Questões de Concurso Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q2290554 Português
A foto

        Foi numa festa de família, dessas de fim de ano. Já que o bisavô estava morre não morre, decidiram tirar uma fotografia de toda a família reunida, talvez pela última vez. A bisa e o bisa sentados, filhos, filhas, noras, genros e netos em volta, bisnetos na frente, esparramados pelo chão. Castelo, o dono da câmara, comandou a pose, depois tirou o olho do visor e ofereceu a câmara a quem ia tirar a fotografia. Mas quem ia tirar a fotografia?
        – Tira você mesmo, ué.
        – Ah, é? E eu não saio na foto?
        O Castelo era o genro mais velho. O primeiro genro. O que sustentava os velhos. Tinha que estar na fotografia.
        – Tiro eu – disse o marido da Bitinha.
        – Você fica aqui – comandou a Bitinha.
        Havia uma certa resistência ao marido da Bitinha na família. A Bitinha, orgulhosa, insistia para que o marido reagisse. “Não deixa eles te humilharem, Mário Cesar”, dizia sempre. O Mário Cesar ficou firme onde estava, do lado da mulher. A própria Bitinha fez a sugestão maldosa:
        – Acho que quem deve tirar é o Dudu…
        O Dudu era o filho mais novo de Andradina, uma das noras, casada com o Luiz Olavo. Havia a suspeita, nunca claramente anunciada, de que não fosse o filho do Luiz Olavo.
        O Dudu se prontificou a tirar a fotografia, mas Andradina segurou o filho.
        – Só faltava essa, o Dudu não sair.
        E agora?
        – Pô, Castelo. Você disse que essa câmara só faltava falar. E não tem nem timer!
        O Castelo impávido. Tinham ciúmes dele. Porque ele tinha um Santana do ano. Porque comprara a câmara num duty free da Europa. Aliás, o apelido dele entre os outros era “Dutifri”, mas ele não sabia.
        – Revezamento – sugeriu alguém – Cada genro bate uma foto em que ele não aparece, e…
        A ideia foi sepultada em protestos. Tinha que ser toda a família reunida em volta da bisa. Foi quando o próprio bisa se ergueu, caminhou decididamente até o Castelo e arrancou a câmara da sua mão.
        – Dá aqui.
        – Mas seu Domício…
        – Vai pra lá e fica quieto.
        – Papai, o senhor tem que sair na foto. Senão não tem sentido!
        – Eu fico implícito – disse o velho, já com o olho no visor. E antes que houvesse mais protestos, acionou a câmara, tirou a foto e foi dormir.

(VERÍSSIMO, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010. P. 19-20.)
A partir das ideias exploradas em “– Eu fico implícito – disse o velho, já com o olho no visor.” (21º§) infere-se que o tom empregado em “implícito” expressa:
Alternativas
Q2290553 Português
A foto

        Foi numa festa de família, dessas de fim de ano. Já que o bisavô estava morre não morre, decidiram tirar uma fotografia de toda a família reunida, talvez pela última vez. A bisa e o bisa sentados, filhos, filhas, noras, genros e netos em volta, bisnetos na frente, esparramados pelo chão. Castelo, o dono da câmara, comandou a pose, depois tirou o olho do visor e ofereceu a câmara a quem ia tirar a fotografia. Mas quem ia tirar a fotografia?
        – Tira você mesmo, ué.
        – Ah, é? E eu não saio na foto?
        O Castelo era o genro mais velho. O primeiro genro. O que sustentava os velhos. Tinha que estar na fotografia.
        – Tiro eu – disse o marido da Bitinha.
        – Você fica aqui – comandou a Bitinha.
        Havia uma certa resistência ao marido da Bitinha na família. A Bitinha, orgulhosa, insistia para que o marido reagisse. “Não deixa eles te humilharem, Mário Cesar”, dizia sempre. O Mário Cesar ficou firme onde estava, do lado da mulher. A própria Bitinha fez a sugestão maldosa:
        – Acho que quem deve tirar é o Dudu…
        O Dudu era o filho mais novo de Andradina, uma das noras, casada com o Luiz Olavo. Havia a suspeita, nunca claramente anunciada, de que não fosse o filho do Luiz Olavo.
        O Dudu se prontificou a tirar a fotografia, mas Andradina segurou o filho.
        – Só faltava essa, o Dudu não sair.
        E agora?
        – Pô, Castelo. Você disse que essa câmara só faltava falar. E não tem nem timer!
        O Castelo impávido. Tinham ciúmes dele. Porque ele tinha um Santana do ano. Porque comprara a câmara num duty free da Europa. Aliás, o apelido dele entre os outros era “Dutifri”, mas ele não sabia.
        – Revezamento – sugeriu alguém – Cada genro bate uma foto em que ele não aparece, e…
        A ideia foi sepultada em protestos. Tinha que ser toda a família reunida em volta da bisa. Foi quando o próprio bisa se ergueu, caminhou decididamente até o Castelo e arrancou a câmara da sua mão.
        – Dá aqui.
        – Mas seu Domício…
        – Vai pra lá e fica quieto.
        – Papai, o senhor tem que sair na foto. Senão não tem sentido!
        – Eu fico implícito – disse o velho, já com o olho no visor. E antes que houvesse mais protestos, acionou a câmara, tirou a foto e foi dormir.

(VERÍSSIMO, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010. P. 19-20.)
Assinale a transcrição cujo conteúdo sintetiza a temática central da argumentação do autor do texto. 
Alternativas
Q2290551 Português
A foto

        Foi numa festa de família, dessas de fim de ano. Já que o bisavô estava morre não morre, decidiram tirar uma fotografia de toda a família reunida, talvez pela última vez. A bisa e o bisa sentados, filhos, filhas, noras, genros e netos em volta, bisnetos na frente, esparramados pelo chão. Castelo, o dono da câmara, comandou a pose, depois tirou o olho do visor e ofereceu a câmara a quem ia tirar a fotografia. Mas quem ia tirar a fotografia?
        – Tira você mesmo, ué.
        – Ah, é? E eu não saio na foto?
        O Castelo era o genro mais velho. O primeiro genro. O que sustentava os velhos. Tinha que estar na fotografia.
        – Tiro eu – disse o marido da Bitinha.
        – Você fica aqui – comandou a Bitinha.
        Havia uma certa resistência ao marido da Bitinha na família. A Bitinha, orgulhosa, insistia para que o marido reagisse. “Não deixa eles te humilharem, Mário Cesar”, dizia sempre. O Mário Cesar ficou firme onde estava, do lado da mulher. A própria Bitinha fez a sugestão maldosa:
        – Acho que quem deve tirar é o Dudu…
        O Dudu era o filho mais novo de Andradina, uma das noras, casada com o Luiz Olavo. Havia a suspeita, nunca claramente anunciada, de que não fosse o filho do Luiz Olavo.
        O Dudu se prontificou a tirar a fotografia, mas Andradina segurou o filho.
        – Só faltava essa, o Dudu não sair.
        E agora?
        – Pô, Castelo. Você disse que essa câmara só faltava falar. E não tem nem timer!
        O Castelo impávido. Tinham ciúmes dele. Porque ele tinha um Santana do ano. Porque comprara a câmara num duty free da Europa. Aliás, o apelido dele entre os outros era “Dutifri”, mas ele não sabia.
        – Revezamento – sugeriu alguém – Cada genro bate uma foto em que ele não aparece, e…
        A ideia foi sepultada em protestos. Tinha que ser toda a família reunida em volta da bisa. Foi quando o próprio bisa se ergueu, caminhou decididamente até o Castelo e arrancou a câmara da sua mão.
        – Dá aqui.
        – Mas seu Domício…
        – Vai pra lá e fica quieto.
        – Papai, o senhor tem que sair na foto. Senão não tem sentido!
        – Eu fico implícito – disse o velho, já com o olho no visor. E antes que houvesse mais protestos, acionou a câmara, tirou a foto e foi dormir.

(VERÍSSIMO, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010. P. 19-20.)
Após a leitura do texto, infere-se que seu título:
Alternativas
Q2290549 Português
A foto

        Foi numa festa de família, dessas de fim de ano. Já que o bisavô estava morre não morre, decidiram tirar uma fotografia de toda a família reunida, talvez pela última vez. A bisa e o bisa sentados, filhos, filhas, noras, genros e netos em volta, bisnetos na frente, esparramados pelo chão. Castelo, o dono da câmara, comandou a pose, depois tirou o olho do visor e ofereceu a câmara a quem ia tirar a fotografia. Mas quem ia tirar a fotografia?
        – Tira você mesmo, ué.
        – Ah, é? E eu não saio na foto?
        O Castelo era o genro mais velho. O primeiro genro. O que sustentava os velhos. Tinha que estar na fotografia.
        – Tiro eu – disse o marido da Bitinha.
        – Você fica aqui – comandou a Bitinha.
        Havia uma certa resistência ao marido da Bitinha na família. A Bitinha, orgulhosa, insistia para que o marido reagisse. “Não deixa eles te humilharem, Mário Cesar”, dizia sempre. O Mário Cesar ficou firme onde estava, do lado da mulher. A própria Bitinha fez a sugestão maldosa:
        – Acho que quem deve tirar é o Dudu…
        O Dudu era o filho mais novo de Andradina, uma das noras, casada com o Luiz Olavo. Havia a suspeita, nunca claramente anunciada, de que não fosse o filho do Luiz Olavo.
        O Dudu se prontificou a tirar a fotografia, mas Andradina segurou o filho.
        – Só faltava essa, o Dudu não sair.
        E agora?
        – Pô, Castelo. Você disse que essa câmara só faltava falar. E não tem nem timer!
        O Castelo impávido. Tinham ciúmes dele. Porque ele tinha um Santana do ano. Porque comprara a câmara num duty free da Europa. Aliás, o apelido dele entre os outros era “Dutifri”, mas ele não sabia.
        – Revezamento – sugeriu alguém – Cada genro bate uma foto em que ele não aparece, e…
        A ideia foi sepultada em protestos. Tinha que ser toda a família reunida em volta da bisa. Foi quando o próprio bisa se ergueu, caminhou decididamente até o Castelo e arrancou a câmara da sua mão.
        – Dá aqui.
        – Mas seu Domício…
        – Vai pra lá e fica quieto.
        – Papai, o senhor tem que sair na foto. Senão não tem sentido!
        – Eu fico implícito – disse o velho, já com o olho no visor. E antes que houvesse mais protestos, acionou a câmara, tirou a foto e foi dormir.

(VERÍSSIMO, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010. P. 19-20.)
A crônica retrata uma situação típica de uma família de classe média. Em um simples e trivial momento, o cronista expõe diversas peculiaridades de cada personagem, deixando evidente alguns sentimentos, fazendo uma crítica à hipocrisia nas relações familiares. Assinale, a seguir, o excerto que denota certo “sarcasmo”.
Alternativas
Q2290421 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Por que pessoas param de tomar remédios de um dia para o outro


O principal motivo que leva alguém a parar com um medicamento é o quadro que estava sendo tratado aparentemente se estabilizar. "Quando se experimenta a melhora da depressão e da ansiedade, é natural sentir que os medicamentos não são mais necessários, já que os sintomas parecem ter diminuído", explica Asevedo. "Porém, a armadilha aqui é que essa melhoria nos sintomas, muitas vezes, ocorre antes da melhoria física no cérebro."


O médico compara o cérebro a um computador, e a doença, a um programa instalado na máquina. O tratamento remove o programa, explica ele, mas, para que o cérebro se proteja contra futuras recaídas, é necessário um período considerável de uso da medicação para que o cérebro crie novos caminhos para funcionar sem a influência da depressão. "É recomendável que antidepressivos sejam usados por, pelo menos, doze meses após a alta médica e pode chegar a até dois anos ou mesmo ser por tempo indeterminado, caso o paciente tenha tido dois ou mais episódios de depressão ao longo da vida", afirma Antônio Geraldo, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).


Vanessa Favaro, do IPq-USP, diz que muitos pacientes não veem o tratamento como parte de uma busca contínua por saúde mental. "Compreender a abordagem de longo prazo pode ser desafiador para alguns pacientes, especialmente quando estão angustiados. A busca por alívio imediato é natural, mas nem todo sofrimento exige apenas alívio momentâneo", diz a médica. "O entendimento do transtorno, suas bases biológicas e a manutenção da saúde mental ao longo do tempo são essenciais. É importante considerar não apenas a medicação, mas também outras ações, como a psicoterapia e técnicas de respiração."


Outra razão bastante frequente para o abandono dos medicamentos são os efeitos indesejados sobre o corpo. "É relativamente fácil tolerar os efeitos colaterais de um antibiótico que só precisaremos tomar por sete dias", diz Asevedo. "Mas, quando se trata de um quadro depressivo que exige um tratamento contínuo de um ano, é muito mais difícil lidar."


Entre os efeitos colaterais mais comuns dos medicamentos psiquiátricos, o médico cita


redução da libido, sonolência, ganho de peso, efeitos gastrointestinais, enjoo, náuseas, tremores.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cqv7ly8nx2qo. Adaptado. 
Um único dia sem tomar remédios como os usados no tratamento de depressão e ansiedade já alteram sinais químicos do cérebro.

Assinale a opção correta de acordo com o texto base.
Alternativas
Q2290302 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Como os medicamentos agem no cérebro


"O cérebro é um computador que, em vez de cabos, tem neurônios. Mas esses neurônios não se conectam diretamente. Há um pequeno espaço entre eles onde se encontram os neurotransmissores", explica Asevedo. Os neurotransmissores são substâncias químicas que possibilitam a transmissão elétrica de um neurônio para outro.


Serotonina, noradrenalina e dopamina são alguns dos neurotransmissores que regulam a passagem de sinais elétricos entre os neurônios. Um transtorno mental ocorre quando essas substâncias químicas estão desreguladas. A depressão, por exemplo, é causada por um desequilíbrio de neurotransmissores responsáveis pelo sentimento de prazer e bem-estar, apontam os especialistas.


Os medicamentos atuam na regulação da produção de neurotransmissores e aumentam a transmissão de sinais elétricos entre as células cerebrais. "É comum uma pessoa fazer um tratamento psiquiátrico e acreditar que estará fadada a usar esses medicamentos para sempre", diz Vanessa Favaro. "Na maioria das vezes, isso não ocorre. Os tratamentos frequentemente têm início, meio e fim", afirma a médica. O final exige o que médicos chamam popularmente de "desmame", um processo que leva meses ou até anos. "A retirada é gradual para evitar mudanças abruptas no funcionamento cerebral", afirma Favaro.


O primeiro passo, dizem os especialistas, é ter uma recomendação do médico que acompanha o paciente para fazer isso. "Precisa-se de que os sintomas tenham melhorado totalmente e que tenha se passado de seis meses a um ano dessa melhora", diz Asevedo. "Antes disso, o cérebro ainda não se recuperou e os sintomas voltarão."


A partir daí, podem ser adotadas algumas estratégias, explica o psiquiatra, como tomar o remédio em dias alternados ou reduzir progressivamente a dose.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cqv7ly8nx2qo. Adaptado.
Os medicamentos usados no tratamento de transtornos mentais alteram os sinais elétricos transmitidos dentro do cérebro por meio de mudança na composição química do órgão.

De acordo com o texto base:
Alternativas
Q2290296 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Como os medicamentos agem no cérebro


"O cérebro é um computador que, em vez de cabos, tem neurônios. Mas esses neurônios não se conectam diretamente. Há um pequeno espaço entre eles onde se encontram os neurotransmissores", explica Asevedo. Os neurotransmissores são substâncias químicas que possibilitam a transmissão elétrica de um neurônio para outro.


Serotonina, noradrenalina e dopamina são alguns dos neurotransmissores que regulam a passagem de sinais elétricos entre os neurônios. Um transtorno mental ocorre quando essas substâncias químicas estão desreguladas. A depressão, por exemplo, é causada por um desequilíbrio de neurotransmissores responsáveis pelo sentimento de prazer e bem-estar, apontam os especialistas.


Os medicamentos atuam na regulação da produção de neurotransmissores e aumentam a transmissão de sinais elétricos entre as células cerebrais. "É comum uma pessoa fazer um tratamento psiquiátrico e acreditar que estará fadada a usar esses medicamentos para sempre", diz Vanessa Favaro. "Na maioria das vezes, isso não ocorre. Os tratamentos frequentemente têm início, meio e fim", afirma a médica. O final exige o que médicos chamam popularmente de "desmame", um processo que leva meses ou até anos. "A retirada é gradual para evitar mudanças abruptas no funcionamento cerebral", afirma Favaro.


O primeiro passo, dizem os especialistas, é ter uma recomendação do médico que acompanha o paciente para fazer isso. "Precisa-se de que os sintomas tenham melhorado totalmente e que tenha se passado de seis meses a um ano dessa melhora", diz Asevedo. "Antes disso, o cérebro ainda não se recuperou e os sintomas voltarão."


A partir daí, podem ser adotadas algumas estratégias, explica o psiquiatra, como tomar o remédio em dias alternados ou reduzir progressivamente a dose.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cqv7ly8nx2qo. Adaptado.
O cérebro é um computador que, em vez de cabos, tem neurônios.

Assinale a opção em que os verbos devem estar conjugados, de alguma forma, no futuro do pretérito do indicativo.
Alternativas
Q2290224 Português
Responda à questão com base no seguinte texto:


A uma légua, pouco mais ou menos, da antiga vila de Tamanduá, na província de Minas Gerais, e a pouca distância da estrada que vai para a vizinha vila da Formiga, via-se, há de haver quarenta anos, uma pequena e pobre casa, mas alva, risonha e nova. Uma porta e duas janelinhas formavam toda a sua frente. Um estreito caminho, partindo da porta da casa, cortava o vargedo e ia atravessar o capão e o córrego, por uma pontezinha de madeira, fechada do outro lado por uma tronqueira de varas. Junto à ponte, de um lado e outro do caminho, viam-se duas corpulentas paineiras, cujos galhos, entrelaçando-se no ar, formavam uma arcada de verdura, à entrada do campo onde pastava o gado. Era uma bela tarde de janeiro. Dois meninos brincavam à sombra das paineiras: um rapazinho de doze a treze anos e uma menina, que parecia ser pouco mais nova do que ele. A menina era morena; de olhos grandes, negros e cheios de vivacidade, de corpo esbelto e flexível como o pendão da imbaúba. O rapaz era alvo, de cabelos castanhos, de olhar meigo e plácido e em sua fisionomia como em todo o seu ser transluziam indícios de uma índole pacata, doce e branda.A menina, sentada sobre a relva, despencava um molho de flores silvestres de que estava fabricando um ramalhete, enquanto seu companheiro, atracando-se como um macaco aos galhos das paineiras, balouçava-se no ar, fazia mil passes e piruetas para diverti-la. Perto deles, espalhados no vargedo, umas três ou quatro vacas e mais algumas reses estavam tosando tranquilamente o fresco e viçoso capim. O sol, que já não se via no céu, tocava com uma luz de ouro os topes abaulados dos altos espigões; uma aragem quase imperceptível mal rumorejava pelas abas do capão e esvoaçava por aquelas baixadas cheias de sombra.  

Autor: Bernardo Guimarães. Trecho extraído da obra O Seminarista. 
Relativamente à descrição do ambiente, leia as assertivas:

I. O autor utiliza uma linguagem descritiva detalhada para pintar uma imagem vívida do local onde a história se desenrola.
II. O leitor pode facilmente visualizar a pequena casa, o caminho, as paineiras e o campo com gado.

Pode-se afirmar que:  
Alternativas
Q2290017 Português
Texto 1

A produção de hortifrútis catarinense e o mercado atacadista

Em 2019, a agropecuária brasileira gerou um valor bruto da produção (VBP) estimado de mais de R$ 630,9 bilhões, sendo que Santa Catarina foi responsável por 5,2%, com mais de R$ 32,9 bilhões de VBP agropecuário (TORESAN et al., 2019). Conforme dados da Epagri/Cepa (TORESAN et al., 2019), as lavouras temporárias e permanentes foram responsáveis por mais de R$11,47 bilhões (34,7%) do VBP agropecuário estadual estimado para 2019. Nas lavouras catarinenses, 20,3% do VBP da agropecuária estadual são de grãos, 4,2% de olerícolas, 6,2% de outras lavouras temporárias (tabaco, cana-de-açúcar) e 4,0% de lavouras permanentes da fruticultura. Segundo dados do Censo Agropecuário 2017 (IBGE) e do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), 22% do valor da produção brasileira de hortifrútis foram negociados em centrais de abastecimento de todo o país. Em Santa Catarina, cerca de 35% do valor da produção estadual de hortifrútis foram negociados em diversas centrais nacionais e estaduais, sendo 12% na Ceasa-SC. Em 2019, no entreposto catarinense, as frutas representaram 55% do valor total negociado, as hortaliças 39% e os demais produtos os 7% restantes (ELIAS et al., 2019). A produção catarinense de hortifrútis é bastante diversificada, o que contribui para um melhor dinamismo desse setor para o abastecimento das principais regiões metropolitanas, com reflexo na economia e na segurança alimentar e nutricional dessas regiões.

GOULART JUNIOR, Rogério. Os produtos da agricultura catarinense e a comercialização na pandemia. Disponível em: https://publicacoes.epagri.sc.gov.br/RAC/article/ view/1131. Fragmento adaptado.
Sobre o texto 1, é correto o que se afirma em: 
Alternativas
Q2289847 Português
TEXTO 4


Desde muito cedo, de criancinhas a adolescentes, aprendemos na escola uma porção de lições de língua portuguesa. Do “bê a bá”, lá dos primeiros anos da alfabetização, até as orações subordinadas mais terrificantes do ensino médio, somos sempre levados a crer que, se aprendemos só o português na escola, então essa é a única língua falada no país. Reside aí, no entanto, um mito gigantesco!

O que queremos dizer é que, embora hoje se ensine somente o português e algumas outras línguas estrangeiras na escola, nosso país é multilíngue! E esse multilinguismo tem raízes muito profundas e antigas, que remontam à história da própria colonização e implantação do português no Brasil.

Como sabemos, antes da chegada dos portugueses às terras brasileiras, já vivia aqui um sem-número de indígenas. Há estimativas, por exemplo, de que vivia no Brasil à época do “descobrimento” uma população estimada entre seis e nove milhões de indígenas, que falavam perto de 1.200 línguas. Dá para ver, portanto, que muito antes da colonização, o Brasil já era um país multilíngue, local onde conviviam povos falantes de línguas muito diversas e cenário de um intenso intercâmbio linguístico.

E as línguas indígenas resistem até hoje: são faladas atualmente, aqui no Brasil, cerca de 170 línguas indígenas, de diferentes povos, de diferentes regiões do país, e não apenas aquelas línguas instrumentalizadas pelo ensino escolar. Essa história de que nosso país é monolíngue, portanto, não passa de um mito capenga, uma birutice sem fim, fruto de um processo de genocídio e silenciamento dos povos indígenas e de suas línguas, que já dura mais de cinco séculos.


Paulo Henrique de Felipe e Wilmar da Rocha D'Angelis. Disponível em:
http://www.roseta.org.br/2019/02/21/linguas-indigenas-e-diversidade-linguistica-no-brasil.Acesso em 20 set. 23. Excerto adaptado.
Segundo informações do Texto 4,
Alternativas
Q2289846 Português
TEXTO 4


Desde muito cedo, de criancinhas a adolescentes, aprendemos na escola uma porção de lições de língua portuguesa. Do “bê a bá”, lá dos primeiros anos da alfabetização, até as orações subordinadas mais terrificantes do ensino médio, somos sempre levados a crer que, se aprendemos só o português na escola, então essa é a única língua falada no país. Reside aí, no entanto, um mito gigantesco!

O que queremos dizer é que, embora hoje se ensine somente o português e algumas outras línguas estrangeiras na escola, nosso país é multilíngue! E esse multilinguismo tem raízes muito profundas e antigas, que remontam à história da própria colonização e implantação do português no Brasil.

Como sabemos, antes da chegada dos portugueses às terras brasileiras, já vivia aqui um sem-número de indígenas. Há estimativas, por exemplo, de que vivia no Brasil à época do “descobrimento” uma população estimada entre seis e nove milhões de indígenas, que falavam perto de 1.200 línguas. Dá para ver, portanto, que muito antes da colonização, o Brasil já era um país multilíngue, local onde conviviam povos falantes de línguas muito diversas e cenário de um intenso intercâmbio linguístico.

E as línguas indígenas resistem até hoje: são faladas atualmente, aqui no Brasil, cerca de 170 línguas indígenas, de diferentes povos, de diferentes regiões do país, e não apenas aquelas línguas instrumentalizadas pelo ensino escolar. Essa história de que nosso país é monolíngue, portanto, não passa de um mito capenga, uma birutice sem fim, fruto de um processo de genocídio e silenciamento dos povos indígenas e de suas línguas, que já dura mais de cinco séculos.


Paulo Henrique de Felipe e Wilmar da Rocha D'Angelis. Disponível em:
http://www.roseta.org.br/2019/02/21/linguas-indigenas-e-diversidade-linguistica-no-brasil.Acesso em 20 set. 23. Excerto adaptado.
Qual a principal ideia veiculada pelo Texto 4?
Alternativas
Q2289844 Português
TEXTO 3

Existe um falar certo e um falar errado?

De fato, não há uma oposição categórica entre fala popular e fala culta, ocorrendo em muitos casos um compartilhamento de propriedades. Em certos casos, a preferência culta exclui fortemente a preferência popular; em situações informais, diminui a distância entre essas variedades, e o falante culto pode aproximar-se bastante da execução popular, ainda que não em todos os casos.

As variedades populares flutuam de acordo com a região geográfica, mas as variedades cultas são um pouco mais homogêneas, sobretudo em sua forma escrita. Em conclusão, o que temos são variedades linguísticas de uma mesma língua, não duas línguas diferentes.

Como todo mundo está cansado de saber, o modo certo não deriva de nada intrínseco ao português. Não há formas ou construções intrinsecamente erradas, nem intrinsecamente certas, com exceção da grafia das palavras, que é a única matéria linguística sujeita a uma legislação explícita. Assim, o certo ou errado deriva apenas de uma contingência social. Como em todas as comunidades sempre se atribui a determinada classe um prestígio, uma ascendência sobre as demais classes que compõem essa comunidade, a classe de prestígio atua na língua. Mas não atua apenas na língua. Ela dita igualmente as normas de comportamento, o estilo da roupa, o gosto por certo tipo de música. Entra nessa lista a escolha de determinadas variedades linguísticas, dentre aquelas que estão à disposição dos falantes.


Disponível em: https://www.museudalinguaportuguesa.org.br/wpcontent/uploads/2017/09/Saber-uma-li%CC%81ngua-e%CC%81-separar-o-certo-do-errado.pdf.
Acesso em 20 set. 23. Excerto adaptado.
No Texto 3, o autor relativiza a noção de
Alternativas
Q2289843 Português
TEXTO 3

Existe um falar certo e um falar errado?

De fato, não há uma oposição categórica entre fala popular e fala culta, ocorrendo em muitos casos um compartilhamento de propriedades. Em certos casos, a preferência culta exclui fortemente a preferência popular; em situações informais, diminui a distância entre essas variedades, e o falante culto pode aproximar-se bastante da execução popular, ainda que não em todos os casos.

As variedades populares flutuam de acordo com a região geográfica, mas as variedades cultas são um pouco mais homogêneas, sobretudo em sua forma escrita. Em conclusão, o que temos são variedades linguísticas de uma mesma língua, não duas línguas diferentes.

Como todo mundo está cansado de saber, o modo certo não deriva de nada intrínseco ao português. Não há formas ou construções intrinsecamente erradas, nem intrinsecamente certas, com exceção da grafia das palavras, que é a única matéria linguística sujeita a uma legislação explícita. Assim, o certo ou errado deriva apenas de uma contingência social. Como em todas as comunidades sempre se atribui a determinada classe um prestígio, uma ascendência sobre as demais classes que compõem essa comunidade, a classe de prestígio atua na língua. Mas não atua apenas na língua. Ela dita igualmente as normas de comportamento, o estilo da roupa, o gosto por certo tipo de música. Entra nessa lista a escolha de determinadas variedades linguísticas, dentre aquelas que estão à disposição dos falantes.


Disponível em: https://www.museudalinguaportuguesa.org.br/wpcontent/uploads/2017/09/Saber-uma-li%CC%81ngua-e%CC%81-separar-o-certo-do-errado.pdf.
Acesso em 20 set. 23. Excerto adaptado.
No Texto 3, podemos observar uma clara intenção do autor de mostrar a inter-relação que há entre
Alternativas
Q2289842 Português
TEXTO 3

Existe um falar certo e um falar errado?

De fato, não há uma oposição categórica entre fala popular e fala culta, ocorrendo em muitos casos um compartilhamento de propriedades. Em certos casos, a preferência culta exclui fortemente a preferência popular; em situações informais, diminui a distância entre essas variedades, e o falante culto pode aproximar-se bastante da execução popular, ainda que não em todos os casos.

As variedades populares flutuam de acordo com a região geográfica, mas as variedades cultas são um pouco mais homogêneas, sobretudo em sua forma escrita. Em conclusão, o que temos são variedades linguísticas de uma mesma língua, não duas línguas diferentes.

Como todo mundo está cansado de saber, o modo certo não deriva de nada intrínseco ao português. Não há formas ou construções intrinsecamente erradas, nem intrinsecamente certas, com exceção da grafia das palavras, que é a única matéria linguística sujeita a uma legislação explícita. Assim, o certo ou errado deriva apenas de uma contingência social. Como em todas as comunidades sempre se atribui a determinada classe um prestígio, uma ascendência sobre as demais classes que compõem essa comunidade, a classe de prestígio atua na língua. Mas não atua apenas na língua. Ela dita igualmente as normas de comportamento, o estilo da roupa, o gosto por certo tipo de música. Entra nessa lista a escolha de determinadas variedades linguísticas, dentre aquelas que estão à disposição dos falantes.


Disponível em: https://www.museudalinguaportuguesa.org.br/wpcontent/uploads/2017/09/Saber-uma-li%CC%81ngua-e%CC%81-separar-o-certo-do-errado.pdf.
Acesso em 20 set. 23. Excerto adaptado.
O Texto 3 informa ao leitor, explicitamente, que 
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Q2289836 Português
Podemos resumir a situação atual da língua portuguesa no mundo apontando os seguintes aspectos:

a) ela é a língua hegemônica em apenas dois países: Portugal e Brasil;

b) é a língua oficial de nove países (Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné Equatorial) e de Macau – Região Administrativa Especial da República Popular da China desde 1999;

c) é falada em comunidades de imigrantes (a chamada “diáspora lusófona”) em vários lugares do mundo, dentre outros nos Estados Unidos, no Canadá, na Venezuela, na África do Sul, na França, na Alemanha, em Luxemburgo, no Japão, no Paraguai e na Austrália;

d) é ainda falada em pequenas comunidades remanescentes do colonialismo português na rota da Ásia, como em Goa (Índia); ou em áreas de antiga ocupação portuguesa, como no norte do Uruguai.


Em todos esses contextos, com exceção de Portugal e Brasil, ela é língua minoritária. No caso das comunidades de imigrantes e das comunidades remanescentes, seu futuro é incerto. Poderá continuar sendo falada ou, sob pressão das línguas majoritárias, tenderá progressivamente a desaparecer – como tem muitas vezes ocorrido com as línguas de imigração – a partir da terceira geração.

Nos contextos em que ela é língua oficial, mas não hegemônica, prevê-se que ampliará sua presença, seja como língua materna, seja como segunda língua. Nos países africanos e no Timor Leste, estará sempre presente, como foco de relativa tensão, o estatuto das demais línguas nacionais, patrimônio de que, certamente, nenhuma dessas sociedades abrirá mão, considerando sua força identitária.

Do ponto de vista quantitativo, há hoje pouco mais de 250.000.000 de pessoas que falam o português, como primeira ou segunda língua, no mundo. Isso o torna a terceira língua europeia mais falada, perdendo apenas para o inglês e o espanhol. Com esse contingente de falantes, está entre as dez línguas mais faladas no mundo. Embora o número de falantes possa impressionar, sua importância é relativa, considerando que aproximadamente 85% de seus falantes estão hoje concentrados num só país – o Brasil.

Além disso, a língua portuguesa enfrenta também a dissonância que tem impedido os dois únicos países em que ela é hoje hegemônica de fazer convergir ações de difusão da língua. E o conjunto de países de língua oficial portuguesa não encontrou ainda os rumos para ações coletivas e compartilhadas, embora disponham do Instituto Internacional da Língua Portuguesa para isso. Vivem, portanto, uma clara encruzilhada.

Mas o Brasil tem também outros problemas que limitam seu protagonismo no âmbito da difusão da língua:

a) os seus índices de analfabetismo são ainda elevados: 9% da população entre 15 e 65 anos são analfabetos. Por outro lado, são altos os índices do chamado analfabetismo funcional;

b) o sistema educacional brasileiro, embora tenha universalizado, no fim da década de 1990, o acesso infantil às primeiras séries do ensino fundamental, não conseguiu ainda superar os altos índices de evasão e o baixíssimo rendimento da ação escolar. Na educação média, metade dos jovens entre 15 e 17 anos está fora da escola;

c) por fim, o Brasil até hoje não conseguiu resolver adequadamente a questão de sua norma de referência. Há um conflito histórico entre a norma efetivamente praticada no país (a chamada norma culta) e a norma gramatical definida artificialmente no século XIX (a chamada norma-padrão) e ainda defendida por uma tradição estreita e dogmática, que tem adeptos no sistema de ensino e nos meios de comunicação social.

Esse conflito tem efeitos negativos sobre o modo como tradicionalmente se representa a língua no imaginário do Brasil, vista aí, com frequência, como cheia de erros e deformações. O país tem tido, ao longo de século e meio, grandes dificuldades para reconhecer sua “cara linguística” e, em consequência, para promover uma educação linguística consistente.

FARACO, C. A. História sociopolítica da língua portuguesa. São Paulo: Parábola,
2016. p.360-363.
Excerto adaptado
Para elaborar o Texto 1, o autor se vale de alguns recursos lexicais e gramaticais. Acerca desses recursos, analise as proposições abaixo.

1) O autor opera a substituição de alguns termos por pronomes, evitando assim repetições desnecessárias e interligando adequadamente as partes do texto. É o que se vê no trecho “Em todos esses contextos, com exceção de Portugal e Brasil, ela é língua minoritária. No caso das comunidades de imigrantes e das comunidades remanescentes, seu futuro é incerto.”
2) Ao longo do texto, o autor emprega os termos “língua portuguesa” e “português” com sentidos distintos, para diferenciar uma língua majoritária de uma língua minoritária. É o que se vê, por exemplo, no trecho “Do ponto de vista quantitativo, há hoje pouco mais de 250.000.000 de pessoas que falam o português, como primeira ou segunda língua, no mundo.”
3) O conectivo inicial do trecho “Além disso, a língua portuguesa enfrenta também a dissonância que tem impedido os dois únicos países em que ela é hoje hegemônica de fazer convergir ações de difusão da língua.” é empregado para indicar que as informações a serem trazidas para o texto contrastam com aquelas que foram apresentadas até esse ponto.
4) No trecho “Em todos esses contextos, com exceção de Portugal e Brasil, ela é língua minoritária.”, o segmento destacado funciona como uma ressalva.

Estão corretas:
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Q2289835 Português
Podemos resumir a situação atual da língua portuguesa no mundo apontando os seguintes aspectos:

a) ela é a língua hegemônica em apenas dois países: Portugal e Brasil;

b) é a língua oficial de nove países (Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné Equatorial) e de Macau – Região Administrativa Especial da República Popular da China desde 1999;

c) é falada em comunidades de imigrantes (a chamada “diáspora lusófona”) em vários lugares do mundo, dentre outros nos Estados Unidos, no Canadá, na Venezuela, na África do Sul, na França, na Alemanha, em Luxemburgo, no Japão, no Paraguai e na Austrália;

d) é ainda falada em pequenas comunidades remanescentes do colonialismo português na rota da Ásia, como em Goa (Índia); ou em áreas de antiga ocupação portuguesa, como no norte do Uruguai.


Em todos esses contextos, com exceção de Portugal e Brasil, ela é língua minoritária. No caso das comunidades de imigrantes e das comunidades remanescentes, seu futuro é incerto. Poderá continuar sendo falada ou, sob pressão das línguas majoritárias, tenderá progressivamente a desaparecer – como tem muitas vezes ocorrido com as línguas de imigração – a partir da terceira geração.

Nos contextos em que ela é língua oficial, mas não hegemônica, prevê-se que ampliará sua presença, seja como língua materna, seja como segunda língua. Nos países africanos e no Timor Leste, estará sempre presente, como foco de relativa tensão, o estatuto das demais línguas nacionais, patrimônio de que, certamente, nenhuma dessas sociedades abrirá mão, considerando sua força identitária.

Do ponto de vista quantitativo, há hoje pouco mais de 250.000.000 de pessoas que falam o português, como primeira ou segunda língua, no mundo. Isso o torna a terceira língua europeia mais falada, perdendo apenas para o inglês e o espanhol. Com esse contingente de falantes, está entre as dez línguas mais faladas no mundo. Embora o número de falantes possa impressionar, sua importância é relativa, considerando que aproximadamente 85% de seus falantes estão hoje concentrados num só país – o Brasil.

Além disso, a língua portuguesa enfrenta também a dissonância que tem impedido os dois únicos países em que ela é hoje hegemônica de fazer convergir ações de difusão da língua. E o conjunto de países de língua oficial portuguesa não encontrou ainda os rumos para ações coletivas e compartilhadas, embora disponham do Instituto Internacional da Língua Portuguesa para isso. Vivem, portanto, uma clara encruzilhada.

Mas o Brasil tem também outros problemas que limitam seu protagonismo no âmbito da difusão da língua:

a) os seus índices de analfabetismo são ainda elevados: 9% da população entre 15 e 65 anos são analfabetos. Por outro lado, são altos os índices do chamado analfabetismo funcional;

b) o sistema educacional brasileiro, embora tenha universalizado, no fim da década de 1990, o acesso infantil às primeiras séries do ensino fundamental, não conseguiu ainda superar os altos índices de evasão e o baixíssimo rendimento da ação escolar. Na educação média, metade dos jovens entre 15 e 17 anos está fora da escola;

c) por fim, o Brasil até hoje não conseguiu resolver adequadamente a questão de sua norma de referência. Há um conflito histórico entre a norma efetivamente praticada no país (a chamada norma culta) e a norma gramatical definida artificialmente no século XIX (a chamada norma-padrão) e ainda defendida por uma tradição estreita e dogmática, que tem adeptos no sistema de ensino e nos meios de comunicação social.

Esse conflito tem efeitos negativos sobre o modo como tradicionalmente se representa a língua no imaginário do Brasil, vista aí, com frequência, como cheia de erros e deformações. O país tem tido, ao longo de século e meio, grandes dificuldades para reconhecer sua “cara linguística” e, em consequência, para promover uma educação linguística consistente.

FARACO, C. A. História sociopolítica da língua portuguesa. São Paulo: Parábola,
2016. p.360-363.
Excerto adaptado
Com o trecho “O país tem tido, ao longo de século e meio, grandes dificuldades para reconhecer sua ‘cara linguística’”, o autor do Texto 1 pretendeu expressar a ideia de que o brasileiro tem tido dificuldades para
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Q2289833 Português
Podemos resumir a situação atual da língua portuguesa no mundo apontando os seguintes aspectos:

a) ela é a língua hegemônica em apenas dois países: Portugal e Brasil;

b) é a língua oficial de nove países (Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné Equatorial) e de Macau – Região Administrativa Especial da República Popular da China desde 1999;

c) é falada em comunidades de imigrantes (a chamada “diáspora lusófona”) em vários lugares do mundo, dentre outros nos Estados Unidos, no Canadá, na Venezuela, na África do Sul, na França, na Alemanha, em Luxemburgo, no Japão, no Paraguai e na Austrália;

d) é ainda falada em pequenas comunidades remanescentes do colonialismo português na rota da Ásia, como em Goa (Índia); ou em áreas de antiga ocupação portuguesa, como no norte do Uruguai.


Em todos esses contextos, com exceção de Portugal e Brasil, ela é língua minoritária. No caso das comunidades de imigrantes e das comunidades remanescentes, seu futuro é incerto. Poderá continuar sendo falada ou, sob pressão das línguas majoritárias, tenderá progressivamente a desaparecer – como tem muitas vezes ocorrido com as línguas de imigração – a partir da terceira geração.

Nos contextos em que ela é língua oficial, mas não hegemônica, prevê-se que ampliará sua presença, seja como língua materna, seja como segunda língua. Nos países africanos e no Timor Leste, estará sempre presente, como foco de relativa tensão, o estatuto das demais línguas nacionais, patrimônio de que, certamente, nenhuma dessas sociedades abrirá mão, considerando sua força identitária.

Do ponto de vista quantitativo, há hoje pouco mais de 250.000.000 de pessoas que falam o português, como primeira ou segunda língua, no mundo. Isso o torna a terceira língua europeia mais falada, perdendo apenas para o inglês e o espanhol. Com esse contingente de falantes, está entre as dez línguas mais faladas no mundo. Embora o número de falantes possa impressionar, sua importância é relativa, considerando que aproximadamente 85% de seus falantes estão hoje concentrados num só país – o Brasil.

Além disso, a língua portuguesa enfrenta também a dissonância que tem impedido os dois únicos países em que ela é hoje hegemônica de fazer convergir ações de difusão da língua. E o conjunto de países de língua oficial portuguesa não encontrou ainda os rumos para ações coletivas e compartilhadas, embora disponham do Instituto Internacional da Língua Portuguesa para isso. Vivem, portanto, uma clara encruzilhada.

Mas o Brasil tem também outros problemas que limitam seu protagonismo no âmbito da difusão da língua:

a) os seus índices de analfabetismo são ainda elevados: 9% da população entre 15 e 65 anos são analfabetos. Por outro lado, são altos os índices do chamado analfabetismo funcional;

b) o sistema educacional brasileiro, embora tenha universalizado, no fim da década de 1990, o acesso infantil às primeiras séries do ensino fundamental, não conseguiu ainda superar os altos índices de evasão e o baixíssimo rendimento da ação escolar. Na educação média, metade dos jovens entre 15 e 17 anos está fora da escola;

c) por fim, o Brasil até hoje não conseguiu resolver adequadamente a questão de sua norma de referência. Há um conflito histórico entre a norma efetivamente praticada no país (a chamada norma culta) e a norma gramatical definida artificialmente no século XIX (a chamada norma-padrão) e ainda defendida por uma tradição estreita e dogmática, que tem adeptos no sistema de ensino e nos meios de comunicação social.

Esse conflito tem efeitos negativos sobre o modo como tradicionalmente se representa a língua no imaginário do Brasil, vista aí, com frequência, como cheia de erros e deformações. O país tem tido, ao longo de século e meio, grandes dificuldades para reconhecer sua “cara linguística” e, em consequência, para promover uma educação linguística consistente.

FARACO, C. A. História sociopolítica da língua portuguesa. São Paulo: Parábola,
2016. p.360-363.
Excerto adaptado
Ao longo do Texto 1, podemos identificar a posição do autor em relação às ideias que veicula. Por exemplo, ele expressa discordância no que se refere à ideia de que
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Q2289832 Português
Podemos resumir a situação atual da língua portuguesa no mundo apontando os seguintes aspectos:

a) ela é a língua hegemônica em apenas dois países: Portugal e Brasil;

b) é a língua oficial de nove países (Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné Equatorial) e de Macau – Região Administrativa Especial da República Popular da China desde 1999;

c) é falada em comunidades de imigrantes (a chamada “diáspora lusófona”) em vários lugares do mundo, dentre outros nos Estados Unidos, no Canadá, na Venezuela, na África do Sul, na França, na Alemanha, em Luxemburgo, no Japão, no Paraguai e na Austrália;

d) é ainda falada em pequenas comunidades remanescentes do colonialismo português na rota da Ásia, como em Goa (Índia); ou em áreas de antiga ocupação portuguesa, como no norte do Uruguai.


Em todos esses contextos, com exceção de Portugal e Brasil, ela é língua minoritária. No caso das comunidades de imigrantes e das comunidades remanescentes, seu futuro é incerto. Poderá continuar sendo falada ou, sob pressão das línguas majoritárias, tenderá progressivamente a desaparecer – como tem muitas vezes ocorrido com as línguas de imigração – a partir da terceira geração.

Nos contextos em que ela é língua oficial, mas não hegemônica, prevê-se que ampliará sua presença, seja como língua materna, seja como segunda língua. Nos países africanos e no Timor Leste, estará sempre presente, como foco de relativa tensão, o estatuto das demais línguas nacionais, patrimônio de que, certamente, nenhuma dessas sociedades abrirá mão, considerando sua força identitária.

Do ponto de vista quantitativo, há hoje pouco mais de 250.000.000 de pessoas que falam o português, como primeira ou segunda língua, no mundo. Isso o torna a terceira língua europeia mais falada, perdendo apenas para o inglês e o espanhol. Com esse contingente de falantes, está entre as dez línguas mais faladas no mundo. Embora o número de falantes possa impressionar, sua importância é relativa, considerando que aproximadamente 85% de seus falantes estão hoje concentrados num só país – o Brasil.

Além disso, a língua portuguesa enfrenta também a dissonância que tem impedido os dois únicos países em que ela é hoje hegemônica de fazer convergir ações de difusão da língua. E o conjunto de países de língua oficial portuguesa não encontrou ainda os rumos para ações coletivas e compartilhadas, embora disponham do Instituto Internacional da Língua Portuguesa para isso. Vivem, portanto, uma clara encruzilhada.

Mas o Brasil tem também outros problemas que limitam seu protagonismo no âmbito da difusão da língua:

a) os seus índices de analfabetismo são ainda elevados: 9% da população entre 15 e 65 anos são analfabetos. Por outro lado, são altos os índices do chamado analfabetismo funcional;

b) o sistema educacional brasileiro, embora tenha universalizado, no fim da década de 1990, o acesso infantil às primeiras séries do ensino fundamental, não conseguiu ainda superar os altos índices de evasão e o baixíssimo rendimento da ação escolar. Na educação média, metade dos jovens entre 15 e 17 anos está fora da escola;

c) por fim, o Brasil até hoje não conseguiu resolver adequadamente a questão de sua norma de referência. Há um conflito histórico entre a norma efetivamente praticada no país (a chamada norma culta) e a norma gramatical definida artificialmente no século XIX (a chamada norma-padrão) e ainda defendida por uma tradição estreita e dogmática, que tem adeptos no sistema de ensino e nos meios de comunicação social.

Esse conflito tem efeitos negativos sobre o modo como tradicionalmente se representa a língua no imaginário do Brasil, vista aí, com frequência, como cheia de erros e deformações. O país tem tido, ao longo de século e meio, grandes dificuldades para reconhecer sua “cara linguística” e, em consequência, para promover uma educação linguística consistente.

FARACO, C. A. História sociopolítica da língua portuguesa. São Paulo: Parábola,
2016. p.360-363.
Excerto adaptado
Qual dos seguintes títulos corresponde à síntese do conteúdo global do Texto 1? 
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Podemos resumir a situação atual da língua portuguesa no mundo apontando os seguintes aspectos:

a) ela é a língua hegemônica em apenas dois países: Portugal e Brasil;

b) é a língua oficial de nove países (Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné Equatorial) e de Macau – Região Administrativa Especial da República Popular da China desde 1999;

c) é falada em comunidades de imigrantes (a chamada “diáspora lusófona”) em vários lugares do mundo, dentre outros nos Estados Unidos, no Canadá, na Venezuela, na África do Sul, na França, na Alemanha, em Luxemburgo, no Japão, no Paraguai e na Austrália;

d) é ainda falada em pequenas comunidades remanescentes do colonialismo português na rota da Ásia, como em Goa (Índia); ou em áreas de antiga ocupação portuguesa, como no norte do Uruguai.


Em todos esses contextos, com exceção de Portugal e Brasil, ela é língua minoritária. No caso das comunidades de imigrantes e das comunidades remanescentes, seu futuro é incerto. Poderá continuar sendo falada ou, sob pressão das línguas majoritárias, tenderá progressivamente a desaparecer – como tem muitas vezes ocorrido com as línguas de imigração – a partir da terceira geração.

Nos contextos em que ela é língua oficial, mas não hegemônica, prevê-se que ampliará sua presença, seja como língua materna, seja como segunda língua. Nos países africanos e no Timor Leste, estará sempre presente, como foco de relativa tensão, o estatuto das demais línguas nacionais, patrimônio de que, certamente, nenhuma dessas sociedades abrirá mão, considerando sua força identitária.

Do ponto de vista quantitativo, há hoje pouco mais de 250.000.000 de pessoas que falam o português, como primeira ou segunda língua, no mundo. Isso o torna a terceira língua europeia mais falada, perdendo apenas para o inglês e o espanhol. Com esse contingente de falantes, está entre as dez línguas mais faladas no mundo. Embora o número de falantes possa impressionar, sua importância é relativa, considerando que aproximadamente 85% de seus falantes estão hoje concentrados num só país – o Brasil.

Além disso, a língua portuguesa enfrenta também a dissonância que tem impedido os dois únicos países em que ela é hoje hegemônica de fazer convergir ações de difusão da língua. E o conjunto de países de língua oficial portuguesa não encontrou ainda os rumos para ações coletivas e compartilhadas, embora disponham do Instituto Internacional da Língua Portuguesa para isso. Vivem, portanto, uma clara encruzilhada.

Mas o Brasil tem também outros problemas que limitam seu protagonismo no âmbito da difusão da língua:

a) os seus índices de analfabetismo são ainda elevados: 9% da população entre 15 e 65 anos são analfabetos. Por outro lado, são altos os índices do chamado analfabetismo funcional;

b) o sistema educacional brasileiro, embora tenha universalizado, no fim da década de 1990, o acesso infantil às primeiras séries do ensino fundamental, não conseguiu ainda superar os altos índices de evasão e o baixíssimo rendimento da ação escolar. Na educação média, metade dos jovens entre 15 e 17 anos está fora da escola;

c) por fim, o Brasil até hoje não conseguiu resolver adequadamente a questão de sua norma de referência. Há um conflito histórico entre a norma efetivamente praticada no país (a chamada norma culta) e a norma gramatical definida artificialmente no século XIX (a chamada norma-padrão) e ainda defendida por uma tradição estreita e dogmática, que tem adeptos no sistema de ensino e nos meios de comunicação social.

Esse conflito tem efeitos negativos sobre o modo como tradicionalmente se representa a língua no imaginário do Brasil, vista aí, com frequência, como cheia de erros e deformações. O país tem tido, ao longo de século e meio, grandes dificuldades para reconhecer sua “cara linguística” e, em consequência, para promover uma educação linguística consistente.

FARACO, C. A. História sociopolítica da língua portuguesa. São Paulo: Parábola,
2016. p.360-363.
Excerto adaptado
Considerando seu conteúdo e sua organização, é correto afirmar que o Texto 1 tem, primordialmente, um propósito 
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Podemos resumir a situação atual da língua portuguesa no mundo apontando os seguintes aspectos:

a) ela é a língua hegemônica em apenas dois países: Portugal e Brasil;

b) é a língua oficial de nove países (Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné Equatorial) e de Macau – Região Administrativa Especial da República Popular da China desde 1999;

c) é falada em comunidades de imigrantes (a chamada “diáspora lusófona”) em vários lugares do mundo, dentre outros nos Estados Unidos, no Canadá, na Venezuela, na África do Sul, na França, na Alemanha, em Luxemburgo, no Japão, no Paraguai e na Austrália;

d) é ainda falada em pequenas comunidades remanescentes do colonialismo português na rota da Ásia, como em Goa (Índia); ou em áreas de antiga ocupação portuguesa, como no norte do Uruguai.


Em todos esses contextos, com exceção de Portugal e Brasil, ela é língua minoritária. No caso das comunidades de imigrantes e das comunidades remanescentes, seu futuro é incerto. Poderá continuar sendo falada ou, sob pressão das línguas majoritárias, tenderá progressivamente a desaparecer – como tem muitas vezes ocorrido com as línguas de imigração – a partir da terceira geração.

Nos contextos em que ela é língua oficial, mas não hegemônica, prevê-se que ampliará sua presença, seja como língua materna, seja como segunda língua. Nos países africanos e no Timor Leste, estará sempre presente, como foco de relativa tensão, o estatuto das demais línguas nacionais, patrimônio de que, certamente, nenhuma dessas sociedades abrirá mão, considerando sua força identitária.

Do ponto de vista quantitativo, há hoje pouco mais de 250.000.000 de pessoas que falam o português, como primeira ou segunda língua, no mundo. Isso o torna a terceira língua europeia mais falada, perdendo apenas para o inglês e o espanhol. Com esse contingente de falantes, está entre as dez línguas mais faladas no mundo. Embora o número de falantes possa impressionar, sua importância é relativa, considerando que aproximadamente 85% de seus falantes estão hoje concentrados num só país – o Brasil.

Além disso, a língua portuguesa enfrenta também a dissonância que tem impedido os dois únicos países em que ela é hoje hegemônica de fazer convergir ações de difusão da língua. E o conjunto de países de língua oficial portuguesa não encontrou ainda os rumos para ações coletivas e compartilhadas, embora disponham do Instituto Internacional da Língua Portuguesa para isso. Vivem, portanto, uma clara encruzilhada.

Mas o Brasil tem também outros problemas que limitam seu protagonismo no âmbito da difusão da língua:

a) os seus índices de analfabetismo são ainda elevados: 9% da população entre 15 e 65 anos são analfabetos. Por outro lado, são altos os índices do chamado analfabetismo funcional;

b) o sistema educacional brasileiro, embora tenha universalizado, no fim da década de 1990, o acesso infantil às primeiras séries do ensino fundamental, não conseguiu ainda superar os altos índices de evasão e o baixíssimo rendimento da ação escolar. Na educação média, metade dos jovens entre 15 e 17 anos está fora da escola;

c) por fim, o Brasil até hoje não conseguiu resolver adequadamente a questão de sua norma de referência. Há um conflito histórico entre a norma efetivamente praticada no país (a chamada norma culta) e a norma gramatical definida artificialmente no século XIX (a chamada norma-padrão) e ainda defendida por uma tradição estreita e dogmática, que tem adeptos no sistema de ensino e nos meios de comunicação social.

Esse conflito tem efeitos negativos sobre o modo como tradicionalmente se representa a língua no imaginário do Brasil, vista aí, com frequência, como cheia de erros e deformações. O país tem tido, ao longo de século e meio, grandes dificuldades para reconhecer sua “cara linguística” e, em consequência, para promover uma educação linguística consistente.

FARACO, C. A. História sociopolítica da língua portuguesa. São Paulo: Parábola,
2016. p.360-363.
Excerto adaptado
O Texto 1 tematiza a língua portuguesa, enfatizando
Alternativas
Respostas
9421: A
9422: A
9423: C
9424: B
9425: E
9426: A
9427: B
9428: C
9429: D
9430: C
9431: E
9432: B
9433: E
9434: A
9435: A
9436: B
9437: D
9438: A
9439: C
9440: E