da procriação e da preservação da espécie, pois é um fenômeno social.

As famílias são grupos primários, nos quais as relações entre os indivíduos são baseadas na força dos sentimentos entre as pessoas, o que justifica, muitas vezes, o amor existente entre pais e filhos adotivos, logo sem relação consanguínea.

    Assim, laços que unem os indivíduos em família não são sustentados pela lógica da troca, a partir de um cálculo racional. Ao contrário, a família é um grupo informal, ao qual as pessoas estão ligadas por afeto e afinidade e, por conta desses sentimentos, criam vínculos que garantem a convivência, além da cooperação econômica.

    Mesmo que por motivos quaisquer os indivíduos venham a se separar não mais residindo no mesmo local, obviamente continuam a constituir uma família, principalmente no aspecto legal.

    Embora seja um fenômeno social presente em todas as culturas, os grupos familiares e as relações de parentesco manifestam-se de formas peculiares, dependendo dos costumes de um determinado povo ou sociedade, podendo sofrer alterações como consequência direta das transformações sociais, econômicas e políticas, dentro de uma mesma cultura.

(brasilescola.uol.com.br/sociologia/família-não-apenas-um-grupo-masum-fenomeno-social.htm. Acesso em 21.10.2019. Adaptado)

Com base nas informações do texto, é correto afirmar que
Alternativas
Q1320356 Português

(Ciça, in: Pagando o pato, Coleção L&PM Pocket, vol. 551)

Com a fala do 2º quadrinho – É...? Que bom... –, nota-se que o pai está contente, mas no último quadrinho ele é
Alternativas
Q1319938 Português

ORA DIREIS OUVIR ESTRELAS

Olavo Bilac


"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo

Perdeste o senso! ”E eu vos direi, no entanto,

Que, para ouvi-las, muita vez desperto

E abro as janelas, pálido de espanto...


E conversamos toda a noite, enquanto

A Via-Láctea, como um pálio aberto,

Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto

Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!

Que conversas com elas? Que sentido

Tem o que dizem, quando estão contigo?"


E eu vos direi: "Amai para entendê-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido

Capaz de ouvir e de entender estrelas."

(Ora direis ouvir estrelas: Coleção de Sonetos, Via Láctea. Soneto XIII. Olavo Bilac, 1888)

Considerando que o texto tem uma linguagem literária, depreende-se que o
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Q1319936 Português
Desigualdade inaceitável
Carlos José Marques
    Não é apenas um problema econômico. Mas social e político, por que não? Como o Brasil pôde cair tão baixo no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), ocupando a vergonhosa septuagésima nona colocação e, o que é pior, com índice de desigualdade semelhante ao do Catar, onde existem os marajás e grandes magnatas do petróleo. O Brasil se mostra como uma aberração inexplicável. Detém a assombrosa condição de segunda maior concentração de renda do mundo.
     O lugar onde esbanjamento contrasta com miséria a cada rua, lado a lado.
O que é isso? Com 1% da população detendo mais de 50% do PIB não há mesmo como enxergar justiça por aqui. A predominante parcela do povo vive com menos de um salário mínimo ao mês. Deveriam todos os patriotas, nacionalistas, homens da produção e da riqueza, os detentores do poder se incomodar com isso. Não é aceitável.
     Não dá para conceber. As desigualdades, lamentavelmente, se acirraram nos últimos tempos com diferenças gritantes também no campo da saúde, da ciência e tecnologia, do acesso a serviços básicos de transporte, saneamento etc. Em um país onde 13,5 milhões de famílias (que multiplicadas por cinco membros dariam quase 70 milhões de pessoas) dependem do Bolsa Família e quatro milhões de jovens não conseguem trabalho, mesmo formados em universidades, não há como se ter um IDH decente. Em um par de décadas, o Brasil avançou um milésimo no índice mundial da ONU que avalia a saúde, educação e renda dos povos. Vizinhos como Argentina e Uruguai figuram em melhores posições. Bem como o Sri Lanka. A classificação brasileira é típica de nação terceiro-mundista, subnutrida e controlada por uma patota da Casa Grande sem qualquer concessão aos subjugados. Não se pensa nisso.
     A preocupação com o próximo e a solidariedade não se firmam como pilares fundamentais do desenvolvimento. A estagnação nos indicadores educacionais é desanimadora. A expectativa de tempo de permanência na escola, por exemplo, está no mesmo patamar de 15,4 anos desde 2016 e a média efetiva de anos de estudos segue em 7,8 anos, igual condição verificada em 2017. Qual país do mundo progride, cresce e se desenvolve sem educação? Nenhum. No IDH ajustado pela desigualdade, o Brasil caiu 23 posições. Os alarmantes índices deveriam acender um sinal vermelho e despertar a reação das autoridades. Difícil acreditar que isso vá acontecer.
     As necessidades básicas de muitas pessoas continuam não sendo atendidas e é possível prever que assim as futuras gerações deverão viver um abismo ainda maior de desigualdade por aqui. Duro e triste cenário que só mudará por meio da indignação de todos.
(Matéria da revista Isto É/Dinheiro de 13/12/2019)
Esse texto tem a principal finalidade de
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Q1319874 Português
O bicho alfabeto
O bicho alfabeto
Tem vinte e três patas
Ou quase

Por onde ele passa
Nascem palavras
E frases

Com frases
Se fazem asas
Palavras
O vento leve

O bicho alfabeto
Passa
Fica o que não
Se escreve.
Paulo Leminski. In: La vie em close. 5ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1994.
A ideia central desse poema encontra-se resumida na alternativa:
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Q1319870 Português
Construção
Chico Buarque
Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido

Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima

Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música

E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão, atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
(trecho da música Construção de Chico Buarque, 1971)
De acordo com a interpretação dessa parte do poema acima, o autor quis dizer que:
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Q1318868 Português
Leia o texto para responder à questão 
TABACARIA
Fernando Pessoa
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é (E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa,
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim. Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo não estão nesta hora génios-para-si-mesmo sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas –
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
[...]

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
[...]

O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica.
(O dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da Tabacaria sorriu.
(Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Atica, 1944-252)


De acordo com o contexto, para os versos: “O mundo é para quem nasce para o conquistar” / “E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão”, a melhor interpretação é:
Alternativas
Q1318867 Português
Leia o texto para responder à questão 
TABACARIA
Fernando Pessoa
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é (E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa,
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim. Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo não estão nesta hora génios-para-si-mesmo sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas –
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
[...]

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
[...]

O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica.
(O dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da Tabacaria sorriu.
(Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Atica, 1944-252)


Considerando o contexto, na quinta estrofe, o eu lírico predominantemente,
Alternativas
Q1318866 Português
Leia o texto para responder à questão 
TABACARIA
Fernando Pessoa
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é (E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa,
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim. Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo não estão nesta hora génios-para-si-mesmo sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas –
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
[...]

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
[...]

O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica.
(O dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da Tabacaria sorriu.
(Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Atica, 1944-252)


Em conformidade com o texto, os milhões de quartos espalhados pelo mundo, metaforicamente, representam
Alternativas
Q1318865 Português
Leia o texto para responder à questão 
TABACARIA
Fernando Pessoa
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é (E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa,
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim. Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo não estão nesta hora génios-para-si-mesmo sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas –
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
[...]

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
[...]

O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica.
(O dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da Tabacaria sorriu.
(Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Atica, 1944-252)


Qual é o tema principal do texto?
Alternativas
Q1317654 Português

Leia o texto para responder à questão.


    Entre as dez metas estabelecidas para a educação que constam dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável para 2030, ratificados pelos 193 países-membros da ONU, a mais básica, juntamente à escolarização universal, é que todos tenham conhecimentos primários em leitura, escrita e matemática. Embora 260 milhões de crianças no mundo ainda não frequentem escolas, o acesso tem crescido com certa velocidade. A instrução, porém, ainda é terrivelmente falha. Segundo o Banco Mundial, 53% de todas as crianças em países de média e baixa renda sofrem de “pobreza de aprendizado” (learning poverty), um critério que implica a incapacidade de ler e compreender um texto simples aos dez anos de idade – ou seja, uma capacitação um pouco acima do analfabetismo absoluto, mas um pouco abaixo do analfabetismo funcional, que pressupõe deficiências graves de escrita e cálculo.

(https://opiniao.estadao.com.br. 04.11.2019)

As informações do texto permitem afirmar que a “pobreza de aprendizado” resulta de
Alternativas
Respostas
19001: D
19002: C
19003: A
19004: C
19005: A
19006: C
19007: C
19008: A
19009: A
19010: D
19011: A
19012: A
19013: C
19014: A
19015: A
19016: A
19017: C
19018: B
19019: A
19020: B