Questões de Concurso
Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
Foram encontradas 38.948 questões
“As folhas caindo lembram sempre lágrimas derramadas pelas grandes árvores tristes que choram em função do fim do ano, do fim das auroras de temperatura agradável e dos doces crepúsculos”.
Sobre esse fragmento de texto, a afirmação INADEQUADA à estruturação do texto é:
“Entre as cordas do ringue, o pugilista é como o prisioneiro entre as paredes da cela: durante esse encarceramento ele sofre um castigo que lhe deixará marcas irreversíveis”.
Sobre esse fragmento de texto, a afirmação INADEQUADA à estruturação do texto é:
Entre os pensamentos abaixo, aquele que mostra um tom irônico é:
“O crime aconteceu na noite de domingo. Depois da tentativa de sedução, o sitiante brigou com a mulher. Sônia e Neusa apareceram no quarto e viram que ele tentava estrangulá-la. Pediram que largasse o pescoço da mãe e, como ele insistiu, pegaram barras de ferro e o mataram. As duas estão no presídio de Ribeirão Bonito”.
Esses pequenos textos de primeira página são apresentados de forma mais extensa e detalhada em alguma página interior do jornal.
A afirmativa correta sobre ele é:
Esse é o início de um conto de Lygia Fagundes Telles; sobre esse texto, é correto afirmar que:
De acordo com o que nos apresenta Platão e Fiorin, avalie as assertivas a seguir sobre tipos de argumentos:
I. Argumento baseado em provas concretas: diz respeito à citação de autores renomados, autoridades num certo domínio do saber, numa área da atividade humana, para corroborar uma tese, um ponto de vista.
II. Argumento baseado no consenso: levam em conta as opiniões pessoais que expressam apreciações, pontos de vista, julgamentos que exprimem aprovação ou desaprovação em relação a determinado tema.
III. Argumento da competência linguística: está relacionado ao modo de dizer, que dá confiabilidade ao que se diz.
Quais estão de acordo com o que trazem os autores citados?
Sobre leitura e compreensão de textos como trabalho social e não atividade individual, de acordo com o que Marcuschi nos ensina, avalie as afirmações que seguem:
I. Sendo uma atividade de produção de sentidos colaborativa, a compreensão não é um simples ato de identificação de informações, mas uma construção de sentidos com base em atividades inferenciais. Para compreender bem um texto, tem-se que sair dele, pois o texto sempre monitora o seu leitor para além de si próprio e esse é um aspecto notável quanto à produção de sentido.
II. Compreender bem um texto não é uma atividade natural nem uma herança genética; nem uma ação individual isolada do meio e da sociedade em que se vive. Compreender exige habilidade, interação e trabalho.
III. Compreender não é uma ação apenas linguística ou cognitiva. É muito mais uma forma de inserção no mundo e um modo de agir sobre o mundo na relação com o outro dentro de uma cultura e uma sociedade.
Quais estão corretas?
Por dentro do hotel espacial com inauguração prevista para 2025.
A empresa americana Orbital Assembly acredita que em três anos já será possível se hospedar na Pioneer Station, que poderá receber até 28 pessoas em um ambiente de hotel de luxo. Acordar em um quarto de hotel chique com vista para o sistema solar pode ser o futuro das viagens, pelo menos se depender da empresa espacial Orbital Assembly.
Sediada nos EUA, a empresa revelou novas informações e conceitos para sua proposta de hotel espacial, cujos projetos estão em órbita desde 2019. Originalmente lançado pela empresa californiana Gateway Foundation – e então chamado de Estação Von Braun – este conceito futurista consiste em vários módulos conectados por poços de elevador que compõem uma roda giratória que orbita a Terra. O projeto agora está sendo supervisionado pela Orbital Assembly Corporation, uma empresa de construção espacial que cortou as ligações com a Gateway. A Orbital Assembly pretende agora lançar não uma, mas duas estações espaciais com alojamento turístico: a Voyager Station, o projeto original renomeado, está agora programado para acomodar 400 pessoas e abrir em 2027, enquanto o novo conceito Pioneer Station, com capacidade para 28 pessoas, pode ser operacional em apenas três anos. O objetivo, diz a Orbital Assembly, é administrar um espaço “parque empresarial” para abrigar escritórios, assim como receber turistas.
O turismo espacial parece mais próximo do que nunca – no ano passado, o bilionário fundador da Virgin, Richard Branson, explodiu no espaço suborbital com sua empresa Virgin Galactic, enquanto o ator de “Star Trek”, William Shatner, se tornou a pessoa mais velha no espaço graças a um passeio com a Blue Origin. Mas ainda há um preço bastante inacreditável associado a qualquer viagem espacial, o que torna difícil para muitos de nós realmente imaginar passar nossas férias anuais fora deste mundo. Tim Alatorre, diretor de operações da Orbital Assembly, acha que essa barreira será eliminada à medida que o turismo espacial decolar. “O objetivo sempre foi tornar possível que grandes quantidades de pessoas vivam, trabalhem e prosperem no espaço”, disse Alatorre à CNN Travel. Alatorre diz que o apelo do novo conceito Pioneer Station é que sua escala menor o torna alcançável mais cedo. “Isso nos dará a oportunidade de fazer com que as pessoas comecem a experimentar o espaço em uma escala maior, mais rapidamente”, disse ele.
Espaços de escritório e instalações de pesquisa também estarão disponíveis para aluguel na Pioneer Station e na Voyager Station.
Isso, segundo Alatorre, é um “ganha-ganha” para a Orbital Assembly, já que muitos de seus objetivos de curto prazo dependem de financiamento. Orbital Assembly prevê que ambas as estações se assemelham a uma roda giratória que orbita a Terra. Em uma entrevista de 2019 à CNN Travel, Alatorre explicou que a física da Voyager Station funciona como um balde de água girando. “A estação gira, empurrando o conteúdo da estação para fora do perímetro da estação, da mesma forma que você pode girar um balde de água – a água empurra o balde e permanece no lugar”, disse ele. Perto do centro da estação não haveria gravidade artificial, mas à medida que você se move para fora da estação, a sensação de gravidade aumenta.
A física não mudou, revelou Alatorre mais recentemente. Mas, explicou, como a Pioneer Station será menor, seu nível de gravidade seria diferente. Ainda haverá o que ele chama de “confortos” da gravidade artificial, como chuveiros, a capacidade de comer e beber sentado – mas os espaços com menos gravidade permitirão peculiaridades espaciais ainda mais divertidas. Renderizações dos interiores de ambas as estações sugerem um interior não muito diferente de um hotel de luxo aqui na terra, apenas com algumas vistas adicionais de outro mundo. Alatorre, que tem formação em arquitetura, disse anteriormente que a estética do hotel era uma resposta direta ao filme de Stanley Kubrick, “2001: Uma Odisseia no Espaço” – que ele chamou de “quase um plano do que não fazer”. “Acho que o objetivo de Stanley Kubrick era destacar a divisão entre tecnologia e humanidade e, assim, propositalmente, ele fez as estações e as naves muito estéreis, limpas e alienígenas”.
O nome original do hotel espacial, Estação Von Braun, foi escolhido porque o conceito foi inspirado em projetos de 60 anos de Wernher von Braun, um engenheiro aeroespacial pioneiro na tecnologia de foguetes, primeiro na Alemanha e depois nos EUA. Enquanto morava na Alemanha, von Braun estava envolvido no programa de desenvolvimento de foguetes nazistas, então nomear o hotel espacial depois dele foi uma escolha controversa. A estação não é realmente sobre ele. É baseada em seu design e gostamos de suas contribuições para a ciência e o espaço”, disse o ex-CEO da Orbital Assembly, John Blincow, que não está mais associado à empresa, em uma entrevista à CNN Travel, em 2021. “Mas você sabe, a Estação Voyager é muito mais do que isso. É o material do futuro. E queremos um nome que não tenha esses anexos.” Os saltos espaciais se tornaram mais comuns no ano passado, com a Virgin Galactic, a Blue Origin e a empresa SpaceX de Elon Musk organizando viagens.
Alatorre disse que sua equipe “conversou com praticamente todo mundo” na indústria espacial para uma colaboração. “Para as pessoas que são pessimistas ou céticas, o que eu sempre disse é ‘nos dê um tempo. Vai acontecer’. Não acontece da noite para o dia. E apenas espere. E mostraremos o que estamos fazendo à medida que avançamos e aí então você pode fazer seu julgamento.”
Fonte: https://viagemegastronomia.cnnbrasil.com.br/curiosidades/por-dentro-do-hotel-espacial-com-inauguracao-prevista-para-2025/
Use o texto para responder à questão.
Vieses Ideológicos O vocábulo ideologia é um dos mais complexos em ciências sociais. Foi criado e apresentado por Destutt de Tracy em seu livro Eléments d’Idéologie, publicado em 1801. Tracy tinha a pretensão de elaborar uma ciência da gênese das ideias. Porém, no decorrer do tempo, o vocábulo adquiriu significados os mais diversos, particularmente, no contexto do pensamento sociológico. Aparece na literatura como expressão das ideias de uma época ou como o conjunto da elaboração teórica dos pensadores de um dado período histórico (Augusto Comte); como preconceitos ou pré-noções subjetivas (Emile Durkeim); como expressão de sistemas de crenças (Vilfredo Pareto) ou como falsa consciência das condições materiais de existência e de domínio entre as classes sociais (Karl Marx). Além desses significados, o conceito também adquiriu o sentido de representação da sociedade, base de orientação de programas políticos e, não raras as vezes, é tomado como sinônimo de cosmovisão (visão de mundo). O debate em torno do conceito, portanto, não é trivial. Ao mencionarmos a expressão vieses ideológicos, pressupomos a ideologia como uma forma de justificação de valores, que pode fundamentar não só posições sociais, mas, sobretudo, discursos. Nesse caso, a ideia reporta-se a outra – à impossibilidade da plena neutralidade -, condição que cabe inclusive ao discurso científico.
Fonte:
https://repositorio.enap.gov.br/bitstream/1/2260/1/1.%20Apostila%20-
%20M%C3%B3dulo%201%20-
%20Administra%C3%A7%C3%A3o%20P%C3%BAblica.pdf
Dez minutos de idade
Fernando Sabino
A enfermeira surgida de uma porta me impôs silêncio com o dedo junto aos lábios e mandou-me entrar. Estava nascendo! Era um menino.
Nem bonito nem feio; tem boca, orelhas, sexo e nariz no seu devido lugar, cinco dedos em cada mão e em cada pé. Realizou a grande temeridade de nascer, e saiu-se bem da empreitada. Já enfrentou dez minutos de vida. Ainda traz consigo, nos olhinhos esgazeados, um resto de eternidade.
Portanto, alegremo-nos. A vida também não é bonita nem feia. Tem bocas que murmuram preces, orelhas sábias no escutar, sexos que se contentam, perfumes vários para o nariz, mãos que se apertam, dedos que acariciam, múltiplos caminhos para os pés. É verdade que algumas palavras, melhor fora nunca dizê-las, outras nunca escutá-las. Olhos há que procuram ver o que não podem, alguns narizes se metem onde não devem. Há muito prazer insatisfeito, muito desejo vão. Mãos que se fecham. Pés que se atropelam. Mas o simples ato de nascer já pressupõe tudo isso, o primeiro ar que se respira já contém as impurezas do mundo. O primeiro vagido é um desafio. A vida aceitou um novo corpo e o batismo vai traçar-lhe um destino. A luta se inicia: mais um que será salvo. Portanto, alegremo-nos.
Menino sem nome ainda, não te prometo nada. Não sei se terás infância: brinquedos, quintal, monte de areia, fruta verde, casca de árvore, passarinho, porão de fantasmas, formigas em fila, beira de rio, galinha no choco, caco de vidro, pé machucado. O mundo de hoje, tal como o estou vendo da janela do meu apartamento, desconfio que te reserva para a infância um miraculoso aparelho eletrocosmogônico de brincar. Ou apenas uma eterna garrafa de Coca-Cola e um delicioso Chicabon.
Aceita, menino, esses inofensivos divertimentos. Leva-os a sério, com toda aquela seriedade grave da infância, chupa o Chicabon, bebe a Coca-Cola, desmonta e torna a montar a miraculosa máquina de brincar de nosso século que a imaginação de teu pai jamais poderia sequer conceber. Impõe a essas coisas e a essa vida que te oferecerão como infância a sofreguidão da tua boca, a ousadia de teus olhos e a força de tuas mãos. Imprime a tudo que tocares a alegria que me deste por nasceres. Qualquer que seja tua infância, conquista-a, que te abençoo. Dela te nascerá uma convicção. Conquista-a também – e vá viver, em meu nome. Nada te posso dar senão um nome.
Nada te posso dar. No teu primeiro instante de vida minha estrela não se apagou. Partiu-se em duas e lá no alto uma delas te espera, será tua. Nada te posso dar senão um nome e esta estrela. Se acreditares em estrela, vai buscá-la.
SABINO, Fernando. Dez minutos de idade. In: A mulher do vizinho. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1962. p. 216-218.
Disponível em:
https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13156/dez-minutos-de-idade. Acesso em: 08 abr. 2022.
Dez minutos de idade
Fernando Sabino
A enfermeira surgida de uma porta me impôs silêncio com o dedo junto aos lábios e mandou-me entrar. Estava nascendo! Era um menino.
Nem bonito nem feio; tem boca, orelhas, sexo e nariz no seu devido lugar, cinco dedos em cada mão e em cada pé. Realizou a grande temeridade de nascer, e saiu-se bem da empreitada. Já enfrentou dez minutos de vida. Ainda traz consigo, nos olhinhos esgazeados, um resto de eternidade.
Portanto, alegremo-nos. A vida também não é bonita nem feia. Tem bocas que murmuram preces, orelhas sábias no escutar, sexos que se contentam, perfumes vários para o nariz, mãos que se apertam, dedos que acariciam, múltiplos caminhos para os pés. É verdade que algumas palavras, melhor fora nunca dizê-las, outras nunca escutá-las. Olhos há que procuram ver o que não podem, alguns narizes se metem onde não devem. Há muito prazer insatisfeito, muito desejo vão. Mãos que se fecham. Pés que se atropelam. Mas o simples ato de nascer já pressupõe tudo isso, o primeiro ar que se respira já contém as impurezas do mundo. O primeiro vagido é um desafio. A vida aceitou um novo corpo e o batismo vai traçar-lhe um destino. A luta se inicia: mais um que será salvo. Portanto, alegremo-nos.
Menino sem nome ainda, não te prometo nada. Não sei se terás infância: brinquedos, quintal, monte de areia, fruta verde, casca de árvore, passarinho, porão de fantasmas, formigas em fila, beira de rio, galinha no choco, caco de vidro, pé machucado. O mundo de hoje, tal como o estou vendo da janela do meu apartamento, desconfio que te reserva para a infância um miraculoso aparelho eletrocosmogônico de brincar. Ou apenas uma eterna garrafa de Coca-Cola e um delicioso Chicabon.
Aceita, menino, esses inofensivos divertimentos. Leva-os a sério, com toda aquela seriedade grave da infância, chupa o Chicabon, bebe a Coca-Cola, desmonta e torna a montar a miraculosa máquina de brincar de nosso século que a imaginação de teu pai jamais poderia sequer conceber. Impõe a essas coisas e a essa vida que te oferecerão como infância a sofreguidão da tua boca, a ousadia de teus olhos e a força de tuas mãos. Imprime a tudo que tocares a alegria que me deste por nasceres. Qualquer que seja tua infância, conquista-a, que te abençoo. Dela te nascerá uma convicção. Conquista-a também – e vá viver, em meu nome. Nada te posso dar senão um nome.
Nada te posso dar. No teu primeiro instante de vida minha estrela não se apagou. Partiu-se em duas e lá no alto uma delas te espera, será tua. Nada te posso dar senão um nome e esta estrela. Se acreditares em estrela, vai buscá-la.
SABINO, Fernando. Dez minutos de idade. In: A mulher do vizinho. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1962. p. 216-218.
Disponível em:
https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13156/dez-minutos-de-idade. Acesso em: 08 abr. 2022.