Questões de Concurso Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q1683385 Português
COVID-19 NOS EUA


Isadora Williams é uma patinadora brasileira que vive em Montclair, no estado de Nova Jersey (Estados Unidos). Sua residência localiza-se a cerca de 20 quilômetros de Nova York (NY), epicentro dos casos do novo coronavírus (covid-19) no país, onde foram registradas, até ontem (01/04/2020), mais de mil mortes, de acordo com estudo da Universidade Johns Hopkins. O rápido avanço da pandemia na metrópole preocupou a brasileira. “É assustador, pois moro perto. Todas as pessoas estavam dentro de casa, em quarentena. Muitos mercados e lojas fechando, não tinha as coisas necessárias. Dirigi até a casa dos meus pais (em Washington, capital do país) porque está mais tranquilo que Nova York. É muito triste”, relatou à Agência Brasil. 

A disseminação da covid-19 pelo mundo impactou a temporada de preparação esportiva de Isadora. No dia 16/03/2020, ela disputaria o Mundial de Patinação no Gelo, em Montreal (Canadá), mas o evento foi cancelado cinco dias antes da abertura por conta da pandemia. Seria a quinta participação dela na competição, a quarta vez consecutiva no Mundial. “Foi muito triste (o cancelamento) porque treinei muito forte, de maneira muito intensa. Mas, acho que foi saudável para todos e o mais importante para atletas e público, pois é um vírus muito sério”, conta a patinadora de 24 anos.

Quando ela destaca a intensidade dos treinos, não é exagero. Antes do novo coronavírus, eram três horas diárias no rinque de patinação, além de atividades na academia duas vezes por semana. E nessa rotina de atleta profissional, inclua o expediente como professora da modalidade e dedicação à faculdade de Economia que cursa em Montclair. Agora, o jeito tem sido improvisar para manter a forma, pensando na próxima temporada de gelo. “Por causa do coronavírus, a academia e a pista onde treino estão fechadas, então tenho feito tudo em casa, como ioga e pilates. No máximo, caminhar ou correr aqui perto”, descreve.

Em condições normais, o dia a dia de Isadora já é atribulado. Mas, sempre há espaço para uma nova tarefa. “Quero praticar mais o idioma português. Eu moro sozinha, então não falo muito. Converso com minha mãe, escuto muita música brasileira, tenho uma amiga com quem falo em português. É fácil entender as perguntas, mas um pouco difícil de responder ainda”, conta. “Fico um pouco nervosa também (risos)”, brinca.

Ela não diz isso da boca para fora. Isadora tem o sangue e o coração verde e amarelos. Apesar de nascida nos Estados Unidos, tem mãe brasileira. E escolheu, aos nove anos, defender a bandeira da terra natal da progenitora. “A cultura brasileira sempre me encantou. Como a comida, amo a moda e a música. Adoro Marisa Monte, Tom Jobim e amo Anitta! É muito importante competir pelo Brasil”, destaca.


Adaptado. Publicado em 02/04/2020, por Lincoln Chaves, repórter da TV Brasil e da Rádio Nacional, São Paulo. Disponível em: https://bit.ly/3c3jayC.
Leia o texto 'COVID-19 NOS EUA' e, em seguida, analise as afirmativas abaixo:

I. De acordo com o texto, em condições normais, o dia a dia de Isadora é bastante tranquilo, embora não haja espaço para qualquer nova tarefa.

II. Para Isadora Williams, é bem fácil entender quaisquer perguntas em Português, assim como respondê-las, conta, afirma o texto.

III. No texto, Isadora Williams relatou que, nos Estados Unidos, apesar da quarentena, muitos mercados estavam abertos, o abastecimento ocorria normalmente e a frequência de pessoas nas ruas não diminuiu.

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Alternativas
Q1683384 Português
O mal invisível que vem de longe


No início, o perigo vinha do céu. Tempo da segunda guerra. À noite, escuridão total nas cidades, para se precaver de bombardeios dos alemães. Nenhum sinal de luz poderia aparecer. A vigilância policial atenta. A escuridão, geral. Para se acender uma lâmpada, necessário que ocorresse em local fechado, para não deixar a cauda de fora. Muito ouvi essa ladainha. Mas sou do tempo em que o perigo saía da sujeira dos galinheiros, o mosquito danado provocando um enjoo miserável, batizado pela alcunha de dengue, que tive, os olhos virando, a parte do branco desaparecendo [...]. Sobrevivi. 

Agora vem da boca, do contato, da secreção, passageiro de avião, a pegar em um e contaminar centenas, e, assim, sucessivamente, invadindo países e continentes, sem precisar de passaporte, nem comprar passagem, nem de reserva de hotel, escondido no passageiro, que se torna o elemento a difundi-lo; as estatísticas diuturnamente a exibir novos números, entre os afetados e os suspeitos, as medidas sendo tomadas, o homem, finalmente, descobrindo que o lugar mais seguro é a sua casa. Não é a bomba alemã que faz medo, não é o galinheiro que exibe sujeira. O mal evoluiu. Ficou invisível. [...]

Estamos, suspeitos, confirmados e assustados, no mesmo barco, torcendo e rezando, para que o mal fique bem longe, não dê as caras, vá embora usufruir de boas e eternas férias em desertos de muito calor; e, se possível, em outros planetas, já indo tarde, não precisando nem apagar a luz do aeroporto, muito menos de abraços de despedidas. Por ora, ouvido no rádio, olho nas mensagens que nos chegam, conselhos de solidão que devem ser acatados, higiene total, a começar pelas mãos, nada de reunião, de aglomerados, de ambiente apertado. Ufa! Mais cedo ou mais tarde, passa. Aí tudo volta a ser alegre, vestindo azul para a sorte mudar. Enquanto isso, um amigo, que sempre viveu afundado no pessimismo, concorda comigo. Então, num riso largo, sentencia: quem sobreviver, conta a história. Cruz credo! Dei o diálogo por encerrado.


(Adaptado. Revisão linguística. CARVALHO, V. S. O mal invisível que vem de longe. Disponível em: https://bit.ly/3dTCNuy. Acesso em: mar 2020)
Leia o texto 'O mal invisível que vem de longe' e, em seguida, analise as afirmativas abaixo:

I. A referência a elementos como “segunda guerra”, “bomba alemã”, entre outros, sugere uma tensão entre os cenários elucidados e o que se vivia no momento da escrita do texto. Isto é, são guerras travadas, porém com agentes distintos.

II. A condição para garantir uma compreensão global do texto é entender o percurso histórico traçado pelo autor, assim como as referências ao vírus causador da pandemia (COVID-19), por meio de vocábulos como “secreção”, “passageiro”, “mal” etc.

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Q1683383 Português
O mal invisível que vem de longe


No início, o perigo vinha do céu. Tempo da segunda guerra. À noite, escuridão total nas cidades, para se precaver de bombardeios dos alemães. Nenhum sinal de luz poderia aparecer. A vigilância policial atenta. A escuridão, geral. Para se acender uma lâmpada, necessário que ocorresse em local fechado, para não deixar a cauda de fora. Muito ouvi essa ladainha. Mas sou do tempo em que o perigo saía da sujeira dos galinheiros, o mosquito danado provocando um enjoo miserável, batizado pela alcunha de dengue, que tive, os olhos virando, a parte do branco desaparecendo [...]. Sobrevivi. 

Agora vem da boca, do contato, da secreção, passageiro de avião, a pegar em um e contaminar centenas, e, assim, sucessivamente, invadindo países e continentes, sem precisar de passaporte, nem comprar passagem, nem de reserva de hotel, escondido no passageiro, que se torna o elemento a difundi-lo; as estatísticas diuturnamente a exibir novos números, entre os afetados e os suspeitos, as medidas sendo tomadas, o homem, finalmente, descobrindo que o lugar mais seguro é a sua casa. Não é a bomba alemã que faz medo, não é o galinheiro que exibe sujeira. O mal evoluiu. Ficou invisível. [...]

Estamos, suspeitos, confirmados e assustados, no mesmo barco, torcendo e rezando, para que o mal fique bem longe, não dê as caras, vá embora usufruir de boas e eternas férias em desertos de muito calor; e, se possível, em outros planetas, já indo tarde, não precisando nem apagar a luz do aeroporto, muito menos de abraços de despedidas. Por ora, ouvido no rádio, olho nas mensagens que nos chegam, conselhos de solidão que devem ser acatados, higiene total, a começar pelas mãos, nada de reunião, de aglomerados, de ambiente apertado. Ufa! Mais cedo ou mais tarde, passa. Aí tudo volta a ser alegre, vestindo azul para a sorte mudar. Enquanto isso, um amigo, que sempre viveu afundado no pessimismo, concorda comigo. Então, num riso largo, sentencia: quem sobreviver, conta a história. Cruz credo! Dei o diálogo por encerrado.


(Adaptado. Revisão linguística. CARVALHO, V. S. O mal invisível que vem de longe. Disponível em: https://bit.ly/3dTCNuy. Acesso em: mar 2020)
Leia o texto 'O mal invisível que vem de longe' e, em seguida, analise as afirmativas abaixo:

I. Tanto o perigo oriundo da “sujeira dos galinheiros”, como o “mosquito danado provocando um enjoo miserável, batizado pela alcunha de dengue”, foram recursos usados para fazer alusão a outras pandemias. Essa recuperação de informações é crucial para o entendimento da ideia central do texto.

II. O pessimismo do amigo, referenciado num dos últimos períodos do texto, está explicitado no fragmento “quem sobreviver, conta a história”.

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Q1683382 Português
O mal invisível que vem de longe


No início, o perigo vinha do céu. Tempo da segunda guerra. À noite, escuridão total nas cidades, para se precaver de bombardeios dos alemães. Nenhum sinal de luz poderia aparecer. A vigilância policial atenta. A escuridão, geral. Para se acender uma lâmpada, necessário que ocorresse em local fechado, para não deixar a cauda de fora. Muito ouvi essa ladainha. Mas sou do tempo em que o perigo saía da sujeira dos galinheiros, o mosquito danado provocando um enjoo miserável, batizado pela alcunha de dengue, que tive, os olhos virando, a parte do branco desaparecendo [...]. Sobrevivi. 

Agora vem da boca, do contato, da secreção, passageiro de avião, a pegar em um e contaminar centenas, e, assim, sucessivamente, invadindo países e continentes, sem precisar de passaporte, nem comprar passagem, nem de reserva de hotel, escondido no passageiro, que se torna o elemento a difundi-lo; as estatísticas diuturnamente a exibir novos números, entre os afetados e os suspeitos, as medidas sendo tomadas, o homem, finalmente, descobrindo que o lugar mais seguro é a sua casa. Não é a bomba alemã que faz medo, não é o galinheiro que exibe sujeira. O mal evoluiu. Ficou invisível. [...]

Estamos, suspeitos, confirmados e assustados, no mesmo barco, torcendo e rezando, para que o mal fique bem longe, não dê as caras, vá embora usufruir de boas e eternas férias em desertos de muito calor; e, se possível, em outros planetas, já indo tarde, não precisando nem apagar a luz do aeroporto, muito menos de abraços de despedidas. Por ora, ouvido no rádio, olho nas mensagens que nos chegam, conselhos de solidão que devem ser acatados, higiene total, a começar pelas mãos, nada de reunião, de aglomerados, de ambiente apertado. Ufa! Mais cedo ou mais tarde, passa. Aí tudo volta a ser alegre, vestindo azul para a sorte mudar. Enquanto isso, um amigo, que sempre viveu afundado no pessimismo, concorda comigo. Então, num riso largo, sentencia: quem sobreviver, conta a história. Cruz credo! Dei o diálogo por encerrado.


(Adaptado. Revisão linguística. CARVALHO, V. S. O mal invisível que vem de longe. Disponível em: https://bit.ly/3dTCNuy. Acesso em: mar 2020)
Leia o texto 'O mal invisível que vem de longe' e, em seguida, analise as afirmativas abaixo:

I. A expressão “Ficou invisível” faz referência ao mal responsável pela contaminação. Como os vírus são seres microscópicos, a contaminação não é vista a “olho nu”, o que torna o “mal”, citado no texto, invisível.

II. O texto se configura numa narrativa construída em torno da pandemia causada pelo COVID-19. Elementos que justificam essa tese são apresentados em trechos como “Agora vem da boca, do contato, da secreção, passageiro de avião, a pegar em um e contaminar centenas, e, assim, sucessivamente, invadindo países e continentes...”.

III. O texto elabora uma crítica à individualidade e ao isolamento ocasionados pela pandemia relacionada ao COVID-19. Isso fica explicitado em excertos como “Estamos, suspeitos, confirmados e assustados, no mesmo barco, torcendo e rezando, para que o mal fique bem longe...”.

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Q1683366 Português
Políticas locais de segurança


As políticas de segurança pública são parte integrante dos contextos político, social, econômico e cultural em que são formuladas, apresentadas e implantadas por meio da elaboração de planos nacionais, estaduais e municipais. Na implementação de políticas públicas são realizados projetos e ações através da articulação entre a sociedade civil, os agentes políticos, as instituições públicas e privadas na esfera da segurança pública.

De acordo com o aumento da proporção da visibilidade do papel dos municípios e da dimensão local na segurança pública, observam-se especificidades da atuação do crime e suas políticas em cidades de diversos estados brasileiros, nas quais é possível identificar dinâmicas próprias que envolvem a segurança pública.

No Brasil, diversos municípios podem aparentar um ambiente agradável, com boa qualidade de vida e boas referências em saúde e educação, ao mesmo tempo que apresentam dificuldades quando o assunto é o crime, a criminalidade e a prestação de serviços de segurança. Essas cidades, ademais, estão se tornando áreas de interesse para a disseminação da segurança privada e de condomínios fechados, mostrando, assim, que a segurança é um dos problemas crucias que afligem as comunidades locais.

Atualmente, no Brasil, a divisão de responsabilidades administrativas entre os entes da federação atribui aos estados a responsabilidade pela provisão de segurança pública. Entretanto, em meio ao cenário de insegurança em praticamente todos os estados, nota-se um envolvimento cada vez maior dos municípios em questões relacionadas à segurança pública.

A criminalidade está estreitamente relacionada com as condições socioeconômicas da localidade. Obviamente, se todos vivessem de renda e pudessem adquirir o que desejassem, crimes motivados por ganhos econômicos não existiriam. Na realidade, no entanto, os desejos superam os recursos. E sempre que a atividade criminosa constituir um caminho mais fácil para alcançar tais desejos haverá incentivos para o engajamento nessa atividade. Nesse sentido, a renda, o emprego e o crescimento econômico têm sido apontados como potenciais fatores que reduzem os incentivos à criminalidade (aumentando o custo de oportunidade do crime).

Adaptado. Disponível em https://bit.ly/3jRNBvN, com informações adicionais de https://bit.ly/2GL2UYT. Acesso em agosto de 2020. 
Leia o texto 'Políticas locais de segurança' e, em seguida, analise as afirmativas a seguir:

I. De acordo com as informações do texto, pode-se concluir que, no Brasil, diversos municípios estão se tornando áreas de interesse para a disseminação de condomínios fechados e da segurança privada. Esse fenômeno mostra, na perspectiva do texto, que a segurança é um dos problemas crucias que afligem as comunidades locais.

II. Uma das ideias presentes no texto é a de que a implementação de políticas públicas dispensa a realização de ações através da articulação entre a sociedade civil e os agentes políticos, cabendo às instituições públicas de caráter técnico determinar as prioridades nos investimentos governamentais.

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Q1683365 Português
Políticas locais de segurança


As políticas de segurança pública são parte integrante dos contextos político, social, econômico e cultural em que são formuladas, apresentadas e implantadas por meio da elaboração de planos nacionais, estaduais e municipais. Na implementação de políticas públicas são realizados projetos e ações através da articulação entre a sociedade civil, os agentes políticos, as instituições públicas e privadas na esfera da segurança pública.

De acordo com o aumento da proporção da visibilidade do papel dos municípios e da dimensão local na segurança pública, observam-se especificidades da atuação do crime e suas políticas em cidades de diversos estados brasileiros, nas quais é possível identificar dinâmicas próprias que envolvem a segurança pública.

No Brasil, diversos municípios podem aparentar um ambiente agradável, com boa qualidade de vida e boas referências em saúde e educação, ao mesmo tempo que apresentam dificuldades quando o assunto é o crime, a criminalidade e a prestação de serviços de segurança. Essas cidades, ademais, estão se tornando áreas de interesse para a disseminação da segurança privada e de condomínios fechados, mostrando, assim, que a segurança é um dos problemas crucias que afligem as comunidades locais.

Atualmente, no Brasil, a divisão de responsabilidades administrativas entre os entes da federação atribui aos estados a responsabilidade pela provisão de segurança pública. Entretanto, em meio ao cenário de insegurança em praticamente todos os estados, nota-se um envolvimento cada vez maior dos municípios em questões relacionadas à segurança pública.

A criminalidade está estreitamente relacionada com as condições socioeconômicas da localidade. Obviamente, se todos vivessem de renda e pudessem adquirir o que desejassem, crimes motivados por ganhos econômicos não existiriam. Na realidade, no entanto, os desejos superam os recursos. E sempre que a atividade criminosa constituir um caminho mais fácil para alcançar tais desejos haverá incentivos para o engajamento nessa atividade. Nesse sentido, a renda, o emprego e o crescimento econômico têm sido apontados como potenciais fatores que reduzem os incentivos à criminalidade (aumentando o custo de oportunidade do crime).

Adaptado. Disponível em https://bit.ly/3jRNBvN, com informações adicionais de https://bit.ly/2GL2UYT. Acesso em agosto de 2020. 
Leia o texto 'Políticas locais de segurança' e, em seguida, analise as afirmativas a seguir:

I. O texto leva o leitor a entender que a criminalidade está estreitamente relacionada com as condições socioeconômicas da localidade. Assim, opina o texto, se todos vivessem de renda e pudessem adquirir o que desejassem, crimes motivados por ganhos econômicos não existiriam.

II. O texto leva o leitor a concluir que as políticas de segurança pública são construídas por agentes públicos com ampla formação técnica e que não consideram as particularidades de cada município, estado ou das organizações criminosas que ali atuam.

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Q1683364 Português
Políticas locais de segurança


As políticas de segurança pública são parte integrante dos contextos político, social, econômico e cultural em que são formuladas, apresentadas e implantadas por meio da elaboração de planos nacionais, estaduais e municipais. Na implementação de políticas públicas são realizados projetos e ações através da articulação entre a sociedade civil, os agentes políticos, as instituições públicas e privadas na esfera da segurança pública.

De acordo com o aumento da proporção da visibilidade do papel dos municípios e da dimensão local na segurança pública, observam-se especificidades da atuação do crime e suas políticas em cidades de diversos estados brasileiros, nas quais é possível identificar dinâmicas próprias que envolvem a segurança pública.

No Brasil, diversos municípios podem aparentar um ambiente agradável, com boa qualidade de vida e boas referências em saúde e educação, ao mesmo tempo que apresentam dificuldades quando o assunto é o crime, a criminalidade e a prestação de serviços de segurança. Essas cidades, ademais, estão se tornando áreas de interesse para a disseminação da segurança privada e de condomínios fechados, mostrando, assim, que a segurança é um dos problemas crucias que afligem as comunidades locais.

Atualmente, no Brasil, a divisão de responsabilidades administrativas entre os entes da federação atribui aos estados a responsabilidade pela provisão de segurança pública. Entretanto, em meio ao cenário de insegurança em praticamente todos os estados, nota-se um envolvimento cada vez maior dos municípios em questões relacionadas à segurança pública.

A criminalidade está estreitamente relacionada com as condições socioeconômicas da localidade. Obviamente, se todos vivessem de renda e pudessem adquirir o que desejassem, crimes motivados por ganhos econômicos não existiriam. Na realidade, no entanto, os desejos superam os recursos. E sempre que a atividade criminosa constituir um caminho mais fácil para alcançar tais desejos haverá incentivos para o engajamento nessa atividade. Nesse sentido, a renda, o emprego e o crescimento econômico têm sido apontados como potenciais fatores que reduzem os incentivos à criminalidade (aumentando o custo de oportunidade do crime).

Adaptado. Disponível em https://bit.ly/3jRNBvN, com informações adicionais de https://bit.ly/2GL2UYT. Acesso em agosto de 2020. 
Leia o texto 'Políticas locais de segurança' e, em seguida, analise as afirmativas a seguir:

I. As informações presentes no texto permitem inferir que sempre que a atividade criminosa constituir um caminho mais fácil para alcançar certos desejos haverá incentivos para o engajamento nessa atividade. Nesse sentido, o texto afirma que o crescimento econômico, a renda, e o emprego têm sido apontados como potenciais fatores que reduzem os incentivos à criminalidade (aumentando o custo de oportunidade do crime).

II. As informações presentes no texto permitem concluir que, atualmente, no Brasil, a divisão de responsabilidades administrativas entre os entes da federação atribui aos estados a responsabilidade pela provisão de segurança pública. O texto procura, ainda, transmitir a ideia de que, em meio ao cenário de insegurança em praticamente todos os estados, nota-se um envolvimento cada vez maior dos municípios em questões relacionadas à segurança pública.

Marque a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q1683363 Português
Políticas locais de segurança


As políticas de segurança pública são parte integrante dos contextos político, social, econômico e cultural em que são formuladas, apresentadas e implantadas por meio da elaboração de planos nacionais, estaduais e municipais. Na implementação de políticas públicas são realizados projetos e ações através da articulação entre a sociedade civil, os agentes políticos, as instituições públicas e privadas na esfera da segurança pública.

De acordo com o aumento da proporção da visibilidade do papel dos municípios e da dimensão local na segurança pública, observam-se especificidades da atuação do crime e suas políticas em cidades de diversos estados brasileiros, nas quais é possível identificar dinâmicas próprias que envolvem a segurança pública.

No Brasil, diversos municípios podem aparentar um ambiente agradável, com boa qualidade de vida e boas referências em saúde e educação, ao mesmo tempo que apresentam dificuldades quando o assunto é o crime, a criminalidade e a prestação de serviços de segurança. Essas cidades, ademais, estão se tornando áreas de interesse para a disseminação da segurança privada e de condomínios fechados, mostrando, assim, que a segurança é um dos problemas crucias que afligem as comunidades locais.

Atualmente, no Brasil, a divisão de responsabilidades administrativas entre os entes da federação atribui aos estados a responsabilidade pela provisão de segurança pública. Entretanto, em meio ao cenário de insegurança em praticamente todos os estados, nota-se um envolvimento cada vez maior dos municípios em questões relacionadas à segurança pública.

A criminalidade está estreitamente relacionada com as condições socioeconômicas da localidade. Obviamente, se todos vivessem de renda e pudessem adquirir o que desejassem, crimes motivados por ganhos econômicos não existiriam. Na realidade, no entanto, os desejos superam os recursos. E sempre que a atividade criminosa constituir um caminho mais fácil para alcançar tais desejos haverá incentivos para o engajamento nessa atividade. Nesse sentido, a renda, o emprego e o crescimento econômico têm sido apontados como potenciais fatores que reduzem os incentivos à criminalidade (aumentando o custo de oportunidade do crime).

Adaptado. Disponível em https://bit.ly/3jRNBvN, com informações adicionais de https://bit.ly/2GL2UYT. Acesso em agosto de 2020. 
Leia o texto 'Políticas locais de segurança' e, em seguida, analise as afirmativas a seguir:

I. Após a análise do texto, é possível concluir que a maioria dos municípios brasileiros possuem um ambiente agradável, com boa qualidade de vida e boas referências em saúde e educação, ao mesmo tempo que apresentam dificuldades quando o assunto é a prestação de serviços de segurança.

II. Após a análise do texto, é possível inferir que o aumento do papel dos municípios na gestão dos serviços aos cidadãos e da dimensão local na segurança pública tem ocasionado um aumento na atuação do crime em cidades de diversos estados brasileiros, nas quais é possível identificar organizações criminosas que desafiam a segurança pública.

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Q1683237 Português

Universidade pública paga?


Pesquisa realizada pelo Datafolha mostrou que a maioria da população brasileira quer educação gratuita para todos, da creche à universidade.

Educação deve ser pública e gratuita, da primeira infância ao ensino médio. Por exemplo, uma menina que passar por esse ciclo gerará um retorno social maior que o privado: a produtividade da economia aumenta com trabalhadores qualificados.

Há justificativa moral para a gratuidade: ela confere liberdade às pessoas. No processo educacional, funcionalidades são apropriadas pelos indivíduos, conferindo-lhes a possibilidade de serem livres e agentes, não dependentes e passivos.

No ensino superior, o retorno privado é maior do que o social. Por exemplo, mais médicos e administradores graduados geram ganhos sociais, mas os salários desses profissionais indicam que os ganhos privados são substantivos: não seria razoável oferecer-lhes educação superior gratuita.

Há aspectos morais que justificariam ensino superior pago, mas somente para quem tem condições de fazê-lo. O Brasil é um país consideravelmente desigual. Logo, desiguais deveriam ser tratados desigualmente. E há dois fundamentos filosóficos para tal posição.

O primeiro advém do conceito de progressividade de impostos e gastos públicos. Logo na graduação, economistas aprendem um princípio de justiça: de cada um de acordo com sua capacidade, a cada um de acordo com sua necessidade. O segundo é derivado da visão do filósofo John Ralws: por vezes, é mais justo tratar desiguais de forma desigual.

Logo, seria mais razoável, do ponto de vista econômico e moral, considerar que alunos do ensino superior que possam pagar por este o façam.

(Marcos Fernandes G. da Silva. https://www1.folha.uol.com.br/ opiniao/2020/08/universidade-publica-paga.shtml. 31.08.2020. Adaptado)

Considere o trecho do  parágrafo para responder à questão:
Há aspectos morais que justificariam ensino superior pago, mas somente para quem tem condições de fazê-lo. O Brasil é um país consideravelmente desigual. Logo, desiguais deveriam ser tratados desigualmente.
A ideia segundo a qual “desiguais deveriam ser tratados desigualmente”, defendida nesse parágrafo, é
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Q1683236 Português

Universidade pública paga?

    Pesquisa realizada pelo Datafolha mostrou que a maioria da população brasileira quer educação gratuita para todos, da creche à universidade.
   Educação deve ser pública e gratuita, da primeira infância ao ensino médio. Por exemplo, uma menina que passar por esse ciclo gerará um retorno social maior que o privado: a produtividade da economia aumenta com trabalhadores qualificados.
    Há justificativa moral para a gratuidade: ela confere liberdade às pessoas. No processo educacional, funcionalidades são apropriadas pelos indivíduos, conferindo-lhes a possibilidade de serem livres e agentes, não dependentes e passivos.
   No ensino superior, o retorno privado é maior do que o social. Por exemplo, mais médicos e administradores graduados geram ganhos sociais, mas os salários desses profissionais indicam que os ganhos privados são substantivos: não seria razoável oferecer-lhes educação superior gratuita.
    Há aspectos morais que justificariam ensino superior pago, mas somente para quem tem condições de fazê-lo. O Brasil é um país consideravelmente desigual. Logo, desiguais deveriam ser tratados desigualmente. E há dois fundamentos filosóficos para tal posição.
   O primeiro advém do conceito de progressividade de impostos e gastos públicos. Logo na graduação, economistas aprendem um princípio de justiça: de cada um de acordo com sua capacidade, a cada um de acordo com sua necessidade. O segundo é derivado da visão do filósofo John Ralws: por vezes, é mais justo tratar desiguais de forma desigual.
    Logo, seria mais razoável, do ponto de vista econômico e moral, considerar que alunos do ensino superior que possam pagar por este o façam.

(Marcos Fernandes G. da Silva. https://www1.folha.uol.com.br/ opiniao/2020/08/universidade-publica-paga.shtml. 31.08.2020. Adaptado)
O termo ou expressão a que se refere o pronome destacado está corretamente identificado entre parênteses em:
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Q1683235 Português

Universidade pública paga?

    Pesquisa realizada pelo Datafolha mostrou que a maioria da população brasileira quer educação gratuita para todos, da creche à universidade.
   Educação deve ser pública e gratuita, da primeira infância ao ensino médio. Por exemplo, uma menina que passar por esse ciclo gerará um retorno social maior que o privado: a produtividade da economia aumenta com trabalhadores qualificados.
    Há justificativa moral para a gratuidade: ela confere liberdade às pessoas. No processo educacional, funcionalidades são apropriadas pelos indivíduos, conferindo-lhes a possibilidade de serem livres e agentes, não dependentes e passivos.
   No ensino superior, o retorno privado é maior do que o social. Por exemplo, mais médicos e administradores graduados geram ganhos sociais, mas os salários desses profissionais indicam que os ganhos privados são substantivos: não seria razoável oferecer-lhes educação superior gratuita.
    Há aspectos morais que justificariam ensino superior pago, mas somente para quem tem condições de fazê-lo. O Brasil é um país consideravelmente desigual. Logo, desiguais deveriam ser tratados desigualmente. E há dois fundamentos filosóficos para tal posição.
   O primeiro advém do conceito de progressividade de impostos e gastos públicos. Logo na graduação, economistas aprendem um princípio de justiça: de cada um de acordo com sua capacidade, a cada um de acordo com sua necessidade. O segundo é derivado da visão do filósofo John Ralws: por vezes, é mais justo tratar desiguais de forma desigual.
    Logo, seria mais razoável, do ponto de vista econômico e moral, considerar que alunos do ensino superior que possam pagar por este o façam.

(Marcos Fernandes G. da Silva. https://www1.folha.uol.com.br/ opiniao/2020/08/universidade-publica-paga.shtml. 31.08.2020. Adaptado)
Conforme a opinião do autor, diferentemente das etapas anteriores da educação, o ensino superior
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Q1683234 Português

Universidade pública paga?

    Pesquisa realizada pelo Datafolha mostrou que a maioria da população brasileira quer educação gratuita para todos, da creche à universidade.
   Educação deve ser pública e gratuita, da primeira infância ao ensino médio. Por exemplo, uma menina que passar por esse ciclo gerará um retorno social maior que o privado: a produtividade da economia aumenta com trabalhadores qualificados.
    Há justificativa moral para a gratuidade: ela confere liberdade às pessoas. No processo educacional, funcionalidades são apropriadas pelos indivíduos, conferindo-lhes a possibilidade de serem livres e agentes, não dependentes e passivos.
   No ensino superior, o retorno privado é maior do que o social. Por exemplo, mais médicos e administradores graduados geram ganhos sociais, mas os salários desses profissionais indicam que os ganhos privados são substantivos: não seria razoável oferecer-lhes educação superior gratuita.
    Há aspectos morais que justificariam ensino superior pago, mas somente para quem tem condições de fazê-lo. O Brasil é um país consideravelmente desigual. Logo, desiguais deveriam ser tratados desigualmente. E há dois fundamentos filosóficos para tal posição.
   O primeiro advém do conceito de progressividade de impostos e gastos públicos. Logo na graduação, economistas aprendem um princípio de justiça: de cada um de acordo com sua capacidade, a cada um de acordo com sua necessidade. O segundo é derivado da visão do filósofo John Ralws: por vezes, é mais justo tratar desiguais de forma desigual.
    Logo, seria mais razoável, do ponto de vista econômico e moral, considerar que alunos do ensino superior que possam pagar por este o façam.

(Marcos Fernandes G. da Silva. https://www1.folha.uol.com.br/ opiniao/2020/08/universidade-publica-paga.shtml. 31.08.2020. Adaptado)
Segundo o texto, a educação pública e gratuita até o ensino médio se justifica por tratar-se de um investimento que
Alternativas
Q1682800 Português

    Sou feliz pelos amigos que tenho. Um deles muito sofre pelo meu descuido com o vernáculo. Por alguns anos ele sistematicamente me enviava missivas eruditas com precisas informações sobre as regras da gramática, que eu não respeitava, e sobre a grafia correta dos vocábulos, que eu ignorava. Fi-lo sofrer pelo uso errado que fiz de uma palavra no último Quarto de Badulaques. Acontece que eu, acostumado a conversar com a gente das Minas Gerais, falei em “varreção” — do verbo “varrer”. De fato, tratava-se de um equívoco que, num vestibular, poderia me valer uma reprovação. Pois o meu amigo, paladino da língua portuguesa, se deu ao trabalho de fazer um xerox da página 827 do dicionário. O certo é “varrição”, e não “varreção”. Mas estou com medo de que os mineiros da roça façam troça de mim, porque nunca os ouvi falar de “varrição”. E se eles rirem de mim não vai me adiantar mostrar-lhes o xerox da página do dicionário. Porque para eles não é o dicionário que faz a língua. É o povo. E o povo, lá nas montanhas de Minas Gerais, fala “varreção”, quando não “barreção”. O que me deixa triste sobre esse amigo oculto é que nunca tenha dito nada sobre o que eu escrevo, se é bonito ou se é feio. Toma a minha sopa, não diz nada sobre ela, mas reclama sempre que o prato está rachado.


Rubem Alves. Internet: (com adaptações).


A respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o seguinte item. 

Considerando-se os sentidos do texto, é correto afirmar que, nos dois últimos períodos, o autor faz uma reflexão sobre a dicotomia forma e conteúdo, a partir da opinião de seu amigo sobre seu texto.
Alternativas
Q1682797 Português

    Sou feliz pelos amigos que tenho. Um deles muito sofre pelo meu descuido com o vernáculo. Por alguns anos ele sistematicamente me enviava missivas eruditas com precisas informações sobre as regras da gramática, que eu não respeitava, e sobre a grafia correta dos vocábulos, que eu ignorava. Fi-lo sofrer pelo uso errado que fiz de uma palavra no último Quarto de Badulaques. Acontece que eu, acostumado a conversar com a gente das Minas Gerais, falei em “varreção” — do verbo “varrer”. De fato, tratava-se de um equívoco que, num vestibular, poderia me valer uma reprovação. Pois o meu amigo, paladino da língua portuguesa, se deu ao trabalho de fazer um xerox da página 827 do dicionário. O certo é “varrição”, e não “varreção”. Mas estou com medo de que os mineiros da roça façam troça de mim, porque nunca os ouvi falar de “varrição”. E se eles rirem de mim não vai me adiantar mostrar-lhes o xerox da página do dicionário. Porque para eles não é o dicionário que faz a língua. É o povo. E o povo, lá nas montanhas de Minas Gerais, fala “varreção”, quando não “barreção”. O que me deixa triste sobre esse amigo oculto é que nunca tenha dito nada sobre o que eu escrevo, se é bonito ou se é feio. Toma a minha sopa, não diz nada sobre ela, mas reclama sempre que o prato está rachado.


Rubem Alves. Internet: (com adaptações).


A respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o seguinte item. 

Depreende-se dos sentidos do texto que o vocábulo “vernáculo”, no segundo período do texto, refere-se à variante popular rural da língua portuguesa falada no Brasil.
Alternativas
Q1682795 Português

    Sou feliz pelos amigos que tenho. Um deles muito sofre pelo meu descuido com o vernáculo. Por alguns anos ele sistematicamente me enviava missivas eruditas com precisas informações sobre as regras da gramática, que eu não respeitava, e sobre a grafia correta dos vocábulos, que eu ignorava. Fi-lo sofrer pelo uso errado que fiz de uma palavra no último Quarto de Badulaques. Acontece que eu, acostumado a conversar com a gente das Minas Gerais, falei em “varreção” — do verbo “varrer”. De fato, tratava-se de um equívoco que, num vestibular, poderia me valer uma reprovação. Pois o meu amigo, paladino da língua portuguesa, se deu ao trabalho de fazer um xerox da página 827 do dicionário. O certo é “varrição”, e não “varreção”. Mas estou com medo de que os mineiros da roça façam troça de mim, porque nunca os ouvi falar de “varrição”. E se eles rirem de mim não vai me adiantar mostrar-lhes o xerox da página do dicionário. Porque para eles não é o dicionário que faz a língua. É o povo. E o povo, lá nas montanhas de Minas Gerais, fala “varreção”, quando não “barreção”. O que me deixa triste sobre esse amigo oculto é que nunca tenha dito nada sobre o que eu escrevo, se é bonito ou se é feio. Toma a minha sopa, não diz nada sobre ela, mas reclama sempre que o prato está rachado.


Rubem Alves. Internet: (com adaptações).


A respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o seguinte item. 

O texto contrapõe duas formas distintas de entender o uso da língua portuguesa: a do “amigo oculto”, que preza pelas regras de gramática e de grafia; e a do autor, que preza pelas formas da linguagem popular.
Alternativas
Q1682794 Português

    Desde pequeno, tive tendência para personificar as coisas. Tia Tula, que achava que mormaço fazia mal, sempre gritava: “Vem pra dentro, menino, olha o mormaço!” Mas eu ouvia o mormaço com M maiúsculo. Mormaço, para mim, era um velho que pegava crianças! Ia pra dentro logo. E ainda hoje, quando leio que alguém se viu perseguido pelo clamor público, vejo com estes olhos o Sr. Clamor Público, magro, arquejante, de preto, brandindo um guarda-chuva, com um gogó protuberante que se abaixa e levanta no excitamento da perseguição. E já estava devidamente grandezinho, pois devia contar uns trinta anos, quando me fui, com um grupo de colegas, a ver o lançamento da pedra fundamental da ponte Uruguaiana-Libres, ocasião de grandes solenidades, com os presidentes Justo e Getúlio, e gente muita, tanto assim que fomos alojados os do meu grupo num casarão que creio fosse a Prefeitura, com os demais jornalistas do Brasil e Argentina. Era como um alojamento de quartel, com breve espaço entre as camas e todas as portas e janelas abertas, tudo com os alegres incômodos e duvidosos encantos de uma coletividade democrática. Pois lá pelas tantas da noite, como eu pressentisse, em meu entredormir, um vulto junto à minha cama, sentei-me estremunhado e olhei atônito para um tipo de chiru, ali parado, de bigodes caídos, pala pendente e chapéu descido sobre os olhos. Diante da minha muda interrogação, ele resolveu explicar-se, com a devida calma:

— Pois é! Não vê que eu sou o sereno...

Mário Quintana. In: As cem melhores crônicas brasileiras. São Paulo: Objetiva, 2007.

No que se refere aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o próximo item. 
Infere-se do trecho “Mas eu ouvia o mormaço com M maiúsculo” que, quando era criança, o autor do texto desconhecia o significado da palavra “mormaço”, já que imaginava tratar-se de uma pessoa.
Alternativas
Q1682790 Português

    Desde pequeno, tive tendência para personificar as coisas. Tia Tula, que achava que mormaço fazia mal, sempre gritava: “Vem pra dentro, menino, olha o mormaço!” Mas eu ouvia o mormaço com M maiúsculo. Mormaço, para mim, era um velho que pegava crianças! Ia pra dentro logo. E ainda hoje, quando leio que alguém se viu perseguido pelo clamor público, vejo com estes olhos o Sr. Clamor Público, magro, arquejante, de preto, brandindo um guarda-chuva, com um gogó protuberante que se abaixa e levanta no excitamento da perseguição. E já estava devidamente grandezinho, pois devia contar uns trinta anos, quando me fui, com um grupo de colegas, a ver o lançamento da pedra fundamental da ponte Uruguaiana-Libres, ocasião de grandes solenidades, com os presidentes Justo e Getúlio, e gente muita, tanto assim que fomos alojados os do meu grupo num casarão que creio fosse a Prefeitura, com os demais jornalistas do Brasil e Argentina. Era como um alojamento de quartel, com breve espaço entre as camas e todas as portas e janelas abertas, tudo com os alegres incômodos e duvidosos encantos de uma coletividade democrática. Pois lá pelas tantas da noite, como eu pressentisse, em meu entredormir, um vulto junto à minha cama, sentei-me estremunhado e olhei atônito para um tipo de chiru, ali parado, de bigodes caídos, pala pendente e chapéu descido sobre os olhos. Diante da minha muda interrogação, ele resolveu explicar-se, com a devida calma:

— Pois é! Não vê que eu sou o sereno...

Mário Quintana. In: As cem melhores crônicas brasileiras. São Paulo: Objetiva, 2007.

No que se refere aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o próximo item. 
No texto, a letra maiúscula é empregada em todos os substantivos que nomeiam aquilo que o autor personificava, seja quando criança, seja já adulto, para indicar tratar-se de nome próprio.
Alternativas
Q1682789 Português

    Desde pequeno, tive tendência para personificar as coisas. Tia Tula, que achava que mormaço fazia mal, sempre gritava: “Vem pra dentro, menino, olha o mormaço!” Mas eu ouvia o mormaço com M maiúsculo. Mormaço, para mim, era um velho que pegava crianças! Ia pra dentro logo. E ainda hoje, quando leio que alguém se viu perseguido pelo clamor público, vejo com estes olhos o Sr. Clamor Público, magro, arquejante, de preto, brandindo um guarda-chuva, com um gogó protuberante que se abaixa e levanta no excitamento da perseguição. E já estava devidamente grandezinho, pois devia contar uns trinta anos, quando me fui, com um grupo de colegas, a ver o lançamento da pedra fundamental da ponte Uruguaiana-Libres, ocasião de grandes solenidades, com os presidentes Justo e Getúlio, e gente muita, tanto assim que fomos alojados os do meu grupo num casarão que creio fosse a Prefeitura, com os demais jornalistas do Brasil e Argentina. Era como um alojamento de quartel, com breve espaço entre as camas e todas as portas e janelas abertas, tudo com os alegres incômodos e duvidosos encantos de uma coletividade democrática. Pois lá pelas tantas da noite, como eu pressentisse, em meu entredormir, um vulto junto à minha cama, sentei-me estremunhado e olhei atônito para um tipo de chiru, ali parado, de bigodes caídos, pala pendente e chapéu descido sobre os olhos. Diante da minha muda interrogação, ele resolveu explicar-se, com a devida calma:

— Pois é! Não vê que eu sou o sereno...

Mário Quintana. In: As cem melhores crônicas brasileiras. São Paulo: Objetiva, 2007.

No que se refere aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o próximo item. 
No trecho “E já estava devidamente grandezinho, pois devia contar uns trinta anos”, há um efeito surpresa decorrente da explicação oferecida pelo autor ao que ele considera “devidamente grandezinho”.
Alternativas
Q1682786 Português
    A diferenciação entre zonas centrais e regiões marginais — centros e periferias — encontra-se hoje em várias ordens de grandeza em comunidades, distritos, países e grupos inteiros de países. Numa cidade, a atividade comercial concentra-se geralmente numa zona determinada; em cada país há regiões nas quais se concentra mais fortemente a atividade econômica, do que em outras.

    A diferença entre regiões centrais e regiões periféricas está baseada em uma multiplicidade de contrastes — geográficos, econômicos e sociais — que, em toda a sua diversidade, também apresentam, em seu contexto, elementos comuns essenciais.

     Os centros são primariamente grandes cidades ou cidades de dimensão média, sendo periferias as zonas de economia rural. As aldeias constituem centros menores na periferia.

     Diante das periferias, os centros são, sob alguns aspectos, privilegiados. Sob perspectiva geométrica, a soma das distâncias entre o ponto central e quaisquer pontos do interior é menor do que entre um ponto da periferia (qualquer que seja esse ponto) e qualquer ponto no interior. Em torno de uma grande cidade (de uma megalópole), encontram-se as maiores artérias de circulação ordenadas de forma radial e não em círculos concêntricos. As vias de uma periferia à outra conduzem, por isso, com frequência através do centro — também quando isso exige maiores desvios.

     Para cada tipo de troca (como trânsito, comércio, turismo, transmissão de conhecimentos), os centros oferecem especiais vantagens. Eles dispõem de uma infraestrutura mais rica do que as regiões marginais, e os contatos sociais são mais densos. Hospitais, universidades, institutos de pesquisa, instituições culturais, museus, teatros, salas de concerto etc. encontram-se predominante ou exclusivamente em centros. As possibilidades de formação são mais diversificadas e de melhor qualidade. Mercados de centro se destacam por ofertas mais ricas do que os mercados das periferias. O nível de vida é mais alto, os salários são mais altos, mas também os custos de manutenção da vida são mais altos.

     Nos centros, com relação à vida social, vigora uma cultura pluralista, as pessoas são mais individualistas, mas também mais flexíveis do que nas periferias. No interior a cultura é mais fortemente presa à tradição, a mobilidade social é menor, a vida decorre mais calma e vagarosamente, e as pessoas se movimentam menos apressadamente. Quanto às atitudes mentais e intelectuais, elas também são, em geral, menos ágeis e, com frequência, mais conservadoras.

Thomas Kelssering. Dentro e fora. Centro e periferia. In: Ética, política e desenvolvimento humano: a justiça na era da globalização. Trad. Benno Dischinger. Caxias do Sul, RS: Educs, 2007, p. 171-2.

Julgue o item subsequente, relativo às ideias e às construções linguísticas do texto precedente. 
De acordo com as ideias do texto, as distâncias a serem percorridas entre as periferias são menores que as distâncias a serem percorridas entre as periferias e os centros.
Alternativas
Q1682782 Português
    A diferenciação entre zonas centrais e regiões marginais — centros e periferias — encontra-se hoje em várias ordens de grandeza em comunidades, distritos, países e grupos inteiros de países. Numa cidade, a atividade comercial concentra-se geralmente numa zona determinada; em cada país há regiões nas quais se concentra mais fortemente a atividade econômica, do que em outras.

    A diferença entre regiões centrais e regiões periféricas está baseada em uma multiplicidade de contrastes — geográficos, econômicos e sociais — que, em toda a sua diversidade, também apresentam, em seu contexto, elementos comuns essenciais.

     Os centros são primariamente grandes cidades ou cidades de dimensão média, sendo periferias as zonas de economia rural. As aldeias constituem centros menores na periferia.

     Diante das periferias, os centros são, sob alguns aspectos, privilegiados. Sob perspectiva geométrica, a soma das distâncias entre o ponto central e quaisquer pontos do interior é menor do que entre um ponto da periferia (qualquer que seja esse ponto) e qualquer ponto no interior. Em torno de uma grande cidade (de uma megalópole), encontram-se as maiores artérias de circulação ordenadas de forma radial e não em círculos concêntricos. As vias de uma periferia à outra conduzem, por isso, com frequência através do centro — também quando isso exige maiores desvios.

     Para cada tipo de troca (como trânsito, comércio, turismo, transmissão de conhecimentos), os centros oferecem especiais vantagens. Eles dispõem de uma infraestrutura mais rica do que as regiões marginais, e os contatos sociais são mais densos. Hospitais, universidades, institutos de pesquisa, instituições culturais, museus, teatros, salas de concerto etc. encontram-se predominante ou exclusivamente em centros. As possibilidades de formação são mais diversificadas e de melhor qualidade. Mercados de centro se destacam por ofertas mais ricas do que os mercados das periferias. O nível de vida é mais alto, os salários são mais altos, mas também os custos de manutenção da vida são mais altos.

     Nos centros, com relação à vida social, vigora uma cultura pluralista, as pessoas são mais individualistas, mas também mais flexíveis do que nas periferias. No interior a cultura é mais fortemente presa à tradição, a mobilidade social é menor, a vida decorre mais calma e vagarosamente, e as pessoas se movimentam menos apressadamente. Quanto às atitudes mentais e intelectuais, elas também são, em geral, menos ágeis e, com frequência, mais conservadoras.

Thomas Kelssering. Dentro e fora. Centro e periferia. In: Ética, política e desenvolvimento humano: a justiça na era da globalização. Trad. Benno Dischinger. Caxias do Sul, RS: Educs, 2007, p. 171-2.

Julgue o item subsequente, relativo às ideias e às construções linguísticas do texto precedente. 
Uma estrutura de centro e periferia surge, com frequência, por razões e fatores bem diversos, conforme o texto.
Alternativas
Respostas
18481: A
18482: B
18483: C
18484: C
18485: B
18486: B
18487: A
18488: D
18489: E
18490: B
18491: E
18492: B
18493: C
18494: E
18495: C
18496: C
18497: E
18498: C
18499: E
18500: C