Questões de Concurso Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q1738588 Português

Após a leitura do enunciado apresentado a seguir, leia as assertivas: 


Mergulhei numa comprida manhã de inverno. O açude apojado, a roça verde, amarela e vermelha, os caminhos estreitos mudados em riachos, ficaram-me na alma. Depois veio a seca. Árvores pelaram-se, bichos morreram, o sol cresceu, bebeu as águas, e ventos mornos espalharam na terra queimada uma poeira cinzenta. Olhando-me por dentro, percebo com desgosto a segunda paisagem. Devastação, calcinação. 

Naquele tempo a escuridão se ia dissipando, vagarosa. Acordei, reuni pedaços de pessoas e de coisas, pedaços de mim mesmo que boiavam no passado confuso, articulei tudo, criei o meu pequeno mundo incongruente. Às vezes as peças se descolocavam — e surgiam estranhas mudanças. Os objetos se tornavam irreconhecíveis, e a humanidade, feita de indivíduos que me atormentavam e indivíduos que não me atormentavam, perdia os característicos. 

(Guimarães Rosa. “Infância”. 17ª ed. 1981, p.19-20.)


I. Os elementos da narrativa indicam que se trata de um texto autobiográfico, conferindo-lhe um teor memorialístico.

II. O trecho reuni pedaços de pessoas e de coisas, pedaços de mim mesmo que boiavam no passado confuso apresenta vocábulos que expressam sentido conotativo.

III. No primeiro parágrafo, há destaque para a caracterização da natureza do sertão. 


A sequência correta é:

Alternativas
Q1738553 Português

Leia o texto abaixo:  


Na mesma velocidade em que as soluções financeiras avançam também surgem ameaças sofisticadas que visam roubar não só o dinheiro como também os dados pessoais dos usuários. E com o PIX não é diferente. Desde que começaram a ser feitos os cadastros das chaves, no último dia 5 de outubro, logo nas primeiras horas, especialistas em segurança da Kaspersky identificaram o registro de 30 domínios fraudulentos com o termo “pix” para captura de dados. Agora já são mais de 100. O rápido interesse dos cibercriminosos não surpreendeu o especialista sênior de segurança da Kaspersky no Brasil, Fabio Assolini. “Quando o governo federal anunciou o cadastro do auxílio emergencial, no dia 3 de abril, até o dia 8 já tínhamos identificamos 100 domínios falsos”, diz. O registro de um domínio é o primeiro estágio de um golpe. 

(Anna França. Revista IstoÉ. “Os riscos da nova tecnologia”. Adaptado. 30 de outubro de 2020. Edição nº 2651.)  


Com base nas ideias do texto, pode-se afirmar que: 

Alternativas
Q1737962 Português

Um ambiente ideal para fazer as refeições é sem dúvida aquele harmônico e tranquilo. O prazer de se sentar à mesa e desfrutar esse momento com a família é tão importante quanto o valor nutricional que a refeição contempla. O estresse gera a liberação de determinados hormônios que em nada ajudam na absorção e assimilação dos nutrientes ingeridos. Alguns estudos mostram que o estresse está diretamente relacionado a riscos cardíacos, dificuldade de concentração, baixa na resistência do organismo, propiciando o aparecimento de outras doenças como asma, alergia e algumas doenças gastrointestinais. Portanto, se você está começando a introdução alimentar do seu bebê, procure ajuda, informação e orientação para não entrar no estresse e acabar desandando o que pode ser uma experiência deliciosa.


(Gabriela Kapim. “O estresse e suas consequências durante a introdução alimentar”. Adaptado. Revista Isto É. 2021). 

A frase do texto que apresenta um elemento de afirmação entre os seus elementos textuais é:
Alternativas
Q1737960 Português
Leia o texto abaixo:
De maneira que o trigo que caiu na boa terra, nasceu e frutificou; o trigo que caiu na terra, não frutificou, mas nasceu; porque a palavra de Deus é tão funda, que nos bons faz muito fruto e é tão eficaz que nos maus ainda que não faça fruto, faz efeito; lançada nos espinhos, não frutificou, mas nasceu até nos espinhos; lançada nas pedras, não frutificou, mas nasceu até nas pedras.
(Pe. Antônio Vieira. “Sermão da Sexagésima”. Pregado na Capela Real, no ano de 1655).
Considerando os termos sublinhados no texto, pode-se afirmar que a construção de sentidos perpassa pelo emprego de: 
Alternativas
Q1737957 Português
O desenho dos espaços, sejam eles físicos ou virtuais, afetam diretamente como as pessoas interagem dentro dele. Assim como nos comportamos de maneiras distintas em um estádio de futebol e numa biblioteca, também mudamos nossa postura do LinkedIn para o WhatsApp. São nos espaços públicos como parques, bibliotecas e praças que pessoas das mais variadas tribos se encontram, reconhecem as desigualdades e criam um senso de pertencimento e identidade. Eles são parte fundamental para o funcionamento de sociedades plurais. E o que as redes sociais podem aprender com espaços públicos físicos? Essa é a pergunta que a organização não governamental Civic Signal se propôs a responder. O objetivo da ONG é não só fornecer subsídios para que engenheiros, designers e empresas de tecnologia formem ambientes digitais mais inclusivos, como também estabelecer critérios objetivos para avaliar o quão amigáveis as plataformas já existentes são.

(Clara Becker. “Como construir espaços digitais públicos mais saudáveis?”. Adaptado. Jornal El País. 2021). 
No trecho O objetivo da ONG é não só fornecer subsídios para que engenheiros, designers e empresas de tecnologia formem ambientes digitais mais inclusivos, como também estabelecer critérios objetivos para avaliar o quão amigáveis as plataformas já existentes são, os termos sublinhados expressam uma relação de:
Alternativas
Q1737956 Português
O desenho dos espaços, sejam eles físicos ou virtuais, afetam diretamente como as pessoas interagem dentro dele. Assim como nos comportamos de maneiras distintas em um estádio de futebol e numa biblioteca, também mudamos nossa postura do LinkedIn para o WhatsApp. São nos espaços públicos como parques, bibliotecas e praças que pessoas das mais variadas tribos se encontram, reconhecem as desigualdades e criam um senso de pertencimento e identidade. Eles são parte fundamental para o funcionamento de sociedades plurais. E o que as redes sociais podem aprender com espaços públicos físicos? Essa é a pergunta que a organização não governamental Civic Signal se propôs a responder. O objetivo da ONG é não só fornecer subsídios para que engenheiros, designers e empresas de tecnologia formem ambientes digitais mais inclusivos, como também estabelecer critérios objetivos para avaliar o quão amigáveis as plataformas já existentes são.

(Clara Becker. “Como construir espaços digitais públicos mais saudáveis?”. Adaptado. Jornal El País. 2021). 
Conforme o texto:
I. A postura das pessoas não muda entre uma rede social e outra. II. O desenho dos espaços públicos não afeta a interação das pessoas. III. Nos espaços públicos as pessoas criam um senso de pertencimento e de identidade.
Pode-se afirmar que:
Alternativas
Q1737954 Português
O desenho dos espaços, sejam eles físicos ou virtuais, afetam diretamente como as pessoas interagem dentro dele. Assim como nos comportamos de maneiras distintas em um estádio de futebol e numa biblioteca, também mudamos nossa postura do LinkedIn para o WhatsApp. São nos espaços públicos como parques, bibliotecas e praças que pessoas das mais variadas tribos se encontram, reconhecem as desigualdades e criam um senso de pertencimento e identidade. Eles são parte fundamental para o funcionamento de sociedades plurais. E o que as redes sociais podem aprender com espaços públicos físicos? Essa é a pergunta que a organização não governamental Civic Signal se propôs a responder. O objetivo da ONG é não só fornecer subsídios para que engenheiros, designers e empresas de tecnologia formem ambientes digitais mais inclusivos, como também estabelecer critérios objetivos para avaliar o quão amigáveis as plataformas já existentes são.

(Clara Becker. “Como construir espaços digitais públicos mais saudáveis?”. Adaptado. Jornal El País. 2021). 
A alternativa que melhor exprime as ideias do texto é:
Alternativas
Q1737931 Português
Um ambiente ideal para fazer as refeições é sem dúvida aquele harmônico e tranquilo. O prazer de se sentar à mesa e desfrutar esse momento com a família é tão importante quanto o valor nutricional que a refeição contempla. O estresse gera a liberação de determinados hormônios que em nada ajudam na absorção e assimilação dos nutrientes ingeridos. Alguns estudos mostram que o estresse está diretamente relacionado a riscos cardíacos, dificuldade de concentração, baixa na resistência do organismo, propiciando o aparecimento de outras doenças como asma, alergia e algumas doenças gastrointestinais. Portanto, se você está começando a introdução alimentar do seu bebê, procure ajuda, informação e orientação para não entrar no estresse e acabar desandando o que pode ser uma experiência deliciosa.

(Gabriela Kapim. “O estresse e suas consequências durante a introdução alimentar”. Adaptado. Revista Isto É. 2021). 
Com base nas ideias do texto e na posição que a autora assume, leia as assertivas:
I. A tese que a autora defende pode ser identificada na primeira frase do texto. II. Não há, no texto, nenhum argumento convincente que reforce a tese defendida pela autora. III. Na última frase do texto, a autora utiliza um tom de diálogo com o seu interlocutor.
Pode-se afirmar que:
Alternativas
Q1737923 Português
Leia os versos a seguir e analise as assertivas:
Sertão, argúem te cantô, Eu sempre tenho cantado E ainda cantando tô, Pruquê, meu torrão amado, Munto te prezo, te quero E vejo qui os teus mistéro Ninguém sabe decifrá. A tua beleza é tanta, Qui o poeta canta, canta, E inda fica o qui cantá. (Patativa do Assaré. “Eu e o Sertão”).
I. Com base na linguagem utilizada no poema, o eu lírico se apresenta como falante de uma variedade linguística específica de determinada região brasileira. II. O registro dos termos arguém, Pruquê e decifrá representam e caracterizam a pronúncia do sertanejo e do nordestino. III. O emprego de uma linguagem simples e específica permite uma maior identificação do povo sertanejo com o texto e com a obra do autor.
Pode-se afirmar que:
Alternativas
Q1737478 Português
Texto 1A2-II

    Quando a covid-19 começou a se espalhar pelo Brasil em março de 2020 e exigiu a adoção de medidas mais restritivas, especialistas em saúde mental passaram a usar o termo “quarta onda” para se referir à avalanche de novos casos de depressão, ansiedade e outros transtornos psiquiátricos que viriam pela frente.
    Mas, contrariando todas as expectativas, os primeiros 12 meses pandêmicos não resultaram em mais diagnósticos dessas doenças: estudos publicados em março de 2021 indicam que os números de indivíduos acometidos tiveram até uma ligeira subida no início da crise, mas depois eles se mantiveram estáveis dali em diante.
     Outros achados recentes também apontam que políticas mais extremas como o lockdown, adotadas em vários países e tão necessárias para achatar as curvas de contágio e evitar o colapso dos sistemas de saúde, não resultaram numa piora do bem-estar nem no aumento dos casos de suicídio.
    O que as pesquisas mais recentes nos apontam é que, ao menos em 2020, aquela “quarta onda” de transtornos mentais que era prevista pelos especialistas não aconteceu na prática graças à resiliência do ser humano e a despeito de uma piora na qualidade de vida e de um esperado aumento de sentimentos como tristeza, frustração, raiva e nervosismo.
     Em todo caso, é preciso destacar que alguns grupos foram mais atingidos que outros, como é o caso dos profissionais da saúde e das mulheres, que precisaram lidar com a sobrecarga de trabalho.

Internet: <uol.com.br>  (com adaptações).  
De acordo com o texto 1A2-II, as mulheres e os profissionais de saúde
Alternativas
Q1737477 Português
Texto 1A2-II

    Quando a covid-19 começou a se espalhar pelo Brasil em março de 2020 e exigiu a adoção de medidas mais restritivas, especialistas em saúde mental passaram a usar o termo “quarta onda” para se referir à avalanche de novos casos de depressão, ansiedade e outros transtornos psiquiátricos que viriam pela frente.
    Mas, contrariando todas as expectativas, os primeiros 12 meses pandêmicos não resultaram em mais diagnósticos dessas doenças: estudos publicados em março de 2021 indicam que os números de indivíduos acometidos tiveram até uma ligeira subida no início da crise, mas depois eles se mantiveram estáveis dali em diante.
     Outros achados recentes também apontam que políticas mais extremas como o lockdown, adotadas em vários países e tão necessárias para achatar as curvas de contágio e evitar o colapso dos sistemas de saúde, não resultaram numa piora do bem-estar nem no aumento dos casos de suicídio.
    O que as pesquisas mais recentes nos apontam é que, ao menos em 2020, aquela “quarta onda” de transtornos mentais que era prevista pelos especialistas não aconteceu na prática graças à resiliência do ser humano e a despeito de uma piora na qualidade de vida e de um esperado aumento de sentimentos como tristeza, frustração, raiva e nervosismo.
     Em todo caso, é preciso destacar que alguns grupos foram mais atingidos que outros, como é o caso dos profissionais da saúde e das mulheres, que precisaram lidar com a sobrecarga de trabalho.

Internet: <uol.com.br>  (com adaptações).  
Segundo o texto 1A2-II, a ‘quarta onda’ refere-se
Alternativas
Q1737473 Português
Texto 1A2-I

    A revista The Lancet publicou no dia 14 de julho de 2020 um artigo em que apresenta novas projeções para a população mundial e para os diversos países. Os pesquisadores do Instituto de Métricas e Avaliação de Saúde da Universidade de Washington (IHME, na sigla em inglês) sugerem números para a população humana do planeta em 2100 que são menores do que o cenário médio apresentado em 2019 pela Divisão de População da ONU (que é a referência maior nesta área de projeções demográficas).
    Segundo o artigo, o maior nível educacional das mulheres e o maior acesso aos métodos contraceptivos acelerarão a redução das taxas de fecundidade, gerando um crescimento demográfico global mais lento.
    Se este cenário acontecer de fato, será um motivo de comemoração, pois a redução do ritmo de crescimento demográfico não aconteceria pelo lado da mortalidade, mas sim pelo lado da natalidade e, principalmente, em decorrência do empoderamento das mulheres, da universalização dos direitos sexuais e reprodutivos e do aumento do bem-estar geral dos cidadãos e das cidadãs da comunidade internacional.
    De modo geral, a imprensa tratou as novas projeções como uma grande novidade, dizendo que a população mundial não ultrapassará 10 bilhões de pessoas até o final do século e que, no caso do Brasil, a população apresentará uma queda de 50 milhões de pessoas na segunda metade do corrente século.
     Na verdade, isto não é totalmente novidade, pois a possibilidade de uma população bem abaixo de 10 bilhões de pessoas já era prevista. Diante das incertezas, normalmente, elaboram-se cenários para o futuro com amplo leque de variação. A Divisão de População da ONU, por exemplo, tem vários números para o montante de habitantes em 2100, que variam entre 7 bilhões e 16 bilhões.

Internet:<ecodebate.com.br>  (com adaptações). 
De acordo com o texto 1A2-I, o possível crescimento demográfico global mais lento representaria
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Q1737466 Português
Texto 1A1-I

    Estou escrevendo um livro sobre a guerra...
    Eu, que nunca gostei de ler livros de guerra, ainda que, durante minha infância e juventude, essa fosse a leitura preferida de todo mundo. De todo mundo da minha idade. E isso não surpreende — éramos filhos da Vitória. Filhos dos vencedores.
    Em nossa família, meu avô, pai da minha mãe, morreu no front; minha avó, mãe do meu pai, morreu de tifo; de seus três filhos, dois serviram no Exército e desapareceram nos primeiros meses da guerra, só um voltou. Meu pai.
     Não sabíamos como era o mundo sem guerra, o mundo da guerra era o único que conhecíamos, e as pessoas da guerra eram as únicas que conhecíamos. Até agora não conheço outro mundo, outras pessoas. Por acaso existiram em algum momento?
     A vila de minha infância depois da guerra era feminina. Das mulheres. Não me lembro de vozes masculinas. Tanto que isso ficou comigo: quem conta a guerra são as mulheres. Choram. Cantam enquanto choram.
     Na biblioteca da escola, metade dos livros era sobre a guerra. Tanto na biblioteca rural quanto na do distrito, onde meu pai sempre ia pegar livros. Agora, tenho uma resposta, um porquê. Como ia ser por acaso? Estávamos o tempo todo em guerra ou nos preparando para ela. E rememorando como combatíamos. Nunca tínhamos vivido de outra forma, talvez nem saibamos como fazer isso. Não imaginamos outro modo de viver, teremos que passar um tempo aprendendo.
     Por muito tempo fui uma pessoa dos livros: a realidade me assustava e atraía. Desse desconhecimento da vida surgiu uma coragem. Agora penso: se eu fosse uma pessoa mais ligada à realidade, teria sido capaz de me lançar nesse abismo? De onde veio tudo isso: do desconhecimento? Ou foi uma intuição do caminho? Pois a intuição do caminho existe...
     Passei muito tempo procurando... Com que palavras seria possível transmitir o que escuto? Procurava um gênero que respondesse à forma como vejo o mundo, como se estruturam meus olhos, meus ouvidos.
     Uma vez, veio parar em minhas mãos o livro Eu venho de uma vila em chamas. Tinha uma forma incomum: um romance constituído a partir de vozes da própria vida, do que eu escutara na infância, do que agora se escuta na rua, em casa, no café. É isso! O círculo se fechou. Achei o que estava procurando. O que estava pressentindo.

Svetlana Aleksiévitch. A guerra não tem rosto de mulher.
Companhia das Letras, 2016, p. 9-11 (com adaptações).  
No trecho “Tanto na biblioteca rural quanto na do distrito, onde meu pai sempre ia pegar livros” (sexto parágrafo do texto 1A1-I), o pronome “onde” se refere à
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Q1737464 Português
Texto 1A1-I

    Estou escrevendo um livro sobre a guerra...
    Eu, que nunca gostei de ler livros de guerra, ainda que, durante minha infância e juventude, essa fosse a leitura preferida de todo mundo. De todo mundo da minha idade. E isso não surpreende — éramos filhos da Vitória. Filhos dos vencedores.
    Em nossa família, meu avô, pai da minha mãe, morreu no front; minha avó, mãe do meu pai, morreu de tifo; de seus três filhos, dois serviram no Exército e desapareceram nos primeiros meses da guerra, só um voltou. Meu pai.
     Não sabíamos como era o mundo sem guerra, o mundo da guerra era o único que conhecíamos, e as pessoas da guerra eram as únicas que conhecíamos. Até agora não conheço outro mundo, outras pessoas. Por acaso existiram em algum momento?
     A vila de minha infância depois da guerra era feminina. Das mulheres. Não me lembro de vozes masculinas. Tanto que isso ficou comigo: quem conta a guerra são as mulheres. Choram. Cantam enquanto choram.
     Na biblioteca da escola, metade dos livros era sobre a guerra. Tanto na biblioteca rural quanto na do distrito, onde meu pai sempre ia pegar livros. Agora, tenho uma resposta, um porquê. Como ia ser por acaso? Estávamos o tempo todo em guerra ou nos preparando para ela. E rememorando como combatíamos. Nunca tínhamos vivido de outra forma, talvez nem saibamos como fazer isso. Não imaginamos outro modo de viver, teremos que passar um tempo aprendendo.
     Por muito tempo fui uma pessoa dos livros: a realidade me assustava e atraía. Desse desconhecimento da vida surgiu uma coragem. Agora penso: se eu fosse uma pessoa mais ligada à realidade, teria sido capaz de me lançar nesse abismo? De onde veio tudo isso: do desconhecimento? Ou foi uma intuição do caminho? Pois a intuição do caminho existe...
     Passei muito tempo procurando... Com que palavras seria possível transmitir o que escuto? Procurava um gênero que respondesse à forma como vejo o mundo, como se estruturam meus olhos, meus ouvidos.
     Uma vez, veio parar em minhas mãos o livro Eu venho de uma vila em chamas. Tinha uma forma incomum: um romance constituído a partir de vozes da própria vida, do que eu escutara na infância, do que agora se escuta na rua, em casa, no café. É isso! O círculo se fechou. Achei o que estava procurando. O que estava pressentindo.

Svetlana Aleksiévitch. A guerra não tem rosto de mulher.
Companhia das Letras, 2016, p. 9-11 (com adaptações).  
Infere-se do texto 1A1-I que
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Q1737463 Português
Texto 1A1-I

    Estou escrevendo um livro sobre a guerra...
    Eu, que nunca gostei de ler livros de guerra, ainda que, durante minha infância e juventude, essa fosse a leitura preferida de todo mundo. De todo mundo da minha idade. E isso não surpreende — éramos filhos da Vitória. Filhos dos vencedores.
    Em nossa família, meu avô, pai da minha mãe, morreu no front; minha avó, mãe do meu pai, morreu de tifo; de seus três filhos, dois serviram no Exército e desapareceram nos primeiros meses da guerra, só um voltou. Meu pai.
     Não sabíamos como era o mundo sem guerra, o mundo da guerra era o único que conhecíamos, e as pessoas da guerra eram as únicas que conhecíamos. Até agora não conheço outro mundo, outras pessoas. Por acaso existiram em algum momento?
     A vila de minha infância depois da guerra era feminina. Das mulheres. Não me lembro de vozes masculinas. Tanto que isso ficou comigo: quem conta a guerra são as mulheres. Choram. Cantam enquanto choram.
     Na biblioteca da escola, metade dos livros era sobre a guerra. Tanto na biblioteca rural quanto na do distrito, onde meu pai sempre ia pegar livros. Agora, tenho uma resposta, um porquê. Como ia ser por acaso? Estávamos o tempo todo em guerra ou nos preparando para ela. E rememorando como combatíamos. Nunca tínhamos vivido de outra forma, talvez nem saibamos como fazer isso. Não imaginamos outro modo de viver, teremos que passar um tempo aprendendo.
     Por muito tempo fui uma pessoa dos livros: a realidade me assustava e atraía. Desse desconhecimento da vida surgiu uma coragem. Agora penso: se eu fosse uma pessoa mais ligada à realidade, teria sido capaz de me lançar nesse abismo? De onde veio tudo isso: do desconhecimento? Ou foi uma intuição do caminho? Pois a intuição do caminho existe...
     Passei muito tempo procurando... Com que palavras seria possível transmitir o que escuto? Procurava um gênero que respondesse à forma como vejo o mundo, como se estruturam meus olhos, meus ouvidos.
     Uma vez, veio parar em minhas mãos o livro Eu venho de uma vila em chamas. Tinha uma forma incomum: um romance constituído a partir de vozes da própria vida, do que eu escutara na infância, do que agora se escuta na rua, em casa, no café. É isso! O círculo se fechou. Achei o que estava procurando. O que estava pressentindo.

Svetlana Aleksiévitch. A guerra não tem rosto de mulher.
Companhia das Letras, 2016, p. 9-11 (com adaptações).  
Depreende-se do texto 1A1-I que um dos motivos que levou à escrita desse livro foi o fato de que
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Q1737390 Português
Com base nas relações lógico-discursivas do texto, no trecho Saiu da sala assim que tocou o sinal, os termos sublinhados expressam ideia de:
Alternativas
Q1737389 Português

Para responder a questão, leia os seguintes versos: 


Hão de chorar por ela os cinamomos,

Murchando as flores ao tombar do dia.

Dos laranjais hão de cair os pomos,

Lembrando-se daquela que os colhia.


As estrelas dirão — “Ai! nada somos,

Pois ela se morreu silente e fria...”

E pondo os olhos nela como pomos,

Hão de chorar a irmã que lhes sorria.


A lua, que lhe foi mãe carinhosa,

Que a viu nascer e amar, há de envolvê-la

Entre lírios e pétalas de rosa.


Os meus sonhos de amor serão defuntos...

E os arcanjos dirão no azul ao vê-la,

Pensando em mim: — "Por que não vieram juntos?"


(Alphonsus de Guimaraens. Hão de chorar por ela os cinamomos.). 

Assinale a alternativa que apresenta o tema principal abordado no poema.
Alternativas
Q1737388 Português

Para responder a questão, leia os seguintes versos: 


Hão de chorar por ela os cinamomos,

Murchando as flores ao tombar do dia.

Dos laranjais hão de cair os pomos,

Lembrando-se daquela que os colhia.


As estrelas dirão — “Ai! nada somos,

Pois ela se morreu silente e fria...”

E pondo os olhos nela como pomos,

Hão de chorar a irmã que lhes sorria.


A lua, que lhe foi mãe carinhosa,

Que a viu nascer e amar, há de envolvê-la

Entre lírios e pétalas de rosa.


Os meus sonhos de amor serão defuntos...

E os arcanjos dirão no azul ao vê-la,

Pensando em mim: — "Por que não vieram juntos?"


(Alphonsus de Guimaraens. Hão de chorar por ela os cinamomos.). 

Acerca dos recursos empregados para a construção de sentidos do poema, pode-se afirmar que:
Alternativas
Q1737387 Português

Para responder à questão, leia a tirinha abaixo: 



Acerca da linguagem empregada na tirinha, lei as assertivas:
I. A expressão Dê-me um beijo é própria do registro formal. Em situações de emprego coloquial, mantendo-se o modo verbal, se usaria Me dê um beijo. II. A palavra Bah se configura como um regionalismo usual da região sul do Brasil. III. A onomatopeia, recurso empregado no segundo quadrinho, pouco acrescenta para a produção de sentidos da tirinha, pois diminui a expressividade do discurso.
Pode-se afirmar que:
Alternativas
Q1737386 Português

Para responder à questão, leia a tirinha abaixo: 



Pode-se afirmar que a construção do efeito de humor na tirinha se dá, principalmente, pela:
Alternativas
Respostas
17381: C
17382: A
17383: D
17384: B
17385: A
17386: D
17387: B
17388: A
17389: A
17390: B
17391: C
17392: A
17393: C
17394: E
17395: D
17396: A
17397: C
17398: C
17399: D
17400: D