Questões de Concurso Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q2646064 Português

TEXTO 1


Formação histórica de São Bento do Uma


A história da formação de São Bento do Una encontra sua origem, bem como suas semelhanças, na história das inúmeras cidades de nosso país, dando foco especial às da Região Nordeste. Especial, pois desde o advento da economia mineradora – início do século XVIII – na região Sul (hoje correspondente ao Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste) o Norte (hoje as Regiões Norte e Nordeste) não fora o mesmo no campo político e econômico, este por sua vez já abalado desde a crise oriunda da expulsão dos holandeses da região.

O Brasil ainda era colônia portuguesa quando Antônio Alves Soares e sua família chegou à região do Vale do Una em 1777, fugindo de uma grande e terrível seca que assolava inúmeras regiões, principalmente o Nordeste Brasileiro, geradora de inúmeros estragos em produtos provenientes da atividade agro-pastoril, como também, diversas perdas humanas. A seca, neste caso, foi um dos fatores que fizeram com que, alguns anos depois, outras pessoas chegassem às proximidades dos rios Una, Ipojuca e Riachão. A chegada destas, por sua vez, foi facilitada pela existência de rotas que ligavam o litoral pernambucano ao interior do Estado. Próximo ao Una, rio que posteriormente complementaria o nome da cidade de São Bento, as pessoas empreenderam uma dinâmica habitacional, comercial e econômica, fazendo com que estas ações contribuíssem com o desenvolvimento do futuro povoado.

Quanto ao nome do povoado, a escolha São Bento deriva de uma antiga história do lugar onde as pessoas preocupadas com o súbito aparecimento de cobras peçonhentas naquelas terras, e aquelas por sua vez ligadas às tradições religiosas, começaram a invocar as proteções daquele que “livra de todas as peçonhas”, neste caso, mérito atribuído ao “senhor São Bento”, como é chamado o santo até os dias atuais pelos devotos católicos da cidade.

No local conhecido como Fazenda Santa Cruz, nome que fazia alusão a uma velha cruz fincada no local e que depois este se chamaria São Bento, os primeiros habitantes começaram a estabelecer moradia. A religiosidade, muito presente no seio do povo latino, irá definir locais com nomes de santos e santas. No dia 30 de abril de 1860, São Bento emancipa-se da Vila de Santo Antônio de Garanhuns passando a ser, também, uma Vila. Esta autonomia irá gerar transformações no que tange a sua conjuntura política, econômica e estrutural. A Vila de São Bento foi elevada à categoria de cidade 40 anos depois de sua emancipação no dia 8 de junho de 1900 pela Lei Estadual de número 440. Segundo o advogado e são-bentense Orlando de Almeida Calado, na transição de Império para República o que era Vila permanecia Vila e o que era cidade permaneceria cidade, caso peculiar de pouquíssimas cidades, dentre elas São Bento.

A cidade de São Bento recebeu um complemento em seu nome para diferenciá-la de outros locais. Para isso, no dia 31 de dezembro de 1943, por meio do decreto-lei estadual de número 952, foi acrescido o “do Una”, aludindo ao rio que corta a cidade. Atualmente, a cidade de São Bento do Una, localizada no Agreste Meridional, distante 205 km da capital Recife é conhecida no Estado e Região como uma das cidades em que a produção leiteira e a avicultura são atividades econômicas muito fortes. Desde sua emancipação, a cidade vem passando por vários processos de transformações tanto no campo econômico no tocante à avicultura e laticínios, bem como em sua estrutura física, nas construções, praças e ruas que outrora fora inspiração para muitos poetas locais e que hoje pouco de seu passado arquitetônico se encontra em preservação.


Disponível em: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/33836. Acesso em: 11 out. 2023. (adaptado)

Com base no texto “Formação histórica de São Bento do Una”, analise as afirmativas a seguir:


I. Segundo o texto, a história de São Bento do Una é iniciada com a chegada do fazendeiro Antônio Alves Soares e da família dele na região onde hoje se localiza o município em questão.

II. De acordo com o texto, o assentamento de famílias que chegaram à região fugidas da seca só aconteceu devido à presença de rios, como o rio Una, que facilitaram o acesso a um bem fundamental para a formação de um povo: a água.

III. Conforme o texto expõe, a religiosidade sempre esteve presente na história de São Bento do Una e permanece até hoje através dos devotos católicos, estando, inclusive, ligada ao nome da cidade.


Marque a alternativa correta:

Alternativas
Q2636152 Português

TEXTO 2


Waze tem plano para melhorar trânsito no Brasil


O Waze tem um conhecido aplicativo para smartphones que ajuda os usuários a fugir do trânsito. No entanto, a empresa tem uma ambição ainda maior: aliviar congestionamentos nas cidades brasileiras. O plano se chama Connected Citizens (cidadãos conectados, em tradução livre) e, basicamente, transfere as informações geradas em tempo real pelos usuários do aplicativo do Waze, como um alerta de carro parado em uma avenida, para a prefeitura. Com dados como esse, medidas podem ser tomadas pelos órgãos públicos de transporte para evitar o acúmulo de carros em um determinado ponto. O projeto não é novo, existe desde 2014, mas atingiu recentemente a marca de 10 cidades parceiras na América Latina. No Brasil, os municípios que já contam com o programa Connected Citizens para fornecer informações às prefeituras são Rio de Janeiro, Petrópolis (RJ), Juiz de Fora (MG) e Vitória (ES). Paulo Cabral, responsável pelo desenvolvimento de mercados na América Latina, conta que o Waze consegue agilizar a circulação de dados sobre o trânsito na gestão pública. "Não sofremos com burocracia por parte dos governos no Brasil. Precisamos que essas informações corram de maneira rápida", declarou Cabral, em entrevista a EXAME.com. O executivo destaca que o projeto, ao mesmo tempo que empodera o usuário, que pode ter um real impacto na gestão de tráfego, melhora a comunicação entre o cidadão e o governo. "Durante o Furacão Patrícia, o Waze atualizou os dados sobre o fechamento das ruas e as pessoas puderam entender quais eram os locais com acesso. O próprio governo colocou uma mensagem incentivando o cidadão a usar o app", disse Cabral. Com essa iniciativa, a ideia do Waze é tornar os municípios mais inteligentes." As cidades usam as informações para planejar algumas características, como melhor hora de fazer coleta de lixo; buracos ficam mapeados e pode-se planejar um mutirão no horário adequado. Tudo isso gera inteligência e cidades conectadas", na visão de Cabral.


Disponível em: https://opticanet.com.br/secao/tecnologiaenegocios/1022 0/waze-tem-plano-para-melhorar-transito-no-brasil. Acesso: 12 out. 2023. (adaptado)

Com base no texto “Waze tem plano para melhorar trânsito no Brasil”, analise as afirmativas a seguir:


I. De acordo com o texto em questão, o projeto Connected Citizens só dará certo se os municípios brasileiros forem mais inteligentes, algo que dificilmente acontecerá, mesmo que os moradores desses municípios adquiram os aplicativos do Waze, pois a burocracia das cidades brasileiras é muito grande.

II. Diante das informações do texto, o principal impacto do projeto Connected Citizens está relacionado à gestão do tráfego, tanto por parte do governo quanto dos cidadãos na medida em que a cidade se torna cada vez mais conectada.

III. Segundo as informações do texto em análise, sabe-se que o projeto Connected Citizens precisa, necessariamente, da contribuição dos brasileiros, uma vez que as informações coletadas são fornecidas, em tempo real, pelos usuários do Waze.


Marque a alternativa correta:

Alternativas
Q2636151 Português

TEXTO 2


Waze tem plano para melhorar trânsito no Brasil


O Waze tem um conhecido aplicativo para smartphones que ajuda os usuários a fugir do trânsito. No entanto, a empresa tem uma ambição ainda maior: aliviar congestionamentos nas cidades brasileiras. O plano se chama Connected Citizens (cidadãos conectados, em tradução livre) e, basicamente, transfere as informações geradas em tempo real pelos usuários do aplicativo do Waze, como um alerta de carro parado em uma avenida, para a prefeitura. Com dados como esse, medidas podem ser tomadas pelos órgãos públicos de transporte para evitar o acúmulo de carros em um determinado ponto. O projeto não é novo, existe desde 2014, mas atingiu recentemente a marca de 10 cidades parceiras na América Latina. No Brasil, os municípios que já contam com o programa Connected Citizens para fornecer informações às prefeituras são Rio de Janeiro, Petrópolis (RJ), Juiz de Fora (MG) e Vitória (ES). Paulo Cabral, responsável pelo desenvolvimento de mercados na América Latina, conta que o Waze consegue agilizar a circulação de dados sobre o trânsito na gestão pública. "Não sofremos com burocracia por parte dos governos no Brasil. Precisamos que essas informações corram de maneira rápida", declarou Cabral, em entrevista a EXAME.com. O executivo destaca que o projeto, ao mesmo tempo que empodera o usuário, que pode ter um real impacto na gestão de tráfego, melhora a comunicação entre o cidadão e o governo. "Durante o Furacão Patrícia, o Waze atualizou os dados sobre o fechamento das ruas e as pessoas puderam entender quais eram os locais com acesso. O próprio governo colocou uma mensagem incentivando o cidadão a usar o app", disse Cabral. Com essa iniciativa, a ideia do Waze é tornar os municípios mais inteligentes." As cidades usam as informações para planejar algumas características, como melhor hora de fazer coleta de lixo; buracos ficam mapeados e pode-se planejar um mutirão no horário adequado. Tudo isso gera inteligência e cidades conectadas", na visão de Cabral.


Disponível em: https://opticanet.com.br/secao/tecnologiaenegocios/1022 0/waze-tem-plano-para-melhorar-transito-no-brasil. Acesso: 12 out. 2023. (adaptado)

Com base no texto “Waze tem plano para melhorar trânsito no Brasil”, analise as afirmativas a seguir:


I. O texto “Waze tem plano para melhorar trânsito no Brasil” tem como objetivo expor os benefícios do aplicativo para melhorar o trânsito no Brasil e, consequentemente, instruir o leitor a aderir a esta ferramenta digital.

II. A presença das falas de Paulo Cabral ao longo do texto ajudam a sustentar o objetivo do autor: expor informações relevantes sobre o aplicativo Waze e sobre o projeto Connected Citizens.

III. O objetivo principal do texto é evidenciar a burocracia relacionada ao trânsito no Brasil, apresentando uma solução para melhorar a eficiência dos serviços públicos em geral e, consequentemente, melhorar as condições de vida dos brasileiros.


Marque a alternativa correta:

Alternativas
Q2636140 Português

TEXTO 1


Temperaturas decadais extremas e média em São Bento do Una


São Bento do Una localiza-se na mesorregião Agreste e na microrregião do Vale do Ipojuca no Estado de Pernambuco, limitando-se a norte com Belo Jardim, a sul com Jucati, Jupi e Lajedo, a leste com Cachoeirinha, e a oeste com Capoeiras, Sanharó e Pesqueira. A área municipal representa 0.72% do Estado de Pernambuco. Com população ‘estimada de 58.251 habitantes e com densidade demográfica de 74,03 hab/km², São Bento do Una está inserido na unidade geoambiental do Planalto da Borborema, formada por maciços e outeiros altos, com altitude variando entre 650 e 1.000 metros. Ocupa uma área de arco que se estende do sul de Alagoas até o Rio Grande do Norte. O relevo é geralmente movimentado, com vales profundos e estreitos dissecados. Com respeito à fertilidade dos solos é bastante variada, com certa predominância de média para alta. A área da unidade é recortada por rios perenes, porém de pequena vazão e o potencial de água subterrânea é baixo. A vegetação desta unidade é formada por Florestas Subcaducifólica e Caducifólica, próprias das áreas agrestes. São Bento do Una tem o clima Tropical Chuvoso, com verão seco, a quadra chuvosa se inicia em fevereiro com chuvas de pré-estação (chuvosa de pré-estação são as que ocorrem antes da quadra chuvosa) com seu término ocorrendo no final do mês de agosto e podendo se prolongar até a primeira quinzena de setembro. O trimestre chuvoso centra-se nos meses de maio, junho e julho e os seus meses secos ocorrem entre outubro, novembro e dezembro. Os fatores provocadores de chuvas no município são a contribuição da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), formação dos vórtices ciclônicos de altos níveis (VCAS), contribuição dos ventos alísios de nordeste no transporte de vapor e umidade, os quais condensam e formam nuvens, provocando chuvas de moderadas a fortes intensidades (MEDEIROS, 2016).


Disponível em: https://recima21.com.br/index.php/recima21/article/view/751/621. Acesso em: 11 out. 2023. (adaptado)

Com base no texto “Temperaturas decadais extremas e média em São Bento do Una”, analise as afirmativas a seguir:


I. O tema principal do texto é como os fatores provocadores de chuvas influenciam as temperaturas do município de São Bento do Una.

II. O tema principal do texto é mostrar as particularidades climáticas de São Bento do Una e que tornam esse município tão singular em Pernambuco.

III. O tema principal do texto são as características geográficas de São Bento do Una, referentes, majoritariamente, ao relevo, ao clima e às chuvas da região.


Marque a alternativa correta:

Alternativas
Q2636139 Português

TEXTO 1


Temperaturas decadais extremas e média em São Bento do Una


São Bento do Una localiza-se na mesorregião Agreste e na microrregião do Vale do Ipojuca no Estado de Pernambuco, limitando-se a norte com Belo Jardim, a sul com Jucati, Jupi e Lajedo, a leste com Cachoeirinha, e a oeste com Capoeiras, Sanharó e Pesqueira. A área municipal representa 0.72% do Estado de Pernambuco. Com população ‘estimada de 58.251 habitantes e com densidade demográfica de 74,03 hab/km², São Bento do Una está inserido na unidade geoambiental do Planalto da Borborema, formada por maciços e outeiros altos, com altitude variando entre 650 e 1.000 metros. Ocupa uma área de arco que se estende do sul de Alagoas até o Rio Grande do Norte. O relevo é geralmente movimentado, com vales profundos e estreitos dissecados. Com respeito à fertilidade dos solos é bastante variada, com certa predominância de média para alta. A área da unidade é recortada por rios perenes, porém de pequena vazão e o potencial de água subterrânea é baixo. A vegetação desta unidade é formada por Florestas Subcaducifólica e Caducifólica, próprias das áreas agrestes. São Bento do Una tem o clima Tropical Chuvoso, com verão seco, a quadra chuvosa se inicia em fevereiro com chuvas de pré-estação (chuvosa de pré-estação são as que ocorrem antes da quadra chuvosa) com seu término ocorrendo no final do mês de agosto e podendo se prolongar até a primeira quinzena de setembro. O trimestre chuvoso centra-se nos meses de maio, junho e julho e os seus meses secos ocorrem entre outubro, novembro e dezembro. Os fatores provocadores de chuvas no município são a contribuição da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), formação dos vórtices ciclônicos de altos níveis (VCAS), contribuição dos ventos alísios de nordeste no transporte de vapor e umidade, os quais condensam e formam nuvens, provocando chuvas de moderadas a fortes intensidades (MEDEIROS, 2016).


Disponível em: https://recima21.com.br/index.php/recima21/article/view/751/621. Acesso em: 11 out. 2023. (adaptado)

Com base no texto “Temperaturas decadais extremas e média em São Bento do Una”, analise as afirmativas a seguir:


I. São Bento do Una é recortado por rios perenes, o que significa que a região não sofre com a interrupção do fluxo desses rios, uma vez que eles não secam.

II. São Bento do Una tem o clima Tropical Chuvoso, o que significa que a região apresenta, predominantemente, duas estações bem definidas: uma mais quente e chuvosa e outra mais seca e mais chuvosa.

III. A vegetação de São Bento do Una é formada por Florestas Subcaducifólica e Caducifólica, o que significa que as árvores dessa região, tal qual os rios perenes, nunca perdem suas folhas ao longo do ano.


Marque a alternativa correta:

Alternativas
Q2636053 Português

TEXTO 1


Temperaturas decadais extremas e média em São Bento do Una


São Bento do Una localiza-se na mesorregião Agreste e na microrregião do Vale do Ipojuca no Estado de Pernambuco, limitando-se a norte com Belo Jardim, a sul com Jucati, Jupi e Lajedo, a leste com Cachoeirinha, e a oeste com Capoeiras, Sanharó e Pesqueira. A área municipal representa 0.72% do Estado de Pernambuco. Com população ‘estimada de 58.251 habitantes e com densidade demográfica de 74,03 hab/km², São Bento do Una está inserido na unidade geoambiental do Planalto da Borborema, formada por maciços e outeiros altos, com altitude variando entre 650 e 1.000 metros. Ocupa uma área de arco que se estende do sul de Alagoas até o Rio Grande do Norte. O relevo é geralmente movimentado, com vales profundos e estreitos dissecados. Com respeito à fertilidade dos solos é bastante variada, com certa predominância de média para alta. A área da unidade é recortada por rios perenes, porém de pequena vazão e o potencial de água subterrânea é baixo. A vegetação desta unidade é formada por Florestas Subcaducifólica e Caducifólica, próprias das áreas agrestes. São Bento do Una tem o clima Tropical Chuvoso, com verão seco, a quadra chuvosa se inicia em fevereiro com chuvas de pré-estação (chuvosa de pré-estação são as que ocorrem antes da quadra chuvosa) com seu término ocorrendo no final do mês de agosto e podendo se prolongar até a primeira quinzena de setembro. O trimestre chuvoso centra-se nos meses de maio, junho e julho e os seus meses secos ocorrem entre outubro, novembro e dezembro. Os fatores provocadores de chuvas no município são a contribuição da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), formação dos vórtices ciclônicos de altos níveis (VCAS), contribuição dos ventos alísios de nordeste no transporte de vapor e umidade, os quais condensam e formam nuvens, provocando chuvas de moderadas a fortes intensidades (MEDEIROS, 2016).


Disponível em: https://recima21.com.br/index.php/recima21/article/view/751/621. Acesso em: 11 out. 2023. (adaptado)

Com base no texto “Temperaturas decadais extremas e média em São Bento do Una”, analise as afirmativas a seguir:


I. As temperaturas em São Bento do Una sofrem uma variação constante ao longo do ano devido a eventos climáticos que caracterizam a região, como a formação dos vórtices ciclônicos de altos níveis (VCAS).

II. A localização de São Bento do Una na unidade geoambiental do Planalto da Borborema é o fator determinante para o favorecimento da alta fertilidade do solo em toda a região.

III. Porque localiza-se no agreste do estado de Pernambuco, São Bento do Una precisa lidar com verões secos, uma vez que o período chuvoso e de pré-estação dura menos que seis meses.


Marque a alternativa correta:

Alternativas
Q2631807 Português

Leia o texto a seguir para responder às questões de 10 a 14:


Nuances


Euforia: alegria barulhenta. Felicidade: alegria silenciosa.

Gravar: quando o ator é de televisão. Filmar: quando ele quer deixar claro que não é de televisão.

Grávida: em qualquer ocasião. Gestante: em filas e assentos preferenciais.

Guardar: na gaveta. Salvar: no computador. Salvaguardar: no Exército.

Menta: no sorvete, na bala ou no xarope. Hortelã: na horta ou no suco de abacaxi.

Peça: quando você vai assistir. Espetáculo: quando você está em cartaz com ele.


DUVIVIER, G. Nuances (adaptado). Folha de São Paulo, 2014.

A partir das reflexões apresentadas no texto Nuances, pode-se concluir que:

Alternativas
Q2631780 Português

Leia o texto abaixo, Furto de flor, Carlos Drummond de Andrande, para responder as questões 1 A 5.


Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava e eu furtei a flor. Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida.

Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem. Sendo autor do furto, eu assumiria a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la ao jardim. Nem apelar para o médico das flores.

Eu a furtara, eu a via morrer.

Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me:

- Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!


Disponível em: https://www.culturagenial.com/cronicas-curtas-com-interpretacao/155Acesso em: 08 de jan. 2024.

Segundo o texto a flor não estava:

Alternativas
Q2631558 Português

“Ainda não se acostumou, mãe?”


Por Martha Medeiros


  1. Parece que foi ontem. Ela estava sentada à mesa conosco, nossa versão de “éramos seis”:
  2. eu, ela, o pai dela, a avó, a irmã e o namorado da irmã. Pedi para a Clair, minha funcionária
  3. ____ 32 anos, que ___________ uma lasanha inesquecível para o almoço de despedida. Depois
  4. de três semanas visitando a família, minha filha mais velha voltaria para sua própria casa. Menos
  5. de 24 horas depois, já tinha aterrissado na França, onde vive. Que invenção, o avião. Perdi a
  6. conta de quantas vezes os preparativos para sua estada se repetiram: fazer uma fa...ina
  7. capri...ada em seu antigo quarto, abastecer a despensa com feijão, doce de leite, guaraná e pão
  8. de queijo, buscá-la no aeroporto, levá-la ao aeroporto. Mas, recorrente mesmo, é o nosso diálogo
  9. antes de ela desaparecer por trás do portão de embarque. Trocamos um longo abraço e ao me
  10. ver meio desen...abida, sempre pergunta: “Ainda não se acostumou, mãe?”. Não sou de
  11. lamúrias: me acostumei, sim. Já são muitos anos de distância geográfica – e viva a tecnologia.
  12. Trocamos WhatsApp regulares e, através de chamadas de vídeo, percebo pelo seu olhar se está
  13. alegre ou preocupada. É quase como estar junto. Sou madura. Não faço drama.
  14. Quem dera ___________ mais beijos e abraços entre nós, mas as demandas pessoais dela
  15. são prioridade. Se viver fora do Brasil atende suas necessidades de expansão e conhecimento,
  16. vou eu fazer chantagem emocional? Quero que avance, que cresça, que se divirta e que, quando
  17. as tristezas surgirem (surgem em qualquer lugar do mundo), ela me ligue para a gente segurar
  18. a onda juntas. É possível ficar perto de quem está longe, distância não é um conceito exato.
  19. A conexão que importa é a da sintonia. Não posso desconsiderar seus desejos e
  20. menosprezar sua coragem de enfrentar a vida em outro idioma e mantendo outras relações.
  21. Parentes são abrigos, cais, plataformas de lançamento e recepção, mas crescemos mesmo
  22. através do que nos é estranho. Infelizmente, ninguém estimula pais e mães a pensarem assim.
  23. Aprendemos que, quanto maior o sofrimento pela ausência deles, maior é o amor. Então as
  24. queixas de saudade se acumulam e os filhos lá fora, coitados, que se virem com a culpa por
  25. terem partido.
  26. Se defendo minha liberdade, tenho que defender a liberdade da minha prole também – e
  27. apoiá-la. Não sofro, não me escabelo, sei que ela está bem, e quando está mal, não é por viver
  28. em um país estrangeiro, mas por questões emocionais que atingem a todos, onde quer que se
  29. esteja. Confio no amor que demonstro através da minha confiança e torcida. E os aviões estão
  30. aí para recuperar os abraços e beijos quando essa maturidade toda começa a fraquejar.
  31. Embarco depois de amanhã. É a vez dela de botar a mesa para mim.


(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/donna/colunistas/martha-medeiros/noticia/2024/02/ainda-nao-se-acostumou-mae-cls3dvasz001z012b2y6wgcvn.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Enumere as assertivas a seguir, em ordem crescente, de acordo com sua ordem de abordagem no texto.


( ) É mencionada uma interação entre mãe e filha durante a despedida no aeroporto, na qual a filha faz um questionamento à mãe.

( ) A escritora menciona que visitará a filha na França.

( ) A autora pede para sua funcionária preparar uma lasanha.

( ) Martha Medeiros compartilha os preparativos para a estada da filha.


A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

Alternativas
Q2630183 Português

Poética


“Que é a Poesia?

uma ilha

cercada

de palavras

por todos

os lados.

Que é o Poeta?

um homem

que trabalha o poema

com o suor do seu rosto.

Um homem

que tem fome

como qualquer outro

homem.”


Cassiano Ricardo


Assinale a alternativa que traz informação CORRETA a respeito do poema de Cassiano Ricardo.

Alternativas
Q2630158 Português

Leia o Texto I para responder às questões de 21 a 29.


TEXTO I


OS IDIOTAS DA OBJETIVIDADE


(Nelson Rodrigues)


Sou da imprensa anterior ao copy desk. Tinha treze anos quando me iniciei no jornal, como repórter de polícia. Na redação não havia nada da aridez atual e pelo contrário: — era uma cova de delícias. O sujeito ganhava mal ou simplesmente não ganhava. Para comer, dependia de um vale utópico de cinco ou dez mil-réis. Mas tinha a compensação da glória. Quem redigia um atropelamento julgava-se um estilista. E a própria vaidade o remunerava. Cada qual era um pavão enfático. Escrevia na véspera e no dia seguinte via-se impresso, sem o retoque de uma vírgula. Havia uma volúpia autoral inenarrável. E nenhum estilo era profanado por uma emenda, jamais.

Durante várias gerações foi assim e sempre assim. De repente, explodiu o copy desk. Houve um impacto medonho. Qualquer um na redação, seja repórter de setor ou editorialista, tem uma sagrada vaidade estilística. E o copy desk não respeitava ninguém. Se lá aparecesse um Proust, seria reescrito do mesmo jeito. Sim, o copy desk instalou-se como a figura demoníaca da redação.

Falei no demônio e pode parecer que foi o Príncipe das Trevas que criou a nova moda. Não, o abominável Pai da Mentira não é o autor do copy desk. Quem o lançou e promoveu foi Pompeu de Sousa. Era ainda o Diário Carioca, do Senador, do Danton. Não quero ser injusto, mesmo porque o Pompeu é meu amigo. Ele teve um pretexto, digamos assim, histórico, para tentar a inovação.

Havia na imprensa uma massa de analfabetos. Saíam as coisas mais incríveis. Lembro-me de que alguém, num crime passional, terminou assim a matéria: — “E nem um goivinho ornava a cova dela”. Dirão vocês que esse fecho de ouro é puramente folclórico. Não sei e talvez. Mas saía coisa parecida. E o Pompeu trouxe para cá o que se fazia nos Estados Unidos — o copy desk.

Começava a nova imprensa. Primeiro, foi só o Diário Carioca; pouco depois, os outros, por imitação, o acompanharam.

Rapidamente, os nossos jornais foram atacados de uma doença grave: — a objetividade. Daí para o “idiota da objetividade” seria um passo. Certa vez, encontrei-me com o Moacir Werneck de Castro. Gosto muito dele e o saudei com a mais larga e cálida efusão. E o Moacir, com seu perfil de Lord Byron, disse para mim, risonhamente: — “Eu sou um idiota da objetividade”.

Também Roberto Campos, mais tarde, em discurso, diria: — “Eu sou um idiota da objetividade”. Na verdade, tanto Roberto como Moacir são dois líricos. Eis o que eu queria dizer: — o idiota da objetividade inunda as mesas de redação e seu autor foi, mais uma vez, Pompeu de Sousa. Aliás, devo dizer que o copy desk e o idiota da objetividade são gêmeos e um explica o outro.

E toda a imprensa passou a usar a palavra “objetividade” como um simples brinquedo auditivo. A crônica esportiva via times e jogadores “objetivos”. Equipes e jogadores eram condenados por falta de objetividade. Um exemplo da nova linguagem foi o atentado de Toneleros. Toda a nação tremeu. Era óbvio que o crime trazia, em seu ventre, uma tragédia nacional. Podia ser até a guerra civil. Em menos de 24 horas o Brasil se preparou para matar ou para morrer. E como noticiou o Diário Carioca o acontecimento? Era uma catástrofe. O jornal deu-lhe esse tom de catástrofe? Não e nunca. O Diário Carioca nada concedeu à emoção nem ao espanto. Podia ter posto na manchete, e ao menos na manchete, um ponto de exclamação. Foi de uma casta, exemplar objetividade. Tom estrita e secamente informativo. Tratou o drama histórico como se fosse o atropelamento do Zezinho, ali da esquina.

Era, repito, a implacável objetividade. E, depois, Getúlio deu um tiro no peito. Ali estava o Brasil, novamente, cara a cara com a guerra civil. E que fez o Diário Carioca? A aragem da tragédia soprou nas suas páginas? Jamais. No princípio do século, mataram o rei e o príncipe herdeiro de Portugal. (Segundo me diz o luso Álvaro Nascimento, o rei tinha o olho perdidamente azul). Aqui, o nosso Correio da Manhã abria cinco manchetes. Os tipos enormes eram um soco visual. E rezava a quinta manchete: “HORRÍVEL EMOÇÃO!”. Vejam vocês: — “HORRÍVEL EMOÇÃO!”.

O Diário Carioca não pingou uma lágrima sobre o corpo de Getúlio. Era a monstruosa e alienada objetividade. As duas coisas pareciam não ter nenhuma conexão: — o fato e a sua cobertura.

Estava um povo inteiro a se desgrenhar, a chorar lágrimas de pedra. E a reportagem, sem entranhas, ignorava a pavorosa emoção popular. Outro exemplo seria ainda o assassinato de Kennedy.

Na velha imprensa as manchetes choravam com o leitor. A partir do copy desk, sumiu a emoção dos títulos e subtítulos. E que pobre cadáver foi Kennedy na primeira página, por exemplo, do Jornal do Brasil. A manchete humilhava a catástrofe. O mesmo e impessoal tom informativo. Estava lá o cadáver ainda quente. Uma bala arrancara o seu queixo forte, plástico, vital. Nenhum espanto da manchete. Havia um abismo entre o Jornal do Brasil e a tragédia, entre o Jornal do Brasil e a cara mutilada. Pode-se falar na desumanização da manchete.

O Jornal do Brasil, sob o reinado do copy desk, lembra-me aquela página célebre de ficção. Era uma lavadeira que se viu, de repente, no meio de uma baderna horrorosa. Tiro e bordoada em quantidade. A lavadeira veio espiar a briga. Lá adiante, numa colina, viu um baixinho olhando por um binóculo. Ali estava Napoleão e ali estava Waterloo. Mas a santa mulher ignorou um e outro; e veio para dentro ensaboar a sua roupa suja. Eis o que eu queria dizer: — a primeira página do Jornal do Brasil tem a mesma alienação da lavadeira diante dos napoleões e das batalhas.

E o pior é que, pouco a pouco, o copy desk vem fazendo do leitor um outro idiota da objetividade. A aridez de um se transmite ao outro. Eu me pergunto se, um dia, não seremos nós 80 milhões de copy desks? (...)


Disponível em: https://contobrasileiro.com.br/os-idiotas-da-objetividade-cronica-de-nelson-rodrigues/ (Adaptado). Acesso em: 8 jan. 2023.

José Carlos de Azeredo (2008, p. 93-94) afirma: “Uma informação se diz pressuposta em um enunciado se ela é uma condição lógica da validade desse mesmo enunciado. (...) O significado pressuposto é óbvio e, portanto, coletivamente acessível. As informações implícitas, por sua vez, pertencem à ampla esfera das condições pragmáticas do discurso e dependem de variáveis socioculturais quase sempre subjetivas. São sentidos motivados por fatores paratextuais, sentidos que os textos insinuam ou autorizam, de sorte que seus autores não podem ser responsabilizados de os ter expressado.”


Considerando as definições acima, o seu conhecimento sobre o tema e os sentidos do Texto I, julgue os itens a seguir como verdadeiros (V) ou falsos (F).


I. Em “E o Pompeu trouxe para cá o que se fazia nos Estados Unidos — o copy desk”, está pressuposta a informação de que essa frase foi enunciada em outro lugar que não os Estados Unidos.

II. Em “Ali estava o Brasil, novamente, cara a cara com a guerra civil”, está pressuposta a informação de que o Brasil já estivera antes cara a cara com a guerra civil.

III. Em “No princípio do século, mataram o rei e o príncipe herdeiro de Portugal. (Segundo me diz o luso Álvaro Nascimento, o rei tinha o olho perdidamente azul)”, está pressuposta a informação de que o príncipe herdeiro de Portugal não tinha olhos azuis.

IV. Em “O Diário Carioca não pingou uma lágrima sobre o corpo de Getúlio”, está pressuposta a informação de que outros jornais da época publicaram matérias mais emotivas sobre a morte de Getúlio Vargas.


Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:


Fonte: AZEREDO, José Carlos. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo: Publifolha, 2008. Grifos nossos.

Alternativas
Ano: 2024 Banca: FUNDATEC Órgão: Prefeitura de Ibirapuitã - RS Provas: FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Analista Administrativo | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Psicopedagogo | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Fiscal Ambiental | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Analista Fazendário | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Fiscal Tributário | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Procurador do Município | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Técnico Previdenciário | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Enfermeiro | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Professor de Educação Física | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Analista Executivo | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Assistente Social | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Contador | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Coordenador do CRAS | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Dentista Comunitário | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Engenheiro Civil II | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Fisioterapeuta | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Fonoaudiólogo | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Gestor Controle Interno | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Médico Comunitário | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Nutricionista | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Psicólogo |
Q2629841 Português

Farofa de Tanajura

Por Leonardo Igor de Souza

01 Em 13 de julho de 1553, desembarcou em Salvador o padre jesuíta José de Anchieta,

02considerado hoje um dos primeiros escritores da Literatura Brasileira. Em sua convivência com

03 os povos indígenas no Brasil, um dos hábitos que lhe chamou atenção – e do qual ele provou

04 – foi o de coletar e comer as chamadas içás, conhecidas em parte do Brasil como saúvas e, no

05 Ceará, como tanajuras.

06 Ainda agora, o hábito de comer tanajura, observado nos tempos da colônia, segue

07 preservado no Ceará, na região da Serra da Ibiapaba, onde estão municípios como Ubajara,

08 Tianguá, Ibiapina, São Benedito, Viçosa do Ceará, entre outros.

09 As tanajuras (Atta cephalotes) são uma espécie de formiga com asas e com o abdômen

10 pronunciado. Elas costumam aparecer no período chuvoso, na época chamada de revoada,

11 quando elas deixam o solo _______ da chuva. Nesse período, elas se reproduzem e formam

12 uma nova colônia, um novo lar, em um espaço mais seco.

13 É nesse período que muita gente aproveita para coletar os espécimes e prepará-los para

14 o consumo. Na maior parte das vezes, a iguaria é consumida frita, sendo utilizada como

15 ingrediente principal para o preparo de farofa de tanajura.

16 “Quando tem uma boa chuva com trovão e no dia seguinte faz um sol quente que começa

17 a sair [tanajura], você vê um monte de gente na rua. Quem pode vai para os sítios, quem tem

18 a _______ de entrar nos formigueiros, coloca bota e tudo para poder ir pegar”, conta a

19 nutricionista Lídia Sousa, moradora do município de Ibiapina, na Serra da Ibiapaba.

20 Lídia nasceu no Distrito Federal, mas seus pais são cearenses da região da Ibiapaba. Ela

21 conta que vive em Ibiapina há cerca de 15 anos, mas já tinha o hábito de comer tanajuras desde

22 pequena na capital federal. No Distrito Federal, ela e a família moravam em uma chácara, por

23 isso conseguiam capturar as tanajuras no período de chuvas. “Lá mesmo ninguém consumia,

24 pessoal inclusive achava engraçado, julgava, dizia que a gente tava comendo formiga”, relembra.

25 Na Serra da Ibiapiaba, se alguém perguntar de onde vem o hábito de comer tanajuras, diferentes

26 versões vão surgir. Hoje, no entanto, especialistas concordam que o hábito é uma herança do

27 povo indígena Tabajara, que habita a região.

28 O professor Paulo Henrique Machado, do curso de Gastronomia da Universidade Federal

29 do Ceará (UFC), integra um grupo na universidade que estuda a entomofagia, que é o consumo

30 de insetos como alimentos. O professor aponta que a prática pode ser encontrada em várias

31 comunidades do Brasil. “E não só o inseto, mas produtos dele, no caso do mel da abelha, da

32 cochonilha que produz corante vermelho, mais para rosado. E tem muitos produtos, mesmo

33 industrializados. Então é um hábito comum que às vezes a gente não sabe”, destaca.

34 Do ponto de vista nutricional, .... tanajura é considerada um alimento com altas

35 concentrações de lipídios e proteínas, de acordo com análise feita em laboratório pelo professor

36 Paulo Henrique Machado e outros dois colegas da UFC. A pesquisa, publicada em 2020, indicou

37 que as tanajuras têm um perfil de ácidos graxos majoritariamente composto de ácidos graxos

38 monoinsaturados, semelhante .... carnes de boi e de porco, “enriquecendo .... dieta daqueles

39 que .... ingerem”.

(Disponível em: www.g1.globo.com/ce/ceara/noticia – texto adaptado especialmente para esta prova).

Analise as assertivas abaixo, considerando o exposto pelo texto, e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.


( ) No primeiro parágrafo, o autor traz um dado histórico para contextualizar o leitor em relação à antiguidade do hábito que será apresentado.

( ) No terceiro parágrafo, o autor apresenta as características fenotípicas e comportamentais do inseto utilizado como iguaria.

( ) No último parágrafo, são apresentadas as características nutricionais desse inseto utilizado como alimento.


A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

Alternativas
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Farofa de Tanajura

Por Leonardo Igor de Souza

01 Em 13 de julho de 1553, desembarcou em Salvador o padre jesuíta José de Anchieta,

02considerado hoje um dos primeiros escritores da Literatura Brasileira. Em sua convivência com

03 os povos indígenas no Brasil, um dos hábitos que lhe chamou atenção – e do qual ele provou

04 – foi o de coletar e comer as chamadas içás, conhecidas em parte do Brasil como saúvas e, no

05 Ceará, como tanajuras.

06 Ainda agora, o hábito de comer tanajura, observado nos tempos da colônia, segue

07 preservado no Ceará, na região da Serra da Ibiapaba, onde estão municípios como Ubajara,

08 Tianguá, Ibiapina, São Benedito, Viçosa do Ceará, entre outros.

09 As tanajuras (Atta cephalotes) são uma espécie de formiga com asas e com o abdômen

10 pronunciado. Elas costumam aparecer no período chuvoso, na época chamada de revoada,

11 quando elas deixam o solo _______ da chuva. Nesse período, elas se reproduzem e formam

12 uma nova colônia, um novo lar, em um espaço mais seco.

13 É nesse período que muita gente aproveita para coletar os espécimes e prepará-los para

14 o consumo. Na maior parte das vezes, a iguaria é consumida frita, sendo utilizada como

15 ingrediente principal para o preparo de farofa de tanajura.

16 “Quando tem uma boa chuva com trovão e no dia seguinte faz um sol quente que começa

17 a sair [tanajura], você vê um monte de gente na rua. Quem pode vai para os sítios, quem tem

18 a _______ de entrar nos formigueiros, coloca bota e tudo para poder ir pegar”, conta a

19 nutricionista Lídia Sousa, moradora do município de Ibiapina, na Serra da Ibiapaba.

20 Lídia nasceu no Distrito Federal, mas seus pais são cearenses da região da Ibiapaba. Ela

21 conta que vive em Ibiapina há cerca de 15 anos, mas já tinha o hábito de comer tanajuras desde

22 pequena na capital federal. No Distrito Federal, ela e a família moravam em uma chácara, por

23 isso conseguiam capturar as tanajuras no período de chuvas. “Lá mesmo ninguém consumia,

24 pessoal inclusive achava engraçado, julgava, dizia que a gente tava comendo formiga”, relembra.

25 Na Serra da Ibiapiaba, se alguém perguntar de onde vem o hábito de comer tanajuras, diferentes

26 versões vão surgir. Hoje, no entanto, especialistas concordam que o hábito é uma herança do

27 povo indígena Tabajara, que habita a região.

28 O professor Paulo Henrique Machado, do curso de Gastronomia da Universidade Federal

29 do Ceará (UFC), integra um grupo na universidade que estuda a entomofagia, que é o consumo

30 de insetos como alimentos. O professor aponta que a prática pode ser encontrada em várias

31 comunidades do Brasil. “E não só o inseto, mas produtos dele, no caso do mel da abelha, da

32 cochonilha que produz corante vermelho, mais para rosado. E tem muitos produtos, mesmo

33 industrializados. Então é um hábito comum que às vezes a gente não sabe”, destaca.

34 Do ponto de vista nutricional, .... tanajura é considerada um alimento com altas

35 concentrações de lipídios e proteínas, de acordo com análise feita em laboratório pelo professor

36 Paulo Henrique Machado e outros dois colegas da UFC. A pesquisa, publicada em 2020, indicou

37 que as tanajuras têm um perfil de ácidos graxos majoritariamente composto de ácidos graxos

38 monoinsaturados, semelhante .... carnes de boi e de porco, “enriquecendo .... dieta daqueles

39 que .... ingerem”.

(Disponível em: www.g1.globo.com/ce/ceara/noticia – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que apresenta corretamente o assunto principal do texto.

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Ano: 2024 Banca: FUNDATEC Órgão: Prefeitura de Ibirapuitã - RS Provas: FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Analista Administrativo | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Psicopedagogo | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Fiscal Ambiental | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Analista Fazendário | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Fiscal Tributário | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Procurador do Município | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Técnico Previdenciário | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Enfermeiro | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Professor de Educação Física | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Analista Executivo | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Assistente Social | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Contador | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Coordenador do CRAS | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Dentista Comunitário | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Engenheiro Civil II | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Fisioterapeuta | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Fonoaudiólogo | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Gestor Controle Interno | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Médico Comunitário | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Nutricionista | FUNDATEC - 2024 - Prefeitura de Ibirapuitã - RS - Psicólogo |
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Farofa de Tanajura

Por Leonardo Igor de Souza

01 Em 13 de julho de 1553, desembarcou em Salvador o padre jesuíta José de Anchieta,

02considerado hoje um dos primeiros escritores da Literatura Brasileira. Em sua convivência com

03 os povos indígenas no Brasil, um dos hábitos que lhe chamou atenção – e do qual ele provou

04 – foi o de coletar e comer as chamadas içás, conhecidas em parte do Brasil como saúvas e, no

05 Ceará, como tanajuras.

06 Ainda agora, o hábito de comer tanajura, observado nos tempos da colônia, segue

07 preservado no Ceará, na região da Serra da Ibiapaba, onde estão municípios como Ubajara,

08 Tianguá, Ibiapina, São Benedito, Viçosa do Ceará, entre outros.

09 As tanajuras (Atta cephalotes) são uma espécie de formiga com asas e com o abdômen

10 pronunciado. Elas costumam aparecer no período chuvoso, na época chamada de revoada,

11 quando elas deixam o solo _______ da chuva. Nesse período, elas se reproduzem e formam

12 uma nova colônia, um novo lar, em um espaço mais seco.

13 É nesse período que muita gente aproveita para coletar os espécimes e prepará-los para

14 o consumo. Na maior parte das vezes, a iguaria é consumida frita, sendo utilizada como

15 ingrediente principal para o preparo de farofa de tanajura.

16 “Quando tem uma boa chuva com trovão e no dia seguinte faz um sol quente que começa

17 a sair [tanajura], você vê um monte de gente na rua. Quem pode vai para os sítios, quem tem

18 a _______ de entrar nos formigueiros, coloca bota e tudo para poder ir pegar”, conta a

19 nutricionista Lídia Sousa, moradora do município de Ibiapina, na Serra da Ibiapaba.

20 Lídia nasceu no Distrito Federal, mas seus pais são cearenses da região da Ibiapaba. Ela

21 conta que vive em Ibiapina há cerca de 15 anos, mas já tinha o hábito de comer tanajuras desde

22 pequena na capital federal. No Distrito Federal, ela e a família moravam em uma chácara, por

23 isso conseguiam capturar as tanajuras no período de chuvas. “Lá mesmo ninguém consumia,

24 pessoal inclusive achava engraçado, julgava, dizia que a gente tava comendo formiga”, relembra.

25 Na Serra da Ibiapiaba, se alguém perguntar de onde vem o hábito de comer tanajuras, diferentes

26 versões vão surgir. Hoje, no entanto, especialistas concordam que o hábito é uma herança do

27 povo indígena Tabajara, que habita a região.

28 O professor Paulo Henrique Machado, do curso de Gastronomia da Universidade Federal

29 do Ceará (UFC), integra um grupo na universidade que estuda a entomofagia, que é o consumo

30 de insetos como alimentos. O professor aponta que a prática pode ser encontrada em várias

31 comunidades do Brasil. “E não só o inseto, mas produtos dele, no caso do mel da abelha, da

32 cochonilha que produz corante vermelho, mais para rosado. E tem muitos produtos, mesmo

33 industrializados. Então é um hábito comum que às vezes a gente não sabe”, destaca.

34 Do ponto de vista nutricional, .... tanajura é considerada um alimento com altas

35 concentrações de lipídios e proteínas, de acordo com análise feita em laboratório pelo professor

36 Paulo Henrique Machado e outros dois colegas da UFC. A pesquisa, publicada em 2020, indicou

37 que as tanajuras têm um perfil de ácidos graxos majoritariamente composto de ácidos graxos

38 monoinsaturados, semelhante .... carnes de boi e de porco, “enriquecendo .... dieta daqueles

39 que .... ingerem”.

(Disponível em: www.g1.globo.com/ce/ceara/noticia – texto adaptado especialmente para esta prova).

Analise as assertivas abaixo acerca do que é exposto pelo texto:


I. O inseto utilizado como iguaria gastronômica é conhecido por, pelo menos, três nomes diferentes.

II. O padre jesuíta José de Anchieta foi o primeiro brasileiro a experimentar a receita em que se utiliza esse inseto.

III. O alimento, apesar de incomum nas demais regiões do Brasil, tem benefícios nutricionais.


Quais estão corretas?

Alternativas
Q2629641 Português

O pavão


Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.

Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.

Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.


(BRAGA, Rubem. Portal da Crônica Brasileira, 1958.)

Após a leitura da crônica de Rubem Alves, é possível afirmar que:

Alternativas
Q2629570 Português

Luta


Eram duas mulheres brigando – e depois não houve nada. Embolaram-se por qualquer motivo e não queriam desprender-se uma da outra. Não havendo superioridade física acentuada de uma das partes, as duas se fundiram num corpo confuso e sacudido de vibrações, que ia e vinha pela calçada, lento e brusco, nervoso e rítmico. O instinto de dança subsistia no íntimo das contendoras, prevalecendo sobre as tentativas dos corpos para se abaterem mutuamente. E tudo se fazia em silêncio, como se baila, mesmo porque nenhuma palavra adiantaria à cólera das mulheres, que só o jogo de músculos e nervos saberia exprimir numa linguagem dinâmica e cheia de consequências.

Brigaram bem cinco minutos, é uma eternidade para entreveros. Não tinham pressa de acabar. Brigavam com fúria e ao mesmo tempo com método. O fato de uma não ser bastante vigorosa para decidir imediatamente a peleja não impediu que ela dominasse a outra. Dominava, mas a outra não se rendia. Tão rentes as duas, tão grudadas, que o mesmo gesto agressor era gesto de apoio. A mais fraca empenhava-se em salvar o rosto do agravo de unhas e dentes e, de cabeça baixa, olhos cerrados, fazia pressão sobre o pescoço da competidora, enquanto lhe apertava a cintura com a mão esquerda e com a direita atacava na medida do possível. Mas a segunda lhe ministrava pequenos tapas enérgicos nas faces sempre que podia reeguer-lhe a cabeça; e quando deixava de fazê-lo, era para ir dilacerando a blusa, que não resistiu ao assalto e logo se esfarinhou em trapos. Sem descuidar-se da defesa, atacou em seguida o soutien, e um seio negro saltou, assustado. A mais fraca estava demasiado absorvida em equilibrar-se e fisgar uma orelha da mais forte e não se afligiu com esse pormenor. Percebia-se que, se a luta durasse, a mais forte poria nua a mais fraca, mas botar nu o adversário não é vencê-lo, e estava longe o momento da exaustão absoluta de uma, ou de ambas.

Continuaram rodando e oscilando numa área limitada, até que a de maior poder ofensivo entreviu o partido a tirar da rampa da garagem subterrânea, e foi conduzindo o balé nessa direção. No empenho de não cair, a outra se deixava empurrar e ia recuando de costas, sem esperança, mas sem pânico. Ambas tinham posto demasiada alma naquela briga para dar-lhe final prematuro, e a obstinação de uma em bater não era menor que a da outra em apanhar, evidenciando igual têmpera nas duas, sem embargo da vitória física já pendida para um lado. Sumiram lá dentro, lentamente.

O escuro da garagem reteve-as por alguns momentos, até que a vencedora emergiu, vagarosa, arquejante. Os lábios tremiam, o rosto expunha sinais de combate, os olhos esgazeados não se voltavam para nenhum ponto. Inclinou-se para apanhar na calçada da rua elegante a marmita que ali deixara. Depois, andou um pouco, às tontas, até firmar rumo, e seguiu para o trabalho.

O grupo que se formara ao iniciar-se a peleja foi se dispersando, alegremente. Eram pessoas de vários tipos e condições, e nenhuma pensara em intervir, como se faz em briga de homem. Ou se alguém pensou, foi travado pela perspectiva do ridículo. Costumes. Briga de mulher é motivo de curiosidade divertida, apenas. No máximo, as pessoas distintas olham com reprovação desdenhosa. Ônibus, lotações e automóveis, parados para apreciar o espetáculo, puseram-se em movimento. A outra mulher, a derrotada, subiu afinal a rampa, também digna, com o busto envolto num jornal.


(ANDRADE, Carlos Drummond de. Luta. In: – Fala, amendoeira. Rio de Janeiro, José Olympio, 1973. p. 141-3. Adaptado.)

A mais fraca estava demasiado absorvida em equilibrar-se e fisgar uma orelha da mais forte e não se afligiu com esse pormenor.” (2º§) É possível conjecturar que a expressão “pormenor” se refere a:

Alternativas
Q2629563 Português

Luta


Eram duas mulheres brigando – e depois não houve nada. Embolaram-se por qualquer motivo e não queriam desprender-se uma da outra. Não havendo superioridade física acentuada de uma das partes, as duas se fundiram num corpo confuso e sacudido de vibrações, que ia e vinha pela calçada, lento e brusco, nervoso e rítmico. O instinto de dança subsistia no íntimo das contendoras, prevalecendo sobre as tentativas dos corpos para se abaterem mutuamente. E tudo se fazia em silêncio, como se baila, mesmo porque nenhuma palavra adiantaria à cólera das mulheres, que só o jogo de músculos e nervos saberia exprimir numa linguagem dinâmica e cheia de consequências.

Brigaram bem cinco minutos, é uma eternidade para entreveros. Não tinham pressa de acabar. Brigavam com fúria e ao mesmo tempo com método. O fato de uma não ser bastante vigorosa para decidir imediatamente a peleja não impediu que ela dominasse a outra. Dominava, mas a outra não se rendia. Tão rentes as duas, tão grudadas, que o mesmo gesto agressor era gesto de apoio. A mais fraca empenhava-se em salvar o rosto do agravo de unhas e dentes e, de cabeça baixa, olhos cerrados, fazia pressão sobre o pescoço da competidora, enquanto lhe apertava a cintura com a mão esquerda e com a direita atacava na medida do possível. Mas a segunda lhe ministrava pequenos tapas enérgicos nas faces sempre que podia reeguer-lhe a cabeça; e quando deixava de fazê-lo, era para ir dilacerando a blusa, que não resistiu ao assalto e logo se esfarinhou em trapos. Sem descuidar-se da defesa, atacou em seguida o soutien, e um seio negro saltou, assustado. A mais fraca estava demasiado absorvida em equilibrar-se e fisgar uma orelha da mais forte e não se afligiu com esse pormenor. Percebia-se que, se a luta durasse, a mais forte poria nua a mais fraca, mas botar nu o adversário não é vencê-lo, e estava longe o momento da exaustão absoluta de uma, ou de ambas.

Continuaram rodando e oscilando numa área limitada, até que a de maior poder ofensivo entreviu o partido a tirar da rampa da garagem subterrânea, e foi conduzindo o balé nessa direção. No empenho de não cair, a outra se deixava empurrar e ia recuando de costas, sem esperança, mas sem pânico. Ambas tinham posto demasiada alma naquela briga para dar-lhe final prematuro, e a obstinação de uma em bater não era menor que a da outra em apanhar, evidenciando igual têmpera nas duas, sem embargo da vitória física já pendida para um lado. Sumiram lá dentro, lentamente.

O escuro da garagem reteve-as por alguns momentos, até que a vencedora emergiu, vagarosa, arquejante. Os lábios tremiam, o rosto expunha sinais de combate, os olhos esgazeados não se voltavam para nenhum ponto. Inclinou-se para apanhar na calçada da rua elegante a marmita que ali deixara. Depois, andou um pouco, às tontas, até firmar rumo, e seguiu para o trabalho.

O grupo que se formara ao iniciar-se a peleja foi se dispersando, alegremente. Eram pessoas de vários tipos e condições, e nenhuma pensara em intervir, como se faz em briga de homem. Ou se alguém pensou, foi travado pela perspectiva do ridículo. Costumes. Briga de mulher é motivo de curiosidade divertida, apenas. No máximo, as pessoas distintas olham com reprovação desdenhosa. Ônibus, lotações e automóveis, parados para apreciar o espetáculo, puseram-se em movimento. A outra mulher, a derrotada, subiu afinal a rampa, também digna, com o busto envolto num jornal.


(ANDRADE, Carlos Drummond de. Luta. In: – Fala, amendoeira. Rio de Janeiro, José Olympio, 1973. p. 141-3. Adaptado.)

A linguagem figurada é utilizada para dar mais expressividade ao discurso, para tornar mais amplo o significado de uma palavra. Além disso, também serve para criar significados diferentes ou quando o interlocutor não encontra um termo adequado para o que deseja comunicar. A interpretação da linguagem figurada pode depender do contexto de cada indivíduo, isto porque este é um tipo de linguagem não convencional que não se baseia nas normas usuais de comunicação. Assinale a alternativa que exemplifica o emprego, no texto, de linguagem própria, com significado básico, original, literal.

Alternativas
Q2629562 Português

Luta


Eram duas mulheres brigando – e depois não houve nada. Embolaram-se por qualquer motivo e não queriam desprender-se uma da outra. Não havendo superioridade física acentuada de uma das partes, as duas se fundiram num corpo confuso e sacudido de vibrações, que ia e vinha pela calçada, lento e brusco, nervoso e rítmico. O instinto de dança subsistia no íntimo das contendoras, prevalecendo sobre as tentativas dos corpos para se abaterem mutuamente. E tudo se fazia em silêncio, como se baila, mesmo porque nenhuma palavra adiantaria à cólera das mulheres, que só o jogo de músculos e nervos saberia exprimir numa linguagem dinâmica e cheia de consequências.

Brigaram bem cinco minutos, é uma eternidade para entreveros. Não tinham pressa de acabar. Brigavam com fúria e ao mesmo tempo com método. O fato de uma não ser bastante vigorosa para decidir imediatamente a peleja não impediu que ela dominasse a outra. Dominava, mas a outra não se rendia. Tão rentes as duas, tão grudadas, que o mesmo gesto agressor era gesto de apoio. A mais fraca empenhava-se em salvar o rosto do agravo de unhas e dentes e, de cabeça baixa, olhos cerrados, fazia pressão sobre o pescoço da competidora, enquanto lhe apertava a cintura com a mão esquerda e com a direita atacava na medida do possível. Mas a segunda lhe ministrava pequenos tapas enérgicos nas faces sempre que podia reeguer-lhe a cabeça; e quando deixava de fazê-lo, era para ir dilacerando a blusa, que não resistiu ao assalto e logo se esfarinhou em trapos. Sem descuidar-se da defesa, atacou em seguida o soutien, e um seio negro saltou, assustado. A mais fraca estava demasiado absorvida em equilibrar-se e fisgar uma orelha da mais forte e não se afligiu com esse pormenor. Percebia-se que, se a luta durasse, a mais forte poria nua a mais fraca, mas botar nu o adversário não é vencê-lo, e estava longe o momento da exaustão absoluta de uma, ou de ambas.

Continuaram rodando e oscilando numa área limitada, até que a de maior poder ofensivo entreviu o partido a tirar da rampa da garagem subterrânea, e foi conduzindo o balé nessa direção. No empenho de não cair, a outra se deixava empurrar e ia recuando de costas, sem esperança, mas sem pânico. Ambas tinham posto demasiada alma naquela briga para dar-lhe final prematuro, e a obstinação de uma em bater não era menor que a da outra em apanhar, evidenciando igual têmpera nas duas, sem embargo da vitória física já pendida para um lado. Sumiram lá dentro, lentamente.

O escuro da garagem reteve-as por alguns momentos, até que a vencedora emergiu, vagarosa, arquejante. Os lábios tremiam, o rosto expunha sinais de combate, os olhos esgazeados não se voltavam para nenhum ponto. Inclinou-se para apanhar na calçada da rua elegante a marmita que ali deixara. Depois, andou um pouco, às tontas, até firmar rumo, e seguiu para o trabalho.

O grupo que se formara ao iniciar-se a peleja foi se dispersando, alegremente. Eram pessoas de vários tipos e condições, e nenhuma pensara em intervir, como se faz em briga de homem. Ou se alguém pensou, foi travado pela perspectiva do ridículo. Costumes. Briga de mulher é motivo de curiosidade divertida, apenas. No máximo, as pessoas distintas olham com reprovação desdenhosa. Ônibus, lotações e automóveis, parados para apreciar o espetáculo, puseram-se em movimento. A outra mulher, a derrotada, subiu afinal a rampa, também digna, com o busto envolto num jornal.


(ANDRADE, Carlos Drummond de. Luta. In: – Fala, amendoeira. Rio de Janeiro, José Olympio, 1973. p. 141-3. Adaptado.)

Narrativa é uma exposição de fatos, uma narração, um conto ou uma história. Desenvolve-se em torno de um enredo – nome que se dá a sequência dos fatos. A partir do enredo chega-se ao tema, que é o motivo central do texto. O enredo apresenta situações de conflitos ou ações. Tendo em vista as ideias apresentadas ao longo da narrativa, é possível inferir que:

Alternativas
Q2629374 Português

Classifique os trechos transcritos a seguir conforme a indicação proposta:



Viés: ( M ) machista / ( F ) feminista


() Se os homens soubessem o valor que têm, as mulheres viveriam a seus pés.

() Uma mulher só é completa quando tem filhos.



Linguagem: ( F ) formal / ( I ) informal


() – Brother, isso daí não é problema meu, caramba!

() Pra fugir da polícia, seria legal nós do crime se filiar na gangue do deputado.



Sentido: ( P ) positivo / ( N ) negativo


() No aniversário da morte de Getúlio Vargas, esse partido usa a imagem do ex-ditador.

() No aniversário da morte de Getúlio Vargas, esse partido usa a imagem do ex-presidente.



Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.

Alternativas
Q2629371 Português

Texto 1



Lei Anticorrupção e a Evolução da Integridade Corporativa



A Lei Anticorrupção brasileira, que completa uma década neste mês de agosto, tem contribuído gradualmente para uma transformação nas operações empresariais no país. Um olhar em perspectiva aponta a promoção de uma cultura pautada pela integridade, ética e transparência. Desde sua aprovação, a legislação gerou impactos nos cenários político e econômico que acarretaram mudanças significativas nas práticas de negócios e no ambiente regulatório.



Inspirada por normas e melhores práticas, a lei estabelece a responsabilidade objetiva das organizações por atos de corrupção, além de prever a aplicação de sanções administrativas, como multas e suspensão de contratos governamentais. Adicionalmente, incentiva a adoção de processos internos de compliance e principalmente do Programa de Integridade, que asseguram que as atividades empresariais estejam em conformidade com regulamentações, normas internas e padrões éticos pertinentes.



Esse cenário transformou em pauta incontornável o compliance – termo que define o estado de conformidade interna com práticas, normas e controles, especialmente externos. O compliance apoia decisivamente a gestão dos negócios. Ainda há, claro, um bom caminho a percorrer para que empresas estruturem e incorporem seus programas na área de maneira alinhada à estratégia. Contudo, já é perceptível um amadurecimento, evidenciado pela implementação de tecnologias em prol da gestão da cultura ética e pela criação de canais que auxiliam na elaboração de relatórios, apresentando resultados concretos em várias esferas.


BORGES, Alex. Disponível em: https://www2.deloitte.com/br/pt/ pages/risk/articles/Artigo-Lei-Anticorrupcao.html. Acesso em: 06 de nov. 2023. Fragmento adaptado.

De acordo com o texto 1, é correto o que se afirma em:

Alternativas
Respostas
5101: C
5102: D
5103: C
5104: C
5105: C
5106: B
5107: D
5108: B
5109: D
5110: D
5111: A
5112: E
5113: C
5114: C
5115: D
5116: B
5117: A
5118: C
5119: A
5120: E