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Questões de Concurso Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

Foram encontradas 36.889 questões

Q2345950 Português
Os amantes 

    Nos dois primeiros dias, sempre que o telefone tocava, um de nós esboçava um movimento, um gesto de quem vai atender. Mas o movimento era cortado no ar. Ficávamos imóveis, ouvindo a campainha bater, silenciar, bater outra vez. Havia um certo susto, como se aquele trinado repetido fosse uma acusação, um gesto agudo nos apontando.
    Era preciso que ficássemos imóveis, talvez respirando com mais cuidado, até que o aparelho silenciasse. Então tínhamos um suspiro de alívio. Havíamos vencido mais uma vez os nossos inimigos. Nossos inimigos eram toda a população da cidade imensa, que transitava lá fora nos veículos dos quais nos chegava apenas um ruído distante de motores, a sinfonia abafada das buzinas, às vezes o ruído do elevador.
    Sabíamos quando alguém parava o elevador em nosso andar; tínhamos o ouvido apurado, pressentíamos os passos na escada antes que eles se aproximassem. A sala da frente estava sempre de luz apagada. Sentíamos, lá fora, o emissário do inimigo. Esperávamos quietos. Um segundo, dois – e a campainha da porta batia, alto, rascante. Ali, a dois metros, atrás da porta escura, estava respirando e esperando um inimigo. Se abríssemos, ele – fosse quem fosse – nos lançaria um olhar, diria alguma coisa – e então o nosso mundo seria invadido.
    No segundo dia ainda hesitamos; mas resolvemos deixar que o pão e o leite ficassem lá fora; o jornal era remetido por baixo da porta, mas nenhum de nós o recolhia. Nossas provisões eram pequenas; no terceiro dia já tomávamos café sem açúcar, no quarto a despensa estava praticamente vazia. No apartamento mal iluminado íamos emagrecendo de felicidade. Devíamos estar ficando pálidos, e às vezes, unidos, olhos nos olhos, nos perguntávamos se tudo não era um sonho.
   O relógio parara, havia apenas aquela tênue claridade que vinha das janelas sempre fechadas. Mais tarde essa luz do dia distante, do dia dos outros, ia se perdendo, e então era apenas uma pequena lâmpada no chão que projetava nossas sombras nas paredes do quarto e vagamente escoava pelo corredor, lançava ainda uma penumbra confusa na sala, onde não íamos mais. Pouco falávamos: se o inimigo estivesse escutando às nossas portas, mal ouviria vagos murmúrios; e a nossa felicidade imensa era ponteada de alegrias menores e inocentes, a água forte e grossa do chuveiro, a fartura festiva de toalhas limpas, de lençóis de linho.
    O mundo ia pouco a pouco desistindo de nós; o telefone batia menos e a campainha da porta quase nunca. Ah, nós tínhamos vindo de muito e muito amargor, muita hesitação, longa tortura e remorso; agora a vida era nós dois apenas. Sabíamos estar condenados; os inimigos, os outros, o resto da população do mundo nos esperava para lançar olhares, dizer coisas, ferir com maldade ou tristeza o nosso mundo, nosso pequeno mundo que ainda podíamos defender um dia ou dois, nosso mundo trêmulo de felicidade, sonâmbulo, irreal, fechado, e tão louco e tão bobo e tão bom como nunca mais haverá.
    No sexto dia sentimos que tudo conspirava contra nós. Que importa a uma grande cidade que haja um apartamento fechado em alguns de seus milhares edifícios – que importa que lá dentro não haja ninguém, ou que um homem e uma mulher ali estejam, pálidos, se movendo na penumbra como dentro de um sonho? Entretanto, a cidade, que durante uns dois ou três dias parecia nos haver esquecido, voltava subitamente a atacar.
    O telefone tocava, batia dez, quinze vezes, calava-se alguns minutos, voltava a chamar: e assim três, quatro vezes sucessivas. Alguém vinha e apertava a campainha; esperava; apertava outra vez; experimentava a maçaneta da porta; batia com os nós dos dedos, cada vez mais forte, como se tivesse certeza de que havia alguém lá dentro.
    Ficávamos quietos, abraçados, até que o desconhecido se afastasse, voltasse para a rua, para a sua vida, nos deixasse em nossa felicidade que fluía num encantamento constante. Eu sentia dentro de mim, doce, essa espécie de saturação boa, como um veneno que tonteia, como se os meus cabelos já tivessem o cheiro de seus cabelos, como se o cheiro de sua pele tivesse entrado na minha.
    Nossos corpos tinham chegado a um entendimento que era além do amor, eles tendiam a se parecer no mesmo repetido jogo lânguido, e uma vez que, sentado de frente para a janela, por onde filtrava um eco pálido de luz, eu a contemplava tão pura e nua, ela disse: “Meu Deus, seus olhos estão esverdeando”. Nossas palavras baixas eram murmuradas pela mesma voz, nossos gestos eram parecidos e integrados, como se o amor fosse um longo ensaio para que um movimento chamasse outro; inconscientemente compúnhamos esse jogo de um ritmo imperceptível como um lento bailado.
    Mas naquela manhã ela se sentiu tonta, e senti também minha fraqueza; resolvi sair, era preciso dar uma escapada para obter víveres; vesti-me, lentamente, calcei os sapatos como quem faz algo de estranho; que horas seriam? Quando cheguei à rua e olhei, com um vago temor, um sol extraordinariamente claro me bateu nos olhos, na cara, desceu pela minha roupa, senti vagamente que aquecia meus sapatos.
    Fiquei um instante parado, encostado à parede, olhando aquele movimento sem sentido, aquelas pessoas e veículos irreais que se cruzavam; tive uma tonteira, e uma sensação dolorosa no estômago. Havia um grande caminhão vendendo uvas, pequenas uvas escuras; comprei cinco quilos, o homem fez um grande embrulho; voltei, carregando aquele embrulho de encontro ao peito, como se fosse a minha salvação. 
    E levei dois, três minutos, na sala de janelas absurdamente abertas, diante de um desconhecido, para compreender que o milagre se acabara; alguém viera e batera à porta e ela abrira pensando que fosse eu, e então já havia também o carteiro querendo recibo de uma carta registrada e, quando o telefone bateu, foi preciso atender, e nosso mundo foi invadido, atravessado, desfeito, perdido para sempre – senti que ela me disse isto num instante, num olhar entretanto lento (achei seus olhos muito claros, há muito tempo que não os via assim, em plena luz) um olhar de apelo e de tristeza, onde, entretanto, ainda havia uma inútil, resignada esperança.

(Disponível em: 200 crônicas escolhidas: as melhores de Rubem Braga. Record. 1977.) 
Rubem Braga foi o primeiro a elevar a crônica ao nível da mais alta categoria literária. É possível inferir que o principal objetivo comunicativo do texto “Os amantes”, de Rubem Braga, é: 
Alternativas
Q2345949 Português
Os amantes 

    Nos dois primeiros dias, sempre que o telefone tocava, um de nós esboçava um movimento, um gesto de quem vai atender. Mas o movimento era cortado no ar. Ficávamos imóveis, ouvindo a campainha bater, silenciar, bater outra vez. Havia um certo susto, como se aquele trinado repetido fosse uma acusação, um gesto agudo nos apontando.
    Era preciso que ficássemos imóveis, talvez respirando com mais cuidado, até que o aparelho silenciasse. Então tínhamos um suspiro de alívio. Havíamos vencido mais uma vez os nossos inimigos. Nossos inimigos eram toda a população da cidade imensa, que transitava lá fora nos veículos dos quais nos chegava apenas um ruído distante de motores, a sinfonia abafada das buzinas, às vezes o ruído do elevador.
    Sabíamos quando alguém parava o elevador em nosso andar; tínhamos o ouvido apurado, pressentíamos os passos na escada antes que eles se aproximassem. A sala da frente estava sempre de luz apagada. Sentíamos, lá fora, o emissário do inimigo. Esperávamos quietos. Um segundo, dois – e a campainha da porta batia, alto, rascante. Ali, a dois metros, atrás da porta escura, estava respirando e esperando um inimigo. Se abríssemos, ele – fosse quem fosse – nos lançaria um olhar, diria alguma coisa – e então o nosso mundo seria invadido.
    No segundo dia ainda hesitamos; mas resolvemos deixar que o pão e o leite ficassem lá fora; o jornal era remetido por baixo da porta, mas nenhum de nós o recolhia. Nossas provisões eram pequenas; no terceiro dia já tomávamos café sem açúcar, no quarto a despensa estava praticamente vazia. No apartamento mal iluminado íamos emagrecendo de felicidade. Devíamos estar ficando pálidos, e às vezes, unidos, olhos nos olhos, nos perguntávamos se tudo não era um sonho.
   O relógio parara, havia apenas aquela tênue claridade que vinha das janelas sempre fechadas. Mais tarde essa luz do dia distante, do dia dos outros, ia se perdendo, e então era apenas uma pequena lâmpada no chão que projetava nossas sombras nas paredes do quarto e vagamente escoava pelo corredor, lançava ainda uma penumbra confusa na sala, onde não íamos mais. Pouco falávamos: se o inimigo estivesse escutando às nossas portas, mal ouviria vagos murmúrios; e a nossa felicidade imensa era ponteada de alegrias menores e inocentes, a água forte e grossa do chuveiro, a fartura festiva de toalhas limpas, de lençóis de linho.
    O mundo ia pouco a pouco desistindo de nós; o telefone batia menos e a campainha da porta quase nunca. Ah, nós tínhamos vindo de muito e muito amargor, muita hesitação, longa tortura e remorso; agora a vida era nós dois apenas. Sabíamos estar condenados; os inimigos, os outros, o resto da população do mundo nos esperava para lançar olhares, dizer coisas, ferir com maldade ou tristeza o nosso mundo, nosso pequeno mundo que ainda podíamos defender um dia ou dois, nosso mundo trêmulo de felicidade, sonâmbulo, irreal, fechado, e tão louco e tão bobo e tão bom como nunca mais haverá.
    No sexto dia sentimos que tudo conspirava contra nós. Que importa a uma grande cidade que haja um apartamento fechado em alguns de seus milhares edifícios – que importa que lá dentro não haja ninguém, ou que um homem e uma mulher ali estejam, pálidos, se movendo na penumbra como dentro de um sonho? Entretanto, a cidade, que durante uns dois ou três dias parecia nos haver esquecido, voltava subitamente a atacar.
    O telefone tocava, batia dez, quinze vezes, calava-se alguns minutos, voltava a chamar: e assim três, quatro vezes sucessivas. Alguém vinha e apertava a campainha; esperava; apertava outra vez; experimentava a maçaneta da porta; batia com os nós dos dedos, cada vez mais forte, como se tivesse certeza de que havia alguém lá dentro.
    Ficávamos quietos, abraçados, até que o desconhecido se afastasse, voltasse para a rua, para a sua vida, nos deixasse em nossa felicidade que fluía num encantamento constante. Eu sentia dentro de mim, doce, essa espécie de saturação boa, como um veneno que tonteia, como se os meus cabelos já tivessem o cheiro de seus cabelos, como se o cheiro de sua pele tivesse entrado na minha.
    Nossos corpos tinham chegado a um entendimento que era além do amor, eles tendiam a se parecer no mesmo repetido jogo lânguido, e uma vez que, sentado de frente para a janela, por onde filtrava um eco pálido de luz, eu a contemplava tão pura e nua, ela disse: “Meu Deus, seus olhos estão esverdeando”. Nossas palavras baixas eram murmuradas pela mesma voz, nossos gestos eram parecidos e integrados, como se o amor fosse um longo ensaio para que um movimento chamasse outro; inconscientemente compúnhamos esse jogo de um ritmo imperceptível como um lento bailado.
    Mas naquela manhã ela se sentiu tonta, e senti também minha fraqueza; resolvi sair, era preciso dar uma escapada para obter víveres; vesti-me, lentamente, calcei os sapatos como quem faz algo de estranho; que horas seriam? Quando cheguei à rua e olhei, com um vago temor, um sol extraordinariamente claro me bateu nos olhos, na cara, desceu pela minha roupa, senti vagamente que aquecia meus sapatos.
    Fiquei um instante parado, encostado à parede, olhando aquele movimento sem sentido, aquelas pessoas e veículos irreais que se cruzavam; tive uma tonteira, e uma sensação dolorosa no estômago. Havia um grande caminhão vendendo uvas, pequenas uvas escuras; comprei cinco quilos, o homem fez um grande embrulho; voltei, carregando aquele embrulho de encontro ao peito, como se fosse a minha salvação. 
    E levei dois, três minutos, na sala de janelas absurdamente abertas, diante de um desconhecido, para compreender que o milagre se acabara; alguém viera e batera à porta e ela abrira pensando que fosse eu, e então já havia também o carteiro querendo recibo de uma carta registrada e, quando o telefone bateu, foi preciso atender, e nosso mundo foi invadido, atravessado, desfeito, perdido para sempre – senti que ela me disse isto num instante, num olhar entretanto lento (achei seus olhos muito claros, há muito tempo que não os via assim, em plena luz) um olhar de apelo e de tristeza, onde, entretanto, ainda havia uma inútil, resignada esperança.

(Disponível em: 200 crônicas escolhidas: as melhores de Rubem Braga. Record. 1977.) 
Se abríssemos, ele – fosse quem fosse – nos lançaria um olhar, diria alguma coisa – e então o nosso mundo seria invadido.” (3º§) Tendo em vista que os tempos verbais assumem diversos valores semânticos, na passagem anterior, as expressões destacadas exprimem ações 
Alternativas
Q2345948 Português
Os amantes 

    Nos dois primeiros dias, sempre que o telefone tocava, um de nós esboçava um movimento, um gesto de quem vai atender. Mas o movimento era cortado no ar. Ficávamos imóveis, ouvindo a campainha bater, silenciar, bater outra vez. Havia um certo susto, como se aquele trinado repetido fosse uma acusação, um gesto agudo nos apontando.
    Era preciso que ficássemos imóveis, talvez respirando com mais cuidado, até que o aparelho silenciasse. Então tínhamos um suspiro de alívio. Havíamos vencido mais uma vez os nossos inimigos. Nossos inimigos eram toda a população da cidade imensa, que transitava lá fora nos veículos dos quais nos chegava apenas um ruído distante de motores, a sinfonia abafada das buzinas, às vezes o ruído do elevador.
    Sabíamos quando alguém parava o elevador em nosso andar; tínhamos o ouvido apurado, pressentíamos os passos na escada antes que eles se aproximassem. A sala da frente estava sempre de luz apagada. Sentíamos, lá fora, o emissário do inimigo. Esperávamos quietos. Um segundo, dois – e a campainha da porta batia, alto, rascante. Ali, a dois metros, atrás da porta escura, estava respirando e esperando um inimigo. Se abríssemos, ele – fosse quem fosse – nos lançaria um olhar, diria alguma coisa – e então o nosso mundo seria invadido.
    No segundo dia ainda hesitamos; mas resolvemos deixar que o pão e o leite ficassem lá fora; o jornal era remetido por baixo da porta, mas nenhum de nós o recolhia. Nossas provisões eram pequenas; no terceiro dia já tomávamos café sem açúcar, no quarto a despensa estava praticamente vazia. No apartamento mal iluminado íamos emagrecendo de felicidade. Devíamos estar ficando pálidos, e às vezes, unidos, olhos nos olhos, nos perguntávamos se tudo não era um sonho.
   O relógio parara, havia apenas aquela tênue claridade que vinha das janelas sempre fechadas. Mais tarde essa luz do dia distante, do dia dos outros, ia se perdendo, e então era apenas uma pequena lâmpada no chão que projetava nossas sombras nas paredes do quarto e vagamente escoava pelo corredor, lançava ainda uma penumbra confusa na sala, onde não íamos mais. Pouco falávamos: se o inimigo estivesse escutando às nossas portas, mal ouviria vagos murmúrios; e a nossa felicidade imensa era ponteada de alegrias menores e inocentes, a água forte e grossa do chuveiro, a fartura festiva de toalhas limpas, de lençóis de linho.
    O mundo ia pouco a pouco desistindo de nós; o telefone batia menos e a campainha da porta quase nunca. Ah, nós tínhamos vindo de muito e muito amargor, muita hesitação, longa tortura e remorso; agora a vida era nós dois apenas. Sabíamos estar condenados; os inimigos, os outros, o resto da população do mundo nos esperava para lançar olhares, dizer coisas, ferir com maldade ou tristeza o nosso mundo, nosso pequeno mundo que ainda podíamos defender um dia ou dois, nosso mundo trêmulo de felicidade, sonâmbulo, irreal, fechado, e tão louco e tão bobo e tão bom como nunca mais haverá.
    No sexto dia sentimos que tudo conspirava contra nós. Que importa a uma grande cidade que haja um apartamento fechado em alguns de seus milhares edifícios – que importa que lá dentro não haja ninguém, ou que um homem e uma mulher ali estejam, pálidos, se movendo na penumbra como dentro de um sonho? Entretanto, a cidade, que durante uns dois ou três dias parecia nos haver esquecido, voltava subitamente a atacar.
    O telefone tocava, batia dez, quinze vezes, calava-se alguns minutos, voltava a chamar: e assim três, quatro vezes sucessivas. Alguém vinha e apertava a campainha; esperava; apertava outra vez; experimentava a maçaneta da porta; batia com os nós dos dedos, cada vez mais forte, como se tivesse certeza de que havia alguém lá dentro.
    Ficávamos quietos, abraçados, até que o desconhecido se afastasse, voltasse para a rua, para a sua vida, nos deixasse em nossa felicidade que fluía num encantamento constante. Eu sentia dentro de mim, doce, essa espécie de saturação boa, como um veneno que tonteia, como se os meus cabelos já tivessem o cheiro de seus cabelos, como se o cheiro de sua pele tivesse entrado na minha.
    Nossos corpos tinham chegado a um entendimento que era além do amor, eles tendiam a se parecer no mesmo repetido jogo lânguido, e uma vez que, sentado de frente para a janela, por onde filtrava um eco pálido de luz, eu a contemplava tão pura e nua, ela disse: “Meu Deus, seus olhos estão esverdeando”. Nossas palavras baixas eram murmuradas pela mesma voz, nossos gestos eram parecidos e integrados, como se o amor fosse um longo ensaio para que um movimento chamasse outro; inconscientemente compúnhamos esse jogo de um ritmo imperceptível como um lento bailado.
    Mas naquela manhã ela se sentiu tonta, e senti também minha fraqueza; resolvi sair, era preciso dar uma escapada para obter víveres; vesti-me, lentamente, calcei os sapatos como quem faz algo de estranho; que horas seriam? Quando cheguei à rua e olhei, com um vago temor, um sol extraordinariamente claro me bateu nos olhos, na cara, desceu pela minha roupa, senti vagamente que aquecia meus sapatos.
    Fiquei um instante parado, encostado à parede, olhando aquele movimento sem sentido, aquelas pessoas e veículos irreais que se cruzavam; tive uma tonteira, e uma sensação dolorosa no estômago. Havia um grande caminhão vendendo uvas, pequenas uvas escuras; comprei cinco quilos, o homem fez um grande embrulho; voltei, carregando aquele embrulho de encontro ao peito, como se fosse a minha salvação. 
    E levei dois, três minutos, na sala de janelas absurdamente abertas, diante de um desconhecido, para compreender que o milagre se acabara; alguém viera e batera à porta e ela abrira pensando que fosse eu, e então já havia também o carteiro querendo recibo de uma carta registrada e, quando o telefone bateu, foi preciso atender, e nosso mundo foi invadido, atravessado, desfeito, perdido para sempre – senti que ela me disse isto num instante, num olhar entretanto lento (achei seus olhos muito claros, há muito tempo que não os via assim, em plena luz) um olhar de apelo e de tristeza, onde, entretanto, ainda havia uma inútil, resignada esperança.

(Disponível em: 200 crônicas escolhidas: as melhores de Rubem Braga. Record. 1977.) 
Considerando aspectos e estrutura textuais, é correto afirmar que o texto tem como principal objetivo: 
Alternativas
Q2345886 Português
Os segmentos a seguir fazem parte de um texto único, mas estão colocados fora da ordem original.

1. — O Lobo, mostrando—se mais raivoso tornou a falar: — Por isso, tens que praguejar? Há seis meses teu pai também me ofendeu! Respondeu o Cordeiro: — Creio que há um engano, porque eu nasci há apenas três meses, então não havia nascido e por isso não tenho culpa. 
2. — Em um pequeno córrego, bebia água um Lobo esfomeado, quando chegou, mais abaixo da corrente de água um Cordeiro, que começou também a beber. 
3. — O Lobo replicou: — Tens culpa pelo estrago que fizestes pastando em meu campo. Disse o Cordeiro: — Isso não parece possível, porque ainda não tenho dentes. 
4. — O Lobo olhou com os olhos sanguinários e arreganhando os dentes disse: — Como ousas turvar a água onde bebemos?  O Cordeiro respondeu com humildade: — Eu estou abaixo de onde bebes e não poderia sujar a tua água. 
5. — O Lobo, sem mais razões, saltou sobre o Cordeiro, e o comeu.

Assinale a opção que indica a ordem desses segmentos que restabelece a forma original da fábula.
Alternativas
Q2345881 Português
As formas de comparar duas coisas são muito variadas; assinale a frase em que não ocorre uma comparação. 
Alternativas
Q2345880 Português
Assinale a opção que indica a frase que não se encaixa no campo temático da religião. 
Alternativas
Q2345879 Português
Assinale a opção que indica o vocábulo que não está ligado ao campo semântico da fala. 
Alternativas
Q2345806 Português
Pela situação textual de cada fragmento a seguir, pode-se inferir a profissão do personagem; assinale a opção em que a indicação dessa profissão é inadequada
Alternativas
Q2345508 Português
Em uma oficina mecânica, havia um cartaz que dizia: 
Imagem associada para resolução da questão

Pode-se concluir dessa placa que 
Alternativas
Q4112197 Português

Soneto do Amor Total



Amo-te tanto, meu amor... não cante

O humano coração com mais verdade...

Amo-te como amigo e como amante

Numa sempre diversa realidade 



Amo-te enfim, de um calmo amor prestante,

E te amo além, presente na saudade.

Amo-te, enfim, com grande liberdade

Dentro da eternidade e a cada instante. 



Amo-te como um bicho, simplesmente,

De um amor sem mistério e sem virtude

Com um desejo maciço e permanente. 



E de te amar assim muito e amiúde,

É que um dia em teu corpo de repente

Hei de morrer de amar mais do que pude.



Vinícius de Moraes. 

Considerando o poema, analise as proposições abaixo:

I- O poema Soneto do Amor Total está voltado para temática do amor romântico.

II- No poema, o eu-lírico promete uma entrega total e absoluta apesar de demonstrar estar ciente da finitude do sentimento.

III- Na primeira estrofe, há um afeto multifacetado, que enxerga o outro não só como fonte de deleite e prazer, mas também como um parceiro, um companheiro para todas as horas.

IV- Além da sensualidade, a amizade é um outro elemento presente no texto.

É verdade o que se afirma em: 
Alternativas
Q4111793 Português

Os Ombros Suportam o Mundo


Chega um tempo em que não se diz mais: meu

Deus.

Tempo de absoluta depuração.

Tempo em que não se diz mais: meu amor.

Porque o amor resultou inútil. E os olhos não choram.

E as mãos tecem apenas o rude trabalho.

E o coração está seco. 



Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.

Ficaste sozinho, a luz apagou-se,

mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.

És todo certeza, já não sabes sofrer.

E nada esperas de teus amigos. 



Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?

Teus ombros suportam o mundo

e ele não pesa mais que a mão de uma criança.

As guerras, as fomes, as discussões dentro dos

edifícios

provam apenas que a vida prossegue

e nem todos se libertaram ainda.

Alguns, achando bárbaro o espetáculo

prefeririam (os delicados) morrer.

Chegou um tempo em que não adianta morrer.

Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.

A vida apenas, sem mistificação.



 

Analise as proposições abaixo como (V) verdadeiras ou (F) falsas.


(_) Segundo o poema, as "certezas" que cercam a pessoa, além de isolá-la, também servem como proteção contra o sofrimento. Apesar de a solidão não ter uma carga dramática, ela é obscura e deprimente.


(_) A terceira e última estrofe é também a mais longa. É nela que se encontra o verso que dá o nome ao poema e o tema central: a posição do ser neste mundo e neste tempo.


(_) A matéria do poeta é a realidade, o tempo presente e também a relação entre o "eu" e o mundo.


(_) Drummond compara as guerras às discussões em edifícios, como se ambos fossem igualmente "corriqueiros" e "banais" em um mundo cada vez mais desumano.


(_) A vida sem mistificação é uma retomada aos primeiros versos do poema.


A sequência correta de cima para baixo é: 

Alternativas
Q4050687 Português

Pandemia faz acelerar rejeição à globalização.


O mundo já vinha experimentando políticas protecionistas e guerras comerciais que fizeram com que especialistas alertassem para uma trajetória de desglobalização nos últimos anos. Depois de atingir o pico no início dos anos 2000, o comércio global e o investimento direto estrangeiro tiveram uma diminuição como proporção do PIB mundial a partir da crise de 2008. Agora, a pandemia de coronavírus casada com a maior recessão desde a crise de 1929 deve aprofundar a tendência do que alguns chamam de “slowbalization”, ou a desaceleração da globalização como conhecida até hoje.



A interrupção no processo de globalização já aconteceu antes na história, mas desde o fim da Segunda Guerra Mundial até a crise econômica de 2008 o mundo vinha aumentando o intercâmbio de bens, investimentos, serviços e tecnologia. A assinatura de um primeiro acordo comercial entre Washington e Pequim no final de 2019 lançou esperanças de que 2020 fosse mais próspero para o comércio internacional, mas a crise atual indica que o mundo verá a disrupção das atuais cadeias globais de produção impulsionada por políticas protecionistas, busca por uma produção regionalizada e intensificação das tensões geopolíticas.



O Fundo Monetário Internacional projeta uma queda de 11% no comércio mundial neste ano, sem plena recuperação em 2021. A Organização Mundial do Comércio tem cenários mais sombrios: nas estimativas otimistas, o comércio cairá 13%. Nas pessimistas, um terço do comércio mundial deve ser perdido neste ano. As projeções sobre fluxo de investimento também indicam perdas de dois dígitos.



 Ao atingir a China no final do ano passado, o coronavírus causou a paralisação do país apontado como “fábrica global”, em razão da sua importância na exportação e nas cadeias de produção. Wuhan, cidade onde a propagação do coronavírus foi inicialmente identificada, é sede de produção chinesa para automóveis e aço, além de concentrar multinacionais. centenas de empresas Com fábricas fechadas, circulação de pessoas limitada e demanda interna paralisada, o primeiro sinal vindo da China foi preocupante para a cadeia de produção global. As importações chinesas caíram 4% em janeiro e fevereiro, comparado com o mesmo período do ano anterior, enquanto as exportações caíram 17%.



A crise também escancarou uma dependência acentuada da China que acendeu sinais de alerta. Em 2018, o gigante asiático foi responsável por 43% dos equipamentos de proteção individual, como luvas e máscaras, de todo o mundo. A preocupação com um eventual apagão na produção chinesa fez crescer as tendências de regionalização e de busca por parcerias mais próximas.



Barry Eichengreen, economista e professor da Universidade da Califórnia em Berkeley, afirma que algumas vantagens competitivas de países de baixa renda – como especialidade em operações de montagem e fornecimento de insumos – serão perdidas “à medida que países avançados começarem a encurtar e remodelar suas cadeias de produção”.



“É improvável que os apelos a um novo compromisso pela globalização ganhem força depois da pandemia de COVID-19. Os que desejam ver a globalização preservada devem concentrar esforços em minimizar as disrupções causadas pelo período de desglobalização que virá e em preparar o terreno para um processo mais sustentável depois disso”, escreveu o economista Mohamed A. El-Erian, principal conselheiro econômico da Allianz e membro do comitê externo criado pelo FMI para resposta à crise causada pelo Coronavírus, em artigo para o site Project Syndicate.



Para o economista, o pé no freio na integração internacional será adotado simultaneamente por governos, empresas e pelas famílias. Do lado corporativo, argumenta El-Erian, a valorização de cadeias de suprimento global deve dar lugar a uma abordagem mais localizada, ao passo que governos irão se esforçar para garantir uma produção segura de produtos de interesse nacional.



O movimento dos países até agora foi o de autoproteção. O governo americano entrou em rota de colisão com aliados, ao invocar a Lei de Proteção de Defesa para manter no país e evitar exportação de equipamentos de proteção médicos. A ação americana foi criticada por parceiros como o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, e por analistas, que vislumbram não apenas o risco de retaliação como também acham que isso servirá de estímulo para que outras nações pensem em nacionalizar a produção feita por empresas dos EUA com operação no exterior. Na União Europeia, há recomendação para que governos tenham uma dose extra de vigilância para proteger a indústria estratégica de eventuais investimentos estrangeiros feitos neste momento que possam colocar em risco áreas essenciais para a região.



Para o especialista em comércio Douglas Irwin, do Peterson Institute for International Economics, o risco de uma “reação exagerada” e propensa ao protecionismo por parte dos países é agravado pelo vácuo de liderança no sistema comercial global, com os Estados Unidos longe de desempenharem o papel que tiveram em outros momentos de crise. Com o pano de fundo do vírus, a tensão entre EUA e China voltou a entrar em ritmo de escalada.



Analistas apontam que é cedo para estimar o impacto real da disrupção causada pela crise – e a janela de projeções dos organismos internacionais, que têm traçado mais de um cenário possível, confirmam as incertezas. O comum acordo, no entanto, é de que o panorama global irá mudar. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



ESTADÃO Conteúdo. Revista IstoÉ Digital. “Pandemia faz acelerar rejeição à globalização.”. (São Paulo, 2020). Disponível em: < https://istoe.com.br/pandemia-faz acelerar-rejeicao-a-globalizacao/>. Acesso em: 31 ago. 2023. ADAPTADO. 

De acordo com as informações presentes no texto, a dependência da China em relação à produção de equipamentos de proteção individual, como luvas e máscaras, causou preocupação. Assinale a alternativa que indica corretamente o motivo do alerta.
Alternativas
Q4050677 Português

Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social.


Quando se fala em melhoria de saúde, a primeira coisa que vem à mente é a tecnologia com seu enorme potencial de transformar a maneira como lidamos com a saúde até hoje. As inovações se multiplicam em todas as especialidades e nos mais diversos campos, como genômica, robótica, nanotecnologia, big data, telemedicina, etc., oferecendo novas possibilidades em diagnóstico, tratamento ou prevenção de doenças. A sofisticação tecnológica é responsável por grandes saltos na medicina e seus avanços têm contribuído para que as pessoas possam viver cada vez mais e melhor. Neste sentido é natural que tenha destaque e seja admirada.



 Mas isto não pode ser impeditivo para que tenhamos uma visão mais ampla sobre a saúde e comecemos a prestar atenção em outros fatores igualmente impactantes, seja pelo potencial de gerar doenças ou de não permitir que as pessoas tenham uma vida saudável. Saúde não é somente ausência de enfermidade, e sim um estado de completo bem-estar físico, mental e social.



A partir desta definição, dada pela própria Organização Mundial de Saúde, é impossível pensar em melhoria de saúde sem um olhar mais amplo que considere outros elementos impactantes. Não se pode elevar o padrão de saúde sem melhorar as condições de saneamento básico e moradia, sem reduzir a violência urbana, os acidentes de trânsito, o consumo abusivo de álcool ou o tabagismo, e também sem tratar da questão nutricional.



 Combater a desnutrição em todas as suas formas é um dos maiores desafios que todos os países enfrentam porque quase um terço da população no mundo sofre de pelo menos uma forma de desnutrição, como deficiência de vitaminas e minerais, excesso de peso ou obesidade. A ONU considera a questão tão séria que mantém um plano de trabalho global prevendo ações para melhoria das condições nutricionais nos próximos 10 anos.



No Brasil, de acordo com dados recentes, um terço das crianças está acima do peso. Entre os  jovens de 13 a 17 anos, o índice de obesidade já chega a 7,8%. Excesso de peso é fator de risco para doenças crônicas do coração, hipertensão e diabetes, responsáveis por 78% dos óbitos no Brasil.



Parte deste problema ocorre, ou se agrava, porque as pessoas substituem alimentos e cereais in natura, ou minimamente processados, por produtos industrializados prontos para o consumo, em geral consumindo excesso de calorias, açúcar, sódio e outros ingredientes menos saudáveis. Além disso, não praticam atividades físicas como é recomendável.



Um novo olhar é responsabilidade dos governantes, dos gestores em saúde e também de cada indivíduo. Há problemas decorrentes da ausência de políticas adequadas, da falta de recursos ou de má gestão, mas há situações problemáticas porque, infelizmente, nem todos têm o hábito de cuidar bem da própria saúde.



LOTTENBERG, Claudio. Revista Veja Digital. “Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social.”. (São Paulo, 2017). Disponível em: . Acesso em: 30 ago. 2023. ADAPTADO. 

De acordo com as informações presentes no texto, a definição de saúde, como sendo não apenas a ausência de doenças, “e sim um estado de completo bem-estar físico, mental e social”, foi dada por uma agência internacional especializada. Assinale a alternativa que indica corretamente essa instituição.
Alternativas
Q3892571 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

 

O AVANÇO DA TECNOLOGIA E AS TRANSFORMAÇÕES NA SOCIEDADE

 

(1º§) Mudar é preciso, sendo imprescindível estarmos preparados para lidar com a velocidade em que ocorrem as transformações na sociedade. É algo surpreendente e sem precedentes o quanto mudamos na forma de comunicar, relacionar, produzir, consumir e se informar. Podemos perceber isso no mundo do trabalho, no consumo e nos hábitos da população, como exemplo pedir uma refeição, um transporte, fazer uma compra, uma transferência bancária e realizar uma reunião pelo celular.


(2º§) Estamos conectados 24 horas por cada dia e podemos acompanhar em tempo real tudo que ocorre do outro lado do mundo. A tecnologia e a inovação são dois itens que proporcionam evolução e revolução. Quem não acompanhar esse ritmo de transformação ficará desatualizado e fora do contexto social.


(3º§) Há um tempo, falava-se em globalização, que era a quebra de barreiras entre países. Chegamos à era digital, em que suas informações transitam em velocidade instantânea e há comunicação direta entre as pessoas, sem limites de tempo e espaço, estamos falando da quarta revolução industrial e na indústria.


(4º§) Por muito tempo temia-se o avanço tecnológico e não tínhamos a noção de aonde chegaríamos. Falava-se em substituir o homem pela máquina, mas o que podemos perceber é que houve uma integração entre eles.


(5º§) O maior patrimônio das empresas é seu capital intelectual e de seus colaboradores. O ser humano, principalmente dotado de conhecimento, será sempre necessário na concepção de produtos, serviços e na interface com a máquina.


(5º§) Além de lutar pela sobrevivência em mercado acirrado e de elevados custos, as empresas precisam intensificar essa cultura de inovação para se tornarem competitivas. O grande diferencial é criar meios inteligentes de gerar informações, integrar sistemas e oferecer soluções. São necessárias políticas de incentivo à pesquisa e à ciência.


(6º§) Essa é uma realidade em vários países, que, ao longo dos anos, têm investido em avanços tecnológicos e na inovação, como: Alemanha, Estados Unidos, Japão, Coreia. São nações que valorizam e têm orgulho de suas empresas.


(7º§) É importante entender que a tecnologia avança com muita rapidez. Não temos noção de aonde chegaremos com o avanço da tecnologia, mas precisamos estar preparados.

 

(O avanço da tecnologia e as transformações na sociedade - Agência de Notícias da Indústria (portaldaindustria.com.br)) − (Adaptado) - (Disponível 10.11.2023).

Marque a alternativa com o trecho escrito com um pronome que remete o leitor à ideia de ambiguidade. 
Alternativas
Q3735139 Português
Texto


NOMOFOBIA: O QUE É, SINTOMAS E COMO EVITAR


Manuel Reis


    A nomofobia é um termo que descreve o medo de ficar sem contato com o celular, sendo uma palavra derivada da expressão inglesa "no mobile phone phobia". Este termo não é reconhecido pela comunidade médica, mas tem sido utilizado e estudado desde 2008 para descrever o comportamento de dependência e os sentimentos de angústia e ansiedade que algumas pessoas demonstram quando não têm o celular por perto.

  Normalmente a nomofobia é identificada principalmente em pré-adolescentes e adolescentes, já que são os que mais consomem esse tipo de tecnologia e permanecem mais tempo nas redes sociais.

   Por ser uma fobia, nem sempre é possível identificar a causa que leva a pessoa a sentir ansiedade por estar longe do celular, mas, em alguns casos, esses sentimentos são justificados com o medo de não conseguir saber o que está acontecendo no mundo ou de necessitar de assistência médica e não ter como pedir ajuda.


Principais sintomas


Alguns sinais que podem ajudar a identificar que se tem nomofobia incluem:


• Sentir ansiedade quando se fica muito tempo sem usar o celular; 

• Necessitar fazer várias pausas no trabalho para utilizar o celular;

• Nunca desligar o celular, mesmo para dormir;

• Acordar no meio da noite para ir ao celular;

• Carregar frequentemente o celular para garantir que se tem sempre bateria;

• Ficar muito chateado quando se esquece o celular em casa; 

• Verificar o telefone frequentemente para ver se tem notificações;

• Ansiedade quando está em um ambiente sem sinal de internet;

• Levar o carregador de telefone para todos os lugares por medo de a bateria acabar. 


   Além disso, outros sintomas físicos que parecem estar associados aos sinais nomofobia são os de vício, como aumento do batimento cardíaco, sensação de transpiração excessiva, agitação e respiração rápida.

   Uma vez que a nomofobia ainda está sendo estudada e não é reconhecida como um transtorno psicológico, ainda não existe uma lista fixa de sintomas, existindo apenas vários formulários diversos que ajudam a pessoa a entender se pode ter algum nível de dependência para com o celular. (...) 
"Quando  existe algum grau de dependência, pode ser necessário consultar um psicólogo para iniciar terapia"

As palavras destacadas no trecho acima, transcrito do texto, introduzem, respectivamente, os sentidos de
Alternativas
Q3707397 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Inteligência Artificial: a inesperada demissão de Sam Altman, criador do ChatGPT

O mundo da tecnologia está em choque.

Nesta sexta-feira (17/11), Sam Altman — uma das mentes mais brilhantes da emergente indústria da Inteligência Artificial e um homem que para muitos se tornou o porta-voz da AI — foi demitido sem cerimônia da empresa que cofundou.

A AI está em nossas vidas há muito tempo — organizando nossos feeds de redes sociais, recomendando filmes em plataformas de streaming de vídeo e ajudando no cálculo de nossos prêmios de seguro.

Mas foi a partir do lançamento do ChatGPT por Altman que a maioria das pessoas passou a falar sobre AI.

A Inteligência Artificial é uma tecnologia incrivelmente poderosa e divide opiniões: alguns dizem que ela poderia salvar o mundo ou destruí-lo.

Sua demissão da OpenAI, empresa por trás do bot ChatGPT, foi tão repentina quanto dramática.

É justo dizer que meu telefone explodiu quando a notícia foi divulgada, enquanto a comunidade de tecnologia e os jornalistas se esforçavam para entender o que estava acontecendo.

Num comunicado, o Conselho de Administração da empresa disse acreditar que Altman não tinha sido "consistentemente sincero nas comunicações" com eles e, como resultado, tinha "perdido a confiança" na sua liderança.

Nas entrelinhas, pode-se supor que havia algo que Altman lhes contou ou não — e de alguma forma ele foi pego de surpresa por isso. O texto do comunicado é tão poderoso que quase parece pessoal.

Existem rumores, mas, até agora, nada mais veio à tona.

Não é incomum nas empresas de tecnologia que uma cultura de trabalho tóxica leve à queda do CEO — mas até agora nenhum caso do tipo apareceu envolvendo a OpenAI.

Em outubro, a empresa estava avaliada em US$ 80 bilhões (cerca de R$ 400 bilhões) — ou seja, também não parece ter havido nenhum problema financeiro.

Será que o problema é com a própria tecnologia?

Há alguns dias, Altman escreveu sobre o ChatGPT tendo dificuldades para atender a um "aumento na demanda', o que fez com que as inscrições para seu serviço de assinatura paga fossem pausadas.

Mas isso é suficiente para uma demissão?

Seu cofundador, Greg Brockman, que foi demitido do conselho poucos minutos depois de Altman, disse que os dois homens ficaram chocados com a rapidez com que tudo aconteceu.

Havia apenas seis pessoas nesse conselho, incluindo Brockman e Altman. Se eles foram realmente pegos de surpresa, isso significa que essa decisão foi tomada por apenas quatro membros.

O que aconteceu para que este pequeno grupo agisse de forma tão decisiva e rápida?

Altman, agora ex-CEO da OpenAI, dirigiu-se a líderes mundiais em discussões sobre os riscos e benefícios representados pela poderosa tecnologia em que foi pioneiro.

Ele disse, de forma memorável, que a AI era "uma ferramenta e não uma criatura" e parecia honesto sobre seus temores de que um dia ela pudesse sair de controle.

Há apenas duas semanas, Altman esteve no Reino Unido, na primeira cúpula mundial de segurança de AI, como um dos cerca de 100 delegados globais. Ele fez um discurso na semana passada sobre o futuro de sua empresa e sua tecnologia.

Como repórter de tecnologia, considero seguro presumir que ele realmente não tinha ideia do que estava por vir.

Até agora, os grandes nomes do Vale do Silício ofereceram apoio a Altman, incluindo o cofundador do Google, Eric Schmidt, que o descreveu como "meu herói".

O CEO da Microsoft, Satya Nadella, disse ter "confiança" na empresa. Não surpreende, uma vez que a Microsoft investiu bilhões na OpenAI, e a tecnologia por trás do ChatGPT agora está incorporada nos aplicativos do Office da Microsoft.

Um personagem que tem estado estranhamente quieto até agora é Elon Musk.

Ele e Altman criaram a OpenAI juntos, em parceria com outras pessoas, mas teriam se desentendido sobre a decisão dela deixar de ser uma organização sem fins lucrativos.

Há rumores de que é exatamente essa questão que mais uma vez dividiu opiniões dentro da empresa.

O X (anteriormente conhecido como Twitter) de Musk, por sua vez, lançou um novo chatbot chamado Grok.

Talvez Musk não esteja chateado com o fato de a OpenAI estar um pouco distraída por um drama que não é de hoje.

Enquanto isso, cabe à diretora de tecnologia da ChatGPT, Mira Murati, assumir interinamente o cargo de CEO.

O mundo da tecnologia é pequeno — coincidentemente, ela já trabalhou na Tesla, empresa automobilística de Musk.

A grande pergunta é: Murat poderá conter tamanha instabilidade?

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cd1p37k7ddjo 
Quem assumiu interinamente o cargo de CEO da OpenAI após a demissão de Sam Altman?
Alternativas
Q3694097 Português
O fenômeno que nos faz ver cores que não existem

Você já se perguntou por que não existem mamíferos verdes?

Afinal, seria muito conveniente para quem passa muito tempo escondido na vegetação poder se camuflar.

Uma explicação é que é muito difícil ser verde.

As plantas fazem isso usando a clorofila, mas na verdade não existem outros pigmentos verdes disponíveis na natureza.

Então, como os papagaios e sapos chegam a essa cor?

Pois bem, eles superam a escassez de pigmentos verdes usando um que é mais abundante: o amarelo.

Feito isso, "basta" misturar com o azul — mas aí mora um problema.

Na verdade, a dificuldade em conseguir o verde reside em grande parte na falta da cor que costumamos enxergar no céu e no mar.

Não existe um pigmento verdadeiramente azul na natureza, então tanto as plantas quanto os animais precisam realizar truques para parecerem azuis.

E um desses truques é a coloração estrutural, um fenômeno surpreendente que ocorre quando a luz interage com estruturas microscópicas nas superfícies e nos mostra cores, apesar da ausência de pigmentos.

No caso dos papagaios e dos sapos, essas microestruturas — nas penas ou na pele — apenas permitem refletir a luz azul que, quando combinada com o pigmento amarelo, faz com que pareçam verdes.

Você notou que dissemos "parece"?

Não devemos esquecer que "a cor é mais uma percepção do que uma propriedade física da luz", conforme explica o médico oftalmologista David A. Mackey, membro do Conselho Nacional de Saúde e Pesquisa Médica (NHMRC) da Austrália.

Nossos olhos detectam apenas três cores: vermelho, verde e azul. Mas, com a combinação delas, podemos ver muitas mais. E a cor que vemos é a que o objeto reflete, depois de absorver todas as outras.

Entretanto, no mundo biológico, a grande maioria das cores é produzida por pigmentos — compostos produzidos por um organismo vivo que absorvem seletivamente certos comprimentos de onda de luz.

Na ausência de pigmentos, ocorre a magia da coloração estrutural, um jogo de luz que muitas vezes nos mostra cores deslumbrantes.

É também uma forma de coloração mais durável porque, ao contrário das cores criadas pela pigmentação, que se degradam quando o organismo morre, as microestruturas sobrevivem até se desintegrarem.

'Desestruturando'

Para entender melhor a coloração estrutural, vamos focar no o azul, aquela cor tão difícil de obter na natureza.

A razão pela qual ela ainda assim aparece é que a luz azul tem comprimentos de onda muito curtos — e, assim, é refletida mais facilmente do que outras cores com comprimentos de onda mais longos.

Isso foi compreendido pela primeira vez em 1869 pelo cientista John Tyndall, que observou que pequenas partículas na atmosfera dispersavam preferencialmente a luz azul, resultando no familiar céu azul de um dia claro de verão.

Pouco depois, John William Strutt demonstrou que as partículas de que Tyndall estava falando eram, na verdade, moléculas individuais de gás, especificamente nitrogênio e oxigênio.

O mesmo acontece com as penas de pássaros como as araras-azuis.

Se você olhar uma pena dessa arara em um microscópio poderoso, verá que a camada superficial de queratina parece leitosa devido à presença de pequenas cavidades de ar.

Essas pequenas cavidades de ar agem como pequenas partículas da atmosfera, enquanto os grânulos escuros de melanina absorvem comprimentos de onda de luz mais longos, o que privilegia a cor azul.

Se, em comparação, você olhar uma pena vermelha sob o mesmo microscópio, verá que a superfície é transparente, mas as estruturas subjacentes estão cheias de grânulos de pigmento vermelho.

Um fenômeno físico semelhante, mas não idêntico, produz cores iridescentes, como aquelas que vemos quando há uma fina película de óleo na água ou nas penas dos beija-flores, cujas estruturas microscópicas refletem a luz solar com uma forma natural de nanotecnologia.

A mais brilhante de todas

A coloração estrutural foi observada pela primeira vez pelos cientistas ingleses Robert Hooke e Isaac Newton em pavões; o polímata Thomas Young explicou seu princípio um século depois e chamou-o de interferência de ondas.

Young descreveu a iridescência como o resultado da interferência entre os reflexos de várias superfícies de camadas finas, combinada com a refração à medida que a luz entra e sai de tais camadas.

A geometria mostra que a luz refletida aparece em cores diferentes em ângulos diferentes.

Um caso exemplar é o do fruto da planta africana Pollia condensata, a matéria viva mais brilhante do mundo.

Ela foi estudada por uma equipe de pesquisadores do Jardim Botânico de Kew e da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e do Museu Smithsonian de História Natural, nos Estados Unidos.

Os cientistas ficaram inicialmente intrigados com uma propriedade incomum: os pequenos frutos metálicos conhecidos como bagas de mármore mantêm uma cor azul vibrante por anos ou mesmo décadas após serem colhidos.

Ao examinar as bagas, eles perceberam que sob sua superfície lisa e refletiva havia múltiplas camadas de células especiais feitas de fibras de celulose, cada uma ligeiramente girada.

Quando a luz atinge a camada superior, parte dela é refletida e o restante é filtrado. A luz refletida por cada camada é excepcionalmente brilhante e produz cores fortes num efeito conhecido como reflexão de Bragg.

Os cientistas concluíram que o tecido do fruto tem uma cor mais intensa do que qualquer tecido biológico estudado anteriormente.



https://www.bbc.com/portuguese/articles/c1r40qw9vego
Como os papagaios e sapos conseguem adquirir a cor verde?
Alternativas
Q3688125 Português
        No Brasil fazemos muitos planos – faz parte da nossa cultura. Nossa dificuldade é de executá-los. Por exemplo, no setor de infraestrutura e transportes, há planos para melhorar o país desde o Plano da Comissão de 1890, que contempla projetos de infraestrutura para a Amazônia, que, até hoje, não saíram do papel.

        Neste contexto, na semana passada, discuti o quanto é vago o termo bioeconomia para a Amazônia e recebi uma enxurrada de comentários, permitindo-me algumas reflexões adicionais, evoluindo o que pensava. [...]

        Depois de mergulhar em vários dos documentos que pesquisei e dos adicionais que recebi, a sensação que tive é que não saímos do vago para o prático, da “bioeconomia” para a bioeconomia, de um faz de conta para a realidade, de um greenwashing para a sustentabilidade, da teoria para a prática. Mantive a sensação de uma distância grande do necessário para a transformação para um modo de vida mais próspero e equilibrado ou de uma similaridade ampla com o que vem sendo feito nos países mais avançados. Segue a lógica do “chutando a escada”, prevalecem os modelos que mantêm desigualdades.

        Em praticamente todos os planos há grande boa vontade e interesse pelo país. Em cada um deles há enorme mérito. A problemática não são os planos em si ou seus autores abnegados, são os poucos recursos alocados para eles serem realizados. Se fazemos planos maravilhosos, mas não executamos ou se apenas realizamos as pequenas partes negativas ou de baixo impacto, como esperar uma transformação? Será que se quer transformação? [...]

        É uma tradição que temos: planejar e não fazer, em especial para a região Amazônica. Enquanto isso, ela é entrecortada por mais de 3 milhões de quilômetros de vias vicinais não oficiais, segundo estudo do Imazon, publicado em 2022. É como se estivéssemos em uma das zonas de exclusão “socioeconômica das pessoas”, conforme estudado pelo geógrafo Rogerio Haesbaert e outros. [...]

Disponível em: https://jornalggn.com.br/. Acesso em 13 set. 2023. [Fragmento adaptado] 
Nesse fragmento textual, o autor defende a ideia de que os planos feitos para o Brasil 
Alternativas
Q3682694 Português
Responda a questão de acordo com a Lei 8.069/90 – Estatuto da Criança e do Adolescente. 
Assinale a alternativa INCORRETA:
Alternativas
Q3667931 Português
 A escritora mais importante da era colonial − e uma pioneira do feminismo − viveu em um convento

Juana Inês de Asbaje Ramírez de Santillana, mais conhecida como Sor Juana Inês de la Cruz, nasceu em 12 de novembro de 1648 e é considerada uma das escritoras mais emblemáticas do século 17, além de ser uma das pioneiras na luta pela igualdade de gênero.

Ele cresceu principalmente na fazenda de Nepantla, na Nova Espanha (atual México), na fazenda de seu avô materno, de acordo com um artigo publicado pelo governo mexicano.

Aos 3 anos de idade, Juana já sabia ler e escrever. Ela também aprendeu latim com facilidade e tinha conhecimento de nahuatl (um idioma indígena). Quando criança, ela foi viver na casa dos tios para continuar seus estudos.

Já na adolescência, aos 16 anos, Juana se juntou a corte do vice-rei Antonio Sebastián de Toledo, marquês de Mancera, e da vice-rainha Leonor de Carreto, que se tornaram seus patronos, diz o Ministério da Cultura da Argentina. Essas figuras foram importantes em sua vida porque, no século 17, os acadêmicos dependiam de um patrono para se sustentar. Em outras palavras, eles não escreviam de forma independente, mas por encomenda, conta a organização.

Em 1667, ela entrou para a ordem das Carmelitas Descalças, na Igreja do Convento de Santa Teresa la Antigua, onde passou por seu primeiro estágio de educação formal. No entanto, mais tarde ela se transferiu para a ordem de São Jerônimo, de acordo com a Comissão Nacional de Direitos Humanos do México (CNDH). Na época, a universidade era reservada somente aos homens.

De acordo com o CNDH, os vínculos de Sor Juana com importantes figuras da corte e do clero permitiram que ela desenvolvesse seu trabalho literário. Ela mantinha um grande número de livros em seu quarto, algo que era difícil de se conseguir naquela época.

Além de escrever, a freira Juana Inês se destacou como administradora, atuando por nove anos como contadora do convento. Ela também realizou experimentos científicos, de acordo com o Instituto Nacional de Belas Artes e Literatura do México (Inbal).

Em 1680, Sor Juana escreveu o livro "Neptuno Alegórico", dedicado aos marqueses de La Laguna, vice-reis recém-chegados ao México. Desse momento em diante, a fama da freira se expandiu, bem como sua maturidade literária, e ela recebeu apoio financeiro para seus projetos pessoais e conventuais.

De acordo com a comissão mexicana, a obra de Sor Juana Inês de la Cruz é considerada uma das obras mais importantes do período colonial, e é frequentemente colocada no mesmo nível de poetas e dramaturgos espanhóis da época, como Lope de Vega e Miguel de Cervantes.

Sua obra literária inclui poemas filosóficos, amorosos e líricos; além de sonetos e autos sacramentais, como o "El divino Narciso" (1689); e peças de teatro, como "Los Empeños de una Casa" (1683). Alguns textos epistolares dela também sobreviveram.

Um dos momentos mais importantes de sua carreira como escritora foi a publicação em Madrid, na Espanha, em 1689, de "Inundación Castálida", um compêndio de sua obra.

"Seu trabalho é marcado pela crítica aos valores da sociedade da Nova Espanha, que considerava que as mulheres não deveriam ter o poder sobre seu próprio futuro e suas próprias ações", diz o CNDH.

Atualmente, a escritora é considerada uma precursora do movimento feminista, de acordo com a Coordenação de Igualdade de Gênero da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM). De acordo com a CNDH, ela até se esforçou para entrar na universidade e continuar sua formação acadêmica, algo impensável na época.

Como o CNDH destaca, desde 1980, todo dia 12 de novembro no México, marca o Dia Nacional do Livro, comemorado em homenagem a Sor Juana e ao legado de sua luta por seus direitos.

A freira Juana Inês de la Cruz morreu em 17 de abril de 1695 de tifo, possivelmente após ter sido infectada depois de cuidar de outras freiras com a mesma doença no convento onde vivia.

https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/11/a-escritoramais-importante-da-era-colonial-e-uma-pioneira-do-feminismo-viveu-e m-um-convento
Qual obra de Sor Juana Inês de la Cruz foi publicada em Madrid, na Espanha, em 1689?
Alternativas
Respostas
8861: D
8862: A
8863: C
8864: B
8865: E
8866: D
8867: C
8868: A
8869: B
8870: D
8871: A
8872: D
8873: D
8874: C
8875: E
8876: B
8877: A
8878: A
8879: C
8880: C