Questões de Concurso Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q2330848 Português




(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/alessandro-valim – texto adaptado

especialmente para esta prova).


Analise a charge a seguir e as asserções acerca de sua relação com o texto anterior: 




Imagem associada para resolução da questão



I. A charge e o texto abordam a mesma questão em relação às bancas de revistas,


E


II. A charge apresenta um exemplo do assunto discutido no texto.


A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta. 

Alternativas
Q2328800 Português
Um sonho de simplicidade

    Então, de repente, no meio dessa desarrumação feroz da vida urbana, dá na gente um sonho de simplicidade. Será um sonho vão? Detenho-me um instante, entre duas providências a tomar, para me fazer essa pergunta. Por que fumar tantos cigarros? Eles não me dão prazer algum; apenas me fazem falta. São uma necessidade que inventei. Por que beber uísque, por que procurar a voz de mulher na penumbra ou amigos no bar para dizer coisas vãs, brilhar um pouco, saber intrigas?
    Uma vez, entrando numa loja para comprar uma gravata, tive de repente um ataque de pudor, me surpreendendo assim, a escolher um pano colorido para amarrar ao pescoço.
    A vida poderia ser mais simples. Precisamos de uma casa, comida, uma simples mulher, que mais? Que se possa andar limpo e não ter fome, nem sede, nem frio. Para que beber tanta coisa gelada? Antes eu tomava água fresca da talha, e a água era boa. E quando precisava de um pouco de evasão, meu trago de cachaça.
    Que restaurante ou boate me deu o prazer que tive na choupana daquele velho caboclo no Acre? A gente tinha ido pescar no rio, de noite. Puxamos a rede afundando os pés na lama, na noite escura, e isso era bom. Quando ficamos bem cansados, meio molhados, com frio, subimos a barranca, no meio do mato, e chegamos à choça de um velho seringueiro. Ele acendeu um fogo, esquentamos um pouco junto do fogo, depois me deitei numa grande rede branca – foi um carinho ao longo de todos os músculos cansados. E então ele me deu um pedaço de peixe moqueado e meia caneca de cachaça. Que prazer em comer aquele peixe, que calor bom em tomar aquela cachaça e ficar algum tempo a conversar, entre grilos e vozes distantes de animais noturnos.
    Seria possível deixar essa eterna inquietação das madrugadas urbanas, inaugurar de repente uma vida de acordar bem cedo? Outro dia vi uma linda mulher, e senti um entusiasmo grande, uma vontade de conhecer mais aquela bela estrangeira: conversamos muito, essa primeira conversa longa em que a gente vai jogando um baralho meio marcado, e anda devagar, como a patrulha que faz um reconhecimento. Mas por que, para que, essa eterna curiosidade, essa fome de outros corpos e outras almas?
    Mas para instaurar uma vida mais simples e sábia, então seria preciso ganhar a vida de outro jeito, não assim, nesse comércio de pequenas pilhas de palavras, esse ofício absurdo e vão de dizer coisas, dizer coisas… Seria preciso fazer algo de sólido e de singelo; tirar areia do rio, cortar lenha, lavrar a terra, algo de útil e concreto, que me fatigasse o corpo, mas deixasse a alma sossegada e limpa.
    Todo mundo, com certeza, tem de repente um sonho assim. É apenas um instante. O telefone toca. Um momento! Tiramos um lápis do bolso para tomar nota de um nome, um número… Para que tomar nota? Não precisamos tomar nota de nada, precisamos apenas viver – sem nome, nem número, fortes, doces, distraídos, bons, como os bois, as mangueiras e o ribeirão.

(BRAGA, Rubem. Manchete. Correio da Manhã. O sonho. Rio de Janeiro. Em: 12/03/1953.)
A crônica apresenta-se em uma linguagem preponderantemente informativa. Entretanto, além de apresentar os fatos, há demonstração de análise subjetiva do autor no seguinte trecho:
Alternativas
Q2328799 Português
Um sonho de simplicidade

    Então, de repente, no meio dessa desarrumação feroz da vida urbana, dá na gente um sonho de simplicidade. Será um sonho vão? Detenho-me um instante, entre duas providências a tomar, para me fazer essa pergunta. Por que fumar tantos cigarros? Eles não me dão prazer algum; apenas me fazem falta. São uma necessidade que inventei. Por que beber uísque, por que procurar a voz de mulher na penumbra ou amigos no bar para dizer coisas vãs, brilhar um pouco, saber intrigas?
    Uma vez, entrando numa loja para comprar uma gravata, tive de repente um ataque de pudor, me surpreendendo assim, a escolher um pano colorido para amarrar ao pescoço.
    A vida poderia ser mais simples. Precisamos de uma casa, comida, uma simples mulher, que mais? Que se possa andar limpo e não ter fome, nem sede, nem frio. Para que beber tanta coisa gelada? Antes eu tomava água fresca da talha, e a água era boa. E quando precisava de um pouco de evasão, meu trago de cachaça.
    Que restaurante ou boate me deu o prazer que tive na choupana daquele velho caboclo no Acre? A gente tinha ido pescar no rio, de noite. Puxamos a rede afundando os pés na lama, na noite escura, e isso era bom. Quando ficamos bem cansados, meio molhados, com frio, subimos a barranca, no meio do mato, e chegamos à choça de um velho seringueiro. Ele acendeu um fogo, esquentamos um pouco junto do fogo, depois me deitei numa grande rede branca – foi um carinho ao longo de todos os músculos cansados. E então ele me deu um pedaço de peixe moqueado e meia caneca de cachaça. Que prazer em comer aquele peixe, que calor bom em tomar aquela cachaça e ficar algum tempo a conversar, entre grilos e vozes distantes de animais noturnos.
    Seria possível deixar essa eterna inquietação das madrugadas urbanas, inaugurar de repente uma vida de acordar bem cedo? Outro dia vi uma linda mulher, e senti um entusiasmo grande, uma vontade de conhecer mais aquela bela estrangeira: conversamos muito, essa primeira conversa longa em que a gente vai jogando um baralho meio marcado, e anda devagar, como a patrulha que faz um reconhecimento. Mas por que, para que, essa eterna curiosidade, essa fome de outros corpos e outras almas?
    Mas para instaurar uma vida mais simples e sábia, então seria preciso ganhar a vida de outro jeito, não assim, nesse comércio de pequenas pilhas de palavras, esse ofício absurdo e vão de dizer coisas, dizer coisas… Seria preciso fazer algo de sólido e de singelo; tirar areia do rio, cortar lenha, lavrar a terra, algo de útil e concreto, que me fatigasse o corpo, mas deixasse a alma sossegada e limpa.
    Todo mundo, com certeza, tem de repente um sonho assim. É apenas um instante. O telefone toca. Um momento! Tiramos um lápis do bolso para tomar nota de um nome, um número… Para que tomar nota? Não precisamos tomar nota de nada, precisamos apenas viver – sem nome, nem número, fortes, doces, distraídos, bons, como os bois, as mangueiras e o ribeirão.

(BRAGA, Rubem. Manchete. Correio da Manhã. O sonho. Rio de Janeiro. Em: 12/03/1953.)
Diante da construção argumentativa textual é possível reconhecer a dualidade entre os tipos de vida, em diferentes ambientes, inquietando o narrador, que demonstra indecisão sobre qual é a melhor forma de viver; assinale-a. 
Alternativas
Q2328794 Português
Um sonho de simplicidade

    Então, de repente, no meio dessa desarrumação feroz da vida urbana, dá na gente um sonho de simplicidade. Será um sonho vão? Detenho-me um instante, entre duas providências a tomar, para me fazer essa pergunta. Por que fumar tantos cigarros? Eles não me dão prazer algum; apenas me fazem falta. São uma necessidade que inventei. Por que beber uísque, por que procurar a voz de mulher na penumbra ou amigos no bar para dizer coisas vãs, brilhar um pouco, saber intrigas?
    Uma vez, entrando numa loja para comprar uma gravata, tive de repente um ataque de pudor, me surpreendendo assim, a escolher um pano colorido para amarrar ao pescoço.
    A vida poderia ser mais simples. Precisamos de uma casa, comida, uma simples mulher, que mais? Que se possa andar limpo e não ter fome, nem sede, nem frio. Para que beber tanta coisa gelada? Antes eu tomava água fresca da talha, e a água era boa. E quando precisava de um pouco de evasão, meu trago de cachaça.
    Que restaurante ou boate me deu o prazer que tive na choupana daquele velho caboclo no Acre? A gente tinha ido pescar no rio, de noite. Puxamos a rede afundando os pés na lama, na noite escura, e isso era bom. Quando ficamos bem cansados, meio molhados, com frio, subimos a barranca, no meio do mato, e chegamos à choça de um velho seringueiro. Ele acendeu um fogo, esquentamos um pouco junto do fogo, depois me deitei numa grande rede branca – foi um carinho ao longo de todos os músculos cansados. E então ele me deu um pedaço de peixe moqueado e meia caneca de cachaça. Que prazer em comer aquele peixe, que calor bom em tomar aquela cachaça e ficar algum tempo a conversar, entre grilos e vozes distantes de animais noturnos.
    Seria possível deixar essa eterna inquietação das madrugadas urbanas, inaugurar de repente uma vida de acordar bem cedo? Outro dia vi uma linda mulher, e senti um entusiasmo grande, uma vontade de conhecer mais aquela bela estrangeira: conversamos muito, essa primeira conversa longa em que a gente vai jogando um baralho meio marcado, e anda devagar, como a patrulha que faz um reconhecimento. Mas por que, para que, essa eterna curiosidade, essa fome de outros corpos e outras almas?
    Mas para instaurar uma vida mais simples e sábia, então seria preciso ganhar a vida de outro jeito, não assim, nesse comércio de pequenas pilhas de palavras, esse ofício absurdo e vão de dizer coisas, dizer coisas… Seria preciso fazer algo de sólido e de singelo; tirar areia do rio, cortar lenha, lavrar a terra, algo de útil e concreto, que me fatigasse o corpo, mas deixasse a alma sossegada e limpa.
    Todo mundo, com certeza, tem de repente um sonho assim. É apenas um instante. O telefone toca. Um momento! Tiramos um lápis do bolso para tomar nota de um nome, um número… Para que tomar nota? Não precisamos tomar nota de nada, precisamos apenas viver – sem nome, nem número, fortes, doces, distraídos, bons, como os bois, as mangueiras e o ribeirão.

(BRAGA, Rubem. Manchete. Correio da Manhã. O sonho. Rio de Janeiro. Em: 12/03/1953.)
A crônica “Um sonho de simplicidade”, de Rubem Braga, é repleta de lirismo e traz um tom confessional sobre as experiências vividas pelo próprio autor. A interrupção do sonho exterioriza que o personagem tem dificuldade de romper com a rotina, mesmo pretendendo passar por uma transformação. Tendo em vista as ideias evidenciadas no texto, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q2328790 Português
Um sonho de simplicidade

    Então, de repente, no meio dessa desarrumação feroz da vida urbana, dá na gente um sonho de simplicidade. Será um sonho vão? Detenho-me um instante, entre duas providências a tomar, para me fazer essa pergunta. Por que fumar tantos cigarros? Eles não me dão prazer algum; apenas me fazem falta. São uma necessidade que inventei. Por que beber uísque, por que procurar a voz de mulher na penumbra ou amigos no bar para dizer coisas vãs, brilhar um pouco, saber intrigas?
    Uma vez, entrando numa loja para comprar uma gravata, tive de repente um ataque de pudor, me surpreendendo assim, a escolher um pano colorido para amarrar ao pescoço.
    A vida poderia ser mais simples. Precisamos de uma casa, comida, uma simples mulher, que mais? Que se possa andar limpo e não ter fome, nem sede, nem frio. Para que beber tanta coisa gelada? Antes eu tomava água fresca da talha, e a água era boa. E quando precisava de um pouco de evasão, meu trago de cachaça.
    Que restaurante ou boate me deu o prazer que tive na choupana daquele velho caboclo no Acre? A gente tinha ido pescar no rio, de noite. Puxamos a rede afundando os pés na lama, na noite escura, e isso era bom. Quando ficamos bem cansados, meio molhados, com frio, subimos a barranca, no meio do mato, e chegamos à choça de um velho seringueiro. Ele acendeu um fogo, esquentamos um pouco junto do fogo, depois me deitei numa grande rede branca – foi um carinho ao longo de todos os músculos cansados. E então ele me deu um pedaço de peixe moqueado e meia caneca de cachaça. Que prazer em comer aquele peixe, que calor bom em tomar aquela cachaça e ficar algum tempo a conversar, entre grilos e vozes distantes de animais noturnos.
    Seria possível deixar essa eterna inquietação das madrugadas urbanas, inaugurar de repente uma vida de acordar bem cedo? Outro dia vi uma linda mulher, e senti um entusiasmo grande, uma vontade de conhecer mais aquela bela estrangeira: conversamos muito, essa primeira conversa longa em que a gente vai jogando um baralho meio marcado, e anda devagar, como a patrulha que faz um reconhecimento. Mas por que, para que, essa eterna curiosidade, essa fome de outros corpos e outras almas?
    Mas para instaurar uma vida mais simples e sábia, então seria preciso ganhar a vida de outro jeito, não assim, nesse comércio de pequenas pilhas de palavras, esse ofício absurdo e vão de dizer coisas, dizer coisas… Seria preciso fazer algo de sólido e de singelo; tirar areia do rio, cortar lenha, lavrar a terra, algo de útil e concreto, que me fatigasse o corpo, mas deixasse a alma sossegada e limpa.
    Todo mundo, com certeza, tem de repente um sonho assim. É apenas um instante. O telefone toca. Um momento! Tiramos um lápis do bolso para tomar nota de um nome, um número… Para que tomar nota? Não precisamos tomar nota de nada, precisamos apenas viver – sem nome, nem número, fortes, doces, distraídos, bons, como os bois, as mangueiras e o ribeirão.

(BRAGA, Rubem. Manchete. Correio da Manhã. O sonho. Rio de Janeiro. Em: 12/03/1953.)
Tendo em vista que o texto é concatenado a partir de sequências argumentativas, assinale a afirmativa compatível com o posicionamento do autor sobre a temática abordada.
Alternativas
Q2328789 Português
Um sonho de simplicidade

    Então, de repente, no meio dessa desarrumação feroz da vida urbana, dá na gente um sonho de simplicidade. Será um sonho vão? Detenho-me um instante, entre duas providências a tomar, para me fazer essa pergunta. Por que fumar tantos cigarros? Eles não me dão prazer algum; apenas me fazem falta. São uma necessidade que inventei. Por que beber uísque, por que procurar a voz de mulher na penumbra ou amigos no bar para dizer coisas vãs, brilhar um pouco, saber intrigas?
    Uma vez, entrando numa loja para comprar uma gravata, tive de repente um ataque de pudor, me surpreendendo assim, a escolher um pano colorido para amarrar ao pescoço.
    A vida poderia ser mais simples. Precisamos de uma casa, comida, uma simples mulher, que mais? Que se possa andar limpo e não ter fome, nem sede, nem frio. Para que beber tanta coisa gelada? Antes eu tomava água fresca da talha, e a água era boa. E quando precisava de um pouco de evasão, meu trago de cachaça.
    Que restaurante ou boate me deu o prazer que tive na choupana daquele velho caboclo no Acre? A gente tinha ido pescar no rio, de noite. Puxamos a rede afundando os pés na lama, na noite escura, e isso era bom. Quando ficamos bem cansados, meio molhados, com frio, subimos a barranca, no meio do mato, e chegamos à choça de um velho seringueiro. Ele acendeu um fogo, esquentamos um pouco junto do fogo, depois me deitei numa grande rede branca – foi um carinho ao longo de todos os músculos cansados. E então ele me deu um pedaço de peixe moqueado e meia caneca de cachaça. Que prazer em comer aquele peixe, que calor bom em tomar aquela cachaça e ficar algum tempo a conversar, entre grilos e vozes distantes de animais noturnos.
    Seria possível deixar essa eterna inquietação das madrugadas urbanas, inaugurar de repente uma vida de acordar bem cedo? Outro dia vi uma linda mulher, e senti um entusiasmo grande, uma vontade de conhecer mais aquela bela estrangeira: conversamos muito, essa primeira conversa longa em que a gente vai jogando um baralho meio marcado, e anda devagar, como a patrulha que faz um reconhecimento. Mas por que, para que, essa eterna curiosidade, essa fome de outros corpos e outras almas?
    Mas para instaurar uma vida mais simples e sábia, então seria preciso ganhar a vida de outro jeito, não assim, nesse comércio de pequenas pilhas de palavras, esse ofício absurdo e vão de dizer coisas, dizer coisas… Seria preciso fazer algo de sólido e de singelo; tirar areia do rio, cortar lenha, lavrar a terra, algo de útil e concreto, que me fatigasse o corpo, mas deixasse a alma sossegada e limpa.
    Todo mundo, com certeza, tem de repente um sonho assim. É apenas um instante. O telefone toca. Um momento! Tiramos um lápis do bolso para tomar nota de um nome, um número… Para que tomar nota? Não precisamos tomar nota de nada, precisamos apenas viver – sem nome, nem número, fortes, doces, distraídos, bons, como os bois, as mangueiras e o ribeirão.

(BRAGA, Rubem. Manchete. Correio da Manhã. O sonho. Rio de Janeiro. Em: 12/03/1953.)
O título pode se configurar como uma síntese precisa do texto e exerce uma função estratégica na articulação textual. Ele tem a função, também, de nomear o texto após sua produção e é direcionador do sentido no mesmo.
(Menegassi & Chaves, 2000.)

Levando-se em consideração que o título também é responsável por estabelecer certo tipo de vínculo entre o leitor e as informações textuais, contribuindo, assim, para a orientação da conclusão à que o leitor deverá chegar por meio da leitura, é possível inferir que o título “Um sonho de simplicidade” enfatiza:
Alternativas
Q2328787 Português
Um sonho de simplicidade

    Então, de repente, no meio dessa desarrumação feroz da vida urbana, dá na gente um sonho de simplicidade. Será um sonho vão? Detenho-me um instante, entre duas providências a tomar, para me fazer essa pergunta. Por que fumar tantos cigarros? Eles não me dão prazer algum; apenas me fazem falta. São uma necessidade que inventei. Por que beber uísque, por que procurar a voz de mulher na penumbra ou amigos no bar para dizer coisas vãs, brilhar um pouco, saber intrigas?
    Uma vez, entrando numa loja para comprar uma gravata, tive de repente um ataque de pudor, me surpreendendo assim, a escolher um pano colorido para amarrar ao pescoço.
    A vida poderia ser mais simples. Precisamos de uma casa, comida, uma simples mulher, que mais? Que se possa andar limpo e não ter fome, nem sede, nem frio. Para que beber tanta coisa gelada? Antes eu tomava água fresca da talha, e a água era boa. E quando precisava de um pouco de evasão, meu trago de cachaça.
    Que restaurante ou boate me deu o prazer que tive na choupana daquele velho caboclo no Acre? A gente tinha ido pescar no rio, de noite. Puxamos a rede afundando os pés na lama, na noite escura, e isso era bom. Quando ficamos bem cansados, meio molhados, com frio, subimos a barranca, no meio do mato, e chegamos à choça de um velho seringueiro. Ele acendeu um fogo, esquentamos um pouco junto do fogo, depois me deitei numa grande rede branca – foi um carinho ao longo de todos os músculos cansados. E então ele me deu um pedaço de peixe moqueado e meia caneca de cachaça. Que prazer em comer aquele peixe, que calor bom em tomar aquela cachaça e ficar algum tempo a conversar, entre grilos e vozes distantes de animais noturnos.
    Seria possível deixar essa eterna inquietação das madrugadas urbanas, inaugurar de repente uma vida de acordar bem cedo? Outro dia vi uma linda mulher, e senti um entusiasmo grande, uma vontade de conhecer mais aquela bela estrangeira: conversamos muito, essa primeira conversa longa em que a gente vai jogando um baralho meio marcado, e anda devagar, como a patrulha que faz um reconhecimento. Mas por que, para que, essa eterna curiosidade, essa fome de outros corpos e outras almas?
    Mas para instaurar uma vida mais simples e sábia, então seria preciso ganhar a vida de outro jeito, não assim, nesse comércio de pequenas pilhas de palavras, esse ofício absurdo e vão de dizer coisas, dizer coisas… Seria preciso fazer algo de sólido e de singelo; tirar areia do rio, cortar lenha, lavrar a terra, algo de útil e concreto, que me fatigasse o corpo, mas deixasse a alma sossegada e limpa.
    Todo mundo, com certeza, tem de repente um sonho assim. É apenas um instante. O telefone toca. Um momento! Tiramos um lápis do bolso para tomar nota de um nome, um número… Para que tomar nota? Não precisamos tomar nota de nada, precisamos apenas viver – sem nome, nem número, fortes, doces, distraídos, bons, como os bois, as mangueiras e o ribeirão.

(BRAGA, Rubem. Manchete. Correio da Manhã. O sonho. Rio de Janeiro. Em: 12/03/1953.)
De acordo com os recursos e a estruturação textual utilizados, é correto afirmar que a crônica tem por objetivo principal: 
Alternativas
Q2328341 Português
Leia o Texto 2 para responder a questão.

Texto 2

    Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por meio da Promotoria de Justiça Cumulativa de Assis Brasil, obteve, nesta quarta-feira, 08/11/2023, uma liminar favorável para garantir a educação inclusiva e adequada para estudantes com deficiência na rede pública estadual de ensino.
  A ação civil pública foi ajuizada pelo MPAC depois que os pais denunciaram a suspensão do acompanhamento, que é necessário para desenvolvimento do processo de cognição de crianças com deficiência. Além disso, o MPAC também foi comunicado que o serviço havia sido interrompido em razão do término do contrato dos profissionais mediadores com a Secretaria de Estado de Educação (SEE).
    O promotor de Justiça Substituto Eduardo Lopes de Faria solicitou a concessão de uma medida liminar para garantir a continuidade do atendimento especializado. A liminar, concedida em caráter de urgência, determinou a recontratação dos profissionais que estavam prestando assistência aos alunos na rede pública de ensino.
    O juiz Clóvis Lodi, titular da Vara Única – Cível da Comarca de Assis Brasil, estabeleceu o prazo de 48 horas para que a liminar seja atendida, sob pena de multa no valor de R$ 200 mil por cada dia que um aluno com deficiência ficar sem acompanhamento especializado na sala de aula, até que seja realizado concurso público para contratação definitiva de profissionais especializados. 

Agência Notícias do MPAC. Disponível em: <https://www.mpac.mp.br/assis-brasil-mpac-obtem-liminar-para-permanencia-de-mediadores-que-atendem-alunos-com-deficiencia/>. Acesso em: 10 nov. 2023
Considerando suas características formais e seu conteúdo, a função social do texto é
Alternativas
Q2328196 Português

Leia o Texto 3 para responder a questão. 


Texto 3


A primeira vez que entendi


A primeira vez que entendi do mundo

alguma coisa

foi quando na infância

cortei o rabo de uma lagartixa

e ele continuou se mexendo.


De lá pra cá

fui percebendo que as coisas permanecem

vivas e tortas

que o amor não acaba assim

que é difícil extirpar o mal pela raiz.


A segunda vez que entendi do mundo

alguma coisa

foi quando na adolescência me arrancaram

do lado esquerdo três certezas

e eu tive que seguir em frente.


De lá pra cá

aprendi a achar no escuro o rumo

e sou capaz de decifrar mensagens

seja nas nuvens

ou no grafite de qualquer muro.


SANT’ANNA, Affonso Romano de. A primeira vez que entendi. Poesia Reunida. V. 3. 1ª Ed. Porto Alegre: L&PM, 2014. p. 15-16

As inversões na ordem gramatical de sintagmas, realizadas pelo eu poético em alguns versos do texto, visam a
Alternativas
Q2328194 Português

Leia o Texto 3 para responder a questão. 


Texto 3


A primeira vez que entendi


A primeira vez que entendi do mundo

alguma coisa

foi quando na infância

cortei o rabo de uma lagartixa

e ele continuou se mexendo.


De lá pra cá

fui percebendo que as coisas permanecem

vivas e tortas

que o amor não acaba assim

que é difícil extirpar o mal pela raiz.


A segunda vez que entendi do mundo

alguma coisa

foi quando na adolescência me arrancaram

do lado esquerdo três certezas

e eu tive que seguir em frente.


De lá pra cá

aprendi a achar no escuro o rumo

e sou capaz de decifrar mensagens

seja nas nuvens

ou no grafite de qualquer muro.


SANT’ANNA, Affonso Romano de. A primeira vez que entendi. Poesia Reunida. V. 3. 1ª Ed. Porto Alegre: L&PM, 2014. p. 15-16

No texto, o eu poético
Alternativas
Q2328192 Português
Leia o Texto 2 para responder a questão.

Texto 2

    Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por meio da Promotoria de Justiça Cumulativa de Assis Brasil, obteve, nesta quarta-feira, 08/11/2023, uma liminar favorável para garantir a educação inclusiva e adequada para estudantes com deficiência na rede pública estadual de ensino.
   A ação civil pública foi ajuizada pelo MPAC depois que os pais denunciaram a suspensão do acompanhamento, que é necessário para desenvolvimento do processo de cognição de crianças com deficiência. Além disso, o MPAC também foi comunicado que o serviço havia sido interrompido em razão do término do contrato dos profissionais mediadores com a Secretaria de Estado de Educação (SEE).
     O promotor de Justiça Substituto Eduardo Lopes de Faria solicitou a concessão de uma medida liminar para garantir a continuidade do atendimento especializado. A liminar, concedida em caráter de urgência, determinou a recontratação dos profissionais que estavam prestando assistência aos alunos na rede pública de ensino.
     O juiz Clóvis Lodi, titular da Vara Única – Cível da Comarca de Assis Brasil, estabeleceu o prazo de 48 horas para que a liminar seja atendida, sob pena de multa no valor de R$ 200 mil por cada dia que um aluno com deficiência ficar sem acompanhamento especializado na sala de aula, até que seja realizado concurso público para contratação definitiva de profissionais especializados. 

Agência Notícias do MPAC. Disponível em: <https://www.mpac.mp.br/assis-brasil-mpac-obtem-liminar-para-permanencia-de-mediadores-que-atendem-alunos-com-deficiencia/> . Acesso em: 10 nov. 2023.

A expressão “educação inclusiva”, mencionada no primeiro parágrafo, é retomada, em outros trechos do texto, predominantemente por meio de
Alternativas
Q2328187 Português
Leia o Texto 1 para responder a questão.

Texto 1


    Como se referir a pessoas que possuem deficiência? A pergunta é feita com frequência ao Núcleo de Inclusão. A resposta é muito simples: Pessoa com Deficiência, que é a forma correta e oficial.
    Essa terminologia foi definida pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito das Pessoas com Deficiência, sendo aprovado em 13 de dezembro de 2006 pela Assembleia Geral da ONU. O termo foi ratificado no Brasil, com equivalência de emenda constitucional, pelo Decreto Legislativo nº 186/2008 e promulgado pelo Decreto nº 6.949/2009.
   Pessoa Portadora de Deficiência (PPD) ou Portador de Necessidades Especiais (PNE) são termos incorretos e devem ser evitados, uma vez que não traduzem a realidade de quem possui deficiência. A deficiência não se porta, ela é uma condição existencial da pessoa.
    Esperamos que essa primeira Semente da Inclusão tenha sido útil para você. Acreditamos que o respeito à diversidade é solo fértil para o desenvolvimento de ideias inovadoras e garantia de uma Justiça acessível para todos.
    Para mais informações, procure o Núcleo de Inclusão do TJDFT.

MORAGAS, Vicente Junqueira. Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Território. Disponível em:<https://www.tjdft.jus.br/acessibilidade/publicacoes/sementes-da-inclusao/como-se-referir-a-pessoas-que-possuem-deficiencia>. Acesso em: 10 nov. 2023. [Adaptado].
Em relação à organização textual e ao tema abordado, o segundo parágrafo apresenta característica
Alternativas
Q2327724 Português
Leia o Texto 2 para responder a questão.

Texto 2

    O segundo volume da Coleção Folha Rock Stars chega às bancas neste domingo (12) e traz a banda que, sozinha, valeria uma série de livros. Os Beatles não fizeram pouca coisa pelo rock 'n' roll.
    No início dos anos 1960, quando o gênero disparado nos Estados Unidos por Elvis Presley na década anterior dava sinais de esgotamento, eles reformataram o rock para o crescimento enorme que se daria depois. Em menos de dez anos, os Beatles mudaram a música pop e o comportamento da juventude em todo o planeta.
    Em resumo, Paul McCartney, John Lennon, George Harrison e Ringo Starr abriram caminho para as bandas terem o mesmo destaque dos cantores solo, mostraram que os próprios músicos poderiam compor seu material, criaram a ideia de álbum conceitual, trouxeram o cotidiano para as letras do pop e provaram que um estúdio era muito mais do que uma sala com microfones — era um laboratório musical. [...] 
    O texto do volume, escrito pelo jornalista Helton Ribeiro, trata de esmiuçar essa trajetória, da formação da banda por colegas de escola até as brigas inevitáveis que levaram à separação em 1970. A leitura vai proporcionar prazer aos fãs da banda e também a quem, sabe-se lá a razão, não conhece tanto os Beatles.

Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/11/como-os-beatles-mudaram-a-musica-pop-e-a-juventude-em-menos-de-uma-decada.shtml>. Acesso em: 11 nov. 2023 [Adaptado].
No terceiro parágrafo do texto, a contribuição da banda para a cena musical é desenvolvida por meio de
Alternativas
Q2327722 Português
Leia o Texto 2 para responder a questão.

Texto 2

    O segundo volume da Coleção Folha Rock Stars chega às bancas neste domingo (12) e traz a banda que, sozinha, valeria uma série de livros. Os Beatles não fizeram pouca coisa pelo rock 'n' roll.
    No início dos anos 1960, quando o gênero disparado nos Estados Unidos por Elvis Presley na década anterior dava sinais de esgotamento, eles reformataram o rock para o crescimento enorme que se daria depois. Em menos de dez anos, os Beatles mudaram a música pop e o comportamento da juventude em todo o planeta.
    Em resumo, Paul McCartney, John Lennon, George Harrison e Ringo Starr abriram caminho para as bandas terem o mesmo destaque dos cantores solo, mostraram que os próprios músicos poderiam compor seu material, criaram a ideia de álbum conceitual, trouxeram o cotidiano para as letras do pop e provaram que um estúdio era muito mais do que uma sala com microfones — era um laboratório musical. [...] 
    O texto do volume, escrito pelo jornalista Helton Ribeiro, trata de esmiuçar essa trajetória, da formação da banda por colegas de escola até as brigas inevitáveis que levaram à separação em 1970. A leitura vai proporcionar prazer aos fãs da banda e também a quem, sabe-se lá a razão, não conhece tanto os Beatles.

Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/11/como-os-beatles-mudaram-a-musica-pop-e-a-juventude-em-menos-de-uma-decada.shtml>. Acesso em: 11 nov. 2023 [Adaptado].
O ponto de vista do autor sobre a banda no texto é
Alternativas
Q2327717 Português
Leia o Texto 1 para responder a questão.

Texto 1

    A cena de uma criança pequena caminhando na rua com uma calça aberta — deixando virilha e bumbum totalmente visíveis — pode causar espanto para qualquer turista ocidental, mas é comum há décadas na China. A tradicional "Kai dang ku", que se traduz literalmente como "calças com abertura na virilha", é a alternativa chinesa às fraldas.
    Com elas, as crianças podem fazer suas necessidades assim que sentirem vontade, sem sujar as roupas e sem nenhum outro obstáculo. O uso da "Kai dang ku" vem de um período em que a água e o algodão eram componentes escassos e deveriam ser destinados à agricultura na China, segundo a BBC. Na época, também não existiam fraldas descartáveis no país. 

Disponível em: <https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2023/11/10/por-que-criancas-usam-calcas-abertas-na-china.htm>. Acesso em: 10 nov. 2023. [Adaptado]

Segundo as informações postas no excerto do texto, a origem da tradição da "Kai dang ku" deve-se a razões
Alternativas
Q2326023 Português
Houve um requerimento, esta semana, da Associação de Policiais, para que fossem aumentados seus salários, argumentando, entre outros pontos, que isso ajudaria a combater a corrupção entre eles.

Nesse requerimento, o argumento apresentado mostra o seguinte problema: 
Alternativas
Q2326022 Português
Observe as duas frases a seguir.

1. Ele quis entrar, mas a porta estava fechada.
2. A porta estava fechada pelo porteiro.

Sobre a estruturação e o significado dessas frases, assinale a afirmativa correta. 
Alternativas
Q2326017 Português
Leia o texto a seguir.

     No amanhecer do dia 2 de maio – um dia que se anunciava sereno, ensolarado, em suma, um dia como os outros -, uma multidão numerosa afluía em direção ao palácio, de todos os quarteirões da cidade, e se aglomerava nas grades. Marcelo estava aí misturado. Ele havia sabido na véspera, como todo mundo, que o Infante Francisco de Paula e sua irmã a princesa deviam partir para a França e encontrar o resto da família real.  
     Ainda de manhã, Marcelo viu chegar duas vans, que os criados encheram de bagagens. Em seguida, depois de alguma espera, ele viu sair do palácio uma elegante mulher jovem que levava uma criança nos braços.

Acerca dos indicadores de tempo no texto acima, é correto afirmar que
Alternativas
Q2326016 Português
Leia o texto de um jornal a seguir.

     Ontem pela manhã, a metade dos funcionários dos correios encarregados da distribuição da correspondência interrompeu seu trabalho a pedido da CGT. Os funcionários exigiam a suspensão de sanções a cinco carteiros e a abertura de negociações para uma discussão sobre horário de trabalho.
     A negociação fez com que se suspendessem as sanções, levando ao fim da greve. Depois de uma interrupção de trabalho por quatro horas, os correios afirmaram que as medidas punitivas foram suspensas e que os funcionários aceitaram o novo horário de trabalho.
     O trabalho foi retomado normalmente por volta das onze e meia da manhã e a correspondência foi inteiramente entregue, mesmo que com ligeiro atraso.

Sobre a estrutura e os componentes desse texto jornalístico, assinale a afirmativa correta. 
Alternativas
Q2326015 Português
Leia o fragmento a seguir.

Zélia e Sandra

     Bom dia!
     Logo que, ao meio-dia, encontrei a carta de vocês na caixa de correio, tive vontade de responder imediatamente, mas tive que esperar esta tarde, o momento em que as outras estavam no salão, em torno da tevê, para estar finalmente sozinha na cozinha. Brasília, 20 de março

Em relação à estrutura e aos componentes desse fragmento, assinale a afirmativa correta. 
Alternativas
Respostas
8841: E
8842: D
8843: B
8844: A
8845: B
8846: B
8847: C
8848: B
8849: A
8850: C
8851: C
8852: C
8853: C
8854: A
8855: B
8856: D
8857: B
8858: C
8859: A
8860: D