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Questões de Concurso Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q2145157 Português
Coisas antigas

    Já tive muitas capas e infinitos guarda‐chuvas, mas acabei me cansando de tê‐los e perdê‐los; há anos vivo sem nenhum desses abrigos, e também, como toda gente, sem chapéu. Tenho apanhado muita chuva, dado muita corrida, me plantado debaixo de muita marquise, mas resistido. Como geralmente chove à tarde, mais de uma vez me coloquei sob a proteção espiritual dos irmãos Marinho, e fiz de O Globo meu paraguas de emergência.
    Ontem, porém, choveu demais, e eu precisava ir a três pontos diferentes de meu bairro. Quando o moço de recados veio apanhar a crônica para o jornal, pedi‐lhe que me comprasse um chapéu‐de‐chuva que não fosse vagabundo demais, mas também não muito caro. Ele me comprou um de pouco mais de trezentos cruzeiros, objeto que me parece bem digno da pequena classe média, a que pertenço (uma vez tive um delírio de grandeza em Roma e adquiri a mais fina e soberba umbrella da Via Condotti; abandonou‐me no primeiro bar em que entramos; não era coisa para mim).
    Depois de cumprir meus afazeres voltei para casa, pendurei o guarda‐chuva a um canto e me pus a contemplá‐lo. Senti então uma certa simpatia por ele; meu velho rancor contra guarda‐chuvas cedeu lugar a um estranho carinho, e eu mesmo fiquei curioso de saber qual era a origem desse carinho.
    Pensando bem, ele talvez derive do fato, creio que já notado por outras pessoas, de ser o guarda‐chuva o objeto do mundo moderno mais infenso a mudanças. Sou apenas um quarentão, e praticamente nenhum objeto de minha infância existe mais em sua forma primitiva. De máquinas como telefone, automóvel etc., nem é bom falar. Mil pequenos objetos de uso mudaram de forma, de cor, de material; em alguns casos, é verdade, para melhor; mas mudaram.
    O guarda‐chuva tem resistido. Suas irmãs, as sombrinhas, já se entregaram aos piores desregramentos futuristas e tanto abusaram que até caíram de moda. Ele permaneceu austero, negro, com seu cabo e suas invariáveis varetas. De junco fino ou pinho vulgar, de algodão ou de seda animal, pobre ou rico, ele se tem mantido digno.
    Reparem que é um dos engenhos mais curiosos que o homem já inventou; tem ao mesmo tempo algo de ridículo e algo de fúnebre, essa pequena barraca ambulante.
    Já na minha infância era um objeto de ares antiquados, que parecia vindo de épocas remotas, e uma de suas características era ser muito usado em enterros. Por outro lado, esse grande acompanhador de defuntos sempre teve, apesar de seu feitio grave, o costume leviano de se perder, de sumir, de mudar de dono. Ele na verdade só é fiel a seus amigos cem por cento, que com ele saem todo dia, faça chuva ou faça sol, apesar dos motejos alheios; a estes, respeita. O freguês vulgar e ocasional, este o irrita, e ele se aproveita da primeira distração para fugir.  
    Nada disso, entretanto, lhe tira o ar honrado. Ali está ele, meio aberto, ainda molhado, choroso; descansa com uma espécie de humildade ou paciência humana; se tivesse liberdade de movimentos não duvido que iria para cima do telhado quentar sol, como fazem os urubus.
    Entrou calmamente pela era atômica, e olha com ironia a arquitetura e os móveis chamados funcionais: ele já era funcional muito antes de se usar esse adjetivo; e tanto que a fantasia, a inquietação e a ânsia de variedade do homem não conseguiram modificá‐lo em coisa alguma. Não sei há quantos anos existe a Casa Loubet, na Rua Sete de Setembro. Também não sei se seus guarda‐chuvas são melhores ou piores que os outros; são bons; meu pai os comprava lá, sempre que vinha ao Rio, herdei esse hábito.
    Há um certo conforto íntimo em seguir um hábito paterno; uma certa segurança e uma certa doçura. Estou pensando agora se quando ficar um pouco mais velho não comprarei uma cadeira de balanço austríaca. É outra coisa antiga que tem resistido, embora muito discretamente. Os mobiliadores e decoradores modernos a ignoram; já se inventaram dela mil versões modificadas, mas ela ainda existe na sua graça e leveza original. É respeitável como um guarda‐chuva me convém para resguardo da cabeça encanecida, e talvez o embalo de uma cadeira de balanço dê uma cadência mais sossegada aos meus pensamentos, e uma velha doçura familiar aos sonhos de senhor só.

(BRAGA, Rubem. 1913‐1990. 200 crônicas escolhidas – 31ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2010.)
O assunto principal do texto é:
Alternativas
Q2144963 Português
Leia o trecho a seguir.
O quadro epidemiológico nutricional do Brasil deve apontar para estratégias de saúde pública capazes de dar conta de um modelo de atenção para desnutrição e obesidade, integrando consequências e interfaces das políticas econômicas dentro do processo de adoecer e morrer das populações.
Em relação à estruturação desse trecho, é CORRETO afirmar que
Alternativas
Q2144962 Português
Leia este texto. 
    A obesidade, doença integrante do grupo de doenças crônicas não transmissíveis, é o acúmulo excessivo de gordura corporal em extensão tal que acarreta prejuízos à saúde dos indivíduos. A etiologia da obesidade é um processo multifatorial que envolve aspectos ambientais e genéticos. Atualmente, a obesidade é um problema de saúde pública mundial, tanto os países desenvolvidos como os em desenvolvimento apresentam elevação de sua prevalência. A transição nutricional é um processo de modificações sequenciais no padrão de nutrição e consumo, que acompanha mudanças econômicas, sociais e demográficas, e mudanças do perfil de saúde das populações. Neste novo perfil, a urbanização determinou uma mudança nos padrões de comportamento alimentar que, juntamente com a redução da atividade física nas populações, vem desempenhando importante papel. O aumento da prevalência da obesidade no Brasil é relevante e proporcionalmente mais elevado nas famílias de baixa renda. O quadro epidemiológico nutricional do Brasil deve apontar para estratégias de saúde pública capazes de dar conta de um modelo de atenção para desnutrição e obesidade, integrando consequências e interfaces das políticas econômicas dentro do processo de adoecer e morrer das populações. 
PINHEIRO, Anelise; FREITAS, Sérgio e CORSO, Arlete. Uma abordagem epidemiológica da obesidade. In: Revista de Nutrição. n. 17, Dez 2004.
Disponível em: https://www.scielo.br/j/rn/a/yb5FgzvgCVPZVsxtsNp384t/abstract/?lang=pt. Acesso em: 28 nov. 2022. (Adaptado)

 De acordo com as informações do texto, é CORRETO afirmar que 


Alternativas
Q2144960 Português
Leia este texto. 
TEXTO 4 RECADO AO SENHOR 903
      Vizinho, quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu apartamento. Recebi depois da sua própria visita pessoal – devia ser meia-noite – e a sua veemente reclamação verbal. Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é explícito e, se não o fosse, o senhor ainda teria ao seu lado a Lei e a Polícia. Quem trabalha o dia inteiro tem direito ao repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no 1003. Ou melhor: é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome, nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre dezenas de outros […] Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante, um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão: ao meu número) será convidado a se retirar às 21h45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22 às 7 pois às 8h15 deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará até o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305. Nossa vida, vizinho, está toda numerada: e reconheço que ela só pode ser tolerável quando um número não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhe desculpas – e prometo silêncio. [...] Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse à porta do outro e dissesse: ‘Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou’. E o outro respondesse: ‘Entra vizinho e come do meu pão e bebe do meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e a cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela’.
BRAGA, Rubem. Para gostar de ler: crônicas. “Recado ao Senhor 903”. Rio de Janeiro: Ática, 1991. (Adaptado).

 Assinale a afirmativa que NÃO pode ser comprovada pelo texto.
Alternativas
Q2144958 Português
Leia este texto.

       […] O seu cérebro é o que você faz com ele. Cada tarefa que realiza – ler, correr, rir, calcular, debater, dobrar a roupa lavada, cortar a grama, cantar, chorar, beijar, e assim por diante – reforça circuitos cerebrais ativos à custa de outros inativos. Aprender e praticar cria redes neurais no cérebro humano […] 
      O pleno desenvolvimento das características mentais conhecidas como femininas e masculinas também depende da imersão automática da criança na cultura feminina ou masculina, cada uma tão poderosa quanto as cantigas de ninar que cantamos e o alimento que fornecemos. […] Sim, homens e mulheres são diferentes. Sim, seus cérebros são diferentes. […]
    Mas, com relação às diferenças entre meninos e meninas, e até a maioria das diferenças psicológicas entre homens e mulheres, o fato é que as diferenças são muito menores do que comumente se acredita e ainda estão longe de serem compreendidas no nível do cérebro ou da neuroquímica. [...]
ELIOT, Lise. Cérebro azul ou rosa - o impacto das diferenças de gênero na educação. Porto Alegre: Penso, 2013, p. 19.

De acordo com o texto, é CORRETO afirmar que
Alternativas
Q2144667 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

O que é inflamação e como atua o sistema imunológico

As inflamações estão associadas à dor de uma lesão ou às doenças que ela pode causar, mas elas são parte importante da reação imunológica.

De forma geral, o termo "inflamação" designa todas as atividades do sistema imunológico que ocorrem quando o corpo tenta combater infecções reais ou potenciais, eliminando moléculas tóxicas ou recuperando-se de lesões físicas.

Existem cinco sinais físicos clássicos da inflamação aguda: calor, dor, vermelhidão, inchaço e perda da função. Inflamações fracas podem nem mesmo produzir sintomas perceptíveis, mas o processo celular subjacente é o mesmo.

Vejamos o caso de uma picada de abelha por exemplo. O sistema imunológico age como uma brigada militar com uma ampla variedade de armas no seu arsenal.

Depois de detectar as toxinas, as bactérias e a lesão física causada pela picada, o sistema imunológico envia diversos tipos de células imunológicas para o local atacado pela abelha. Estas incluem as células T, células B, macrófagos e neutrófilos, entre outras.

As células B produzem anticorpos. Esses anticorpos matam as bactérias da ferida e neutralizam as toxinas da picada. Já os macrófagos e neutrófilos envolvem-nas e as destroem. E as células T não produzem anticorpos, mas matarão células infectadas por vírus para evitar a difusão viral.

Além disso, essas células imunológicas produzem centenas de tipos de moléculas denominadas citocinas, que ajudam a combater ameaças e reparar danos do corpo. Mas, como em um ataque militar, as inflamações trazem efeitos colaterais.

Os mediadores que ajudam a matar as bactérias também matam células saudáveis. Outras moléculas mediadoras similares causam vazamento dos vasos sanguíneos, gerando acúmulo de fluidos e o fluxo de mais células imunológicas.

Esses danos colaterais são o motivo do desenvolvimento de inchaços, vermelhidão e dores em volta de uma picada de abelha ou de uma injeção.

Quando o sistema imunológico elimina uma infecção ou invasor externo, diferentes partes da reação inflamatória assumem e ajudam a reparar o tecido lesionado.

Depois de alguns dias, o corpo neutraliza o veneno da picada, elimina eventuais bactérias invasoras e cura qualquer tecido que tenha sido afetado.

https://www.bbc.com/portuguese/geral-63901846. Adaptado.
Se você tiver artrite, as suas juntas irão doer. Se uma abelha picar a sua mão, ela irá inchar e ficar rígida. Todas estas são manifestações de inflamações que ocorrem no corpo.
De acordo com o texto base:
Alternativas
Q2144369 Português


Internet: <www.tcconline.fag.edu.br> (com adaptações).

Acerca da estrutura linguística e do vocabulário empregados no texto, julgue o item.


A expressão “Suas causas” (linhas 29 e 30) faz referência aos motivos das “alterações que ocorrem na comunicação e na deglutição com o envelhecimento do ser humano” (linhas de 22 a 24).

Alternativas
Q2144363 Português


Internet: <www.tcconline.fag.edu.br> (com adaptações).

Acerca da estrutura linguística e do vocabulário empregados no texto, julgue o item.


A expressão “os números de 2017” (linha 16) refere‑se ao contingente populacional brasileiro cuja idade estava acima dos sessenta anos no ano de 2017.

Alternativas
Q2144357 Português


Internet: <www.tcconline.fag.edu.br> (com adaptações).

Com base nas ideias do texto, julgue o item. 


O envelhecimento é um processo dinâmico e progressivo, que é determinado por fatores exclusivamente genéticos. 

Alternativas
Q2144356 Português


Internet: <www.tcconline.fag.edu.br> (com adaptações).

Com base nas ideias do texto, julgue o item. 


Na linha 14, a expressão entre parênteses “acima de 60 anos de idade” explica o sentido da expressão antecedente, “população idosa” . 

Alternativas
Q2144355 Português


Internet: <www.tcconline.fag.edu.br> (com adaptações).

Com base nas ideias do texto, julgue o item. 


Dadas as alterações no organismo relativas à comunicação e à deglutição, a atuação de um profissional de fonoaudiologia mostra‑se importante para a saúde do idoso.

Alternativas
Q2144354 Português


Internet: <www.tcconline.fag.edu.br> (com adaptações).

Com base nas ideias do texto, julgue o item. 


É correto afirmar que as pessoas envelhecem de diferentes formas.

Alternativas
Q2144353 Português


Internet: <www.tcconline.fag.edu.br> (com adaptações).

Com base nas ideias do texto, julgue o item. 


O modo saudável como a população vem envelhecendo é uma das transformações mais significantes do século XXI.

Alternativas
Q2144161 Português



Internet: : <www.fonosp.org.br> (com adaptações).

Acerca da estrutura linguística e do vocabulário empregados no texto, julgue o item.


A palavra “atuação” (linha 24) foi empregada no texto com o mesmo sentido de atividade.

Alternativas
Q2144151 Português



Internet: : <www.fonosp.org.br> (com adaptações).

Com base nas ideias do texto, julgue o item.


No que diz respeito à inclusão, o alcance dos propósitos relativos à alfabetização, à EJA e ao ensino superior passa, necessariamente, pela atuação fonoaudiológica.

Alternativas
Q2144150 Português



Internet: : <www.fonosp.org.br> (com adaptações).

Com base nas ideias do texto, julgue o item.


Uma possível forma de atuação fonoaudiológica está relacionada à definição das políticas de saúde e de educação.

Alternativas
Q2144149 Português



Internet: : <www.fonosp.org.br> (com adaptações).

Com base nas ideias do texto, julgue o item.


Ações clínicas e de prevenção e promoção da saúde consistem em formas por meio das quais a educação e a fonoaudiologia podem ser interligadas. 

Alternativas
Q2144148 Português



Internet: : <www.fonosp.org.br> (com adaptações).

Com base nas ideias do texto, julgue o item.


A linguagem oral é considerada o objeto de estudo mais importante da fonoaudiologia.

Alternativas
Q2144025 Português
Há informações presentes em um texto que nem sempre são representadas por palavras. Estar atento à representação dessas informações é um recurso muito útil à compreensão textual.
Analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.

I – Devemos desconsiderar as informações não verbais de um texto, tais como ilustrações, números, gráficos, tabelas, aspas, tipo e tamanho de letra, enfim, todo o aspecto visual do texto impresso

PORQUE

II – sempre há poucas fontes de informação para o leitor eficaz e elas atrapalham a simples leitura do que está escrito diante de nossos olhos.

Sobre as asserções, é correto afirmar que 
Alternativas
Q2143947 Português
[...]
Ah, a pandemia vai nos fazer valorizar o contato humano! Ah, a pandemia vai nos ensinar a proteger a natureza! Ah, a pandemia vai mostrar ao mundo que a amizade, o convívio e o senso de comunidade devem prevalecer sobre a meritocracia de todos contra todos! [...] a pandemia normalizou sabe o quê? Sabe o quê? Vou falar o quê, pombas: a praga da mensagem de áudio.
Antes da pandemia o WhatsApp era uma espécie de telégrafo. Daí virou conversa, reunião, trabalho, DR. Foi quando liberou o áudio.
[...]
Mandar um áudio sem antes ter a delicadeza de perguntar “posso te mandar um áudio?” é como aparecer na casa de alguém, sem ser convidado, para o jantar. […] Mandar um áudio é como segurar no ombro de um conhecido numa festa e desandar a falar de si próprio, sem ser perguntado.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ antonioprata/2022/08/ha-males-que-vem-para-o-mal.shtml. Acesso em: 20 out. 2022. [Fragmento]
No texto, pode-se observar o posicionamento do autor quanto a uma
Alternativas
Respostas
11941: B
11942: C
11943: D
11944: A
11945: B
11946: A
11947: C
11948: C
11949: E
11950: C
11951: C
11952: C
11953: E
11954: C
11955: E
11956: C
11957: C
11958: E
11959: A
11960: C