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Questões de Concurso Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 36.990 questões

Ano: 2024 Banca: FGV Órgão: PC-MG Prova: FGV - 2024 - PC-MG - Investigador de Polícia I |
Q3171616 Português
Observe o seguinte ato comunicativo:
O gerente da loja pegou o cartaz feito pela empresa de publicidade contratada e o colocou na entrada da loja.
A promessa de preços mais baixos deveria atrair clientes, promessa essa ajudada pelas belas imagens das camisas.
Sobre esse ato, assinale a afirmativa inadequada.
Alternativas
Ano: 2024 Banca: FGV Órgão: PC-MG Prova: FGV - 2024 - PC-MG - Investigador de Polícia I |
Q3171610 Português
Analise o cartaz a seguir.
Imagem associada para resolução da questão

Sobre o cartaz acima, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q3171085 Português

Leia a tirinha a seguir.


Imagem associada para resolução da questão




LAERTE. Piratas do Tietê. Folha de São Paulo, 01 de novembro de 2023.

Folha Cartum. Disponível em: 

https://f.i.uol.com.br/fotografia/2023/10/30/169871320865404e788d30e_1698713208_10x3_lg.jpg


A partir da leitura dessa tirinha, NÃO se pode inferir que:

Alternativas
Q3171084 Português

Qual é o sentido veiculado pela palavra sublinhada no texto a seguir?


Para quem busca a emoção de ver um predador perigoso de perto, jacarés são uma boa pedida: com alguma prática, eles podem ser capturados e manuseados, sobretudo os jovens. Por isso, uma proposta do turismo ecológico é a focagem noturna, na qual se usam lanternas para procurar animais. ‘Durante o dia é quase impossível capturá-los’, diz o zoólogo Washington Mendonça, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Mas os flashes das câmeras fotográficas usadas pelos turistas podem estressar os animais do arquipélago de Anavilhanas, no Amazonas. Mesmo com um tempo de interação menor do que o dos passeios, os níveis do hormônio corticosterona e do metabólito lactato apresentaram alterações. No jacaré-açu (Melanosuchus niger), o lactato aumentou 2,4 vezes com o manuseio e a corticosterona 1,7 vez durante o manuseio e 2,7 vezes com os flashes. O jacaretinga (Caiman crocodilus) não parece ser afetado. Para Mendonça, o melhor seria direcionar o turismo ao jacaretinga e evitar que os animais fossem capturados e fotografados com frequência (The Journal of Wildlife Management, 17 de agosto).”


SEM flash, por favor. Pesquisa Fapesp, dezembro de 2023. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/sem-flash-por-favor/. Acesso em: 22 dez. 2023.

Alternativas
Q3171082 Português

Leia o meme a seguir.


Imagem associada para resolução da questão


Créditos @Artes_Depressao no X(https://twitter.com/Artes_Depressao/status/688050844953112578/photo/1)


O humor do meme se origina do uso de uma estrutura ambígua. Qual das afirmativas listadas a seguir descreve adequadamente esse mecanismo no texto apresentado?

Alternativas
Q3171076 Português

Leia o texto para responder à quetão.


Um vento engraçado


Publicado em 11/12/2023 | Paulo Pestana | Crônica


Muitas vezes ele sai em silêncio, mas ainda assim o pum faz barulho. A flatulência é uma reação digestiva normal e democrática – reis e súditos soltam bufas – mas provoca a imaginação popular, quase sempre seguida de risos, desde tempos imemoriais. Porque ninguém sabe, mas, dos casos e piadas, vieram livros. O primeiro, De Flatibus, de 1582, escrito pelo médico Jean Fyens, seguido por De Peditu, do erudito alemão Gaspard Dornau, de 1628, e pelo mais escatológico de todos, de 1751, A Arte de Peidar, atribuído a Pierre-ThomasNicolas Hurtaud.


Antes que alguém levante suspeitas fedorentas, quero dizer que não sou especialista em gases. Nem nos nobres, muito menos nos plebeus. Mas, andando pelos corredores da Feira do Livro, plantada num estranho e feioso barraco na Esplanada dos Ministérios, fui atraído por um estande que expunha cordéis. E eis que, no meio daquelas miúdas e MAL / MAU impressas publicações, havia praticamente uma SEÇÃO / SESSÃO / CESSÃO dedicada aos traques: “O ABC do Peido”, “O Peido que Acabou com um Casamento”, “O Que o Peido pode Fazer”, “O Prazer que o Peido Dá”, “Antologia do Peido”, “As Consequência do Peido”, “O Que o Peido Pode Fazer”, e muitos outros títulos, de diversos autores e procedências. Fico pensando que tipo de inspiração bate na cabeça dos cordelistas para caprichar nas rimas e nos casos, mas certamente o público quer saber mais sobre o fute. Por quê? Qual a graça de uma ventosidade, barulhenta ou não, que cheira MAL / MAU e causa desconforto em quem produz e em quem recebe?


Há algum tempo, o cronista Danilo Gomes me enviou um exemplar de A Arte de Peidar, que se apresenta assim: “Ensaio teórico-físico e metódico para o uso das pessoas constipadas, das pessoas graves e austeras, das senhoras melancólicas e de todos que insistem em permanecer escravos do preconceito”. É um opúsculo que faria sucesso se adotado para discussão na quinta série do primeiro grau; tido como clássico da literatura cômica e pseudomédica, o texto começa mostrando as diferenças entre pum e arroto – mas não explica por que um é considerado tão engraçado enquanto o outro, também difícil de segurar, é tido como falta de educação mesmo. Há também a afirmação que são 62 os tipos de sons musicais que acompanham a lufada – incluindo o plenivocal-pleno, que seria o tom mais alto. No final, o autor relaciona tipos de ventosidades que seriam agradáveis, uma sucessão escatológica que nos leva aos cordéis nordestinos que elegem o cheiroso como tema e que também costuma mostrar as diferenças.


O mistério persiste. É uma espécie universal de piada, que causa frouxos (epa!) de riso em quem solta e em quem está próximo, mas, afinal, qual é a graça?


Em 2008 tentaram acabar com a farra. Os jornais publicaram a notícia de que uma empresa da Califórnia estava lançando um filtro para neutralizar o odor da flatulência a partir de carvão ativado e que deveria ser instalado na cueca. Uma embalagem com cinco filtros custaria US$ 9,95, mais ou menos uns R$ 50,00.


Eu prefiro distância. Preferi inclusive comprar outros cordéis, com temas de menor fedentina.


PESTANA, Paulo. Um vento engraçado. Correio Braziliense, 11 de dezembro de 2023. Disponível em: https://blogs.correiobraziliense.com.br/paulopestana/umvento-engracado/. Acesso em: 17 dez. 2023. Adaptado.


Glossário:


-  escatológico: relativo a excrementos ou à excreção.

-  opúsculo: livro pequeno sobre artes.

-  fute: (brasileirismo) diabo, demônio.

Qual das palavras a seguir NÃO foi utilizada pelo cronista para se referir ao pum?
Alternativas
Q3171070 Português

Leia o texto para responder à quetão.


Um vento engraçado


Publicado em 11/12/2023 | Paulo Pestana | Crônica


Muitas vezes ele sai em silêncio, mas ainda assim o pum faz barulho. A flatulência é uma reação digestiva normal e democrática – reis e súditos soltam bufas – mas provoca a imaginação popular, quase sempre seguida de risos, desde tempos imemoriais. Porque ninguém sabe, mas, dos casos e piadas, vieram livros. O primeiro, De Flatibus, de 1582, escrito pelo médico Jean Fyens, seguido por De Peditu, do erudito alemão Gaspard Dornau, de 1628, e pelo mais escatológico de todos, de 1751, A Arte de Peidar, atribuído a Pierre-ThomasNicolas Hurtaud.


Antes que alguém levante suspeitas fedorentas, quero dizer que não sou especialista em gases. Nem nos nobres, muito menos nos plebeus. Mas, andando pelos corredores da Feira do Livro, plantada num estranho e feioso barraco na Esplanada dos Ministérios, fui atraído por um estande que expunha cordéis. E eis que, no meio daquelas miúdas e MAL / MAU impressas publicações, havia praticamente uma SEÇÃO / SESSÃO / CESSÃO dedicada aos traques: “O ABC do Peido”, “O Peido que Acabou com um Casamento”, “O Que o Peido pode Fazer”, “O Prazer que o Peido Dá”, “Antologia do Peido”, “As Consequência do Peido”, “O Que o Peido Pode Fazer”, e muitos outros títulos, de diversos autores e procedências. Fico pensando que tipo de inspiração bate na cabeça dos cordelistas para caprichar nas rimas e nos casos, mas certamente o público quer saber mais sobre o fute. Por quê? Qual a graça de uma ventosidade, barulhenta ou não, que cheira MAL / MAU e causa desconforto em quem produz e em quem recebe?


Há algum tempo, o cronista Danilo Gomes me enviou um exemplar de A Arte de Peidar, que se apresenta assim: “Ensaio teórico-físico e metódico para o uso das pessoas constipadas, das pessoas graves e austeras, das senhoras melancólicas e de todos que insistem em permanecer escravos do preconceito”. É um opúsculo que faria sucesso se adotado para discussão na quinta série do primeiro grau; tido como clássico da literatura cômica e pseudomédica, o texto começa mostrando as diferenças entre pum e arroto – mas não explica por que um é considerado tão engraçado enquanto o outro, também difícil de segurar, é tido como falta de educação mesmo. Há também a afirmação que são 62 os tipos de sons musicais que acompanham a lufada – incluindo o plenivocal-pleno, que seria o tom mais alto. No final, o autor relaciona tipos de ventosidades que seriam agradáveis, uma sucessão escatológica que nos leva aos cordéis nordestinos que elegem o cheiroso como tema e que também costuma mostrar as diferenças.


O mistério persiste. É uma espécie universal de piada, que causa frouxos (epa!) de riso em quem solta e em quem está próximo, mas, afinal, qual é a graça?


Em 2008 tentaram acabar com a farra. Os jornais publicaram a notícia de que uma empresa da Califórnia estava lançando um filtro para neutralizar o odor da flatulência a partir de carvão ativado e que deveria ser instalado na cueca. Uma embalagem com cinco filtros custaria US$ 9,95, mais ou menos uns R$ 50,00.


Eu prefiro distância. Preferi inclusive comprar outros cordéis, com temas de menor fedentina.


PESTANA, Paulo. Um vento engraçado. Correio Braziliense, 11 de dezembro de 2023. Disponível em: https://blogs.correiobraziliense.com.br/paulopestana/umvento-engracado/. Acesso em: 17 dez. 2023. Adaptado.


Glossário:


-  escatológico: relativo a excrementos ou à excreção.

-  opúsculo: livro pequeno sobre artes.

-  fute: (brasileirismo) diabo, demônio.

A crônica apresentada tem caráter argumentativo. Em qual dos trechos a seguir se pode ver uma evocação da opinião do autor sobre o tema explicitado? 
Alternativas
Q3170961 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


"A gente, de uma certa maneira, se gaba que o Brasil é o celeiro do mundo, produzimos comida para alimentar o Brasil e podemos exportar. ___________, antes, a gente precisa olhar para dentro. Ainda temos oito milhões de brasileiros passando fome. E quem coloca comida na mesa são os agricultores familiares, que detêm somente 30% das áreas, enquanto o agronegócio detêm 70% da área estratégica", pontuou.


Conforme expôs Bela, a comida produzida pelo agronegócio é exportada para virar ração, insumo base de produtos ultraprocessados. "Não converte em alimento na mesa. É muito importante que a gente enxergue não só quem está fazendo a comida, ___________ quem está produzindo a nossa comida. Então, quando a gente enxergar a importância, e der valor para os agricultores familiares, é que a gente consegue avançar, a gente consegue iluminar um caminho para realmente voltar a tirar o Brasil do mapa da fome."


(Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2024/11/09/comer-so-se-torna-um-atopolitico-quando-voce-tem-essa-escolha-diz-bela-gil. Acesso em 10 nov. 2024. Adaptado.)
O texto anterior é parte de uma entrevista dada por Bela Gil, cozinheira e pesquisadora da área de alimentação. A partir da leitura do texto, pode-se afirmar que Bela Gil defende que:
Alternativas
Q3170960 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


"A gente, de uma certa maneira, se gaba que o Brasil é o celeiro do mundo, produzimos comida para alimentar o Brasil e podemos exportar. ___________, antes, a gente precisa olhar para dentro. Ainda temos oito milhões de brasileiros passando fome. E quem coloca comida na mesa são os agricultores familiares, que detêm somente 30% das áreas, enquanto o agronegócio detêm 70% da área estratégica", pontuou.


Conforme expôs Bela, a comida produzida pelo agronegócio é exportada para virar ração, insumo base de produtos ultraprocessados. "Não converte em alimento na mesa. É muito importante que a gente enxergue não só quem está fazendo a comida, ___________ quem está produzindo a nossa comida. Então, quando a gente enxergar a importância, e der valor para os agricultores familiares, é que a gente consegue avançar, a gente consegue iluminar um caminho para realmente voltar a tirar o Brasil do mapa da fome."


(Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2024/11/09/comer-so-se-torna-um-atopolitico-quando-voce-tem-essa-escolha-diz-bela-gil. Acesso em 10 nov. 2024. Adaptado.)
Leia o texto anterior e assinale a alternativa que completa as lacunas corretamente na sequência dada:
Alternativas
Q3170955 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


O Leão e o Rato


Um leão, ________________ de tanto caçar, dormia espichado à sombra de uma boa árvore. Vieram uns ratinhos passear em cima dele e ele acordou.

Todos conseguiram fugir, menos um, que o leão prendeu _________________ da pata. Tanto o ratinho pediu e implorou que o leão desistiu de esmagá-lo e deixou que fosse embora.

Algum tempo depois, o leão ficou preso na rede de uns caçadores. Não conseguia se soltar, e fazia a floresta inteira tremer com seus _______________ de raiva.

Nisso, apareceu o ratinho. Com seus dentes afiados, roeu as cordas e soltou o leão.
O texto anterior trata-se de uma fábula e um de seus objetivos é apresentar uma moral da história contada, como se fosse um ensinamento. A partir da leitura da fábula, marque a alternativa que contenha a moral da história:
Alternativas
Q3170859 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Itamar Vieira Junior e Doramar : sobre uma épica dos excluídos


Wander Melo Miranda


A primeira impressão que se tem de Doramar ou a odisseia , de Itamar Vieira Junior, não é apenas o título inusitado e instigante, mas a de que todas as personagens, geralmente mulheres, "respiram terra, cheiram terra, são terra". A força telúrica do livro vem, pois, da simbiose perfeita entre elementos da natureza e do feminino, ligados a uma ancestralidade que o autor faz questão de afirmar na dedicatória do livro às "mulheres, maternas, ancestrais" e na epígrafe tomada de empréstimo ao poeta sírio Adonis, com a qual se identifica: "Nasci numa aldeia/ pequena, reclusa como o útero/ e ainda não saí dela".


Não se espere, por isso, uma guinada regionalista da narrativa à maneira do romance brasileiro de 1930, mesmo porque pouquíssimas vezes há localizações geográficas precisas — quase sempre feitas apenas uma só vez: Brasil, Salvador, Dakar — e nenhum apelo a vocabulário e sintaxe locais ou regionais. A aposta de Vieira Junior é outra, refinada e inovadora no contexto atual, em que o tema urbano predomina. Vale-se do problema fundiário e da questão escravocrata, que nos assolam desde que o colonizador aqui chegou, para traçar o amplo arco de desolação que acompanha historicamente os deserdados da terra, em geral afrodescendentes e indígenas, fazendo ressoar uma voz que "atroa na noite da memória".


Walter Benjamim opõe a História contínua do vencedor (branco, acrescente-se) à tradição descontínua do vencido em busca da sua própria história. Vieira Junior a transforma na narrativa meio épica, meio lírica das vicissitudes de personagens rumo à liberdade perdida na travessia do mar que traz "os nossos para morrer de maus tratos e trabalho", como diz o "nós" que narra Farol das almas e outras histórias e faz delas expressão de uma comunidade de destino. Ou então pode ser a voz solitária de Alma, no texto homônimo, escravizada que mata os senhores de engenho falidos, foge e se livra de vez da violência extrema sofrida, não sem antes enfrentar obstáculos sem fim, os quais supera com força e persistência incomuns, instigada pelo desejo do "acalanto de um lugar onde exista a liberdade".


Por sua vez, Doramar, ao sair para a rua, se depara com um "cão moribundo encolhido de morte" e se vê lançada — numa identificação inconsciente com o animal — a uma sorte de epifania às avessas das donas-de-casa de Clarice Lispector, escritora presente numa frase do texto. Mas a vez agora não é a da patroa da zona sul carioca, mas a da "empregada doméstica cansada de seu trabalho". A imagem do cão e seu desamparo, que é também o dela, desencadeia a revisita ao passado miserável que se mistura com o presente e dá à personagem — dor, amar, mar, ar: "cabe um mar inteiro em seu nome" — consciência do seu lugar subalterno na história que se conta e, enfim, a leva "ao encontro consigo mesma", num final surpreendente, como nos melhores contos clariceanos.


Como toda narrativa épica que se preza — uma épica dos excluídos, vale destacar —, peripécias, acontecimentos singulares, aventuras extraordinárias adquirem um tom fabular e encantatório que não diminui o viés participante dos textos, antes o ressalta, retomando, assim, a natureza ancestral das narrativas orais de onde parecem provir. É o caso, por exemplo, de O espírito aboni das coisas , que mistura palavras da língua jarawara com o português, para narrar o périplo de Tokowisa em busca das folhas e frutos da palmeira de abatosi para curar sua mulher Yanice, grávida. Ou então, em O que queima , onde Som-de-Pé se sente morrer com as árvores, plantas e bichos.


Apesar das dificuldades que enfrentam ou justamente por conta delas, cada uma das personagens de Vieira Junior é movida pela "vontade de ser livre", mesmo se essa vontade resulte em condenação à morte, caso do poeta preso na Ilha do Medo, líder de um movimento contra a ordem repressora e que aglutina todos aqueles que fazem "de seus caminhos uma trilha para a libertação dos outros", como está dito em A oração do carrasco . Não é outro o desejo das imigrantes de Meu mar (fé) , seja a mulher que vem de Dakar para a Bahia no contêiner de um cargueiro com um filho no ventre e na viagem perde o marido, seja a haitiana que com ela divide o trabalho de vendedora ambulante, vivendo ambas no estreito limite entre "fecundar a América" e "perecer na América".


Todas essas histórias encontram, enfim, seu desfecho ou suplemento no "manto da apresentação" de Arthur Bispo do Rosário, comovente encerramento do belo livro. A agulha que borda a palavra — do artista, do escritor, do afrodescendente — vem de "tempos imemoriais" e tece "um novo mundo para maravilhar o homem". Domada como um "cavalo arisco", ela, a palavra, pulsa viva no livro-manto que lhe devolve o fascínio original e apocalíptico ao anunciar rosianamente "o beco para a liberdade se fazer".


(In: Suplemento Pernambuco, julho de 2021. Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/literafro/resenhas/ficcao/1593-itamar-vieira-ju nior-e-doramar-sobre-uma-epica-dos-excluidos. Acesso em 11 nov. 2024. Adaptado.) 

Em "Ou então pode ser a voz solitária de Alma, no texto homônimo, escravizada que mata os senhores de engenho falidos, foge e se livra de vez da violência extrema sofrida, não sem antes enfrentar obstáculos sem fim, os quais supera com força e persistência incomuns, instigada pelo desejo do "acalanto de um lugar onde exista a liberdade", a palavra Ou articula: 
Alternativas
Q3170806 Português
Poesia e ciência


   É comum se dizer que poucas atividades criativas são tão antagônicas quanto a poesia e a ciência. Enquanto uma expressa uma visão subjetiva e emocional do mundo, a outra expressa uma visão universal e racional. Enquanto uma é produto de inspiração e lirismo, a outra o é de dedução e análise. A obra de certos poetas, no entanto, além de extremamente técnica, mostra uma profunda apreciação da visão cientifica prevalecente na época.

   Como exemplo, tenho em mente o poeta romano Lucrécio, que viveu aproximadamente entre 96 e 55 a.C. Em um mundo completamente dominado por religiões politeistas, baseadas em ritos pagãos, a voz de Lucrécio soa como uma verdadeira luz nas trevas, uma proclamação contra o medo criado pela ignorância e pela obediência cega à autoridade. O poeta convida seus leitores a olhar para o mundo e seus mistérios através da razão, argumentando que esse é o único caminho para a nossa liberação. Eis um exemplo, livremente parafraseado:

    “Quando a vida humana, arrastando-se pela Terra, era esmagada pelas crendices, um homem grego pela primeira vez alçou bravamente seus olhos mortais contra esses tormentos [...] Sua força era a mente, que ele usou para explorar a vasta imensidão do espaço, trazendo-nos novas do que é ou não é possível, limites ou fronteiras forjadas para sempre. As crendices, assim, foram controladas e. desde então, nós podemos alcançar as estrelas”.

   Dois mil anos após serem escritos, os versos de Lucrécio ecoam com incrível modernidade. Na passagem de mais um milênio*, quando muitos sentem-se vulneráveis perante as várias profecias apocalípticas, sugiro uma nova leitura de Lucrécio, poeta da ciência e da lucidez apaixonada.

* Este texto foi publicado em 1999.

(Adaptado de GLEISER, Marcelo. Retalhos cósmicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1999, p. 21-22) 


Nas palavras de Lucrécio, que constituem o 3º parágrafo do texto, hã uma oposição de sentido entre os segmentos
Alternativas
Q3170805 Português
Poesia e ciência


   É comum se dizer que poucas atividades criativas são tão antagônicas quanto a poesia e a ciência. Enquanto uma expressa uma visão subjetiva e emocional do mundo, a outra expressa uma visão universal e racional. Enquanto uma é produto de inspiração e lirismo, a outra o é de dedução e análise. A obra de certos poetas, no entanto, além de extremamente técnica, mostra uma profunda apreciação da visão cientifica prevalecente na época.

   Como exemplo, tenho em mente o poeta romano Lucrécio, que viveu aproximadamente entre 96 e 55 a.C. Em um mundo completamente dominado por religiões politeistas, baseadas em ritos pagãos, a voz de Lucrécio soa como uma verdadeira luz nas trevas, uma proclamação contra o medo criado pela ignorância e pela obediência cega à autoridade. O poeta convida seus leitores a olhar para o mundo e seus mistérios através da razão, argumentando que esse é o único caminho para a nossa liberação. Eis um exemplo, livremente parafraseado:

    “Quando a vida humana, arrastando-se pela Terra, era esmagada pelas crendices, um homem grego pela primeira vez alçou bravamente seus olhos mortais contra esses tormentos [...] Sua força era a mente, que ele usou para explorar a vasta imensidão do espaço, trazendo-nos novas do que é ou não é possível, limites ou fronteiras forjadas para sempre. As crendices, assim, foram controladas e. desde então, nós podemos alcançar as estrelas”.

   Dois mil anos após serem escritos, os versos de Lucrécio ecoam com incrível modernidade. Na passagem de mais um milênio*, quando muitos sentem-se vulneráveis perante as várias profecias apocalípticas, sugiro uma nova leitura de Lucrécio, poeta da ciência e da lucidez apaixonada.

* Este texto foi publicado em 1999.

(Adaptado de GLEISER, Marcelo. Retalhos cósmicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1999, p. 21-22) 


No 2º parágrafo, o nome do poeta romano Lucrécio é invocado para demonstrar que
Alternativas
Q3170803 Português
Poesia e ciência


   É comum se dizer que poucas atividades criativas são tão antagônicas quanto a poesia e a ciência. Enquanto uma expressa uma visão subjetiva e emocional do mundo, a outra expressa uma visão universal e racional. Enquanto uma é produto de inspiração e lirismo, a outra o é de dedução e análise. A obra de certos poetas, no entanto, além de extremamente técnica, mostra uma profunda apreciação da visão cientifica prevalecente na época.

   Como exemplo, tenho em mente o poeta romano Lucrécio, que viveu aproximadamente entre 96 e 55 a.C. Em um mundo completamente dominado por religiões politeistas, baseadas em ritos pagãos, a voz de Lucrécio soa como uma verdadeira luz nas trevas, uma proclamação contra o medo criado pela ignorância e pela obediência cega à autoridade. O poeta convida seus leitores a olhar para o mundo e seus mistérios através da razão, argumentando que esse é o único caminho para a nossa liberação. Eis um exemplo, livremente parafraseado:

    “Quando a vida humana, arrastando-se pela Terra, era esmagada pelas crendices, um homem grego pela primeira vez alçou bravamente seus olhos mortais contra esses tormentos [...] Sua força era a mente, que ele usou para explorar a vasta imensidão do espaço, trazendo-nos novas do que é ou não é possível, limites ou fronteiras forjadas para sempre. As crendices, assim, foram controladas e. desde então, nós podemos alcançar as estrelas”.

   Dois mil anos após serem escritos, os versos de Lucrécio ecoam com incrível modernidade. Na passagem de mais um milênio*, quando muitos sentem-se vulneráveis perante as várias profecias apocalípticas, sugiro uma nova leitura de Lucrécio, poeta da ciência e da lucidez apaixonada.

* Este texto foi publicado em 1999.

(Adaptado de GLEISER, Marcelo. Retalhos cósmicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1999, p. 21-22) 


Depois de afirmar, no primeiro parágrafo, que poucas atividades são tão antagônicas quanto a poesia e a ciência, o autor do texto
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Q3170797 Português
[Tempos muito novos]

    O melhor conselho que eu poderia dar a um jovem de quinze anos enfiado numa escola desatualizada em algum lugar do mundo de hoje é: não confie demais nos adultos. A maioria deles tem boas intenções, mas eles não compreendem o mundo. No passado, era relativamente seguro apostar em seguir os adultos, porque eles conheciam as coisas bastante bem, e o mundo se transformava lentamente. Mas o século xx1 será diferente. Devido ao ritmo cada vez mais acelerado das mudanças, você nunca terá certeza se aquilo que os adultos estão lhe dizendo é fruto de uma sabedoria atemporal ou de um preconceito ultrapassado.

   A tecnologia não é uma coisa ruim, mas é uma aposta arriscada. Ela pode ajudá-lo muito, mas se ela exercer demasiado poder em sua vida, você pode acabar como um refém. Se você souber o que deseja na vida, ela pode ajudá-lo a conseguir. Mas se você não sabe, será muito fácil para a tecnologia moldar por você seus objetivos e assumir o controle de sua vida. E, à medida que a tecnologia adquire uma melhor compreensão dos humanos, você poderia se ver servindo a ela cada vez mais, em vez de ela servir a você. Você já viu esses zumbis que vagueiam pelas ruas com o rosto grudado em seus smartphones? Você acha que eles estão controlando a tecnologia ou é a tecnologia que os está controlando?

    Neste exato momento, os algoritmos estão observando você. Estão observando aonde você vai, o que compra, com quem se encontra. Logo vão monitorar todos os seus passos, todas as suas respirações, todas as batidas de seu coração. Estão se baseando em Big Data e no aprendizado da máquina para conhecer você cada vez melhor. Se você quiser manter algum controle sobre sua existência pessoal e o futuro de sua vida, terá de correr mais rápido que os algoritmos. Para correr tão rápido, não leve muita bagagem consigo. Deixe para trás suas ilusões. Elas são pesadas demais. 

(Adaptado de: HARARI, Yuval Noah. 21 lições para o século 21. São Paulo: Companhia das Letras. 2018, p. 328-329)
No 2º parágrafo, a tecnologia é vista como uma aposta arriscada
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Q3170796 Português
[Tempos muito novos]

    O melhor conselho que eu poderia dar a um jovem de quinze anos enfiado numa escola desatualizada em algum lugar do mundo de hoje é: não confie demais nos adultos. A maioria deles tem boas intenções, mas eles não compreendem o mundo. No passado, era relativamente seguro apostar em seguir os adultos, porque eles conheciam as coisas bastante bem, e o mundo se transformava lentamente. Mas o século xx1 será diferente. Devido ao ritmo cada vez mais acelerado das mudanças, você nunca terá certeza se aquilo que os adultos estão lhe dizendo é fruto de uma sabedoria atemporal ou de um preconceito ultrapassado.

   A tecnologia não é uma coisa ruim, mas é uma aposta arriscada. Ela pode ajudá-lo muito, mas se ela exercer demasiado poder em sua vida, você pode acabar como um refém. Se você souber o que deseja na vida, ela pode ajudá-lo a conseguir. Mas se você não sabe, será muito fácil para a tecnologia moldar por você seus objetivos e assumir o controle de sua vida. E, à medida que a tecnologia adquire uma melhor compreensão dos humanos, você poderia se ver servindo a ela cada vez mais, em vez de ela servir a você. Você já viu esses zumbis que vagueiam pelas ruas com o rosto grudado em seus smartphones? Você acha que eles estão controlando a tecnologia ou é a tecnologia que os está controlando?

    Neste exato momento, os algoritmos estão observando você. Estão observando aonde você vai, o que compra, com quem se encontra. Logo vão monitorar todos os seus passos, todas as suas respirações, todas as batidas de seu coração. Estão se baseando em Big Data e no aprendizado da máquina para conhecer você cada vez melhor. Se você quiser manter algum controle sobre sua existência pessoal e o futuro de sua vida, terá de correr mais rápido que os algoritmos. Para correr tão rápido, não leve muita bagagem consigo. Deixe para trás suas ilusões. Elas são pesadas demais. 

(Adaptado de: HARARI, Yuval Noah. 21 lições para o século 21. São Paulo: Companhia das Letras. 2018, p. 328-329)
No 1° parágrafo, o elemento central da comparação estabelecida entre o passado e o século XXI é a
Alternativas
Q3170795 Português
[Tempos muito novos]

    O melhor conselho que eu poderia dar a um jovem de quinze anos enfiado numa escola desatualizada em algum lugar do mundo de hoje é: não confie demais nos adultos. A maioria deles tem boas intenções, mas eles não compreendem o mundo. No passado, era relativamente seguro apostar em seguir os adultos, porque eles conheciam as coisas bastante bem, e o mundo se transformava lentamente. Mas o século xx1 será diferente. Devido ao ritmo cada vez mais acelerado das mudanças, você nunca terá certeza se aquilo que os adultos estão lhe dizendo é fruto de uma sabedoria atemporal ou de um preconceito ultrapassado.

   A tecnologia não é uma coisa ruim, mas é uma aposta arriscada. Ela pode ajudá-lo muito, mas se ela exercer demasiado poder em sua vida, você pode acabar como um refém. Se você souber o que deseja na vida, ela pode ajudá-lo a conseguir. Mas se você não sabe, será muito fácil para a tecnologia moldar por você seus objetivos e assumir o controle de sua vida. E, à medida que a tecnologia adquire uma melhor compreensão dos humanos, você poderia se ver servindo a ela cada vez mais, em vez de ela servir a você. Você já viu esses zumbis que vagueiam pelas ruas com o rosto grudado em seus smartphones? Você acha que eles estão controlando a tecnologia ou é a tecnologia que os está controlando?

    Neste exato momento, os algoritmos estão observando você. Estão observando aonde você vai, o que compra, com quem se encontra. Logo vão monitorar todos os seus passos, todas as suas respirações, todas as batidas de seu coração. Estão se baseando em Big Data e no aprendizado da máquina para conhecer você cada vez melhor. Se você quiser manter algum controle sobre sua existência pessoal e o futuro de sua vida, terá de correr mais rápido que os algoritmos. Para correr tão rápido, não leve muita bagagem consigo. Deixe para trás suas ilusões. Elas são pesadas demais. 

(Adaptado de: HARARI, Yuval Noah. 21 lições para o século 21. São Paulo: Companhia das Letras. 2018, p. 328-329)
Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente um segmento em:
Alternativas
Q3170446 Português
Hollywood dentro de nós


   A cultura norte-americana, mais do que qualquer outra, vive e pensa a coletividade como um conjunto de indivíduos. Para um europeu ou um sul-americano, comemorar, explicar e mesmo narrar um acontecimento é, no mínimo, problemático sem explorar sua dimensão propriamente social: o encontro ou a luta de ideias, classes, nações, grupos, grandes interesses econômicos, etc.

   Hollywood, com a força de seu cinema, só podia nascer numa cultura em que, seja qual for a dimensão social dos fatos, toda experiência toma a forma de uma história de aventuras. Nesse tipo de cultura, qualquer história de vida promete um roteiro de filme.

   Criticamos ou desprezamos Hollywood pelas simplificações, pelos silêncios e pelas ignorâncias, talvez inevitáveis, ao reduzir a complexidade da história às andanças singulares dos indivíduos. Mas, no fundo, essa crítica se endereça a nós mesmos. Defendemos um entendimento do mundo em que causas e conflitos coletivos são mais importantes que a epopeia dos indivíduos. No entanto, a crítica do reducionismo de Hollywood é a maneira que encontramos para reprimir uma dimensão crucial da nossa própria experiência: o mundo nos interessa só porque constitui o cenário da aventura das nossas vidas. Hollywood, desprezada, cativa-nos e fascina-nos porque glorifica um individualismo que é o nosso. Portanto, mesmo envergonhados, entremos no cinema.


(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Terra de ninguém. São Paulo: Publifolha. 2008, p. 322-323)
Os filmes produzidos em Hollywood
Alternativas
Q3170445 Português
Hollywood dentro de nós


   A cultura norte-americana, mais do que qualquer outra, vive e pensa a coletividade como um conjunto de indivíduos. Para um europeu ou um sul-americano, comemorar, explicar e mesmo narrar um acontecimento é, no mínimo, problemático sem explorar sua dimensão propriamente social: o encontro ou a luta de ideias, classes, nações, grupos, grandes interesses econômicos, etc.

   Hollywood, com a força de seu cinema, só podia nascer numa cultura em que, seja qual for a dimensão social dos fatos, toda experiência toma a forma de uma história de aventuras. Nesse tipo de cultura, qualquer história de vida promete um roteiro de filme.

   Criticamos ou desprezamos Hollywood pelas simplificações, pelos silêncios e pelas ignorâncias, talvez inevitáveis, ao reduzir a complexidade da história às andanças singulares dos indivíduos. Mas, no fundo, essa crítica se endereça a nós mesmos. Defendemos um entendimento do mundo em que causas e conflitos coletivos são mais importantes que a epopeia dos indivíduos. No entanto, a crítica do reducionismo de Hollywood é a maneira que encontramos para reprimir uma dimensão crucial da nossa própria experiência: o mundo nos interessa só porque constitui o cenário da aventura das nossas vidas. Hollywood, desprezada, cativa-nos e fascina-nos porque glorifica um individualismo que é o nosso. Portanto, mesmo envergonhados, entremos no cinema.


(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Terra de ninguém. São Paulo: Publifolha. 2008, p. 322-323)
A razão pela qual o cinema de Hollywood é tão influente está no segmento
Alternativas
Q3170306 Português
Três exemplos de como não tratar um paciente

Por J. J. Camargo

Captura_de tela 2025-01-28 144326.png (878×631)

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/jj-camargo/noticia/2024/11/tres-exemplos-decomo-nao-tratar-um-paciente-cm35u5qun00l6013kbtvc855b.html – texto adaptado especialmente para esta prova). 
Considerando a charge a seguir e sua relação com o texto-base, analise as seguintes asserções e a relação proposta entre elas:

Captura_de tela 2025-01-28 150452.png (502×371)
Fonte: Sorriso Pensante.

I. Tanto a charge quanto o texto abordam situações relacionadas à área da saúde.
E
II. Tanto a charge quanto o texto retratam claramente a precariedade da relação paciente-médico.

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Respostas
4141: A
4142: E
4143: C
4144: A
4145: A
4146: D
4147: D
4148: D
4149: D
4150: E
4151: A
4152: E
4153: E
4154: D
4155: B
4156: C
4157: E
4158: D
4159: E
4160: C