Questões de Concurso Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q2309968 Português
Leia o texto a seguir:

Entenda como são as nuvens raras que apareceram na China e assustaram as redes sociais

Nuvens do gênero mammatus, que recebem esse nome por causa do formato arredondado, têm formação inversa, mas já foram vistas no Rio Grande do Sul


As nuvens do gênero mammatus, que recebem esse nome por causa do formato arredondado, parecido com mamas, vistas na província de Hubei, na China, na semana passada, são raras e se formam de maneira inversa que a maioria das concentrações. Vídeos do fenômeno meteorológico viralizaram nas redes sociais nos últimos dias.

Embora apresentem formatos diferentes do habitual, essas nuvens são conhecidas dos meteorologistas. Elas também já haviam sido notadas no céu de Porto Alegre (RS) no início do ano. Natália Pereira, diretora da Catavento Meteorologia, explica que o fenômeno é raro.

“O processo normal de formação de nuvens é ascendente, o ar quente evapora e se condensa. Dentro dessas nuvens mammatus, existe uma turbulência que causa um movimento descendente de energia, fazendo com que a base da nuvem fique arredondada. Por isso, o formato parecido com as mamas”, diz a especialista. A palavra mammatus vem do latim mamma, que significa úbere ou seio.

Adilson Nazário, meteorologista Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas da Prefeitura de São Paulo, acrescenta que as mammatus são dependentes e estão geralmente associadas a outros tipos, como a cumulonimbus, responsáveis por tempestades e fortes temporais.

As mammatus são mais raras no inverno e costumam aparecer no período quente do ano, entre a primavera e o começo do outono, especialmente no verão. Estael Sias, meteorologista da MetSul, recorda o registro das nuvens no Rio Grande do Sul no início do ano. “As nuvens em formato de mamas no céu vieram com outras, que trouxeram chuva forte e temporais isolados de granizo em pontos dos vales e da Serra Gaúcha”.

Se você vir nuvens desse tipo no céu, não se assuste, como aconteceu com alguns internautas. “Elas não são apenas prenúncio de tempestade, mas também de dissipação”, diz Nazário. “Ela só é ameaçadora do ponto de vista visual, mas tem duração rápida”.

Fonte: https://www.estadao.com.br/sustentabilidade/entenda-o-que-sao-asnuvens-raras-que-apareceram-na-china-e-assustaram-as-redes-sociais.
Acesso em 26/08/2023
Em “Vídeos do fenômeno meteorológico viralizaram nas redes sociais nos últimos dias” (1º parágrafo), infere-se que:
Alternativas
Q2309877 Português
As frases e a pontuação


      A frase é um conjunto de elementos linguísticos estruturados para que se concretize a comunicação. Na língua oral, esses conjuntos se estruturam em sequências cuja ordenação em boa parte é feita por recursos vocais, como a entoação, as pausas, a melodia e até mesmo os silêncios. Para perceber a importância da participação desses elementos sonoros na organização da linguagem falada, basta observar alguém que esteja se comunicando em voz alta: você vai notar que essa pessoa controla os recursos vocais mencionados para que suas frases se articulem significativamente. Assim, as frases faladas e os recursos vocais que as organizam constroem os textos falados. Na escrita, os elementos vocais da linguagem são substituídos por um sistema de sinais visuais que com eles mantém alguma correspondência. Esses sinais são conhecidos como sinais de pontuação e seu papel na língua escrita é semelhante ao dos elementos vocais na língua falada: participam da estruturação das frases na construção de textos escritos. O estudo do emprego dos sinais de pontuação está ligado à percepção de seu papel estruturador na língua escrita. Isso significa que não se aprende a usá-los partindo-se do pressuposto de que eles representam na escrita as pausas e melodias da língua falada: não é esse o papel desses sinais. O estudo de seu emprego baseia-se na organização sintática e significativa das frases escritas e não nas pausas e na melodia das frases faladas.


PASQUALE & ULISSES. Gramática da Língua Portuguesa. São Paulo: Scipione, 2000.
Analise as afirmativas abaixo e dê valores Verdadeiro (V) ou Falso (F).
( ) Os silêncios são recursos vocais.
( ) Na comunicação oral, os recursos vocais são controlados pelo falante.
( ) Os sinais de pontuação fazem parte da estruturação dos textos escritos.
( ) Para estudo, parte-se de que a pontuação representa as pausas da língua falada.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo.
Alternativas
Q2309788 Português
A memória da velhice


       “Para o pesquisador Robert Friedland, não apenas a leitura, mas simples passatempos como a montagem de quebra-cabeças ou a prática de palavras cruzadas são atividades capazes de proteger o cérebro. Também vários trabalhos demonstram que assistir à televisão está associado ao efeito contrário: aumenta a probabilidade de Alzheimer...”. “Vários estudos também reforçam a ideia de que nem só de intelecto vive o cérebro: o exercício físico também é capaz de torná-lo mais resistente...” “Trabalhos experimentais confirmam que o exercício físico melhora o fluxo sanguíneo cerebral...”


(Trechos retirados da Folha de S. Paulo, 3/09/2005)
A partir da leitura do texto acima, assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Ano: 2023 Banca: FGV Órgão: Prefeitura de São José dos Campos - SP Provas: FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Analista em Saúde - Enfermeiro | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Analista em Saúde - Farmácia | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Analista em Saúde - Fisioterapia | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Analista em Saúde - Fonoaudiologia | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Analista em Saúde - Nutrição | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Analista em Saúde - Psicologia | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Analista em Saúde - Terapia Ocupacional | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Analista em Saúde - Veterinária | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Analista em Saúde - Dentista 20h | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Médico - Cardiologista Adulto | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Médico - Cardiologista Infantil | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Médico - Clínico Geral | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Médico - Dermatologista | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Médico - Ortopedista | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Médico - Otorrinolaringologista | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Médico - Pediatra | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Médico - Pneumologista Adulto | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Médico - Pneumologista Infantil | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Médico - Proctologista | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Médico - Psiquiatra Adulto | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Médico - Psiquiatra Infantil | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Médico - Reumatologista | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Médico - Urologista | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Médico - Vascular/Angiologista | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Médico - Emergencista Adulto | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Médico - Pediatra Emergencista | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Médico - Saúde da Família | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Médico - Endocrinologista Adulto | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Médico - Endocrinologista Infantil | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Médico - Gastroenterologista | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Médico - Geriatra | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Médico - Ginecologista | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Médico - Neurologista Adulto | FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Médico - Neurologista Infantil |
Q2309695 Português
Observe o seguinte trecho, retirado do romance A Condessa Vésper, de Aluísio Azevedo:
“Já quase ninguém havia no salão do banquete. Tinham­se os convivas despejado pelas outras salas e pelo jardim, cuja luminária à veneziana começava a derreter-se; alguns coziam a digestão refestelada pelas poltronas e pelos divãs macios; outros bebericavam ainda aos bufetes e faziam brindes, sobre a posse, à ventura dos cônjuges. A festa, que havia começado desde a véspera, tocava afinal no seu término e dissolvia-se em cansaço”.
A afirmativa correta sobre esse segmento de texto é: 
Alternativas
Q2309612 Português

Texto 1

A Dengue em SC

No período de 01 de janeiro a 08 de abril de 2023, foram identificados 29.154 focos do mosquito Aedes aegypti em 223 municípios de Santa Catarina. Comparando ao mesmo período de 2022, quando foram identificados 33.202 focos em 216 municípios, observa-se uma diminuição de 12,2% no número de focos detectados.

Em relação à situação entomológica, 145 municípios foram considerados infestados, o que representa um aumento 8,28% em relação ao mesmo período de 2022, que registrou 133 municípios nessa condição.

No período de 01 de janeiro a 08 de abril de 2023, foram confirmados 10.637 casos de dengue. Na comparação com o mesmo período de 2022, apesar da diminuição em comparação ao mesmo período do ano passado, onde foram confirmados 25.872 casos de dengue, a DIVE salienta que é necessário cautela quanto a essa tendência, tendo em vista que 21.339 casos desse ano permanecem como suspeitos no sistema de notificação.


Disponível em: <https://ndmais.com.br/saude/sobe-numero-demunicipios-em-epidemia-de-dengue-no-oeste-de-sc/>.  Acesso em: 23 de out. 2023. Fragmento adaptado.

Em relação ao texto 1, é correto o que se afirma em:
Alternativas
Q2309596 Português
Assinale a assertiva que não apresenta ambiguidade: 
Alternativas
Q2309594 Português

VIDA APAVORADA

De golpes a roubo de nudes, o medo cruel das ameaças on-line 


    Vivo em estado contínuo de terror. Outro dia entrei no meu e-mail. Veio um aviso ameaçador: se não assinasse um determinado serviço de proteção cibernética, poderiam invadir meu computador. Espalhariam meus nudes e arrasariam minha reputação que, reconheço, tem brechas. Levei um choque. Mas aí me lembrei: não tenho nudes. Nunca fiz um na vida. Mas meu corpinho já não dá, estou mais para fetiche que para bad boy. Há outras ameaças, constantes. Tipo: se eu não adquirir determinada proteção antivírus, vão entrar nas minhas contas bancárias, me depenar. Nem me abalei, mas tive pena de outros na mesma situação. Simplesmente, não administro minhas contas por computador. Nem por celular. Nem faço Pix. Computador para mim é para escrever. Novelas, livros, crônicas.  

    Nesse instante, fui avisado. Foram identificadas duas novas ameaças no meu PC. Eu ficaria mais apavorado se todos os dias não identificassem novas e novas. Pelo índice de ameaças detectadas, meu computador já deveria estar no lixo.  

    Mas eu fico pensando. Quem foi o gênio do terror que criou essa estratégia de marketing? O Lobisomem, o Conde Drácula, o Frankenstein? Por que cada vez que abro o computador tenho de ser ameaçado? Ah, sim, poderia perder todos os meus livros, arquivos esotéricos, projetos para o futuro.  Poderia, mas não perderei. Há a nuvem. Talvez um hacker entre na nuvem para descobrir que sou um chato, daqueles que não arquivam nem as datas de aniversário dos amigos (um drama, porque todo ano ouço as reclamações). Mas será que um hacker não tem mais o que fazer, como invadir os computadores da Nasa e despachar o próximo foguete para Andrômeda?  

    É estranho esse marketing do terror. Em vendas, avisam que é minha derradeira oportunidade de comprar algo de que não preciso. Ou que é o último par de sapatos, de casacos, enfim, minha única chance de fazer algo que não quero. Ou pior: que é a minha última oportunidade de comprar um curso on-line que mudará toda a minha vida, me transformará num ser especial e sábio. E que eu não posso perder, caso contrário…  

    É tão avassalador esse marketing do medo de perder, perder, perder, que larguei mão. Por que não me oferecem simplesmente algo com decência, sem sacudidas?  Algo mais doce, na linha do simplesmente “seria bom pra você”?  

    Não resisto, olhei de novo. Quem sabe vem nova ameaça, desta vez séria? Não veio, ainda bem. Mas vem o conselho. Ative o pacote “premium”, para ter mais segurança. Mas, espere aí, eu já não estava pagando um serviço cuja obrigação era me proteger? Agora tem que ser premium!? E depois do premium vem o quê?  

    Imagino o pai de família que fez um único nude na vida, ao receber uma mensagem dessas. Deve acabar num centro cardiológico, de medo de virar meme na internet.  

    Pensando bem, esse marketing do terror é uma espécie de chantagem, não é? É de lei? É justo sacudir o cidadão cada vez que ele abre o computador para mandar uma mensagem confortável e simpática?  

 (Por Walcyr Carrasco, publicado em 16 jul 2023.) 

Ao invés de receber o marketing do terror o que o autor esperava, ao abrir o computador: 
Alternativas
Q2309593 Português

VIDA APAVORADA

De golpes a roubo de nudes, o medo cruel das ameaças on-line 


    Vivo em estado contínuo de terror. Outro dia entrei no meu e-mail. Veio um aviso ameaçador: se não assinasse um determinado serviço de proteção cibernética, poderiam invadir meu computador. Espalhariam meus nudes e arrasariam minha reputação que, reconheço, tem brechas. Levei um choque. Mas aí me lembrei: não tenho nudes. Nunca fiz um na vida. Mas meu corpinho já não dá, estou mais para fetiche que para bad boy. Há outras ameaças, constantes. Tipo: se eu não adquirir determinada proteção antivírus, vão entrar nas minhas contas bancárias, me depenar. Nem me abalei, mas tive pena de outros na mesma situação. Simplesmente, não administro minhas contas por computador. Nem por celular. Nem faço Pix. Computador para mim é para escrever. Novelas, livros, crônicas.  

    Nesse instante, fui avisado. Foram identificadas duas novas ameaças no meu PC. Eu ficaria mais apavorado se todos os dias não identificassem novas e novas. Pelo índice de ameaças detectadas, meu computador já deveria estar no lixo.  

    Mas eu fico pensando. Quem foi o gênio do terror que criou essa estratégia de marketing? O Lobisomem, o Conde Drácula, o Frankenstein? Por que cada vez que abro o computador tenho de ser ameaçado? Ah, sim, poderia perder todos os meus livros, arquivos esotéricos, projetos para o futuro.  Poderia, mas não perderei. Há a nuvem. Talvez um hacker entre na nuvem para descobrir que sou um chato, daqueles que não arquivam nem as datas de aniversário dos amigos (um drama, porque todo ano ouço as reclamações). Mas será que um hacker não tem mais o que fazer, como invadir os computadores da Nasa e despachar o próximo foguete para Andrômeda?  

    É estranho esse marketing do terror. Em vendas, avisam que é minha derradeira oportunidade de comprar algo de que não preciso. Ou que é o último par de sapatos, de casacos, enfim, minha única chance de fazer algo que não quero. Ou pior: que é a minha última oportunidade de comprar um curso on-line que mudará toda a minha vida, me transformará num ser especial e sábio. E que eu não posso perder, caso contrário…  

    É tão avassalador esse marketing do medo de perder, perder, perder, que larguei mão. Por que não me oferecem simplesmente algo com decência, sem sacudidas?  Algo mais doce, na linha do simplesmente “seria bom pra você”?  

    Não resisto, olhei de novo. Quem sabe vem nova ameaça, desta vez séria? Não veio, ainda bem. Mas vem o conselho. Ative o pacote “premium”, para ter mais segurança. Mas, espere aí, eu já não estava pagando um serviço cuja obrigação era me proteger? Agora tem que ser premium!? E depois do premium vem o quê?  

    Imagino o pai de família que fez um único nude na vida, ao receber uma mensagem dessas. Deve acabar num centro cardiológico, de medo de virar meme na internet.  

    Pensando bem, esse marketing do terror é uma espécie de chantagem, não é? É de lei? É justo sacudir o cidadão cada vez que ele abre o computador para mandar uma mensagem confortável e simpática?  

 (Por Walcyr Carrasco, publicado em 16 jul 2023.) 

A oração: “É tão avassalador esse marketing do medo de perder, perder, perder, que larguei mão”, expressa que o autor:  
Alternativas
Q2309592 Português

VIDA APAVORADA

De golpes a roubo de nudes, o medo cruel das ameaças on-line 


    Vivo em estado contínuo de terror. Outro dia entrei no meu e-mail. Veio um aviso ameaçador: se não assinasse um determinado serviço de proteção cibernética, poderiam invadir meu computador. Espalhariam meus nudes e arrasariam minha reputação que, reconheço, tem brechas. Levei um choque. Mas aí me lembrei: não tenho nudes. Nunca fiz um na vida. Mas meu corpinho já não dá, estou mais para fetiche que para bad boy. Há outras ameaças, constantes. Tipo: se eu não adquirir determinada proteção antivírus, vão entrar nas minhas contas bancárias, me depenar. Nem me abalei, mas tive pena de outros na mesma situação. Simplesmente, não administro minhas contas por computador. Nem por celular. Nem faço Pix. Computador para mim é para escrever. Novelas, livros, crônicas.  

    Nesse instante, fui avisado. Foram identificadas duas novas ameaças no meu PC. Eu ficaria mais apavorado se todos os dias não identificassem novas e novas. Pelo índice de ameaças detectadas, meu computador já deveria estar no lixo.  

    Mas eu fico pensando. Quem foi o gênio do terror que criou essa estratégia de marketing? O Lobisomem, o Conde Drácula, o Frankenstein? Por que cada vez que abro o computador tenho de ser ameaçado? Ah, sim, poderia perder todos os meus livros, arquivos esotéricos, projetos para o futuro.  Poderia, mas não perderei. Há a nuvem. Talvez um hacker entre na nuvem para descobrir que sou um chato, daqueles que não arquivam nem as datas de aniversário dos amigos (um drama, porque todo ano ouço as reclamações). Mas será que um hacker não tem mais o que fazer, como invadir os computadores da Nasa e despachar o próximo foguete para Andrômeda?  

    É estranho esse marketing do terror. Em vendas, avisam que é minha derradeira oportunidade de comprar algo de que não preciso. Ou que é o último par de sapatos, de casacos, enfim, minha única chance de fazer algo que não quero. Ou pior: que é a minha última oportunidade de comprar um curso on-line que mudará toda a minha vida, me transformará num ser especial e sábio. E que eu não posso perder, caso contrário…  

    É tão avassalador esse marketing do medo de perder, perder, perder, que larguei mão. Por que não me oferecem simplesmente algo com decência, sem sacudidas?  Algo mais doce, na linha do simplesmente “seria bom pra você”?  

    Não resisto, olhei de novo. Quem sabe vem nova ameaça, desta vez séria? Não veio, ainda bem. Mas vem o conselho. Ative o pacote “premium”, para ter mais segurança. Mas, espere aí, eu já não estava pagando um serviço cuja obrigação era me proteger? Agora tem que ser premium!? E depois do premium vem o quê?  

    Imagino o pai de família que fez um único nude na vida, ao receber uma mensagem dessas. Deve acabar num centro cardiológico, de medo de virar meme na internet.  

    Pensando bem, esse marketing do terror é uma espécie de chantagem, não é? É de lei? É justo sacudir o cidadão cada vez que ele abre o computador para mandar uma mensagem confortável e simpática?  

 (Por Walcyr Carrasco, publicado em 16 jul 2023.) 

O autor do texto revela as ameaças de Marketing, sendo que elas não lhe afetam porque: 
Alternativas
Q2309578 Português

Leia o texto a seguir e responda a questão: 

As bolsas europeias e os futuros americanos negociam em baixa na manhã desta quarta-feira, 13. Os investidores digerem uma inflação menor que a esperada pelo mercado no Brasil enquanto aguardados dados dos Estados Unidos. O IPCA subiu 0,23% em agosto, e a desaceleração dos preços de alimentos e serviços surpreendeu os economistas. A condução da política monetária pelo Banco Central e a valorização nos preços do petróleo entram no debate. Diego Gimenes entrevista Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos.  

(Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/walcyr-carrasco/vida-apavorada/)

As negociações nas bolsas europeias em baixa, e a surpresa dos economistas foram pontuadas na notícia, mas o que entra no debate é: 

I. A inflação menor do que a esperada naquele dia.
II. A desaceleração dos preços de alimentos e serviços no mês de agosto.
III. A condução da política monetária pelo Banco Central.
IV. A valorização nos preços do petróleo.
V. A subida do IPCA em 0,23% em agosto.

Estão corretas as afirmativas: 
Alternativas
Q2309576 Português

Analise as frases a seguir quanto a concordância verbal e nominal:


I. Deve haver muitas pessoas naquele parque ali da esquina.

II. Devem haver muitas pessoas naquele parque acima do morro.

III. Deve existir muitas pessoa naquele parque em que há um balanço.

IV. Devem existir muitas pessoas naquele parque com grama verdinha.


Das sentenças, indique quais delas estão na norma-padrão da língua portuguesa: 

Alternativas
Q2309536 Português
Médico destaca a importância da terapia ocupacional no tratamento de pessoas com autismo


        A terapia ocupacional é uma área da saúde que se concentra em ajudar as pessoas a alcançar uma boa saúde e bem-estar físico, mental e emocional por meio da envolvência em atividades cotidianas significativas. O tratamento do autismo é uma das principais áreas em que a terapia ocupacional é utilizada, especialmente na intervenção através da habilitação em integração sensorial e aplicação de Análise do Comportamento Aplicada (ABA).
        A integração sensorial é um conjunto de técnicas terapêuticas que tem como objetivo ajudar as crianças autistas a processar melhor as informações sensoriais do ambiente em que estão. Essas técnicas ajudam a melhorar a forma como a criança percebe, compreende, organiza e responde aos diferentes estímulos sensoriais, tais como luz, som, toque, cheiro e movimento. A terapia ocupacional com habilitação em integração sensorial é, portanto, importante para o tratamento do autismo, pois ajuda a criança a lidar melhor com o mundo ao seu redor e a melhorar sua capacidade de se comunicar e interagir socialmente.
         Já aplicação da Análise do Comportamento Aplicada (ABA) é uma ciência que é frequentemente utilizada na terapia ocupacional para o tratamento do autismo. Ela é baseada em uma abordagem terapêutica que se concentra na análise do comportamento humano e na modificação do mesmo por meio do reforço positivo. Através da ABA, a terapia ocupacional procura ensinar habilidades sociais, comunicativas, motoras e acadêmicas que ajudam a criança a lidar com o mundo ao seu redor de forma mais eficiente.
       De acordo com o diretor e neuropediatra do Centro Especializado em Transtorno de Espectro Autista (Cetea), Dr. Rodrigo Araújo, profissionais formados em terapia ocupacional atuam com intervenções na área da saúde, com reabilitação de pessoas com alterações cognitivas, interação social e educação.
          “Pode-se dizer que a terapia ocupacional com habilitação em integração sensorial e/ou aplicação da ciência ABA é essencial no tratamento do autismo. Por meio delas, a criança autista pode melhorar sua capacidade de se comunicar e interagir socialmente, além de aprender habilidades importantes para sua vida diária. Com a ajuda da terapia ocupacional, é possível melhorar significativamente a qualidade de vida dessas crianças e sua capacidade de se integrar na sociedade”, explicou o neuropediatra que ainda ressaltou a importância da terapia ocupacional na infância.
        “O objetivo da  terapia ocupacional é ampliar o raio de ação, desempenho, autonomia e participação, utilizando recursos e necessidades de acordo com o momento e lugar, estimulando condições de bem-estar e autonomia, por meio da afetividade, da relação, o terapeuta contribui com os processos de desenvolvimento de vida e saúde”, finalizou.

(Tribuna Hoje. Notícias Saúde. Em: 28/06/2023.)
Infere-se a partir do texto que, em relação à citação do discurso apresentado, seu autor: 
Alternativas
Q2309535 Português
Médico destaca a importância da terapia ocupacional no tratamento de pessoas com autismo


        A terapia ocupacional é uma área da saúde que se concentra em ajudar as pessoas a alcançar uma boa saúde e bem-estar físico, mental e emocional por meio da envolvência em atividades cotidianas significativas. O tratamento do autismo é uma das principais áreas em que a terapia ocupacional é utilizada, especialmente na intervenção através da habilitação em integração sensorial e aplicação de Análise do Comportamento Aplicada (ABA).
        A integração sensorial é um conjunto de técnicas terapêuticas que tem como objetivo ajudar as crianças autistas a processar melhor as informações sensoriais do ambiente em que estão. Essas técnicas ajudam a melhorar a forma como a criança percebe, compreende, organiza e responde aos diferentes estímulos sensoriais, tais como luz, som, toque, cheiro e movimento. A terapia ocupacional com habilitação em integração sensorial é, portanto, importante para o tratamento do autismo, pois ajuda a criança a lidar melhor com o mundo ao seu redor e a melhorar sua capacidade de se comunicar e interagir socialmente.
         Já aplicação da Análise do Comportamento Aplicada (ABA) é uma ciência que é frequentemente utilizada na terapia ocupacional para o tratamento do autismo. Ela é baseada em uma abordagem terapêutica que se concentra na análise do comportamento humano e na modificação do mesmo por meio do reforço positivo. Através da ABA, a terapia ocupacional procura ensinar habilidades sociais, comunicativas, motoras e acadêmicas que ajudam a criança a lidar com o mundo ao seu redor de forma mais eficiente.
       De acordo com o diretor e neuropediatra do Centro Especializado em Transtorno de Espectro Autista (Cetea), Dr. Rodrigo Araújo, profissionais formados em terapia ocupacional atuam com intervenções na área da saúde, com reabilitação de pessoas com alterações cognitivas, interação social e educação.
          “Pode-se dizer que a terapia ocupacional com habilitação em integração sensorial e/ou aplicação da ciência ABA é essencial no tratamento do autismo. Por meio delas, a criança autista pode melhorar sua capacidade de se comunicar e interagir socialmente, além de aprender habilidades importantes para sua vida diária. Com a ajuda da terapia ocupacional, é possível melhorar significativamente a qualidade de vida dessas crianças e sua capacidade de se integrar na sociedade”, explicou o neuropediatra que ainda ressaltou a importância da terapia ocupacional na infância.
        “O objetivo da  terapia ocupacional é ampliar o raio de ação, desempenho, autonomia e participação, utilizando recursos e necessidades de acordo com o momento e lugar, estimulando condições de bem-estar e autonomia, por meio da afetividade, da relação, o terapeuta contribui com os processos de desenvolvimento de vida e saúde”, finalizou.

(Tribuna Hoje. Notícias Saúde. Em: 28/06/2023.)
Considerando o contexto, pode-se afirmar que o termo utilizado para introduzir o 3º§ do texto indica o seguinte efeito quanto ao sentido produzido, de acordo com o contexto:
Alternativas
Q2309533 Português
Médico destaca a importância da terapia ocupacional no tratamento de pessoas com autismo


        A terapia ocupacional é uma área da saúde que se concentra em ajudar as pessoas a alcançar uma boa saúde e bem-estar físico, mental e emocional por meio da envolvência em atividades cotidianas significativas. O tratamento do autismo é uma das principais áreas em que a terapia ocupacional é utilizada, especialmente na intervenção através da habilitação em integração sensorial e aplicação de Análise do Comportamento Aplicada (ABA).
        A integração sensorial é um conjunto de técnicas terapêuticas que tem como objetivo ajudar as crianças autistas a processar melhor as informações sensoriais do ambiente em que estão. Essas técnicas ajudam a melhorar a forma como a criança percebe, compreende, organiza e responde aos diferentes estímulos sensoriais, tais como luz, som, toque, cheiro e movimento. A terapia ocupacional com habilitação em integração sensorial é, portanto, importante para o tratamento do autismo, pois ajuda a criança a lidar melhor com o mundo ao seu redor e a melhorar sua capacidade de se comunicar e interagir socialmente.
         Já aplicação da Análise do Comportamento Aplicada (ABA) é uma ciência que é frequentemente utilizada na terapia ocupacional para o tratamento do autismo. Ela é baseada em uma abordagem terapêutica que se concentra na análise do comportamento humano e na modificação do mesmo por meio do reforço positivo. Através da ABA, a terapia ocupacional procura ensinar habilidades sociais, comunicativas, motoras e acadêmicas que ajudam a criança a lidar com o mundo ao seu redor de forma mais eficiente.
       De acordo com o diretor e neuropediatra do Centro Especializado em Transtorno de Espectro Autista (Cetea), Dr. Rodrigo Araújo, profissionais formados em terapia ocupacional atuam com intervenções na área da saúde, com reabilitação de pessoas com alterações cognitivas, interação social e educação.
          “Pode-se dizer que a terapia ocupacional com habilitação em integração sensorial e/ou aplicação da ciência ABA é essencial no tratamento do autismo. Por meio delas, a criança autista pode melhorar sua capacidade de se comunicar e interagir socialmente, além de aprender habilidades importantes para sua vida diária. Com a ajuda da terapia ocupacional, é possível melhorar significativamente a qualidade de vida dessas crianças e sua capacidade de se integrar na sociedade”, explicou o neuropediatra que ainda ressaltou a importância da terapia ocupacional na infância.
        “O objetivo da  terapia ocupacional é ampliar o raio de ação, desempenho, autonomia e participação, utilizando recursos e necessidades de acordo com o momento e lugar, estimulando condições de bem-estar e autonomia, por meio da afetividade, da relação, o terapeuta contribui com os processos de desenvolvimento de vida e saúde”, finalizou.

(Tribuna Hoje. Notícias Saúde. Em: 28/06/2023.)
O título atribuído ao texto apresenta como estratégia para que o seu principal objetivo seja alcançado: 
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Q2309532 Português
Médico destaca a importância da terapia ocupacional no tratamento de pessoas com autismo


        A terapia ocupacional é uma área da saúde que se concentra em ajudar as pessoas a alcançar uma boa saúde e bem-estar físico, mental e emocional por meio da envolvência em atividades cotidianas significativas. O tratamento do autismo é uma das principais áreas em que a terapia ocupacional é utilizada, especialmente na intervenção através da habilitação em integração sensorial e aplicação de Análise do Comportamento Aplicada (ABA).
        A integração sensorial é um conjunto de técnicas terapêuticas que tem como objetivo ajudar as crianças autistas a processar melhor as informações sensoriais do ambiente em que estão. Essas técnicas ajudam a melhorar a forma como a criança percebe, compreende, organiza e responde aos diferentes estímulos sensoriais, tais como luz, som, toque, cheiro e movimento. A terapia ocupacional com habilitação em integração sensorial é, portanto, importante para o tratamento do autismo, pois ajuda a criança a lidar melhor com o mundo ao seu redor e a melhorar sua capacidade de se comunicar e interagir socialmente.
         Já aplicação da Análise do Comportamento Aplicada (ABA) é uma ciência que é frequentemente utilizada na terapia ocupacional para o tratamento do autismo. Ela é baseada em uma abordagem terapêutica que se concentra na análise do comportamento humano e na modificação do mesmo por meio do reforço positivo. Através da ABA, a terapia ocupacional procura ensinar habilidades sociais, comunicativas, motoras e acadêmicas que ajudam a criança a lidar com o mundo ao seu redor de forma mais eficiente.
       De acordo com o diretor e neuropediatra do Centro Especializado em Transtorno de Espectro Autista (Cetea), Dr. Rodrigo Araújo, profissionais formados em terapia ocupacional atuam com intervenções na área da saúde, com reabilitação de pessoas com alterações cognitivas, interação social e educação.
          “Pode-se dizer que a terapia ocupacional com habilitação em integração sensorial e/ou aplicação da ciência ABA é essencial no tratamento do autismo. Por meio delas, a criança autista pode melhorar sua capacidade de se comunicar e interagir socialmente, além de aprender habilidades importantes para sua vida diária. Com a ajuda da terapia ocupacional, é possível melhorar significativamente a qualidade de vida dessas crianças e sua capacidade de se integrar na sociedade”, explicou o neuropediatra que ainda ressaltou a importância da terapia ocupacional na infância.
        “O objetivo da  terapia ocupacional é ampliar o raio de ação, desempenho, autonomia e participação, utilizando recursos e necessidades de acordo com o momento e lugar, estimulando condições de bem-estar e autonomia, por meio da afetividade, da relação, o terapeuta contribui com os processos de desenvolvimento de vida e saúde”, finalizou.

(Tribuna Hoje. Notícias Saúde. Em: 28/06/2023.)
Considerando as ideias e informações veiculadas no texto, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.

( ) Um dos objetivos de abordagem relacionada à terapia citada no texto demonstra a necessidade do envolvimento e relacionamento com o outro.

( ) O meio de que a terapia ocupacional se vale para promover saúde, física e emocional, relaciona-se a situações específicas que dependem de envolvimento e interação.

( ) Mesmo não havendo comprovação de benefícios de técnicas terapêuticas nos tratamentos citados no texto, tal prática vem conquistando um grande número de profissionais envolvidos em tais procedimentos.

A sequência está correta em
Alternativas
Q2309476 Português
Felicidade clandestina


          Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
          Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.
          Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
         Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
           Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
        Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança de alegria: eu não vivia, nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
           No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
           Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono da livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.
             E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.
              Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.
           Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!
           E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser”. Entendem? Valia mais do que me dar o livro: “pelo tempo que eu quisesse” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
                Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.
                Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre ia ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.
              Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.


(LISPECTOR, Clarice. Felicidade clandestina: contos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.)
Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo.” (3º§) Tendo em vista o contexto textual, expõe o “sadismo” da menina ruiva o seguinte fragmento:
Alternativas
Q2309475 Português
Felicidade clandestina


          Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
          Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.
          Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
         Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
           Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
        Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança de alegria: eu não vivia, nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
           No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
           Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono da livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.
             E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.
              Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.
           Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!
           E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser”. Entendem? Valia mais do que me dar o livro: “pelo tempo que eu quisesse” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
                Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.
                Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre ia ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.
              Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.


(LISPECTOR, Clarice. Felicidade clandestina: contos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.)
Assinale o trecho a seguir que justifica o título do texto: “Felicidade clandestina”.
Alternativas
Q2309474 Português
Felicidade clandestina


          Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
          Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.
          Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
         Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
           Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
        Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança de alegria: eu não vivia, nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
           No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
           Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono da livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.
             E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.
              Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.
           Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!
           E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser”. Entendem? Valia mais do que me dar o livro: “pelo tempo que eu quisesse” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
                Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.
                Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre ia ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.
              Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.


(LISPECTOR, Clarice. Felicidade clandestina: contos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.)
É possível identificar elementos que constituem um discurso subjetivo em:
Alternativas
Q2309472 Português
Felicidade clandestina


          Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
          Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.
          Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
         Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
           Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
        Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança de alegria: eu não vivia, nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
           No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
           Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono da livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.
             E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.
              Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.
           Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!
           E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser”. Entendem? Valia mais do que me dar o livro: “pelo tempo que eu quisesse” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
                Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.
                Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre ia ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.
              Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.


(LISPECTOR, Clarice. Felicidade clandestina: contos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.)
O título do texto – Felicidade clandestina, expressa, através da caracterização empregada: 
Alternativas
Q2309439 Português
Os Vinicius de Moraes


            Eu confesso a vocês que descobri o segredo do coleguinha jornalista, poeta, diplomata e teleco-tequista Vinicius de Moraes numa tarde em que ambos (não ambos os Vinicius, como ficara provado mais tarde, mas ambos: eu e ele) tomávamos umas e outras no Bar Calypso, num desses crepúsculos vespertinos de Ipanema que já baixam pedindo um chope.
             Estávamos lá “entornando”, quando chegou minha hora de subir para Petrópolis:
            – Poetinha, eu vou me mandar – disse eu.
             Ele suspirou ante a perspectiva de ter de ficar sozinho e desejou boa viagem. Eu entrei no carro e subi para Petrópolis, onde cheguei certo de que nenhum carro passara pelo meu, na estrada. No entanto, parei na avenida Quinze da cidade serrana, manobrei o carro e coloquei na vaga indo tomar mais uma na Confeitaria Copacabana. Quando entrei e olhei para as mesas, vi que um camarada me saudava lá de dentro: era Vinicius de Moraes.
            Foi nessa tarde – repito – que eu descobri que Vinicius era, pelo menos, dois.
       Está claro que pode haver mais de dois. Duvido até que as múltiplas atividades de Vinicius (reparem que seu nome já é no plural para enganar os trouxas) possam ser realizadas só por dois deles. Acredito mesmo que haja uma meia dúzia de Vinicius: um para poesia, um para diplomacia, outro para samba, um quarto para jornalista e o resto para mulher. Desses, os mais assoberbados talvez sejam os últimos. 
            Eu acho, outrossim, que sou o único ao qual Vinicius (não sei qual deles) deu a pala de que eles são uma equipe e não um homem, por isso ficou rindo dos coleguinhas que disputam o privilégio de noticiar o Vinicius certo na hora exata. Os jornais de ontem, por exemplo, estavam muito pitorescos sobre Vinicius (todos os Vinicius). Em Última Hora a confreirinha jornalista Teresa Cesário Alvim, num esforço de reportagem, dizia: “Vinicius de Moraes anda a todo vapor, de uns tempos para cá. Tomou pressão em Petrópolis e desceu a serra carregado de ideias, jorrando inspiração para todos os lados”. (Coitada da Teresa, não sabe que há Vinicius pela aí tudo.)
           Já o coleguinha Jacinto de Thormes, no mesmo dia, na mesma UH e talvez escrevendo à mesma hora, dizia: “O sr. Vinicius de Moraes está fazendo uma temporada de repouso na Clínica São Vicente”. De fato, há um dos Vinicius que está repousando, o que explica as notícias tão desencontradas de dois colunistas, no mesmo jornal, no mesmo dia.
           No mesmo dia, aliás, o Carlos Alberto escrevia na coluna: “O poeta Vinicius de Moraes, ontem de madrugada, conversando no restaurante Fiorentina”. É verdade. Vinicius estava lá no Fiorentina, numa roda batendo papo. Dezenas de testemunhas podem provar o que o Carlos Alberto disse. Estava também tomando oxigênio na Clínica São Vicente, estava em casa com amigos, compondo sambas ao som do violão de Baden Powell, estava no Cine Alvorada, assistindo a Morangos silvestres (o porteiro me disse que o Vinicius já assistiu à fita quatro vezes, mas é mentira. Vários Vinicius ainda não viram).
           Como, minha senhora? A senhora não acredita que Vinicius seja uma porção? Azar o seu, dona. Um dia ainda se fará um programa de televisão com Vinicius ao violão, acompanhando outro Vinicius que canta, junto com um quarteto vocal de Vinicius. Sem videoteipe.
           Quem tem razão é Tia Zulmira, quando diz que, se Vinicius de Moraes fosse um só, não seria Vinicius de Moraes, seria Vinício de Moral.


(Stanislaw Ponte Preta.)
Eu entrei no carro e subi para Petrópolis, onde cheguei certo de que nenhum carro passara pelo meu, na estrada.” (4º§) Sobre o uso do pronome em destaque, é possível afirmar que:
Alternativas
Respostas
9081: B
9082: C
9083: D
9084: A
9085: B
9086: C
9087: E
9088: E
9089: E
9090: C
9091: C
9092: A
9093: D
9094: C
9095: A
9096: A
9097: A
9098: D
9099: C
9100: A