Questões de Concurso Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q2026887 Português
Leia o texto, para responder à questão.

Abalo na infância


        A epidemia e suas sequelas socioeconômicas tiraram mais de 653 mil crianças pequenas da escola. Em 2021, o número de matrículas de alunos de até 5 anos caiu 7,3% em relação a 2019. Foi a informação que mais chamou a atenção no Censo Escolar, e não por menos.

      Creches e pré-escolas estão entre os problemas sociais mais urgentes. Ainda assim, as estatísticas ressaltam também deficiências e desigualdades crônicas.

        O número de matriculados no ensino fundamental também caiu. Trata-se, entretanto, de fenômeno de mais de meia década, em boa parte relacionado à diminuição da população de 6 a 14 anos. No caso da educação infantil, observa-se situação mais precária. Apenas 35,6% das crianças frequentam creches, pelo dado mais recente, de 2019.

       A educação infantil é uma fase crítica de preparação para o ensino fundamental. Reduz desigualdades entre filhos de famílias com muitos recursos culturais e socioeconômicos e aquelas na pobreza. Pode proporcionar um ambiente protegido e estimulante para os filhos de quem precisa trabalhar e não conta com cuidadores. É nessa etapa, ademais, que se registra a maior desigualdade de acesso. São assuntos que deveriam estar no centro do debate social.

    O censo evidencia ainda a disparidade de recursos educacionais (acesso à internet, computadores para estudantes, bibliotecas etc.) entre as regiões do país. No Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste, a internet é utilizada no ensino em pelo menos 72% das escolas; no Nordeste, em 36,3%, e no Norte, em 22,3%.

     Ainda é chocante o número de estudantes que não está na série adequada à sua idade, resultado de repetências e abandonos. A distorção série-idade no 9o ano é de 25,5% no caso do sexo masculino e de 17,7% no feminino.

      Educação infantil, atraso escolar ou ensino ineficiente são temas centrais da pobreza e da desigualdade. Nas acirradas polêmicas nacionais ou entre candidatos ao poder, o assunto ainda não foi objeto de toda a atenção necessária.

(Editorial. Folha de S.Paulo, 05.02.2022. Adaptado)
Considere as seguintes frases:
•  O censo evidencia ainda a disparidade de recursos educacionais… (5° parágrafo) •  … o assunto ainda não foi objeto de toda a atenção necessária. (último parágrafo)

No contexto, em que é empregado, o termo “ainda” expressa, respectivamente, circunstância de 
Alternativas
Q2026886 Português
Leia o texto, para responder à questão.

Abalo na infância


        A epidemia e suas sequelas socioeconômicas tiraram mais de 653 mil crianças pequenas da escola. Em 2021, o número de matrículas de alunos de até 5 anos caiu 7,3% em relação a 2019. Foi a informação que mais chamou a atenção no Censo Escolar, e não por menos.

      Creches e pré-escolas estão entre os problemas sociais mais urgentes. Ainda assim, as estatísticas ressaltam também deficiências e desigualdades crônicas.

        O número de matriculados no ensino fundamental também caiu. Trata-se, entretanto, de fenômeno de mais de meia década, em boa parte relacionado à diminuição da população de 6 a 14 anos. No caso da educação infantil, observa-se situação mais precária. Apenas 35,6% das crianças frequentam creches, pelo dado mais recente, de 2019.

       A educação infantil é uma fase crítica de preparação para o ensino fundamental. Reduz desigualdades entre filhos de famílias com muitos recursos culturais e socioeconômicos e aquelas na pobreza. Pode proporcionar um ambiente protegido e estimulante para os filhos de quem precisa trabalhar e não conta com cuidadores. É nessa etapa, ademais, que se registra a maior desigualdade de acesso. São assuntos que deveriam estar no centro do debate social.

    O censo evidencia ainda a disparidade de recursos educacionais (acesso à internet, computadores para estudantes, bibliotecas etc.) entre as regiões do país. No Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste, a internet é utilizada no ensino em pelo menos 72% das escolas; no Nordeste, em 36,3%, e no Norte, em 22,3%.

     Ainda é chocante o número de estudantes que não está na série adequada à sua idade, resultado de repetências e abandonos. A distorção série-idade no 9o ano é de 25,5% no caso do sexo masculino e de 17,7% no feminino.

      Educação infantil, atraso escolar ou ensino ineficiente são temas centrais da pobreza e da desigualdade. Nas acirradas polêmicas nacionais ou entre candidatos ao poder, o assunto ainda não foi objeto de toda a atenção necessária.

(Editorial. Folha de S.Paulo, 05.02.2022. Adaptado)
No editorial, o termo destacado na frase do último parágrafo – Nas acirradas polêmicas nacionais ou entre candidatos ao poder… – expressa a ideia de que, nas polêmicas entre si, os candidatos ao poder costumam ser 
Alternativas
Q2026884 Português
Leia o texto, para responder à questão.

Abalo na infância


        A epidemia e suas sequelas socioeconômicas tiraram mais de 653 mil crianças pequenas da escola. Em 2021, o número de matrículas de alunos de até 5 anos caiu 7,3% em relação a 2019. Foi a informação que mais chamou a atenção no Censo Escolar, e não por menos.

      Creches e pré-escolas estão entre os problemas sociais mais urgentes. Ainda assim, as estatísticas ressaltam também deficiências e desigualdades crônicas.

        O número de matriculados no ensino fundamental também caiu. Trata-se, entretanto, de fenômeno de mais de meia década, em boa parte relacionado à diminuição da população de 6 a 14 anos. No caso da educação infantil, observa-se situação mais precária. Apenas 35,6% das crianças frequentam creches, pelo dado mais recente, de 2019.

       A educação infantil é uma fase crítica de preparação para o ensino fundamental. Reduz desigualdades entre filhos de famílias com muitos recursos culturais e socioeconômicos e aquelas na pobreza. Pode proporcionar um ambiente protegido e estimulante para os filhos de quem precisa trabalhar e não conta com cuidadores. É nessa etapa, ademais, que se registra a maior desigualdade de acesso. São assuntos que deveriam estar no centro do debate social.

    O censo evidencia ainda a disparidade de recursos educacionais (acesso à internet, computadores para estudantes, bibliotecas etc.) entre as regiões do país. No Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste, a internet é utilizada no ensino em pelo menos 72% das escolas; no Nordeste, em 36,3%, e no Norte, em 22,3%.

     Ainda é chocante o número de estudantes que não está na série adequada à sua idade, resultado de repetências e abandonos. A distorção série-idade no 9o ano é de 25,5% no caso do sexo masculino e de 17,7% no feminino.

      Educação infantil, atraso escolar ou ensino ineficiente são temas centrais da pobreza e da desigualdade. Nas acirradas polêmicas nacionais ou entre candidatos ao poder, o assunto ainda não foi objeto de toda a atenção necessária.

(Editorial. Folha de S.Paulo, 05.02.2022. Adaptado)
Conforme o Editorial, a etapa da educação infantil 
Alternativas
Q2026883 Português
Leia o texto, para responder à questão.

‘Como Escrever Bem’ vai além dos dogmas e
tabus que cercam o ofício

   
      É extremamente difícil e, mais do que isso, até intimidador tentar escrever um texto sobre um livro que se chama “Como Escrever Bem”. Trata-se, afinal, de avaliar um clássico que vem atravessando gerações, algo assim como a bíblia dos manuais de escrita, e falar dele não pode mesmo ser uma tarefa simples.

     Essa poderia ser uma maneira de iniciar este texto. Seria, porém, uma maneira ruim. O parágrafo acima contraria a maior parte do que ensina William Zinsser em seu livro. Nele há advérbios, adjetivos, clichês, períodos longos demais – e uma autora insegura.

     “Como Escrever Bem” é um sucesso desde 1976. Zinsser o escreveu nas férias do ano anterior. Sua intenção era reunir em livro o material das aulas que dava na universidade Yale.

        Resumindo muito, o que Zinsser propõe é que se busque o essencial, sem firulas. E, aos que acham que cortar excessos vai estragar seu modo pessoal de escrever, uma advertência: enfeite não é estilo. Perucas se compram em loja. Cabelo, não. A analogia capilar em defesa da autenticidade é dele mesmo.

        E o que é essencial, então, dos conselhos de Zinsser?

       Seja claro. Escreva na ordem direta. Prefira frases breves com palavras curtas. Fuja dos clichês. Verbos são melhores que advérbios. Substantivos são melhores que adjetivos. Corte. Releia. Reescreva. E, sobretudo, confie no seu material.

     Zinsser desmonta um relógio na frente do leitor, explicando como as peças se encaixam para o bom funcionamento do mecanismo. O relógio, no caso, é o relato de uma viagem. O capítulo é uma boa síntese do que o autor pretende ensinar. Se o tema e o momento parecem distantes, as lições que ele propicia continuam vigentes.



(Francesca Angiolillo.
https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/01/como-escrever-bemvai-alem-dos-dogmas-e-tabus-que-cercam-o-oficio.shtml. 01.01.2022. Adaptado)
Considere a passagem do último parágrafo do texto:
•  Zinsser desmonta um relógio na frente do leitor, explicando como as peças se encaixam para o bom funcionamento do mecanismo.
Assinale a alternativa em que os termos extraídos da passagem expressam, respectivamente, sentido de modo e de finalidade.
Alternativas
Q2026880 Português
Leia o texto, para responder à questão.

‘Como Escrever Bem’ vai além dos dogmas e
tabus que cercam o ofício

   
      É extremamente difícil e, mais do que isso, até intimidador tentar escrever um texto sobre um livro que se chama “Como Escrever Bem”. Trata-se, afinal, de avaliar um clássico que vem atravessando gerações, algo assim como a bíblia dos manuais de escrita, e falar dele não pode mesmo ser uma tarefa simples.

     Essa poderia ser uma maneira de iniciar este texto. Seria, porém, uma maneira ruim. O parágrafo acima contraria a maior parte do que ensina William Zinsser em seu livro. Nele há advérbios, adjetivos, clichês, períodos longos demais – e uma autora insegura.

     “Como Escrever Bem” é um sucesso desde 1976. Zinsser o escreveu nas férias do ano anterior. Sua intenção era reunir em livro o material das aulas que dava na universidade Yale.

        Resumindo muito, o que Zinsser propõe é que se busque o essencial, sem firulas. E, aos que acham que cortar excessos vai estragar seu modo pessoal de escrever, uma advertência: enfeite não é estilo. Perucas se compram em loja. Cabelo, não. A analogia capilar em defesa da autenticidade é dele mesmo.

        E o que é essencial, então, dos conselhos de Zinsser?

       Seja claro. Escreva na ordem direta. Prefira frases breves com palavras curtas. Fuja dos clichês. Verbos são melhores que advérbios. Substantivos são melhores que adjetivos. Corte. Releia. Reescreva. E, sobretudo, confie no seu material.

     Zinsser desmonta um relógio na frente do leitor, explicando como as peças se encaixam para o bom funcionamento do mecanismo. O relógio, no caso, é o relato de uma viagem. O capítulo é uma boa síntese do que o autor pretende ensinar. Se o tema e o momento parecem distantes, as lições que ele propicia continuam vigentes.



(Francesca Angiolillo.
https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/01/como-escrever-bemvai-alem-dos-dogmas-e-tabus-que-cercam-o-oficio.shtml. 01.01.2022. Adaptado)
Conforme o texto, para William Zinsser, escrever bem requer 
Alternativas
Q2026878 Português
Leia o texto, para responder à questão.

‘Como Escrever Bem’ vai além dos dogmas e
tabus que cercam o ofício

   
      É extremamente difícil e, mais do que isso, até intimidador tentar escrever um texto sobre um livro que se chama “Como Escrever Bem”. Trata-se, afinal, de avaliar um clássico que vem atravessando gerações, algo assim como a bíblia dos manuais de escrita, e falar dele não pode mesmo ser uma tarefa simples.

     Essa poderia ser uma maneira de iniciar este texto. Seria, porém, uma maneira ruim. O parágrafo acima contraria a maior parte do que ensina William Zinsser em seu livro. Nele há advérbios, adjetivos, clichês, períodos longos demais – e uma autora insegura.

     “Como Escrever Bem” é um sucesso desde 1976. Zinsser o escreveu nas férias do ano anterior. Sua intenção era reunir em livro o material das aulas que dava na universidade Yale.

        Resumindo muito, o que Zinsser propõe é que se busque o essencial, sem firulas. E, aos que acham que cortar excessos vai estragar seu modo pessoal de escrever, uma advertência: enfeite não é estilo. Perucas se compram em loja. Cabelo, não. A analogia capilar em defesa da autenticidade é dele mesmo.

        E o que é essencial, então, dos conselhos de Zinsser?

       Seja claro. Escreva na ordem direta. Prefira frases breves com palavras curtas. Fuja dos clichês. Verbos são melhores que advérbios. Substantivos são melhores que adjetivos. Corte. Releia. Reescreva. E, sobretudo, confie no seu material.

     Zinsser desmonta um relógio na frente do leitor, explicando como as peças se encaixam para o bom funcionamento do mecanismo. O relógio, no caso, é o relato de uma viagem. O capítulo é uma boa síntese do que o autor pretende ensinar. Se o tema e o momento parecem distantes, as lições que ele propicia continuam vigentes.



(Francesca Angiolillo.
https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/01/como-escrever-bemvai-alem-dos-dogmas-e-tabus-que-cercam-o-oficio.shtml. 01.01.2022. Adaptado)
No primeiro parágrafo do texto, a autora
Alternativas
Q2026877 Português

Leia a charge para responder à questão.

Imagem associada para resolução da questão



A leitura da charge permite concluir que, para o autor,

Alternativas
Q2026513 Português

Texto 03


Pensando em desistir?


    Todos nós podemos explicar e até justificar os nossos fracassos. Os motivos para que determinada empreitada não vingue são abundantes. Conheci inúmeros empreendedores que fracassaram. Nossas conversas mostraram as causas do insucesso. Em alguns casos, havia sido a falta de capital. Em outros, os sucessivos planos econômicos. Não faltaram aqueles que culparam a concorrência “desonesta” dos chineses e até a falta de sorte. Como contestar esses fatos tão evidentes?

    Embora cada um tenha explicações razoáveis, a pergunta que deve ser feita é esta: “Será que tentaram tudo o que estava ao seu alcance para resolver seus problemas?”.

    Será que insistiram uma, duas, três, vinte, trinta vezes? Quem sabe 50 vezes ou mais. É muito? Mas quem disse que os resultados são encontrados nas primeiras tentativas?

    Muitos vencedores se depararam com a solução que procuravam após insistirem quase no limite de suas forças. Olharam para frente e viram todas as saídas obstruídas. Mesmo assim, foram experimentando uma a uma até descobrirem, quase no final da peregrinação, aquela que estava aberta.


Disponível em: https://vidasimples.co/colunistas/analise. Acesso em: 12 jun. 2022. Adaptado.

De acordo com o texto, para vencer é preciso 
Alternativas
Q2026463 Português
A lixeira

     Um dia, quando lhe perguntarem onde é que nasceu, a moça poderá responder, sorrindo: “na lixeira”. Pois realmente foi ali que a jogaram, entre cascas de banana e borra de café, para que não vivesse; e foi dali que a retiraram, viva, para que desse testemunho: até numa lixeira a vida pode começar.
     O suposto nascimento anterior, num quarto, não vale para essa menina da rua Pedro América; ele se consumou na clandestinidade, a contragosto da mãe, talvez sem que o pai tivesse notícia, e mesmo sem que a mãe tivesse notícia do pai. Não era desejado, não veio precedido de amor, mas de vergonha, medo, angústia, recriminação. Quem nasce sob tais condições negativas é como se não nascesse, e a lixeira foi o instrumento providencial que ocorreu à mãe dessa menina errada, para anular, em escala individual, o efeito da explosão demográfica. Enquanto não se decide a construção de crematórios para os que acabam regularmente, aí está, para os que começam irregularmente, o incinerador do lixo doméstico. Nem seria preciso queimar a menina, com os demais detritos da casa. A morte viria logo — necessária, oportuna, benfazeja.
     Mas, naquele dia, a lixeira reagiu de forma imprevista, abstendo-se de cumprir a missão que já tantas mães solteiras, desesperadas ou não, lhe confiaram. Ficou surda aos argumentos sociais, morais e econômicos que demonstram a inconveniência de salvar-se uma vida de origem equívoca e de custeio incerto. Guardou a menina como lixeira pode guardar, sem qualquer cuidado higiênico ou resquício de conforto, mas guardou-a. Não lhe abafou o chorinho com o desmoronamento de um pacote de restos de cozinha, ou a queda de uma lata vazia de pessegada sobre a cabeça. Na verdade, estimulou-a a chorar e bradar, dando-lhe ar pútrido e temperatura de fornalha, para que melhor protestasse e atraísse, pelo sofrimento revoltado, a atenção do faxineiro.
     E chegou o faxineiro e tirou daquelas entranhas estranhas a recém-nascida, como o obstetra faz o parto. Estava nascendo, na porcaria, uma criança; e outro menino não nasceu, faz muito tempo, num cocho de comida de animais, no estábulo, entre o farelo e o milho? A lixeira pode fazer as vezes de maternidade, berçário moderno para a vida que quer manifestar-se de qualquer modo e não encontra outra saída. O obscuro humanitarismo, a piedade e a simpatia dessa lixeira, não salvaram, criaram a vida. Foi lá que a criança verdadeiramente nasceu, quando os seres humanos, a ordem econômica e os últimos preconceitos lhe negaram ou lhe impediram a existência.
     A menina, mais tarde, poderá dizer com alegria reconhecida: “devo a vida a uma lixeira, foi nela que vim ao mundo”. E nós também devemos alguma coisa a essa lixeira: a lição de respeito à vida.

(Carlos Drummond de Andrade. Caminhos de João Brandão. In Poesia e Prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988. Adaptado.)
O trecho literal cuja palavra grifada estabelece ideia de oposição ou contraste é:
Alternativas
Q2026461 Português
A lixeira

     Um dia, quando lhe perguntarem onde é que nasceu, a moça poderá responder, sorrindo: “na lixeira”. Pois realmente foi ali que a jogaram, entre cascas de banana e borra de café, para que não vivesse; e foi dali que a retiraram, viva, para que desse testemunho: até numa lixeira a vida pode começar.
     O suposto nascimento anterior, num quarto, não vale para essa menina da rua Pedro América; ele se consumou na clandestinidade, a contragosto da mãe, talvez sem que o pai tivesse notícia, e mesmo sem que a mãe tivesse notícia do pai. Não era desejado, não veio precedido de amor, mas de vergonha, medo, angústia, recriminação. Quem nasce sob tais condições negativas é como se não nascesse, e a lixeira foi o instrumento providencial que ocorreu à mãe dessa menina errada, para anular, em escala individual, o efeito da explosão demográfica. Enquanto não se decide a construção de crematórios para os que acabam regularmente, aí está, para os que começam irregularmente, o incinerador do lixo doméstico. Nem seria preciso queimar a menina, com os demais detritos da casa. A morte viria logo — necessária, oportuna, benfazeja.
     Mas, naquele dia, a lixeira reagiu de forma imprevista, abstendo-se de cumprir a missão que já tantas mães solteiras, desesperadas ou não, lhe confiaram. Ficou surda aos argumentos sociais, morais e econômicos que demonstram a inconveniência de salvar-se uma vida de origem equívoca e de custeio incerto. Guardou a menina como lixeira pode guardar, sem qualquer cuidado higiênico ou resquício de conforto, mas guardou-a. Não lhe abafou o chorinho com o desmoronamento de um pacote de restos de cozinha, ou a queda de uma lata vazia de pessegada sobre a cabeça. Na verdade, estimulou-a a chorar e bradar, dando-lhe ar pútrido e temperatura de fornalha, para que melhor protestasse e atraísse, pelo sofrimento revoltado, a atenção do faxineiro.
     E chegou o faxineiro e tirou daquelas entranhas estranhas a recém-nascida, como o obstetra faz o parto. Estava nascendo, na porcaria, uma criança; e outro menino não nasceu, faz muito tempo, num cocho de comida de animais, no estábulo, entre o farelo e o milho? A lixeira pode fazer as vezes de maternidade, berçário moderno para a vida que quer manifestar-se de qualquer modo e não encontra outra saída. O obscuro humanitarismo, a piedade e a simpatia dessa lixeira, não salvaram, criaram a vida. Foi lá que a criança verdadeiramente nasceu, quando os seres humanos, a ordem econômica e os últimos preconceitos lhe negaram ou lhe impediram a existência.
     A menina, mais tarde, poderá dizer com alegria reconhecida: “devo a vida a uma lixeira, foi nela que vim ao mundo”. E nós também devemos alguma coisa a essa lixeira: a lição de respeito à vida.

(Carlos Drummond de Andrade. Caminhos de João Brandão. In Poesia e Prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988. Adaptado.)
Podemos depreender que há uma opinião em:
Alternativas
Q2026459 Português
A lixeira

     Um dia, quando lhe perguntarem onde é que nasceu, a moça poderá responder, sorrindo: “na lixeira”. Pois realmente foi ali que a jogaram, entre cascas de banana e borra de café, para que não vivesse; e foi dali que a retiraram, viva, para que desse testemunho: até numa lixeira a vida pode começar.
     O suposto nascimento anterior, num quarto, não vale para essa menina da rua Pedro América; ele se consumou na clandestinidade, a contragosto da mãe, talvez sem que o pai tivesse notícia, e mesmo sem que a mãe tivesse notícia do pai. Não era desejado, não veio precedido de amor, mas de vergonha, medo, angústia, recriminação. Quem nasce sob tais condições negativas é como se não nascesse, e a lixeira foi o instrumento providencial que ocorreu à mãe dessa menina errada, para anular, em escala individual, o efeito da explosão demográfica. Enquanto não se decide a construção de crematórios para os que acabam regularmente, aí está, para os que começam irregularmente, o incinerador do lixo doméstico. Nem seria preciso queimar a menina, com os demais detritos da casa. A morte viria logo — necessária, oportuna, benfazeja.
     Mas, naquele dia, a lixeira reagiu de forma imprevista, abstendo-se de cumprir a missão que já tantas mães solteiras, desesperadas ou não, lhe confiaram. Ficou surda aos argumentos sociais, morais e econômicos que demonstram a inconveniência de salvar-se uma vida de origem equívoca e de custeio incerto. Guardou a menina como lixeira pode guardar, sem qualquer cuidado higiênico ou resquício de conforto, mas guardou-a. Não lhe abafou o chorinho com o desmoronamento de um pacote de restos de cozinha, ou a queda de uma lata vazia de pessegada sobre a cabeça. Na verdade, estimulou-a a chorar e bradar, dando-lhe ar pútrido e temperatura de fornalha, para que melhor protestasse e atraísse, pelo sofrimento revoltado, a atenção do faxineiro.
     E chegou o faxineiro e tirou daquelas entranhas estranhas a recém-nascida, como o obstetra faz o parto. Estava nascendo, na porcaria, uma criança; e outro menino não nasceu, faz muito tempo, num cocho de comida de animais, no estábulo, entre o farelo e o milho? A lixeira pode fazer as vezes de maternidade, berçário moderno para a vida que quer manifestar-se de qualquer modo e não encontra outra saída. O obscuro humanitarismo, a piedade e a simpatia dessa lixeira, não salvaram, criaram a vida. Foi lá que a criança verdadeiramente nasceu, quando os seres humanos, a ordem econômica e os últimos preconceitos lhe negaram ou lhe impediram a existência.
     A menina, mais tarde, poderá dizer com alegria reconhecida: “devo a vida a uma lixeira, foi nela que vim ao mundo”. E nós também devemos alguma coisa a essa lixeira: a lição de respeito à vida.

(Carlos Drummond de Andrade. Caminhos de João Brandão. In Poesia e Prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988. Adaptado.)
Levando em consideração o excerto destacado em “Pois realmente foi ali que a jogaram, entre cascas de banana e borra de café, para que não vivesse; e foi dali que a retiraram, viva, para que desse testemunho: até numa lixeira a vida pode começar.” (1º§), é possível inferir que o acontecimento de uma criança ter sobrevivido em uma lixeira é um fato:
Alternativas
Q2026458 Português
A lixeira

     Um dia, quando lhe perguntarem onde é que nasceu, a moça poderá responder, sorrindo: “na lixeira”. Pois realmente foi ali que a jogaram, entre cascas de banana e borra de café, para que não vivesse; e foi dali que a retiraram, viva, para que desse testemunho: até numa lixeira a vida pode começar.
     O suposto nascimento anterior, num quarto, não vale para essa menina da rua Pedro América; ele se consumou na clandestinidade, a contragosto da mãe, talvez sem que o pai tivesse notícia, e mesmo sem que a mãe tivesse notícia do pai. Não era desejado, não veio precedido de amor, mas de vergonha, medo, angústia, recriminação. Quem nasce sob tais condições negativas é como se não nascesse, e a lixeira foi o instrumento providencial que ocorreu à mãe dessa menina errada, para anular, em escala individual, o efeito da explosão demográfica. Enquanto não se decide a construção de crematórios para os que acabam regularmente, aí está, para os que começam irregularmente, o incinerador do lixo doméstico. Nem seria preciso queimar a menina, com os demais detritos da casa. A morte viria logo — necessária, oportuna, benfazeja.
     Mas, naquele dia, a lixeira reagiu de forma imprevista, abstendo-se de cumprir a missão que já tantas mães solteiras, desesperadas ou não, lhe confiaram. Ficou surda aos argumentos sociais, morais e econômicos que demonstram a inconveniência de salvar-se uma vida de origem equívoca e de custeio incerto. Guardou a menina como lixeira pode guardar, sem qualquer cuidado higiênico ou resquício de conforto, mas guardou-a. Não lhe abafou o chorinho com o desmoronamento de um pacote de restos de cozinha, ou a queda de uma lata vazia de pessegada sobre a cabeça. Na verdade, estimulou-a a chorar e bradar, dando-lhe ar pútrido e temperatura de fornalha, para que melhor protestasse e atraísse, pelo sofrimento revoltado, a atenção do faxineiro.
     E chegou o faxineiro e tirou daquelas entranhas estranhas a recém-nascida, como o obstetra faz o parto. Estava nascendo, na porcaria, uma criança; e outro menino não nasceu, faz muito tempo, num cocho de comida de animais, no estábulo, entre o farelo e o milho? A lixeira pode fazer as vezes de maternidade, berçário moderno para a vida que quer manifestar-se de qualquer modo e não encontra outra saída. O obscuro humanitarismo, a piedade e a simpatia dessa lixeira, não salvaram, criaram a vida. Foi lá que a criança verdadeiramente nasceu, quando os seres humanos, a ordem econômica e os últimos preconceitos lhe negaram ou lhe impediram a existência.
     A menina, mais tarde, poderá dizer com alegria reconhecida: “devo a vida a uma lixeira, foi nela que vim ao mundo”. E nós também devemos alguma coisa a essa lixeira: a lição de respeito à vida.

(Carlos Drummond de Andrade. Caminhos de João Brandão. In Poesia e Prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988. Adaptado.)
O fato que dá origem à narrativa é: 
Alternativas
Q2026141 Português
Texto 1

A Importância da Ciência, Tecnologia e Inovação


A ciência tem implicações para as questões que enfrentamos todos os dias, e embora a ciência não determine qual opção é a mais acertada, ela nos dá conhecimento e informação importantes para as nossas decisões. Lavar ou não lavar. Cento e setenta anos atrás, a lavagem das mãos não era um ritual de todos os dias — mesmo para os médicos que trabalhavam na morgue ou na maternidade! No entanto, desde então, os biólogos desenvolveram a teoria microbiana da doença, e a investigação mostrou que a lavagem das mãos evita a propagação de infeções. Um estudo de 2005 descobriu que promover a lavagem das mãos entre as crianças em regiões de baixos rendimentos poderia reduzir a incidência de doenças como a pneumonia em cinquenta por cento. Apesar de lavar as mãos poder parecer hoje em dia um simples hábito, é tão comum apenas porque o conhecimento científico tem realçado os seus benefícios.

     Tal como molda o seu processo pessoal de tomada de decisão, o conhecimento científico também influencia a formação de decisões políticas de regulamentação — e os resultados dessas decisões estão por toda a parte. A ciência não nos diz que devemos prevenir doenças, dar aviso prévio em caso de desastre, ou mesmo proteger o nosso planeta. As pessoas tomam essas decisões com base nos seus próprios valores, mas a partir do momento em que uma decisão é tomada, podemos usar o conhecimento científico para descobrir como atingir esse objetivo e quais serão as suas ramificações prováveis.
      A ciência toca muitos aspectos das nossas vidas: desde o corriqueiro (por exemplo, o saco de plástico onde se colocam as compras) até desenvolvimentos que mudam o mundo (por exemplo, a erradicação da varíola). E enquanto alguns dos impactos da ciência na sociedade podem não ser bênçãos evidentes, muitos são. Sem ciência, não teríamos conhecimentos básicos sobre promoção da saúde, segurança e gestão ambiental. Este conhecimento influencia o nosso processo de tomada de decisão tanto nosso pessoal como social. O conhecimento científico também é a base para o progresso tecnológico. Desde uma simples lâmpada até um computador complexo e o arroz geneticamente modificado — tudo isso são tecnologias feitas pelo homem baseadas no conhecimento científico básico.


NOVO, B. N. Disponível em: https://benignonovonovo.jusbrasil.com. br/artigos/845978281/a-importancia-da-ciencia-tecnologia-e-inovacao-para-a-sociedade. Publicado em 2020. Acesso em: 02 de nov. 2022. Fragmento adaptado.
Assinale a alternativa correta
Alternativas
Q2026138 Português
Texto 1

A Importância da Ciência, Tecnologia e Inovação


A ciência tem implicações para as questões que enfrentamos todos os dias, e embora a ciência não determine qual opção é a mais acertada, ela nos dá conhecimento e informação importantes para as nossas decisões. Lavar ou não lavar. Cento e setenta anos atrás, a lavagem das mãos não era um ritual de todos os dias — mesmo para os médicos que trabalhavam na morgue ou na maternidade! No entanto, desde então, os biólogos desenvolveram a teoria microbiana da doença, e a investigação mostrou que a lavagem das mãos evita a propagação de infeções. Um estudo de 2005 descobriu que promover a lavagem das mãos entre as crianças em regiões de baixos rendimentos poderia reduzir a incidência de doenças como a pneumonia em cinquenta por cento. Apesar de lavar as mãos poder parecer hoje em dia um simples hábito, é tão comum apenas porque o conhecimento científico tem realçado os seus benefícios.

     Tal como molda o seu processo pessoal de tomada de decisão, o conhecimento científico também influencia a formação de decisões políticas de regulamentação — e os resultados dessas decisões estão por toda a parte. A ciência não nos diz que devemos prevenir doenças, dar aviso prévio em caso de desastre, ou mesmo proteger o nosso planeta. As pessoas tomam essas decisões com base nos seus próprios valores, mas a partir do momento em que uma decisão é tomada, podemos usar o conhecimento científico para descobrir como atingir esse objetivo e quais serão as suas ramificações prováveis.
      A ciência toca muitos aspectos das nossas vidas: desde o corriqueiro (por exemplo, o saco de plástico onde se colocam as compras) até desenvolvimentos que mudam o mundo (por exemplo, a erradicação da varíola). E enquanto alguns dos impactos da ciência na sociedade podem não ser bênçãos evidentes, muitos são. Sem ciência, não teríamos conhecimentos básicos sobre promoção da saúde, segurança e gestão ambiental. Este conhecimento influencia o nosso processo de tomada de decisão tanto nosso pessoal como social. O conhecimento científico também é a base para o progresso tecnológico. Desde uma simples lâmpada até um computador complexo e o arroz geneticamente modificado — tudo isso são tecnologias feitas pelo homem baseadas no conhecimento científico básico.


NOVO, B. N. Disponível em: https://benignonovonovo.jusbrasil.com. br/artigos/845978281/a-importancia-da-ciencia-tecnologia-e-inovacao-para-a-sociedade. Publicado em 2020. Acesso em: 02 de nov. 2022. Fragmento adaptado.
Sobre o texto 1, é correto o que se afirma em:
Alternativas
Q2025893 Português
Texto 1

Álcool × Direção:Uma Mistura Fatal

Dez anos após a criação do CTB, em 2008, as penalidades ficaram mais severas para o condutor que dirigisse sob influência de álcool. O motorista estava sujeito a ser multado, em qualquer quantidade de álcool que fosse detectado em seu organismo, e também a ter suspenso seu direito de dirigir. A partir da constatação de 0.30 miligramas de álcool por litro de ar expelido pelos pulmões (mg/L), a conduta tornava-se crime de trânsito.

Além disso, a mesma lei que alterou o CTB trouxe a proibição da venda varejista ou o oferecimento de bebidas alcoólicas para consumo no local na faixa de domínio de rodovia federal ou em terrenos com acesso direto à rodovia. Já em 2012, as possibilidades de verificação de embriaguez foram ampliadas, sendo admitidas provas testemunhais, vídeos ou outros meios para que o condutor seja retirado da direção veicular e punido.

Atualmente, a multa por dirigir sob efeito de álcool teve o valor ampliado de R$ 1.915,40 para R$ 2.934,70. Em caso de reincidência no período de 12 meses, o valor será dobrado para R$ 5.869,40. Continuam a valer as medidas administrativas de recolhimento da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), retenção do veículo e a penalidade de suspensão do direito de dirigir por 12 meses, inclusive para quem se negar a fazer o teste com o bafômetro.

Muitos alegam desconfiança dos equipamentos destinados à medição do teor alcoólico no ar alveolar, o etilômetro, popularmente conhecido como bafômetro. A PRF enfatiza que seus equipamentos são os mesmos usados pela polícia americana e por várias outras forças policiais. O etilômetro utilizado pela PRF é aferido pela instituição metrológica pelo menos uma vez ao ano.

Os bocais utilizados são descartáveis e inseridos no equipamento diante do condutor. É realizado um teste em branco para eliminar qualquer resíduo no equipamento. Só então é solicitado ao condutor que sopre no equipamento.


Disponível em:<https://www.justica.gov.br/news/alcool-x-direcao-uma-mistura-fata> . Acesso em 02 de nov. 2022. Fragmento adaptado.
Assinale a alternativa correta, considerando o texto 1.
Alternativas
Q2025660 Português

Texto 01


Nem toda zona de conforto é ruim


    Um dia, não sei quando nem sei quem, alguém inventou em algum lugar que, para conseguir qualquer coisa na vida, é preciso “sair da zona de conforto”. A frase ganhou o mundo e se tornou um símbolo do anticonformismo, do esforço desmedido, da superação pessoal e profissional e até do empreendedorismo. Segundo sua lógica peculiar, só entra no reino dos céus quem sai da zona de conforto. 
     Como todo símbolo, esse clichê também caiu na armadilha de encerrar uma verdade. E verdades encerradas não se abrem para a saúde exuberante das dúvidas. Não são afeitas à liberdade infantil do pensamento. De tão óbvia, uma verdade absoluta não admite questionamentos.
    É claro que toda conquista requer algum tipo de esforço, que todo sucesso é resultado do empenho de cada um, de sua capacidade de vencer dificuldades. Ninguém contesta que o movimento gera força e, com força, a gente cresce. Inegável que ficar parado, esperando cair do céu o que se deseja, nunca vai dar em nada. Daí a condenar o conforto como algo de que se deve fugir, classificá-lo como uma zona fantasma onde se arrasta uma comunidade de preguiçososB Isso sempre me pareceu um pouquinho demais. Porque o significado de conforto não pode ser reduzido àquele que vem do latim, da palavra cumfortare, vinda por sua vez de cum-fortis, de alívio da dor. [...]
     Essa tal zona de conforto, pegajosa e limitante, talvez traduza o que seja a suposta segurança da casa dos pais, de onde uma hora os filhos devem sair para construírem suas próprias vidas, suas histórias, suas carreiras, suas famílias. É o tal emprego que já não oferece mais nada além de mera subsistência e, por isso, gera angústia e infelicidade. É o relacionamento amoroso que de amor já não tem mais nada. [...] O que se convencionou chamar de “zona de conforto” é todo canto físico e mental dos quais alguém não consegue sair por conveniência, por inércia, por falta de ambição, por medo ou por tudo isso junto. Isso é estar parado. Acontece que nem todo conforto paralisa. Compreendo o propósito de quem continua apregoando que é preciso sair da zona de conforto. Mas acho que passou da hora de virar esse disco. A tão temida zona de conforto não é um lugar de onde se deve sair. É o lugar para onde todos devemos voltar! [...] 
     Será que essa obrigação desmedida de escapar de um lugar que nem todo mundo sabe o que é, a qual é repetida sem filtro nem reflexão nas escolas, nas empresas, nas famílias, não formou uma geração inteira de pessoas desconfortáveis com o que fazem, com o que têm, com o que são? Será que, em meio a tantas palestras, livros, filmes e cursos sobre sair da zona de conforto, não sobram três minutinhos para pensarmos com honestidade sobre o que queremos das nossas próprias vidas antes que alguém repita que é preciso sair da zona de conforto? E será possível que toda pessoa boa desejando um cadinho de conforto nesse mundo, um pouquinho de aconchego e descanso, um mínimo percentual de tranquilidade em meio à rotina de trabalho intenso a que todos estamos sujeitos, seja gratuitamente eleita como simplesmente acomodada? [...]  
     Honestamente, eu acho que pessoas motivadas a trabalhar duro para merecerem seu espaço no mundo, e que esse espaço seja bonito, aconchegante e espaçoso para todos os seus sonhos, são verdadeiras fábricas de felicidade e realização. Não sei você, mas eu quero mesmo é voltar à minha zona de conforto. Eu mereço e trabalho muito para me sentir confortável com minhas escolhas, com minha família, com meu jeito de estar no mundo, com todos os desafios que a vida me apresenta todos os dias. E com todo o trabalho intenso que tudo isso representa.

Disponível em: https://vidasimples.co/colunistas/. Acesso em: 11 jun. 2022. Adaptado. 
A autora cita alguns exemplos de pessoas e situações que, de fato, representam a necessidade de saída da zona de conforto. A alternativa que está incoerente com esses exemplos apresentados é 
Alternativas
Q2025659 Português

Texto 01


Nem toda zona de conforto é ruim


    Um dia, não sei quando nem sei quem, alguém inventou em algum lugar que, para conseguir qualquer coisa na vida, é preciso “sair da zona de conforto”. A frase ganhou o mundo e se tornou um símbolo do anticonformismo, do esforço desmedido, da superação pessoal e profissional e até do empreendedorismo. Segundo sua lógica peculiar, só entra no reino dos céus quem sai da zona de conforto. 
     Como todo símbolo, esse clichê também caiu na armadilha de encerrar uma verdade. E verdades encerradas não se abrem para a saúde exuberante das dúvidas. Não são afeitas à liberdade infantil do pensamento. De tão óbvia, uma verdade absoluta não admite questionamentos.
    É claro que toda conquista requer algum tipo de esforço, que todo sucesso é resultado do empenho de cada um, de sua capacidade de vencer dificuldades. Ninguém contesta que o movimento gera força e, com força, a gente cresce. Inegável que ficar parado, esperando cair do céu o que se deseja, nunca vai dar em nada. Daí a condenar o conforto como algo de que se deve fugir, classificá-lo como uma zona fantasma onde se arrasta uma comunidade de preguiçososB Isso sempre me pareceu um pouquinho demais. Porque o significado de conforto não pode ser reduzido àquele que vem do latim, da palavra cumfortare, vinda por sua vez de cum-fortis, de alívio da dor. [...]
     Essa tal zona de conforto, pegajosa e limitante, talvez traduza o que seja a suposta segurança da casa dos pais, de onde uma hora os filhos devem sair para construírem suas próprias vidas, suas histórias, suas carreiras, suas famílias. É o tal emprego que já não oferece mais nada além de mera subsistência e, por isso, gera angústia e infelicidade. É o relacionamento amoroso que de amor já não tem mais nada. [...] O que se convencionou chamar de “zona de conforto” é todo canto físico e mental dos quais alguém não consegue sair por conveniência, por inércia, por falta de ambição, por medo ou por tudo isso junto. Isso é estar parado. Acontece que nem todo conforto paralisa. Compreendo o propósito de quem continua apregoando que é preciso sair da zona de conforto. Mas acho que passou da hora de virar esse disco. A tão temida zona de conforto não é um lugar de onde se deve sair. É o lugar para onde todos devemos voltar! [...] 
     Será que essa obrigação desmedida de escapar de um lugar que nem todo mundo sabe o que é, a qual é repetida sem filtro nem reflexão nas escolas, nas empresas, nas famílias, não formou uma geração inteira de pessoas desconfortáveis com o que fazem, com o que têm, com o que são? Será que, em meio a tantas palestras, livros, filmes e cursos sobre sair da zona de conforto, não sobram três minutinhos para pensarmos com honestidade sobre o que queremos das nossas próprias vidas antes que alguém repita que é preciso sair da zona de conforto? E será possível que toda pessoa boa desejando um cadinho de conforto nesse mundo, um pouquinho de aconchego e descanso, um mínimo percentual de tranquilidade em meio à rotina de trabalho intenso a que todos estamos sujeitos, seja gratuitamente eleita como simplesmente acomodada? [...]  
     Honestamente, eu acho que pessoas motivadas a trabalhar duro para merecerem seu espaço no mundo, e que esse espaço seja bonito, aconchegante e espaçoso para todos os seus sonhos, são verdadeiras fábricas de felicidade e realização. Não sei você, mas eu quero mesmo é voltar à minha zona de conforto. Eu mereço e trabalho muito para me sentir confortável com minhas escolhas, com minha família, com meu jeito de estar no mundo, com todos os desafios que a vida me apresenta todos os dias. E com todo o trabalho intenso que tudo isso representa.

Disponível em: https://vidasimples.co/colunistas/. Acesso em: 11 jun. 2022. Adaptado. 
A autora afirma que a expressão “sair da zona de conforto” é um “clichê”, porque se trata de 
Alternativas
Q2025658 Português

Texto 01


Nem toda zona de conforto é ruim


    Um dia, não sei quando nem sei quem, alguém inventou em algum lugar que, para conseguir qualquer coisa na vida, é preciso “sair da zona de conforto”. A frase ganhou o mundo e se tornou um símbolo do anticonformismo, do esforço desmedido, da superação pessoal e profissional e até do empreendedorismo. Segundo sua lógica peculiar, só entra no reino dos céus quem sai da zona de conforto. 
     Como todo símbolo, esse clichê também caiu na armadilha de encerrar uma verdade. E verdades encerradas não se abrem para a saúde exuberante das dúvidas. Não são afeitas à liberdade infantil do pensamento. De tão óbvia, uma verdade absoluta não admite questionamentos.
    É claro que toda conquista requer algum tipo de esforço, que todo sucesso é resultado do empenho de cada um, de sua capacidade de vencer dificuldades. Ninguém contesta que o movimento gera força e, com força, a gente cresce. Inegável que ficar parado, esperando cair do céu o que se deseja, nunca vai dar em nada. Daí a condenar o conforto como algo de que se deve fugir, classificá-lo como uma zona fantasma onde se arrasta uma comunidade de preguiçososB Isso sempre me pareceu um pouquinho demais. Porque o significado de conforto não pode ser reduzido àquele que vem do latim, da palavra cumfortare, vinda por sua vez de cum-fortis, de alívio da dor. [...]
     Essa tal zona de conforto, pegajosa e limitante, talvez traduza o que seja a suposta segurança da casa dos pais, de onde uma hora os filhos devem sair para construírem suas próprias vidas, suas histórias, suas carreiras, suas famílias. É o tal emprego que já não oferece mais nada além de mera subsistência e, por isso, gera angústia e infelicidade. É o relacionamento amoroso que de amor já não tem mais nada. [...] O que se convencionou chamar de “zona de conforto” é todo canto físico e mental dos quais alguém não consegue sair por conveniência, por inércia, por falta de ambição, por medo ou por tudo isso junto. Isso é estar parado. Acontece que nem todo conforto paralisa. Compreendo o propósito de quem continua apregoando que é preciso sair da zona de conforto. Mas acho que passou da hora de virar esse disco. A tão temida zona de conforto não é um lugar de onde se deve sair. É o lugar para onde todos devemos voltar! [...] 
     Será que essa obrigação desmedida de escapar de um lugar que nem todo mundo sabe o que é, a qual é repetida sem filtro nem reflexão nas escolas, nas empresas, nas famílias, não formou uma geração inteira de pessoas desconfortáveis com o que fazem, com o que têm, com o que são? Será que, em meio a tantas palestras, livros, filmes e cursos sobre sair da zona de conforto, não sobram três minutinhos para pensarmos com honestidade sobre o que queremos das nossas próprias vidas antes que alguém repita que é preciso sair da zona de conforto? E será possível que toda pessoa boa desejando um cadinho de conforto nesse mundo, um pouquinho de aconchego e descanso, um mínimo percentual de tranquilidade em meio à rotina de trabalho intenso a que todos estamos sujeitos, seja gratuitamente eleita como simplesmente acomodada? [...]  
     Honestamente, eu acho que pessoas motivadas a trabalhar duro para merecerem seu espaço no mundo, e que esse espaço seja bonito, aconchegante e espaçoso para todos os seus sonhos, são verdadeiras fábricas de felicidade e realização. Não sei você, mas eu quero mesmo é voltar à minha zona de conforto. Eu mereço e trabalho muito para me sentir confortável com minhas escolhas, com minha família, com meu jeito de estar no mundo, com todos os desafios que a vida me apresenta todos os dias. E com todo o trabalho intenso que tudo isso representa.

Disponível em: https://vidasimples.co/colunistas/. Acesso em: 11 jun. 2022. Adaptado. 
De acordo com o texto, é CORRETO afirmar que a autora
Alternativas
Q2024527 Português
Reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste terão chuvas intensas, aponta ANS

Apenas a Região Nordeste se manteve em 65% da média

Projeções do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para próxima semana mostram que as chuvas em reservatórios de hidrelétricas do subsistema Sudeste/Centro-Oeste deverão ser mais intensas do que o previsto. A nova perspectiva é de chuvas equivalentes a 73% da média histórica, ante 67% previstos na semana anterior. A previsão considera os dias 17 a 23 de setembro.

Nos demais subsistemas, as projeções mudaram para 107% da média histórica para o Sul (ante 116%), 76% da média para o Norte (ante a 76%). Apenas a Região Nordeste se manteve em 65% da média.

Os dados de Energia Armazenada indicam que os níveis dos reservatórios das hidrelétricas podem encerrar setembro em patamares superiores a 65% em três subsistemas. No Sul, a projeção é de 87,6%. Para o Norte e o Nordeste, as previsões para o dia 30 do mês são de 78,2% e 66,6%, respectivamente.

O subsistema Sudeste/Centro-Oeste deve atingir 49,4%, na mesma data, previsão levemente superior a divulgada na semana passada, quando as projeções indicaram que a região chegaria a 49,2%.

O Custo Marginal de Operação (CMO) está, pela sétima semana consecutiva, com valores menores e equalizados em todos os subsistemas. A previsão é que o CMO fique em R$ 40,81, valor 7,8% inferior ao registrado anteriormente.

Fonte: https://odia.ig.com.br/brasil/2022/09/6487775-reservatorios-do-sudeste-ecentro-oeste-terao-chuvas-intensas-aponta-ans.html. Acesso em 18/09/2022
Em “O subsistema Sudeste/Centro-Oeste deve atingir 49,4%, na mesma data [...]” (4º parágrafo), o verbo destacado expressa a noção de: 
Alternativas
Q2024523 Português
Reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste terão chuvas intensas, aponta ANS

Apenas a Região Nordeste se manteve em 65% da média

Projeções do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para próxima semana mostram que as chuvas em reservatórios de hidrelétricas do subsistema Sudeste/Centro-Oeste deverão ser mais intensas do que o previsto. A nova perspectiva é de chuvas equivalentes a 73% da média histórica, ante 67% previstos na semana anterior. A previsão considera os dias 17 a 23 de setembro.

Nos demais subsistemas, as projeções mudaram para 107% da média histórica para o Sul (ante 116%), 76% da média para o Norte (ante a 76%). Apenas a Região Nordeste se manteve em 65% da média.

Os dados de Energia Armazenada indicam que os níveis dos reservatórios das hidrelétricas podem encerrar setembro em patamares superiores a 65% em três subsistemas. No Sul, a projeção é de 87,6%. Para o Norte e o Nordeste, as previsões para o dia 30 do mês são de 78,2% e 66,6%, respectivamente.

O subsistema Sudeste/Centro-Oeste deve atingir 49,4%, na mesma data, previsão levemente superior a divulgada na semana passada, quando as projeções indicaram que a região chegaria a 49,2%.

O Custo Marginal de Operação (CMO) está, pela sétima semana consecutiva, com valores menores e equalizados em todos os subsistemas. A previsão é que o CMO fique em R$ 40,81, valor 7,8% inferior ao registrado anteriormente.

Fonte: https://odia.ig.com.br/brasil/2022/09/6487775-reservatorios-do-sudeste-ecentro-oeste-terao-chuvas-intensas-aponta-ans.html. Acesso em 18/09/2022
O tema central do texto é a: 
Alternativas
Respostas
13081: B
13082: B
13083: E
13084: D
13085: C
13086: D
13087: B
13088: E
13089: B
13090: C
13091: A
13092: D
13093: E
13094: D
13095: B
13096: E
13097: C
13098: D
13099: D
13100: C