Questões de Concurso Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q3128215 Português
       Então Deus puniu a minha loucura e soberba; e quando desci ruelas escuras e desabei sobre a aldeia, meus sapatos faziam irregulares um ruído alto. Sentia-me um cavalo cego. Perto era tudo escuro; mas adivinhei o começo da praça pelo perfil indeciso dos telhados negros no céu noturno.

       De repente a ladeira como que encorcovou sob meus pés, não era mais eu o cavalo, eu montava de pé um cavalo de pedras, ele galopava rápido para baixo.

         Por milagre não caí, rolei vertical até desembocar no largo vazio: mas então divisei uma pequena luz além. O homem da hospedaria me olhou com o mesmo olhar de espanto e censura com que outros me receberiam – como se eu fosse um paraquedista civil lançado no bojo da noite para inquietar o sono daquela aldeia.

      Disse-me que, dobrando à esquerda, além do cemitério, havia casa cercada de árvore; não era pensão, mas às vezes acolhiam alguém. Fui lá, bati palmas tímidas, gritei, dei murros na porta, ninguém lá dentro murmurou nem mugiu.

       “Não há nesta aldeia de cristão um homem honesto que me dê pouso por uma noite?” Assim bradei, em vão. Então, como longe passasse um zumbido de aeroplano, me pus a considerar que o aviador assassino que no fundo das madrugadas arrasa com uma bomba uma aldeia adormecida – faz, às vezes, uma coisa simpática. Mas reina a paz em todas estas varsóvias escuras; amanhã pela manhã toda essa gente abrirá suas casas e sairá para a rua com um ar cínico e distraído, como se fossem pessoas de bem.

       Passa na estrada um homem de bicicleta. Para um pouco longe de mim, meio assustado, e pergunta se preciso de alguma coisa. Digo-lhe que não achei onde dormir, estou marchando para outra aldeia. Não lhe peço nada, já não me importa dormir, posso andar por essa estrada até o sol me bater na cara.

       Ele monta na bicicleta, mas depois de alguns metros volta. Atrás daquele bosque que me aponta passa a estrada de ferro, e ele trabalha na estaçãozinha humilde: dentro de duas horas tenho um trem.

     Lá me recebe pouco depois, como um grão-senhor: no fundo do barracão das bagagens já me arrumou uma cama de ferro; não tem café, mas traz um copo de vinho.

       Já não quero mais dormir: sala iluminada, onde o aparelho do telégrafo faz às vezes um ruído de inseto de metal, vejo trabalhar esse pequeno funcionário calvo e triste – e bebo em silêncio à saúde de um homem que não teme nem despreza outro homem.



(Rubem Braga. Marcha noturna.
https://cronicabrasileira.org.br, 04.02.1951. Adaptado)
De acordo com informações presentes no texto, é correto afirmar que
Alternativas
Q3127944 Português

O texto seguinte servirá de base para responder a questão.


Por que é importante incluir os direitos humanos no debate sobre as mudanças climáticas e outros contextos de emergência?

Gerar espaços de participação, diálogo e intercâmbio com a sociedade civil continua sendo um mecanismo fundamental


Andressa Caldas, Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 21 de outubro de

2024 


A América Latina enfrenta hoje um grande desafio. Além de ser a região mais desigual do planeta, nos últimos tempos também temos assistido a eventos que tensionam os Estados e suas possibilidades de intervenção e resposta, como as diferentes crises provocadas por fenômenos até então desconhecidos ou que já conhecíamos, mas que estão adquirindo novas formas.


Basta observar as recentes inundações no Rio Grande do Sul, os incêndios florestais na Amazônia, as históricas secas ou as doenças epidêmicas (como dengue, chikungunya, cólera e o vírus Zika) e pandemias que não cessam, para perceber essas consequências. Esses eventos aprofundam as desigualdades já existentes e prejudicam certos grupos populacionais, especialmente vulneráveis, em detrimento de outros. 


São fatos que podemos chamar de contextos críticos e de emergência, e que ocorrem em um mundo cada vez mais afetado por crises interconectadas que envolvem crises ambientais (que podem provocar migrações forçadas), insegurança alimentar e pandemias com novas doenças.


Embora muitos Estados da região tenham feito esforços para mitigar os efeitos das crises, esses esforços muitas vezes se mostraram fragmentários e insuficientes. Da mesma forma, as coordenações regionais para gerenciar as ameaças e responder aos contextos críticos e de emergência, incluindo a pandemia de covid-19 e seus impactos posteriores, tiveram algumas limitações. 


Nesse cenário, o papel da sociedade civil, redes, movimentos e organizações sociais que atuam em conjunto com a comunidade tem sido fundamental para enfrentar os desafios impostos por esses novos cenários em toda a região. Além disso, a necessidade de proteção, assistência humanitária e afirmação dos direitos humanos se tornou um tema cada vez mais relevante.


É essencial integrar a perspectiva de direitos humanos no discurso e nas políticas públicas para criar soluções justas e equitativas frente às consequências das mudanças climáticas. A América Latina tem um papel estratégico em relação aos contextos críticos e de emergência. Não é apenas uma região de refúgio diante das guerras, mas também pode oferecer soluções para problemas globais em energia, segurança alimentar, biodiversidade, conhecimento e na construção de políticas públicas com enfoque em direitos humanos.


A incorporação da perspectiva de direitos humanos como uma ferramenta indispensável que fornece orientações claras sobre como pensar as políticas públicas, as respostas às crises e os cenários de recuperação pode colaborar em como enfrentamos esses cenários de crise e emergência.


Valorizar o papel e protagonismo dos diversos movimentos, redes e organizações sociais que estão nos territórios e trabalham articulados com as comunidades afetadas é imprescindível para alcançar uma gestão e planejamento eficazes das políticas públicas. Gerar espaços de participação, diálogo e intercâmbio com a sociedade civil continua sendo um mecanismo fundamental para enfrentar esses novos riscos e desafios. 



(Disponível em:

https://www.brasildefato.com.br/2024/10/21/por-que-e-importante-incluir -os-direitos-humanos-no-debate-sobre-as-mudancas-climaticas-e-outro s-contextos-de-emergencia. Acesso em 03 nov. 2024. Adaptado.)

A partir do texto, é possível afirmar que em "Embora muitos Estados da região tenham feito esforços para mitigar os efeitos das crises", a expressão destacada refere-se aos:
Alternativas
Q3127767 Português
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere.

Texto 01

“Engole o choro!”

Mariana Chagas

   Quem nunca escutou, quando criança, que chorar era feio? Ou, durante o crescimento, foi repreendido com frases como “engole o choro” ou “para de chorar”? É comum crescer entendendo que o choro é algo inconveniente e que deve ser escondido ou segurado a todo custo. A aversão que muitos têm sobre o choro existe porque acreditam que a ação está associada a um sinal de fraqueza. É o que explica a psicóloga Lana Ohana. “A gente cresce e escuta muito, dentro da nossa criação, que o choro é ligado a uma questão infantil, e acaba que nos tornamos adultos atravessados por esses estigmas”.
     O choro é uma resposta emocional que pode ser desencadeada por uma variedade de estímulos e situações. Camila Castro, psicóloga especialista em Neuropsicologia e Terapia Cognitivo-Comportamental, explica que chorar é considerado uma forma crucial de expressão emocional que serve a diversos propósitos adaptativos.
    A terapeuta comenta que existem diversas teorias que buscam explicar o motivo de sentirmos vontade de chorar. Uma das mais conhecidas é porque o choro atua como um mecanismo de alívio emocional. “O ato de chorar pode reduzir os níveis de estresse e ansiedade, contribuindo para a restauração do equilíbrio emocional. O choro pode diminuir os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, no corpo”, explica a especialista.
   Contrariando os estigmas de que chorar seria algo negativo, existem diversos benefícios em expressar as emoções pelo choro. Segundo Camila, nossas emoções são experiências complexas que envolvem diferentes níveis de ativação e sensações de prazer e desprazer. É preciso saber como entrar em contato com elas, e o choro é uma resposta a esse contato. “O choro é uma das formas mais poderosas de expressar essas emoções, proporcionando uma liberação emocional essencial. Por exemplo, o ato de chorar permite que liberemos emoções acumuladas, especialmente aquelas relacionadas à tristeza, à frustração ou à dor”, exemplifica a psicóloga.
    Além disso, Camila explica que expressar nossas emoções pelo choro também pode promover a conexão interpessoal, pois demonstra vulnerabilidade e abre espaço para o apoio e compreensão dos outros. “É uma forma de comunicação não verbal que pode promover a empatia e fortalecer os laços emocionais entre as pessoas”, esclarece a especialista.
   Quando as pessoas são ensinadas a reprimir suas emoções, especialmente através do choro, correm o risco de internalizar essa supressão. A psicóloga explica que isso pode resultar em uma incapacidade de lidar com as emoções, contribuindo para o desenvolvimento de condições como ansiedade, depressão e estresse crônico. “A crença de que chorar é um sinal de fraqueza pode levar as pessoas a se sentirem isoladas em suas emoções, evitando buscar apoio emocional ou compartilhar suas preocupações com os outros”, esclarece. Isso pode aumentar o risco de isolamento social e emocional, prejudicando a saúde mental e o bem-estar geral.
   Além disso, a supressão de chorar pode dificultar a construção de relacionamentos íntimos e saudáveis. Segundo a psicóloga, a comunicação emocional desempenha um papel crucial no estabelecimento de conexões significativas com os outros, e a falta dela pode prejudicar a qualidade dos relacionamentos interpessoais. [...]

Disponível em: https://vidasimples.co/emocoes/chorar-nao-e-ruim. Acesso em: 28 set. 2024. Adaptado.
Analise os itens a seguir, tendo em vista os recursos de argumentação que foram empregados no texto.

I- Citação direta.
II- Citação indireta.
III- Exemplificação.
IV- Interrogação.
V- Oposição.

Estão CORRETAS as afirmativas
Alternativas
Q3127698 Português
Analise o texto abaixo para responder a questão.

Focar numa pegada com resiliência (Ruy Castro)

Mas só se você 'subir o sarrafo', for 'assertivo' e tiver uma visão 'imersiva' da coisa 

    Já reparou que, a todo momento, lê-se ou se escuta que alguém "bateu o martelo"? Um desavisado achará que, pela quantidade de gente que "bate o martelo", vivemos sob uma sinfonia de marteladas. Mas é claro que, ao "bater o martelo", o sujeito apenas se decidiu por isto ou aquilo. É um martelo simbólico. E quando se diz que fulano "apostou todas as suas fichas" em alguma coisa? Significa somente que o cidadão botou suas esperanças nessa alguma coisa. Não é como no tempo dos cassinos, em que se garantia que eles tinham uma sala dos suicidas, um lugar discreto onde o jogador que perdera de verdade suas últimas fichas podia dar um tiro no ouvido sem ser incomodado. "Apostar as fichas" sem meter a mão no bolso é mole.
    E "subir o sarrafo"? Até há pouco, usava-se "baixar o sarrafo" — ou seja, dar uma surra em alguém. O sarrafo podia ser um porrete, uma vara, um relho, quem sabe até uma cadeira. Hoje, ao contrário, o normal é "subir o sarrafo", ou seja, estabelecer uma meta mais difícil do que a que se vinha praticando. O curioso é que, quando se "sobe o sarrafo" numa prova de salto em altura, e o atleta não consegue saltá-lo, o sarrafo cai lá de cima e ninguém diz que ele "baixou o sarrafo". [...]

(Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2024/10/focarnuma-pegada-com-resiliencia.shtml. Acesso em 09/10/2024)

A respeito das perguntas presentes no texto, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3127691 Português
Analise o texto abaixo para responder a questão.

Focar numa pegada com resiliência (Ruy Castro)

Mas só se você 'subir o sarrafo', for 'assertivo' e tiver uma visão 'imersiva' da coisa 

    Já reparou que, a todo momento, lê-se ou se escuta que alguém "bateu o martelo"? Um desavisado achará que, pela quantidade de gente que "bate o martelo", vivemos sob uma sinfonia de marteladas. Mas é claro que, ao "bater o martelo", o sujeito apenas se decidiu por isto ou aquilo. É um martelo simbólico. E quando se diz que fulano "apostou todas as suas fichas" em alguma coisa? Significa somente que o cidadão botou suas esperanças nessa alguma coisa. Não é como no tempo dos cassinos, em que se garantia que eles tinham uma sala dos suicidas, um lugar discreto onde o jogador que perdera de verdade suas últimas fichas podia dar um tiro no ouvido sem ser incomodado. "Apostar as fichas" sem meter a mão no bolso é mole.
    E "subir o sarrafo"? Até há pouco, usava-se "baixar o sarrafo" — ou seja, dar uma surra em alguém. O sarrafo podia ser um porrete, uma vara, um relho, quem sabe até uma cadeira. Hoje, ao contrário, o normal é "subir o sarrafo", ou seja, estabelecer uma meta mais difícil do que a que se vinha praticando. O curioso é que, quando se "sobe o sarrafo" numa prova de salto em altura, e o atleta não consegue saltá-lo, o sarrafo cai lá de cima e ninguém diz que ele "baixou o sarrafo". [...]

(Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2024/10/focarnuma-pegada-com-resiliencia.shtml. Acesso em 09/10/2024)

Assinale a alternativa que apresenta como o vocábulo “resiliência”, presente no título, deve ser entendido.
Alternativas
Q3127689 Português
Analise o texto abaixo para responder a questão.

Focar numa pegada com resiliência (Ruy Castro)

Mas só se você 'subir o sarrafo', for 'assertivo' e tiver uma visão 'imersiva' da coisa 

    Já reparou que, a todo momento, lê-se ou se escuta que alguém "bateu o martelo"? Um desavisado achará que, pela quantidade de gente que "bate o martelo", vivemos sob uma sinfonia de marteladas. Mas é claro que, ao "bater o martelo", o sujeito apenas se decidiu por isto ou aquilo. É um martelo simbólico. E quando se diz que fulano "apostou todas as suas fichas" em alguma coisa? Significa somente que o cidadão botou suas esperanças nessa alguma coisa. Não é como no tempo dos cassinos, em que se garantia que eles tinham uma sala dos suicidas, um lugar discreto onde o jogador que perdera de verdade suas últimas fichas podia dar um tiro no ouvido sem ser incomodado. "Apostar as fichas" sem meter a mão no bolso é mole.
    E "subir o sarrafo"? Até há pouco, usava-se "baixar o sarrafo" — ou seja, dar uma surra em alguém. O sarrafo podia ser um porrete, uma vara, um relho, quem sabe até uma cadeira. Hoje, ao contrário, o normal é "subir o sarrafo", ou seja, estabelecer uma meta mais difícil do que a que se vinha praticando. O curioso é que, quando se "sobe o sarrafo" numa prova de salto em altura, e o atleta não consegue saltá-lo, o sarrafo cai lá de cima e ninguém diz que ele "baixou o sarrafo". [...]

(Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2024/10/focarnuma-pegada-com-resiliencia.shtml. Acesso em 09/10/2024)

No texto, o autor apresenta uma série de expressões da atualidade que estão relacionadas a:
Alternativas
Q3127585 Português

INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder a questão.


Texto 03


Profecia autorrealizável: os pensamentos realmente têm poder?


    Você acorda e pensa: “meu dia não será bom”. Aí, em um efeito dominó, você vê essa intuição se materializar ao seu redor: uma sequência de acontecimentos negativos, um seguido do outro, fazem seu dia ser péssimo.

    Ao dormir, com o humor péssimo, você enfim conclui: “eu sabia que o dia seria ruim!”. Será que foi acaso, intuição ou lei da atração? Boa parte da resposta está na profecia autorrealizável.

    A ideia de que os pensamentos têm poder não é nova e intriga a ciência há tempos. Afinal, o quanto da realidade é construída pelos nossos pensamentos? [...]

    A neurociência apoia essa noção de que os pensamentos podem ter um impacto direto na realidade, ou seja, há confirmação científica de que a profecia autorrealizável é algo real.

  Segundo Daniel Kahneman, psicólogo vencedor do Prêmio Nobel, nosso cérebro é regido por sistemas de pensamento automático e racional. Quando pensamentos negativos surgem, eles ativam respostas automáticas que podem reforçar crenças iniciais, mesmo que sejam apenas ilusões.

  A prática repetitiva de certos pensamentos também cria e fortalece trilhas neurais, como se construíssemos uma estrada mental.

    Se você sempre pensa que algo vai dar errado, seu cérebro se torna eficiente em antecipar o pior e, como resultado, isso influencia seu julgamento, sua percepção, suas escolhas e ações.


Disponível em: https://vidasimples.co/colunista/profecia-autorrealizavel-os-pensamentos-realmente-tem-poder/. Acesso em: 16 nov. 2024.

Qual a ideia central do texto?  
Alternativas
Q3127582 Português

INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir e responda a questão.

Texto 02


    Por que o cabelo fica branco quando a gente envelhece?


    Depois das rugas, os cabelos brancos são um dos primeiros aspectos físicos que chegam com o amadurecimento do corpo humano. Não é de uma hora para outra: ao longo de meses – e até anos – o cabelo vai ficando cada vez mais grisalho.

  Na mesma proporção, vão aumentando as pressões estéticas baseadas em uma cultura majoritariamente etarista, ou seja, que tem preconceito contra pessoas mais velhas. O que leva muita gente – principalmente as mulheres, mais pressionadas nessa busca pelo padrão estético – a recorrer a tinturas e colorantes para os fios.

    O gradual embranquecimento dos fios de cabelo, porém, não é o único que acontece com a chegada da idade. Nossos cabelos também perdem espessura e diminuem de tamanho, devido ao encurtamento das fases de produção e do crescimento dos fios.

    Em geral, os fios do corpo humano perdem naturalmente a sua pigmentação em torno dos 35 anos de idade, devido ao fator do envelhecimento difuso do organismo. [...]


Disponível em: https://vidasimples.co/longevidade/por-que-o-cabelo-fica-branco-quando-a-gente-envelhece/. Acesso em: 16 nov. 2024.

Considerando o texto 2, assinale a alternativa CORRETA.  
Alternativas
Q3127581 Português

INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir e responda a questão.

Texto 02


    Por que o cabelo fica branco quando a gente envelhece?


    Depois das rugas, os cabelos brancos são um dos primeiros aspectos físicos que chegam com o amadurecimento do corpo humano. Não é de uma hora para outra: ao longo de meses – e até anos – o cabelo vai ficando cada vez mais grisalho.

  Na mesma proporção, vão aumentando as pressões estéticas baseadas em uma cultura majoritariamente etarista, ou seja, que tem preconceito contra pessoas mais velhas. O que leva muita gente – principalmente as mulheres, mais pressionadas nessa busca pelo padrão estético – a recorrer a tinturas e colorantes para os fios.

    O gradual embranquecimento dos fios de cabelo, porém, não é o único que acontece com a chegada da idade. Nossos cabelos também perdem espessura e diminuem de tamanho, devido ao encurtamento das fases de produção e do crescimento dos fios.

    Em geral, os fios do corpo humano perdem naturalmente a sua pigmentação em torno dos 35 anos de idade, devido ao fator do envelhecimento difuso do organismo. [...]


Disponível em: https://vidasimples.co/longevidade/por-que-o-cabelo-fica-branco-quando-a-gente-envelhece/. Acesso em: 16 nov. 2024.

O texto 2 trata de um assunto muito discutido no Brasil, na atualidade. Que assunto é esse?  
Alternativas
Q3126848 Português
MARACUJÁ CONTRA O SOL

Revista Pesquisa FAPESP outubro 2024



Vendido em feiras livres do interior da Bahia e de Goiás, com polpa amarelada, ácida e teores altos de vitamina C, o maracujá-do-mato (Passiflora cincinnata), típico da Caatinga e do Cerrado, pode ganhar novas aplicações. Nove compostos químicos chamados flavonoides, extraídos das folhas, apresentaram efeito antioxidante e fotoprotetor, barrando os raios ultravioleta do Sol, in vitro, em um estudo que reuniu pesquisadores das universidades de São Paulo (USP), Federal do Vale do São Francisco (Univasf), do Porto, de Portugal, e Paris Cité, da França. Também in vitro, o extrato de folhas aumentou a eficácia de formulações comerciais, indicando que poderia ser usado como adjuvante para reduzir a quantidade de compostos sintéticos dos filtros solares e o risco de reações alérgicas. As folhas e frutos do também chamado maracujá-da-caatinga são usados para tratar insônia, ansiedade, hipertensão e inflamação. Na região Nordeste, a polpa é usada na produção de sucos, doces e cerveja, sendo as folhas descartadas. As flores são ornamentais, geralmente roxo-escuro, mas também rosa, lilás e branca (Chemistry and Biodiversity, agosto).


Retirado e adaptado de:
https://revistapesquisa.fapesp.br/pedaladascontra-o-parkinson/. Acesso em 01 nov 2024.
Considerando a estrutura e o conteúdo do texto apresentado, assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q3126089 Português
Quanto à compreensão e a leitura de textos e imagens, com linguagem verbal e não-verbal, linguagem conotativa e denotativa, quanto ao uso da língua na produção escrita, pode-se dizer que a alternativa correta é:
“Bondade demais te gera utilidade, não valor” (motivamentesofc) Imagem associada para resolução da questão
Sabe por que as pessoas não reconhecem o que você faz por elas? Porque, no início, o gesto gera gratidão. Na primeira vez, você é visto como alguém generoso. Na segunda, a gratidão transforma-se em antecipação – agora, a pessoa já espera o que você oferece. Na terceira vez, nasce a expectativa: ela passa a contar com aquilo. Na quarta, o que era gesto passa a ser visto como um direito; a pessoa sente que merece o que você oferece. Na quinta vez, você cria um vício: essa pessoa não consegue mais imaginar sua vida sem o que você dá, e já se sente mimada. Na sexta vez, quando percebe a falta de reciprocidade e decide parar, o que você recebe em troca é ressentimento. A pessoa, acostumada ao que recebia, agora se sente injustiçada e até pode começar a odiar-te por ter negado o que ela acreditava merecer. Por isso, é fundamental reconhecer o limite do dar. Porque o outro não tem limites para receber. Mario Venuti 
Alternativas
Q3125603 Português
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere.

Texto 01


Qual a importância do abraço?

Mariana Chagas


    Em momentos de tristeza, o abraço nos acalma e conforta. Nos dias mais felizes, vem como uma forma de celebração. E, quando nos sentimos sozinhos, é ele que nos mostra que não estamos. O abraço é um gesto universal.

    Abraçamos porque faz bem. Seja um abraço de mãe, quando precisamos daquele colo, ou um abraço animado, entre amizades que não se veem há muito tempo. Existe algo que nos puxa para esse ato, e nos faz sentir vontade de envolver os braços em alguém e se deixar ser envolvido. Afinal, um abraço bem dado mexe com as emoções, chacoalha a química do cérebro e abre espaço para que o corpo sinta os seus efeitos. [...] 

    Apesar dos diversos benefícios, vale ressaltar que abraçar é bom, mas somente quando é da vontade de todos os envolvidos no abraço. Por conta disso, é bom ter certeza de que a pessoa confia em nós, e quer receber o abraço. Uma vez liberado, é só aproveitar dos diversos benefícios. Afinal, seja em momentos de alegria ou de tristeza, não há como negar: abraçar é gostoso, e faz muito bem.


Disponível em: https://vidasimples.co/emocoes/qual-a-importancia-do-abraco. Acesso em: 10 nov. 2024. Adaptado.
Assinale a alternativa que está em desacordo com o texto, tendo em vista os sentimentos que motivam as pessoas a se abraçarem.
Alternativas
Q3125036 Português

SÃO PAULO TEVE O PIOR AR DO MUNDO POR CINCO DIAS

Revista Pesquisa FAPESP

setembro 2024



Entre 120 metrópoles do globo, São Paulo figurou como a grande cidade com a pior qualidade do ar por cinco dias consecutivos, entre 9 e 13 de setembro, segundo ranking feito pelo site suíço IQAir. No período, a maior cidade brasileira passou por dias extremamente secos, com o céu tomado por fumaça proveniente de queimadas em diferentes partes do país, como Amazônia e Pantanal, além de incêndios no próprio território paulista. A qualidade do ar foi considerada como não saudável em vários momentos desses dias e ultrapassou os 150 pontos de uma escala adotada pelo IQAir. O site atualiza a classificação praticamente em tempo real – geralmente a cada hora – da qualidade média do ar das cidades monitoradas. Isso é feito a partir de uma média das informações fornecidas por estações de medição da poluição atmosférica instaladas nesses centros urbanos. O poluente usado como referência para fazer o ranking são as partículas finas inaláveis de até 2,5 micrômetros (MP2,5), que podem ficar em suspensão por muito tempo, serem absorvidas pelo organismo humano e causar problemas de saúde. Elas são provenientes da queima de combustíveis fósseis, de incêndios florestais e da combustão de vegetação. O ranking é mantido por uma empresa que produz equipamentos para tratamento do ar (IQAir) em parceria com organizações não governamentais, como o grupo ambientalista Greenpeace, e os programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para Assentamentos Humanos (ONU-Habitat).


Retirado e adaptado de: https://revistapesquisa.fapesp.br/risco-decolesterol-alto-em-jovens/. Acesso em 10 nov 2024.

Considerando a estrutura e o conteúdo do texto apresentado, assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q3123981 Português
Leia o texto:
É melhor você ter uma mulher engraçada do que linda, que sempre te acompanha nas festas, adora uma cerveja, gosta de futebol, prefere andar de chinelo e vestidinho, ou então calça jeans desbotada e camiseta básica, faz academia quando dá, come carne, é simpática, não liga pra grana, só quer uma vida tranquila e saudável, é desencanada e adora dar risada.
Do que ter uma mulher perfeitinha, que não curte nada, se veste feito um manequim de vitrine, nunca toma porre e só sabe contar até quinze, que é até onde chega a sequência de bíceps e tríceps.
Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa.
Pode ter uns quilinhos a mais, mas é uma ótima companheira. Pode até ser meio mal-educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas e daí?
Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução. Mas ainda não criaram um remédio pra FUTILIDADE!
Arnaldo Jabor.

Marque a alternativa correta quanto aos assuntos abordados no texto.
Alternativas
Q3123980 Português
Pode-se depreender dos fragmentos abaixo várias questões sociais que foram e são levadas ao conhecimento público através da literatura. Leia e marque a alternativa correta de acordo com os comentários.
Texto 1 “Já vê sobrinho que não é por mim que lhe recusei Ana Rosa, sua prima, mas é por tudo! A família de minha mulher sempre foi escrupulosa a esse respeito, e como ela é toda a sociedade do Maranhão! Concordo que seja uma asneira; concordo que seja um prejuízo tolo! O senhor, porém, não imagina o que é por cá a prevenção contra os mulatos!...Nunca me perdoariam um tal casamento; além do que, para realizá-lo, teria que quebrar a promessa que fiz a minha sogra, de não dar a neta senão a um branco de lei, português ou descendente direto de portugueses!...O senhor é um moço muito digno, muito merecedor de consideração, mas...foi forro à pia batismal, e aqui ninguém o ignora.” O Mulato – Aluísio de Azevedo;

Texto 2 “Aurélia passava agora as noites solitárias. Raras vezes aparecia Fernando, que arranjava uma desculpa para justificar sua ausência. A menina...não contestava esses fúteis inventos. [...]
Pensava que ela não tinha nenhum direito a ser amada por Seixas; pois a afeição que lhe tivesse, muita ou pouca, era graça que dele recebia. Quando se lembrava que esse amor a poupara à degradação de um casamento de conveniência, nome com que se decora o mercado matrimonial, tinha impulsos de adorar a Seixas, como seu Deus e redentor. Parecerá estranha essa paixão veemente, rica de heroica dedicação, que assiste calma, quase impassível, ao declínio do afeto com que lhe retribuía o homem amado, e se deixa abandonar, sem proferir um queixume, nem fazer um esforço para reter a ventura que foge.
Esse fenômeno devia ter uma razão psicológica, de cuja investigação nos abstemos; porque o coração, e ainda mais o de uma mulher que é toda ela, representava o caos do mundo moral.
Ninguém sabe que maravilhas ou que monstros vão surgir desses limbos. Suspeito eu, porém, que a explicação dessa singularidade já ficou assinalada. Aurélia amava mais seu amor do que seu amante; era mais poeta do que mulher; preferia o ideal ao homem. Senhora, de José de Alencar; 

Texto 3 “-Esta obrigação de casar as mulheres é o diabo!...Se não tomam estado, ficam jururus e fanadinhas...; se casam podem cair nas mãos de algum marido malvado...E depois, as histórias!...Ih, meu Deus, mulheres numa casa, é coisa de meter medo... São redomas de vidro que tudo pode quebrar...Enfim, minha filha, enquanto solteira, honrou o nome de meus pais...O Manecão que se aguente, quando a tiver por sua...Com gente de saia não há que fiar... Cruz! Botam famílias inteira a perder; enquanto o demo esfrega o olho.
Esta opinião injuriosa sobre as mulheres é, em geral, corrente nos sertões e traz como consequência imediata e prática, além da rigorosa clausura em que são mantidas, não só o casamento convencionado entre parentes muito chegados para filhos de menor idade, mas sobretudo os numerosos crimes cometidos, mal se suspeite possibilidade de qualquer intriga amorosa entre pessoa da família e algum estranho.” Inocência, de Visconde de Taunay;

Texto 4 “Esse bando que vive da rapina se compõe, pelo que se sabe, de um número superior a 100 crianças das mais diversas idades, indo desde os 8 aos 16 anos. Crianças que, naturalmente devido ao desprezo dado à sua educação por pais pouco servidos de sentimentos cristãos, se entregaram no verdor dos anos a uma vida criminosa. São chamados de “Capitães da Areia” porque o cais é o seu quartel-general. E têm por comandante uma mascote dos seus 14 anos, que é o mais terrível de todos, não só ladrão, como já autor de um crime de ferimentos graves, praticado na tarde de ontem. Infelizmente a Identidade deste chefe é desconhecida.
O que se faz necessário é unia urgente providência da polícia e do juizado de menores no sentido da extinção desse bando e para que recolham esses precoces criminosos, que já não deixam a cidade dormir em paz o seu sono tão merecido, aos Institutos de reforma de crianças ou às prisões. Passemos agora a relatar o assalto de ontem, do qual foi vítima um honrado comerciante da nossa praça, que teve sua residência furtada em mais de um conto de réis e um seu empregado ferido pelo desalmado chefe dessa malta de jovens bandidos.
[...]
Carta do Padre Jose Pedro à Redação do jornal da Tarde
Sr. Redator do Jornal da Tarde.
Saudações em Cristo.

Tendo lido, no vosso conceituado jornal, a carta de Maria Ricardina que apelava para mim como pessoa que podia esclarecer o que é a vida das crianças recolhidas ao reformatório de menores, sou obrigado a sair da obscuridade em que vivo para vir vos dizer que infelizmente Maria Ricardina tem razão. As crianças no aludido reformatório são tratadas como feras, essa é a verdade. Esqueceram a lição do suave Mestre, sr. Redator, e em vez de conquistarem as crianças com bons tratos, fazem-nas mais revoltadas ainda com espancamentos seguidos e castigos físicos verdadeiramente desumanos. Eu tenho ido lá levar às crianças o consolo da religião e as encontro pouco dispostas a aceitá-lo devido naturalmente ao ódio que estão acumulando naqueles jovens corações tão dignos de piedade. O que tenho visto, sr. Redator, daria um volume.
Muito grato pela atenção.
Servo em Cristo,
Padre José Pedro
(Carta publicada na terceira página do Jornal da Tarde, sob o título Será Verdade? e sem comentários.) Capitães de Areia, Jorge Amado.
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Q3123758 Português

O que pode ser feito no DF para enfrentar a crise climática?
As condições climáticas estão cada vez mais adversas, e a nossa rotina precisa mudar. Além dessa quantidade de dias sem chuva, o clima do DF é extremamente seco, com variações de temperatura muito grandes. Não tem organismo que dê conta dessas variações, fisiologicamente falando. Isso tem um impacto, especialmente, para idosos, para crianças e pessoas que têm alguma comorbidade associada. Então, é fundamental se atentar à melhoria da qualidade de vida dessas pessoas. Ingestão de água em quantidade maior; espaços onde você dorme, evitando aqueles que estejam abafados e com poeira, optar por locais ventilados; deixar toalha na beira da cama; evitar exposição à alta temperatura, onde o ar é mais seco. O uso de máscara é recomendado para não inalar fuligem e fumaça. São medidas muito simples, que irão melhorar, de maneira considerável, a qualidade de vida. Sobre a população vulnerável, é a que está próxima da área com o maior número de queimadas. O fogo chega muito perto da casa dessas pessoas, a qualidade de vida delas com essas intempéries fica precária e vão adoecer mais. (...) Políticas públicas específicas para essa população têm que ser para ontem.
https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2024/10/6956894 



Conforme o texto , o comentário correto é:

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Q3123757 Português
De acordo com o texto a seguir, marque a alternativa correta quanto aos comentários.
O que pode ser feito no DF para enfrentar a crise climática?
As condições climáticas estão cada vez mais adversas, e a nossa rotina precisa mudar. Além dessa quantidade de dias sem chuva, o clima do DF é extremamente seco, com variações de temperatura muito grandes. Não tem organismo que dê conta dessas variações, fisiologicamente falando. Isso tem um impacto, especialmente, para idosos, para crianças e pessoas que têm alguma comorbidade associada. Então, é fundamental se atentar à melhoria da qualidade de vida dessas pessoas. Ingestão de água em quantidade maior; espaços onde você dorme, evitando aqueles que estejam abafados e com poeira, optar por locais ventilados; deixar toalha na beira da cama; evitar exposição à alta temperatura, onde o ar é mais seco. O uso de máscara é recomendado para não inalar fuligem e fumaça. São medidas muito simples, que irão melhorar, de maneira considerável, a qualidade de vida. Sobre a população vulnerável, é a que está próxima da área com o maior número de queimadas. O fogo chega muito perto da casa dessas pessoas, a qualidade de vida delas com essas intempéries fica precária e vão adoecer mais. (...) Políticas públicas específicas para essa população têm que ser para ontem.
https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2024/10/6956894 
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Q3123716 Português
Leia a crônica de Carlos Drummond de Andrade – ANTIGAMENTE.
         Antigamente as moças chamavam-se “mademoiselles” e eram todas mimosas e muito prendadas. Não faziam anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo não sendo rapagões, faziam-lhe pé-de-alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do balaio. E se levavam tábua, o remédio era tirar o cavalo da chuva e ir pregar em outra freguesia.
         As pessoas, quando corriam, antigamente, era para tirar o pai da forca, e não caíam de cavalo magro. Algumas jogavam verde para colher maduro, e sabiam com quantos paus se faz uma canoa. O que não impedia que, nesse entremente, esse ou aquele embarcasse em canoa furada. Encontravam alguém que lhes passava a manta e azulava, dando às de Vila-Diogo.                   Os mais idosos, depois da janta, faziam o quilo, saindo para tomar a fresca; e também tomavam cautela de não apanhar o sereno. Os mais jovens, esses iam ao animatógrafo, chupando balas de alteia. Ou sonhavam em andar de aeroplano. Estes, de pouco siso, se metiam em camisa de onze varas e até em calças pardas; não admira que dessem com os burros n’água.
       Havia os que tomavam chá em criança e, ao visitarem uma família da maior consideração, sabiam cuspir na escarradeira. Se mandavam seus respeitos a alguém, o portador garantia-lhes: “Farei presente”. Outros, ao cruzarem com um sacerdote, tiravam o chapéu, exclamando: “Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo”; ao que o cumprimentado respondia: “Para sempre seja louvado”. E os eruditos, se alguém espirrava – sinal de defluxo – eram impelidos a exortar: “Dominus tecum”.
         Embora sem saber da missa a metade, os presunçosos queriam ensinar padre-nosso ao vigário, e com isso punham a mão em cumbuca. Era natural que com eles se perdesse a tramontana. A pessoa cheia de melindres ficava sentida com a desfeita que lhe faziam quando, por exemplo, insinuavam que seu filho era artioso. É verdade que às vezes os meninos eram encapetados, e chegavam a pitar escondido atrás da igreja. As meninas não: verdadeiros cromos, umas teteias.
         Antigamente, certos tipos faziam negócios e ficavam a ver navios; outros eram pegados com a boca na botija, contavam tudo tintim-por-tintim e iam comer o pão que o diabo amassou, lá onde Judas perdeu as botas.
        Uns raros amarravam cachorros com linguiça. E alguns ouviam cantar o galo, mas não sabiam onde. As famílias faziam sortimento na venda, tinham conta no carniceiro e arrematavam qualquer quitanda que passasse à porta, desde que o moleque do tabuleiro, quase sempre um “cabrito”, não tivesse catinga. Acolhiam com satisfação a visita do cometa, que, andando por ceca e meca, traziam as novidades “de baixo”, ou seja, do Rio de Janeiro. Ele vinha dar uma prosa e deixar presente ao dono da casa um canivete roscofe. As donzelas punham carmim e chegavam à sacada para vê-lo apear do macho faceiro. Infelizmente, alguns eram mais que velhacos: eram grandessíssimos tratantes.
         Acontecia o indivíduo apanhar uma constipação; ficando perrengue, mandava um próprio chamar o doutor e, depois, ia à botica para aviar a receita, de cápsulas ou pílulas fedorentas. Doença nefasta era a phtysica.
         Antigamente os sobrados tinham assombrações; os meninos, lombrigas; asthma, os gatos; os homens portavam ceroulas, botinas e capa de goma; a casimira tinha de ser superior e mesmo X.P.T.O. London; não havia fotógrafos, mas retratistas e os cristãos não morriam: descansavam. Mas tudo isso era antigamente, isto é, outrora.
(Carlos Drummond de Andrade, Quadrante, 14ª Edição, Rio de Janeiro, Editora do Autor, 1966)
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Q3123715 Português
Leia o texto e marque a opção correta quanto ao texto.
MULHERES MADURAS Fabrício Carpinejar
Na adolescência ou na juventude, você se apaixona por uma pessoa. É uma paixão personalizada: quer alguém para fazer parte de sua rotina, para estar com você, próximo de você. Existe ciúme, possessividade, insegurança, medo de ser abandonado.
Na velhice, e só na velhice, você se apaixona por um estilo de vida. O patamar é outro: você anseia por existências surpreendentes.
É o que acontece frequentemente com as mulheres maduras. Os homens mais velhos ainda não lidam bem com a solidão e acabam se tornando mais dependentes e mais carrapatos. Têm horror ao vazio. Ficam mendigando uma reconciliação às ex-esposas quando são deixados pelos seus romances meteóricos com parceiras que têm a metade das suas idades. Buscam tardiamente corrimões nas alianças antigas para ficar novamente de pé.
Por sua vez, as mulheres maduras alcançam um extremo de sabedoria. Escolarizadas pelo espírito aventureiro, elas se desapegam da noção material e avarenta da presença.
Não é por acaso que apresentam uma longevidade maior do que a dos homens. Não se prendem à simbiose nem se subjugam a uma convivência.
Já estão num ponto das trajetórias em que não é qualquer fato que despertará a sua atenção. Viveram muito e já não se assustam com dores ou tragédias.
Sequer temem a solteirice. Idolatram a independência. Namoram, mas não casam. Não abrem mão da casa separada, de cada um com a sua família, dos horários a sós.
Apaixonam-se por obras de escritores, de músicos, de cineastas, por pensamentos, por teorias, por visões de mundo, como se fossem amores carnais. São capazes de sentir os mesmos arrepios e suspiros.
Matriculam-se em cursos e oficinas, escrevem livros, mudam de carreira.
Os prazeres não se restringem a estar acompanhadas. Antes povoam a alma com a sua própria companhia, vivenciando novas culturas e hábitos para aperfeiçoar a personalidade.
Exploram a ciência da sensibilidade. Pretendem viajar, sair, conversar, beber, gastar seu tempo ouvindo biografias interessantes e exóticas. Quanto mais fora da caixa, melhor o interlocutor.
Depois de fazer tudo pelos maridos, filhos e netos, cansaram-se das sombras, das desculpas, do futuro postergado.
Preferem as amizades aos relacionamentos amorosos, a lealdade à fidelidade.
São compreensivas com os erros humanos, com os percalços e, principalmente, com as suas dúvidas. A curiosidade é o motor das suas esperanças.
Não são reféns da jovialidade, da cultura da aparência. 
Encontraram algo superior no caminho: a vitalidade do autoconhecimento.
Descobriram que o coração não tem rugas. Que podem amar ideias, não somente pessoas.
Minha coluna no jornal Zero Hora, GZH, última página, Porto Alegre (RS), 5/10/2022
Alternativas
Q3123713 Português
Leia o texto abaixo e marque a alternativa correta conforme os comentários.
Nutricionista Marina Gusmão
Chamar alguém de plus size é mais "aceitável" do que chamar alguém de gorda, ou seja, o termo plus size se tornou um eufemismo para a palavra gorda. Mas por que precisamos de um termo mais “brando” para o adjetivo gorda? Por que tem que ter um nome específico para tamanhos maiores? Por que não existe um termo antagonista ao plus size, um “less size”? Por que o termo gord@ é ofensivo, mas o termo magr@ é elogio?
A palavra plus size não deveria servir como um “escudo”, porque a palavra gorda não é ofensiva. Pelo menos não deveria ter essa conotação. O número da balança não determina absolutamente nada sobre o seu caráter, os seus valores e a sua essência. Porém a mídia, por estar o tempo todo repetindo a mensagem de que gordura é sinônimo de fracasso, infelicidade, doença, e que o seu valor é determinado pelo número da balança, nós acreditamos que isso é um fato. É aquela história de água mole, pedra dura. Nós aceitamos que a frase “gorda é xingamento” sem questionar o porquê disso. Gordo não é um xingamento. Gordo é apenas uma característica física de uma pessoa, assim como alto/baixo. E como alto/baixo significa apenas DIFERENTE DE e não PIOR ou MELHOR QUE, a palavra gorda também deveria ter uma carga neutra. Particularmente, eu prefiro a palavra gorda, por ser mais honesta e menos preconceituosa.
@nutriricardodurante, em https://www.facebook.com/photo/?fbid=1935929506542&set=a.758961 699571668&_tn_=,0#f
Alternativas
Respostas
4181: C
4182: E
4183: E
4184: D
4185: D
4186: C
4187: D
4188: A
4189: B
4190: B
4191: C
4192: E
4193: B
4194: B
4195: D
4196: E
4197: D
4198: C
4199: E
4200: D